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A eficácia das medidas socio-educativas

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GRANDE DO SUL

SAMANTA GAVIN ZAKSZESKI

A EFICÁCIA DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

Ijuí (RS) 2015

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SAMANTA GAVIN ZAKSZESKI

A EFICÁCIA DAS MEDIDAS SOCIO-EDUCATIVAS

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso - TC.

UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DEJ- Departamento de Estudos Jurídicos.

Orientadora: MSc. Eliete Vanessa Schneider

Ijuí (RS) 2015

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Dedico este trabalho à minha família, pelo incentivo, apoio e confiança em mim

depositados durante toda a minha

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AGRADECIMENTOS

A Deus por me mostrar e provar o quanto a caminhada que temos tem um propósito e diariamente me surpreender pelas suas maravilhas em minha vida.

A minha família, que sempre esteve presente e me incentivou com apoio e confiança, e, em especial ao meu pai por todo o zelo sempre depositado em mim e no esforço no oferecimento desmedido de todos os recursos possíveis para a minha formação acadêmica.

À minha orientadora Eliete Schneider, por me conceder o privilégio de conviver e contar com sua dedicação e disponibilidade, me guiando pelos caminhos do conhecimento.

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. (À de Saint-Exupèry)

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O presente trabalho de conclusão de curso faz uma análise da eficácia das medidas socioeducativas aplicadas ao jovem infrator, criticamente fazendo o paralelo entre as infrações cometidas e o alcance que essas medidas de ressocialização podem perfectibilizar na sua forma pretendida. Reflete-se sobre a Teoria da Proteção Integral e a Constituição Federal. Com a utilização da pesquisa doutrinária pode-se observar a evolução histórica do direito da criança e do adolescente na sociedade em que vivemos, bem como na legislação brasileira. Objetiva-se ao compreender o significado de criança e adolescente perante a legislação especificamente presente no Estatuto da Criança e do Adolescente para analisar as medidas pertinentes e destinadas a eles. Ao modo de compreender o conceito e especificações de cada medida na sua aplicabilidade ao caso concreto do menor infrator, bem como destacando à existência forte e protetora dos direitos fundamentais desta clientela. Tratou a pesquisa em entender os motivos reais e existentes que podem ensejar a contribuição para os atos infracionais, o trabalho aprofunda-se acerca da eficiência das medidas socioeducativas com a finalidade de obter melhores maneiras para reeducar o menor infrator com diretrizes mais promissoras e efetivas para o seu tratamento.

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This course conclusion work analyzes the effectiveness of educational measures applied to young offenders, critically making the parallel between the offenses committed and the extent that these rehabilitation measures may be perfectibilizar in the manner intended. Reflected on the Theory of Integral Protection and the Federal Constitution. With the use of doctrinal research can observe the historical evolution of child and adolescent rights in the society we live in, as well as in Brazilian legislation. The purpose is to understand the meaning of child and adolescent under the laws specifically present in the Child and Adolescent to analyze the relevant measures and intended for them. In order to understand the concept and specifications for each measure in its applicability to this case of the juvenile offender and together highlighting the strong existence and protective of fundamental rights of this clientele. This was the research to understand the real and existing reasons that could lead to the contribution to the illegal acts. Finally also the work deepens about the effectiveness of educational measures in order to obtain the best ways to re-educate the child offender.

Keywords: Young offenders. Resocialization. Theory of Integral Protection. Protection measures. Children and Youth Justice System.

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INTRODUÇÃO ... 8

1 ESBOÇO HISTÓRICO E CONCEITUAL ... 10

1.1 Teoria da Proteção Integral ... 11

1.2 O Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/90 ... 13

1.2.1 Medidas protetivas e socioeducativas ... 15

1.2.2 Definição de Criança e Adolescente ... 17

1.2.3 Da prática de ato infracional ... 18

1.2.4 Possíveis fatores de risco para a formação de um adolescente em conflito com a lei ... 21

1.2.5 Ato Infracional praticado por criança ... 22

1.2.6 Do ato infracional praticado por adolescente ... 23

1.2.7 Inimputabilidade penal ... 24

2 MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS E SUA EFICÁCIA ... 26

2.1 Disposições Gerais ... 26

2.2 Da advertência ... 26

2.3 Da obrigação em reparar o dano ... 28

2.4 Da Prestação de Serviços à Comunidade ... 30

2.5 Da Liberdade Assistida ... 31

2.6 Do Regime de Semiliberdade ... 33

2.7 Da internação ... 34

CONCLUSÃO ... 38

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INTRODUÇÃO

Nos últimos anos verificou-se uma enorme crescente taxa de violência em nosso país. Essa atual situação vem atingindo principalmente as cometidas por menores, digam-se, crianças e adolescentes, por várias diretrizes motivadoras como contexto familiar, moral, social e pedagógico.

Sendo assim, o presente trabalho objetiva analisar os fatores ensejadores para a concretização do ato infracional, bem como demonstrar se as medidas socioeducativas aplicadas a esses adolescentes infratores estão em conformidade com a sua finalidade de recuperação do infante.

Para a realização deste trabalho foram efetuadas pesquisas bibliográficas e por meio eletrônico. As diversas fontes para esse trabalho buscaram o enriquecimento na coleta de informações para aprofundar o estudo e poder então, indicar perspectivas acerca de uma possível solução para o difícil contexto social que esses jovens vivem.

Inicialmente, no primeiro capítulo, com o uso da pesquisa doutrinária foi feita uma abordagem sobre a evolução do direito da criança e do adolescente perante o ordenamento jurídico brasileiro. Realizada análise sob a ótica constitucional em relação aos jovens infratores os direitos e garantias fundamentais presentes, bem como a presença da Teoria da Proteção Integral, não deixando de abordar o essencial conceito especializado de criança e adolescente.

Imperiosa se fez a análise mais profunda da prática do ato infracional, na distinção entre os cometidos por crianças e por adolescentes, por existir certas

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particularidades abordadas no código de menores como a idade e a responsabilização criminal. Serão abordados de forma mais profunda os fatores que levam ao cometimento dos atos infracionais a fim de esclarecer a causa dessa violência que ocorre entre os menores e de como a inimputabilidade penal os atinge na forma de excludente de culpabilidade na aplicação da lei.

No segundo capítulo, o destaque é concentrado na definição das medidas socioeducativas e sob a análise doutrinária dos operadores do direito, a observação acerca dos procedimentos utilizados aos casos concretos com relação com o grau de eficiência que cada medida aplicada em sua execução busca atingir.

Por todo o exposto, de forma ideológica buscou-se compreender se haveriam alternativas e quais seriam para a reeducação e ressocialização ao ambiente social dos adolescentes infratores. Desta maneira, trataremos também que a melhor forma para evitar o caos dos menores é a prevenção do que a punição, em busca da paz social e de um futuro melhor para as nossas crianças.

