Impresso
99129-5/2002-DR/SCUFSC
CORREIOS
A poesia toma a Biblioteca
Jornal
Universitário
Universidade Federal de Santa Catarina - Outubro de 2009 - Nº 405
Enem adia
Vestibular
p. 4
Refém
Política &
inovação
p. 2 e 5
Avanço
Retrato da
qualidade
p. 14
Sepex
Como funciona
a Editora
p. 9
Transparência
Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral ainda não reúne condições de abrigar exposições
Lula cria
a UFFS
p. 4
Inclusão
A parceria entre a UFSC e a Udesc funcionou
mais uma vez para o sucesso da 2ª Semana
Ousada de Artes. O evento, que entra
defini-Liderança conquistada
e excelência reconhecida
Com quase 50 anos, que serão
comemo-rados em 2010, e entre as 200 melhores
uni-versidades do mundo, segundo ranking
inter-nacional recém-divulgado, a UFSC se prepara
para enfrentar novos desafios, estimulando a
reflexão sobre as avaliações relacionadas ao
ensino superior. Em termos de visibilidade na
internet, a Instituição ocupa o terceiro lugar
no País e assume a 134ª colocação no mundo.
A conquista é comemorada, mas aumenta a
responsabilidade da Administração da
Univer-sidade do Século XXI
A arte sai do armário
debates, teatro, cinema e dança,
promoven-do uma espécie de efervescência cultural e
possibilitando às universidades a chance de
Foto:Divulgação
p. 16
Pai da Catequese Poética, movimento literário
nacio-nal que aproximou o verso ao povo, o poeta Lindolf
Bell, que morreu em 1998, foi homenageado com
uma bela exposição na Biblioteca Universitária
Foto: Carolina Dantas
p. 8 e 9
A infraestrutura e as condições de trabalho favorecem o ensino de excelência. Na foto, sala de aula do Centro de Ciências Biológicas (CCB)
Memória
Expediente
Caiu na cesta
Moacir Loth
A comunicação cuida da saúde da instituição
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Impressão: Diário Catarinense
“
Frase
“
Foto: Acerv
o Agecom
A pesquisa acabou por se tornar,
colateralmente, a grande vítima
da biopirataria
(Editorial da Folha de
S.Paulo, comentando a burocracia para a
realização de pesquisas científicas
envolvendo fauna e flora brasileiras)
O ex-diretor da Imprensa Universitária da UFSC, Ricardo Tadeu Dias, faleceu, aos 51 anos, no dia 11/09, no Hospital de Caridade.
Pertencia aos quadros da UFSC desde 1979. Na
direção da gráfica, no período de 1992 a 1996, investiu na
modernização da gestão administrativa, buscando melhorar as condições de trabalho e otimizar a produtividade da equipe.
Ricardo também trabalhou no Departamento de Apoio à Pesquisa (DAP). Atualmente era servidor do Centro de Ciências Jurídicas, onde coordenava o acervo da Biblioteca Setorial e também era membro suplente no Conselho de Curadores da Fundação José Arthur Boiteux.
Nostalgia. “Saudade dos anos 70, quando esta m**** fazia meus dedos doerem, exigindo uma massagem à base de álcool” (Jornalista e professor Laudelino José Sardá, organizador do livro Da Olivetti
à Internet, publicado pela Editora da Unisul). Sardá
é um romântico regenerado.
Faz um quatro! “Faça sempre lúcido aquilo que você disse que faria bêbado. Isso o ensinará a manter sua boca fechada” (Ernest Hemingway, autor de Por
quem os sinos dobram e O velho e o mar).
Rodermel. A democracia parece obliterar as lideranças estudantis. Jornalista ligou para a Age-com para saber quem é o atual presidente da União Catarinense dos Estudantes (UCE). É o acadêmico de Direito Vander Rodermel, eleito no congresso de junho, em Joaçaba, com 105 votos. Nem os diretó-rios estudantis conhecem seus dirigentes máximos (UCE e UNE). Eleições diretas poderiam resolver a distorção e recuperar a legitimidade!
O homem mordeu o cachorro. A morte do Catatau repercutiu mais na UFSC do que o fim do diploma para jornalista.
Ditadura exposta. A exposição Direito à
memória e à verdade - A Ditadura no Brasil
passou pela UFSC em 2008. Agora foi distribuída uma revista contendo fatos e fotos dos principais episódios do período 1964-1985. A iniciativa é da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
Do Editor
Ciência com Política
Paz. O 11 de setembro foi essencialmente tecnológico em Santa Catarina. Incluindo entre os seus pressupostos a preservação e a valorização do meio ambiente, e, dessa forma, buscando alcançar desenvolvimento sustentável, a Política Catarinense de Ciência, Tecnologia e Inovação foi aprovada pelos 35 membros que compõem o plural Con-selho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Conciti). Presidido pelo governador Luiz Henrique da Silveira e pres-tigiado pelo reitor Alvaro Prata, da UFSC, o Conciti, reunido no Centreventos Renato Archer, estabeleceu as bases para fazer “pegar” a recém-regulamentada Lei Catarinense de Inovação, que, devidamente praticada, tornará viável a parceria da comunidade científica com o setor produtivo e o Poder Público.
Formatado desde a década de 1960, o Sistema de Ciência e Tecnologia começou a se consolidar em SC so-mente a partir de 2003, pautado na ideia de Política de Estado semeada pelo ex-ministro Renato Archer. O 11 de setembro, marcado pelo anúncio da Fapesc de editais de pesquisa da ordem de R$ 40 milhões e pelo lançamento do Prêmio Catarinense de Inovação Caspar Erich Stemmer, abre a otimista expectativa do cumprimento da Constituição Estadual que “garante” a aplicação de 2% da arrecadação líquida de impostos do Estado em pesquisa. (Algo em torno de R$ 180 milhões).
O desenvolvimento regional, as ciências agrárias, a pesquisa básica e o meio ambiente ocuparam as mentes atentas do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para “programas e projetos estratégicos voltados à prevenção de desastres naturais” foram aprovados R$ 2 milhões. É nada quando os estragos costumam se aproximar de bilhões!
Sem desguarnecer o litoral, a revolução liderada pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica (Fa-pesc) promete caminhar para a desconcentração científica, pingando reais e esparramando oportunidades de pesquisa para todas as regiões e povos do Estado.
A descentralização é uma mão na roda. A politização da CT&I não preocupa, certamente, a comunidade científica. Os R$ 18 milhões para as Secretarias de Desenvolvimento Regional constituem uma chance relevante para distribuir emprego, renda, enfim, inclusão social via investimento no conhecimento.
O que preocupa, sem dúvida, é a politicagem, que, aliás, horrorizava Renato Archer, porque ela, a politicagem, costuma colocar tudo a perder...
Boa causa. Novembrada - um protesto esperado, de Ana Carla Pimenta, trabalho de conclusão de curso de Jornalismo (Estácio de Sá), contou com apoio da equipe da Agecom.
É justo. O Prêmio Inovação Catarinense é uma homenagem ao ex-reitor da UFSC Caspar Erich Stemmer.
Câmbio. Os atrasados da Progressão por Mérito, pagos retrospectivamente de janeiro a agosto, não caíram do céu. A equipe da PRDHS suou a camiseta para dar conta!
Perguntinha. Democratização ou massificação? Esse é o título do dossiê da Cult sobre a expansão atual do ensino superior federal no País.
Coerência. A Unidade de Conservação Ambiental Desterro não muda o nome em respeito à vontade de sua idealizadora. Mas a sede deverá se chamar Espaço Maike, em homenagem a Maike Hering de Queiroz.
Antes que acabe. O berbigão, que há décadas vem garantindo a sobrevivência de muitas famílias, está merecendo uma maior atenção da comunidade científica, a exemplo do que acontece com a mari-cultura.
Esnobando. A USP, apesar dos apelos do MEC, decidiu continuar boicotando oficialmente o Enad.
Manchete de Mundo (Folha). “Chávez promove lei para controlar a educação”. O projeto coloca em xeque a autonomia universitária.
Sentiram? Apesar dos reajustes, o Plano de Saúde da Unimed continua redondinho.
Verde. O agrônomo Norman Borlaug, Nobel da Paz de 1970, considerado o pai da “revolução verde”, advertiu em 2006: “a miséria humana é explosiva, não se esqueça disso”. O americano morreu aos 95 anos em setembro.
