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R eprodução

Novas Tecnologias em Reprodução Suína

Rafael Tomás Pallás Alonso Kubus S.A. – Espanha [email protected]

Introdução

D

efine-se tecnologia como sendo a ciência aplicada ou o método científico empre- gado para a obtenção de um objetivo prático1.

A necessidade de se aperfei- çoar ao máximo a produção, assim como de se melhorar a qualidade do produto final, tem impulsionado a pesquisa no campo da reprodução.

O interesse pelo desenvolvimento e a incorporação de novas tecnologias, denominadas Tecnologias de Repro- dução Assistida (TRA), têm crescido dentro dos sistemas de produção suína atuais. Como qualquer outra tecnolo- gia, o uso das TRA está condicionado à relação custo-benefício real2.

Entre as TRA, atualmente apli- cáveis na produção de suínos, temos:

1. Congelamento de sêmen, com a finalidade de tornar rentáveis os reprodutores de grande valor ge- nético e criar bancos de sêmen com doses suficientes para abastecer as granjas em situações de proibição do movimento de animais e sêmen.

2. Sexagem de sêmen para a programação da produção de machos ou fêmeas e para acelerar o melhora- mento genético.

3. Inseminação Artificial In- trauterina, que permite depositar o sê- men próximo ao local da fecundação.

Neste trabalho serão mostrados os resultados e os efeitos destas TRA sobre a gestão dos Centros de Insemi- nação Artificial (IA) de Suínos.

Situação atual das novas tecnologias de IA

1. Congelamento de sêmen suíno

Desde que, em 1975, Pursel

& Johnson estabeleceram a metodo- logia para o congelamento de sêmen suíno na forma de pílulas, e Westen- dorf & colaboradores desenvolveram a técnica das maxiampolas, ambas têm sido e continuam sendo – com ligeiras modificações – as bases dos protocolos atuais de congelamento3,4 (Quadro 1).

A reduzida fertilidade e proli- ficidade dos espermatozóides suínos crio-preservados na IA deve-se a5:

• Mudanças estruturais e funcionais sofridas pelos espermatozóides durante o processo de crio- preservação;

• Diminuição da funcionalidade que os referidos espermatozóides têm, no trato genital da porca;

• Características anatômicas peculiares do aparelho genital, as quais dificultam o trajeto dos espermatozóides rumo ao oviduto;

• Má qualidade dos embriões produzidos, o que condiciona sua posterior viabilidade.

Atualmente, a IA com sêmen congelado está reduzida, na produ- ção de suínos, a programas de me- O congelamento de sêmen é utilizado em granjas de alto valor genético e nos casos onde é proíbido o transporte de animais vivos

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lhoramento genético, devido, princi- palmente, ao fato dos resultados de fertilidade e prolificidade estarem de 10% a 20% e de um a dois leitões, respectivamente, abaixo dos resulta- dos obtidos com sêmen refrigerado.

Estes resultados diferem entre raças e, inclusive, entre ejaculados de um mesmo indivíduo5,6,7.

O dano estrutural sofrido pelos espermatozóides durante o congela- mento, além de diminuir sua sobrevi- vência no trato genital da porca e o número de embriões produzidos, tem um efeito negativo sobre o desenvol- vimento e a viabilidade dos referidos embriões5,6,8.

Os estudos atuais realizados com o intuito de melhorar os resulta- dos da IA com sêmen congelado têm por objetivo aperfeiçoar os processos de congelamento dos espermatozói- des (spz) e garantir um número sufi- ciente dos mesmos com capacidade fecundante, no momento da ovulação (Quadro 2).

Ainda que os últimos estudos e modificações nas técnicas e nas aplicações de sêmen congelado te- nham melhorado significativamente os resultados de fertilidade e prolifici- dade (Tabela 1), as pesquisas devem continuar para minimizar os danos causados pelo congelamento à célula espermática, assim como encontrar novos métodos para avaliar a viabi- lidade e a capacidade fecundante do sêmen descongelado.

2. Sexagem de sêmen

A determinação do sexo da descendência, antes do nascimen- to, é de grande interesse econômico.

Principalmente para as empresas de genética, as quais – de posse dessa informação – poderiam programar sua produção, direcionando-a para linhas macho ou fêmea, de acordo com a demanda do mercado, além de, por meio desse procedimento, acele- rar os programas de melhoramento genético17,18.

