UNIVERSIDADE DOS AÇORES
DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E PESCAS
Caracterização Ecológica e Sócio-Económica
do Sítio de Importância Comunitária
Banco D. João de Castro (PTMIG0021)
e Medidas de Gestão Propostas
Arquivos do DOP Série Relatórios Internos
internos, estatísticos, de cruzeiros e documentais, de edição restrita, realizados por investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç) e do Centro do IMAR da Universidade dos Açores. Estes trabalhos podem não conter conclusões definitivas, podendo fazer referência apenas à aplicação e desenvolvimento de uma técnica de trabalho ou a resultados parciais de uma investigação. Como consequência, as opiniões emitidas nestas publicações comprometem exclusivamente o(s) seu(s) autor(es).
UNIVERSIDADE DOS AÇORES
DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E PESCAS PT-9901-862 HORTA
PORTUGAL
Tel.: (+ 351) 292 200 400 Fax: (+ 351) 292 200 411 http://www.horta.uac.pt
Arquivos do DOP. Série Relatórios Internos
ISSN 0873-2841
Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP)
Centro do IMAR da Universidade dos Açores
Arquivos do DOP. Série: Relatórios Internos. N.º 21/2004
CARACTERIZAÇÃO ECOLÓGICA E SÓCIO-ECONÓMICA DO
SÍTIO DE IMPORTÂNCIA COMUNITÁRIA BANCO D.JOÃO DE CASTRO (PTMIG0021) E MEDIDAS DE GESTÃO PROPOSTAS
Frederico Cardigos, Rogério R. Ferraz, Samanta Vizinho, Vanessa Santos, Vera Guerreiro, Fernando Tempera, Pedro Frade & Ricardo S. Santos
Departamento de Oceanografia e Pescas, Universidade dos Açores, PT 9901-862 Horta, Açores, Portugal.
FICHA TÉCNICA
Coordenador
Ricardo Serrão Santos
Redactores Pedro Frade Rogério Ferraz Samanta Vizinho Vanessa Santos Vera Guerreiro Colaboradores Ricardo Medeiros Autoria
A informação apresentada neste relatório é baseada na recolha de informação efectuada pela Equipa de Caracterização dos Sítios de Importância Comunitária e Sócio-Economia do Projecto OGAMP – Ordenamento e Gestão de Áreas Marinhas Protegidas (Interreg IIIb – MAC/4.2/A2).
Citação (este documento deverá ser citado como)
A
GRADECIMENTOSA recolha da informação necessária para a elaboração deste documento e o trabalho que lhe é inerente, iniciado em 1996, não teria sido possível sem a colaboração de diversas instituições e pessoas individuais às quais se agradece:
Alexandre Aires da Silva Allan Bolten
Amílcar Cardoso Ana Colaço
André Sobrinho Gonçalves Angela Canha António Pascoal Carlos Silvestre Cedric d’Acoz Dália Reis Eduardo Dias Fernando Serpa Filipe Porteiro
Francisco Cota Rodrigues Francisco Maduro-Dias Gérard Ayela Helen Martins Humberto Rodrigues João Alves João Gonçalves João Pedro Barreiros João Santos
Jorge Fontes Jorge Gonçalves José Abraços
José Gabriel Ferreira Matos José Pimentel
Lourenço Azevedo Luís Garcia Rosa Luís Prieto Luís Sebastião Manuel Rufino Marc Brussieux Marco Aurélio Santos Marco Rosa Marcus Cardew Márinho Silva Mestre João Miguel Machete Nicolas Seube Norberto Serpa Pascal Coincé Paul Dando Paulo Martins Paulo Monteiro Paulo Oliveira Paulo Santos Paulo Vieira Pedro Afonso Peter Wirtz Renato Bettencourt Rogério Feio Rui Prieto Sampaio da Nóvoa Sérgio Ávila Susan Gubbay Telmo Gomes Tomaz Dentinho Valerie Sauce Vítor Hugo Forjaz Vítor Rosa.
Aos mestres anónimos das embarcações de pesca que operam no D. João de Castro pelas informações detalhadas que prestaram durante a formulação de inquéritos retroactivos.
Direcção Regional do Ambiente Direcção Regional das Pescas
Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. “Projecto Tartaruga” para o estudo da
captura acidental de tartarugas-marinhas. Colaboração entre a Universidade da Florida e Universidade dos Açores.
Empresa Lotaçor, EP. Norberto Serpa
Í
NDICE ÍNDICE...I RESUMO ...II CAPITULO I – DESCRIÇÃO ...1 1.INFORMAÇÕES GERAIS...1 Localização e descrição...1 Descrição Sumária...1 Estatutos de Protecção...2 2.CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL...4 Características físicas...4Características Biológicas / Ecológicas ...5
3.CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA...11
Pesca ...11
Frota de tunídeos ...11
Turismo ...11
CAPITULO II – AVALIAÇÃO E OBJECTIVOS ...13
1.CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ECOLÓGICA...13
2.CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA...16
Atractivo Paisagístico...19
3.FACTORES QUE INFLUENCIAM A GESTÃO...19
Factores Naturais...19
Factores Introduzidos pelo Homem ...19
Factores Jurídicos...20
4.ORIENTAÇÕES E OBJECTIVOS DE GESTÃO...20
Definição das orientações de gestão...20
CAPITULO III – MEDIDAS DE GESTÃO...22
1.MEDIDAS,ACÇÕES E ACTIVIDADES...22
Regras de Utilização ...23
Monitorização Ambiental e Sócio-Económica...24
Vigilância e Fiscalização ...24
Promoção Ambiental...24
2.CRONOGRAMA DE TRABALHOS POR ÁREA...26
CAPITULO IV – BIBLIOGRAFIA ...27
1.MONOGRAFIAS, ARTIGOS CIENTÍFICOS E RELATÓRIOS...27
2.FOLHETOS INFORMATIVOS...27
3.PÁGINAS DE INTERNET...27
4.LEGISLAÇÃO...28
ANEXO I – DESCRIÇÃO DOS LIMITES DO SIC ...29
ANEXO II - PROTOCOLO PARA A MONITORIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DOS SIC...30
BIÓTOPOS...30
Enseadas e Baías Pouco Profundas (1160)...30
Recifes (1170)...30
Grutas Marinhas Submersas ou Semi-Submersas (8330) ...31
Espécies...31
FICHAS DE REGISTO...31
Fichas de Mergulho...31
Fichas de Caracterização Fisiográfica de Biótopo...33
Fichas de Espécies ...35
Escala de Abundância SACFOR ...35
ANEXO IIA – FICHA DE MERGULHO...38
ANEXO IIB – FICHAS DE CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICA DE BIÓTOPOS ...39
ANEXO IIC – FICHA DE ESPÉCIES...40
ANEXO III – RESULTADOS OBTIDOS NA CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL ...41
ANEXO IV – METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL ...57
DIMENSÃO...57
DIVERSIDADE...57
NATURALIDADE...58
Intervenção Terrestre...58
Exploração Costeira...58
Modificadores Antropogénicos (Área Marinha)...59
Espécies Não Nativas...59
ANEXO V – LISTA DE ESPÉCIES MARINHAS INTRODUZIDAS NOS AÇORES ...61
R
ESUMONeste documento é apresentada a Caracterização Ecológica e Sócio-económica do Sítio de Importância Comunitária (SIC) Banco D. João de Castro efectuada no âmbito do Protocolo de Planos de Gestão de Sítios seleccionados nos Açores (celebrado entre a Secretaria Regional do Ambiente dos Açores e o IMAR - Instituto do Mar) e são propostas medidas de gestão para esta área.
A caracterização do ambiente marinho do SIC teve especial incidência nos habitats e espécies constantes nos anexos das directivas, mas também em espécies que possuem algum tipo específico de protecção internacional, nacional ou regional, ou propostas para serem protegidas. Para a realização deste trabalho foram realizados mergulhos de caracterização ao longo de todo o SIC, além de se ter compilado a informação existente para a zona costeira dos Açores, em especial para esta área. Como um dos objectivos da Rede NATURA 2000 consiste na utilização sustentada das espécies e habitats existentes numa determinada área, foi igualmente compilado a informação existente sobre a caracterização sócio-económica do SIC realizada por Cardigos (2002), complementado com informação estatística publicada.
