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Rev. Bras. Enferm. vol.25 número12

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Academic year: 2018

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POTICA DE TRABALHO DA ASSOCIAÇAO

-BRASILEIRA DE NFERMAGEM (ABEn)

A . C . Cavalho *

I - ABEn CARAElZAÇAO E OBJETO

Introdução

A Associação Brsileira de Enfermagem (ABEn) , fundada em 12 de agosto de 1926, congrega enfermeiras/os brasileirs/os, ou estran­ geiras/os radicadas/os * * no País, com o objetivo de incentivar o es­ pírito de união e a cordialidae entre seus membros e entre sses e os representantes de proisões afins, e de pugnar pelo desen­ volvimeno da enfermagem em todos os seus ramos, através do aprimoramento das enfermeirs, individualmente, e do aperfeiçoa­ mento dos pogramas de formação o pessoal de enfermagem.

A defesa da clase e dos interesses sócio-econômicos dos mem­ bros, o zelo pela observância de alto padrão e ética profissional, em como a cooperação com as autoridades na solução de proble­ mas profissionais ou educacionais relacionados com a enfermagem, constituem parte fundamental o seu programa de atividades.

Funciona como uma federação constituída pelas eçõe' staduais que, por sua vez, podem congregar Distritos, que são núcleos re­ gionais ou municipais de enfermeiras, todos regidos por um único dcumento legal, os statutos a Associação Brsileira de Enferma­ gem e o seu Regulamento.

Da diretoria da ABEn, constituída por elementos com responsa­ bilidades administrativas e executivas (presidentes. vice-presidentes, secretárias e tesoureiras) e pelas coordenadoras das suas Comissões Técnicas (de Assistência de Enfermagem, Documentação e Estudo,

* Prsidente de Aciação Brasileira de Enfermagem. Trabalho apre­ sendo na P Asembléia de Delegados de 197 1 ; baeado em traba­ lhs nteriors Obre o msmo assunto já publicdo na RBn. * * Daqui or diante seá sdo aen.J a palara "enfemeras" pra de­

(2)

REVISTA BRAS,EIRA DE EFERMAGEM 147

Educação, Legislação e da Revista Brasileira de Enfermagem) , ema­ nam s diretrizes para o bom funcionamento das Seçõs Estaduais, e maneira a ser preservada a unidade de pensamento com rela­ ção à filosofia e à política de trabalho da Associação.

Seu órgão deliberativo, a Asembléia de Delegados, constituídas por representantes das Seções em número proporcional ao número de associads quites, é soberana ns seus j ulgamentos e nas suaS decises.

Como única entidade de classe representativa as enfermeiras brasileiras, ssume o seu papel : na liderança e na coordenação ds atividades de caráter cultural e asistencial programados no campo de enfermagem nacional ; no assessoramento das autoridades liga­ das à educação, à saúde e ao trabalho na dscussão e na resolu­ ção de problemas ligados ao ensino e ao exercício profisional; na implementação de novos programas para enfermeiras nos campos da saúde e do bem-estar social ; no desenvolvimento de uma comu­ nicação eficiente e no intercâmbio de informações entre as enfer­ mers e entre essas e a sua asociação de classe ; no provimento de asistência e aconselhamento às Seções e Dstritos, quando so­ licitado.

A Associação Brasileira e Enfermagem é o porta-voz natural da enfermagem basileira em âmbito nacional e internacional.

Na esfera internacional está filiada e mantém intercâmbio com o Conselho Internacional de nfermeiros (ICN) , com o Comitê In­ ternacional Católico de Enfermeirs e Assistentes MédiCO-Sociais

(CICIAMS e com a Federação Panamericanas de Enfermeiras/os. Na qualidade de membro efetivo do Conselho Internacional de Enfermeiras apoia e enossa os princípiOS básicos defendidos por esse Conselho e que norteiam suas atividades inernacionas.

