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A poética de Mafra Carbonieri: uma pluralidade singular

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Academic year: 2017

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II

(10)
(11)

As palavras têm canto e plumagem. - B0 5P= 5

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. $ 1 QDaremos cada vez mais espaço para as seções de inéditos. Além disso, acabamos de lançar um concurso literário chamado Prêmio Redescoberta da

Literatura Brasileira, abrangendo os gêneros romance, conto e poesia. O concurso tem

a ambição de descobrir e consagrar novos talentos literários, premiando os vencedores

com a publicação em livro de sua obra.S

QA Lira de Orso CremonesiS

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Dísticos 1

Não há versos torturados.

(Eles professam. Ou confessam).

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(12)

Não há poetas herméticos.

Há leitores herméticos.

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1 A Lira de Malavolta Casadei 0 X 0

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Carta sobre o Destino e a Urgência

(13)

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Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.

Mudo, mas não mudo muito.

A cor das flores não é a mesma ao sol

De que quando uma nuvem passa

(14)

E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.

Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:

Se estava virado para a direita,

Voltei6me agora para a esquerda,

Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —

O mesmo sempre, graças ao céu e à terra

E aos meus olhos e ouvidos atentos

E à minha clara simplicidade de alma ...1

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(15)

Lira de Malavolta Casadei Carta sobre o Destino e a Urgência.)

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(16)
(17)

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8 " Qpois tanto se mostra como uma pesquisa objetiva das essências lógicas ou das significações, quanto uma teoria da abstração, uma descrição

psicológica profunda ou uma análise da consciência, uma especulação sobre o “Ego

transcendental”, um método de abordagem concreta da existência vivida, ou, como

Sartre e Merleau6Ponty, se confunde puramente com o existencialismoS

? = ( TG JK,GKN U

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0 ," Qé destinado em seu espírito a resolver simultaneamente uma crise da filosofia, uma crise das ciências do homem e uma crise das ciências pura e

simplesmente, da qual ainda não saímosSN $

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(18)

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“Se, no entanto, comparamos Husserl a Kant e a Hegel (...) podemos notar que,

com respeito ao problema ontológico, sua tentativa representa algo como uma terceira

via: enquanto a fenomenologia de tipo kantiano concebe o ser como o que limita a

pretensão do fenômeno ao mesmo tempo em que ele próprio permanece fora de

alcance, enquanto inversamente, na fenomenologia hegeliana, o fenômeno é

reabsorvido num conhecimento sistemático do ser, a fenomenologia husserliana se

propõe como fazendo ela própria, às vezes, de ontologia, pois, segundo Husserl, o

sentido do ser e o do fenômeno não podem ser dissociados.”4

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Qinvestigação rica mas prolixa, não raro obscura, desconcertante na sua

economia interna” 9 + “múltiplas linhas de fractura e

convergência que irradiam de um terreno fenomenológico husserliano de base para

perspectivas de natureza lingüística, estética, sem deixar de afirmar com insistência a

pretensão de lançar as bases de uma ciência da literatura.”5

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(19)

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B 1 QA determinação dos vários estratos da construção da obra literária é, em sua base, uma trivialidade. Mas, por

maior que ela seja, nenhum autor dos que me são conhecidos viu que nisso reside a

estrutura básica natural da obra literária.”

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mas é relativa às operações subjetivas de consciênciaS , A .!

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(20)

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fundamentalmente ambígua, uma pluralidade de significados que convivem num só

significante.”6

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(21)

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) “a significação da palavra exige um invólucro externo em que possa atingir a sua expressão. O emprego de determinada significação no meio de uma

multiplicidade de outras significações diferentes relacionadas entre si de vários modos

leva a que seja necessário estabelecer uma relação clara entre significações e

expressão externaS

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Qinvólucro externo, fixo, da obra literária em que todos os seus estratos restantes encontram a base externa ou – se quisermos – a sua expressão extrínseca.”10

X $ O $ .!

, $ 7 / 7 7 9

$ .! T 9

$ + ! $

$ U 9 T

.! U / 7 8 $ .!