C
APITULOI
–
D
ESCRIÇÃO1. Informações Gerais Localização e descrição Localização e limites
Fig. 1. Mapa com a localização do SIC Banco D. João de Castro (PTMIG0021) no Canal entre as ilhas Terceira e São Miguel (esquerda) e limites do SIC (direita).
Nome do sítio: Banco D. João de Castro Código: PTMIG0021
Ilha: Canal Terceira – São Miguel Concelho: Coordenadas: 38º13,327’N - 26º36,393’W Área Terrestre: 0 Área Marinha: 1659 ha Área Total: 1659 ha Altitude mínima: 13 m Profundidade máxima: 510 m Descrição Sumária
Situado a 35 milhas de Angra do Heroísmo, a 38 milhas da costa mais próxima de São Miguel (55 milhas do porto de Ponta Delgada), o Banco D. João de Castro emerge dos 1000 metros com a forma aproximada de um cone. No topo deste cone, a cerca dos 50 metros de profundidade, há uma plataforma de pendor suave e essencialmente arenosa. Este planalto é interrompido, perto do centro, pelo que resta de uma cratera. Esta cratera dispõe-se por uma área com cerca de 600 por 300 metros e tem o seu mínimo de profundidade aos 13 metros. As escoadas lávicas que compõem o cone apresentam morfologia irregular e muitas cavidades. O bordo da cratera, extremamente erodido, apresenta enormes rochas com frinchas onde a actividade hidrotermal é intensa. Na base do cone há algumas acumulações de blocos de rocha misturados com areia.
A temperatura superficial da água varia entre 16,3ºC em Janeiro e os 26,3ºC em Setembro, tendo como média 18,4ºC (RODRIGUES 2003). A 22 m de profundidade a
temperatura mínima é de cerca de 14,3ºC em Abril, e a máxima de 24,2ºC em Agosto (dados recolhidos pelo datalogger colocado em Setembro de 2002 e recolhido em Setembro de 2003).
Estatutos de Protecção
Diferentes estatutos de protecção podem aplicar-se aos SIC. Em seguida consideram- -se apenas aqueles que se aplicam à área que sofre a influência do mar, ou seja, que vai desde o limite superior do supra-litoral até à zona subtidal. Na justificação da classificação deste local como SIC foi utilizada a ocorrência dos seguintes habitats e espécies constantes dos anexos da directiva habitats†:
Habitats
1170 - Recifes
Espécies
Fauna
Calonectris diomedea borealis (Cagarro) Caretta caretta* (Tartaruga-careta)
Oceanodroma castro (Angelito/Painho-da-Madeira) Tursiops truncatus (Roaz)~
Durante a realização dos trabalhos de caracterização identificaram-se 3 habitats, que, apesar de não constarem na directiva, parece-nos ser importante a sua inclusão na definição deste SIC, ou mesmo propostos como habitats a incluir na directiva, são eles:
Emanações gasosas de hidrotermais de baixa profundidade Ambiente pelágico
Montes submarinos oceânicos
Além das espécies constantes nos anexos das respectivas directivas, existem várias outras espécies que possuem algum nível de protecção regional, nacional ou internacional ou são especialmente importantes para o local, que devem ser tidas em conta, são elas:
Invertebrados
Maja capensis (Santola) Megabalanus azoricus (Craca) Octopus vulgaris (Polvo-comum) Patella aspera (Lapa brava) Scylarides latus (Cavaco)
Peixes
Epinephelus marginatus (Mero) Mycteroperca fusca (Badejo)
Pagellus bogaraveo (Carapau quando juvenil) Pagrus pagrus (Pargo)
Parablennius ruber (Caboz-lusitano) Phycis phycis (Abrótea)
Xiphias gladius (Espadarte)
Aves
Puffinus gravis (Cagarro-de-coleira)
Cetáceos
Delphinus delphis (Golfinho-comum)
Espécies com importância para a conservação não registadas mas de ocorrência provável no SIC ‡
Invertebrados
Palinurus elephas (Lagosta)
Peixes
Coryphoblennius galerita (Caboz-de-crista)
Diplecogaster bimaculata pectoralis (Peixe-ventosa-dos-ouriços) Gaidropsarus guttatus (Viúva)
Gobius paganellus (Bochecha) Mullus surmuletus (Salmonete) Pagrus pagrus (Pargo)
Parablennius incognitus (Caboz-das-cracas)
As diferentes condicionantes legais que se podem aplicar a este local são: CITES (Decreto Lei n.º 114/90 de 5 de Abril);
Convenção de Berna (Decreto Lei n.º 316/89 de 22 de Setembro);
NATURA 2000 (Decreto Lei n.º 140/99 de 24 de Abril, Decreto Legislativo Regional n.º 18/2002/A de 16 de Maio);
Instrumentos de Gestão Territorial (Decreto Lei n.º 380/99 de 22 de Setembro, com a adaptação à região pelo Decreto Legislativo Regional n.º 14/2000/A de 23 de Maio, com as alterações do Decreto Legislativo Regional 38/2002/A de 3 de Dezembro e do Decreto Legislativo Regional 24/2003/A de 12 de Maio);
Lista de SIC (Decisão da Comissão de 28 de Dezembro de 2001 e aprovação para a região pela Resolução n.º 30/98 de 5 de Fevereiro, rectificada pela Declaração n.º 12/98 de 7 de Maio e adaptação à Região do Decreto Lei n.º 140/99 de 24 de Abril pelo Decreto Legislativo Regional n.º 18/2002/A de 16 de Maio);
Introdução de espécies não indígenas (Decreto Lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro, Resolução n.º 148/98 de 25 de Junho);
Regulamentação da Pesca (Decreto Regulamentar n.º 43/87 de 17 de Julho); Pesca por Apanha (Portaria n.º 1102-B/2000 de 22 de Novembro);
Pesca à Linha (Portaria n.º 1102-C/2000 de 22 de Novembro, Portaria n.º 101/2002 de 24 de Outubro);
Pesca por Arte de Armadilha (Portaria n.º 1102-D/2000 de 22 de Novembro, Portaria n.º 30/2004 de 22 de Abril com a rectificação pela Declaração n.º 2/2004);
Pesca por Arte de Arrasto (Portaria n.º 1102-E/2000 de 22 de Novembro);
Pesca por Arte Envolvente-Arrastante (Portaria n.º 1102-F/2000 de 22 de Novembro); Pesca por Arte de Cerco (Portaria n.º 1102-G/2000 de 22 de Novembro);
Pesca por Arte de Emalhar (Portaria n.º 1102-H/2000 de 22 de Novembro, Portaria n.º 35/94 de 21 de Julho);
Tamanhos mínimos de captura (Portaria n.º 27/2001 de 15 de Janeiro, Regulamento CE n.º 850/98 de 30 de Março, Portaria n.º 19/83 de 3 de Maio);
Caça submarina (Decreto Legislativo Regional n.º 5/85/A de 8 de Maio);
Regulamento da Observação de cetáceos (Decreto Legislativo Regional 10/2003/A de 22 de Março);
Exploração de crustáceos costeiros (Portaria n.º 19/83 de 5 de Maio).
Condicionantes técnico-científicas
Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal1 o estatuto V: Epinephelus marginatus (Mero);
o estatuto I: Mycteroperca fusca (Badejo), Gaidropsarus guttatus (Viúva);
o estatuto K: Mullus surmuletus (Salmonete), Gobius paganellus (Bochecha),
Coryphoblennius galerita (Caboz-de-crista), Parablennius incognitus
(Caboz-das-cracas), Parablennius ruber (Caboz-lusitano), Diplecogaster bimaculata pectoralis (Peixe-ventosa-dos-ouriços);
o estatuto CT - Pagellus bogaraveo (Carapau quando juvenil), Pagrus pagrus (Pargo), Phycis phycis (Abrótea).
