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CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

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Academic year: 2022

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CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

Fundada em 28/8/83

Rua Caetano Pinto, 575 – CEP – 03041-000 – Brás – São Paulo – SP Tel.: (11) 2108-9200 – Fax: (11) 2108-9310 – [email protected] – www.cut.org.br

Balanço do 2º Ano de Gestão da Secretaria de Saúde do Trabalhador

Conforme apontamos no balanço anterior, a criação da Secretaria de Saúde do Trabalhador demarcou o reconhecimento da importância desta área nas estratégias político-organizativas da Central e da sua longa trajetória de lutas em defesa das condições de trabalho, do direito de organização dos trabalhadores e dos direitos sociais consolidados no âmbito da saúde, do trabalho e da previdência social, áreas que regulam as políticas públicas no campo da relação saúde- trabalho.

Coincidentemente, a criação da Secretaria de Saúde do Trabalhador e o fim dos projetos de cooperação, últimos deles INST/CUT-DGB/BMZ, implicou num grande desafio com relação à sustentabilidade das políticas de saúde do trabalhador da CUT. Os recursos do projeto DGB/BMZ passa a financiar o projeto de redes sindicais em empresas alemãs com plantas no Brasil e Alemanha, incorporando o tema da saúde, juventude, gênero, e meio ambiente, OLT entre outros, num único projeto. Entretanto as demandas dos sindicatos, ramos e estaduais da CUT não diminuíram, pelo contrário, as atividades abaixo relatadas é uma demonstração da importância dessa secretaria para o projeto organizativo da Central.

A seqüência do trabalho planejado pelo Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador em 2009, atualizado em 2011, foi o ano todo intenso, com a realização de audiências públicas, seminários, representação nos espaços institucionais, participação em atividades das instâncias da CUT e sindicatos, em conferências, reuniões e outras ações da agenda específica da Secretaria de Saúde do Trabalhador e das lutas gerais da Central, totalizando mais de 100 atividades ao longo do ano.

Parte dessas atividades e ações, foram realizadas e compartilhadas com as demais centrais sindicais com acompanhamento do DIEESE E DIESAT, resultado de mais de 10 reuniões realizadas durante o ano. Os temas pautados e debatidos, desencadearam ações e assinaturas de documentos conjuntos. Dentre as atividades conjuntas, foram realizados atos como ocorreu no Rio de Janeiro e audiências públicas no Congresso Nacional sobre perícia médica e a regulação dos artigos 30 e 31 da lei 9656/98 dos Planos de Saúde no Senado Federal.

O resultado das ações, principalmente no que se refere à humanização das pericias foram importantes pelas repercussões na sociedade e no movimento sindical, entretanto ainda não assegurou avanços concretos. No caso da regulação dos artigos 30 e 31 da lei 9565/98, após várias reuniões, consultas e audiência publica, a regulação dos artigos foram finalizados, assinados

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e publicados em flagrante retrocesso aos interesses dos trabalhadores, aposentados, demitidos sem justa causa.

A CUT, independente do Fórum das Centrais sindicais em Saúde do Trabalhador, protagonizou a Campanha pela Humanização das Perícias Médicas do INSS, reivindicação histórica dos trabalhadores. Este foi um dos pontos de destaque na agenda. Lançada em 28 de abril, Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho, as estaduais da CUT realizaram um conjunto de ações no âmbito dos estados e na qual demarcamos, mais uma vez, em nível nacional, as denúncias dos acidentes, invalidez, mortes e de outros problemas vividos pelos trabalhadores no campo da relação saúde-trabalho.

Importante frisar, que durante o ano o debate sobre a Humanização das Perícias Médicas teve alcance e repercussões em outros espaços institucionais. Fomos convidados à participar dos fóruns promovidos pela Associação Nacional dos Médicos Peritos, inclusive regionalmente, para falar sobre a visão dos trabalhadores acerca da perícia médica e o novo modelo que vem sendo apresentado pelo presidente do INSS.

A reivindicação por humanização se insere nas lutas por direitos, isto é, não se trata de benevolência, mas de resguardar as garantias previdenciárias dos trabalhadores como segurados, contribuintes do sistema que, via de regra, são tratados como fraudadores e submetidos a uma trajetória de humilhações quando necessitam afastamentos do trabalho por mais de 15 dias.

