Direito Processual Penal
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO Cargo: Escrevente
PROF. JARDIEL OLIVEIRA
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APRESENTAÇÃO
CURRÍCULO DO PROFESSOR
Graduado em Direito pela Universidade Potiguar –UnP;
Advogado Criminalista (OAB/RN 12341);
Especialista em Direito Constitucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte;
Especialista em Ciências Criminais pelo Centro Universitário de João Pessoa/PB;
Mestrando em Educação pela UFRN;
Professor de Direito Penal, Direito Processual Penal, e Direito Constitucional (Graduação, Pós- graduação, OAB, e concursos públicos).
www.facebook.com/jardieloliveira www.instagram.com/prof.jardiel
Olá, Concurseiros(as) de plantão!
O nosso curso de Direito Processo Penal, com foco no concurso do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, vem recheado de dicas doutrinárias, como também um caderno exclusivo de questões nos moldes da banca responsável pela elaboração e aplicação da prova.
Mesmo que você não tenha afinidade com a disciplina, nosso material possui um nível didático de excelência, sempre acompanhado dos melhores doutrinadores da área, como também de uma clareza sem deixar de aprofundar sobre os temas relativos à matéria do concurso que você irá prestar.
É bom lembrar que elaboramos um cronograma de disponibilização de conteúdo, como também do nosso caderno de questões. Assim, você poderá esgotar os temas da prova sem se cansar. Vamos, ao final, disponibilizar um simulado para que você possa treinar junto conosco questões no estilo da prova, e gabaritar a matéria.
Fazemos a nossa parte com qualidade. Agora só depende de você!
Vamos juntos concentrados na aprovação? Avante sempre.
No livro de Josué, Cap. 1, versículo 9 diz: Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares.
Conteúdo programático de Direito Processual Penal
1 Código de Processo Penal - com as alterações vigentes até a publicação do Edital – artigos:
Art. 251 a 258 - Do Juiz e do Ministério Público;
Art. 261 a 267; e 274 - Do Acusado e seu Defensor; Dos Funcionários da Justiça;
Art. 351 a 372 - Das citações e das Intimações;
394 a 497 - Da instrução criminal no Procedimento Comum;
Art. 531 a 538 - Do Procedimento Sumário;
Art. 541 a 548 - Do processo de restauração de autos extraviados ou destruídos;
Art. 574 a 667 - Teoria Geral do Recursos e dos Recursos em espécie;
Lei nº 9.099 de 26.09.1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, artigos 60 a 83; 88 e 89).
1. CRONOGRAMA DO CURSO
AULA CONTEÚDO
Aula 00 Disponível
Dos Sujeitos do Processo: Do Juiz
Aula 01
Disponível em 15/04/2017
Art. 261 a 267; e 274.
Do Ministério Público Do Acusado e seu Defensor Dos Funcionários da Justiça Aula 02
Disponível em 29/04/2017 Art. 351 a 372 Das citações e das Intimações CADERNO DE QUESTÕES
Disponível em 30/04/2017 Aula 01 e 02
Aula 03
Disponível em 13/05/2017
394 a 497 - Da instrução criminal no Procedimento Comum
Art. 531 a 538 - Do Procedimento Sumário Art. 541 a 548 - Do processo de restauração de
autos extraviados ou destruídos CADERNO DE QUESTÕES
Disponível em 14/05/2017 Aula 03
Aula 04
Disponível em 27/05/2017 Art. 574 a 667 - Teoria Geral do Recursos Aula 05
Disponível em 17/06/2017 Art. 574 a 667 Dos Recursos em espécie CADERNO DE QUESTÕES
Disponível em 17/06/2017 Aula 04 e 05
Aula 07
Disponível em 21/06/2017
Lei nº 9.099 de 26.09.1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, artigos 60 a 83; 88 e 89).
CADERNO DE QUESTÕES Aula 07
SIMULADO 26/06/2017
Desligue o celular e saia da internet.
Iluminação adequada (luz branca).
Diga: “Vou dar o melhor de mim hoje!”
Ligue seu cronômetro e comece!