Os métodos para sexagem de sêmen são classificados em dois gru- pos: os embasados em características físicas ou cinéticas e aqueles que atu- am sobre as diferenças nucleares dos espermatozóides. Estes últimos têm dado resultados satisfatórios, relativos à obtenção de populações purificadas de espermatozóides X/Y pela deter- minação do seu conteúdo de DNA. O espermatozóide que transporta o cro- mossomo X é maior e contém mais DNA que o espermatozóide transpor- tador do cromossomo Y (Tabela 2).

Baseado nesta teoria, foi de- senvolvido um método para a sexagem espermática, denominado Bestville Sperm Sexing Technology (BSST), que utiliza um sistema de corte por citometria de fluxo para separar os espermatozóides X e Y20. Entretanto, Quadro 1. Protocolo de congelamento de sêmen de cachaços

Características comuns

• Equilíbrio prévio pela centrifugação (23°C e 15°C)

• Concentração do sêmen por centrifugação e eliminação do plasma seminal

• Congelamento a uma concentração elevada de espermatozóides

• Adição de baixas concentrações de glicerol

Quadro 2. Estratégias para melhorar os resultados com sêmen congelado 1. Otimização da metologia de congelamento

• Sistemas de envase: Flat Pack, que consiste em congelar um volume maior e tornar o processo máis uniforme9

• Tempo de resfriamento: não superior a 3 horas10

• Centrifugação: diminuir o tempo e aumentar a velocidade11

2. Seleção de cachaços com boa “congelabilidade” espermática

• Identificação rápida de individuos com boa capacidade de conservação. Não existe correlação entre fertilidade do sêmen “a fresco” e congelado9,10

3. Deposição dos espermatozóides mais próximo do oviduto

• Inseminação intra-uterina profunda13

4. Predizer o momento da ovulação e da inseminação

• Ecografia ovariana5, 14

Tabela 1. Fertilidade e prolificidade com sêmen congelado de cachaços IA tradicional

(5x109spz /dose)15

IA intrauterina profunda (1x109spz /dose)16

Nº. de porcas em IA 190 49

Fertilidade/parto (%) 62,60 77,55

Tamanho da leitegada 9,01 9,31

Tabela 2. Diferenças entre espermatozóides X e Y19

Parâmetro X Y

DNA ++ +

Tamanho e densidade > <

Fluorescência - +

Motilidade + +++

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a inclusão da citometria de fluxo nos sistemas tradicionais de IA é impra- ticável, devido ao número escasso de spz que podem ser separados.

Com os equipamentos de cito- metria atuais é possível se obter um rendimento, em termos de separa- ção, de 300.000 a 400.000 spz X ou Y por hora. Estas taxas de separação, assim baixas, são devidas à necessi- dade de se alcançar um grau elevado de pureza (90%) nas populações es- permáticas. A incorporação de novas substâncias nos meios de coleta e os avanços técnicos nos citometros de fluxo têm gerado procedimentos que nos permitem obter até sete milhões de espermatozóides viáveis por hora e com uma pureza ao redor de 80%28,29. Esta combinação entre o rendimento e a pureza sempre está equilibrada, nos sistemas de separação. Incremen-

tos no rendimento podem ocorrer em detrimento da pureza e vice-versa.

Atualmente, a sexagem do sêmen não é realizada nas centrais de inseminação convencionais por requerer um equipamento tremen- damente sofisticado, o citometro de fluxo, o qual necessita de pessoal es- pecializado para o seu manejo, além de instalações com características es- peciais relativas à temperatura, lumi- nosidade, etc.

Estes espermatozóides sexa- dos podem ser utilizados na produção de embriões in vitro ou, com certa ga- rantia de êxito, no processo de insemi- nação intrauterina profunda, por meio do qual tem se obtido nascimentos em conseqüência de inseminação com espermatozóides separados mediante citometria de fluxo e congelados30. Uma vez resolvidos os problemas

ligados à inseminação (diminuição do número de espermatozóides por dose), é provável que, nos próximos anos, venhamos a assistir uma maior popularização desta tecnologia na produção animal, especialmente no segmento destinado a animais de alto valor econômico e/ou genético.

