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. $ 1 QDaremos cada vez mais espaço para as seções de inéditos. Além disso, acabamos de lançar um concurso literário chamado Prêmio Redescoberta da
Literatura Brasileira, abrangendo os gêneros romance, conto e poesia. O concurso tem
a ambição de descobrir e consagrar novos talentos literários, premiando os vencedores
com a publicação em livro de sua obra.S
QA Lira de Orso CremonesiS
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Dísticos 1
Não há versos torturados.
(Eles professam. Ou confessam).
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Não há poetas herméticos.
Há leitores herméticos.
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Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei6me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma ...1
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8 " Qpois tanto se mostra como uma pesquisa objetiva das essências lógicas ou das significações, quanto uma teoria da abstração, uma descrição
psicológica profunda ou uma análise da consciência, uma especulação sobre o “Ego
transcendental”, um método de abordagem concreta da existência vivida, ou, como
Sartre e Merleau6Ponty, se confunde puramente com o existencialismoS
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$ $ $ 9 $ .
0 ," Qé destinado em seu espírito a resolver simultaneamente uma crise da filosofia, uma crise das ciências do homem e uma crise das ciências pura e
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“Se, no entanto, comparamos Husserl a Kant e a Hegel (...) podemos notar que,
com respeito ao problema ontológico, sua tentativa representa algo como uma terceira
via: enquanto a fenomenologia de tipo kantiano concebe o ser como o que limita a
pretensão do fenômeno ao mesmo tempo em que ele próprio permanece fora de
alcance, enquanto inversamente, na fenomenologia hegeliana, o fenômeno é
reabsorvido num conhecimento sistemático do ser, a fenomenologia husserliana se
propõe como fazendo ela própria, às vezes, de ontologia, pois, segundo Husserl, o
sentido do ser e o do fenômeno não podem ser dissociados.”4
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Qinvestigação rica mas prolixa, não raro obscura, desconcertante na sua
economia interna” 9 + “múltiplas linhas de fractura e
convergência que irradiam de um terreno fenomenológico husserliano de base para
perspectivas de natureza lingüística, estética, sem deixar de afirmar com insistência a
pretensão de lançar as bases de uma ciência da literatura.”5
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B 1 QA determinação dos vários estratos da construção da obra literária é, em sua base, uma trivialidade. Mas, por
maior que ela seja, nenhum autor dos que me são conhecidos viu que nisso reside a
estrutura básica natural da obra literária.”
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significante.”6
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multiplicidade de outras significações diferentes relacionadas entre si de vários modos
leva a que seja necessário estabelecer uma relação clara entre significações e
expressão externaS
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Qinvólucro externo, fixo, da obra literária em que todos os seus estratos restantes encontram a base externa ou – se quisermos – a sua expressão extrínseca.”10
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$ + ! $
$ U 9 T
.! U / 7 8 $ .!
.! 9 27
“Se, por fim, não contivesse em si elementos especiais valiosamente
qualificativos, a polifonia da obra ficaria empobrecida num elemento importante.
Portanto, este primeiro estrato externo da estruturação da obra de arte literária não
constitui simplesmente um meio de acesso à obra nem um fator estranho à poesia, mas
ao contrário, um elemento indispensável da obra de arte literária.”11
< 4 2 + $
& / + Y 7 8
7 1além da melodia e da harmonia próprias à palavra poeticamente ordenada em verso, regular ou livre, há certos fonemas que despertem sensações ou emoções de
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B)=0 Ibidem, + HH
GG
outra natureza – auditiva, plástica, colorida, seja em si, seja ligadas a idéias, no nível
psicológico? Haverá uma letra ou letras que comuniquem a sensação da cor branca, ou
a idéia de brancura simbólica?12
& 0 - 7 7
/ 7 9+ $ ? “e a poesia, sem
ser música, é (...) em certa medida uma música; as vogais são espécies de notas.”
Nosso cérebro associa e compara continuadamente; classifica as idéias, dispõe6
nas por grupos e ordena no mesmo grupo conceitos puramente intelectuais com
impressões que lhe são fornecidas pelo ouvido, a vista, o gosto, o olfato, o tacto.
Resulta disso que as idéias mais abstratas são quase sempre associadas a idéias de cor,
som, cheiro, secura, dureza, moleza.13 * $ 7 7
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Perde6se o Brasil nas unhas escorregadias dos governadores.
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A ladainha aleivosa lesou a lenda.
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(a traça ou a trapaça).14
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A traça
atraiu a tropa
de maltrapilhos.
Estragou. Traiu. Maltratou os trapos
Atraça atraiu atropa de maltrapilhos.