Concurso na EdUFSC. Com inscrições abertas no período de 1° a 30 de novembro, a EdUFSC lança o Concurso Literário 2009-2010 na categoria Conto. Leia regulamento na página www.editora.ufsc.br
Legal. O Sindicato encara o ponto eletrônico com as seis horas!
“Produzindo conhecimento para um mundo melhor” - professora Magda do
Canto Zurba
A ética na fila. Está a ponto de bala a indig-nação com aqueles que insistem em furar as filas do Restaurante Universitário (RU). É incrível que isso esteja acontecendo numa das melhores uni-versidades do País! As longas filas não justificam a falta de ética.
O s a r t i g o s s ã o d e i n t e i r a r e s p o n s a b i l i d a d e d e s e u s a u t o r e s
O s a r t i g o s s ã o d e i n t e i r a r e s p o n s a b i l i d a d e d e s e u s a u t o r e s
O Centro de Engenharia da Mobilidade (CEM), no campus provisório da UFSC, instalado na Univille, em Joinville, encontra-se com as ati-vidades acadêmicas em pleno funcionamento. Duzentos alunos, classificados entre mais de mil candidatos inscritos, cursam disciplinas de cálculo, física, representação gráfica, geometria analítica, química tecnológica e introdução à engenharia.
O plano de ensino de cada disciplina foi es-truturado para que o professor e o estudante possam destacar, na relação ensino-aprendi-zado, o fundamento teórico e seu conteúdo prático. Para que isto ocorra, os conteúdos teóricos são ministrados num auditório que abriga os 200 alunos e tem por objetivo chamar a atenção deles para os conhecimentos de base relacionados a cada assunto.
Nas aulas de prática, para turmas de 40 alunos, é dado destaque aos mecanismos de formulação e solução de problemas. O propósito é induzir o estudante, por meio da prática, a desenvolver habilidades específicas para lidar com situações complexas. O professor é desa-fiado a desenvolver no aluno a percepção de que a eficiência deriva diretamente da utiliza-ção correta de fundamentos teóricos sólidos. É por esta razão que o planejamento político-pedagógico contempla métodos e técnicas para a aquisição dos conhecimentos fundamentais de cada disciplina.
A primeira avaliação feita pelos professores da UFSC que dão aulas no CEM indica que a estrutura educacional proposta se mostra fun-cional. Temos certeza de que o formato idealiza-do, com as correções que a prática indicar, será fundamental na formação de pessoas de alta competência, preparadas para ajudar a superar os problemas estruturais do Brasil relacionados com o deslocamento seguro e confortável de pessoas, produtos e informações.
Embora seja este o primeiro semestre dos cursos do CEM, a boa demanda permitiu o pre-enchimento de todas as vagas oferecidas. Isto reflete o interesse despertado pela inovadora oferta, ao passo que sinaliza para uma procura ainda maior nos próximos semestres.
Acires Dias, Álvaro Guillermo e Antônio Fortunato Marcon, diretores da UFSC em Joinville
A UFSC em Joinville
A partir de uma oficina de trabalho deflagrada pelo grupo de prevenção aos desastres naturais, por decisão do grupo técnico-científico (GTC) instituído em dezembro de 2008 pelo governo do Estado de Santa Catarina, por meio do Grupo Re-ação, passou-se ao estudo e análise da região da bacia do Vale do Itajaí, desde o seu nascedouro, em Taió, até a foz, em Itajaí.
Essa ampla região é conhecida, de longa data, pela vulnerabilidade aos fenômenos naturais que atingem ora uma parcela, ora várias partes da bacia. Um dos desafios da ação preventiva e integrada proposta pelo grupo técnico-científico é olhar o todo para que se possam prevenir ocorrências naturais futuras.
O comitê busca ações estratégicas inspiradas num trabalho interdisciplinar – algo que é, ao mesmo tem-po, desafiador e estimulante. A interdisciplinaridade deve ser encarada dentro da perspectiva apresentada por Ivani Fazenda, baseada na definição de um “[...] pensar crítico que leva o homem a se descobrir em situação, admirar-se com a realidade e, por fim, apro-priar-se do conhecimento que não é fixo, posto que não são fixas as relações do homem no mundo”.
A autora vê no diálogo o primeiro indicativo de ações prospectivas, construídas a partir da experiên-cia de vida dos envolvidos, que usufruem da partilha
Interdisciplinaridade e prevenção
do conhecimento pelo grupo. O diálogo contempo-râneo, na pós-modernidade, recupera a dimensão humana do agir comunicativo, revelando não mais a utilização de ações repetitivas, mas, sim, a busca de se analisar, refletir e sintetizar o que foi dialogicizado.
Esse movimento integrador surge com o nome de interdisciplinaridade, que pode acontecer a partir de uma simples comunicação até a integração mútua dos conceitos mais simples a respeito de qualquer fenômeno que atinja o ser humano, desde os mais complexos aos mais simples. Trata-se do TODO e não de uma caixa comportamentalizada.
É a partir dos diversos significados e situações vivenciadas que os participantes de um grupo de diferentes objetivos passam a formar o exercício da reflexão crítica. O que certamente ocorre por meio de coordenação e estruturação de todas as informações nas quais são discutidas e que a partir delas recebe a concepção embrionária, porém não acabada.
O início de uma ação de política pública está na dinâmica dos vários conhecimentos, das múltiplas compreensões, das contínuas análises, das reflexões ponderadas e de uma síntese que revela o todo na realidade contextualizada.
Fernando Fernandes de Aquino, doutor em
Ad-ministração e Educação e consultor na Fapesc Chuvas causam cheias no Rio Itajaí-Açu, repetindo situação ocorrida em novembro de 2008
Foto: Jaime Batista da Silva
Diante do vazamento de provas, o Ministério da Educação, no uso das suas prerrogativas, foi “ágil” e remarcou para os dias 5 e 6 de dezembro a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A coin-cidência com as datas do Vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) provocou muita dor de cabeça na Universidade e na população. Felizmente a Administração e os organizadores do concurso manti-veram a calma e rapidamente ofereceram alternativas. A mudança das provas para os dias 19, 20 e 21 de dezembro, respeitando as regras estabelecidas no edi-tal do Concurso 2010, contempla e foredi-talece o próprio ENEM, possibilitando aos candidatos computar 20% da nota no resultado do vestibular. Dois terços dos que já pediram inscrição optaram pelo benefício.
A UFSC, exercendo a autonomia, poderia ter simplesmente lavado as mãos e, como faria Pilatos, descartado olimpicamente o exame do MEC. Mas preferiu arcar com prejuízos materiais, multiplicar sacrifícios e assumir maiores responsabilidades e novos desafios.
Coerência & inclusão
Não foi uma solução fácil. Ousar dói. A UFSC, às vésperas de comemorar 50 anos, jamais mudou as datas publicizadas no edital do concurso. O vazamento criminoso conseguiu, portanto, uma façanha inatingida nem pelas greves nem pelos desastres naturais.
A decisão, referendada no dia 13 de outubro pelo Conselho Universitário, dá sentido e alguma coerên-cia à política de inclusão adotada pela Instituição, reforçando as ações afirmativas (escolas públicas, negros e índios), a interiorização com a instalação dos campi de Araranguá, Curitibanos e Joinville e a ampliação de vagas e criação de novos cursos, inclusive em Florianópolis.
A Reitoria da UFSC, respaldada pela Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) e pela Procura-doria Geral da República, trabalha com a filosofia de preservar os justos interesses da comunidade.
A prorrogação das inscrições também faz parte da agenda inclusiva.
Moacir Loth, jornalista na Agecom
Foto: Carolina Dantas
Maria Luiza Gil
Bolsista de Jornalismo na Agecom
Só faltava um OK do presidente. E saiu. Com a lei san-cionada, a Universidade Federal da Fronteira Sul já pode começar a ser erguida. Ela entra para a estatística como a 11ª universidade a ser criada nos últimos sete anos. O ministro da Educação, Fernando Haddad, considera um recorde o número de universidades criadas em um gover-no. “Até então, a marca pertencia a Juscelino Kubitschek, que criou dez”, disse ele. Além das novas instituições, os campi das universidades já existentes se expandiram e interiorizaram; são 100 novos em todo o País.