Espécies regionais propostas para o Anexo V da Convenção OSPAR (Oslo - Paris) (Decreto n.º 59/97 de 31 Outubro):
o Patella aspera (Lapa-brava); o Megabalanus azoricus (Craca).
2. Caracterização Ambiental
Na caracterização bio-ecológica do SIC D. João de Castro, realizaram-se 60 mergulhos distribuídos por 6 locais. No Anexo II são apresentadas mais informações relativas aos mergulhos e metodologia aplicada.
Características físicas
Segundo Francisco Cota Rodrigues (informação não publicada), investigador e geólogo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores: "O Banco D. João de Castro é um aparelho vulcânico submarino constituído por escoadas lávicas e
1 Nota: estatuto V – Vulnerável; estatuto R – Raro; estatuto I – Indeterminado; estatuto K – Insuficientemente Conhecido
depósitos vulcanoclásticos submarinos sobrepostos. Localiza-se entre as ilhas Terceira e S. Miguel, sensivelmente na zona que delimita as fossas de Hirondelle Norte e Sul. Do ponto de vista da tectónica global do Atlântico Norte, esta estrutura insere-se num alinhamento vulcano-tectónico, conhecido por rift da Terceira, constituído por uma série de falhas normais e cones vulcânicos de orientação 145º NNW-SSE que se desenvolvem desde o Sul de Santa Maria até à Crista Médio Atlântica. Para além deste aparelho vulcânico, o rift da Terceira, engloba ainda os ilhéus das Formigas, a bacia de S. Miguel, o dorso vulcânico da Terceira, a bacia da Graciosa Este, a ilha da Graciosa e a bacia da Graciosa Oeste. Do ponto de vista sísmico e vulcânico o Banco D. João de Castro é bastante activo, apresentando formas secundárias de vulcanismo muito evidentes, nomeadamente fumarolas, nascentes termais e um gradiente geotérmico muito elevado." Vítor Hugo Forjaz, investigador do Departamento de Geociências da Universidade dos Açores, acrescenta “Sob o ponto de vista geológico o Banco D. João de Castro tem invulgar interesse por ser um vulcão compósito em evolução, ou seja, é um exemplo típico do desenvolvimento duma Ilha oceânica. Primeiro instalou-se numa linha de fractura notável, denominada transoceânica (a fractura Mid-Atlantic Ridge – Graciosa – Terceira - Banco D. João de Castro - S. Miguel - Gibraltar), seguidamente passou por uma série de episódios submarinos, do tipo surtseyano a emissões de pillows e possivelmente por fases serretianas (pillows temporariamente flutuantes), depois emergiu constituindo sucessivas ilhotas com derrames subaéreos, basálticos (os últimos em 1720). Posteriormente colapsou, afundando-se e actualmente parece estar a passar por uma fase de up lift com fortes desgasificações, possível prenuncio de erupção. Além disso, trata-se dum aparelho vulcânico onde se registam quer eventos de cariz vulcânico quer tectónico, neste caso, alguns eventos fortes, de alta magnitude. O Banco D. João de Castro é uma das evidentes provas da dinâmica tectónica e vulcânica do arquipélago”. A todas estas razões juntam-se “as repercussões sísmicas que podem existir na Terceira e em S. Miguel” para justificar o interesse na continuação e monitorização do estudo desta área.
Em termos geomorfológicos o Banco D. João de Castro é constituído por uma montanha com base a cerca de 1000 metros de profundidade. O pendor de subida do maior pico é muito elevado e a subida pára numa grande plataforma aos 50 metros de profundidade constituída essencialmente por areia. Esta plataforma serve de base a um segundo pico de reduzidas dimensões (apenas 600 por 300 metros) constituída por rocha basáltica. É na parte NE desta pequena zona rochosa que se encontra a maior concentração hidrotermal.
Um segundo pico, tem a base comum ao D. João de Castro (cerca de 1000 metros) e projecta-se com uma forma tipo cone até aos 150 metros. Foi no topo deste segundo pico que foi duplamente indiciada a presença de fenómenos vulcânicos, ainda não compreendidos na totalidade, talvez actividade hidrotermal.
Características Biológicas / Ecológicas
0 20 40 60 80 100 Nº de Espécies Pycnogonida Ctenophora Tunicata Bryozoa Annelida Echinodermata Porifera Cnidaria Arthropoda M ollusca Chordata M onera Chlorophycota Phaeophycota Rhodophycota F ilo
Fig. 2. Número de espécies de cada filo (a verde reino Algae, a amarelo reino Monera, a azul reino
Animalia) identificadas no SIC D. João de Castro.
Comunidades Bentónicas
Algas
A zona mais superficial do Banco é essencialmente rochosa e com inclinações elevadas. A zona mais profunda da zona rochosa do Banco (entre os 25 e os 45 metros) é povoada por algas da espécie Zonaria sp. (agregação C na Fig. 3). A zona mais superficial (entre os 13 e os 25 metros) sem actividade hidrotermal é povoada por algas das espécies Sargassum sp., Coralina sp. e Halopteris sp. (agregação B da Fig. 3).
Fig. 3. Figura tridimensional do Banco D. João de Castro com informação sobre cinco agregações de espécies identificadas para este local (imagem 3D cedida por Luís Sebastião – ISR/IST e arranjo gráfico do Grupo E).
Invertebrados
Em termos de invertebrados algumas espécies foram encontradas em todos os mergulhos realizados. Assim, além de junto às fontes hidrotermais ser possível encontrar sempre tapetes de bactérias do tipo Beggiatoa (a identificação ainda se encontra a realizar), é ainda vulgar encontrar grandes áreas (entre 50 a 100 cm de diâmetro) cobertas com esponjas do género Cliona sp. (diferente da C. viridis e C. celata também identificadas para o local). Espécies como as polychaeta (Hermodice carunculata e Sabella spalanzani), e os arthopoda (Calcinus tubularis, Dardanus calidus, Pagurus cuanensis e Xantho incisus) são bastante frequentes encontrar neste local. Além destes, ocasionalmente é possível encontrar santolas (Maja brachydactyla), lapas-brava (Patella aspera), polvos (Octopus vulgaris), lapa-burra (Haliotis coccinea), búzio (Charonia lampas), pina (Pina rudis), estrela-do-mar (Ophidiaster ophidianus) e os ouriços (Sphaerechinus granularis, Arbacia lixula e Paracentrotus lividus).
Zonação
Zonação horizontal
juvenis de peixe-rei (Coris julis) e raínha (Thalassoma pavo) (esta apenas nas zonas mais superficiais). Para além das agregações de juvenis referidas, estas áreas apresentaram ainda, consistentemente, outras espécies de peixes como castanheta-castanha (Chromis limbata), castanheta-azul (Abudefduf luridus), veja (Sparisoma cretense), garoupa (Serranus atricauda) e bodião-vermelho (Labrus bergylta).
Fig. 4. Zona Branca e zona amarela no Banco D. João de Castro.
36.5' 36.4' 36.3' 36.2' 36.1' 36.0' Longitude 26ºW 13.1' 13.2' 13.3' 13.4' 13.5' Latitude 38ºN
Fig. 5. Mapa indicando a zona branca (cinza) e a zona amarela. Os pequenos círculos brancos
Zonação vertical
Manchas de algas do género Sargassum e de coralináceas erectas cobrem as zonas expostas que não estão tão sujeitas à actividade hidrotermal. As zonas com actividade hidrotermal são caracterizadas pela presença de tapetes de bactérias (grupo Beggiatoa) junto das saídas gasosas e algumas aglomerações de Codium elisabethae. As zonas rochosas mais profundas possuem uma densidade elevada de Zonaria tournefortii.
As comunidades pelágicas são particularmente exuberantes, sendo de realçar a ocorrência de espécies de peixes pelágicas como: cavala-da-índia (Acanthocybium solandri), jamantas (Mobula tarapacana), bicudas (Sphyraena viridensis), patruças (Kyphosus spp.), bonitos (Katswonus pelamis) e serras (Sarda sarda).