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1 ESBOÇO HISTÓRICO E CONCEITUAL

O Código que regulava as normas dos menores, anterior ao Estatuto da Criança e do Adolescente, tinha uma espécie de pena, sanção, ou em outras palavras, objetivava a punição das ações contrárias às leis pelas quais crianças e adolescentes infringiam. As medidas de proteção que supostamente existiam, eram apenas uma forma de mascarar a realidade punitiva. Não se inseriam nesse contexto os direitos e necessidade de apoio às famílias.

Houve, contudo, a criação da Lei 8069/90, sendo o novo regimento, chamado de Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual elenca direitos e principalmente a Teoria da Proteção Integral. Fundamentalmente levou-se em conta que os menores, por se tratarem de pessoas especiais, que estão em seu pleno gozo desenvolvimento e crescimento de sua personalidade, necessitam de tratamento diferenciado, para tanto, objetiva-se com essa lei a seguridade dos direitos fundamentais e essenciais da criança e do adolescente. Faz-se necessário nessa esfera da vida, uma proteção integral e diferenciada.

Conforme Wilson Donizeti Liberati (1995, p. 14):

A nova teoria, baseada na total proteção dos direitos infanto-juvenis, tem seu alicerce jurídico e social na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, no dia 20 de novembro de 1989. O Brasil adotou o texto, em sua totalidade, pelo Dec. 99.710, de 2.11.90, após ser retificado pelo Congresso Nacional (Dec. Legislativo 28, de 14.9.90)

Dessa forma, passou nesse momento a existir um rol de várias possibilidades do Estado intervir arbitrariamente na vida de crianças de jovens. Esse novo Estatuto faz referência pura e exclusivamente à população jovem e menor do país, pessoas mais fragilizadas e possuidoras de necessidades maiores.

Houve, nesse sentido, grandes mudanças na política de atendimento aos menores com a criação de instrumentos que possam viabilizar não tão somente o atendimento, como também, a garantia dos direitos assegurados às crianças e adolescentes.

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Fronteiro a este fator, segundo Bitencourt (2009, p. 40):

O ECA criou os Conselhos de direitos em âmbito nacional, estadual e municipal que passam a ser o canal de participação e envolvimento conjunto do Estado e da Sociedade na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, e os Conselhos Tutelares que atuam no caso de violação dos direitos individuais das crianças e adolescentes, que se encontram em situação de risco.

Portanto, o Estatuto visa à participação da sociedade em geral para agir de maneira participativa juntamente com o Estado e seus organismos na elaboração de politicas de atendimento a essas crianças e adolescentes que passaram a ser vistos como “sujeito de direitos” com prioridade absoluta sendo de inteira responsabilidade de todos, incluindo a família, a sociedade civil e o Estado.

1.1 Teoria da Proteção Integral

A Teoria da Proteção Integral veio para abolir o Código de Menores assim visto como uma doutrina irregular, alvo de diversas críticas inclusive internacionais.

Conforme Josiane Veronese; Custódio (2011, p. 26)

“[...] caracterizou-se pela imposição de um modelo que submetia a criança à condição de incapaz, que vigorava uma prática não participativa, autoritária e repressiva representada pela centralização das políticas públicas. Havia controle por parte de um Poder Judiciário onipotente e assessorado pelas práticas policiais mais violentas, no qual a institucionalização era a regra para o menino e a menina, simplesmente porque eram pobres e destituídos das condições básicas de exercer seus poderes políticos e ter uma vida digna como deveria ser o direito de toda criança”.

Essa doutrina irregular se extinguiu e deu origem a doutrina da proteção integral.

De acordo com Meneses (2008, p. 59), a respeito:

A caminhada histórica rumo à doutrina de proteção integral avança no cenário internacional, já em um sistema de garantias que se afasta do informalismo até então existente, do que decorria a subjetividade do Juiz

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para aplicação de penas. Não obstante, em 1959, já fossem reconhecidos direitos ao público infanto-juvenil, pode-se apontar a Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989, documento internacional com regras imperativas aos países signatários, entre eles o Brasil, como a consolidação da Doutrina da Proteção Integral à Criança.

Diversas legislações foram colocadas no Brasil com o objetivo de diminuir ou impedir o crescimento da criminalidade do menor, mas, por sua vez, todas se mostraram sem atingir a finalidade pretendida. No entanto, de certa forma contribuiram para o avanço da legislação para os dias atuais.

A Teoria da Proteção Integral foi elaborada tendo em vista que crianças e adolescentes possuem direitos e deveres como qualquer sujeito de direito, mas, contudo, por encontrar-se em uma dada fase humana peculiar que é idade inferior a 18 anos, momento onde a construção psicológica de sua vida, corpo e personalidade está ocorrendo, em outras palavras, constitui-se um período de formação pessoal, aprimoramento, momento o qual necessita de maior apoio principalmente educacional, pois isso refletirá completamente no seu futuro em sociedade.

Tendo em vista que as crianças e os adolescentes podem ser vistos como um reflexo da sociedade em que vivemos, os desvios de conduta e atos infracionais que eles cometem, faz-se necessária a intervenção Estatal e familiar para dar zelo e primor pela ordem social.

A Constituição, em seu artigo 227, dispõe da seguinte forma:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Esse dispositivo reconhece primordialmente em todos os aspectos da vida dos menores, a Teoria da Proteção Integral, demonstrando a prioridade que assumem a sociedade, a família e o Estado para com os menores.

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Visto, portanto, que crianças e adolescentes são sujeitos de direito e não meros objetos, e que diante disso devem ser alvos de educação e de desfrutar de seus direitos especiais conferidos. Para isso, vê-se principalmente a ideia de educa-los, por se tratar de um direito constitucional.

A teoria não vem com o intuito de conter as medidas usadas contras os adolescentes que venham cometer atos contrários à lei mas sim de protege-los diante de medidas que não irão cumprir com a finalidade educacional e ressocializadora que eles necessitam.

Conforme Mario Luiz Ramidoff (2011, p. 23):

“(...) deve oferecer condições mínimas de possibilidade para uma resposta diferenciada e adequada à construção de um projeto de vida responsável pelo qual se comprometa o jovem. E isso pode muito bem se dar através da educação nos valores humanos, e, não por meio de punição.”

Verifica-se, portanto, que as medidas socioeducativas podem e devem revelar-se de maneira diferenciada, logo, pessoas especiais são tratadas com leis especiais, para que atinja o fim que se deseja, a lei necessita ser direcionada para o tipo de pessoa não divergente ao fim que ela almeja.

A doutrina da proteção integral visa assegurar não só sua efetividade no mundo jurídico como também, sua efetividade perante a sociedade.

1.2 O Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/90

Inicialmente, cabe ressaltar que de modo geral, os direitos fundamentais são os direitos indispensáveis para a existência do ser humano. Estão presentes na Constituição Federal em diversos artigos, dentre os quais os artigos 5º, caput, 6º, caput, 197 e 227, §1º, e também 5º, XLI.