Estragou.Traiu. Maltratou ostrapos (atraça ou atrapaça).
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contém momentos que, por assim dizer, decidem de que espécie ou de que qualidade de
objeto se trata (precisamente de uma mesa e do centro da Terra). Chamamos conteúdo
material da significação da palavra àqueles momentos desta significação que
determinam o objeto qualitativamente, chamando, em contrapartida, fator da direção
intencional àquele momento em que a palavra se refere precisamente a este objeto e a
nenhum outro.”15. ? / $ .! 9 7
+ 7
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9 9+ 7 $ ' ! Qcerta multiplicidade de
determinações qualitativas do modo de ser, mas ostentar, ainda, uma estrutura
formal.”* $ 9 W T 7
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$ .! QA estrutura formal do objeto
(p. ex. do triângulo) em geral não é visada explicitamente no significado nominal da
palavra do mesmo modo que as suas determinações materiais. (...) Podemos dizer que a
significação nominal da palavra perante o seu objeto qualitativamente determinado
pelo conteúdo material (...) exerce uma função estruturante ao tratar o determinado
pelo conteúdo material como uma unidade formalmente estruturada, p. ex. como “uma
coisa”(...). Este “tratar algo como uma coisa” é o que constitui o conteúdo formal da
significação nominal.”16
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a posição existencial da realidade apareça ao lado do momento de caracterização
existencial. ”17 * / O ! Q( S
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8 7 “um objeto é projetado pela significação nominal de uma palavra relacionada com a respectiva palavra funcional, por exemplo, ‘a cadeira junto
da mesa’, a expressão ‘junto de’ caracteriza o objeto do nome correspondente quanto à
sua situação no espaço relativamente a outro objeto.”18
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9 ? $ 9
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8 .@ 8 .! 1“o estrato da obra
literária, estruturado por significações de palavras, frases e períodos, não tem um ser
ideal autônomo, mas é relativo a determinadas operações subjetivas da consciência
quer pela sua gênese, quer pelo seu ser.”19
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significação”20.
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9 9 1
“Se, p.ex., uma narração começa pela frase: ‘A uma mesa estava sentado um
homem idoso’, esta mesa apresentada é sem dúvida uma mesa e não, p.ex., uma
poltrona, mas se é de madeira ou de ferro, de quatro ou três pernas, não é de modo
algum declarado nem, por conseguinte, fica determinado o objeto puramente
intencional. O material de que é fabricada permanece absolutamente inqualificado,
embora ela deva ser feita de qualquer material. Deste modo, a sua qualificação não
existe de maneira alguma no objeto respectivo: há aí um ponto vazio de
indeterminação. Num objeto real não são possíveis tais pontos vazios.”22
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QDe acordo com isso, a sua contemplação provoca em nós transformações de gênero das que provocam as suas realizações autênticas. Nem depois de uma situação
realmente trágica nem após a experiência de uma felicidade real podemos permanecer
na nossa essência exatamente os mesmos que anteriormente (...). Depois da
representação de um drama que nos comove até o fundo, podemos regressar
serenamente a casa e ocupar6nos de assuntos banais ou também importantes na vida,
mas inteiramente diferentes. Sem dúvida que ainda fica pairando durante um tempo o
eco da comoção (...), mas a vida real é muito mais forte e faz valer os seus direitos.”23
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O rei
roeu a roupa
dos rotos de Roma.
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7 “Nenhuma pessoa sem
preconceitos poderá duvidar de que não nos é dada a face anterior da bola sem uma
face posterior ou qualquer espaço interior. Na bola totalmente determinada é6nos
simultaneamente oferecida a sua face oculta.”24 7 2 /
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7 “deve entender6se apenas a totalidade daqueles momentos do conteúdo de um aspecto concreto cuja existência neste é a condição suficiente e
necessária para a autodoação originária de um objeto ou, mais exatamente, das
qualidades objetivas de uma coisa.”25
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cuja rejeição transformaria a obra de arte literária numa mera obra de literaturaS26
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" 4 >8 “um signo não existe apenas como parte de uma realidade; ele também reflete e retrata uma outra. Ele pode distorcer essa realidade, ser6lhe fiel, ou
apreendê6la de um ponto de vista específico. Todo signo está sujeito aos critérios de
avaliação ideológica.”28
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vista fundamental que adotamos de uma análise contínua à base das funções do texto,
não existem significações reconhecíveis outras que não as significações contextuais.