Pssoal de Efermgem

A Associação Brasileira de Enfermagem aceita a sugestão da Organização Mundial de Saúde relátiva à divisão do pesoal e en­ fermagem e� três categorias ( 1 ) e coloca a enfermeira, o técnico de enfermagem e o auxiliar de enfermagem respectivamente nas ca­ tegoris I, 11, 111. Admite, não obstante, que o atendente vem pres­ tando valiosa contribuição à assistênca hospitalar no país e con­ tinuará a constituir o grupo mais numeroso, por cujo desenvolvi­ mento a enfermeira deve assumir total responsabilidade.

(3)

8 'REVITA ····eRALEIRA DE FERMAGEM

i)finiç�s

A ABEn, reconecendo o valor ' a prpriedade de conceits

relativos à enfermagem . emitids pa ornização Mundial de aúde e' elo' Coeho InrnaconaLde 'Enferiras, ale-se de

lguns qeles para a definição de ermos do pesente ocumento:

Enermagem -araczadas como ndo a Ifunço peculiar da enfermeira, de prestar assistência ao indivíduo doente ou sadio no

desemenho .de ativils que cOntribuem . r' ma)er a saúde ou para recuperá-la (ou ter. uma more ,�rela) ; atividades que , ele desempenhari1a &onho, �. tivee a for�aj , vonade ou conheimento

necessárs. E fazêclo de modo qe. o j ude . a, recuperar sua inde­ endência o mais raidamene ossível.�' (2.)

ên:a de Efemagem - cons$te na adoção, pelo pessoal e enferlagem,>de Hmedids que visem a segurança, ) conforto fí­ sico e mental, , recuperação .. e a reabiação ·de, esoas enfermas, e a educação .saária de sãS e denes." (3)

'Enfermeira - pesoa que, enh

a

completado o curo de enfer­ magem em esols ofici as ,ou reconhecidas;. de acordo . com, a le­ gislação vigente, ou portadora de diploma estrangeiro conferido p

o

r

escola reConhecida no País de, orjgem, qqif1c�i: e autorida" por­ tanto, "para assumir a responsabilidade, da:ssU!�nca de enferma­

gem visando a promoção da saúde, a prevenç�o da doença e a prestação e cuidados ao enfermo." 4)

Técmco e EIe . ma,�m -

pssoa

que tenha, çompleta

d

o o curso

Técni co de Enfermagem em colégios, ou cursos . oficiais ou !t�Olhe­

cidos de acordo com a legislação vige

n

te, e Hcapaz de. prestar Ssis­

tência de enf'etmagem de natur

e

za men

o

s . compl

e

xa e. óue'. exige

competência técnica e hablIi

d

ade em relações

inter-peSsOaIs.

A

pesoa per

t

encente a esta cat

e

goria deverá estar qualificadà a' pres­

tar assistência de natureza preventiva, curativa e de reabilitação,

levando em consideração as necessidades psicológicàs é sociáis dos

indivíduos." . ( 5 )

Auxi,u le .Elfenag

e

m - pesoa q

c

e t enha. completado o

curso regular' ou o cúrso intensivo de auxiliar de enfermagem ofi ­

ciais ou 'reconhecldos de acordo com a legi,slação vigente, 'e "capaz

(2) Henderson, Virgínia: Princípis BSics obre Cuidads de nferma­ gem. Rio •. Bn, 1962, . p. 4. Defniço adotada eo Coelho

nr-nacional de �erleras. . . . . . " . ; (3 ) Curso de Enfermagem - Relatório da Cossão de Peritos. RBEn,

16 (l) : 6-11. 193.

(4) Conselho Intenacional de Enfermeirs - Documens Básicos ( 15) . (5) orgàacwn Mundial de' là Salnd, Infrme échic6 n.- 341 (Quino

(4)

REISTA . BSLI' DE ERAGEM 19

de xecut ta�s especifics relacionadasrelacionad s com om a ,asistência de

eeermager m e que requeira, menor a de j ulgameno. Os

que ertencem a esta cateoria devem

capacidae

estar apacitados a manter

bom relacionamento com s pacientes _e a executar com egran­

ça, sob supervisão,.as tarefas pa. s qus foram treinados." ( 6)

qie ,de Enfeagem - formada pelas três categorias de pes­

soal de enfermagem com a lnclusãó eventual do atendeite, para a

integração do trabalho com fim de melhorar 'a- ssistência, quan­

titativa e qualitativamente. o

II - FILOSOFIA E PRINCíPIOS BASICOS

A ssociação Brsileira - de Enfermagem assume a

responsàb1l1-dade de contribuir efetivamente para o denvolvim ens

exercicio .