Tudo isso faz parte do Plano Nacional de Educação do governo, que vem priorizando a expansão do ensino su-perior público, oferecendo alternativa às faculdades par-ticulares e ajudando a evitar o êxodo de estudantes para o litoral. Dessa forma, aumentará de 30% para 40%, até 2011, o índice de matrículas em escolas públicas no total das matrículas no ensino superior no Brasil.
Nesse processo, a UFFS é uma das quatro universida-des consideradas estratégicas, pois vai cobrir uma região em que a economia estagnou e cuja população se vê cada vez mais litoralizada. Para embasar a reivindicação, o de-putado Pedro Uczai, do PT/SC, acrescenta que as regiões atendidas apresentam contradições entre a riqueza vinda da produção agropecuária, de perfil exportador, e a pobre-za das periferias das cidades. “As últimas décadas registra-ram uma deterioração das condições socioeconômicas que a nova universidade precisa combater”, afirmou. “Através do debate, a academia e a sociedade podem fazer com que a instituição contribua para garantir a soberania alimentar e energética e o equilíbrio ambiental dessas regiões”. Ali percebe-se a mudança dos minifúndios, que foram sendo absorvidos por latifúndios, e a massa salarial sustentada pelas agroindústrias não consegue expandir seu poder aquisitivo. “O PIB local é 40% menor que o da média da Região Sul e muitos agricultores dependem hoje da venda do leite para sobreviver”, afirma o professor Dilvo Ristoff, que foi oficialmente empossado no cargo de reitor no dia 15 de outubro, durante ato solene presidido pelo ministro Fernando Haddad.
As outras instituições estratégicas são a Universidade da Integração Latino-americana, em Foz do Iguaçu, a Universidade da Integração Luso-Afro-Brasileira, no Cea-rá e a Universidade da Integração Amazônica, no PaCea-rá. Embora ricas na produção agroindustrial, as áreas onde serão implantados os campi da UFFS sempre foram desassistidas no campo da educação – nunca houve ali uma
Nasce a Universidade dos movimentos sociais
universidade federal gratuita. Com o apoio de entidades sociais e de classe, como Fetraf-Sul/CUT e Via Campesina, o projeto ganhou força. O ministro Fernando Haddad lembrou que “os estados contemplados e os movimentos sociais foram determinantes para a criação da instituição”.
O coordenador geral da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-Sul), Altemir Tortelli, diz que a universidade vai ajudar uma região descoberta do ensino superior público. “Nossa mesorregião abrange quase quatro milhões de habitantes que antes tinham que se deslocar quilômetros para poder fazer uma faculdade. Com a UFFS teremos acesso facilitado ao ensino público, permitindo às pessoas permanecer na cidade e nela cons-truir uma melhor qualidade de vida, com maior renda. Nós sabemos que uma universidade não vai mudar tudo isso sozinha, mas ela vai influenciar. Vamos ter uma instituição interagindo, estimulando o crescimento dessa região. For-mando gente que pense projetos, pense políticas, pense pesquisas e alternativas para o desenvolvimento. Vamos formar profissionais que contribuam para dinamização da economia local – baseada na produção agrícola – através de um conjunto de cabeças engajadas num movimento sustentável, ambiental e social”, defende.
Como entrar - O processo seletivo dos 2.160 estu-dantes que estudarão na Universidade Federal da Frontei-ra Sul, em março de 2010, será realizado pelo resultado da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pelo conjunto das ações afirmativas, contemplando alunos de escolas públicas e que moram nas regiões de abrangência da instituição.
Os cursos - Para pensar no projeto pedagógico, a comissão levou em conta as potencialidades da região, concentradas na produção agroindustrial e agropecu-ária e na geração de energia. “Os cursos e disciplinas estimularão os estudantes a conhecerem o entorno, a região onde vivem e a própria história da Fronteira Sul”, diz o reitor da UFFS, Dilvo Ristoff. “Durante os últimos anos discutimos bastante com o Ministério da Educação, as lideranças locais e os movimentos sociais para que fossem levadas em conta as necessidades regionais, que são bastante específicas”, diz. Também foi incluída a área das licenciaturas, visando à formação de professores, atendendo a outra demanda detectada nessas regiões. Infraestrutura - A UFSC é tutora da UFFS, que terá sede em Chapecó e mais quatro campi nas cidades de Erechim e Cerro Largo, no Rio Grande do Sul, Laranjeiras do Sul e Realeza, no Paraná. A nova instituição beneficiará cerca de 3,7 milhões de habitantes desta mesorregião que abrange 396 municípios do oeste de Santa Catarina, sudoeste do Paraná e noroeste do Rio Grande do Sul.
A implantação dos cinco campi terá apoio das prefei-turas dos municípios-sede, que se responsabilizaram por doar os terrenos das futuras instalações físicas. Um dos requisitos colocados pela comissão de implantação foi a disponibilização de uma área de 100 hectares onde fica-rão os campi permanentes, uma vez que, por enquanto, as aulas serão ministradas em espaços alugados.
O passo para as instalações já foi dado, agora a comissão está traçando as metas para a contratação de professores. Serão contratados, ainda em 2009, 150 professores e 120 técnicos, para começar as atividades imediatamente. A Universidade Federal da Fronteira Sul começará a funcionar em 2010 com 2.160 alunos – dis-tribuídos em 21 cursos.
Dentro de quatro anos, a meta é ter 500 professores e 400 funcionários, admitidos sempre por meio de concur-so, que irão atender a cerca de 10 mil estudantes. Para o custeio e o pagamento de salários destes professores e técnicos administrativos, o Ministério da Educação estima um investimento anual de R$ 194,5 milhões. Os recursos previstos até a conclusão do processo, em 2012, chegam a R$ 306 milhões.
Lei sancionada pelo presidente tira do papel a Universidade Federal da Fronteira Sul, fruto de reivindicação dos movimentos sociais
Lula e o professor Dilvo, agora Reitor da UFFS
Foto: José Cruz/ABr
Arley Reis
Jornalista na Agecom
O Conselho Universitário da UFSC apro-vou a transferência do Vestibular 2010 para os dias 19, 20 e 21 de dezembro. A alteração foi necessária em função da coincidência com o período de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), determinado pelo Ministério da Educação para os dias 5 e 6 de dezembro. O concurso de UFSC estava agen-dado para os dias 6, 7 e 8 de dezembro.
A UFSC também manteve o percentual de 20% da nota do Enem no cômputo do vestibular. Porém, se a divulgação do Enem for depois de 8 de fevereiro, essa nota será desconsiderada, por causa dos prazos de matrícula e do início das aulas na UFSC. O restante do calendário acadêmico do próxi-mo ano não será alterado.
“É um momento difícil, estamos lidando com a vida de muitas pessoas”, lamentou o reitor Alvaro Toubes Prata, na semana em que ocorreram os problemas com a prova do Enem. Segundo ele, toda a logística e conte-údo do concurso serão mantidos. Porém já é possível prever que a nova agenda altere a divulgação do resultado do concurso, tra-dicionalmente realizada antes do Ano Novo.
Vazamento do Enem adia Vestibular
Com a necessidade de espera do resultado do Enem, a divulgação do listão da UFSC deverá acontecer no final de janeiro.
”Adiamos o concurso em respeito à sociedade e também porque acreditamos na proposta do MEC”, comunicou o reitor, lembrando que a adoção do Enem no resul-tado do vestibular faz parte das ações que a instituição vem desenvolvendo em busca de uma maior inserção social. Estudantes que fizeram sua inscrição e não tenham disponibilidade de realizar o concurso no novo período poderão solicitar devolução da taxa de inscrição.
No Vestibular UFSC/2010 serão ofere-cidas 6.021 vagas em 82 graduações, nos campi de Florianópolis, Joinville, Curitibanos e Araranguá. Em relação ao Vestibular UFSC/2009, os novos cursos que serão oferecidos pela UFSC são: Fonoaudiolo-gia; Engenharia Eletrônica; AntropoloFonoaudiolo-gia; Arquivologia; Geologia; Licenciatura em Ciências Biológicas – Noturno e Museologia (em Florianópolis), além de Engenharia da Mobilidade (Joinville); Ciências Rurais (Curi-tibanos); Tecnologias da Informação e da Comunicação (Araranguá). Quase três mil pessoas foram beneficiadas com a isenção da taxa de inscrição. Prata: “adiamos o concurso em respeito à sociedade e também porque acreditamos na proposta do MEC”; estudantes que fizeram sua inscrição e não tenham disponibilidade de realizar o concurso no novo período poderão solicitar devolução da taxa de inscrição
Paulo Clóvis Schmitz Jornalista na Agecom
A apresentação da Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (PCCT&I), apresentado no dia 11 de setembro, no Parqtec Alfa, em Florianópolis, foi um ato político com significado simbólico impor-tante. O evento serviu para deslanchar a descentralização dos investimentos no setor, por meio do lançamento de sete chamadas públicas para a área da pesquisa científica e tecnológica, que distribuirão R$ 40,25 milhões a projetos de todas as regi-ões de Santa Catarina, incluindo o Prêmio Mérito Universitário Catarinense (bolsas de iniciação científica), a seleção de propostas de pesquisa na área da biodiversidade e um edital que vai estimular ideias visando à prevenção de desastres naturais.