Os direitos fundamentais também estão positivados no Estatuto da Criança e do Adolescente que são: o direito à vida e à saúde, direito à liberdade, ao respeito e

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à dignidade, direito à convivência familiar e comunitária, direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer, direito à profissionalização e à proteção ao trabalho.

De acordo com o art. 3º do ECA:

A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA veio juntamente com a Doutrina da Proteção Integral às leis brasileiras revogando o antigo Código do Menor de 1979 e o FUNABEM reconhecendo, portanto, a criança e o adolescente como sujeitos portadores de direitos.

Com dispositivos presentes na Constituição Federal que visam à proteção aos direitos do menor, o ECA veio como lei complementar a fim de regular esses dispositivos já presentes na Carta Magna.

De acordo com Meneses (2008, p. 61):

Estabeleceu o Estatuto da Criança e do Adolescente três sistemas de garantias. O sistema primário, que diz com as políticas públicas, de atendimento à criança e ao adolescente; o sistema secundário, que se relaciona à proteção; e o sistema terciário, onde se encontram as medidas socioeducativas, decorrentes da prática do ato infracional. A partir do Estatuto, crianças e adolescentes brasileiros, sem distinção de raça, cor ou classe social, passaram a ser reconhecidos como sujeitos de direitos e deveres, considerados como pessoas em desenvolvimento a quem se deve prioridade absoluta do Estado.

E como também ressalta Saraiva (2012, p.24):

Na Doutrina da Proteção Integral dos Direitos, as crianças passam a ser definidas de maneira afirmativa, como sujeitos plenos de diretos. Já não se trata de “menores”, incapazes, meias-pessoas ou incompletas, senão de pessoas cuja única particularidade é a de estar em desenvolvimento. Por isso lhes reconhecem todos os diretos que têm os adultos mais diretos específicos por reconhecer-se essa circunstância evolutiva.

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O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece normais de direitos e deveres dos menores, bem como a sua proteção e reeducação até os 18 anos dos menores.

Nesta seara, o Magistrado deverá assegurar os direitos e garantias fundamentais conferidos aos menores e ao Ministério Público a sua fiscalização interventiva.

As imposições desta lei tem caráter educacional e protecionista divididos em dois aspectos: as medidas protetivas e as socioeducativas

1.2.1 Medidas protetivas e socioeducativas

As medidas protetivas encontram-se pormenorizadas no art. 101 do ECA e são destinadas às crianças menores de 12 anos. Conforme explica o art. 98 do ECA, ao verificar ameaça ao direitos da criança e do adolescente por ação ou omissão da sociedade ou do Estado, por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável ou em razão da conduta do menor, serão aplicadas as medidas do art. 101 do ECA que são seus seguintes incisos:

I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;

II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;

III - matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de ensino fundamental;

IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;

V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;

VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;

VII - acolhimento institucional;

VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; IX - colocação em família substituta.

Frise-se que para estes menores, as medias buscam proteger a criança possibilitando um acompanhamento na base familiar para a garantia de seu desenvolvimento sadio.

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Analisando o conceito de medida socioeducativa por Wilson Donizeti (2003, p. 03):

[...] é a manifestação do Estado, em resposta ao ato infracional, praticado por menores de 18 anos, de natureza jurídica impositiva, sancionatória e retributiva, cuja aplicação objetiva inibir a reincidência, desenvolvida com finalidade pedagógico-educativa.

Para os maiores de 12 anos e até os 18 anos incompletos sujeitam-se a essas medidas socioeducativas que estão disciplinadas no art. 112 do ECA. As medidas podem ser através de uma advertência, obrigação na reparação do dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, inserção em regime de semi-liberdade, internação em estabelecimento educacional e nas possibilidades previstas no art. 101, I a VI do ECA.

Importante ressaltar os parágrafos seguintes do referido art. 112:

§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.

§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado.

§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas

condições.

Verifica-se que as medidas serão adaptadas ao menor infrator levando em conta a sua peculiaridade de vida e com a observância de seus direitos.

Assim, de acordo com o entendimento de Cury (2003, p. 377):

Ao tempo em que se absorveu o princípio da doutrina da proteção integral, o legislador do Estatuto fez por reconhecer, automática e acertadamente, que a maneira mais eficaz e justa de se prevenir a criminalidade em questão consiste no superar a situação de marginalidade experimentada hoje pela maioria dos adolescentes brasileiros.

Portanto, tais medidas buscam respostas aos atos praticados, e no menor infrator, essas medidas socioeducativas objetivam interferir no processo de evolução de sua educação e de seu desenvolvimento para que através delas o menor possa ter uma nova percepção da realidade e uma reintegração na sociedade.

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1.2.2 Definição de Criança e Adolescente

Segundo o art. 2ºda Lei 8.069/90 temos que se considera criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até 12 (doze) anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de idade.

Conceituar criança e adolescente, bem como verificar suas diferenças é de suma importância, tendo em vista que a aplicação da lei para cada um deles leva em conta sua idade. Para as crianças as medidas utilizadas são medidas de proteção, e aos adolescentes as medidas direcionadas são as medidas sócio-educativas.

Diante disso, podemos afirmar que o Estatuto só é conferido aos menores de 18 anos. Para tanto, há casos onde existem exceções na aplicabilidade do Estatuto como em jovens de 18 a 21 anos de idade, conforme ilustra o art. 2 parágrafo único, nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

O critério cronológico é levado em conta por serem menores, mas estarem em estágios e circunstâncias diferentes de vida.

Saraiva (2006, p. 18), a respeito:

Pelo novo ideário norteador do sistema, todos aqueles com menos de 18 anos, independentemente de sua condição social, econômica ou familiar, são crianças (até doze anos incompletos) ou adolescentes (até 18 anos incompletos), nos termos do art. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente, e passam a ostentar a condição de sujeitos de direitos, trazendo no bojo dessa conceituação a superação do paradigma da incapacidade para serem reconhecidos como sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento (art. 6º do Estatuto da Criança e do Adolescente). Oportuno lembrar que a implementação da idade se dá a zero hora do dia do correspondente nascimento, de modo que uma criança se faz adolescente a zero do dia em que completará doze anos.

Ressalta-se que antigamente no Código de 1979, o Código de Menor, a nomenclatura para a diferenciação entre criança e adolescente se dava que a

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designação “menor” era referente aos adolescentes infratores e o termo “criança” era para somente para as crianças que não eram infratoras.

Diante dessa diferenciação é possível dar o atendimento devido e exclusivo a cada menor infrator de acordo com a sua situação peculiar de sua vida e idade. O ato infracional que o menor comete diz muito a respeito da situação problemática em que ele presencia, do que busca e de sua capacidade educacional de discernimento entre um ato permissivo e um ato lesivo à lei e aos bons costumes. Com isso verifica-se que a sua faixa etária é fator de suma importância para identificar o melhor tratamento que o menor necessita.