3. Inseminação Artificial profunda

A suinocultura industrial bus- ca uma maneira de aperfeiçoar a pro- dutividade dos cachaços destinados à IA. A tendência atual, na IA de suínos, é a redução do número de espermato- zóides por inseminação e, nessa linha, estão sendo desenvolvidas novas téc- nicas, no sentido de aplicar o sêmen próximo do local da fecundação.

Atualmente, é possível reduzir a con- centração da dose seminal usada na IA tradicional, chegando a dois bi- lhões de espermatozóides por dose, sem que a fertilidade e a prolificidade sejam afetadas21.

Para que a fecundação ocorra não é necessária a presença de um nú- mero elevado de espermatozóides viá- veis na união útero-tubárica (UUT)22. Os trabalhos de Rath & colaborado- res (1999) demonstram que, por meio da inseminação intrauterina profunda, com 20 milhões de espermatozóides depositados cirurgicamente, foram obtidas taxas de gestação equipará- veis a quando se depositam 200 ou 1 bilhão. O inconveniente dessa técnica é a necessidade de se realizar uma ci- rurgia para fazer a IA.

Nos últimos anos têm sido desenvolvidas novas técnicas não- cirúrgicas para a deposição do sêmen no final do corno uterino (insemina- ção intrauterina profunda)13,24,25 ou no corpo uterino (inseminação pós- cervical)21,23. A inseminação intrau- terina profunda (IUP) consiste na utilização de um cateter flexível de 1,5 metro de comprimento, o qual permite depositar 150 milhões de es- permatozóides, num volume de 7,5 ml, no final do corno uterino. No caso Tabela 3. Fertilidade e prolificidade com as técnicas I.U.P. e I.P.C.

IUP24 IPC21 IPC26

Concentração (x 106 spz/dose) 50 100 100

Volume (ml/dose) 5 80 33

Fertilidade/parto (%) 92,3 87,0 86,3

Tamanho da leitegada 9,41 10,9 12,4

I.U.P - inseminação intrauterina profunda, I.P.C. - inseminação pós-cervical

Com a técnica de I.A. intra-uterina, é possível utilizar 2 bilhões de espermatozóides sem alterar a fertilidade e prolificidade

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da inseminação pós-cervical (IPC), uma cânula passa por meio da cervix e chega até o corpo uterino, sendo utilizado até 500 milhões de esperma- tozóides, num volume de 30 ml23, ou 1 bilhão num volume de 80 ml21. Os últimos resultados obtidos com essas duas técnicas aparecem na Tabela 3 e demonstram que é possível diminuir o volume e a concentração da dose seminal, sem que a fertilidade e a pro- lificidade sejam afetadas.

Gestão da Central de IA segundo as novas tecnologias

A colocação dessas novas tecnologias à prova e seus resultados nos ensaios a campo nos fazem supor que, de um modo mais ou menos rá- pido, elas serão aplicadas por um nú- mero cada vez maior de suinocultores ou empresas dedicadas à produção de suínos.

Isso fará que, indubitavel- mente, ocorram mudanças na gestão e na forma de organizar o trabalho nos centros de inseminação atuais, os quais foram projetados para produ- zir doses seminais de 80 ml a 100ml, com 3 bilhões de espermatozóides.

Vejamos como a produção de doses seminais pode ser afetada, com a aplicação dessas novas tecno- logias.

1. Congelamento de sêmen suíno

Atualmente, o uso de sêmen congelado nos programas de insemi- nação artificial de suínos tem limita- ções importantes, comparativamente ao sêmen refrigerado, principalmente:

(1) menor rentabilidade dos cachaços;

(2) baixa fertilidade e (3) prolificida- de reduzida5.

Em contrapartida, a possi- bilidade de realizar a inseminação artificial com sêmen congelado nos permite compensar algumas das limi- tações inerentes ao sêmen fresco ou

refrigerado. Assim sendo, entre suas vantagens, podemos citar:

Rentabilizar ao máximo aqueles reprodutores de grande valor genético.

Normalmente, em nossas cen- trais de inseminação, convivem ma- chos finalizadores com avôs ou bisa- vôs de diversas linhagens genéticas.