.! 9 27

“Se, por fim, não contivesse em si elementos especiais valiosamente

qualificativos, a polifonia da obra ficaria empobrecida num elemento importante.

Portanto, este primeiro estrato externo da estruturação da obra de arte literária não

constitui simplesmente um meio de acesso à obra nem um fator estranho à poesia, mas

ao contrário, um elemento indispensável da obra de arte literária.”11

< 4 2 + $

& / + Y 7 8

7 1além da melodia e da harmonia próprias à palavra poeticamente ordenada em verso, regular ou livre, há certos fonemas que despertem sensações ou emoções de

G

B)=0 Ibidem, + HH

GG

(23)

outra natureza – auditiva, plástica, colorida, seja em si, seja ligadas a idéias, no nível

psicológico? Haverá uma letra ou letras que comuniquem a sensação da cor branca, ou

a idéia de brancura simbólica?12

& 0 - 7 7

/ 7 9+ $ ? “e a poesia, sem

ser música, é (...) em certa medida uma música; as vogais são espécies de notas.”

Nosso cérebro associa e compara continuadamente; classifica as idéias, dispõe6

nas por grupos e ordena no mesmo grupo conceitos puramente intelectuais com

impressões que lhe são fornecidas pelo ouvido, a vista, o gosto, o olfato, o tacto.

Resulta disso que as idéias mais abstratas são quase sempre associadas a idéias de cor,

som, cheiro, secura, dureza, moleza.13 * $ 7 7

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Perde6se o Brasil nas unhas escorregadias dos governadores.

Vieira

O rei

roeu a roupa

dos rotos de Roma.

Os ratos rejubilosos o reelegeram.

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& <)B) O estudo analítico do poema .! = ( ! " I I3 .! + N

GN

(24)

A lei

levou o luto

aos deuses lares.

A ladainha aleivosa lesou a lenda.

A traça

atraiu a tropa

de maltrapilhos.

Estragou. Traiu. Maltratou os trapos

(a traça ou a trapaça).14

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A lei

levou o luto

aos deuses lares.

A ladainha aleivosa lesou a lenda.

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A traça

atraiu a tropa

de maltrapilhos.

Estragou. Traiu. Maltratou os trapos

(27)

Atraça atraiu atropa de maltrapilhos.

Estragou.Traiu. Maltratou ostrapos (atraça ou atrapaça).

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(28)

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* S Q S “(...) Notamos que cada uma delas se refere a um objeto, designa um objeto, dirige6se para ele, mas, por outro lado, só o faz porque na sua significação

contém momentos que, por assim dizer, decidem de que espécie ou de que qualidade de

objeto se trata (precisamente de uma mesa e do centro da Terra). Chamamos conteúdo

material da significação da palavra àqueles momentos desta significação que

determinam o objeto qualitativamente, chamando, em contrapartida, fator da direção

intencional àquele momento em que a palavra se refere precisamente a este objeto e a

nenhum outro.”15. ? / $ .! 9 7

+ 7

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9 9+ 7 $ ' ! Qcerta multiplicidade de

determinações qualitativas do modo de ser, mas ostentar, ainda, uma estrutura

formal.”* $ 9 W T 7

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O $ .! Q Y 7 + S ) 7

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$ .! QA estrutura formal do objeto

(p. ex. do triângulo) em geral não é visada explicitamente no significado nominal da

palavra do mesmo modo que as suas determinações materiais. (...) Podemos dizer que a

significação nominal da palavra perante o seu objeto qualitativamente determinado

pelo conteúdo material (...) exerce uma função estruturante ao tratar o determinado

pelo conteúdo material como uma unidade formalmente estruturada, p. ex. como “uma

coisa”(...). Este “tratar algo como uma coisa” é o que constitui o conteúdo formal da

significação nominal.”16

X O .! $ 7

8 B , O 1 O !

Q " W S < O ! ! / Q S

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GJ

B<- 5)=< 5 Op. cit + N

GM

(29)

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9 7 O ' (+ .!