Biótopos e Abundâncias
Neste SIC é possível identificar diversos habitats: sedimento (existente apenas a partir dos 40 m), leito rochoso, paredes, poucos blocos e fendas, biótopos que albergam espécies que pela sua presença e abundância os caracterizam. Não há dados para caracterizar com fiabilidade os biótopos a partir dos 60m.
Sedimento
Apenas é possível encontrar areia a cerca de 40 m de profundidade, pelo que muito pouco se pode dizer sobre o mesmo. Não foi registado qualquer crescimento algal no fundo de sedimento amostrado.
Leito Rochoso e Paredes
O fundo rochoso amostrado e paredes do Banco D. João de Castro apresentam, na zona mesmo profunda (13 aos 25 m) e sem actividade hidrotermal, um povoamento algal composto principalmente por algas das espécies Sargassum cf. vulgare, Coralina sp. e Halopteris filicina, sendo também possível encontrar Padina pavonica, Halopteris filicina, Carpomitra costata, e ocasionalmente comum a Cladostephus spogiosus Nas maiores profundidades os povoamentos são dominados por Zonaria tournefortii. Nas zonas de maior actividade hidrotermal a espécie Codium elisabethae pode ser super-abundante.
Além das algas, em muitos dos locais onde encontramos estes dois biótopos as espécies de invertebrados não são muito abundantes, com excepção aos locais de fundo rochoso mais abrigados (em pequenas crateras). Neste locais, normalmente, há maior actividade hidrotermal e aí além das bactérias tipo Beggiatoa, é possível encontrar grandes quantidades de poliqueta Hermodice carunculata, alguns ouriços (Sphaerechinus granularis, Arbacia lixula e Paracentrotus lividus), moluscos (Pinna rudis, Charonia lampas) e estrelas-do-mar (Ophidiaster ophidianus).
Blocos
Fendas
Nas fendas o crescimento algal é bastante reduzido e por essa razão não é evidente qualquer tipo de zonação. Ainda assim, as fendas são em grande parte revestidas por algas encrustantes indeterminadas, tanto rodófitas – coralináceas e não calcárias - como encrustantes faeófitas.
No que diz respeito aos animais invertebrados as fendas albergam a quase totalidade das espécies encontradas neste SIC. Existe uma elevada riqueza específica, mas a maioria das espécies não são muito abundantes.
Peixes
Devido há mobilidade deste grupo de organismos e à pouca adequação do método de quantificação dos organismos utilizado, as densidades dos peixes não estão contabilizadas por biótopos. Pelas suas características, neste local são abundantes espécies de hábitos pelágicos tais como patruças (Kyphosus spp.) e peixe-porco (Balistes carolinensis), menos frequentemente observam-se lírios (Seriola rivoliana), jamantas (Mobula tarapacana) e cavalas-da-Índia (Acanthocybium solandri).
Das espécies mais bentónicas destacam-se grandes quantidades de castanhetas (Abudefduf luridus e Cromis limbata), peixe-rei (Coris julis), salemas (Sarpa salpa), garoupa (Serranus atricauda) e rainhas (Thalassoma pavo). Além destes destacam-se pela sua presença constante o mero (Epinephelus marginatus) e o peixe-cão (Bodianus scrofa), que frequentemente aparecem a maiores profundidades.
Nas fendas são muito comuns e exclusivas deste biótopo o folião (Apogon imberbis) e as moreias (Gymnothorax unicolor, Muraena augusti e M. augusti). O rascasso (Scorpaena maderensis), aparece também em grande quantidades, mas não exclusivamente nas fendas e buracos.
Outros organismos
Répteis
De acordo com os dados do Projecto Tartaruga, que decorre no DOP desde 2000, foram registadas neste SIC três das cinco espécies de tartarugas existentes nos Açores: tartaruga-careta (Caretta caretta*), tartaruga-verde (Chelonia mydas) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).
Cetáceos
O roaz (Tursiops trucatus) foi avistado em cerca de 50% dos dias de observação.
3. Caracterização Sócio-Económica Pesca
Frota demersal
No período de 1990 a 1999 foram registadas 20 embarcações de pesca demersal a exercer a actividade no Banco D. João de Castro. Destas, 12 estão registadas em Ponta Delgada, 6 em Angra do Heroísmo e 1 em Santa Cruz da Graciosa e outra na Horta.
Duas destas embarcações estão registadas como sendo de pesca local e as restantes registadas como pesca costeira. O comprimento fora-a-fora das embarcações varia entre 9 e 28 metros e a potência entre 44 e os 368 kw. O controlo desta pescaria é realizado através da rede de lotas dos Açores Lotaçor, E.P.
As artes de pesca utilizadas na zonas intermédias entre costa e largo, correspondente à zona do Banco D. João de Castro são as espinhel, estralheira, gatoeiro (linha de mão), gorazeira, jogada, palangre-de-fundo e rabadela (adaptado de Fernandes, 1984 e Menezes, 1996). Através das bases de dados de inquéritos de pesca confirmou-se a utilização de palangre-de-fundo (representa mais de 90% das descargas), da gorazeira e da linha de mão. As espécies alvo das artes utilizadas no Banco D. João de Castro são preferencialmente goraz (Pagellus bogaraveo), boca-negra (Helycolenus dactylopterus dactylopterus) e cherne (Polyprion americanus), mas também abrótea (Phycis phycis), bagre (Pontinus kuhlii), chicharro (Trachurus picturatus), garoupa (Serranus atricauda), moreia (várias espécies da família Muraenidae) e pargo (Pagrus pagrus). As tintureiras (Prionace glauca) e o espadarte (Xiphias gladius) são as principais espécies capturadas pela frota de palangre de superfície.
Frota de tunídeos
A frota do atum é constituída por duas dezenas de embarcações com comprimentos de cerca de 30 metros. A frota de palangre derivante ou de superfície é constituída por duas sub-frotas: a oriunda do Continente e a Açoreana. Ambas as frotas operam em toda a ZEE dos Açores, mediante licenciamento da Direcção Regional das Pescas. Existem descargas efectuadas nos Açores e descargas efectuadas no Continente, por ambas as frotas, o que significa que não há indicações sobre as capturas efectuadas especificamente nos Açores e menos ainda no Banco D. João de Castro, situação caracterizada por Cardigos (2002).
Turismo
C
APITULOII
–
A
VALIAÇÃO EO
BJECTIVOS1. Critérios de Avaliação Ecológica Dimensão
O SIC Banco D. João de Castro, apresenta apenas a componente marinha, com uma dimensão de 1659 ha. Esta área é elevada em comparação com os restantes SIC do arquipélago dos Açores, apesar disso, parece adequada dados valores que se pretendem classificar: monte submarino oceânico com actividade hidrotermal. O SIC está todo incluído na zona infralitoral e estende-se desde profundidades superiores a 1000 m até aos 13. As dimensões determinadas para este SIC e utilizadas nos diversos cálculos encontram-se representadas no Quadro I.
Quadro I
Avaliação da Dimensão do SIC do Banco D. João de Castro. A classificação aplicada é descrita no Anexo IV.
Classificação Área Marinha Muito superior
Área Total Muito superior Linha de Costa Não aplicável
As dimensões do SIC são apresentadas na secção da Localização e Descrição (pág. 1) Diversidade
Estão registadas para o D. João de Castro 230 espécies. Entre estas destacam-se 4 referidas no Anexo I da Directiva Habitats (Tursiops truncatus, Caretta caretta, Calonectris diomedea borealis e Oceanodroma castro). Outras 15 espécies registadas na área, possuem algum nível de protecção. Um dos habitats presentes no D. João de Castro encontra-se classificado na Directiva Habitats (1170).
Estes factos realçam a importância Europeia deste local. No entanto, 3 habitats presentes neste local e que possuem elevada importância para a conservação da natureza, não estão classificados na Directiva Habitats.
Para além das características referidas anteriormente, o facto de ser um dos poucos locais a possuir emanações gasosas de baixa profundidade e de constituir um monte submarino, valoriza a importância para a conservação ambiental e o interesse científico da área. Uma avaliação da diversidade deste SIC é apresentada no Quadro II.
Quadro II
Avaliação da Diversidade do SIC D. João de Castro. A classificação aplicada é descrita no Anexo IV.