Quando se trata de acidente de trabalho as dificuldades são ainda maiores.

Como parte da Campanha, realizamos duas audiências públicas no Congresso Nacional, com a participação expressiva de nossas instâncias e sindicatos, além de profissionais da área de saúde, representantes do governo e de movimentos sociais, ocasiões em que pudemos nos contrapor à lógica meramente securitária e economicista predominante no INSS, resgatando as noções de direito, de seguridade social e de Saúde do Trabalhador, garantidas na nossa Constituição Federal.

O resultado foi a abertura de diálogo com o Ministério da Previdência Social e com o INSS para a resolução dos problemas.

No âmbito Nacional e Internacional participamos de diversos eventos sobre a seguridade social e saúde do trabalhador, cujos temas perpassaram pela formação, capacitação e intervenção dos nossos assessores e dirigentes. Cabe ressaltar alguns deles, como: a I Conferência Internacional sobre Determinantes Sociais da Saúde; Reunião sobre Saúde do Trabalhador para a Implantação

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da Estratégia Ibero Americana de Seguridade Social; Formação Sindical sobre Seguridade Social em Saúde do Trabalhador; V Edição do Congresso de Prevenção dos Riscos no Trabalho em Iberoamérica; Reunião de Alto Nível sobre HIV/SIDA; Seminário Subregional de Formação sindical em Saúde e Segurança no Trabalho; XIX Congresso Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho e; Seminário Geral das Redes sindicais em Multinacionais Alemãs Brasileiras.

Em 2011 também tivemos uma importante intervenção na 100ª Conferência da OIT, processo precedido de um conjunto de ações que fazem parte da Plataforma Continental de Seguridade Social (Placoss), da CSA – Confederação Sindical das Américas. A CUT participou ativamente da construção das estratégias de intervenção na Conferência, com um posicionamento crítico e fazendo um contraponto ao debate de piso básico de proteção social.

Conforme Resolução da nossa 13ª Plenária Nacional, a proposta de piso em discussão, pautada por parte da OIT, está na contramão do que compreendemos como universalidade de direitos e de justiça social. A posição da Central nos fóruns que tem debatido esta proposta tem sido a de reiterar a seguridade social como um direito humano fundamental de responsabilidade do Estado.

E, em conformidade com a Plataforma Sindical Continental sobre Seguridade Social - PLACOSS, avaliamos que a valorização do trabalho, a promoção do Trabalho Decente, estável e protegido, com direitos sociais, com proteção à saúde dos trabalhadores, com direito à organização sindical e à negociação coletiva é a principal política social para combater a pobreza, premissas que a Convenção 102 da OIT permite atingir, sem a necessidade de se criar um novo instrumento normativo.

O combate à discriminação e ao preconceito em relação aos portadores de HIV-AIDS, a garantia de direitos e a incorporação deste tema na agenda sindical para chegar aos locais de trabalho foi outra frente de ação em 2011. Além da formulação e divulgação de diretrizes para a ação sindical neste tema, a CUT, por meio da Secretaria de Saúde do Trabalhador, representou os movimentos sociais e a CSI em no grupo de notáveis da ONU que discutiu este tema.

Participamos ativamente das reuniões da Comissão Tripartite de Saúde e Segurança no Trabalho, composta pelos três ministérios responsáveis pela regulação desta área (Saúde, Trabalho e Previdência Social) que dentre outras tarefas, está construindo o Plano Nacional de Saúde e Segurança, que deverá concretizar as diretrizes da Política Nacional, cujo decreto foi assinado este ano pela presidenta Dilma.

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Acompanhamos a participação dos representantes dos ramos indicados pela CUT para as comissões e grupos de discussão sobre Normas Regulamentadoras atualmente em discussão no âmbito Ministério do Trabalho, além da representação na CTPP – Comissão Tripartite Paritária Permanente, principal espaço de elaboração tripartite no tocante à saúde e segurança no trabalho.