Concentre-se na APROVAÇÃO!
DOS SUJEITOS DO PROCESSO
A banca responsável pela elaboração e aplicação da prova, tem a tradição de cobrar do candidato o conhecimento da letra “pura e fria” da legislação. Por essa razão, vamos ajudá-lo no conhecimento dos dispositivos e, logo após, abordaremos pontos doutrinários importantes para o sucesso e aprovação no concurso do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
CONCENTRA NA LEITURA DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
CAPÍTULO I DO JUIZ
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública.
Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:
I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, INCLUSIVE, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;
II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha;
III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;
IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.
Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive.
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;
II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes;
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes;
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;
Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.
Art. 255. O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que lhe tiver dado causa, salvo sobrevindo descendentes; mas, ainda que dissolvido o casamento sem descendentes, não funcionará como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo.
Art. 256. A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la.
DO JUIZ (Art. 251 a 256 CPP)
Durante o curso dessa relação processual penal, diversas pessoas são chamadas a intervir, no exercício de uma profissão ou em defesa de um interesse, umas de maneira obrigatória, sem as quais sequer se pode cogitar da existência de um processo – juiz, autor e acusado –, outras de maneira facultativa, que podem (ou não) existir, mas cuja ausência não tem o condão de afetar a validade da relação
Segundo a doutrina, os sujeitos do processo podem ser classificados da seguinte forma:
a) sujeitos principais (ou essenciais): são aqueles cuja presença é essencial para que se tenha uma relação jurídica processual regularmente instaurada. No processo penal, o juiz, o acusador – Ministério Público ou querelante – e o acusado figuram como sujeitos principais;
b) sujeitos secundários (acessórios ou colaterais): são aquelas pessoas que podem, eventualmente, vir a intervir no processo, a fim de deduzir uma determinada pretensão, mas cuja ausência não afeta a validade da relação processual, tais como o assistente da acusação e terceiros interessados. Como exemplos de terceiros interessados, podemos citar o ofendido, seu representante legal ou herdeiros, que têm interesse na prolação de sentença condenatória para fins de reparação do prejuízo causado pelo delito, assim como o fiador do acusado, haja vista o disposto nos arts. 341 e 343 do CPP.
Ao juiz incumbe a função de julgar a imputação constante da peça acusatória, aplicando o direito objetivo ao caso concreto. Para tanto, o juiz percorre um longo caminho, que se estende desde o recebimento da peça acusatória, em que a parte acusadora imputa ao acusado a prática de determinada infração penal, até a decisão final, em que o juiz declara a vontade da lei.
No exercício da função jurisdicional, a Constituição Federal e a legislação ordinária conferem ao juiz diversos poderes para que possa alcançar o objetivo do processo que é a correta aplicação da lei penal. Por isso se diz que o juiz é o dominus processus, vez que o preside, cabendo-lhe regular sua condução até a sentença final.
Sobre esses poderes, dispõe o art. 251 do CPP que ao juiz incumbe prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública. Desse dispositivo, a doutrina extrai duas espécies de atribuições:
a) de ordem jurisdicional: ao juiz incumbe prover à regularidade do processo, o que é feito de forma positiva, quando determina o que deve ser feito, e negativa, quando desfaz o mal feito por seus auxiliares, pelas partes ou por terceiros que intervêm no processo;
b) de natureza administrativa: caracteriza-se pela manutenção da ordem no curso dos atos processuais, podendo, para tanto, requisitar a força pública. Em síntese, por força
CONCENTRA NA DICA
dessa atividade administrativa, o juiz pratica atos de polícia com o objetivo de assegurar a ordem no decorrer do processo, podendo requisitar o concurso da polícia, encarregada de manter a ordem pública para que se cumpram as determinações no sentido de preservação da regularidade dos atos judiciais.
