POTICA DE TRABALHO DA ASSOCIAÇAO
-BRASILEIRA DE NFERMAGEM (ABEn)
A . C . Cavalho *
I - ABEn CARAElZAÇAO E OBJETO
Introdução
A Associação Brsileira de Enfermagem (ABEn) , fundada em 12 de agosto de 1926, congrega enfermeiras/os brasileirs/os, ou estran geiras/os radicadas/os * * no País, com o objetivo de incentivar o es pírito de união e a cordialidae entre seus membros e entre sses e os representantes de proisões afins, e de pugnar pelo desen volvimeno da enfermagem em todos os seus ramos, através do aprimoramento das enfermeirs, individualmente, e do aperfeiçoa mento dos pogramas de formação o pessoal de enfermagem.
A defesa da clase e dos interesses sócio-econômicos dos mem bros, o zelo pela observância de alto padrão e ética profissional, em como a cooperação com as autoridades na solução de proble mas profissionais ou educacionais relacionados com a enfermagem, constituem parte fundamental o seu programa de atividades.
Funciona como uma federação constituída pelas eçõe' staduais que, por sua vez, podem congregar Distritos, que são núcleos re gionais ou municipais de enfermeiras, todos regidos por um único dcumento legal, os statutos a Associação Brsileira de Enferma gem e o seu Regulamento.
Da diretoria da ABEn, constituída por elementos com responsa bilidades administrativas e executivas (presidentes. vice-presidentes, secretárias e tesoureiras) e pelas coordenadoras das suas Comissões Técnicas (de Assistência de Enfermagem, Documentação e Estudo,
* Prsidente de Aciação Brasileira de Enfermagem. Trabalho apre sendo na P Asembléia de Delegados de 197 1 ; baeado em traba lhs nteriors Obre o msmo assunto já publicdo na RBn. * * Daqui or diante seá sdo aen.J a palara "enfemeras" pra de
REVISTA BRAS,EIRA DE EFERMAGEM 147
Educação, Legislação e da Revista Brasileira de Enfermagem) , ema nam s diretrizes para o bom funcionamento das Seçõs Estaduais, e maneira a ser preservada a unidade de pensamento com rela ção à filosofia e à política de trabalho da Associação.
Seu órgão deliberativo, a Asembléia de Delegados, constituídas por representantes das Seções em número proporcional ao número de associads quites, é soberana ns seus j ulgamentos e nas suaS decises.
Como única entidade de classe representativa as enfermeiras brasileiras, ssume o seu papel : na liderança e na coordenação ds atividades de caráter cultural e asistencial programados no campo de enfermagem nacional ; no assessoramento das autoridades liga das à educação, à saúde e ao trabalho na dscussão e na resolu ção de problemas ligados ao ensino e ao exercício profisional; na implementação de novos programas para enfermeiras nos campos da saúde e do bem-estar social ; no desenvolvimento de uma comu nicação eficiente e no intercâmbio de informações entre as enfer mers e entre essas e a sua asociação de classe ; no provimento de asistência e aconselhamento às Seções e Dstritos, quando so licitado.
A Associação Brasileira e Enfermagem é o porta-voz natural da enfermagem basileira em âmbito nacional e internacional.
Na esfera internacional está filiada e mantém intercâmbio com o Conselho Internacional de nfermeiros (ICN) , com o Comitê In ternacional Católico de Enfermeirs e Assistentes MédiCO-Sociais
(CICIAMS e com a Federação Panamericanas de Enfermeiras/os. Na qualidade de membro efetivo do Conselho Internacional de Enfermeiras apoia e enossa os princípiOS básicos defendidos por esse Conselho e que norteiam suas atividades inernacionas.