Total Registado no SIC Classificação
Características Físicas
N.º Habitats (Anexo I) 1 Inferior
N.º Biótopos 5 Superior
Características Biológicas
Espécies (Anexo III) 2 Superior
Algas 45 Média
Invertebrados 101 Média
Peixes 78 Superior
Total* 230 Média
Fragilidade
O número elevado de espécies registadas para este SIC, comparativamente com os restantes SIC dos Açores, resulta da sua extensão em área e em profundidade e da diversidade de fontes utilizada na sua caracterização, o que não significa que possua uma diversidade extraordinária. Deve-se reforçar que, o número de espécies registadas por área ou por profundidade para o Banco D. João de Castro é reduzido. Este facto reforça a sua fragilidade e implica medidas de gestão adequadas.
Os ecossistemas marinhos isolados, como as ilhas e os recifes, perdem diversidade conforme aumenta a distância aos sistemas costeiros (adaptado de MacArthur & Wilson, 1967). Uma vez que a distância que separa o Banco D. João de Castro das zonas pouco profundas mais próximas ser superior a 35 milhas, é de esperar que o número de espécies seja menos elevada. No entanto, a diminuição do número de espécies e as pequenas populações presentes favorecem uma maior fragilidade do ecossistema em relação a eventuais agressões ambientais. Esta baixa resiliência deve-se à baixa variabilidade genética (inbreeding) e à inerência estocástica dos valores demográficos (desde o número de descendentes até à dificuldade de encontrar parceiros para a reprodução) e das variações ambientais.
Em grande parte das imersões realizadas no Banco D. João de Castro, tanto realizadas por mergulhadores como por meio de instrumentos científicos (veículos de operação remota), foram observados restos de aparelhos de pesca. A exploração intensiva desta área é o resultado de legislação particular dos Açores (Portaria n.º 101/2002 de 24 de Outubro) que obriga ao afastamento das zonas costeiras de parte da frota de pesca (palangreiros). Independentemente da situação anterior, a fragilidade do Banco D. João de Castro aumentou como consequência deste aumento de esforço.
Representatividade
O Banco D. João de Castro é um Monte Submarino do largo que engloba uma área hidrotermal de baixa profundidade de 1.1 ha. A zona com maior actividade hidrotermal concentra-se na zona NW da área mais superficial do Banco. Depois de um trabalho de rastreio intenso (Cardigos, 2000), descobriu-se uma segunda área com elevadas suspeitas de actividade hidrotermal. Esta área apelidou-se de “Dando” (em honra ao investigador Paul Dando que conduziu os trabalhos). A zona “Dando” tem apenas 611ha e para além de índices elevados de Metano, apresenta uma fisiografia que aparenta um cone vulcânico com emanações de densidade muito diferentes da água e dimensões elevadas.
Raridade
Naturalidade
Apesar dos diversos registos de poluição e de exploração intensiva, o Banco D. João de Castro apresenta as espécies e habitats que o tornam importante. Este facto é reforçado por estes se encontrarem em boas condições de conservação. No entanto, a gestão deste local deverá ter em conta que os limites de sustentabilidade poderão estar a ser atingidos.
As 43 espécies de peixes registadas apenas por observação em mergulho apresentam-se como um número normal comparando com outros locais com características semelhantes (ver detalhes em Cardigos, 2002). O Banco D. João de Castro apresenta um número de espécies intermédio em relação a estes locais, parecendo existir um crescimento deste número com a diminuição da distância à costa, aumento da área, diminuição da profundidade média do local analisado e número de prospecções. Sendo os números mais elevados associados a zonas de Reservas em zonas costeiras, podemos considerar o número de espécies presentes no D. João de Castro interessante para uma zona oceânica de águas pouco profundas, ou seja, perto do “natural”. Isso mesmo é confirmado através do índice de “Efeitos de Exploração Costeira” aplicável às zonas menos profundas do D. João de Castro (acima dos 60 metros) e que aponta para um ambiente “pristino”.
Quadro III
Avaliação da Naturalidade do SIC D. João de Castro. A classificação aplicada é descrita no Anexo IV.
Índice Classificação de Naturalidade Intervenção Terrestre Não aplicável
Efeitos de Exploração Costeira ÌÌÌÌÌ Modificadores Antropogénicos (área marinha) ÌÌÌ
Espécies não-nativas ÌÌÌÌÌ
Ponderação final ÌÌÌÌÌ
Escala de Importância do Sítio
A escala de importância do SIC é uma avaliação global dos factores acima descritos. Neste sentido, além da importância de cada um dos factores avaliados, é ainda atribuída a relevância desse factor (Quadro IV). O Banco D. João de Castro apresenta-se assim como um SIC de muito elevada relevância em relação à dimensão, representatividade, raridade, raridade e naturalidade. Apesar da diversidade ter uma importância europeia, dada a presença de espécies e habitats classificados por Directivas da União, não se apresenta como muito relevante no contexto Açoriano.
Quadro IV
Escala de Importância do SIC D. João de Castro.
Importância Relevância
Dimensão -- Muito Elevada
Diversidade Europeia Média
Fragilidade -- Média
Representatividade Internacional Muito Elevada
Raridade Internacional Muito Elevada
2. Critérios de Avaliação Sócio-Económica
Todos os detalhes relativos aos dados e métodos apresentados neste capítulo encontram-se detalhadamente descritos no trabalho de Cardigos (2002).
Valor do SIC para OAMT
Os Operadores de Actividades Marítimo-Turísticas (OAMT) não parecem estar muito interessados em realizar operações no Banco D. João de Castro, devido a mesma ser complexa e financeiramente dispendiosa. O custo de uma operação diária no Banco D. João de Castro custa cerca de € 250, sem contar com a amortização da embarcação e margem para lucros. O que, em termos de preço por mergulhador, ascende a pelo menos três vezes o preço do mergulho junto à costa.
Nas expedições lúdicas realizadas ao Banco D. João de Castro, o mais frequente é optar-se pela caça submarina e pesca desportiva o que, apesar de questionável em termos de moralidade ecológica (praticar caça numa zona classificada como património natural), resulta na captura de grandes exemplares (vulgo “troféus”). Parece-nos questionável que se exerça esforço destrutivo com fins lúdicos, sem qualquer benefício económico-social directo ou indirecto, numa área com interesse para a conservação da natureza. A continuação desta prática, a ser realizada, deverá ter entraves do ponto de vista económico de forma a equilibrar a perda dos serviços, tal como definidos por Naeem et al (1994), prestados por esta área.
A utilização desta área para algumas actividades turísticas alternativas ainda não foi explorada. Neste âmbito, ainda não foi detectada a utilização do local para a observação de cetáceos ou de aves marinhas. Potencialmente, esta área parece reunir características que a podem tornar interessante para as actividades relacionadas com a observação de cetáceos.
Valor do SIC para a pesca
Há três frotas a operar na área do D. João de Castro: a frota de pesca demersal, a frota por palangre de superfície e a frota de pesca de tunídeos. A primeira frota captura essencialmente espécies de alto valor comercial que habitam as zonas bentónicas ou epibentónicas entre os 20 e os 1000 metros de profundidade. A segunda frota está orientada para a captura das diversas espécies de atuns. A última frota mencionada captura, utilizando o palangre de superfície, espadarte (Xiphias gladius) e tintureira (Prionace glauca).
Pesca Demersal
Quadro V
Proporção em peso e em valor das espécies mais capturadas no Banco D. João de Castro pela frota demersal.
O valor calculado para a pesca demersal foi de cerca de € 535 mil anuais. Apenas em três portos foram registadas descargas de pescado proveniente do Banco D. João de Castro: ilha de São Miguel, Ponta Delgada (55% das descargas em peso e 77% do valor), ilha Terceira, São Mateus (16 e 7%) e Praia Vitória (29 e 17%).
Pesca de Tunídeos
O valor do Banco D. João de Castro estimado para a pesca de atum é de € 25 mil. Na Fig. 7 estão representados os locais com pescarias de atum registados pelo Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA), entre 1998 e 2000. Como se pode verificar, os locais coincidentes com o D. João de Castro são escassos.