Ao observarmos o ranking de produ- ção, quase sempre os cachaços menos rentáveis são

aqueles dedica- dos à genética. A explicação para esse fato é que, devido à carac- terística dos nú- cleos genéticos, de possuírem um grande acer- vo de caracteres individuais e de terem que se preocupar – por exemplo – em controlar o ní- vel de consan- guinidade do seu plantel, na grande maioria das vezes é pre- ciso retirar um macho de uma determinada li- nhagem para produzir – uni- camente – 8 a 10 doses de sêmen, quando podería-

mos ter obtido 25 ou 30. Utilizando a técnica de congelamento poderíamos submeter esses machos a um ritmo de coletas pré-estabelecido (uma extra- ção semanal, por ex.), congelar todo o ejaculado e ir fornecendo – poste- riormente – as doses solicitadas pelo núcleo genético, deixando o restante armazenado no banco de sêmen da central. Além disso, esse procedimen- to permitiria aos centros de seleção atribuir a máxima variabilidade ge- nética às avaliações rotineiras e pe- Tabela 4

Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado

TOTAL 23,55% 25,17% 22,59% 12,51% 7,70% 8,48%

71,31% 28,69%

CIA 1 25,29% 25,92% 22,81% 11,18 7,36% 7,44%

74,02% 25,98%

CIA 2 19,86% 23,56% 22,12% 15,33% 8,44% 10,69%

65,54% 34,46%

Na inseminação pós-cervical, uma cânula passa por meio da cervix e chega até o corpo uterino, podendo ser utilizado até 500 milhões de espermatozóides num volume de 30 ml

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riódicas realizadas com o intuito de estabelecer os valores genéticos dos animais (BLUP).

Fomento do comércio

internacional de doses seminais.

A movimentação de animais vivos entre países está cada vez mais difícil, por motivos sanitários e pelas limitações ao transporte dos mesmos, impostas pelas leis de bem-estar ani- mal, cada vez mais numerosas. Já o transporte de sêmen congelado não contempla mais nenhum problema, além do manejo do nitrogênio líqui- do, havendo, inclusive, outras possi- bilidades de transporte à disposição, como a utilização de tanques de ni- trogênio seco, que facilita o referido manejo.

Criação de bancos de sêmen.

Com relação a este assunto, há três utilizações bem distintas:

• Bancos de reserva genética: onde se- rão mantidos congelados os ejacula- dos dos animais que se sobressaem, dentro de cada linhagem, para que possam ser utilizados vários anos depois, com a finalidade de incorpo- rar novos genes a uma linha genéti- ca, avaliar o progresso genético por meio de varias gerações ou recons- truir um programa genético, diante de qualquer eventualidade que tenha obrigado a sua eliminação.

• Bancos para fornecimento de sê- men: com doses suficientes para abastecer as necessidades das gran- jas naquelas situações nas quais se proíbe a movimentação dos animais, relativamente frequentes na espécie suína e normalmente relacionadas com surtos infecciosos. Neste caso, seria prudente manter congelado um grande número de doses, suficiente para cobrir as necessidades de 8 a 10 dias, período de tempo que nos per- mitiria entrar em contato com outros centros de inseminação – nacionais ou internacionais – e organizar nos- so estoque, enquanto a central esti- ver imobilizada.

• Bancos de doses de espermatozóides manipulados: sexados, transgênicos, etc. Nos dias de hoje esta possibili- dade ainda não é factível, mas nos próximos anos poderá ser realidade.

Otimização da gestão e da operacionalização dos centros de inseminação artificial.

Atualmente, no sistema tradi- cional de produção de doses seminais, o horário de entrada e as tarefas rea- lizadas diariamente numa Central de Inseminação Artificial (CIA) são con- dicionados pelo número de doses que se necessita produzir por dia, o qual varia enormemente, como se pode ver na Tabela 4.

A Figura 1., acima, mostra que nos três primeiros dias da semana se produz mais de 70% do total de doses da mesma. Isso faz com que as tare- fas realizadas na CIA sejam comple- tamente distintas, entre os diferentes dias da semana, levando a uma va- riação no horário de entrada na cen- tral, que vai das 3h45 às 5h45 horas (dependendo do dia). Ocorre, ainda, uma variabilidade importante nas ta- refas realizadas a cada dia, sendo os três primeiros da semana dedicados – praticamente em sua totalidade – à produção de doses, e os três restantes aos trabalhos de limpeza, manutenção e manejo dos animais.