É óbvio que o magistrado não está impedido de agir na fase investigatória. Mas essa atuação só pode ocorrer mediante prévia provocação das partes. Exemplificando, vislumbrando a autoridade policial a necessidade de mandado de busca e apreensão domiciliar, deve representar ao magistrado no sentido da expedição da ordem judicial. De modo semelhante, surgindo a necessidade de uma prisão temporária para acautelar as investigações, deve o órgão Ministerial formular requerimento ao juiz competente. Na fase investigatória, portanto, deve o magistrado agir somente quando provocado, atuando como garante das regras do jogo.
No curso do processo penal, todavia, é predominante o entendimento no sentido de que o juiz, de modo subsidiário, pode determinar a produção de provas que entender pertinentes e razoáveis, a fim de dirimir dúvidas sobre pontos relevantes, seja por força do princípio da busca da verdade, seja pela adoção do sistema da persuasão racional do juiz (convencimento motivado). Nesse caso, é imperioso o respeito ao contraditório e à garantia de motivação das decisões judiciais.
O juiz também pode exercer função de ordem administrativa.
Vejamos alguns exemplos de poderes de polícia do juiz no processo penal:
a) regular a polícia das sessões e mandar prender os desobedientes (CPP, art. 497, I);
b) de acordo com o art. 794 do CPP, a polícia das audiências e das sessões compete aos respectivos juízes ou ao presidente do tribunal, câmara, ou turma, que poderão determinar o que for conveniente à manutenção da ordem. Para tal fim, requisitarão força pública, que ficará exclusivamente à sua disposição;
c) poder de fazer retirar da sala os espectadores das audiências ou das sessões que se portarem de maneira inconveniente, que, em caso de resistência, poderão ser presos e autuados (CPP, art. 795, parágrafo único).
Garantias e vedações dos juízes
Face a relevância da função jurisdicional, o juiz deve estar imune a temores e perseguições que possam causar qualquer tipo de prejuízo ao exercício de seu mister. Por isso, a Constituição Federal outorga aos membros da magistratura as seguintes garantias:
a) Vitaliciedade: no primeiro grau de jurisdição, será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado (CF, art. 95, I). Prevalece o entendimento de que esse prazo de dois anos deve ser contado de maneira contínua e ininterrupta, pouco importando eventual gozo de férias ou licenças durante esse interregno.
DETALHE DA APROVAÇÃO:
Com o escopo de preservar a própria Instituição, a Constituição Federal também elenca algumas vedações aos membros do Poder Judiciário:
I – exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
II – receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
III – dedicar-se à atividade político-partidária.
IV – receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;
V – exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração, vedação esta que é conhecida como “quarentena”.
CUIDADO: Desembargadores e ministros nomeados para os Tribunais pelo critério do quinto constitucional adquirem a vitaliciedade de maneira automática e imediata, não estando condicionada ao decurso do prazo de dois anos a que se refere o art. 95, I, da Constituição.
b) Inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII, o qual preceitua que o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa. Inamovibilidade não se confunde com vitaliciedade: esta ocorre após dois anos de exercício no cargo de juiz, a significar que a perda da função pode se dar apenas por trânsito em julgado de decisão judicial; aquela garante a permanência do juiz na unidade judiciária em que formalmente lotado, salvo por motivo de interesse público, reconhecido em decisão da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do CNJ.
c) irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. Como se percebe, esta garantia não isenta os subsídios de ônus tributários e previdenciários gerais. Além disso, consoante decisão do Supremo, “o princípio constitucional da irredutibilidade de vencimentos não possibilita, sem lei específica, reajuste automático de vencimentos, como simples decorrência da desvalorização da moeda provocada pela inflação.
Imparcialidade do juiz
Para que um juiz possa funcionar em determinado caso concreto, é necessário que não haja qualquer causa capaz de prejudicar o exercício imparcial de sua função judicante.
Como órgão que proclama o Direito, não se considera justa uma decisão proferida por um juiz que não seja imparcial.
Consectário lógico do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV), e consequência mais importante do advento do sistema acusatório (CF, art. 129, I), a garantia da imparcialidade encontra-se prevista expressamente na Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Dec. 678/92, art. 8º, nº 1).
Daí a importância do estudo das causas de suspeição, impedimento e incompatibilidade. Vamos juntos?