1.2.3 Da prática de ato infracional

Difícil de imaginar o que leva um adolescente e até mesmo uma criança ingressar na criminalidade. Os motivos são inúmeros, alguns jamais conhecidos. Conhecendo a “nascente” da problemática fica possível o entendimento e a busca por soluções viáveis.

O meio social onde vive o adolescente é o que dita a sua vida, sua existência e a sua problemática também. Nem sempre a situação financeira é a que condiz. O meio social do adolescente infrator pode ser rico, mas com uma família ausente, e em contrapartida, o meio social pode ser pobre de um adolescente normal e responsável, mas com uma família presente e amorosa que o educa da melhor forma, vindo assim, a não delinquir.

Então podemos dizer que a família é a causadora do problema? Não, a família é apenas mais um fator, como o meio social, como os amigos, a escola, e como também, o desvio moral, incumbido na personalidade do agente.

A dificuldade financeira é um fator, mas um outro de extrema importância é a funcionalidade do Estado que deixa a desejar aos adolescentes de baixa renda e desprivilegiados com um baixo investimento ou mesmo que alto, mas precário na

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saúde, educação, assistência social e outros. Uma vida permeada de dificuldades e de falta de perspectivas muitos perdem as esperanças e se voltam para a vida do crime.

A vida do crime pode trazer benefícios fáceis e rápidos que de outra maneira não conseguiriam tendo em vista sua atual situação. Claro que não podemos generalizar porque muitos não querem crescer de outra forma na vida, mas muitos e milhões destes adolescentes gostariam que tudo fosse diferente.

A luta contra o abandono, a violência que sofrem, e a luta pela sobrevivência são fatores importantes para se levar em conta, pois nem sempre será um desvio moral.

Esclarece Souza (2003, p.46):

Logicamente, não se pode vincular delinqüência ao fator pobreza exclusivamente, de outra maneira, é necessário retirar este “rótulo” de criminoso em decorrência de sua condição social, porém não podemos “fechar os olhos” ao fato de que para alguns indivíduos as condições reais de vida se apresentam tão difíceis e insuperáveis pelos méis legais e legítimos, ao seu ponto de vista, que acabam por impulsionar à prática de condutas delituosas (especialmente tratando-se de adolescentes).

Em se tratando de fatores contributivos, nada deve ser generalizado. Nem sempre são os adolescentes pobres e com pouca educação que cometem atos infracionais. Adolescentes de classes mais altas onde não existe falta de oportunidade, nem falta de uma assistência familiar, e nem sofrem de discriminação social, mas que há fatores psico-afetivos e morais que podem ensejar a fomentação da prática infracional.

De extrema importância é a citação de Luiz Angelo Dourado (1969, p. 114):

Quando se estabelece firme e duradouro laço entre pais, o desenvolvimento psicológico do filho se efetuará bem, seu superego será normal e a criança tornar-se-á um individuo moral e socialmente independente. Mas, se os pais, principalmente as mães se satisfazerem em permanecer como personagens alheios e impessoais ou agem de forma que seja impossível uma inclinação permanente filhos-pais, a educação dos filhos será um fracasso, o desenvolvimento do caráter far-se-á mal, a adaptação social poderá ser superficial e o futuro da criança correrá o risco de ficar exposto a todos os perigos possíveis de um desenvolvimento anti-social.

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Como se extrai da citação supra, a família, os pais, os laços afetivos são ingredientes fundamentais para a criação da personalidade e da conduta moral do adolescente. Em certos casos pais não possuem o suficiente para repassar aos seus filhos. Essa deficiência precisa ser sanada para garantir as gerações futuras e por isso também é que o ECA atinge não só o adolescente, mas a família no geral.

Fundamental entender que o autor de algum ato infracional, estará sujeito a medidas sócio-educativas como também protetivas. Conforme explicitado no item anterior, as medidas se diferem dependendo da natureza pessoal em que se encontra o infante. Resta, portanto, a definição de ato infracional que está conceituado no artigo 103 do ECA em que considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.

Entende-se que a conduta de uma criança ou adolescente que for contra as leis, ou pratica uma conduta típica criminal, nesta esfera não recebe a denominação de crime, e sim, de ato infracional. Essa denominação que menores recebem pelo cometimento de atos contrários à lei, vem do fato de que não podem ser penalmente igualados aos imputáveis maiores de 18 anos, tendo em vista que se tratam de seres em desenvolvimento estando em uma condição peculiar e especial onde o discernimento total e o seu agir não estão maduros o suficientes para determinados atos, tão pouco para serem penalizados.

Como Bandeira (p.28, 2006) lapida em sua obra:

O nomem juris “ato infracional” não pode ser considerado por alguns – que não conseguem vislumbrar o adolescente como um sujeito de direito em formação – como eufemismo em relação ao crime, pois se ontológica e objetivamente as condutas são semelhantes, subjetivamente há uma diferença abismal, porquanto o adolescente, biologicamente, não possui o discernimento ético para entender o caráter criminoso do fato ou determinar-se de acordo com esdeterminar-se entendimento, ou determinar-seja, não tem a imputabilidade necessária para “cometer crimes”, mas sim atos infracionais que reclamem a aplicação de medidas socioeducativas que, pedagogicamente, sejam capazes de evitar que, após a maioridade penal, se torne um “delinquente”.

Nesse sentido, Liberati (2006, p. 62) leciona que se o ato praticado por crianças e adolescentes estiver adequado ao tipo penal, então terão praticado um

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ato descrito como crime ou contravenção penal ou, como preferiu o Estatuto, um ato infracional.

Com isso, compreende-se que se a criança ou adolescente cometer uma conduta ilícita, estaremos diante de um ato- infracional.

1.2.4 Possíveis fatores de risco para a formação de um adolescente em conflito com a lei

Para conseguir ressocializar um menor infrator, para poder lhe fornecer a medida certa e cabível, deve-se buscar a fonte de sua ação, o motivo, a provocação que o levou a cometer um ato infracional. Entender que o menor é um ser especial e em desenvolvimento com necessidades de tratamentos especais já foi um grande avanço para a nossa legislação reconhecendo-o como sujeito de direitos.

Entender que a situação de vida que o menor convive pode ser a responsável pelo cometimento de um ato infracional, é um desafio, mas de suma importância para poder superar a situação atual a qual encontram-se. Há vários fatores que ensejam o adolescente a prática de delitos, como o meio social, ambiente familiar, drogas e segundo Costa (2004):

A desigualdade social e de oportunidades, a falta de expectativas sociais, a desestruturação das instituições públicas e as facilidades oriundas do crime organizado. Todas essas causas não podem ser encaradas de forma deterministas, não considerando a participação ativa dos sujeitos envolvidos e suas vontades. No entanto, esses fatores contribuem para a ocorrência de delinqüência e estão relacionado à observação da maior ou menor incidência de violência em grupos sociais, que vivem em determinadas circunstâncias sociais”. (COSTA, 2004, p.76)

O contexto social no qual o adolescente está inserido é precário, ele não consegue responder as reais necessidades e expectativas. Por isso, muitas vezes o jovem busca na criminalidade a resposta para a superação da sua realidade.