Com a presença do governador Luiz Henrique da Silveira e do reitor da UFSC, Alvaro Toubes Prata, também foi inaugura-do o Centreventos Ministro Renato Archer, no Parque Alfa, cujo nome homenageia o primeiro ministro da Ciência e Tecnologia, depois sucedido pelo atual governador cata-rinense. Na ocasião, foi entregue a Medalha Anita Garibaldi, in memoriam, ao ex-minis-tro, na presença de seus familiares.
Na abertura do evento, Luiz Henrique ressaltou que o Brasil deve ao ex-ministro Archer, falecido há 13 anos, a valorização do setor, porque “foi com ele que começou a mudança de paradigma que culminou com a ideia de política de Estado para a ciência e tecnologia”. Ao destacar que dali surgiram o CNPq e o próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, ele ressaltou o papel
Lançamento foi realizado após a inauguração do Centreventos Ministro Renato Archer, no Parqtec Alfa, na Capital
Editais destinam R$ 40,2 milhões para CT&I
fundamental da CT&I para o desenvolvi-mento do país e de seu reconhecidesenvolvi-mento internacional como nação.
Com as chamadas públicas, a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado (Fapesc) atende à alta deman-da por recursos para o setor em Santa Catarina e faz a sua parte para cumprir a determinação constitucional de destinar 2% do orçamento estadual em CT&I, divididos entre a Fapesc e a Epagri, que responde pela pesquisa agropecuária. O presidente da Fundação, Antonio Diomário de Queiroz,
vem lutando há muito tempo para que o setor conte com esses recursos para que instituições de pesquisa, universidades e pesquisadores em geral possam desenvol-ver seu trabalho, ajudando o Estado a se manter numa posição privilegiada no país. Falando da PCCT&I, o presidente da Fapesc disse que “ela retrata um esforço continuado que vem sendo feito ao longo dos anos e dá um direcionamento estra-tégico para o avanço do conhecimento, que deve elevar a qualidade de vida da população catarinense”.
Dos mais de R$ 40 milhões dispo-nibilizados agora, R$ 18 milhões serão distribuídos pelas secretarias regionais do governo do Estado, considerando os projetos e prioridades de cada região. As SDRs terão até R$ 500 mil cada uma para financiar as iniciativas nos municípios que abrangem, podendo contemplar até 10 projetos, no valor unitário de R$ 50 mil. Também foi lançado o Prêmio Inovação Catarinense (que leva o nome do ex-rei-tor da UFSC Caspar Erich Stemmer), com três categorias – empresas, pesquisado-res e instituições em geral. Nesta manhã foi ainda instalado o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Conciti), presidido pelo governador do Estado.
Instituto no Sapiens – Foi assinado pelo reitor Alvaro Prata o edital de licitação para a construção do prédio do Instituto do Petróleo, Energia e Gás (Inpetro), um órgão multidisciplinar e multidepartamen-tal liderado pela UFSC e implantado com apoio da Petrobrás com foco na pesquisa, desenvolvimento, prestação de serviços e formação de recursos humanos.
O instituto será implantado no Sa-piens Parque, no norte da Ilha de Santa Catarina, numa área de 8.700 metros quadrados e com capacidade para receber mais de 300 pesquisadores. O reitor – que recebe a aprovação dos projetos da pre-feitura de Florianópolis, permitindo o início das obras físicas – definiu a apresentação da Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação como um divisor de águas, porque trará “reflexos positivos nas par-cerias da sociedade, do setor produtivo e do governo com a Universidade”.
Centreventos Ministro Renato Archer, no Parque Alfa, foi inaugurado no mesmo dia; nome homenageia o primeiro ministro da Ciência e Tecnologia
Tifany Ródio
Bolsista de Jornalismo na Agecom Aposto que você já passou pela comum situação em que uma pessoa fala, fala e fala e você só escuta, sem prestar atenção, torcendo para que o monólogo acabe logo. Pode ser até que essa seja uma prática sua. Mudar o hábito de se comunicar dessa forma não é tarefa fácil. Atuando na con-tramão, a UFSC adota uma maneira mais eficiente de comunicação entre as pessoas envolvidas com a Universidade: alunos, servidores e comunidade.
A ideia é que a comunicação se cons-trói em dois lados. Quando uma pessoa corresponde ao estímulo de outra, aí sim é estabelecido um contato. Um passa a mensagem e o outro retira o que lhe in-teressa e a interpreta para usá-la do jeito que quiser. A mensagem transformada é devolvida de forma diferente, com novas informações, gerando um processo de aprendizagem contínua a ambos os lados. Usando o conceito de Comunicação Edu-cativa, que defende justamente essa troca de opiniões, a UFSC procura envolver toda a comunidade universitária na construção de um ambiente rico, que aprende.
Inspirado na Política de Comunicação da UFSC, o modelo de Comunicação Educativa (MCE) é um modelo conceitual que vê a comunicação de uma forma diferente, como um processo de cultura. Unindo as teorias de três áreas do conhecimento: Comuni-cação, Educação e Marketing, procura des-construir a imagem de que a comunicação institucional é de competência apenas de
Uma nova maneira de se comunicar
O Modelo de Comunicação Educativa da UFSC une as teorias da Comunicação, Educação e do Marketing, procurando desconstruir a imagem de que a comunicação institucional é de competência apenas de setores especializados
setores especializados, trazendo a respon-sabilidade para o coletivo. A inovadora pro-posta foi desenvolvida por Ana Carine García Montero, servidora técnico-administrativa, coordenadora do GT de Comunicação com a Sociedade do Programa de Auto-Avaliação Institucional da UFSC.
Indo mais a fundo, o MCE viabiliza a de-finição de estratégias de comunicação para dentro da Universidade. Em 2006 vimos sua primeira aplicação. Aquele era o ano de se realizar uma consulta à comunidade universitária sobre temas do Programa de Auto-Avaliação Institucional (PAAI). Apesar da importância da avaliação, a comunidade universitária não estava disposta a partici-par. O MCE foi usado para criar estratégias de sensibilização e o quadro de rejeição se transformou: a adesão foi maior que a esperada. Uma das ações estratégicas implementadas foi a colocação de um enorme banner com as cores do Brasil no Campus, já que era época de Copa do Mundo, com o slogan do PAAI, “Você pode, você deve avaliar!”. A medida aumentou a aproximação e a simpatia da comunidade universitária para com o Programa.
Os resultados também estão sendo positivos no projeto atual, realizado no Hos-pital Universitário. Lá, o objetivo é ajudar na implantação do Plano 2012, o planejamento estratégico do HU. Para que as ações sugeri-das no Plano sejam realizasugeri-das, é preciso que a comunidade do hospital entenda seu fun-cionamento e assuma a sua importância. Em 2007 foi formada a equipe ‘Agentes Comuni-cadores do HU’, encarregada de criar estra-tégias comunicativas educativas que ajudem
a dissipar informações. O trabalho do grupo ainda continua. No primeiro semestre deste ano, 2009, foram ministrados três cursos em Comunicação Educativa, capacitando mais de 60 servidores para integrar a equipe. Luiz Otávio Baasch, da equipe de planejamento do HU, diz que a metodologia da comunicação educativa se encaixa na estratégia de gestão número oito do Plano. Ele reforça que antes do modelo a comunicação institucional era feita sem qualquer técnica, pelo jornal interno, em murais ou boletins. Hoje, é tudo mais organi-zado. Diferentes abordagens de comunicação são definidas para cada público-alvo.