Toda grandeza e, por conseguinte, todo signo, se define de modo relativo e não
absoluto, isto é, unicamente pelo lugar que ocupa no contexto.”30
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Q 8 O ! S Q 8 ? S QDivide6se a seguir a linha da expressão e
a linha do conteúdo, tomadas separadamente, levando6se necessariamente em conta
sua interação no interior dos signos. Do mesmo modo, a primeira articulação do
sistema da língua levará a que se estabeleçam seus dois paradigmas mais amplos: a
face da expressão e a face do conteúdo.”31
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Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei6los sós e mudos, em estado de dicionário.
(...)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?32
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7 = - Arma e Bagagem 8
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: ! W T Malagueta, Perus e BacanaçoU inequívocas qualidades
de autoria: muito clima, originalidade e marcado tom paulista (paulistano) na
execução psicológica e, o melhor, a meu ver: certo nojo diante de nosso tempo
presenteNN
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Lógica O Menino de Letras Absurdo Mundo $ .! Farsa 1 Farsa 2
Farsa 3 ! $ 0 %
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sensibilidade e da nostalgia.
Motim na Ilha dos Sinos,/ / GKKH 7
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rebelião dos presos na Colônia Correcional da Ilha dos Sinos, numa tarde de janeiro
de 1997 é apenas um dos assuntos do romance. O tema predominante, quando a
narração se concentra na ilha, é o aparecimento dos ratos 7 $
8 $ < GKK 8
Prêmio Octavio de Faria – 40º. Aniversário da UBE6 Rio
J & B %
Associação Il Convívio & Y 2 B +
GKK / Cantoria de Conrado Honório
7 , / espalha suas letras na pauta de canções reais ou inexistentes (...) imaginadas para evocar – nas cordas afiadas – os ritmos do mundo,
GKKK
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Inserem6se neste estrato não só e como é óbvio os significados dos vocábulos e
a suas combinações, mas também recursos como as conotações, os registros
valorativos ou a ambigüidade, própria de certas formações verbais, figuras de
dimensão eminentemente semântica (metáfora, comparação, sinédoque, metonímia,
oxímoro, etc) e ainda procedimentos de representação como o símbolo e a imagemNM
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Encontram6se no estrato das objetividades apresentadas as unidades temáticas
do texto literário, os vectores dominantes do que costuma designar6se como universo
poético (imaginário, ideologia, mitos pessoais, etc) aquilo que Ingarden designa como
essencialidades (o sublime, o trágico, o terrível, o grotesco, o sagrado, etc) e de um
modo geral as entidades que encontramos num universo ficcional ou dramático
(personagens, espaços, ações, a par naturalmente de elementos ideológico, temático,
etc).37
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aqui estou` < , TA pele, papel de
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& no nível profundo, a análise de um poema é freqüentemente a pesquisa das suas tensões, isto é, dos elementos ou significados
contraditórios que se opõem, e poderiam até desorganizar o discurso; mas na verdade
criam condições para organizá6lo, por meio da unificação dialética.38
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Arre! Por não poder agir de acordo com o meu delírio!
Arre! Por andar sempre agarrado às saias da civilização!39
!
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei.
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto6de6apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, estremeção aos
ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido;
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de
sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as
sacadas.
(...)
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?40
QAgarrado às saias da civilizaçãoS &
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Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um dos andrajos e as chagas e a mentira,
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);41
< , 7 @ 7 7
.@ ! =O / 8 W
! 7 7 7 .@
7 O !
1
Eu pr’aqui engenheiro, prático à força, sensível a tudo,
Pr’aqui parado, em relação a vós, mesmo quando ando;
Mesmo quando ajo, inerte; mesmo quando me imponho, débil;
Estático, quebrado, dissidente cobarde de vossa Glória,
Da vossa grande dinâmica estridente, quente e sangrenta!42
:+ & ( / _ /
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Qinexistente, ignoradoS Qperdido no fundo de qualquer
coisa sem fundoS Perdido 7 9 / + 8+
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U 1
O vento não me arrasta.
Sei nadar no ar. Nisso não há nenhum mistério.
Basta mover ospésem cada passo
nosentido da terra. (...)
Nãosou inteligente.
Se fosse,seria para osoutros
e meu vocabulário logose gasta. Meu vocabulário
não tem paciência.
< M3 H3 $ $ ' Acasa$ 7 !
$ ` ` ` ` ` ` ` ` 5 , 7 M3 $
/ 2 7
8 8 , / A 8 .
O melhorlugarda casa é a casa inteira
com osol porvisita, osilêncio,
o estalo pressentido da madeira, ascortinas,
uma aragem desombra pelasala,
o cigarro, acerteza do café na copa.
O melhorlugarda casa. Meu olhar,
quandovolta daviagem dever, retorna a meusolhos
tão nítido como aosair de casa.
2 H3 $ O melhor lugar da casa. 9
$ * , $ 7
$ . $ .! 9 1a casa inteira
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da biblioteca1
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Os livros da biblioteca.