e ino

e do da enfermagem Pais- ara o'aprimor

nto· do amento in­

dividual: de ses ' membros. -Ao

no e

aperfeiçoamento deses programas

indiar diretrizes'

-que conduzam ao

n rea

-o se por'

lids, fundamentais à cosecução de um

crenças e ' prin­

cípios só mais impor­

tantes os seus propósitos, .

dos

. O de · colaboar para a melhoria da asis­

tência de saúde· ao povo brasileiro.

Fundamenta seus principios e açs na . Onstituição do Brsl,

cuj a ilosofia ressalta a formação e a valorzação humana; o reco­

nhecimento da iguáldade de dreits entre s cidádãos, incentivo

para o crescimento individual e coletivo, a ampla partcip

o

ação na

vida ncional e o dEeito inalienável o homem na prdução e na

utilização' dos bens scàls.

Baseada no seu CÓdigo de mica e em

-regulamentam eus fins e ações,

os .

seus statutos, quais

cnsonância a e­

claração Universal dos Diteitos

suas

'do Ho

e mem, -em -a oci-açáó C -O BrasIl I ea

de Enfermagem rconb a enfermagem; por natureza, em

como objetivo central

ece

o homem

que

em sua dignidade

sua

absoluta

por norms éticas

-; como

atividade humana uiversal, rege-se

progrsso

e esen­

volve de acordo com o cientifico e tecnOógico ;

e

e, como

profissão, constitui .ocial no contexo sócio-econô­

mico e cultural do Pais

m guo

coordena-se om

que

as demais no sentido

contribuir para o em . estar omum. Declara sua crença em _

de

que :

- Todo assistência de

er

enfer

humano .tem _reto à saúde ma

magem que lhe assegure a proteção

e, portano, a

ou, em cao

de perda, a recuperação de sua saúde.

(6) Ibid, p. NTA

3.

s enfemeirs prâtlcs e xr­

cer mms

s prátics de enfermagm odem

s fnçs feag. (Cto

(5)

150 REVISTA BRASILEIRA DE EFERMAGEM

- A assistência de enfermagem inclui os spectos preventivos, curativos, de reabilitação e de apoio sicológico, religioso e soelal, planejada segundo as necessiades de cada indivíduo ou grupo da comunidade.

- A assstência de enfermagem envolve atividades de comple­ xidade diversa e de diferenciado grau de responsabiliade, o que permite ser realizada por uma equipe constituída por elementos de enfermagem de diferentes níveis, sob supervisão da enfermeira.

- A contribuição da enfermeira no campo de saúe é de grande importância para a manutenção da eficiência ds serviços que as istituições de saúde oferecem à comunidade.

- O exercício profissional tem como imperativo atender s ne­ cessidades do País, conforme sua realidade sanitária, e à demanda do mercado de trabalho.

- A comunidade tem participação decisiva no desenvolvimento da profissão, pois ao reconhecer sua importância e exigir melhores padrões e asstência, influi na demanda de peQal de enferma­ gem, na sua formação e no seu aperfeiçoamento.

- É fundamental para a enfermagem o emprego da pesquisa aplicada e de estudos operacionais a fim de promover as mudanças metodOlógicas indispensáveis à educação e ao exercício profissional. - Os estudos pós-graduados e a especialização dos profisio­ nais e enfermagem são condições essenciais para o aperfeiçoa­ mento da prática profissional.

- O sistema educacional adotado pelo Pais para o preparo da

enfermeira, e o controle do exercício profis.sional, Influenciam a

qualidade da ssistência de enfermagem.

- O ensino da enfermagem é realizado com maior eficiência em instituiçõs que tenham a educação como finaliade principal.