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Não importa a classe social do adolescente, mas sim o vínculo social determinado pelo envolvimento e empenho que ele tem com as diferentes instituições sociais. Quanto mais débil for a ligação com genitores, escola, amigos, vizinhos, menos o sujeito acreditará no valor convencional da lei e maior será a possibilidade de vir a delinquir.

Com isso, percebe-se que crianças e adolescentes com lares desestruturados, em meio a violência, alcoolismo e circulação de drogas, e baixa escolaridade, são mais suscetíveis a criminalidade. Em alguns casos o envolvimento criminal oriunda da falta de projetos e incentivos para a vida que por isso, muitas vezes desencadeiam ganhos concretos na ilicitude.

1.2.5 Ato Infracional praticado por criança

Como já explanado neste presente trabalho, os atos infracionais cometidos por crianças, são elas até seus 12 anos, dignos de medidas de proteção e não medidas socioeducativas.

Cabe ao Conselho Tutelar aplicar as medidas de proteção à criança elencadas no artigo 101 de incisos I a VI do ECA. Essa competência que não é jurisdicional dada ao Conselho Tutelar foi alvo de muitas críticas, se não, vejamos conforme explica Maria de Fátima Carrada Firmo:

Entretanto, quanto ao fato de ter o ECA retirado do Poder Judiciário a competência para a apreciação dos atos infracionais praticados por criança, é óbvio que se trata de medida inconstitucional, pois afronta o art. 5º , XXXV, da CF/88. Além do mais, o Conselho Tutelar, conforme dispõe o Art. 131 do ECA, é órgão não jurisdicional, portanto, é uma incoerência lhe atribuir o direito de apreciar os atos infracionais praticados por criança, e conseqüentemente, aplicar as medidas cabíveis [...] não justifi ca retirar do Poder Judiciário tal competência jurisdicional, que lhe é própria, absoluta e intransferível.

No tocante as medidas de proteção estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente, percebe-se que o legislador preocupou-se com o seio familiar onde

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o menor vive, pois se a criança está vulnerável a criminalidade, é porque a sua base familiar encontra-se precária.

Dispõe Carvalho (1997, p. 8) que na verdade pode-se concluir que o desvio de comportamento tem como um dos fatores o problema social, que gera a desorganização familiar.

O fato é que, o meio social, as condições de vida tem fundamental contribuição para o desenvolvimento psíquico e educacional do menor, sendo que descuidos nessa órbita podem gerar prejuízos para o resto da vida de uma criança, bem como de toda a sociedade que a circunda.

1.2.6 Do ato infracional praticado por adolescente

A divisão dos menores no ECA em seu art. 2° assinala que adolescente é o menor com idade entre 12 e 18 anos. Todos os menores infratores como criança e adolescente são inimputáveis e recebem tratamento diverso.

Aos adolescentes é aplicada uma medida socioeducativa quando houver o cometimento de um ato infracional e para cada ato infracional será destinada uma medida socioeducativa correspondente. Na medida em que o adolescente infrator cometer mais de um ato, as medidas serão cumulativas seguindo o viés do princípio da individualidade.

Resmini (2008, p. 92), a respeito da individualização, leciona que ela está relacionada ao próprio adolescente, ou seja, qual a medida socioeducativa mais adequada ao infrator, conforme sua personalidade, sua conduta social, o grau de reprovabilidade que ele atribui a sua conduta.

E em relação à responsabilidade penal, destaca Mousnier (1991, p. 16) que partiu-se aqui do princípio já adotado no Código de Menores de que somente as pessoas maiores de 18 são penalmente responsáveis. Tal princípio é consagrado

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pelo diploma penal substantivo que estabelece em seu artigo 27 a presunção absoluta de inimputabilidade para menores de 18 anos, ainda que o jovem com idade inferior a 18 anos seja casado ou emancipado com coeficiente de inteligência acima da média.

A presença da teoria da proteção integral é visivelmente em todos os casos, onde se protege o adolescente infrator diante de sua idade por motivos de caráter subjetivo, retirando totalmente a responsabilidade pelo crime cometido, ou no eufemismo usado, no ato infracional realizado.

Leva-se em conta também, o momento da realização do ato. Processualmente e judicialmente falando, o importante é ter o conhecimento da data do delito, pois se foi cometido antes da maioridade penal, mesmo que já tenha decorrido tempo e que ele tenha mais de 18 anos, ocorrerá pelos trâmites do ECA, conforme Mousnier afirma sobre o momento da ação e a maioridade penal:

Desta forma, se um jovem, na véspera de completar 18 anos, atira em alguém que só venha a falecer após ter o agente atingido a maioridade penal, este não poderá ser processado criminalmente, posto que a época do fato, à época da ação, era menor de 18 anos, sujeito pois à Justiça da Infância e da Juventude.

Como já visto supra, os menores de 12 anos que por ventura venham a cometer alguma infração, estarão sujeitos às medidas de proteção.

1.2.7 Inimputabilidade penal

Através da leis brasileiras, o agente inimputável é considerado o menor de 18 anos que comete um crime, uma ação contrária a lei, um delito. Os inimputáveis são agentes desfigurados de culpabilidade penal, cabendo apenas o regimento através das normas de caráter especial, como o ECA.

A inimputabilidade é uma excludente de culpabilidade permeada de fatores que comprovam subjetivamente que o autor do delito não faz jus ao discernimento e

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raciocínio completo, bem como a necessária maturidade para a realização do mesmo. Forma objetiva com que esclarece Mirabete (2010, p. 196), só é reprovável pela conduta se o sujeito tem certo grau de capacidade psíquica que lhe permita compreender a antijuridicidade do fato e também a de adequar essa conduta a sua consciência. Quem não tem essa capacidade de entendimento e de determinação é inimputável, eliminando-se a culpabilidade.

Com isso, presume-se com o caráter biológico de análise, o qual verifica a saúde mental do menor infrator, que crianças e adolescentes não possuem a maturidade suficiente para seus atos, quanto muito para discernir a complexidade e gravidade de seus atos delituosos. Fica estabelecido, dessa forma, na Constituição Federal no seu art. 228 que são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos as normas da legislação especial.

E também Dispõe o art. 104 do Estatuto da Criança e do Adolescente ao considerar que são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeito às medidas previstas nesta lei supracitada, e para os efeitos, deve ser considerada a idade do adolescente à data do fato.

Portanto, abrangem-se nesse artigo os menores de 18 anos e acima de 12 e se o adolescente atingir a maioridade penal, poderão ser aplicadas as medidas do ECA até os seus 21 anos. Vale ressaltar também que a especialidade da norma atinge no que tange aos antecedentes criminais, ou seja, os atos infracionais praticados por menores e julgados em juízo, não estarão computados como antecedentes criminais.