Fig. 7. Arquipélago dos Açores com locais onde foram registadas capturas de atum (pontos) durante o
Pesca de Espadarte
O valor do Banco D. João de Castro para pesca de palangre de superfície foi estimado em cerca de € 968 mil. A maioria das capturas pertence a duas espécies com interesse comercial: tintureira (Prionace glauca) 62% e espadarte (Xiphias gladius) (espadarte) 35%. Para além das referidas, esta pescaria captura ocasionalmente outras 12 espécies. Esta pesca captura ainda diversas espécies importantes para a Conservação da Natureza, nomeadamente a tartaruga careta (Caretta caretta).
Valor integrado das três frotas
Através dos cálculos parciais para cada uma das frotas determinou-se que o valor para pesca do Banco D. João de Castro é de € 1,5 milhões por ano. Repare-se que o valor conhecido das pescas nos Açores (primeira venda em lota) ronda os € 25 milhões de (fonte: SREA, 2000). Apesar deste número não incluir o valor do pescado de palangre de superfície descarregado congelado ou vendido directamente no continente (Portugal e Espanha), o Banco D. João de Castro representa cerca de 6% do valor pescado nos Açores.
Valor do SIC para a Ciência
O interesse científico do Banco D. João de Castro é elevado. Este local conjuga uma série de factores que o tornam único e, por isso, especial. A oportunidade de estudar um ambiente jovem, com influência de actividade hidrotermal e sísmica invulgarmente elevados e por constituir um recife off-shore é invulgar.
A investigação desta área pode conduzir a descobertas interessantes em termos de diversidade biológica e de novas organizações de habitats. Isto porque se conhecem bem os habitats dependentes da fototrofia e tem-se uma ideia razoável do funcionamento dos habitats hidrotermais profundos. Um habitat com influências intermédias pode reservar surpresas interessantes.
Sendo assim, para a Ciência o investimento médio anual é de cerca de € 3 mil anuais, mas, se o padrão de crescimento observado nos últimos anos se mantiver, é natural que a cifra anual média ascenda aos € 15 mil (Fig. 8). Estes dados agregam o investimento realizado pelo Departamento de Geociências e Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.
Fig. 8. Investimento financeiro realizado tendo como objectivo a compreensão dos fenómenos
Atractivo Paisagístico
Diversos autores fazem referência, em revistas populares, à utilização do Banco D. João de Castro como local com interesse e potencialidade para o turismo subaquático (Barreiros, 1999; Cardigos, 2000; Cardigos et al., 2001b e Quinta 1998) e para a prática da caça submarina (Maçanita, 1999).
3. Factores que Influenciam a Gestão Factores Naturais
Existem diversas características naturais que intervêm na forma como se atingem os objectivos pretendidos com as medidas de gestão. Estes factores são:
Condições atmosféricas – devido à sua posição geográfica, o arquipélago dos Açores é
afectado por condições atmosféricas desfavoráveis, principalmente durante o Inverno. Assim, e principalmente durante esses meses, o Banco D. João de Castro encontra-se mais susceptível às condições adversas que impossibilitam a utilização da zona por parte dos diversos utilizadores.
Acesso ao local – dada a distância da costa, apenas é possível aceder a este local por barco.
Esta característica dificulta o acesso por parte de embarcações de pesca e recreativas e também de fiscalização e monitorização, impedindo o acesso contínuo. Mesmo durante o Verão, apenas nos dias com excelentes condições meteorológicas é possível aceder, operar ou mergulhar neste local. Isto deve-se à situação isolada e desabrigada do Banco D. João de Castro e à instabilidade climatérica.
Atractivos estéticos e paisagísticos – a zona do Banco D. João de Castro é referida como um
dos locais mais interessantes de Portugal para a prática de mergulho com escafandro autónomo podendo constituir um forte atracção turística.
Espécies com valor comercial – dentro do limite do SIC foram identificadas diversas espécies
com importância comercial, servindo de atractivo aos pescadores profissionais e desportivos e caçadores submarinos para aí exercerem a sua actividade.
Espécies com valor turístico – Dentro do limite do SIC foram identificadas diversas espécies que
podem ser valorizadas do ponto de vista do turismo aquático, servindo de atractivo aos OATM, turistas e utilizadores em geral, para aí exercerem a sua actividade.
Factores Introduzidos pelo Homem
O Homem é responsável por algumas acções que podem influenciar a forma como as medidas de gestão são aplicadas a uma determinada área:
Introdução de espécies exóticas – algumas espécies exóticas têm sido introduzidas como
resultado de actividades humanas. Apesar de este factor parecer influenciar ainda pouco a zona do Banco D. João de Castro e o seu impacto no meio marinho ainda não ser totalmente conhecido, estas podem estar a provocar alterações ecológicas;
Perturbação e exploração de espécies – a perturbação de algumas espécies leva ao abandono
de áreas que podem ser importantes para a sua ecologia. Por outro lado, a exploração de algumas espécies, além de poder levar à sobre-exploração das mesmas, poderá causar também impactos nos habitats onde vivem, e deste modo alterar o ecossistema em que se inserem;
Acumulação de lixos e sucata – a acumulação de lixos e sucata não revelou ser um problema preocupante nesta zona. Contudo, a existência de alguns indícios de depósito de lixo no fundo submarino poderá influenciar o cumprimento dos objectivos de algumas medidas de gestão a aplicar;
poderá ajudar refinar as medidas de gestão a implementar, e mais facilmente avaliar a eficácia das mesmas;
Sócio-economia – o conhecimento actual sobre o valor social e económico desta área é suficiente, mas a monitorização e refinação do mesmo poderá ajudar a definir as medidas de gestão adequadas para a área, podendo servir igualmente para avaliação da eficácia das medidas aplicadas;
Educação ambiental – o nível de educação ambiental das populações das ilhas adjacentes (São Miguel e Terceira) poderá interferir na boa compreensão e cumprimento das medidas de gestão; Promoção turística – a utilização do Banco D. João de Castro está muito dependente do esforço que se vier a fazer na promoção da utilização da zona. É necessário valorizar este local até ao ponto que o turista esteja disposto a pagar o investimento a realizar para a sua visita.
Factores Jurídicos
Visto existirem diferentes medidas jurídicas aplicadas a este local, estas podem condicionar a forma como as medidas de gestão serão aplicadas:
Implementação e fiscalização deficiente – são conhecidas as dificuldades que existem ao nível da implementação e da fiscalização de algumas medidas jurídicas em vigor para as actividades ou locais; este factor deve ser tido em conta no delineamento das medidas de gestão a propor, visto ser necessário adequá-las à peculiar realidade local;
Sobreposição jurídica – as diferentes medidas jurídicas existentes e implementadas para cada local deverão ser tidas em conta aquando da elaboração e proposta das medidas de gestão a aplicar, de forma a evitar conflitos entre estas. Além disso, é necessário que as diferentes medidas jurídicas sejam avaliadas e ajustadas à realidade local, de forma a serem mais eficientes. Por outro lado, não é coerente classificar esta área com base na protecção de uma espécie e, em simultâneo permitir a sua captura, mesmo que acidental. Assim, parece ser adequada a protecção de uma área significativa do Banco D. João de Castro em relação à pesca por palangre, a qual captura acidentalmente, entre outras tartarugas, a tartaruga-careta (Bolten at al., 1994).
Desconhecimento da legislação – no decorrer das diferentes caracterizações realizadas, não foi notória a existência de algum desconhecimento por parte dos utilizadores das medidas jurídicas em vigor que tenha conduzido à realização de actividades ilegais. No entanto, parece essencial uma divulgação orientada para o grupo restrito de utilizadores do local no sentido de conhecerem e entenderem as actuais medidas de gestão propostas, não dificultando a sua implementação.