Para que o diálogo seja estabelecido, o MCE sugere a consideração prévia de quatro variáveis. A primeira delas é a bus-ca de informações sobre o ambiente em que a pessoa vive. Segundo Ana Montero, autora do projeto, o ambiente influencia a interpretação da mensagem, e conhecê-lo evita erros na comunicação. O segundo fator é o momento, o instante de vivência daquele que deve corresponder à mensa-gem. A variável temporalidade identifica o lugar de origem e a idade das pessoas. O último trata dos canais, dos meios de comunicação mais usados e por onde as informações fluem mais facilmente.
Todas essas variáveis interferem no sentido que será dado a mensagem e em como ela será percebida. “Para estabele-cer a comunicação, é preciso conheestabele-cer o canal que as pessoas usam ou estão dispostas a usar. A análise das variáveis é feita para encontrar o que há de comum entre os comunicadores, mostrando as possibilidades comunicativas para cada grupo. Cada servidor percebe a univer-sidade de uma forma, por isso é preciso estabelecer um entendimento coletivo primeiro”, avalia Ana Montero, aplicando o Modelo à realidade da UFSC.
Esse novo modo de promover o inter-câmbio de idéias dentro da Universidade é um sistema em constante desenvolvimento. Em novembro de 2008 foi criada a Seção de apoio ao Sistema de Comunicação Educativa (Comunica), dentro da Agência de Comu-nicação da UFSC (Agecom). O Comunica dará continuidade ao trabalho baseado no Modelo de Comunicação Educativa. A meta é desobstruir e potencializar a comunicação dentro da Universidade, considerando a diversidade cultural na hora de transmitir as informações, e garantindo um alinhamento de esforços coletivos na realização das políticas, dos objetivos e das metas da instituição.
Cada servidor percebe a universidade de uma forma,
por isso é preciso, primeiro, estabelecer um
entendimento coletivo” - Ana Montero
Tifany Rodio
Bolsista de Jornalismo na Agecom Um artigo científico publicado no importante periódico Biodiversity and
Conservation ganhou repercussão e se
tornou, em agosto desse ano, matéria na BBC Earth News. O trabalho é de Carolina Loch, ex-aluna de Biologia da UFSC, sendo assinado em parceria com o professor Paulo César Simões-Lopes, do Departamento de Ecologia e Zoologia, coordenador do Laboratório de Mamíferos Aquáticos. O artigo tem ainda a colaboração de Miriam Mar-montel, pesquisadora e coordenadora do Instituto de Pesquisas Mamirauá (IDSM), da Amazônia.
Com o título Conflicts with fisheries
and intentional killing of freshwater dolphins (Cetacea: Odontoceti) in the Western Brazilian Amazon, o artigo fala
sobre ataques feitos por pescadores a golfinhos da bacia do Rio Amazonas. O material é resultado de uma pesquisa realizada com o objetivo de monitorar a taxa de mortalidade dos golfinhos e peixes-boi da região.
O estudo mostra que há uma cres-cente tendência para utilização de carne e gordura de boto como isca para capturar um peixe chamado ‘piracatin-ga’ ou Calophysus macropterus. “Essa prática é, possivelmente, muito difun-dida na Amazônia brasileira e pode ameaçar seriamente a conservação dos botos”, alerta a pesquisadora.
A pesquisa foi realizada durante nove meses, em uma viagem feita em 2005, quando Carolina Loch cursava Biologia na UFSC. “Costumo dizer que a Amazônia é um Brasil dentro do Brasil. A realidade é muito diferente e a cultura também. Fui para lá para trabalhar com educação ambiental e conscientização, principalmente em escolas, já que crianças não têm seus conceitos totalmente formados. Respeitando as crenças, procurei conscientizar que não é porque matar
Mortalidade dos golfinhos da Amazônia ganha
as páginas de periódico internacional
Trabalho, que ganhou matéria também na BBC Eart News, foi desenvolvido em uma parceria entre UFSC e Instituto de Pesquisas Mamirauá, da Amazônia
O Laboratório de Mamíferos Aquáticos, ligado ao Departamento de Ecologia e Zoologia, foi aberto em 1988 e hoje possui um dos maiores e mais diversifica-dos acervos de carcaças e ossos de animais. A coleção científica reúne mais de três mil peças preservadas de mamíferos aquáticos e terrestres. O coordenador é Paulo César Simões-Lopes, professor do Departa-mento de Ecologia e Zoologia da UFSC.
Além de ser ambiente de pesquisas e realização de trabalhos de conclusão de curso, mestrado e dou-torado, o laboratório recebe alunos da rede pública e privada, com agendamento prévio, cumprindo seu papel de educação ambiental, e participa de exposi-ções e palestras.
Entre ossos, carcaças e animais conservados em líquido, falta espaço para abrigar mais espécies: o local está superlotado. Outra dificuldade é conseguir o transporte da universidade para fazer a coleta dos animais que são encontrados no litoral do Estado. Carolina Loch aproveita para manifestar a vontade de que, no futuro, seja construído um Museu de História Natural vinculado à UFSC, com uma estrutura maior e onde os alunos possam receber bolsas de estágio.
Mais informações com Carolina Loch pelo e-mail [email protected] ou com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq): (48) 3721-9626
Durante o estudo, integrantes do Instituto de Pes-quisas Mamirauá, liderados por Carolina Loch e Miriam Marmontel, recuperaram 18 carcaças do animal: 12 da espécie tucuxi (Sotalia fluviatilis) e seis do tipo boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis). Os tucuxi foram encon-trados flutuando no Lago Amanã, dentro da Reserva do Desenvolvimento Sustentável Amanã, e os botos cor-de-rosa estavam mortos no Lago Tefé.
O grupo identificou que três carcaças
apresenta-animais é um costume que precisa ser seguido”.
Em entrevista para a BBC, ela re-força a idéia da conscientização: “Ati-vidades de educação ambiental com escolas infantis são fundamentais para evitar conflitos no futuro. Golfinhos da Amazônia têm um importante papel na cultura local e os aspectos positivos dessa influência devem ser reforçados e encorajados” .
Na viagem, a bióloga pescava e tomava café com a comunidade, bus-cando uma maior aproximação. “A abordagem não poderia ser feita com uma postura fiscalizadora. Os golfinhos são vistos como competidores da úni-ca fonte de proteína que pesúni-cadores têm. Ter opção de outra carne é raro, só quando eles caçam outros bichos”, considera.
Sobre a repercussão do artigo, Carolina conta que abriu portas para futuros estudos e até despertou o interesse de terceiros produzirem um documentário sobre o assunto. “Nós fazemos o nosso trabalho despreten-siosamente, com limitações financei-ras, falta de patrocínio e dificuldades da própria profissão de biólogo, por amor à camisa. Ter esse reconheci-mento é fantástico”.
A pesquisadora é graduada em Ciências Biológicas pela UFSC e tem Mestrado na Universidade Federal do Paraná. Sua linha de pesquisa é osteologia e morfologia esqueletal de cetáceos e pinípedes. Também está en-volvida com mortalidade, recuperação de carcaças, preparação de material biológico, educação ambiental e con-servação.
Atua como tutora de disciplina no ensino a distância da UFSC, é pro-fessora de Ciências da prefeitura de Florianópolis e se prepara para o seu doutorado no próximo ano. Também é pesquisadora colaboradora do Labora-tório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq), da UFSC.
Carolina: “Golfinhos da Amazônia têm um importante papel na cultura local e os aspectos positivos dessa influência devem ser reforçados e encorajados”
Matança por mot
ivos culturais
Tradição origina até certidões de nascimento com pai boto
vam lesões incomuns, marcas feitas por punhala-das e golpes de arpão. Além disso, nenhuma parte do corpo dos golfinhos foi arrancada. A conclusão é de que os pescadores estão matando os animais para eliminá-los, por temor de que roubem seus peixes e estraguem seus equipamentos de pes-ca. Os golfinhos são vistos como uma ameaça à sobrevivência. “Animais aquáticos como baleias, golfinhos e leões marinhos são frequentemente vistos como indesejáveis competidores na pesca”, explica Carolina Loch em entrevista à BBC.
A pesquisa destaca que crenças culturais e su-perstições também podem ser causas de algumas das mortes. A população local acredita que os botos se transformam em belos homens, para seduzir mo-ças jovens e engravidá-las. Outros dizem que levam as pessoas para um mundo paralelo, abaixo da terra. Os mitos acabam induzindo as matanças, por medo ou para prevenir inesperados casos de gravidez.