O $ , 8 .! O “A expressão

“capital da Polônia”, em contrapartida, pode usar6se de modo que na sua significação

a posição existencial da realidade apareça ao lado do momento de caracterização

existencial. ”17 * / O ! Q( S

.! O .! O = /

Q $ 2 S ? $ .!

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9 $ ! 8 9 ! 8 7

8 7 “um objeto é projetado pela significação nominal de uma palavra relacionada com a respectiva palavra funcional, por exemplo, ‘a cadeira junto

da mesa’, a expressão ‘junto de’ caracteriza o objeto do nome correspondente quanto à

sua situação no espaço relativamente a outro objeto.”18

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9 ? $ 9

$ ! ! 9 9

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8 7 + 9 1 ,

.@ .! A .@ $ .! 1

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(30)

9 $ / = ( 7

Logischen Untersuchungen 7

$ .@ $ 27

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$ .! .! ' '

$ $ 7 $ .@ ! Q / S

B 7 $ $ .!

+ $ 7 ! " !

8 .@ 8 .! 1“o estrato da obra

literária, estruturado por significações de palavras, frases e períodos, não tem um ser

ideal autônomo, mas é relativo a determinadas operações subjetivas da consciência

quer pela sua gênese, quer pelo seu ser.”19

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O rei

roeu a roupa

dos rotos de Roma.

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(31)

Os ratos rejubilosos o reelegeram.

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A lei

levou o luto

aos deuses lares.

A ladainha aleivosa lesou a lenda.

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(32)

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7 7

A traça

atraiu a tropa

de maltrapilhos.

Estragou. Traiu. Maltratou os trapos

(a traça ou a trapaça).

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0 $ $ 2 9 O

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trapaça .! 2

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(33)

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9 " Qas objetividades apresentadas na obra literária são objetividades pura e derivadamente intencionais projetadas por unidades de

significação”20.

$ O

? .@ O@ 9 / ! !

8 ? . A ? O@

$ * 9 7

$ < O

7 9 . 9 ? 9 ? .!

+ 9 =

Qhá um pano de fundo mais ou menos determinado que forma uma só esfera de ser com o objeto apresentadoS G

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(34)

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$ S B , O $ .

9 9 1

“Se, p.ex., uma narração começa pela frase: ‘A uma mesa estava sentado um

homem idoso’, esta mesa apresentada é sem dúvida uma mesa e não, p.ex., uma

poltrona, mas se é de madeira ou de ferro, de quatro ou três pernas, não é de modo

algum declarado nem, por conseguinte, fica determinado o objeto puramente

intencional. O material de que é fabricada permanece absolutamente inqualificado,

embora ela deva ser feita de qualquer material. Deste modo, a sua qualificação não

existe de maneira alguma no objeto respectivo: há aí um ponto vazio de

indeterminação. Num objeto real não são possíveis tais pontos vazios.”22

) $ , 7 9

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7 $2 ! , ,

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(35)

QDe acordo com isso, a sua contemplação provoca em nós transformações de gênero das que provocam as suas realizações autênticas. Nem depois de uma situação

realmente trágica nem após a experiência de uma felicidade real podemos permanecer

na nossa essência exatamente os mesmos que anteriormente (...). Depois da

representação de um drama que nos comove até o fundo, podemos regressar

serenamente a casa e ocupar6nos de assuntos banais ou também importantes na vida,

mas inteiramente diferentes. Sem dúvida que ainda fica pairando durante um tempo o

eco da comoção (...), mas a vida real é muito mais forte e faz valer os seus direitos.”23

$ .! 9

+, 8 1

% $ , .! 1 7

O rei

roeu a roupa

dos rotos de Roma.

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(36)

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Perde6se o Brasil nas unhas escorregadias dos governadores.