1. IMPEDIMENTO
As causas de impedimento são circunstâncias objetivas relacionadas a fatos internos ao processo capazes de prejudicar a imparcialidade do magistrado. Costuma-se dizer que dão ensejo à incapacidade objetiva do juiz, visto que os vínculos que geram impedimento são objetivos e afastam o juiz independentemente de seu ânimo subjetivo. Há, pois, uma presunção absoluta de parcialidade. Ao contrário das causas de suspeição, geralmente relacionadas a fatos externos ao processo, as causas de impedimento estão intrinsecamente ligadas, direta ou indiretamente, ao processo em curso, inicialmente submetido à jurisdição de determinado juiz.
A atuação de juiz suspeito em determinado processo é causa de nulidade absoluta, nos termos do art. 564, I, do CPP.
Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
I - por incompetência, suspeição ou suborno do juiz;
(...)
No tocante ao impedimento, cuida-se de vício de maior gravidade, que acarreta a própria inexistência do ato jurídico. Nesse sentido, ao se referir às causas de impedimento, o próprio art. 252 do CPP estabelece que o juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que configurada uma das situações ali elencadas. Destarte, mais do que nulas, decisões judiciais proferidas por juiz impedido são tidas como inexistentes e, portanto, insanáveis.1
Com base doutrinária, vamos analisar os incisos do art. 252 e 253 do CPP onde estão elencadas as causas de impedimento do juiz.
Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:
I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, INCLUSIVE, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;
Cuida-se de causa de impedimento fundada em relação de parentesco. A despeito do silêncio do art. 252, inciso I, do CPP, é dominante o entendimento no sentido de que, por
1 Nesse sentido: MIRABETE (Op. cit. p. 219); TOURINHO FILHO (Op. cit. p. 612). No sentido de que o
força do art. 226, § 3º, da Constituição Federal, o companheiro também deve ser incluído nesse rol.
II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha;
O art. 252, II, do CPP, presume a perda de imparcialidade do magistrado caso ele mesmo tenha desempenhado, anteriormente, no mesmo feito, as funções de defensor, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito. Basta supor hipótese em que, antes de ser aprovado no concurso para a magistratura, o juiz tivesse atuado como autoridade policial nas investigações do delito sob julgamento. É evidente que sua prévia atuação na fase investigatória colocaria em cheque sua imparcialidade para o julgamento do feito, daí por que deve se declarar impedido, ou, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes.
III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;
Se um magistrado pronunciou-se de fato e de direito em determinado caso concreto como juiz de 1ª instância, é evidente que não terá isenção e imparcialidade suficientes para atuar nesse feito novamente, desta vez como desembargador, por ocasião do julgamento de eventual recurso. Como seria possível que o magistrado julgasse com imparcialidade um recurso interposto contra decisão por ele mesmo proferida, enquanto juiz de 1ª instância?
Pela própria redação do art. 252, III, do CPP, percebe-se que o reconhecimento dessa causa de impedimento está condicionado ao fato de o magistrado ter se pronunciado de fato e de direito sobre o caso concreto como juiz de outra instância. Portanto, se acaso o magistrado tiver atuado como juiz de outra instância, porém se limitando a proferir despachos de mero expediente, sem conteúdo decisório, não há falar em impedimento.
Por isso, em caso concreto no qual um Desembargador participou de julgamento de processo no qual seu filho, juiz de direito, teria prolatado despachos de mero expediente no primeiro grau de jurisdição, concluiu o STJ não haver qualquer nulidade.2
IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.
É absolutamente impossível que se exija do juiz a necessária isenção para julgar determinado fato delituoso se ele próprio ou seu cônjuge (aí incluído o companheiro) ou parente (consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral) for parte ou diretamente interessada no feito. Como parte, esta hipótese de impedimento estaria presente no curso de ação penal privada, tanto na qualidade de querelante quanto de querelado. Como diretamente interessado, seria o caso em que as pessoas mencionadas no art. 252, IV, pudessem ser titulares de um interesse de natureza não penal em face do acusado.
