UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS CURITIBA
DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO DE BACHARELADO EM DESIGN
THALITA CAROLINE CORREA DE OLIVEIRA THALITA CAVALIN
PLAYGROUND MUSICAL PARA AS CRIANÇAS DO PARQUE GOMM
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
CURITIBA 2015
THALITA CAROLINE CORREA DE OLIVEIRA THALITA CAVALIN
PLAYGROUND MUSICAL PARA AS CRIANÇAS DO PARQUE GOMM
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina de Trabalho de Trabalho de Conclusão de Curso de graduação, apresentado à disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial – DADIN – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, como requisito parcial para obtenção do título de graduação.
Orientadora: Prof(a). Jusmeri Medeiros
CURITIBA 2015
AGRADECIMENTOS
Quando iniciamos este trabalho, não sabíamos dos desafios que encontraríamos no decorrer dele, sabíamos apenas que estávamos navegando em terras desconhecidas da música, indo além do design, para desenvolver um projeto humano, voltado para as pessoas, e isso motivou para que seguíssemos em frente, enfrentando qualquer obstáculo que encontrássemos.
Durante o percurso amadurecemos como profissionais, aprendendo com o projeto e como as pessoas que nos cercava para nos auxiliar no desenvolvimento do mesmo. E é para elas, que dedicamos essas palavras.
Gostaríamos de agradecer aos envolvidos na causa referente ao Parque Gomm, que nos apoiaram e nos motivaram desde o início, e principalmente a Danielle Sanson que deu o ponta pé inicial a esse projeto.
Somos gratas à escola Alecrim Dourado Formação Musical que abriu suas portas para nos ensinar e inspirar, especialmente à Vivian Agnolo Madalozzo, que esteve sempre disponível para tirar todas as nossas dúvidas sobre educação musical e instrumentos.
Agradecemos também à nossa orientadora Jusmeri Medeiros por acreditar nesse projeto junto com a gente, aos nossos familiares pelo suporte incondicional nos momentos difíceis, e a todos nossos amigos que nos ajudaram diretamente e indiretamente. Principalmente a nossa colega Bruna Barros da Silva, que disponibilizou seu tempo para nos ajudar, contribuindo de forma direta em vários pontos para a realização do projeto.
Por último, gostaríamos de agradecer de coração ao Francisco Ferreira Santos, que esteve ao nosso lado até os últimos minutos da realização do protótipo, dando todo suporte e auxílio, com a paciência que somente ele tem, a qual foi fundamental para que seguíssemos em frente na realização do projeto.
Muito obrigada a todos, a ajuda de todos foi muito além da construção do projeto, vocês nos ajudaram a disseminar alegria através da música para as crianças.
“Não há nada de mais belo do que distribuir a felicidade por muitas pessoas”
RESUMO
OLIVEIRA, Thalita Caroline Correa de; CAVALIN, Thalita. Playground musical para as crianças do Parque Gomm 2015. 174p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Design) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2015.
O presente trabalho teve como objetivo desenvolver brinquedos musicais que foram designados para compor um playground para o Parque Gomm. Esse espaço localizado na cidade de Curitiba – PR, que existe desde 1906 e que hoje possui pouca visibilidades, tem sofrido degradação em sua área por conta de um projeto referente a um shopping center. Tendo em vista essa causa, o trabalho buscará ajudar nesta causa, propondo um projeto que seja atrativo, para que chame atenção de novos frequentadores, e ao mesmo tempo seja educativo. Para que possa atingir com maior eficiência um resultado que esteja alinhado com a ideologia do Parque Gomm, e ao mesmo tempo proporcionasse experiências enriquecedoras para as crianças entre a faixa etária de 5-8 anos, o trabalho usará a metodologia Design
Thinking. A partir de uma vasta pesquisa de instrumentos desde os mais complexos
aos mais rudimentares, uma vez que o projeto propõe a otimização de materiais que normalmente iriam para o descarte, foram elaborados sugestões de brinquedos para compor o playground musical, e escolhido dentre as opções somente um para a construção. Será relatado todas as etapas referente a esse brinquedo escolhido, desde sua escolha, justificativa da mesma, assim como dos materiais usados, a construção e por fim a implementação do brinquedo no Parque Gomm. Da união entre design e música, foi possível desenvolver um projeto, para um ambiente público, visando a segurança e as interferências externas, sem perder uma estética e sonoridade agradável, além de possuir características que estimulam a socialização e contribui com o desenvolvimento da criança de uma forma lúdica.