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$ B , O 7 / 8

8 $ 8+ $ /

7 “Nenhuma pessoa sem

preconceitos poderá duvidar de que não nos é dada a face anterior da bola sem uma

face posterior ou qualquer espaço interior. Na bola totalmente determinada é6nos

simultaneamente oferecida a sua face oculta.”24 7 2 /

+ 7 ! 9 8 8 7

7 T $ U 8 a7 !

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I

(37)

0 $ Q S 7 $ =

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7 + 9 Q 7 S =

7 “deve entender6se apenas a totalidade daqueles momentos do conteúdo de um aspecto concreto cuja existência neste é a condição suficiente e

necessária para a autodoação originária de um objeto ou, mais exatamente, das

qualidades objetivas de uma coisa.”25

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+ B Qé de fato um elemento essencial

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(38)

cuja rejeição transformaria a obra de arte literária numa mera obra de literaturaS26

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Os ratos rejubilosos o reelegeram.

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(39)

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– Cantoria de Conrado Honório Modas de Aldo Tarrento

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7 $ O 7 Qnasce no silêncio e no

balbuciamento, no não poder dizerS " H ! O

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(41)

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" 4 >8 “um signo não existe apenas como parte de uma realidade; ele também reflete e retrata uma outra. Ele pode distorcer essa realidade, ser6lhe fiel, ou

apreendê6la de um ponto de vista específico. Todo signo está sujeito aos critérios de

avaliação ideológica.”28

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4 D(*B< 0 >8 Marxismo e Filosofia da Linguagem = ,( ! " K3 .! + N

K

(42)

vista fundamental que adotamos de uma análise contínua à base das funções do texto,

não existem significações reconhecíveis outras que não as significações contextuais.

Toda grandeza e, por conseguinte, todo signo, se define de modo relativo e não

absoluto, isto é, unicamente pelo lugar que ocupa no contexto.”30

7 O $ $ .! 7 O

O 8 Q S 7

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+ ! 7

Q 8 O ! S Q 8 ? S QDivide6se a seguir a linha da expressão e

a linha do conteúdo, tomadas separadamente, levando6se necessariamente em conta

sua interação no interior dos signos. Do mesmo modo, a primeira articulação do

sistema da língua levará a que se estabeleçam seus dois paradigmas mais amplos: a

face da expressão e a face do conteúdo.”31

7 (9 $ / .!

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(43)

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' Q$ / S & ) 1

Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não há desespero,

há calma e frescura na superfície intata.

Ei6los sós e mudos, em estado de dicionário.

(...)

Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível que lhe deres:

Trouxeste a chave?32

$ $ 2

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(44)
(45)

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de Contos " + < ! Os Gringos

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7 = - Arma e Bagagem 8

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= GKHH Homem esvaziando os bolsos 7

: ! W T Malagueta, Perus e BacanaçoU inequívocas qualidades

de autoria: muito clima, originalidade e marcado tom paulista (paulistano) na

execução psicológica e, o melhor, a meu ver: certo nojo diante de nosso tempo

presenteNN

< GKKH GKK ' $ 1 A Flauta

Lógica O Menino de Letras Absurdo Mundo $ .! Farsa 1 Farsa 2

Farsa 3 ! $ 0 %

NN

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(46)

% C & 7 a “infância remanescente”, aquela que ainda não se fossilizou no adulto e pode ser estimulada a qualquer tempo pelo jogo da

sensibilidade e da nostalgia.

Motim na Ilha dos Sinos,/ / GKKH 7

.! / = 0 $ $ 7 a

rebelião dos presos na Colônia Correcional da Ilha dos Sinos, numa tarde de janeiro

de 1997 é apenas um dos assuntos do romance. O tema predominante, quando a

narração se concentra na ilha, é o aparecimento dos ratos 7 $

8 $ < GKK 8

Prêmio Octavio de Faria – 40º. Aniversário da UBE6 Rio

J & B %

Associação Il Convívio & Y 2 B +

GKK / Cantoria de Conrado Honório

7 , / espalha suas letras na pauta de canções reais ou inexistentes (...) imaginadas para evocar – nas cordas afiadas – os ritmos do mundo,