- A formação pedagógica e o aperfeiçoamento continuado do corpo docente das escolas de enfemagem são requisitos fundamen­ tais para a dinamização e a atualização do ensino.

- A enfermeira tem direito a justa remuneração e a condi­ ções de trabalho satisfatórias, compatíveis com o seu nível de pre­ paro, carga de trabalho e grau de responsabilidade.

Bseada em suas convicções a Associação Brasileira e Enfer­ magem declara como princípios básicos para o exercício e o ensino da enfermagem :

1 . A função primária da enfermeira é prestar serviço ao pú­

blico, sob a forma de asistência de enfermagem a indivíduos Ou a grupos de comunidade, sem restrições a nacionalidade, raça, cor, creo olítico ou rellgioso e status social.

(6)

REVISTA BRASILEIRA DE EFERMAGEM 151

nacional, e organizar suas atividades de modo � colaborar no aten­ dimento daquelas necessidads.

3 . A colaboração no planejamento dos serviços de enfermagem · nos níves nacional e regional, faz parte s atribuiçes da enfermeira.

4 . A existência de um órgão fiscalizador do exercicio profs­

sional contribui para a melhoria da qualidade dos serviços presta­ dos e para a proteção da comunidae servida.

5 . O atendente, elemento proviõriamente indispensável na equipe de enfermagem, deve receber treinamento prévio suficiente, e contar com educação continuada que o capacie a colaborar efi­ cientemente na asistência de enfermagem.

6 . Um sistema organizado de serviço de enfermagem em que o pessoal é utilizado no máximo de sua capaciade é condição indis= pensável para a eficiência da assistência prestada e para o desen­ volvimento da profssão.

7 . A enfermeira por seu nível de formação e pelas pssibi­ dades de estudos avançados em adminstração de enfermagem, é o profissional indicao para exercer a direção dos serviços de enfer­ magem.

8 . O estudane de enfermagem, seu desenvolvimento como pessoa, cidadão e profssional, constitui o centro em torno do qual todas s atividades da escola devem ser programadas.

9 . O curso de graduação em enfermagem eve preparar o en� fermeiro para, como líder natural da equipe de enfermagem, exercer as funções de enfermagem propriamente ditas, funçes médicas de­ legadas, de coordenação da eqipe, de ensino e supervsão de pes­ soal auxiliar e e planejamento e assessoria de enfermagem em nível local.

(7)

152 A SLEIR: 'DE EEAGM

, 11.. ,O prearo do ténco de nfermagem· deve ser feito em

instituições educacionas e é essencial que o currículo inclúa o en­

sino. tório e, prático· d$ diciplinas fundmentais de enfermagem

de modo a habliar o profisional a prestara ssisência de enfer­

mgem preventiva, cl"ativa e de reabilitação COm conhecimento e

COm peência técnica.. .' , ,

12. O preparo do, axiliar de enfermagem deve apoiar-s� em

programa essencialmente prático que o habilite a colaborar na asss­

têpçia 0 enfermagem executando tas especificas, sob supervsão.

" 13. A enfermera, por seu nivel de formação e por possuIr co:

nhecimentos especializados de enfermagem Çom pOSibilid

a

d

e

s de és:

tudos pós-graduados, é o profssional indicado para a ministraçãó

do ensino teórico e

p

rático das dsciplinas' profissionas e para

a

direção dos cursos de, enfermagem dos três níve

is

, de graduação,

técnico e de auxilar de enfermagem.

14. s enfermeir

a

s têm o dIeito de lutar por melhores salários

e melhores condições de trabalho; devem, portanto, iitegràr-se em

associação

profissional

da classe qüe

s

e

resonsabilizará

pela defe­

sa

de seus intereses econômicos e proflsionaiS.

15. Enquanto não existirem o Conselho de Enferm

a

gem,' e i

Sindicato de

Enfemeiras

Diplomadas;' cabe à AscI

a

ço Brasileira

de Enfermagem à

r

espons

a

bilidade de zelar pelaconservaÇão de alto

padrão de ética profssion

al . ,e

pela defs'

dos 'inteesses e dIrei­

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