Pssoal de Efermgem
A Associação Brasileira de Enfermagem aceita a sugestão da Organização Mundial de Saúde relátiva à divisão do pesoal e en fermagem e� três categorias ( 1 ) e coloca a enfermeira, o técnico de enfermagem e o auxiliar de enfermagem respectivamente nas ca tegoris I, 11, 111. Admite, não obstante, que o atendente vem pres tando valiosa contribuição à assistênca hospitalar no país e con tinuará a constituir o grupo mais numeroso, por cujo desenvolvi mento a enfermeira deve assumir total responsabilidade.
8 'REVITA ····eRALEIRA DE FERMAGEM
i)finiç�s
A ABEn, reconecendo o valor ' a prpriedade de conceits
relativos à enfermagem . emitids pa ornização Mundial de aúde e' elo' Coeho InrnaconaLde 'Enferiras, ale-se de
lguns qeles para a definição de ermos do pesente ocumento:
Enermagem -araczadas como ndo a Ifunço peculiar da enfermeira, de prestar assistência ao indivíduo doente ou sadio no
desemenho .de ativils que cOntribuem . r' ma)er a saúde ou para recuperá-la (ou ter. uma more ,�rela) ; atividades que , ele desempenhari1a &onho, �. tivee a for�aj , vonade ou conheimento
necessárs. E fazêclo de modo qe. o j ude . a, recuperar sua inde endência o mais raidamene ossível.�' (2.)
ên:a de Efemagem - cons$te na adoção, pelo pessoal e enferlagem,>de Hmedids que visem a segurança, ) conforto fí sico e mental, , recuperação .. e a reabiação ·de, esoas enfermas, e a educação .saária de sãS e denes." (3)
'Enfermeira - pesoa que, enh
a
completado o curo de enfer magem em esols ofici as ,ou reconhecidas;. de acordo . com, a le gislação vigente, ou portadora de diploma estrangeiro conferido po
rescola reConhecida no País de, orjgem, qqif1c�i: e autorida" por tanto, "para assumir a responsabilidade, da:ssU!�nca de enferma
gem visando a promoção da saúde, a prevenç�o da doença e a prestação e cuidados ao enfermo." 4)
Técmco e EIe . ma,�m -
pssoa
que tenha, çompletad
o o cursoTécni co de Enfermagem em colégios, ou cursos . oficiais ou !t�Olhe
cidos de acordo com a legislação vige
n
te, e Hcapaz de. prestar Ssistência de enf'etmagem de natur
e
za meno
s . comple
xa e. óue'. exigecompetência técnica e hablIi
d
ade em relaçõesinter-peSsOaIs.
Apesoa per
t
encente a esta cate
goria deverá estar qualificadà a' prestar assistência de natureza preventiva, curativa e de reabilitação,
levando em consideração as necessidades psicológicàs é sociáis dos
indivíduos." . ( 5 )
Auxi,u le .Elfenag
e
m - pesoa qc
e t enha. completado ocurso regular' ou o cúrso intensivo de auxiliar de enfermagem ofi
ciais ou 'reconhecldos de acordo com a legi,slação vigente, 'e "capaz
(2) Henderson, Virgínia: Princípis BSics obre Cuidads de nferma gem. Rio •. Bn, 1962, . p. 4. Defniço adotada eo Coelho
nr-nacional de �erleras. . . . . . " . ; (3 ) Curso de Enfermagem - Relatório da Cossão de Peritos. RBEn,
16 (l) : 6-11. 193.
(4) Conselho Intenacional de Enfermeirs - Documens Básicos ( 15) . (5) orgàacwn Mundial de' là Salnd, Infrme échic6 n.- 341 (Quino
REISTA . BSLI' DE ERAGEM 19
de xecut ta�s especifics relacionadasrelacionad s com om a ,asistência de
eeermager m e que requeira, menor a de j ulgameno. Os
que ertencem a esta cateoria devem
capacidae
estar apacitados a manter
bom relacionamento com s pacientes _e a executar com egran
ça, sob supervisão,.as tarefas pa. s qus foram treinados." ( 6)
qie ,de Enfeagem - formada pelas três categorias de pes
soal de enfermagem com a lnclusãó eventual do atendeite, para a
integração do trabalho com fim de melhorar 'a- ssistência, quan
titativa e qualitativamente. o
II - FILOSOFIA E PRINCíPIOS BASICOS
A ssociação Brsileira - de Enfermagem assume a
responsàb1l1-dade de contribuir efetivamente para o denvolvim ens
exercicio .