GKKK

Q 9 S O Canto Furtivo * , Modas

de Aldo Tarrento , / & 8 7 Q S

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(47)

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permanente de signos não esgota o significado do mundo”.34

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(48)
(49)

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(52)

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Teoria e técnica literária QA $ .@ $ S

Inserem6se neste estrato não só e como é óbvio os significados dos vocábulos e

a suas combinações, mas também recursos como as conotações, os registros

valorativos ou a ambigüidade, própria de certas formações verbais, figuras de

dimensão eminentemente semântica (metáfora, comparação, sinédoque, metonímia,

oxímoro, etc) e ainda procedimentos de representação como o símbolo e a imagemNM

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viverS .! ' 7 , / $

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5=B & Texto literário e obra literária. O conhecimento da literatura: introdução aos estudos

(54)

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(55)

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Encontram6se no estrato das objetividades apresentadas as unidades temáticas

do texto literário, os vectores dominantes do que costuma designar6se como universo

poético (imaginário, ideologia, mitos pessoais, etc) aquilo que Ingarden designa como

essencialidades (o sublime, o trágico, o terrível, o grotesco, o sagrado, etc) e de um

modo geral as entidades que encontramos num universo ficcional ou dramático

(personagens, espaços, ações, a par naturalmente de elementos ideológico, temático,

etc).37

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(56)

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aqui estou` < , TA pele, papel de

embrulhoU + O '

& no nível profundo, a análise de um poema é freqüentemente a pesquisa das suas tensões, isto é, dos elementos ou significados

contraditórios que se opõem, e poderiam até desorganizar o discurso; mas na verdade

criam condições para organizá6lo, por meio da unificação dialética.38

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(57)

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(58)

Arre! Por não poder agir de acordo com o meu delírio!

Arre! Por andar sempre agarrado às saias da civilização!39

!

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.

Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei.

Se me falta escrúpulo espiritual, ponto6de6apoio na inteligência,

Consangüinidade com o mistério das coisas, estremeção aos

ruídos,

Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido;

Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,

A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,

A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de

sair

Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as

sacadas.

(...)

Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...

Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?40

QAgarrado às saias da civilizaçãoS &

( Qpapel de embrulhoS Qde tão interessante que éS , , A Qminha

vida é vícioS 7 “Que há de ser de mim?” 8 , “Que

farei?” & .!

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(59)

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! ! O O = Tabacaria

1

Vivi, estudei, amei e até cri,

E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.

Olho a cada um dos andrajos e as chagas e a mentira,

(61)

(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);41

< , 7 @ 7 7

.@ ! =O / 8 W

! 7 7 7 .@

7 O !

1

Eu pr’aqui engenheiro, prático à força, sensível a tudo,

Pr’aqui parado, em relação a vós, mesmo quando ando;

Mesmo quando ajo, inerte; mesmo quando me imponho, débil;

Estático, quebrado, dissidente cobarde de vossa Glória,

Da vossa grande dinâmica estridente, quente e sangrenta!42

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Qinexistente, ignoradoS Qperdido no fundo de qualquer

coisa sem fundoS Perdido 7 9 / + 8+

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(62)

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(65)

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cai` < $ 7 7 + _

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H , /

7 ! O 7 T

U 1

O vento não me arrasta.

Sei nadar no ar. Nisso não há nenhum mistério.

Basta mover ospésem cada passo

nosentido da terra. (...)

Nãosou inteligente.

Se fosse,seria para osoutros

e meu vocabulário logose gasta. Meu vocabulário

não tem paciência.

< M3 H3 $ $ ' Acasa$ 7 !

$ ` ` ` ` ` ` ` ` 5 , 7 M3 $

/ 2 7

8 8 , / A 8 .

(66)

O melhorlugarda casa é a casa inteira

com osol porvisita, osilêncio,

o estalo pressentido da madeira, ascortinas,

uma aragem desombra pelasala,

o cigarro, acerteza do café na copa.

O melhorlugarda casa. Meu olhar,

quandovolta daviagem dever, retorna a meusolhos

tão nítido como aosair de casa.