Palavras-chave: Educação musical infantil. Design Thinking. Design de produto. Playground musical.
ABSTRACT
OLIVEIRA, Thalita Caroline Correa de; CAVALIN, Thalita. Playground musical para as crianças do Parque Gomm 2015. 174p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Design) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2015.
This study aimed to develop musical toys that were assigned to compose a playground for Gomm Park. This space located in the city of Curitiba - PR, which has existed since 1906 and today has little visibility, has suffered deterioration in their area because of a project for a shopping center. In view of this question, the study will help in this cause by proposing a design that is attractive, so call attention to new patrons, and at the same time be educational. In order to achieve more efficiently a result that is in line with the ideology of Gomm Park, and at the same time would provide enriching experiences for children between the age group of 5-8 years, the work uses the methodology Design Thinking. From an extensive research tools from the most complex to the most rudimentary, since the project proposes the optimization of materials that normally would go to disposal, toy suggestions are designed to compose the musical playground, and chosen from among the options only one for the construction. Will be reported all steps regarding this toy chosen from your choice, justification thereof, as well as the materials used, the construction and finally the implementation of toys in Gomm Park. The union between design and music, it was possible to develop a project for a public environment, aimed at security and external interference, without losing aesthetic and agreeable, and include features to encourage socialization and contributes to the child's development a playful way..
Key-words: Children's musical education. Music Playground . Design Thinking. Product design.
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
PR
Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus Curitiba
Diretoria de Graduação e Educação Profissional Departamento Acadêmico de Desenho Industrial
TERMO DE APROVAÇÃO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Nº 130
“PLAYGROUND MUSICAL PARA AS CRIANÇAS DO
PARQUE GOMM”
Por
THALITA CAROLINE CORRÊA DE OLIVEIRA
THALITA CAVALIN
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no dia 24 de novembro de 2015 como requisito parcial para a obtenção do título de BACHAREL EM DESIGN do Curso de Bacharelado em Design, do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. As alunas foram arguidas pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo, que após deliberação, consideraram o trabalho aprovado.