Citamos abaixo as seguintes comissões e grupos as quais a CUT esteve participando através de vários representantes dos ramos durante o ano de 2011:

A Comissão Nacional de segurança Química - CONASQ;

Conselho curador - FUNDACENTRO Comissão Nacional do Benzeno;

Comissão Nacional Tripartite Temática – CNTT – NR12 - objetivo, acompanhar a aplicação NR, Máquinas e Equipamentos;

Comissão Nacional Tripartite Temática – CNTT NR34 – Sobre condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Naval;

Comissão Nacional Tripartite – NR06 – Equipamento de proteção Individual - EPI Grupo de Estudos Tripartite GET - NR20: Líquidos Combustíveis e Inflamáveis;

Grupo de Estudo Tripartite - GET sobre Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho Grupo de Trabalho Tripartite - GTT NR36 - NR Trabalho em Altura

Grupo de Trabalho Tripartite - GTT sobre Frigoríficos

Grupo de Estudo Técnico sobre Gestão da Saúde e Segurança no Trabalho

Obs. Grupo de Trabalho - Reformulação do formulário de Comunicação de Acidentes do Trabalho – CAT, proposto pela Coordenação-Geral de Políticas de Seguro Contra Acidentes do Trabalho – previdência social. Apesar de já ter sido encaminhado nos nomes para compor a comissão desde agosto/11, até o momento não houve nenhuma reunião.

Ainda do ponto de vista institucional, as atividades do Conselho Nacional de Saúde e, mais recentemente, a participação na 14ª Conferência Nacional de Saúde, compuseram as prioridades da Secretaria de Saúde do Trabalhador neste ano. As mobilizações em torno da defesa da EC 29 e do caráter público do SUS como principal patrimônio da sociedade brasileira estiveram no centro de debate. O financiamento da saúde é um dos pontos que deverá permanecer na agenda como prioridade, posto que, lamentavelmente, o resultado votação da EC 29 não assegurou no âmbito federal os parâmetros reivindicados para o orçamento da saúde.

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Ação Sindical em Saúde do Trabalhador

Contabilizamos avanços no debate sobre saúde do trabalhador do setor público. Além de várias reuniões para discutir a situação e demandas do setor, realizamos duas oficinas, envolvendo as confederações nacionais do funcionalismo, para elaborar estratégias e encaminhamentos para temas que estavam na agenda, em especial o adicional de insalubridade e a política de saúde do trabalhador dos trabalhadores do SUS.

A equipe da Secretaria esteve a postos para orientar nossas instâncias e sindicatos, além da participação em diversas atividades desenvolvidas por confederações, pelas estaduais da CUT e por sindicatos. O exemplo disso, foram às atividades desenvolvidas pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos e Federação Estadual dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo. A CNM realizou o planejamento de atividades regionais para organizar e fortalecer as lutas por saúde e melhoria das condições de trabalho e a FEM realizou o segundo debate sobre a perícia médica do INSS. Os bancários, por sua vez, organizou e realizou o 1º seminário internacional de saúde do trabalhador bancário e a Federação dos Trabalhadores de Empresas de Crédito – FETEC faz debate sobre os planos de saúde na categoria.

Nos Estados de Mato Grosso do Sul, Acre, Paraná, Rio de Janeiro e Roraima, as Estaduais da CUT, desenvolveram atividades com a participação da Secretaria Nacional de Saúde do Trabalhador, que teve como objetivo discutir a política de saúde da CUT e propor ações regionais.

No caso do Estado de Roraima, a CUT local, promoveu em 12 e 13 de dezembro importante seminário, o qual foi enriquecido com o debate em torno da problemática da saúde e das condições de trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras dos distritos de saúde indígenas. No dia 14/12 acompanhamos parte do seminário da saúde indígena dos distritos ianomamis que estava sendo realizado naquele Estado.

Cabe observar que, apesar dos esforços, as dificuldades estruturai não permitiram que o incentivo e acompanhamento da política de saúde do trabalhador nas estaduais e ramos e o estabelecimento de um calendário regular de reuniões do Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador se realizasse a contento. O financiamento das atividades, assunto exaustivamente discutido, permanece como uma lacuna a ser superada no próximo período.

O primeiro módulo do curso de Formação de Dirigentes em Saúde do Trabalhador, construído conjuntamente com a Secretaria Nacional de Formação, está detalhado, pronto para ser realizado, assim como a proposta de Oficinas Regionais sobre HIV-AIDS a serem desenvolvidas de forma

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articulada com as estaduais. Em razão das atividades da 13ª Plenária Nacional da CUT a Executiva Nacional adiou estas atividades para o primeiro semestre de 2012.