“A tradição é tão forte que eu já vi certidões de nascimento com pai boto”, diz Carolina. “Len-das negativas liga“Len-das à gravidez indesejada de mulheres e encantamento de pessoas devem ser respeitados como parte da cultura popular, mas podem ser esclarecidos e atitudes negativas com os animais devem ser desencorajadas”, considera a bióloga. Segundo ela, outra prática comum é a venda dos órgãos reprodutivos e olhos como amu-letos em mercados populares da região.
Laboratório de Mamíferos Aquáticos
Paulo Clóvis Schmitz Jornalista na Agecom
Co-edição da Editora da UFSC e da Tractebel Energia, o livro Reservatório de Itá – Estudos
am-bientais, desenvolvimento de tecnologias de cultivo e conservação da ictiofauna apresenta os resultados
de pesquisas feitas na bacia do Alto Uruguai antes e depois da construção da usina de Itá, no oeste de Santa Catarina, divisa com o Rio Grande do Sul. Quando a obra foi concluída, em 2001, o reserva-tório atingiu dezenas de municípios catarinenses e gaúchos, afetando, além de aglomerações urbanas e propriedades rurais, o meio aquático da região. Foi pensando nas conseqüências ambientais do represamento que o Consórcio Itá, responsável pela obra, apostou em projetos de pesquisa da ictiofauna (conjunto de peixes de uma região ou ambiente) da bacia afetada, incluindo até rios a jusante da usina, até Itapiranga, na fronteira com a Argentina.
Com organização dos professores Evoy Zani-boni-Filho e Alex Pires de Oliveira Nuñer, o livro é aberto com um relato sobre a implantação da usi-na de Itá, a primeira de uma série de hidrelétricas que foram ou estão sendo construídas nos rios da região, cujas potencialidades e características – em vista da inclinação acentuada que apresenta e da topografia encaixada da bacia – atraíram o interesse do setor elétrico brasileiro.
O trabalho de resgate dos peixes aprisiona-dos a jusante da barragem, a partir do início de
Livro para preservar peixes de Itá
Trabalho da Tractebel Energia é tema de obra publicada pela Editora da UFSCseu enchimento, e as alterações espaciais e tem-porais da estrutura da ictiofauna em decorrência da implantação do reservatório de Itá também são abordados no livro. Pontos de coleta foram instalados no Uruguai e em seus tributários (como os rios do Peixe, Jacutinga e Chapecó, em Santa Catarina, e Dourado e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul) e os peixes foram soltos em locais não afetados pelo enchimento da barra-gem. Espécies como dourado, cascudo, lambari, carpa, traíra, mandi, piava e surubi foram objetos de estratégias de captura e transportados com vida para um local adequado do rio.
Mesmo depois do enchimento do reservatório e do início de operação da usina, os trabalhos de monitoramento da comunidade de peixes da região continuaram a ser feitos pela equipe do Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (Lapad) da UFSC.
A síntese dos resultados obtidos durante todo o período de estudos da ictiofauna na área de influência da usina de Itá é apresentada em dez capítulos do livro. Ali, além de temas relacionados às alterações espaciais e temporais da estrutura da comunidade de peixes em decorrência da im-plantação do reservatório, são mostrados aspectos como a biotelemetria dos peixes migradores no Alto Rio Uruguai, a distribuição de ovos e larvas de peixes na região, o desenvolvimento de tecnologias de cultivo para peixes nativos e a conservação genética da ictiofauna da região de Itá.
Embora tenha quase trinta anos de existência e seja considerada pela comunidade universitária uma parte importante da estrutura administrativa e acadêmica de nossa universidade, a Editora da UFSC não é tão bem co-nhecida em sua estrutura e funciona-mento. Há um Regimento da EdUFSC, aprovado pelo Conselho Universitário e que especifica sua estrutura e norma-tiza seu funcionamento. É importante comentarmos parte do conteúdo desse documento, para que a EdUFSC seja conhecida com mais detalhes por nos-sos estudantes e servidores docentes e técnico-administrativos.
O órgão editorial responsável da EdUFSC é o Conselho Editorial, com-posto de no mínimo sete membros e, no máximo, nove. O Conselho Editorial é presidido pelo titular da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC (SeCArte). Seus membros são escolhidos pelo reitor e representam as grandes áreas do sa-ber. O diretor executivo da EdUFSC tem voz nas reuniões do Conselho Editorial, mas não voto. O Conselho Editorial se reúne ordinariamente uma vez por mês, podendo ter reuniões extraordinárias se necessário.
O Conselho Editorial é um órgão co-legiado e, além do que está estipulado pelo Regimento da EdUFSC, funciona segundo as normas vigentes na UFSC para os órgãos colegiados. Dada à natureza dos assuntos tratados pelo Conselho Editorial, suas reuniões não são abertas, e suas decisões são
comu-A Política Editorial da EdUFSC
nicadas aos interessados (por exemplo, autores ou organizadores de originais submetidos, assim como coordenadores de coleções da EdUFSC) por expedien-tes da Direção Executiva da EdUFSC. Assim como no caso dos outros órgãos colegiados da universidade, as decisões do Conselho Editorial são tomadas por maioria simples. A Direção Executiva tem a tarefa de implementar as deci-sões do Conselho Editorial e de cuidar produção editorial das publicações aprovadas por ele.
O Conselho Editorial baseia suas decisões em pareceres, mas não apenas neles. Quando um livro é submetido para avaliação, um ou mais pareceres são solicitados a especialistas (con-sultores ad hoc) ou a membros do
Conselho Editorial. Com base nesses pareceres, e levando em conta também a política editorial e as linhas editoriais da EdUFSC, é que o Conselho Editorial toma suas decisões de aprovar ou não originais para publicação. O Regimen-to da EdUFSC estipula que a auRegimen-toria dos pareceres é sempre mantida em sigilo.
Todos os livros publicados pela EdUFSC devem passar por esse mesmo processo de submissão. Um ou mais pareceres favoráveis a um original constituem condição necessária, mas não suficiente, para que um livro seja publicado. O Conselho Editorial tam-bém é responsável pela formulação da política editorial da EdUFSC, que é a orientação geral do tipo de livro que deve ser publicado por nossa editora.
A EdUFSC publica livros cuja argu-mentação ou linguagem sejam condi-zentes com os valores acadêmicos de liberdade de pesquisa e de expressão, e que contenham exame crítico, pro-fundo e circunstanciado das questões abordadas.
Havendo dúvidas sobre a adequação de um livro a tais valores acadêmicos e editoriais, independentemente do méri-to científico ou literário que a obra possa ter e do interesse que possa suscitar no público leitor, o Conselho Editorial tem sido prudente em suas decisões.
A EdUFSC concentra suas publica-ções hoje em obras de caráter acadê-mico, que veiculem pesquisas de quali-dade, seja dos próprios profissionais da
UFSC, seja de instituições congêneres, obras que possam prestar um servi-ço relevante como instrumentos de pesquisa, ensino e extensão. As obras literárias não estão excluídas. No mo-mento, elas são selecionadas por meio de concursos literários, cuja primeira edição já está divulgada, sendo neste ano para a categoria conto.
As linhas editoriais, por sua vez, também são definidas pelo Conselho Editorial, e procuram contemplar temas que a comunidade acadêmica conside-ra importantes. Elas estão refletidas sobretudo nas coleções que a EdUFSC publica.
Apesar das dificuldades pelas quais passa como editora universitária, não sendo exceção ao que ocorre em geral com as instituições de mesma natureza, a EdUFSC é hoje uma das mais respeita-das e prestigiarespeita-das editoras universitárias do País. Ela alcançou essa reputação não apenas por ter, nos últimos anos, inves-tido na modernização e na qualidade gráfica de seus livros, mas sobretudo por procurar publicar criteriosamente de acordo com os valores acadêmicos e por proceder com respeito às normas universitárias.
Um livro publicado pela EdUFSC pode ser considerado um cartão de visita de nossa universidade porque ele resulta do trabalho editorial dedicado e responsável de diversos profissionais da UFSC e reflete decisões editoriais ponderadas e responsáveis de seu Conselho Editorial.