Banca Examinadora: Prof(a). Dr. Alexandre Vieira Pelegrini
DADIN - UTFPR
Prof(a). Dra. Cindy Renate Piasseta Xavier de Medeiros DADIN - UTFPR
Prof(a). Msc. Jusméri Medeiros Orientador(a)
DADIN – UTFPR
Prof(a). Esp. Adriana da Costa Ferreira
Professor Responsável pela Disciplina de TCC DADIN – UTFPR
CURITIBA / 2015
LISTA DE SIGLAS
IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba MDF – Medium Density Fibreboard
PELBD – Politileno Linear de Baixa Densidade CNC – Computer Numeric Control
LISTA DE FIGURAS
FIGURA FIGURA
01: 02:
FASES DA METODOLOGIA DESIGN THINKING LENTES DO HCD
18 19
FIGURA 03: CASA DA FAMÍLIA GOMM 23
FIGURA 04: VISTA CRONOLÓGICA DA AÉREA DO BOSQUE 23
FIGURA 05: PROJETO DA CONSTRUÇÃO DA RUA 24
FIGURA 06: INSTRUMENTO MUSICAL INFANTIL 26
FIGURA 07: INSTRUMENTO MUSICAL INFANTIL 27
FIGURA 08: BENEFÍCIOS DA MÚSICA 33
FIGURA 09: APITO DE FLAUTA DE OSSO 35
FIGURA 10: KROTALA 36
FIGURA 11: INSTRUMENTOS DE CORDAS 38
FIGURA 12: INSTRUMENTOS DE SOPROS DE MADEIRA 38
FIGURA 13: INSTRUMENTOS DE SOPROS DE METAL 39
FIGURA 14: INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO DE ALTURA INDEFINIDA 39 FIGURA 15: INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO DE ALTURA DEFINIDA 40
FIGURA 16: INSTRUMENTOS DE TECLADO 40
FIGURA 17: TAMBORES FALANTES 42
FIGURA 18: KORA 43
FIGURA 19: BALAFON E MBIRA 43
FIGURA 20: AGOGÔ 44
FIGURA 21: CAXIXI 44
FIGURA 22: APIETI AMU E HÔHI 46
FIGURA 23: FLAUTA DE PÃ 47
FIGURA 24: JAKUI E MEMBI 47
FIGURA 25: BAPO E YANXSÃ-GA 48
FIGURA 26: ZUNIDOR 49
FIGURA 27: CATACÁ E BASTÕES DE RITMO 50
FIGURA 28: FLAUTA NAY 51
FIGURA 29: OCARINAS 51
FIGURA 30: FLAUTA XUN 52
FIGURA 31: DIDGERIDOO 53
FIGURA 32: BALALAIKA 54
FIGURA 33: FOTOPLAYER 54
FIGURA 34: CIMBALOM 55
FIGURA 35: HANG DRUM 56
FIGURA 36: ANGKLUNG 57
FIGURA 37: TAMANHOS VARIADOS DE ANGKLUNG 57
FIGURA 39: PEIXE E MEDEIRAGUA 59
FIGURA 40: RODA D’AGUA 60
FIGURA 41: FLAUTA HARMÔNICA 61
FIGURA 42: BERIMBAU 62
FIGURA 43: MANGUEIRA SANFONADA 63
FIGURA 44: RECO DE LATA DE CONE 63
FIGURA 45: RECOLATA 64
FIGURA 46: LA MAISON DE LA PATAPHONIE 65
FIGURA 47: PLAYGROUNDS FEITOS DE TRÊS MATERIAIS DIFERENTES 66
FIGURA 48: EXEMPLO DE PLAYGROUND MUSICAL 68
FIGURA 49: EXEMPLO DE PLAYGROUND MUSICAL 68
FIGURA 50: EXEMPLO DE PLAYGROUND MUSICAL 69
FIGURA 51: ALTERNATIVAS PARA O BRINQUEDO 71
FIGURA 52: ALTERNATIVAS PARA O BRINQUEDO 72
FIGURA 53: IMERSÃO DA ESCOLA ALECRIM DOURADO 73
FIGURA 54: DESENHOS FEITOS NO BRAINSTORMING 74
FIGURA 55: ALTERNATIVAS PARA O BRINQUEDO 75
FIGURA 56: ALTERNATIVAS PARA O BRINQUEDO 75
FIGURA 57: ALTERNATIVAS PARA O BRINQUEDO 76
FIGURA 58: POLINIZAÇÃO DAS ABELHAS 77
FIGURA 59: PAINEL SEMÂNTICO 78