Conforme apresentado na reunião do Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador e do Coletivo Nacional de Formação de 2010, o investimento na formação sindical em saúde do trabalhador é estratégica para resignificar a trajetória de mais de vinte anos na CUT nesta área e, sobretudo, para pactuar compromissos no campo de prioridades nas estratégias sindicais, entre essas, o fortalecimento da Organização por Local de Trabalho.

A construção de uma lógica de vigilância em saúde a partir dos locais de trabalho, seja na cidade, no campo e nas florestas com a participação organizada dos trabalhadores para identificar, intervir e modificar as situações de risco antes que as pessoas adoeçam ou se acidentem é um pressuposto básico das ações em saúde do trabalhador e, implica em alto investimento, inclusive financeiro em suas ações.

Vale lembrar que, longe de ser uma discussão técnica ou de responsabilidade exclusiva do poder público ou, ainda, somente das CIPAS, as ações em saúde do trabalhador devem fazer parte das estratégias político-organizativas dos sindicatos. O seu campo de intervenção são as condições e as relações de trabalho que perpetuam assimetrias de poder e que concebem o trabalhador como mero recurso, como objeto de produção utilizado à exaustão, sem considerar quaisquer limites.

Assim, as lutas no campo da saúde do trabalhador são, antes de tudo, pelo resgate da dimensão humana inerente ao trabalho, portanto são essencialmente ideológicas e políticas. Considerá-la nesta perspectiva implica em ver a relação entre trabalho e saúde para além dos seus aspectos estritamente biológicos, mas como resultado das condições sociais e históricas que determinam como se dá a inserção de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, nos sistemas produtivos e nos processos de trabalho.

Os debates efetuados pelo Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador em 2011 apontaram para o fortalecimento desta perspectiva política, relacionando as ações em saúde do trabalhador com OLT, inclusive aproveitando o espaço das CIPA’s, com a perspectiva estratégica de transformá-las em comissões de saúde autônomas, sob controle dos trabalhadores. Esta é uma diretriz que será retomada em 2012, no planejamento das atividades formação.

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O Trabalho Decente, tema prioritário na agenda da CUT em 2011 e deverá permanecer no próximo período, foi outro espaço que possibilitou abordar a saúde do trabalhador numa perspectiva estrutural, relacionada com as condições do mercado de trabalho. A Secretaria de Saúde do Trabalhador se somou à Secretaria de Relações do Trabalho, responsável por este tema, e contribuiu na preparação da intervenção da CUT nas Conferências estaduais que ocorreram ao longo de 2011, tanto na preparação de materiais, como acompanhamento de algumas atividades nos estados.

A Secretaria de Saúde do Trabalhador, também contribuiu com a SRT/CUT,em outros temas, apresentou proposta sobre promoção e prevenção da saúde do trabalhador para o debate sobre o documento que estava sendo construído em mesa de negociação tripartite sobre Compromisso Nacional Tripartite para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção, bem como, sobre a regulamentação da terceirização, também sob responsabilidade da SRT/CUT. Neste último, contribuímos com um conjunto de dados e de análise sobre as repercussões da terceirização na saúde dos trabalhadores.

Em alguma medida, a Secretaria de Saúde do Trabalhador buscou assegurar a inclusão da saúde como tema transversal nas ações da Central, tanto nas situações mencionadas, como em outras atividades nacionais e internacionais.

Alguns desafios para o próximo período

O principal desafio para o próximo período é consolidar a Política Nacional de Saúde do Trabalhador no conjunto das instâncias, estruturando coletivos com a participação dos sindicatos e impulsionando o desenvolvimento de ações que respondam de forma mais efetiva aos problemas que os trabalhadores vivem diuturnamente nos locais de trabalho, de forma articulada com as estratégias político-organizativas da Central.

A continuidade das ações por um novo modelo de perícia médica, o desenvolvimento do programa de formação de dirigentes, o investimento nas atividades do Dia 28 de Abril e outros temas em andamento são estratégicos para impulsionar os objetivos propostos.

Junéia Martins Batista

Secretária de Saúde do Trabalhador

Referências

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