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J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.39 número2

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Academic year: 2018

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Regulamentação do exercício profissional do médico: ato médico

A classe médica movimenta-se pela regulamentação de seu exercício profissional. Por meio de projeto de lei

encami-nhado ao Senado, e já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, propõe-se que uma profissão cujas ações

encon-tram-se registradas na história da humanidade há mais de 5 mil anos, sempre voltadas para a proteção à vida do homem

e para a mitigação de seu sofrimento físico, mental e social, tenha sua atuação regida por normas explícitas e escritas.

Trata-se do reconhecimento, por toda a sociedade, de que isso é necessário.

Muito vem sendo escrito sobre o tema, mas a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, como

membro ativo da Associação Médica Brasileira e como representante de um corpo de várias centenas de especialistas

titulados, não pode deixar de se pronunciar. Cumpre informar que, a exemplo de outras iniciativas, esta é apoiada em

conjunto pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Federal de Medicina.

Posiciona-se apoiando a ação legislativa e fazendo eco aos argumentos que determinaram seu encaminhamento ao

Senado.

Entre todas as profissões que atuam no seguimento da saúde no Brasil, a nossa é a única ainda não-regulamentada.

Provavelmente em decorrência do fato de situar-se nossa atividade no centro da questão e por restar pouco a ser

de-monstrado, na prática, sobre aquilo a que se propõe ou a que se presta. É até ato discriminatório admitir-se que tal

regulamentação não é necessária. Por tão naturalmente que qualquer cidadão brasileiro é capaz de elaborar uma lista

ampla de obrigações e deveres daqueles que mais direta e decisivamente trabalham por mantê-lo vivo e saudável, é

necessário que estas obrigações sejam tornadas claras, assim como seus inalienáveis direitos.

Tornou-se freqüente a acusação de corporativismo. Muitas vezes corporativismo conservador, impeditivo de ações

geradoras de bem-estar. A reação ao projeto de lei é, por parte de seus opositores, carregada deste argumento,

procuran-do ocultar (ou declarar) que esta oposição é também conservaprocuran-dora e corporativista. Parece-se muito com atitudes que

visam à proteção ilegítima de fatias de mercado, não se omitindo que no Brasil a responsabilidade técnica em laboratórios

clínicos pode ser exercida por outros profissionais legalmente habilitados que não os médicos. Países com histórico liberalista

regulamentam pouquíssimas profissões: advocacia, engenharia, psicologia e medicina, tornando os limites de suas

ativi-dades controlados, dado seu evidente e indiscutível alcance social.

Pode até soar contraditório que apoiemos a regulamentação quando, ao mesmo tempo, vemos a porção liberal de

nossa profissão minguar e tender à total extinção. Mas em sentido inverso podemos antever que a mesma

regulamenta-ção impõe limites maiores e mais claros à aregulamenta-ção predatória daqueles que visam simplesmente a reservar a si próprios fatias

do mercado de trabalho, sem preocupação com conseqüências certamente danosas à segurança daqueles que procuram

atenção a seu estado de saúde.

Por isso é necessário, urgente até, que tenhamos a regulamentação. Regulamentação esta que passe a ser parte do

alicerce jurídico de nossa sociedade civil e que sirva ao propósito de aperfeiçoá-la.

Álvaro Rodrigues M art ins

Médico Patologista Clínico Diretor Científico da SBPC/ML

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Referências

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