FIGURA 60: PLAYGROUND MUSICAL PROPOSTO 79
FIGURA 61: BRINQUEDO LUNG 80
FIGURA FIGURA 62: 63 BRINQUEDO FLOMM BRINQUEDO RECO-BEE 81 82 FIGURA FIGURA 64: 65: PÓLEMM
TABELAS DE ALTURA MÉDIAS DAS CRIANÇAS
84 85 FIGURA 66: MOCKUP EM ESCALA REDUZIDA DE MDF EM ESCALA 1:8 85
FIGURA 67: MOCKUP EM PAPELÃO EM ESCALA 1:1 86
FIGURA 68: TABELA SOBRE RESISTÊNCIA E PESO DA MADEIRA 87
FIGURA 69: ENCAIXE MACHO E FÊMEA 90
FIGURA 70: CORTE E COLAGEM DAS TÁBUAS DE PINUS 91
FIGURA 71: CORTE E COLAGEM DAS TÁBUAS DE PINUS 92
FIGURA 72: PLANIFICAÇÃO DAS PEÇAS 92
FIGURA 73: ACABAMENTO DAS PEÇAS COM LIXADEIRAS 93
FIGURA 74: CONSTRUÇÃO DA ESTRUTURA SUPERIOR DO TAMBOR 94
FIGURA 75: ESTRUTURA SUPERIOR DO TAMBOR 94
FIGURA 76: ESTRUTURA DO TAMBOR 95
FIGURA 77: COMPENSADO FLEXÍVEL 96
FIGURA 78: CALAFETAÇÃO DO COMPENSADO FLEXÍVEL 97
FIGURA 80: CONSTRUÇÃO DAS TECLAS DE MARFIM 98
FIGURA 81: ACABAMENTOS DAS TECLAS 99
FIGURA 82: ACABAMENTO DAS PÉTALAS COM VERNIZ MARÍTIMO 99
FIGURA 83: FIXAÇÃO DAS TECLAS NAS PÉTALAS 100
FIGURA 84: SOLDAGEM E ESMERILHAMENTO DAS MÃOS FRANCESAS 101
FIGURA 85: ACABAMENTO DAS MÃOS FRANCESAS 101
FIGURA 86: FIXAÇÃO DAS PÉTALAS 102
FIGURA 87: FIXAÇÃO DAS MÃOS FRANCESAS 103
FIGURA 88: FIXAÇÃO DO COMPENSADO FLEXÍVEL 104
FIGURA 89: CALAFETAÇÃO DA PARTE SUPERIOR DO TAMBOR 104
FIGURA 90: RESTAURAÇÃO DA CALOTA E ACABAMENTOS 105
FIGURA 91: PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DA BRAÇADEIRA 106
FIGURA 92: ACABAMENTO DO POLÍMERO 107
FIGURA 93: CONFECÇÃO DOS ESPAÇADORES NO TORNO 107
FIGURA FIGURA
94: 95:
ESCOAMENTO DE ÁGUA NAS CALOTAS CONFECÇÃO DAS BAQUETAS
108 109
FIGURA 96: TESTES PARA O SUPORTE DAS BAQUETAS 110
FIGURA 97: ESMERILHAMENTO DOS PARAFUSOS 110
FIGURA 98: ACABAMENTO FINAL DO BRINQUEDO COM CERA 111
FIGURA 99: DESENVOLVIMENTO DA MARCA PÓLEMM 112
FIGURA 100: TRANSPORTE DO BRINQUEDO 114
FIGURA 101: LOCAL DA INSTALAÇÃO DO BRINQUEDO 115
FIGURA 102: ETAPAS PARA FIXAÇÃO DO BRINQUEDO 116
FIGURA 103: QUARTA ETAPA DA FIXAÇÃO DO BRINQUEDO 117 FIGURA 104: CONFECÇÃO DA PLACA INFORMATIVA NA CNC 118 FIGURA 105: PLACA INFORMATIVA E INSTALAÇÃO DA MESMA 119 FIGURA 106: USUÁRIO DENTRO DA FAIXA ETÁRIA DESTINADA 120 FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA FIGURA 107: 108: 109: 110: 111: 112:
USUÁRIO DENTRO DA FAIXA ETÁRIA DESTINADA USUÁRIO ABAIXO DA FAIXA ETÁRIA DESTINADA INTERAÇÃO ENTRE ADULTOS E CRIANÇAS PÓLEMM DETALHES DO PÓLEMM AVISO INFORMATIVO 120 121 122 128 128 129
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 01: IDENTIFICAÇÃO DOS USUÁRIOS 123
GRÁFICO 02: SEGURANÇA DO BRINQUEDO 124
GRÁFICO 03: BELEZA ESTÉTICA DO BRINQUEDO 125
GRÁFICO 04: POTENCIALIDADE MUSICAL 125
GRÁFICO 05: FORMATO E ERGONOMIA 126