2 H3 $ O melhor lugar da casa. 9

$ * , $ 7

$ . $ .! 9 1a casa inteira

& .! 8 / J3 $ 1 Os livros

da biblioteca1

Sim.

Os livros da biblioteca.

Pelo menos são mudos. (...)

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/ A . 9 !

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/ .! não 7 $ nada nenhum

9 .! nem ! ' / _

(67)

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$ .! 8 O $W 1

$ / / não

Não sou inteligente.

Eu não sou nada inteligente.

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7 $ .! .! + 1Eu não

sou nada inteligente

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' , / Eu não sou nada inteligente 7 AEu sou néscio

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! $ 9 $ '

(+ .! $ $ 1 A cantiga de vidro e água

(...), atravessa o escuro e também me agasalha " .!

/ T $ U 8

.@ 1 .! agasalha .!

$ $ 7 $ = +

$ .! $ $

(68)

(+ vidro, água atravessa

7 ' / 2 + /

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$ .! $ 1A vida não me fere(...)

$ $ /

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calço sapatos 7 @ O .!

$ / ,

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= Os livros da biblioteca. /Pelo menos são mudos $ .!

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O ' 2 $

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mulher é a mulher inteira` .! O

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, A .@ A7 7 / /

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(69)

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$ 7 $ NR 1 `Que

me importa?/ = 7 ! 9+

$ ! , / 7 7

$ .

.! / $ . / QagasalhaS =

+ 8 / .! <

B 1 QÉ um dar a conhecer algo diferente do elemento representante, em que o representante imita o representado, oculta6se a si mesmo como representante para se

mostrar ao mesmo tempo como pretensamente representado e assim trazer, por assim

dizer, da distância o outro que de fato apenas representa e deixá6lo a ele mesmo falar

na sua própria figura.”IN

8 $ 7 ,

, / $ 2

IN

(70)

= Y $ Q 8 SIIZ ?

7 .!

' 1 T U me agasalho THR U_ T + U me

agasalhaTG R U_A terra me agasalhaTGJR U_Eu me agasalhoT HR U_O

calor me agasalha TIIR U $

! $ T 7 $ $ 8

' ' U /

7 tornar6se menos triste

reconfortar6se

0 $ , 7 'V & 7 !

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O ' O ! $ / = O ' 8

$ O! 7[ 9 @

9+ 7 Q S / + 7 7 + $

, / 9 + O 2 GHR 1Se fosse, seria para

os outros

Qas palavras não servem para dizer

nada S $ !

/ 7[

$ 7 ! + Y TQue me importa? < U

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7 . '

7 A ' =

7 ! 2 $ $ O /

7 1

II

( B W Dicionário da Língua Portuguesa = 9 5 : G G3

(71)

O poema termina junto com a poesia

) , termina ! + $

G 3 $ .!

7 7 $ =

O $ O! 7

.! 7 $ 7 , 2

/ $ O ! 1 Não passo a limpo. Nem leio./ O ar que me

deixou o peito foi embora./ Naturalmente./ Não vou laçá6lo no campo./ Para que

respirar6me?

B / . QespelhoS ?

$ = 7

$ .! 9 X 1 `Não vejo no espelho os

borrões de minha passagem/

.! 8

! O 2 O ! $

" , O ',

$ .! ' $ Y 2

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O 7

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(72)

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A .! 2$ /

A ' A A !

O 3 $ 1

Os homens trouxeram um pedaço da lua.

Depois acharam gelo na lua.

Precisarei disso para conservar o cerebelo?

Bom proveito. Quanto a mim,

gosto da lua enquanto longe, atrás da árvore,

acendendo os ramos e seu gesto.

< , / .! 8 ] O 7

.! ? 7

$ O! .! 7 ! $ .! /

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7 8 7

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O Não sou inteligente +

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escrevo mal e pela metade/ A

. ! 8

7

< J3 $ W .! / 1

(73)

Certos poetas dizem com palavras, gravemente,

que hoje as palavras não servem para dizer nada.