Esta situação pode mudar ra- dicalmente com a produção de doses seminais congeladas, na qual é pos- sível estabelecer um ritmo de coleta fixo para cada um dos animais e atuar independentemente dos pedidos diá- rios de sêmen. Isso fará com que se possa trabalhar em uma escala mais racional e sem a pressão de ter que preparar as doses num determinado horário. Além disso, será possível planejar as tarefas diárias com maior antecipação e de modo mais coeren- te com as necessidades de cada em- presa, podendo, inclusive, suspender Figura 1. Centrais de IA global: % de doses repartidas segundo o dia da semana

Figura 2. Efeito da temperatura ambiental sobre a qualidade espermática

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a produção de doses de sêmen em determinados momentos (períodos de férias, feriados, por motivos sa- nitários, devido a manejos especiais, etc.), sem atrapalhar o fornecimento de doses aos nossos clientes.

Nas Centrais de IA multirra- ciais, a produção de doses seminais congeladas permitirá um melhor aproveitamento dos cachaços, já que às vezes surge a situação de faltar al- gumas poucas doses de uma determi- nada raça, o que nos obriga a realizar uma nova coleta. O sêmen coletado, nesse caso, costuma não ser apro- veitado totalmente, e essa coleta faz sobrar, então, doses de outra raça, as quais não serão totalmente aproveita- das por não terem sido processadas.

Uma vantagem importante da produção de doses crio-preservadas é o fato de poder minimizar o problema da sazonalidade reprodutiva, princi- palmente em regiões de clima tropi- cal. O efeito das altas temperaturas na produção de sêmen, ilustrado na Fi- gura. 2, já é conhecido por todos:

A qualidade espermática bai- xa consideravelmente, a partir da metade do verão até o início do ou-

tono, principalmente quando se trata de espermatozóides conservados sob refrigeração por 48 horas. Este efei- to indesejável poderia ser eliminado, mediante a produção de doses semi- nais congeladas, suspendendo-se a produção durante os referidos meses e utilizando as doses produzidas nos períodos mais frescos e de melhor qualidade espermática.

Outro ponto a ser considerado, particularmente nas Centrais de IA que têm rotas de distribuição e que – diariamente ou por vários dias duran- te a semana – entregam as doses nas granjas, é a mudança a ser produzida nestes sistemas. Com a utilização de doses congeladas, o suinocultor po- derá dispor de um tanque de nitro-

gênio líquido com doses suficientes para um mês, seis meses ou um ano, o que tornará sem sentido os sistemas de distribuição atuais. No entanto, a Central terá que criar outro serviço, o de distribuição de nitrogênio líquido para os tanques de conservação loca- lizados nas granjas. Acreditamos que este novo serviço não deva ficar por conta dos suinocultores, de modo que – para se evitar problemas – deverá ser oferecido e garantido pelo próprio centro de inseminação.

Indubitavelmente, para a pro- dução de doses seminais crio-preser- vadas, será preciso adaptar nossos laboratórios à instalação dos equipa- mentos necessários para este tipo de produção: câmara de estabilização, centrífuga, bio-congelador, máquina de envase e fechamento automático de ampolas, etc.

2. Inseminação artificial profunda

O efeito desta técnica sobre uma Central de inseminação, em qualquer uma de suas duas variantes (inseminação pós-cervical ou inse- minação intrauterina profunda), é o mesmo, ou seja: a redução, em maior ou menor grau, do número de machos necessários para produzir o mesmo número de doses de sêmen.

• Inseminação pós-cervical.

Ao se utilizar doses de 500 milhões ou 1 bilhão de espermatozóides, es- pera-se uma diminuição do número

% sobre o preço final da dose Tradicional IPC

(1 x 109)

IPC (0,5 x 109)

IUP (0,15 x 109) Amortização

machos 13,00 - 21,00 4,33 - 7,00 2,17 - 3,50 0,65 - 1,05 Mão-de-obra 20,00 - 25,00 10,00 - 12,50 10,00 - 12,50 10,00 - 12,50 Alimentação 6,00 - 8,00 2,00 - 2,67 1,00 -1,33 0,30 - 0,40

Diluente e

outros 5,00 - 10,00 1,67 - 3,33 0,83 - 1,67 0,25 - 0,50 TOTAL 44,00 - 64,00 18,00 - 25,50 14,00 - 19,00 11,20 - 14,45 A produção de doses seminais congeladas permite um melhor aproveitamento do cachaço de alto

valor genético

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de machos da ordem de 1/3 ou 1/6 do inventário atual. Isso nos faz pensar que, se atualmente temos uma pro- dução de 1.500 doses/macho/ano, no futuro poderemos chegar a 4.500 ou 9.000 doses/macho/ano26.