4. Orientações e Objectivos de Gestão Definição das orientações de gestão Âmbito
Este SIC é parte integrante de uma rede de áreas marinhas com importância para a conservação, que deverão no futuro ser classificadas como Áreas Marinhas Protegidas (AMP). Esta área é caracterizada por ser um recife (habitat constante no Anexo I da Directiva Habitats), encontrando-se bem preservado e num estado razoavelmente natural. Além disso, existem espécies protegidas em níveis pouco explorados, uma elevada biodiversidade, além de uma beleza natural distinta. No futuro, a elevação deste SIC a AMP permitirá proteger diversos habitats marinhos importantes, bem como assegurar a preservação da biodiversidade aí existente.
Objectivos
De acordo com os resultados obtidos pretende-se gerir o ambiente marinho nesta área por forma melhorar o seu estado de conservação e ao mesmo tempo aumentar os benefícios para a comunidade local. Os objectivos específicos que se propõem são:
Preservar a biodiversidade natural desta área, não se restringindo apenas o habitat alvo da Directiva mas em todos os habitats marinhos em geral;
Potenciar actividades económicas sustentáveis e amigas do ambiente de forma a potenciar os benefícios provenientes desta área, em particular para a população dos Açores;
Proporcionar oportunidade de investigação científica e educação ambiental com o objectivo de melhorar e divulgar o conhecimento e, consequentemente, a conservação dos recursos ambientais da Região;
Promover a Educação Ambiental no SIC através da promoção da imagem e valor do SIC, promovendo práticas para a conservação do SIC;
C
APITULOIII
–
M
EDIDAS DEG
ESTÃO1. Medidas, Acções e Actividades
Através dos resultados obtidos na avaliação técnico-científica realizada, considera-se que a zona do SIC (Banco D. João de Castro) é adequado para a pesca e apresenta potencial para as actividades marítimo-turísticas, além de ser uma área com importância para a pesca lúdica do alto. Para além da classificação através da Directiva Habitats não há qualquer outro instrumento de gestão especialmente delineado para esta área. No entanto, o local encontra-se abrangido pela lei geral aplicável à Zona Económica Exclusiva de Portugal (Tamanhos Mínimos, etc.). No entanto, tendo em conta a informação técnico-científica reunida no decorrer deste projecto e as especificidades encontradas no local, são propostas regras de utilização específicas para este local.
Dentro dos limites do SIC propõem-se a implementação do Cenário “Resolução de Conflitos” (adaptado de Cardigos, 2002), neste (Fig. 9):
Zona 1 – até aos 60 metros de profundidade. Zona 2 – rectângulo em volta da zona Dando.
A gestão do SIC deverá ser da responsabilidade da Direcção Regional do Ambiente, que deverá definir qual o melhor processo para a administração deste local. Propõe-se que, de 2 em 2 anos, seja elaborado um relatório técnico de análise e avaliação do SIC e que, no quinto ano, seja realizada a avaliação do plano de gestão implementado.
Em paralelo, deverá ser criada a Comissão de Acompanhamento da Rede NATURA 2000, onde estarão presentes representantes dos diferentes grupos de interesse e com responsabilidade na gestão destas áreas (DRA, Câmaras Municipais, autoridades marítimas, Universidade dos Açores, operadores marítimo-turísticos, pescadores e outros que sejam nomeadas pela comissão). Esta comissão avaliará a gestão realizada, aprovará os relatórios técnicos de análise e avaliação e indicará os ajustes necessários às medidas implementadas.
Zonamento
Dentro dos limites do SIC haverá um zonamento das actividades que podem ser realizadas. Todas as actividades permitidas deverão ajudar a promover o sentido de responsabilidade sobre a preservação da área em causa, de forma a que a conservação da natureza seja o mais eficaz possível. O cenário proposto é o seguinte:
Zona 1 - Interditar às actividades extractivas (pesca) nas zonas com interesse para a ciência e para o turismo.
Zona 2 - Interditar todas as actividades exploratórias (incluindo o turismo) na zona com maior interesse para a ciência, ou seja, a zona “Dando”.
Regras de Utilização
As diferentes actividades possíveis de realizar dentro do SIC, deverão estar sujeitas a regras específicas, abaixo propostas:
Pesca – Fora das zonas 1 e 2 deverá ser fomentada a utilização preferencial de artes de pesca tradicionais (artes de linha de mão) e de reduzida intensidade. Visto os limites do SIC estarem a mais de 3 milhas da costa, esta medida não é implementada pela Portaria n.º 101/2002 (24 de Outubro). Dada a pequena dimensão e fragilidade da zona menos profunda, a utilização de redes, armadilhas e potes deverá ser inibida.
Pesca desportiva – A pesca desportiva não será permitida nas zonas 1 e 2 do cenário “Resolução de Conflitos”. Para a realização desta actividade, deverá ser necessário possuir uma licença específica e implementado um limite de capturas, de forma semelhante ao que acontece para a caça submarina. Esta pesca deverá ser limitada à utilização de aparelhos de linha de mão.
Caça-submarina – Fora das zonas 1 e 2 do cenário “Resolução de Conflitos”, a caça-submarina será permitida desde que se possua uma licença e que as capturas sejam declaradas. Em relação ao número de presas e espécies protegidas, aplicar-se-á a legislação em vigor.
Apanha de crustáceos – Fora das zonas 1 e 2 do cenário “Resolução de Conflitos”, a apanha de crustáceos será permitida, de acordo com a legislação em vigor e desde que respeitados as restrições referidas anteriormente.
Turismo náutico – O turismo náutico será permitido na área do SIC, com excepção da zona 2 (interesse para ciência) desde que realizado de uma forma sustentada e ambientalmente equilibrada e seguindo as normas em vigor. Deverão continuar a ser realizados estudos científicos para determinar a capacidade de carga do local e áreas sensíveis, que podem servir como base na definição de regras para estas actividades.
necessário definir os parâmetros de segurança adicionais (por exemplo, obrigatoriedade de utilização de bóias de patamar e apitos de sinalização).
Observação de cetáceos – Esta actividade será permitida na área do SIC, com excepção da zona 2 (interesse para ciência) de acordo com a legislação em vigor. Apesar de ainda não estar desenvolvida neste local, a observação de cetáceos deverá ser acompanhada por estudos científicos para determinar a capacidade de carga do local.
Navegação – Será permitida a navegação em toda a área do SIC, desde que respeitada a legislação em vigor.
Resíduos sólidos e sucata – Será inibida a largada de qualquer tipo de resíduos na área.
Monitorização Ambiental e Sócio-Económica
Espera-se que a implementação destas medidas de gestão influenciem positivamente a área, sendo o acompanhamento de tais progressos indispensável. A monitorização periódica deve servir de instrumento para identificar alterações biológicas de curto, médio e longo prazo, avaliar impactos sócio-económicos que resultem do estabelecimento das áreas protegidas e analisar a eficácia das medidas de fiscalização e gestão. Os resultados da monitorização das espécies, habitats, utilização do SIC e atitude da comunidade local podem revelar a necessidade de introduzir modificações no Plano de Gestão.
O melhor conhecimento sobre a biologia e ecologia do local poderá passar não só pela monitorização científica do ambiente marinho, bem como pelo apelo à cooperação dos utilizadores locais e turistas, através do preenchimento de um questionário (elaborado por entidade a definir), que as empresas de mergulho distribuirão. Este questionário terá como objectivo melhorar o conhecimento sobre a área e a sua utilização e fomentar o envolvimento dos utilizadores como monitorizadores informais do SIC.
Vigilância e Fiscalização
De forma a assegurar o sucesso e a credibilidade de qualquer área com medidas de gestão específicas, são essenciais a vigilância e fiscalização das actividades realizadas. No meio marinho, são consideradas como autoridades primariamente ligadas à implementação dos regulamentos desta área protegida: a Marinha de Guerra Portuguesa, a Polícia Marítima e a Inspecção Regional das Pescas.
A grande dificuldade da protecção de um banco off-shore é, sem dúvida, a fiscalização. Já começaram a ser introduzidas em Portugal as “caixas azuis” . Estes dispositivos têm implicações positivos no aumento da segurança, na ajuda à estimação do esforço de pesca (Manuel Afonso Dias, com. pess.) e podem ajudar na vigilância remota dos locais protegidos. A sua utilização no Banco D. João de Castro será essencial.