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2 MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS E SUA EFICÁCIA

2.1 Disposições Gerais

Depreende-se que o adolescente infrator não passará despercebido ao cometer ato considerado ilícito, receberá do ente Estatal uma resposta sancionatória mas de caráter educativo, pedagógico, que possa o ressocializar ao meio e que impeça o cometimento de novos atos infracionais. A busca pela reestruturação de um adolescente que possa estar perturbado é fundamental para evitar a sua reincidência ao mundo desconexo, alcançando desta forma a normalidade e integração social.

Diante de um adolescente infrator, cabe apenas ao órgão judiciário, na pessoa do Juiz, o poder de aplicar as medidas socioeducativas. Ao adolescente infrator, cabe a ele como direito indispensável o devido processo legal para que seja assegurada a ele toda a proteção e reeducação prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Os adolescentes também podem receber a aplicação das medidas previstas no art. 101, I a VI, do ECA (inciso VII do art. 112, ECA).

Essas medidas socioeducativas além de serem pedagógicas, também são sancionatórias, pois é a resposta que o Estado dá à sociedade diante das infrações, ou melhor, dizendo, das condutas típicas cometidas por adolescentes visto que atualmente não se tem obtido a ressocialização do adolescente como pretendido.

2.2 Da advertência

A medida de advertência ocorre na presença do Juiz, feito por ele ao adolescente infrator. A advertência consiste em “advertir”, “reprimenda”,

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“admoestar”, “avisar”. Tem o objetivo fundamentado na repercussão íntima do adolescente, sendo devidamente reduzida a termo e firmada na presença do adolescente infrator acompanhado de seus responsáveis legais.

Para Liberati (p.103, 2002) nada mais é que:

Traduz-se a medida de advertência num ato de autoridade, solene e revestido das formalidades legais que exigem, para a sua aplicação a ocorrência da “materialidade e indícios suficientes da autoria”, como dispõe o parágrafo único do artigo 114 do Estatuto.

Esse tipo de medida tem a função de mediante uma conversa com o adolescente, demonstrar que sua conduta praticada é inadequada e errônea.

Normalmente essa medida é usada nos casos de infrações consideradas leves, aquelas em que não há presença de violência gravosa e também ameaça grave. Em outra situação que a advertência é utilizada, é nos casos em que o adolescente for primário, em outras palavras, nunca ter cometido ato infracional.

Por alguns momentos essa medida pode aparentar-se desvalorizada ou pequena, mas a sua função é que o adolescente possa compreender o seu ato e que ele pode trazer maiores consequências a sua vida, principalmente se voltar a reincidir nele ou em atos infracionais diversos, conforme explica autor Konzen (2005) apud Maciel (2006, p. 811/812):

A medida de advertência, muitas vezes banalizada por sua aparente simplicidade e singeleza, certamente porque confundida com as práticas disciplinares no âmbito familiar ou escolar, produz efeitos jurídicos na vida do infrator, porque passará a constar do registro dos antecedentes e poderá significar fator decisivo para a eleição da medida na hipótese da prática de nova infração. Não está, no entanto, nos efeitos objetivos a compreensão da natureza dessa medida, mas no seu real sentido valorativo para o destinatário, sujeito passivo da palavra determinada autoridade pública. A sensação do sujeito certamente não será outra do que a de se recolher à meditação, e, constrangido, aceitar a palavra da autoridade como promessa de não reiterar na conduta. Será provavelmente um instante de intensa aflição.

Levando-se em conta que é uma audiência onde ocorre uma recriminação pelo ato cometido de maneira intimidatória, deve-se atentar para o fato de que o

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menor infrator é um sujeito de direitos, não sendo exposto em momentos vexatórios ou constrangedores.

No tocante ao acompanhamento de advogado, não há nada mencionado no Estatuto quanto a sua obrigatoriedade e sim a presença de pais ou responsáveis legais.

2.3 Da obrigação em reparar o dano

Ilustra o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 116:

Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima. Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada.

É de grande valia que o ato seja reparado, pois dessa forma, o menor infrator pode verificar o grau lesivo que causou a outrem. É a reflexão, a reeducação e poder discernir que ao praticar um ato reprovável a sua obrigação não se restringe perante apenas aos órgãos estatais e sim com a sociedade prejudicada, devendo remediá-la ou melhor, ressarci-la de seu ato.

E diante disso criticamente entende Mousnier (p.129, 1991):

A supressão da pena de multa do rol definitivo da lei encontra razão provável no fato da multa não assumir uma finalidade sócio-educativa dirigida realmente ao infrator. Via de rega, a multa afetaria o bolso dos pais ou responsável tão-somente.

De fato se compete de razão o entendimento do doutrinador nesse aspecto, levando-se em conta que o pagamento da multa não afeta diretamente o adolescente infrator, o caráter educacional da medida não se incorpora a ele, e sim aos que pagariam a multa. Desta forma, imperioso ressaltar que a obrigação de

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reparar o dano é de suma importância para o aprendizado do infrator, desde que, seja realizado por ele.

Seguindo esse raciocínio, Liberati (p. 116, 2002) explana que:

Tem se que o propósito da medida é fazer com que o adolescente infrator se sinta responsável pelo ato que cometeu e intensifique os cuidados necessários, para não causar prejuízo a outrem. Por isto, há entendimento que a medida tem caráter personalíssimo e intrasferível, devendo o adolescente ser o responsável exclusivo para a reparação do dano.

Presente no Código Civil de 2002 no Estatuto da Criança e do Adolescente a necessidade imperativa para a responsabilização do infrator de reparar o bem, vejamos conforme estabelece o art. 156, do Código Civil em que configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.

A obrigação em reparar o dano será do causador ou seu responsável se o dano ocorrer na época em que o infrator tenha menos de 16 anos, conforme se depreende do artigo supra e também presente no art. 186 do Código Civil. Necessário ressaltar que caso o infrator na época da autoria do fato tenha entre 16 e 21 anos, responderá solidariamente na reparação dos danos junto com seus pais ou responsáveis legais, Vejamos os artigos do Código Civil, onde prevê essas normas:

Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior.

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

I – os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;

II – o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;

Liberati (2002, p. 105,) em conformidade com os dispositivos elencados descreve que:

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(...) a lei compara-o ao maior, no que concerne ao ressarcimento dos danos causados, em virtude da prática de atos ilícitos. Assim sendo, o causador do dano, responderá, solidariamente, com seus pais, tutor ou curador, com a reparação devida, nos termos do art. 180 c/c932, I e II do novo Código Civil.

Observa-se que o objetivo crucial dessa medida é demonstrar que o erro cometido deve ser sanado, e principalmente colocando a família ao meio disso, faz aumentar a responsabilidade dos pais para com seus filhos e também de maneira de tocar o adolescente para que não volte a reincidir.

2.4 Da Prestação de Serviços à Comunidade

Disposta no artigo 117 do Estatuto da Criança e do Adolescente da seguinte forma:

A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais. Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a freqüência à escola ou à jornada normal de trabalho.