• Inseminação intrauterina profunda.

Neste caso as doses são de 150 mi- lhões de espermatozóides, o que im- plica numa redução – em tese – de até 20 vezes no número de machos necessários, além da produção de até 30.000 doses/cachaço/ano27.

A adoção de qualquer uma destas técnicas, por parte de uma Central de IA e a consequente redu- ção no número de machos, implicará nas seguintes mudanças na estrutura e no funcionamento da mesma:

• Redução no número de locais para alojamento.

Uma vez que a necessidade de cacha- ços será muito menor, o acesso a ani- mais de alto valor genético será faci- litado, o que promoverá a distribuição do potencial genético dos mesmos entre um número maior de suinocul- tores. Estes, por sua vez, ganharão na uniformidade de seu produto final, já que toda a sua produção poderá ser originária de um único macho ou de um grupo reduzido de machos com características similares. Essa situa- ção, que para as Centrais de insemina- ção será altamente vantajosa, trará um grave problema para as empresas de genética, as quais deverão sofrer uma redução nas vendas de machos para inseminação, além de precisarem ga- rantir uma maior qualidade genética nos animais que comercializarem.

• Redução do pessoal necessário para atender à central.

Tanto pelo menor número de machos a ser atendido, como pela redução na quantidade de coletas e na rotina

diária de análises laboratoriais com o sêmen a ser processado. Tudo isso implica numa diminuição do tempo requerido para a obtenção do sêmen, seu processamento no laboratório e na preparação das doses seminais.

• Mudanças nos sistemas de envase.

Uma vez que será preciso adequá-los aos requerimentos destas técnicas, 30ml na IPC (inseminação pós-cervi- cal) e 5ml na IUP (inseminação uteri- na profunda).

• Otimização dos horários de trabalho.

Ao não ter que realizar tantas cole- tas, o trabalho poderá ser iniciado um pouco mais tarde, ou quiçá – o que parece ser mais interessante – man- ter os horários atuais, mas adiantar a saída do material a ser distribuído.

Assim, as doses seminais estarão nas granjas mais cedo, facilitando as tare- fas de inseminação, sobretudo naque- les plantéis com número elevado de reprodutoras.

Em resumo, as vantagens da aplicação destas técnicas são:

Redução dos custos de produção das doses seminais.

Melhor aproveitamento dos cacha- ços de elite.

Redução do atraso genético entre gerações de um programa ou esque- ma de seleção.

Ao permitir o acesso de um número maior de suinocultores a uma gené- tica superior, facultando-lhes a ob- tenção de preços melhores para os seus produtos no mercado, estare- mos contribuindo para o estabeleci- mento de uma relação mais estreita entre os criadores e as Centrais de inseminação.

Utilização de sêmen congelado ou sexado.

Maior uniformidade e homogenei- dade dos animais produzidos.

Como desvantagens, podemos citar:

Maior custo relativo a cateteres e pi- petas de inseminação.

Necessidade de adaptação dos sui- nocultores a uma nova técnica, mais sofisticada.

Em países cuja mão-de-obra consiste

A vantagem da disseminação do produto de alto valor genético é a uniformidade do produto final, já que a produção poderá ser originária de um único macho

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em alta rotatividade de pessoal, será necessário um treinamento constan- te dos envolvidos.

Perda de imagem relativa ao bem- estar animal, por parte da granja ou CIA, pela utilização de técnicas in- vasivas.

Impacto econômico das novas tecnologias.

Na sequência veremos que impacto econômico tem a aplicação destas técnicas numa Central de inse- minação.

1. Congelamento de sêmen suíno

Considerando as seguintes premissas para o sêmen congelado, em comparação com o sêmen fresco ou refrigerado (“n” indica os resulta- dos com sêmen fresco ou refrigera- do):

Baixa fertilidade (n - 20%).

Baixa prolificidade (n - 2 leitões).

Poucas doses produzidas, a partir de um ejaculado (n / 2).

Podemos realizar os seguintes cálculos:

Sêmen refrigerado: de um ejacula- do, em condições normais, se obtém de 20 a 25 doses seminais (3.000 x 106 spz/dose), com as quais é possí- vel inseminar de 10 a 12 porcas e, com uma taxa de fertilidade de 80%, obter de 8 a 10 fêmeas gestantes.