Arley Reis
Jornalista na Agecom
A mais recente edição do ranking Webometrics posiciona a UFSC como a 134ª melhor universidade do mundo — terceira melhor do Brasil. Doze mil instituições foram avaliadas em relação à sua visibilidade na internet. A notícia foi comemorada na UFSC e estimulou a reflexão sobre as avaliações relacionados ao ensino superior.
“A UFSC não é a terceira melhor uni-versidade do país, nós sabemos disso. Esse é mais um ranking. Mas estar entre as 200 universidades melhor avaliadas no mundo é muito bom”, considera a pró-reitora de Pesquisa e Extensão da UFSC, professora Débora Peres Menezes, em relação ao Webometrics.
Ela lembra que outras instituições fazem rankings internacionais. Entre eles estão o Times Higher Education
Supple-ment e a Shanghai Jiao Tong University.
Na edição 2008 do Times Higher Education
Supplement, publicação especializada em
educação, a USP é a única brasileira entre as 200 melhores universidades do mundo. No ranking divulgado em 2008 pela Shan-ghai Jiao Tong University, a UFSC também não aparece entre as 200 top.
Mas a pró-reitora considera que o fato de não estar nestes levantamentos também deve ser encarado com reservas. Na comunidade acadêmica, rankings recebem críticas por concederem muita importância às publicações em periódicos internacionais e à frequência de citações, deixando em segundo plano o ensino e a extensão. Além disso, lembra, há as ava-liações nacionais, adotadas pelo Ministério da Educação, como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), no caso da graduação, e os conceitos da Capes, na pós-graduação.
Em relação ao Enade, a UFSC tem resultados para comemorar. Alcança notas máximas nas engenharias, Administra-ção, Jornalismo e Secretariado Executivo. Fica também com nota 4 (o Enade tem conceitos de 1 a 5) em arquitetura e urbanismo, biologia, ciências contábeis, direito, enfermagem, medicina, nutrição e odontologia. Assim como tem cursos nota 1, que mostram como também as avaliações nacionais geram informações que devem ser olhadas com cuidado.
“Temos bons alunos, que ganham bol-sas de estudos em importantes instituições internacionais. Fiquei chocada com o resul-tado”, lamenta a pró-reitoria de pesquisa e extensão, professora da área de Física, que ficou com nota 3.
Na graduação, 15ª no país - Um dos indicadores mais recentes adotados pelo Ministério da Educação na avaliação do ensino superior é o IGC (Índice Geral de Cursos) - e ele também permite um ranke-amento das instituições. O IGC atribui no-tas de 1 a 5 às faculdades e universidades, levando em consideração a colocação dos alunos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e outros fatores como o corpo docente e a infraestrutura. Há também uma avaliação in loco.
Na mais recente edição foram avaliadas duas mil universidades, sendo que apenas 21 obtiveram nota máxima. A UFSC ficou com nota 4, assim como na edição anterior. E no ranking organizado a partir dos índices
UFSC no Índice Geral de Cursos
IGC 2008
(Triênio 2006, 2007 e 2008)
Nota 4 – Índice contínuo: 369
Colocação: 1ª em Santa Catarina/15ª no Brasil
IGC 2007:
Nota 4 – Índice contínuo: 373
Colocação: 2ª em Santa Catarina/14ª no Brasil
Ranking coloca
UFSC entre as 200 melhores
universidades
do mundo
A instituição se prepara para seu cinquentenário bem colocada em rankins do ensino superior, mas também alerta para a diversidade das avaliações e desafios do ensino superior
do IGC figura como a melhor instituição de Santa Catarina, 15ª no país.
Mais de 300 instituições ficaram sem conceito porque não houve participação mínima dos alunos de alguns cursos no Enade. Para o Instituto Nacional de Es-tudos e Pesquisas Educacionais (Inep), independente das polêmicas que suscita, o IGC tem a função de orientar o público sobre a qualidade do ensino oferecido em cada instituição.
Na pós-graduação, entre as 20 primeiras - No caso da pós-graduação, os referenciais são os conceitos emitidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A UFSC tem 56 cursos de mestrado e 42 de doutorado, contemplando todos os seus 11 centros de ensino e a grande maioria dos cursos de graduação.
A última avaliação trienal foi realizada em 2007 - e a UFSC ficou entre as 20 instituições melhor colocadas no ranking da pós-graduação. Entre os 50 programas avaliados na época, 75% receberam con-ceito 4 e 5 e 10% ficaram com concon-ceito 6 e 7. As pós-graduações em Direito, En-genharia Elétrica, EnEn-genharia Mecânica e Farmacologia, com conceitos 6, e Química, com conceito 7, representam a UFSC no Programa de Excelência Acadêmica (Pro-ex). Em 2008, incluindo as conceituações emitidas para as novas áreas (agora são 57 programas), a UFSC ficou com um conceito médio de 4,35 – e computando apenas os doutorados, passa a 4,64.
Com centenas de laboratórios ligados a estes programas de pós-graduação (o levantamento desse dado é cada vez mais um desafio), a UFSC tem produzido conhecimento de qualidade em diversas áreas. Essa produção se reflete na publi-cação de artigos em periódicos nacionais e internacionais, um indicador importante para acompanhamento da qualidade aca-dêmica e científica da instituição.
Indicadores em expansão - De acor-do com daacor-dos acor-do Institute for Scientific
In-formation, em 2008 a UFSC chegou a 823
artigos publicados em periódicos interna-cionais (um gráfico crescente mostra que em 2007 foram 681; em 2006 eram 614; em 2005 foram 538 e em 1998 apenas 249). Indicadores desse tipo, relacionados à investigação e à produtividade científica, são os mais valorizados e frequentemente utilizados nos rankings que comparam a qualidade das universidades do mundo. Porém, como os rankings já citados, são também olhados com reservas.
“O ISI só inclui papers, deixa de fora artigos de livros, por exemplo. Além disso, ficam também de fora as humanidades e a extensão”, explica a pró-reitora de pesquisa e extensão da UFSC. Em sua opinião, um grande desafio é desenvolver indicadores que permitam um melhor acompanhamento e valorização das ações que ligam a universidade às comunidades. “Nós temos números da extensão, mas falta criar mecanismos para avaliar melhor sua qualidade”, contextualiza Débora.
O registro das atividades de extensão na UFSC também resulta em um gráfico crescente: em 2004 foram 1.449 projetos e em 2008 estas ações chegaram a 3.016. Ainda que estas ações não pesem em alguns levantamentos, são fundamentais para levar o conhecimento da universida-de para a sociedauniversida-de.
Um dos laboratórios de Engenharia de Controle e Automação: o curso faz parte da lista dos dez da UFSC - junto com Administração, Jornalismo, Secretariado Executivo, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química e Engenharia Sanitária e Ambiental - que receberam nota máxima do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, o Enade
Foto: Carolina Dantas
O Webometrics é uma pesquisa realizada desde 2004 pelo Ministério da Educação da Espanha e publicada duas vezes por ano. O levantamento analisou 17 mil instituições acadêmicas no mundo. Os indicadores consideram especial-mente o conteúdo de cada universidade na internet. Para os organizadores, a presença de uma universidade na web é um indicativo de sua excelência e de seu comprometimento com a disseminação de saber.