GRÁFICO 06: REAÇÃO DAS CRIANÇAS 126
GRÁFICO GRÁFICO
07: 08:
COERÊNCIA ENTRE O BRINQUEDO E O PARQUE GOMM RESUMO DO QUESTIONÁRIO
127 127
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 14 1.1 OBJETIVO GERAL... 15 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS... 15 1.3 JUSTIFICATIVA... 16 1.4 METODOLOGIA...17 2 2.1 2.1.1 2.2 2.2.1 2.3 2.3.1 2.3.2 2.3.3 2.3.4 2.4 2.4.1 3 3.1 3.1.1 3.1.2 3.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.3.3 4 4.1 4.2 5 5.1 5.2 5.3 6 IMERSÃO... PARQUE GOMM... Musicalização no Parque Gomm... MÚSICA... Educação musical infantil... INSTRUMENTOS MUSICAIS... Influência africana... Influência indígena... Instrumentos de outras culturas... Instrumentos alternativos...
PLAYGROUNDS INFANTIS...
Playgrounds musicais... IDEAÇÃO... PLAYGROUND MUSICAL PROPOSTO... Paleta de cor... Descrição dos brinquedos musicais... MOCKUP... MATERIAIS USADOS... Madeira... Alumínio... Polímero... PROTOTIPAÇÃO... CONFECÇÃO DO BRINQUEDO... IDENTIDADE VISUAL... IMPLEMENTAÇÃO... TRANSPORTE E INSTALAÇÃO DO BRINQUEDO... ANÁLISE FEITA ENTRE USUÁRIOS E BRINQUEDO... AVALIAÇÃO DO BRINQUEDO PÓLEMM... CONSIDERAÇÕES FINAIS... REFERÊNCIAS... APÊNDICE A – Termo de compromisso... APÊNDICE B – Entrevista com a educadora musical... APÊNDICE C – Questionário de avaliação do brinquedo... APÊNDICE D – Desenhos Técnicos... ANEXO A – Projeto arquitetônico do Parque Gomm... ANEXO B – Espaço para o playground infantil...
22 22 25 28 29 35 41 44 50 57 66 67 70 76 78 79 84 86 87 89 89 90 90 111 113 113 119 122 130 133 139 140 142 144 162 163
1 INTRODUÇÃO
Tendo em vista o problema de gestão dos parques de pouca visibilidade da cidade de Curitiba, o presente trabalho iniciou-se com uma busca por um parque que necessitasse de um mobiliário urbano, visando tanto o conforto dos frequentadores do local como a melhoria do mesmo.
Com essa ideia pré-determinada, chegou ao nosso conhecimento uma causa recente envolvendo o Parque Maria Luisa Gomm, espaço significativo para a cultura, história e meio ambiente da cidade de Curitiba, e que recentemente sofreu o risco de perder sua área para um projeto urbano que planejava criar uma rua, cortando o remanesceste de uma área verde já prejudicada por um Shopping
Center, projeto que inviabilizaria ainda mais a preservação desta área.
O descontentamento da comunidade gerou manifestos que despertou a atenção da Administração Municipal, a qual se comprometeu a cancelar o projeto e a colaborar com a manutenção do parque. O movimento para a criação deste se caracteriza pelas articulações espontâneas de pessoas de várias faixas etárias, que participam proporcionando atividades educativas, sociais, artísticas e de recreação no local.