Por força do art. 253 do CPP, nos juízos coletivos (tribunais ou turmas recursais dos juizados), não poderão servir no mesmo
2 STJ, 6ª Turma, HC 16.129/PR, Rel. Min. Fernando Gonçalves, j. 22/05/2001, DJ 18/06/2001 p. 197.
processo os juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive.
2. SUSPEIÇÃO
Em regra, as causas de suspeição são circunstâncias subjetivas relacionadas a fatos externos ao processo capazes de prejudicar a imparcialidade do magistrado.
Nos termos do art. 254, o juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; Para que a amizade seja considerada íntima, exige-se intensa convivência e familiaridade, tal como ocorre nas relações em que há compadrio, troca de favores, frequência aos mesmos lugares e às respectivas residências. Um conhecimento eventual, uma relação de mera simpatia, atos ou gestos de civilidade, enfim, meros protocolos de exigência social, não são suficientes para caracterizar a amizade íntima a que se refere o art. 254, I, do CPP.
II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; Como o art. 254, II, do CPP, tem sua redação original desde a época da entrada em vigor do CPP – 1º de janeiro de 1942 –, é evidente que não faz menção ao companheiro nos casos de união estável. Por isso, considerando o disposto no art. 226, § 3º, da Constituição Federal, que reconhece a união estável entre homem e mulher como entidade familiar para fins de proteção do Estado, doutrina e jurisprudência são uníssonas em incluir o companheiro no rol do art. 254, não só no inciso II, como também no inciso III.
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; nesse caso, o magistrado possui interesse, mediato ou imediato, em um processo distinto, cujo julgamento compete a uma das partes. A título de exemplo, suponha-se que um juiz federal responde a um processo criminal perante o respectivo Tribunal Regional Federal. Ocorre que este mesmo juiz está julgando na primeira instância um processo criminal no qual o filho de um desembargador é acusado. Nessa hipótese, o desembargador deve reconhecer sua suspeição para o julgamento do juiz federal.
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; De modo a não levantar quaisquer suspeitas acerca de um julgamento justo e imparcial, deve o magistrado manter-se equidistante das partes. Logo, se aconselhar juridicamente uma delas, essa posição de neutralidade estará comprometida, pois terá antecipado sua possível decisão, daí por que deve se afastar do processo. Segundo a doutrina, não há comprometimento dessa isenção caso o magistrado se limite a dizer à parte que ela deve procurar um advogado, ou se a ela prestar esclarecimentos de cunho processual, sem revelar sua posição acerca do objeto da demanda.
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;
não teria o magistrado isenção suficiente para o julgamento da causa se fosse credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes. De fato, se o juiz é devedor da parte, pode proferir sua decisão de modo parcial com o objetivo de agradar o credor, evitando
uma possível cobrança da dívida. Lado outro, se o magistrado é tutor ou curador da parte, significa dizer que é seu representante legal.
Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.Admitida pela legislação a condição de sócio ou acionista de sociedade (LC 35/79, art.
36, I), o magistrado não terá a isenção e imparcialidade necessárias para o julgamento da causa se tal pessoa jurídica for interessada no processo (v.g., denúncia oferecida em face de pessoa jurídica pela prática de crimes ambientais).
DETALHE
:
A despeito do quanto previsto no art. 254, VI, do CPP, que se refere ao juiz como administrador de sociedade, é bom lembrar que o magistrado não pode exercer tal função, a não ser no caso de associação de classe, haja vista o quanto disposto na Lei Orgânica da Magistratura (LC nº 35/79, art. 36, II).Referências.
BRASILEIRO, Renato. Manual de Processo Penal (2017) - Volume único. 4a ed.: Rev.
amp. e atualizada com o NOVO CPC. Ed. JusPodivm
1. (Escrevente Técnico Judiciário –TJ/SP/Vunesp/2013) O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:
a) Ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o quinto grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.
b) Ele não houver funcionado como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar de justiça, perito ou servido como testemunha.
c) Tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o quinto grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar de justiça ou perito.
d) Tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão.
e) Ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o quarto grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.
GABARITO: D - Art. 252, III, do CPP.
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