Pelo menos são mudos. (...)
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mostrar ao mesmo tempo como pretensamente representado e assim trazer, por assim
dizer, da distância o outro que de fato apenas representa e deixá6lo a ele mesmo falar
na sua própria figura.”IN
8 $ 7 ,
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agasalhaTG R U_A terra me agasalhaTGJR U_Eu me agasalhoT HR U_O
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O poema termina junto com a poesia
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deixou o peito foi embora./ Naturalmente./ Não vou laçá6lo no campo./ Para que
respirar6me?
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$ .! 9 X 1 `Não vejo no espelho os
borrões de minha passagem/
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O 3 $ 1
Os homens trouxeram um pedaço da lua.
Depois acharam gelo na lua.
Precisarei disso para conservar o cerebelo?
Bom proveito. Quanto a mim,
gosto da lua enquanto longe, atrás da árvore,
acendendo os ramos e seu gesto.
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Certos poetas dizem com palavras, gravemente,
que hoje as palavras não servem para dizer nada.
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1
Se fosse, seria para os outros
e meu vocabulário logo se gasta. Meu vocabulário
não tem paciência.
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$ 1
A cantiga de vidro e água, sempre breve enquanto cai
ao redor de noite, atravessa o escuro
e também me agasalha.
X noite minha 7
! 7 IJ
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Bom proveito 9 $ !
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A arte que vive primordialmente do sentido direto da palavra chamar6se6á
propriamente prosa, sem mais nada; a que vive primordialmente dos sentidos indiretos
da palavra – do que a palavra contém, não do que simplesmente diz – chamar6se6á
convenientemente literatura; a que vive primordialmente da projeção de tudo isso no
ritmo, com propriedade se chamará poesia.46
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naturalmente na idéia de beleza, porque se baseia no que agrada, baseia6se na
inteligência, porque se baseia no que, em geral, é compreensível e por isso agradável.
= 8+ 7 9 (...) A segunda (...) baseia6se na sensibilidade,
porque é a sensibilidade que é particular e pessoal em nós que dominamos (...) e
baseia6se na unidade espontânea e orgânica, natural, que pode ser sentida ou não
sentida, mas que nunca pode ser vista ou visível, porque não está ali para se ver.47
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Meu olhar, quando volta da viagem de ver, retorna a meus olhos
tão nítido como ao sair de casa.
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O meu olhar é nítido como um girassol.48
7 .!
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$ $ 7 / ! ,
1Que me importa?
< 3 $ 1
Os homens trouxeram um pedaço da lua.
Depois acharam gelo na lua.
Precisarei disso para conservar o cerebelo?
Bom proveito. Quanto a mim,
gosto da lua enquanto longe, atrás da árvore,
acendendo os ramos e seu gesto.
= O Guardador de Rebanhos & ', 1
I
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixaria de ver a Terra,(...)49
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A palavra é, numa só unidade, três coisas distintas o sentido que têm, os
sentidos que evoca, e o ritmo que envolve esse sentido e estes sentidosJ
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como a tempestade,
ou rezam por vozes aconchegadas
como os passos do orvalho numa haste,
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" 1Eu preciso de todo o meu sangue para viver.
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Eu ficaria muito triste
contrariassem a natureza
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Eu ficaria muito doente se, uma noite,
cansado de escrever,
surpreendesse s
nos cafés, entre copos de cerveja,
na boca de homens que só sabem não entender nada.
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Deste modo ou daquele modo,
Conforme calha ou não calha
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo6o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar6me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras.53
Z 7 & $ [
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$ O! ,
& `Vou escrevendo os meus versos sem querer`
& ( 1 `Meus versos não têm comigo nenhum
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Q S Z .! & 1 `Procuro dizer
o que sinto/ Sem pensar em que o sinto/
+ # " 1
“Toda a arte parte da sensibilidade e nela realmente se baseia. Mas, ao passo
tornar essa sensibilidade humana e universal, ou seja, para poder tornar acessível e
agradável, e assim poder captar os outros, o artista não6aristotélico subordina tudo à
sua sensibilidade, converte tudo em substância de sensibilidade, para assim, tornando a
sua sensibilidade abstrata como a inteligência (sem deixar de ser sensibilidade),
emissora como a vontade (sem que seja por isso vontade), se tornar um foco emissor
abstrato sensível que force os outros, queiram eles ou não, a sentir o que ele sentiu, que
os domine pela força inexplicável, como o atleta mais forte domina o mais fraco, (...)”54
& 7 ! , / 7 +
A / $ O! + .!
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+ 7 & ( , 8+
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por becos e reclames.
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