= 7 7

+ / 7 8 9+ 7

8 / 7 7 /

7 7 9 = . / ! / $ 7

7 7

$ . 7

, / ! !

1

Se fosse, seria para os outros

e meu vocabulário logo se gasta. Meu vocabulário

não tem paciência.

# .! $

$ 1

A cantiga de vidro e água, sempre breve enquanto cai

ao redor de noite, atravessa o escuro

e também me agasalha.

X noite minha 7

! 7 IJ

$ 2 O ' , /

. 7

Y 7 7 ! /

7 8 $ 7

_ 2 8 = .! / 7 8

O 7 8+ $ ,

IJ

(74)

8 O 7 ! 8 .! $

Bom proveito 9 $ !

.

#

= # " .! 1

A arte que vive primordialmente do sentido direto da palavra chamar6se6á

propriamente prosa, sem mais nada; a que vive primordialmente dos sentidos indiretos

da palavra – do que a palavra contém, não do que simplesmente diz – chamar6se6á

convenientemente literatura; a que vive primordialmente da projeção de tudo isso no

ritmo, com propriedade se chamará poesia.46

= 2 ! .! + $ /

7 / .! 7 , /

= 7 !

O

" 2 O ,

.! # " 7 .!

& ( + 0 $ & " "

8+ /

(+ 7 É a arte segundo Aristóteles, que se baseia

naturalmente na idéia de beleza, porque se baseia no que agrada, baseia6se na

inteligência, porque se baseia no que, em geral, é compreensível e por isso agradável.

= 8+ 7 9 (...) A segunda (...) baseia6se na sensibilidade,

porque é a sensibilidade que é particular e pessoal em nós que dominamos (...) e

baseia6se na unidade espontânea e orgânica, natural, que pode ser sentida ou não

sentida, mas que nunca pode ser vista ou visível, porque não está ali para se ver.47

= 2 7 , / ! 1 7

! / ! / ,

$ = .!

IM

"= # Alguma prosa & 4 = < # 5: J3 + KH

IH

(75)

7 / 7 7 / $ ' 8 7

7 +

" .! & ! 7

/ 8 W

= & ', 1

Meu olhar, quando volta da viagem de ver, retorna a meus olhos

tão nítido como ao sair de casa.

= " 1

O meu olhar é nítido como um girassol.48

7 .!

7 / Q S

< GR $ & (

$ $ 7 / ! ,

1Que me importa?

< 3 $ 1

Os homens trouxeram um pedaço da lua.

Depois acharam gelo na lua.

Precisarei disso para conservar o cerebelo?

Bom proveito. Quanto a mim,

gosto da lua enquanto longe, atrás da árvore,

acendendo os ramos e seu gesto.

= O Guardador de Rebanhos & ', 1

I

(76)

Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?

Se ela a tiver, que a tenha...

Que me importa isso a mim?

Se eu pensasse nessas cousas,

Deixaria de ver as árvores e as plantas

E deixaria de ver a Terra,(...)49

& & / 7

! Y 8 A ! / $ 2,

* $ 8 W

& 7 '

7 .! $ $ QminhaS

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? 1Para que respirar6me?

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(78)

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A palavra é, numa só unidade, três coisas distintas o sentido que têm, os

sentidos que evoca, e o ritmo que envolve esse sentido e estes sentidosJ

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(79)

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(80)

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(81)

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(83)

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$ ! Q S

$ O .! A .! 7 $ +

Se meus versos às vezes falam alto

como a tempestade,

ou rezam por vozes aconchegadas

como os passos do orvalho numa haste,

$ .! .!

$ 2 = / /

.! dizer falar rezar cantar 7

, + Q S

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café, copos de cerveja boca de homens7 , $2

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$ 2 ! 1

" 1Odiar e amar são sentimentos de sangue.

" 1Eu preciso de todo o meu sangue para viver.

& ! 1Logo, eu preciso amar e odiar para viver.

= ! 7 8 9+ 7

$ 1/ não é porque eu odeie ou ame` & $ $ .!