e ino
e do da enfermagem Pais- ara o'aprimor
nto· do amento in
dividual: de ses ' membros. -Ao
no e
aperfeiçoamento deses programas
indiar diretrizes'
-que conduzam ao
n rea
-o se por'
lids, fundamentais à cosecução de um
crenças e ' prin
cípios só mais impor
tantes os seus propósitos, .
dos
. O de · colaboar para a melhoria da asis
tência de saúde· ao povo brasileiro.
Fundamenta seus principios e açs na . Onstituição do Brsl,
cuj a ilosofia ressalta a formação e a valorzação humana; o reco
nhecimento da iguáldade de dreits entre s cidádãos, incentivo
para o crescimento individual e coletivo, a ampla partcip
o
ação na
vida ncional e o dEeito inalienável o homem na prdução e na
utilização' dos bens scàls.
Baseada no seu CÓdigo de mica e em
-regulamentam eus fins e ações,
os .
seus statutos, quais
cnsonância a e
claração Universal dos Diteitos
suas
'do Ho
e mem, -em -a oci-açáó C -O BrasIl I ea
de Enfermagem rconb a enfermagem; por natureza, em
como objetivo central
ece
o homem
que
em sua dignidade
sua
absoluta
por norms éticas
-; como
atividade humana uiversal, rege-se
progrsso
e esen
volve de acordo com o cientifico e tecnOógico ;
e
e, como
profissão, constitui .ocial no contexo sócio-econô
mico e cultural do Pais
m guo
coordena-se om
que
as demais no sentido
contribuir para o em . estar omum. Declara sua crença em _
de
que :
- Todo assistência de
er
enfer
humano .tem _reto à saúde ma
magem que lhe assegure a proteção
e, portano, a
ou, em cao
de perda, a recuperação de sua saúde.
(6) Ibid, p. NTA
3.
s enfemeirs prâtlcs e xr
cer mms
s prátics de enfermagm odem
s fnçs feag. (Cto
150 REVISTA BRASILEIRA DE EFERMAGEM
- A assistência de enfermagem inclui os spectos preventivos, curativos, de reabilitação e de apoio sicológico, religioso e soelal, planejada segundo as necessiades de cada indivíduo ou grupo da comunidade.
- A assstência de enfermagem envolve atividades de comple xidade diversa e de diferenciado grau de responsabiliade, o que permite ser realizada por uma equipe constituída por elementos de enfermagem de diferentes níveis, sob supervisão da enfermeira.
- A contribuição da enfermeira no campo de saúe é de grande importância para a manutenção da eficiência ds serviços que as istituições de saúde oferecem à comunidade.
- O exercício profissional tem como imperativo atender s ne cessidades do País, conforme sua realidade sanitária, e à demanda do mercado de trabalho.
- A comunidade tem participação decisiva no desenvolvimento da profissão, pois ao reconhecer sua importância e exigir melhores padrões e asstência, influi na demanda de peQal de enferma gem, na sua formação e no seu aperfeiçoamento.
- É fundamental para a enfermagem o emprego da pesquisa aplicada e de estudos operacionais a fim de promover as mudanças metodOlógicas indispensáveis à educação e ao exercício profissional. - Os estudos pós-graduados e a especialização dos profisio nais e enfermagem são condições essenciais para o aperfeiçoa mento da prática profissional.
- O sistema educacional adotado pelo Pais para o preparo da
enfermeira, e o controle do exercício profis.sional, Influenciam a
qualidade da ssistência de enfermagem.
- O ensino da enfermagem é realizado com maior eficiência em instituiçõs que tenham a educação como finaliade principal.