Será ideal que os utilizadores apoiem os objectivos e as medidas de gestão aplicadas, o que poderá levar a uma redução do nível de fiscalização necessário. Estas circunstâncias são altamente potenciadas através de programas de divulgação e educação ambiental adequadas.
Promoção Ambiental
Assim, são propostas as seguintes medidas de promoção ambiental:
Centro de interpretação – utilizando as estruturas existentes (museu, ecotecas, biblioteca, etc.), propõe-se a instalação de um centro de interpretação com o objectivo de desenvolver a educação ambiental, de modo a contribuir para o bom funcionamento das medidas de gestão do SIC. Deverão existir duas réplicas deste Centro, uma localizada na ilha de São Miguel e outra na ilha Terceira. Este centro deverá ser o responsável por coordenar e avaliar as medidas de gestão relacionadas com a promoção ambiental. Deverá, para este efeito, desenvolver um programa educativo de acordo com estas medidas de gestão propostas. O programa educativo do centro deverá ser, sempre que possível, articulado com a autarquia, as organizações não governamentais locais, as escolas ou outras instituições que poderão ter responsabilidade nesta área.
Divulgar o SIC – organização de acções com o objectivo de dar a conhecer à população local e aos visitantes a existência do SIC. Estas acções deverão basear-se na criação de um vídeo de divulgação da área e na elaboração de campanhas de publicidade (utilização de diferentes recursos – edição de materiais de divulgação [edição de folhetos e brochuras, posters, página de internet, etc.], realização de exposições, seminários temáticos, etc).
Realizar acções de formação para professores – organização de acções de formação para os professores com o objectivo de integrar no programa curricular actividades relacionadas com a protecção do SIC. O plano de formação deverá incidir prioritariamente em dois tópicos distintos: técnicas didácticas para interpretar as espécies marinhas, respectivos habitats e ameaças; e práticas de educação ambiental para a participação indirecta de alunos na protecção do SIC. As acções deverão ser, sempre que possível, devidamente creditadas e articuladas com a Direcção Regional da Educação, ou outras instituições que poderão ter responsabilidade nesta área. Realizar acções de formação para pescadores – organização de acções de formação para
pescadores, com o objectivo de reduzir a utilização de técnicas proibidas no SIC. O plano de formação deverá incidir prioritariamente em dois tópicos distintos: informação das medidas de gestão implementadas (limites, vantagens, actividades permitidas e proibidas no SIC); e prevenção de situações ilegais utilizando técnicas didácticas apropriadas. As acções deverão ter como públicos alvo os pescadores profissionais e lúdicos-desportivos. Estas acções deverão ser, sempre que possível, creditadas e articuladas com a Direcção Regional das Pescas, associações de pescadores locais, Marinha de Guerra Portuguesa ou outras instituições que poderão ter responsabilidade nesta área.
2. Cronograma de Trabalhos por Área
O planeamento das actividades a realizar para implementação das medidas de gestão encontram-se expostas abaixo:
Quadro VI
Listagem de todos os objectivos específicos e medidas de gestão, data
prevista de execução e importância relativa de cada medida de gestão para a execução do plano (1 essencial; 2 importante; 3 desejável).
Ano de realização da actividade
Acção 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Implementação de medidas de gestão
Implementação do zonamento 1
Implementação das regras 1
Criação da Comissão de Acompanhamento 2 1
Monitorização ambiental e sócio-económica
Monitorização do ambiente marinho 1 1 2
Monitorização sócio-económica 1 1 2
Monitorização não científica 2 3 2 3 2 3
Vigilância e fiscalização 1 1 1 1 1
Promoção ambiental
Criar um centro de interpretação 1 1 2 2 2
Divulgar o SIC 1 2 2 3 3
Realizar acções de formação para professores 2 2 2 2 2 Realizar acções de formação para pescadores 1 1 2 2 2
Código de conduta dos utilizadores 3 2 1
Página de internet 1 2 2 2 2
Acompanhamento e avaliação das medidas propostas
Relatório anual 1 1 2
Avaliação do plano de gestão 2 1
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APITULOIV
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B
IBLIOGRAFIA1. Monografias, artigos científicos e relatórios
Anón. 1993. Livro vermelho dos vertebrados de Portugal; Vol. III. Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, Instituto da Conservação da Natureza (ICN), 146 pp.
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mínimos de captura dos Invertebrados Costeiros dos Açores. 3. Páginas de Internet
Censos 1864 a 1991. http://www.terravista.pt/aguaalto/2365/demografia/demografia.htm (último acesso a 20 de Março de 2004)
Direcção Regional do Turismo dos Açores. http://www.drtacores.pt (último acesso a 26 de Março de 2004) Interreg Macaronésia. http://www.interreg-mac.org (último acesso a 25 de Março de 2004)
Marine Species of the Azores. http://www.horta.uac.pt/species (último acesso a 15 de Março de 2004)
ScubaAzores. http://www.horta.uac.pt/scubazores (último acesso a 29 de Fevereiro de 2004)
4. Legislação
(1979) Directiva n.º 79/409/CEE, do Conselho, de 2 de Abril – Directiva Aves (1983) Portaria n.º 19/83 de 3 de Maio – Tamanhos mínimos de captura (1983) Portaria n.º 19/83 de 5 de Maio - Exploração de crustáceos costeiros (1985) Decreto Legislativo Regional n.º 5/85/A de 8 de Maio - Caça submarina (1989) Decreto Lei n.º 316/89 de 22 de Setembro - Convenção de Berna (1990) Decreto Lei n.º 114/90 de 5 de Abril - CITES
(1990) Decreto Lei n.º 93/90 de 19 de Março – Reserva Ecológica Nacional
(1991) Directivas n.º 91/244/CEE, da Comissão, de 6 de Março – Alteração à Directiva Aves (1992) Directiva n.º 92/43/CEE, do Conselho, de 21 de Maio – Directiva Habitats
(1993) Declaração de Rectificação n.º 182/93 de 30 de Setembro – Apanha de lapas (1993) Decreto Legislativo Regional n.º 14/93A de 31 de Julho - Apanha de lapas (1993) Portaria n.º 43/93 de 2 de Setembro – Apanha de lapas
(1997) Directiva 97/62/CE do Conselho de 27 de Outubro – Alteração à Directiva Habitats (1997) Directiva n.º 97/49/CE, da Comissão, de 29 de Junho – Alteração à Directiva Aves (1998) Regulamento CE n.º 850/98 de 30 de Março – Tamanhos mínimos de captura
(1998) Resolução do Governo Regional dos Açores n.º 30/98 de 5 de Fevereiro – Lista de SIC (1998) Declaração do Governo Regional dos Açores n.º 12/98 de 7 de Maio – Corrige a Lista de SIC (1998) Resolução n.º 148/98 de 25 de Junho – Introdução de espécies não indígenas
(1999) Decreto Lei n.º 140/99 de 24 de Abril - NATURA 2000
(1999) Decreto Lei n.º 380/99 de 22 de Setembro – Instrumentos de Gestão Territorial (1999) Decreto Lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro – Introdução de espécies não indígenas
(2000) Decreto Legislativo Regional n.º 14/2000/A de 23 de Maio – Instrumentos de Gestão Territorial (2001) Decisão da Comissão de 28 de Dezembro de 2001 – Aprova a Lista de SIC para a Macaronésia (2001) Portaria n.º 27/2001 de 15 de Janeiro - Tamanhos mínimos de captura
(2002) Decreto Legislativo Regional 38/2002/A de 3 de Dezembro – Instrumentos de Gestão Territorial (2002) Decreto Legislativo Regional n.º 18/2002/A de 16 de Maio – NATURA 2000
(2003) Decreto Legislativo Regional 10/2003/A de 22 de Março - Regulamento da Observação de cetáceos (2003) Decreto Legislativo Regional 24/2003/A de 12 de Maio – Instrumentos de Gestão Territorial
(2003) Lei n.º 16/2003 de 4 de Junho – Domínio Público Hídrico
A
NEXOI
–
D
ESCRIÇÃO DOSL
IMITES DOSIC
SIC Banco D. João de Castro (superfície: 1648 ha)