7 Q S / + Q S , / !

O cafés copos de cerveja 7

.! 2 + rua

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(85)

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8 8 7 $

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= $ .! , 7 $ 7

.! 1

Eu ficaria muito triste

contrariassem a natureza

e .

Eu ficaria muito doente se, uma noite,

cansado de escrever,

surpreendesse s

nos cafés, entre copos de cerveja,

na boca de homens que só sabem não entender nada.

Qa mensagem de meus versosS , / 8 7 '

/ 8 7 ! /

7 7 $ $2

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4 .! Q homens que só S

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(86)

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(87)

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cafés, entre copos de cerveja 9

homens que só sabem não entende nada '

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' O .! < 7

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2

$ 8 + O ' 9 / /

`As folhas que das árvores, por exemplo,` 7 ! $ A

$ 8 + A $ 8 7 ! 7

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(88)

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7 Q S 7 +

$ 8

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#

Deste modo ou daquele modo,

Conforme calha ou não calha

Podendo às vezes dizer o que penso,

E outras vezes dizendo6o mal e com misturas,

Vou escrevendo os meus versos sem querer,

Como escrever não fosse uma coisa feita de gestos,

Como escrever fosse uma coisa que me acontecesse

Como dar6me o sol de fora.

Procuro dizer o que sinto

Sem pensar em que o sinto.

Procuro encostar as palavras à idéia

E não precisar dum corredor

Do pensamento para as palavras.53

Z 7 & $ [

_ 9+ '

$ O! ,

& `Vou escrevendo os meus versos sem querer`

& ( 1 `Meus versos não têm comigo nenhum

compromisso` .! / /

JN

(89)

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tempestade` `como os passos do orvalho numa haste`

7 $ , `se meus versos contrariassem a natureza` ,

.! , /

; A 7 ! O

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! , , / , 7 9

Q S Z .! & 1 `Procuro dizer

o que sinto/ Sem pensar em que o sinto/

+ # " 1

“Toda a arte parte da sensibilidade e nela realmente se baseia. Mas, ao passo

(90)

tornar essa sensibilidade humana e universal, ou seja, para poder tornar acessível e

agradável, e assim poder captar os outros, o artista não6aristotélico subordina tudo à

sua sensibilidade, converte tudo em substância de sensibilidade, para assim, tornando a

sua sensibilidade abstrata como a inteligência (sem deixar de ser sensibilidade),

emissora como a vontade (sem que seja por isso vontade), se tornar um foco emissor

abstrato sensível que force os outros, queiram eles ou não, a sentir o que ele sentiu, que

os domine pela força inexplicável, como o atleta mais forte domina o mais fraco, (...)”54

& 7 ! , / 7 +

A / $ O! + .!

5 , , / 7 $ . 7 /

+ 7 & ( , 8+

&

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(91)

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(92)

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Q . S = 7 7

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vez

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1 . T 7 + U / 2

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/ Q S1

esper nç fechou6me port utomátic .

* . $ . $

Q 8S

" Q S + J

(93)

P rdi a sp rança o s ntido.

< $ `m` `n`

Tô bus, o, últi , , nha, fechou , auto ticaU 2 $ `nh`

Tmi U 7

! ! $ $

JJ

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.! 7 = '

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Q , / S = 7 O +

. `p` erdi,

es erança, es erança orta

= / ! .

O2 2 $ 1e grafe, nibus, timo auto tica.

4 / / .! Q S $

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2 `O ônibus não` Q WS

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W $ 1

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JJ

(94)

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Perdi a esperança.

O ônibus não. (...)

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O @ Q W S Q . S 9 2

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(95)

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Perdi a esperança e o sentido

$ $ .! 2 A

. .! $ 8

ônibus edifícios, viadutos, becos reclames !

7 7 !

7 2 8 Q S 7 / rua =

O = 8 9 $ O .!

7 $2 .! $ . 7 $

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$ rua . _ / 2

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O ! Qúltimo da filaS +

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7 '

(96)

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Referências

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