Espermatozóides crio-preservados por sistemas tradicionais: do mesmo ejaculado anterior e considerando que – neste caso – os valores são de 5 a 6.000 x 106 spz/dose, é possível se obter de 10 a 15 doses, com as quais se pode inseminar de 5 a 7 fê- meas e, com uma fertilidade de 60%, obter de 3 a 4 porcas gestantes.

Espermatozóides crio-preservados e técnicas de inseminação profunda:

considerando o mesmo raciocínio anterior e, como neste caso as doses produzidas requerem unicamente 1.000 x 106 spz/dose, é possível ob- ter de 60 a 75 doses, com as quais se pode inseminar de 30 a 37 porcas;

se considerarmos uma taxa de ferti- lidade de 67%, resultará em 20 a 24 porcas gestantes.

Observando os números ante- riores, vemos que, com a utilização de espermatozóides crio-preservados é possível, ao menos, dobrar o nú- mero de gestações obtidas a partir de um ejaculado. Só isso já justifica a sua utilização, em nível prático, pela diminuição dos custos de produção atuais que temos com o uso do sê- men fresco. Além disso, atualmente, o equipamento necessário para a pro- dução de doses congeladas implica na realização de altos investimentos nos centros de inseminação, os quais – devido à escassa difusão desta téc- nica – dificilmente serão amortizados.

Mas se a sua utilização se generaliza, a aquisição destes equipamentos, por parte das centrais de inseminação co- merciais, estará plenamente justifica- da.

2. Inseminação artificial profunda

Com a utilização destas técni- cas, a redução nos custos de produção é evidente, devido ao menor número de cachaços necessários para a pro- dução do mesmo número de doses. A tabela seguinte demonstra o impacto destas técnicas sobre os componentes que mais incidem no custo final da dose seminal produzida:

É importante observar que es- tes percentuais podem variar conside- ravelmente de acordo com os preços de compra de cada produto e, sobre- tudo, segundo o preço de venda das doses. Todos os cálculos realizados foram baseados nos preços médios praticados atualmente na Espanha.

Com relação à amortização dos machos, vale também observar que ela se realiza em dois anos e meio, sendo os preços de compra estimados referentes a cachaços de elite, de alto valor genético.

Quanto aos cálculos de mão- de-obra, foi levado em conta o cus- to total da empresa, relativo a todo o pessoal, encarregados, especialistas e colaboradores.

Atualmente os equipamentos necessários para produção de doses congeladas implica em altos investimentos nas CIA

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13. MARTÍNEZ, E.A.; VÁZQUEZ, J.M; ROCA, J.; LUCAS X.;

Para os cálculos de alimenta- ção, foi considerado um consumo de 3 kg de ração de machos de alta pro- dução/cachaço/dia.

Finalmente, é importante acrescentar que, no item Diluente e outros está incluído o consumo de material básico de laboratório, tal como recipientes de coleta, filtros, pi- petas, suportes, etc. E, dada a gama de diluentes disponíveis no mercado e a consequente diferença de preços, podem haver variações muito maiores nos valores apresentados.

Conclusões

Os avanços realizados nos últimos anos para desenvolver e me- lhorar as novas tecnologias de inse- minação artificial fazem com que as mesmas sejam introduzidas, pouco a pouco, na rotina diária de algumas centrais de inseminação. Estas, por sua vez, vêm se adaptando aos novos requerimentos impostos pelas mes- mas. De todas as formas, faltam ainda alguns anos para a sua implantação definitiva, durante os quais será pre- ciso trabalhar ainda para melhorar as referidas técnicas e adaptar a prática das mesmas às condições de trabalho no campo, tanto nas CIAs como nas granjas.

A separação de espermato- zóides por meio da citometria de flu- xo necessita ainda de um pouco mais de padronização (mediante um incre- mento nos rendimentos de separação), ao mesmo tempo em que se desenvol- vem melhorias nas metodologias de congelamento de espermatozóides, incrementa-se a sobrevivência esper- mática pós-separação e aperfeiçoam- se as inseminações com baixo núme- ro de espermatozóides, a produção in vitro e a transferência não cirúrgica de embriões. É bem provável que, nos próximos anos, assistamos à impor- tante implantação desta tecnologia, no segmento da produção animal.

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Suínos & Cia Ano VI - nº 33/2009

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