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J. Pediatr. (Rio J.) vol.78 número2

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182 Jornal de Pediatria - Vol. 78, Nº2, 2002 Cartas ao Editor

Corticóide na crise asmática

Senhor editor,

A pesquisa de Paro e Rodrigues1 sobre a indicação do uso de corticóide na criança asmática é de um excelente nível e vai na linha da “Medicina por evidências”, já que procura trazer sólidos subsídios para uma atuação segura numa das emergências mais freqüentes – a crise asmática, na qual conhecimentos científicos e empíricos se misturam de forma subjetiva. Os autores concluem que o exame físico, de grande importância, pode não ser suficiente e deve ser completado com medidas não-invasivas, como a oximetria de pulso e o pico de fluxo expiratório.

Quando esses recursos são disponíveis, não resta dúvi-da de que eles devam ser utilizados. Entretanto, como isso não ocorre em todos serviços que atendem crises asmáticas, o trabalho se presta a uma releitura: o corticóide (e um número maior de inalações) está indicado nos casos mode-rados (e mais ainda nos graves). Mas como identificar esses casos? Inicialmente, por um exame físico simples - impres-são geral (inclui cor e estado de consciência), taquidispnéia (quantificada pela freqüência respiratória que se aproxima de 50 no pré-escolar e 40 no escolar) e ausculta. Vale completar com rápida anamnese: duração da crise (mais de 12 horas já está na fase tardia em que só os broncodilatado-res não têm ação suficiente) e broncodilatado-resposta (ou falta de) aos broncodilatadores, incluindo inalações já feitas em casa; convém ainda perguntar pela evolução habitual das crises (“cada criança tem sua própria asma”) em condições simi-lares, o que inclui a época do ano. Em casos de dúvida, reavaliar a crise pelo resultado da primeira inalação. O uso de corticóides encurta a crise, diminui a hospitalização e as recaídas precoces2 .

Em relação ao corticóide, a via EV para a

metilpredni-solona (usada pelos autores) pode representar um problema operacional no serviço de emergência: oposição da criança,

dificuldade técnica para puncionar veia (mobilizando a enfermagem, às vezes por tempo prolongado); seu preço é 10 vezes maior do que o da dexametasona.

Algumas pesquisas3 têm demonstrado eficácia idêntica dos corticóides (prednisona, metilprednisolona e dexame-tasona) por via EV, IM ou oral. A dexametasona tem o início de ação semelhante ao da prednisolona, é potente e com a vantagem de uma duração mais longa (meia-vida de 24 a 36h) o que diminui o risco de recaída. Por outro lado, em caso de crises a curto intervalo, obrigando a repetições freqüentes, pode causar supressão adrenal. A dexametaso-na pode ser usada por via oral ou intramuscular. A própria formulação parenteral pode ser aproveitada para uso oral (recomendando-se uma segunda dose no dia seguinte, em casa) misturada com um xarope doce4.

Uma boa pesquisa, como a que estamos comentando, é útil não só para ser usada conforme seus resultados, como pode abrir caminho para reflexões que ampliem sua utiliza-ção prática.

Dr. Jayme Murahovschi

Prof. Titular de Pediatria da Fac de Ciências Médicas de Santos; Presidente do Comitê de Pediatria Ambulatorial da SBP

Referências bibliográficas

1. Paro MLZ, Rodrigues JC. É possível prever o número de nebu-lizações e o uso de corticosteróide intravenoso em crianças com crise asmática na unidade de emergência? J Pediatr (Rio J) 2001; 77 (3):219-26.

2. Jones MA, Wagener JS. Managing acute pediatric asthma. J Pediatr 2001; 139:3-5.

3. Becker JM, et al. Oral versus intravenous corticosteroids in hospitalized asthma. J Allergy Clin Immunol 1999;103:586-90. 4. Qureshi F, Zaritsky A, Poierier MP. Comparative efficacy of oral dexamethasone versus oral prednisone in acute pediatric asthma. J Pediatr 2001; 139:20-6.

Varáveis/Categoria OR Bruta OR Ajustada

OR IC 95% OR IC 95%

Sexo (fem/masc) 1,65 (0,82-3,33) 1,3 (0,5-3,38)

Faixa etária meses (48-97/98-179) 4,13 (1,45-11,71) 4,34 (1,57-11,96)

Sensibilização baratas (sim/não) 17,75 (6,91-46,97) 9,26 (2,58-33,13)

Sensibilização animais (sim/não) 12,65 (4,10-41,76) 3,93 (1,05-14,67)

Sensibilização ácaros (sim/não) 11,05 (4,87-25,50) 3,74 (1,18-11,80)

Rinite paterna (sim/não) 3,33 (1,03-11,17) 3,49* (0,77-15,69)

Animais domicílio (sim/não) 0,23 (0,10-0,51) 0,24 (0,09-0,66)

No artigo intitulado

Fatores de risco,

aspectos clínicos e laboratoriais da asma em criançasde Líllian S.L. Moraes, Mar-ta D. Barros, Olga A. Takano e Newva M.C. Assami, publicado no volume 77, nº 6 - novembro/dezembro de 2001, pági-nas 447 a 454, foi suprimida, equivoca-damente, a Tabela nº 4. Pedimos escusas aos autores e leitores por nossa falha, e publicamos ao lado a referida tabela.

Tabela 4 - Análise multivariada por regressão logística dos fatores de risco entre 59

crianças asmáticas e 104 controles

* p> 0,05

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Tabela 4 - Análise multivariada por regressão logística dos fatores de risco entre 59 crianças asmáticas e 104 controles

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