1 - Massachusetts Institute of Technology – EUA 2 – Harvard – EUA
3 - Universidade de Stanford – EUA
4 - Universidade Berkeley da Califórnia – EUA 5 - Universidade Cornell – EUA
6 - Universidade Madison de Wisconsin – EUA 7 - Universidade Madison de MInnesota – EUA 8 - Instituto de Tecnologia da Califórnia – EUA 9 - Universidade Urbana Champaign de Illinois – EUA 10 - Universidade de Michigan – EUA
38 - Universidade de São Paulo – Brasil
115 - Universidade Estadual de Campinas – Brasil
134 - Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil
152 - Universidade Federal do Rio Grande do Sul – EUA 196 - Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil 204 - Universidade de Brasília – Brasil
241 - Universidade Federal de Minas Gerais - Brasil
Fernanda Burigo
Bolsista de Jornalismo na Agecom Os graduados do curso de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina conseguiram o terceiro lugar no ranking nacional do exame da Or-dem dos Advogados do Brasil (OAB). Com um percentual de aprovação de 92,1%, a UFSC só ficou atrás da
Ranking coloca
UFSC entre as 200 melhores
universidades
do mundo
Laboratório de Botânica do curso de Biologia; assim como Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Direito, Psicologia, Enfermagem, Medicina, Nutrição, Odontologia, Arquitetura e Urbanismo, Ciências da Computação, Engenharia de Materiais, Engenharia de Produção, Química e Sistemas de Informação, o curso alcançou nota 4 no Enade
A UFSC no Enade
Ano
Nome do Curso
Conceito
2006
Administração
5
2006
Biblioteconomia
3
2006
Ciências Contábeis
4
2006
Ciências Econômicas
2
2006
Design
2
2006
Direito
4
2006
Jornalismo
5
2006
Psicologia
4
2006
Secretariado Executivo
5
2007
Educação Física
1
2007
Enfermagem
4
2007
Farmácia
3
2007
Medicina
4
2007
Nutrição
4
2007
Odontologia
4
2007
Agronomia
2
2007
Serviço Social
1
2008
Arquitetura e Urbanismo
4
2008
Biologia
4
2008
Ciências da Computação
4
2008
Ciências Sociais
1
2008
Engenharia Civil
5
2008
Engenharia de Controle e Automação
5
2008
Engenharia de Alimentos
5
2008
Engenharia de Materiais
4
2008
Engenharia de Produção
4
2008
Engenharia Elétrica
5
2008
Engenharia Mecânica
5
2008
Engenharia Química
5
2008
Engenharia Sanitária e Ambiental
5
2008
Filosofia
3
2008
Geografia
3
2008
História
2
2008
Letras
3
2008
Matemática
3
2008
Pedagogia
2
2008
Química
4
2008
Sistema de Informação
4
Curso de Direito fica em terceiro
lugar nacional no exame da OAB
Universidade de Brasília (UnB), com 97,2%, e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com 95,2%. “Como todo resultado positivo, isso nos pro-porcionou uma grande satisfação por trabalharmos em uma instituição de excelência”, afirmou a coordenadora do curso na UFSC, Josiane Rose Petry Veronese.
Segundo a coordenadora, o ín-dice elevado de aprovação se deve
a um “excelente corpo docente, constituído em sua grande maioria por doutores, e de igual modo a um corpo discente de alta qualidade”. Além disso, diz ela, a matriz curri-cular é periodicamente atualizada, “sempre respeitando a característica fundamental do nosso curso que é a formação humanística”. O Curso de Direito da UFSC tem a duração de dez fases e recebe 180 novos
estu-dantes por ano. A aprovação no exame é requisito obrigatório para o exercício da profissão de advogado. Informa-ções: www.oab. org.br/examede-Ordem
Ranking Webometrics / julho 2009
Foto: Carolina Dantas
Foto: sx
c.hu
Quais são as suas leituras atuais? Entre as muitas leituras que sempre desenvolvo, simultaneamente, faço destaque, hoje, para o último romance de Salim Miguel – Jornada com Rupert. Talvez não seja o melhor dos romances por ele escritos, porém, como ele mes-mo observa, decidiu não tratar dos seus “turcos”, mas retomar um projeto há sessenta anos engavetado e falar dos “alemães”, com quem conviveu – em São Pedro de Alcântara e em Racha-del/Antônio Carlos – no período ainda da infância e adolescência no Brasil. O autor, entretanto, focaliza os alemães de Blumenau, destacando o “rebelde sonhador” Rupert, sobretudo na década de 1940, e não os da região aludida. O romance denuncia forte influência da linguagem cinematográfica, bem como muito adequados fluxos de pensamento e de sensações. Tenha-se, sempre, pre-sente que a narrativa é conduzida por Salim Miguel, de modo que os alemães são vistos por ele, que não deixa de assinalar um contraponto entre o Dr. Blumenau capitalista e o Dr. Fritz Müller Artemio Reinaldo de Souza
Jornalista na Agecom
A edição de agosto do Círculo de Lei-tura de Florianópolis trouxe como convi-dado o escritor Lauro Junkes, membro da Academia Catarinense de Letras e profes-sor titular aposentado da UFSC, que falou de suas leituras e autores prediletos. Numa entrevista ao JU, Junkes analisou as causas que provocam a diminuição da leitura, lembrou que nosso mais grave problema é o da “circulação do livro” e enfatizou que Santa Catarina, há algu-mas décadas, não precisa mais amargar nenhum complexo de inferioridade em relação à produção literária.
Lauro Junkes foi o convidado da 45ª edição do Círculo de Leitura de Florianó-polis, realizada no miniauditório Harry Laus da Biblioteca Universitária da UFSC. Como é de praxe, a exemplo dos con-vidados anteriores, Junkes, que possui graduação em Letras e em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina,
mestrado em Literatura também pela UFSC e doutorado em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1993), falou de suas primeiras leituras, dos livros e artigos publicados e de autores prediletos.
Professor titular da UFSC até 2005, quando se aposentou, continua como vo-luntário na pós-graduação em Literatura. Pesquisador da área de Letras, com ênfase em Literatura Catarinense, atua princi-palmente nos campos da poesia, história e crítica literária. Desde 2002 integra o Conselho Estadual de Cultura do Estado de Santa Catarina e é o atual presidente da Academia Catarinense de Letras.
É autor, entre outros livros, de Roteiro
da Poesia Brasileira, - Simbolismo; Tra-vessias; A Literatura de Santa Catarina – Síntese Informativa; O mito e o rito – uma leitura de autores catarinenses; O
faro da raposa e O leão faminto.
Criado pelo ex-diretor da EdUFSC, o poeta Alcides Buss, o Círculo de Leitura de Florianópolis é um projeto que permite ao convidado e aos presentes discuti-rem informalmente sobre os livros que estejam lendo, as leituras do passado e as influências de outros autores sobre o seu trabalho. Escritores e jornalistas como Isabel Orofino - que participou da edição de setembro - Salim Miguel, Oldemar Olsen Jr., Fábio Brüggemann, Inês Mafra, Mário Pereira, Maicon Tenfen,
Cleber Teixeira, Dennis Radünz, Rubens da Cunha, Renato Tapado, Raimundo Ca-ruso, Nei Duclós, Marco Vasques, Zahidé Muzart, João Carlos Mosimann, Mário Prata e Flávio José Cardozo foram alguns dos participantes das etapas anteriores do projeto.
A 46ª edição terá como convidado especial o jornalista Dorva Rezende, editor de Cultura do DC.
“A palavra essencial sera entusiasmo”
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socialista; é o Salim, leitor de Machado de Assis, que também vai concluindo com um capítulo de negativas: “Não tem amigos. Não considera os parentes. Não deixou ninguém para trás”; é o Salim catarinense que, na personagem Ilze, insinua o retrato de Lausimar Laus, au-tora de uma trilogia romanesca sobre os alemães no Vale do Itajaí, introduzindo através desta a poetisa Maura de Senna Pereira; é o Salim sempre envolvido com a memória que, com o protagonista, vai “buscando se desembaraçar do passado que não quer desprender-se dele”, em troca do ”rumo a um incerto futuro”. Como poderíamos melhorar o índice de leitura em SC e no País?
Esta não é pergunta para responder em poucas palavras. São múltiplas as causas que provocam a diminuição da leitura, so-bretudo entre jovens. Contento-me, aqui, com focalizar um aspecto apenas: a leitura nas escolas. Se nossos professores não estiverem preparados e entusiasmados, se não transmitirem aos alunos boa iniciação à leitura, entusiasmo e motivações para a
mesma, abrindo a eles a viagem pelo imaginário, se não fizerem as crian-ças e adolescentes lerem livros bem escolhidos e orientados, e nunca por simples obrigação, o futuro dos leitores se projetará cada vez mais negro. E as indicações devem res-peitar as faixas etárias, as regiões, o contexto social de cada escola e seus alunos. A palavra essencial será “entusiasmo”.
Fale sobre o momento vivido pela literatura catarinense.
Santa Catarina, há algumas décadas, não precisa amargar nenhum complexo de inferioridade em relação à produção literária: poesia, romance, conto, crônica... oferecem ótimos textos para qualquer leitor. Nosso mais grave
problema é o da “circulação do livro”, pois continuamos formando pequenas ilhas cul-turais cercadas de desconhecimento pelas demais. Talvez seja essa uma das razões pelas quais leitores e escolas prefiram escritores de outros estados, best-sellers
de fórmulas mágicas, literatura traduzida projetada pela mídia. Será, outrossim, necessário tomar consciência de uma ameaça: não estará a classe dos escritores quase superando aquela dos leitores???