Essa prestação de serviços tem o condão principal de que o adolescente possa refletir acerca de seus atos medindo as consequências, chamada de consciência social, impedindo desta forma que ele possa voltar a delinquir. A prestação de serviços se dá de forma gratuita em entidades públicas, em uma espécie assistencial.

Foi uma das inovações do ECA paralelamente com relação ao artigo 46 do Código Penal e essa medida possui a flexibilidade de que o adolescente possa desenvolver atividades compatíveis com a sua aptidão, havendo diversas formas de prestar o serviço.

Ressalta-se que para que haja a aplicação correta dessa medida mesmo que ela seja imposta, é necessária a anuência do adolescente, ou seja, ele necessita

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concordar com a realização da mesma, pois sendo realizada contra a vontade manifesta do adolescente ela poderá adquirir o status de trabalho forçado (art. 112, §2º), sendo proibido.

Segundo Mirabete (1987) apud Liberati (1995, p. 86):

O sucesso da inovação dependerá, em muito, do apoio que a comunidade der às autoridades judiciais, possibilitando a oportunidade para o trabalho do sentenciado, o que já demonstra as dificuldades do sistema adotado diante da reserva com que o condenado é encarado no meio social. Trata-se, porém, de medida de grande alcance e, aplicada com critério, poderá produzir efeitos salutares, despertando a sensibilidade popular. A realização do trabalho em hospitais, entidades assistenciais ou programas comunitários poderá alargar os horizontes e conduzir as entidades beneficiadas a elaborar mecanismos adequados à fiscalização e à 40 orientação dos condenados na impossibilidade de serem essas atividades realizadas por meio do aparelhamento judicial.

Veja-se que a implicação de serviços à comunidade pode trazer ganhos disciplinares e educacionais ao menor infrator, todos esses ganhos são de caráter subjetivo, pois integram a psique do adolescente, o seu íntimo e sua reflexão perante seus atos. A prestação de serviços é a consequência de um ato reprovável a lei, e deve ser vista não como uma punição e sim como uma maneira branda de educar para a vida.

2.5 Da Liberdade Assistida

Estabelece o art. 118, do ECA:

A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. § 1º. A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento. § 2º. A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada, ou substituída por outra medida, ouvindo o orientador, o Ministério Público e o defensor.

Como se extrai da norma supra, essa liberdade se confirma no acompanhamento do menor infrator junto suas atividades diárias, sendo na escola, ou no trabalho, ou juntamente com a família.

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É uma institucionalização do adolescente infrator. Segundo Liberati aborda (2002, p.109,), é, no entanto, uma medida que impõe obrigações ao adolescente, de forma coercitiva, ou seja, o jovem está obrigado a se comportar de acordo com a ordem judicial.

Esse acompanhamento especializado se concretiza pela verificação da realização das atividades como frequência a escola, de vínculos familiares, relacionamento comunitário e outros do cotidiano sem prestar a devida proteção dos direitos do adolescente infrator.

Poderá haver proibições as quais serão averiguadas quanto ao cumprimento, quanto locais que possa frequentar, a não ingestão de bebidas alcoólicas e dentre outros que serão definidos pelo Juiz da Infância e Juventude e Adolescente eis que o Estatuto não se manifesta em relação as condições que deverão ser cumpridas pelo adolescente.

Como a ressocialização é um objetivo primordial nas medidas sócio-educativas, na liberdade assistida ela também é, pelo fato da necessidade de um orientador social nas atividades do adolescente. Esse orientador através das análises feitas pela situação de cada adolescente em particular dará as diretrizes para conduzir a sua vida real aos programas sociais. Presente no artigo 119 do ECA da seguinte forma:

Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade competente, a realização dos seguintes encargos, entre outros:

I - promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social;

II - supervisionar a freqüência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula;

III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado de trabalho;

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Não foi estabelecido um prazo máximo de duração para essa medida, devendo, portanto se perfazer enquanto durar a necessidade do adolescente se fazer acompanhado.

2.6 Do Regime de Semiliberdade

Essa medida de semiliberdade define-se pela parcial liberdade do adolescente infrator. É uma medida concedida pelo Juiz através de uma sentença terminativa e com o devido processo legal respeitado.

O art. 120, do ECA nos define o funcionamento da medida de semiliberdade, sendo possível sua inclusão desde o início como também, é usada nos casos de adolescente internado e que está na fase apto para fazer jus ao regime de semiliberdade, a que chamamos melhor de fase de transição. Vejamos a normativa:

Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilita a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial.

§ 1º. São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade. § 2º. A medida não comporta prazo determinado, aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação.

Diferente das unidades de internação, são as unidades para cumprimento das medidas em regime de semiliberdade, observemos a descrição por Mousnier (p. 123, 1991):

As unidades destinadas a programas decorrentes da medida sócio-educativa de semiliberdade são desprovidas de obstáculos físicos e elementos contra a fuga. A segurança de tais estabelecimentos repousa no senso de responsabilidade dos assistidos e, por tais razões, a medida de semiliberdade integra o elenco das formas de atendimento à criança e ao adolescente em meio aberto.

As medidas socioeducativas são para o adolescente e para sua família, o objetivo de reestruturação da base corrompida do menor infrator. Muitas vezes, a unidade familiar se encontra fora das hipóteses para ressocializar o adolescente e

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isso oriunda de diversos fatores como uma família que não apresenta as condições adequadas para poder cuidar do infrator e ajudar na sua volta ao meio social, sendo por uma família desestruturada psicologicamente, sendo porque também a residência familiar do menor corre risco de vida ou em casos que não há ninguém que possa se responsabilizar pelo menor (Mousnier ,1991).

De tal sorte, se compreende que a medida de semiliberdade é uma alternativa de evitar a internação do adolescente fornecendo a assistência devida que a rede familiar não conseguiria dar.

Segundo Liberati (1995, p. 89):

Como o próprio nome indica, a semiliberdade é um dos tratamentos tutelares que é realizado, em grande parte, em meio aberto, implicando, necessariamente, a possibilidade de realização de atividades externas, como a freqüência à escola, às relações de emprego etc. Se não houver esse tipo de atividade, a medida sócio-educativa perde sua finalidade.

Para averiguação das atividades e de sua qualidade no cumprimento, há o devido acompanhamento por um técnico social que além de emitir relatórios sobre a tramitação do regime imposto e que também irá orientar o adolescente.

Quanto duração da medida, ressalta Liberati (2002, p.112,):

O Estatuto não fixa tempo de duração da medida, mas sugere sua aplicação, no que couber, às disposições relativas à internação, inclusive quanto aos direitos do adolescente privado de liberdade. Percebe-se, aqui, novamente, a dificuldade de fixação de limites e regras claras para a execução da medida sócio-educativa de semiliberdade.