- A formação pedagógica e o aperfeiçoamento continuado do corpo docente das escolas de enfemagem são requisitos fundamen tais para a dinamização e a atualização do ensino.
- A enfermeira tem direito a justa remuneração e a condi ções de trabalho satisfatórias, compatíveis com o seu nível de pre paro, carga de trabalho e grau de responsabilidade.
Bseada em suas convicções a Associação Brasileira e Enfer magem declara como princípios básicos para o exercício e o ensino da enfermagem :
1 . A função primária da enfermeira é prestar serviço ao pú
blico, sob a forma de asistência de enfermagem a indivíduos Ou a grupos de comunidade, sem restrições a nacionalidade, raça, cor, creo olítico ou rellgioso e status social.
REVISTA BRASILEIRA DE EFERMAGEM 151
nacional, e organizar suas atividades de modo � colaborar no aten dimento daquelas necessidads.
3 . A colaboração no planejamento dos serviços de enfermagem · nos níves nacional e regional, faz parte s atribuiçes da enfermeira.
4 . A existência de um órgão fiscalizador do exercicio profs
sional contribui para a melhoria da qualidade dos serviços presta dos e para a proteção da comunidae servida.
5 . O atendente, elemento proviõriamente indispensável na equipe de enfermagem, deve receber treinamento prévio suficiente, e contar com educação continuada que o capacie a colaborar efi cientemente na asistência de enfermagem.
6 . Um sistema organizado de serviço de enfermagem em que o pessoal é utilizado no máximo de sua capaciade é condição indis= pensável para a eficiência da assistência prestada e para o desen volvimento da profssão.
7 . A enfermeira por seu nível de formação e pelas pssibi dades de estudos avançados em adminstração de enfermagem, é o profissional indicao para exercer a direção dos serviços de enfer magem.
8 . O estudane de enfermagem, seu desenvolvimento como pessoa, cidadão e profssional, constitui o centro em torno do qual todas s atividades da escola devem ser programadas.
9 . O curso de graduação em enfermagem eve preparar o en� fermeiro para, como líder natural da equipe de enfermagem, exercer as funções de enfermagem propriamente ditas, funçes médicas de legadas, de coordenação da eqipe, de ensino e supervsão de pes soal auxiliar e e planejamento e assessoria de enfermagem em nível local.
152 A SLEIR: 'DE EEAGM
, 11.. ,O prearo do ténco de nfermagem· deve ser feito em
instituições educacionas e é essencial que o currículo inclúa o en
sino. tório e, prático· d$ diciplinas fundmentais de enfermagem
de modo a habliar o profisional a prestara ssisência de enfer
mgem preventiva, cl"ativa e de reabilitação COm conhecimento e
COm peência técnica.. .' , ,
12. O preparo do, axiliar de enfermagem deve apoiar-s� em
programa essencialmente prático que o habilite a colaborar na asss
têpçia 0 enfermagem executando tas especificas, sob supervsão.
" 13. A enfermera, por seu nivel de formação e por possuIr co:
nhecimentos especializados de enfermagem Çom pOSibilid
a
de
s de és:tudos pós-graduados, é o profssional indicado para a ministraçãó
do ensino teórico e
p
rático das dsciplinas' profissionas e paraa
direção dos cursos de, enfermagem dos três níve
is
, de graduação,técnico e de auxilar de enfermagem.
14. s enfermeir
a
s têm o dIeito de lutar por melhores saláriose melhores condições de trabalho; devem, portanto, iitegràr-se em
associação
profissional
da classe qües
eresonsabilizará
pela defesa
de seus intereses econômicos e proflsionaiS.15. Enquanto não existirem o Conselho de Enferm
a
gem,' e iSindicato de
Enfemeiras
Diplomadas;' cabe à AscIa
ço Brasileirade Enfermagem à
r
esponsa
bilidade de zelar pelaconservaÇão de altopadrão de ética profssion