Não há prazo determinado pela normativa para a duração do regime de semiliberdade, mas o entendimento é o uso subsidiário em alguns casos da disposição relativa à internação. O que é recomendado é o acompanhamento para a verificação da atual situação do caso pelo período de cada 06 meses.

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Os princípios norteadores da medida sócio-educativa são: brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

Esta elencado no art.121 e seus incisos do ECA, veja-se:

Art. 121. A internação constitui medida privativa de liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

§ 1º. Será permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário. § 2º. A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.

§ 3º. Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.

Destarte, é uma medida excepcional (princípio da excepcionalidade) destinada aos adolescentes infratores de delitos graves e principalmente reincidentes. É aplicável quando não há outra medida mais eficaz para proteger a ordem e segurança pública.

O princípio da brevidade presente no art. 121 caput, diz a respeito que o tempo de internação apesar de não ser determinado legalmente, deve ser o mais breve possível em face de que não é uma penalidade que o adolescente tem de cumprir e sim uma medida sócio-educativa de caráter que ao menos deveria ser totalmente pedagógico, visando a sua reintegração ao meio. O prazo que apenas deve-se observar é o tempo mínimo de 6 meses e o prazo máximo de internação é equivalente a 3 anos.

De acordo com Mousnier (1991, p.127), a medida sócio-educativa não é pena, esta inclusive comporta prazo determinado, ao passo que a medida educativa de internação não é aprazada.

Em relação ao princípio da condição peculiar da pessoa está no art. 125 do ECA no qual afirma que é dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, cabendo-lhe adotar as medidas adequadas de contenção e segurança.

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Segundo Paulo Afonso Garrido de Paula (1989) apud Liberati (2003, p. 116):

A internação tem finalidade educativa e curativa. É educativa, quando o estabelecimento escolhido reúne condições de conferir ao infrator escolaridade, profissionalização e cultura, visando a dotá-lo de instrumentos adequados, para enfrentar os desafios do convívio social. Tem finalidade curativa, quando a internação se dá em estabelecimento ocupacional, psicopedagógico, hospitalar ou psiquiátrico, ante a idéia de que o desvio de conduta seja oriundo da presença de alguma patologia, cujo tratamento, em nível terapêutico, possa reverter o potencial criminógeno do qual o menor infrator seja portador.

Por isso, além de efetuar a contenção e a segurança do adolescente, a instituição deve munir-se pelo zelo e bem estar dos menores, tendo em vista o a condição peculiar que estes adolescentes se encontram e também, de suma importância é que ocorra a finalidade almejada de educar e “curar” os adolescentes que se desviaram do caminho. Assim, para que tudo isso ocorra, é necessário um estabelecimento competente e especializado para que o adolescente seja reeducado e encaminhado de volta à vida em sociedade.

O rol do artigo 122 do ECA deve ser observado conforme nos seus ditames tendo em vista que se trata de um rol taxativo, onde só é possível a internação nos casos elencados nele, vejamos:

Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:

I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;

II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;

III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.

§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.

§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada.

Assim dispõe Vioto (2002, p. 68):

A internação consiste em afastar, temporariamente, o adolescente do convívio sócio-familiar, colocando-o em instituição, sob responsabilidade do Estado. Mas afastá-lo do convívio sócio-familiar, não quer dizer aliená-lo, pois mesmo que a instituição seja destinada à privação de liberdade, não

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pode perder a essência legal de Escola, para que assim a medida cumpra o fim social-pedagógico para que foi criada.

Há de se destacar ainda que existem três tipos de internação, a chamada provisória que se dá mediante decisão do magistrado fundamentada e a qual não poderá ultrapassar 45 dias. E há também, a internação feita mediante apreensão do adolescente diante de flagrante de ato infracional. E por fim, há o mandado de internação por ordem escrita do juiz.

Ocorre também que a internação pode ser substituída por qualquer outra medida sócio-educativa (em meio aberto ou semiliberdade) e em qualquer momento. Para isso é necessário elementos que comprovem que o adolescente faz jus a chamada também progressão de medida, alguns dos fatores que são normalmente analisados são: duração da internação, gravidade da infração cometida, bem como a personalidade do adolescente. Esses fatores tem que demonstrar favoravelmente a aplicação alternativa de outra medida (Bandeira, 2006).

As entidades destinadas a internar os adolescentes infratores necessitam de um plano de desenvolvimento, para que consigam reeducar e ressocializar os adolescentes, para que eles voltem a conviver harmoniosamente em sociedade.

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CONCLUSÃO

A eficácia da medida socioeducativa pode ser muito controvertida. Ela pode de fato apresentar um resultado satisfatório para a vida do menor infrator em sua reeducação, como pode também torna-lo reincidente.

Enquanto alguns doutrinadores defendem que as medidas sócio-educativas tem o condão de reeducar e ressocializar o infrator, outras correntes afirmam que em algumas situações como a internação, a semiliberdade, apresentam caráter sancionador e penal ao adolescente infrator, como consequência de seu ato.

As medidas elencadas no ECA que buscam a ressocialização do menor à sociedade e sua reeducação por mais que sejam aplicadas corretamente, algumas não parecem surtir o efeito pretendido pelo Estatuto. Já em outra ótica, é possível verificar que algumas medidas por mais eficientes que sejam a sua aplicação é precária, por não possuírem as estruturas corretas para sua realização.

Nem todas as instituições brasileiras de internação são capazes de oferecer o que o Estatuto designa para a reeducação dos adolescentes infratores, algumas simplesmente aparentam uma prisão, mas que ali contém menores de 18 anos. Para muitos, um adolescente internado é um adolescente preso cumprindo uma “penalidade”.

Não é esse o caráter que as normas estabeleceram e não é esse o almejado. Espera-se que o adolescente estando longe de uma família prejudicial à educação do próprio adolescente é onde se conseguiria dar o suporte necessário com pessoas especializadas para dar uma nova perspectiva de vida ao menor.

De certa forma, o que é necessário mesmo, é a transformação das bases familiares, do contexto de vida e sociedade que imerge um menor. Sua formação está corrompida e dependendo da complexidade da mentalidade de um menor, uma admoestação não irá curar toda a problemática de toda a sua existência.

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O Estatuto da Criança e do Adolescente veio para dar proteção, direitos e garantias aos menores de idade e para reeduca-los com a consequente inserção no mundo social da melhor maneira possível para que exista uma convivência harmoniosa e pacífica. Diante disso, o ECA especializou-se e deu esperança a seres tão frágeis mas que, diante de inúmeros fatores não está conseguindo driblar todos os problemas.

Contudo, a conclusão é que a falha não está contida na normatização do sistema, mas sim na precariedade das instituições e profissionais para a execução das medidas socioeducativas, e para que elas sejam eficazes, o seu instrumento de ação (as instituições) precisam de todo um aparato técnico fornecido pelo Estado para que possam proporcionar a correta reeducação dos menores infratores, bem como a estruturação de um adequado apoio familiar.

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