O intuito desse trabalho é de cooperar com essa causa, e consequentemente ajudar a preservar esse patrimônio histórico da cidade de Curitiba. A ação mais viável seria de pensar em um projeto que não apenas mantivesse os visitantes frequentes do parque, como também despertasse atenção de novos. Entretanto, devido ao pequeno espaço do local, é necessário ter cautela quanto a exposição, para que não se perca o conforto oferecido pelo Parque Gomm.
Atendendo a isso, foi considerado o desenvolvimento de um projeto voltado para crianças, as quais podem se tornar essenciais para perpetuar a existência do parque. A forma de unir o espaço com esse usuário se estende através de brincadeiras, porém como o ambiente proporciona atividades educativas, uma maneira que despertaria a atenção do público ao Parque Gomm e ao mesmo tempo estimularia as crianças a brincar e aprender, seria através de um playground musical. Para a elaboração deste projeto, foi necessário o auxílio de educadores musicais em conjunto a uma pesquisa sobre instrumentos de culturas diversas, desde os mais rudimentares aos mais complexos.
O projeto tem como fundamentação base para o desenvolvimento a metodologia de Design Thinking, que consiste em diversas etapas de criação, entre elas imersão, análise e síntese do projeto, ideação e prototipação (BROWN, 2009). Para a construção de elementos do playground, serão usados métodos alternativos, usados em diversas culturas, visando uma fundamentação teórica e prática de uma pedagogia musical diferenciada através de um conjunto de brinquedos musicais.
A partir disso, como fazer um projeto seguro, com materiais acessíveis, compatível ao conceito proposto pelo Parque Gomm e que ao mesmo tempo desperte interesses, estimule e entretenha as crianças através da música? Este é o problema que esta pesquisa pretende resolver.
1.1 OBJETIVO GERAL
Desenvolver um projeto de playground musical que se adeque ao Parque Gomm.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Para a conclusão do projeto, será necessário atingir certos objetivos como:
1. Pesquisar formas de construção de instrumentos musicais, assim como os materiais que podem ser usados para este fim;
2. Conhecer instrumentos musicais de outras culturas; 3. Pesquisar parques musicais internacionais;
4. Realizar uma pesquisa qualitativa com os usuários do Parque;
5. Projetar um playground atrativo, que ajude a desenvolver as habilidades musicais e que traga benefícios educacionais à crianças de 5 a 8 anos;
6. Desenvolver o protótipo de um dos instrumentos que irão compor o
1.3 JUSTIFICATIVA
Ao propor esse projeto inovador, e que não há registro de similares no âmbito nacional, a intenção é, além de sair do convencional visto no mercado, projetar algo visando o bem-estar dos usuários envolvidos, que resulte em ações positivas em seu cotidiano e em suas vidas.
Um playground musical, não causaria reflexos positivos apenas nas crianças, mas também em seus pais, assim como auxiliaria na visibilidade do Parque Gomm, resultando num equilíbrio que Brown (2009) reforça ser muito importante ao dar início a um projeto.
Precisamos de novas escolhas - novos produtos que equilibrem as necessidades de indivíduo e da sociedade como um todo, novas ideias que lidem com os desafios globais de saúde, pobreza e educação, as estratégias que resultem em diferença que importam e um senso de propósito que inclua todas as pessoas envolvidas (BROWN, p. 3, 2009)
A música está presente em quase todos os aspectos do cotidiano, nos meios de comunicação, vídeos, lojas, bares, restaurantes, carros, entre outros, em quase todo o tempo, portanto, a música acaba se tornando parte essencial do dia a dia de um ser humano (HUMMES, 2004).
A partir dessa abordagem, deve-se considerar também que outro aspecto essencial de rotina dos seres humanos é a convivência e interação social, visto que esta, quando se dá em ambientes lúdicos, tende a incentivar a criatividade e o melhor contato com a cultura, mesmo através de brincadeiras, jogos e música (BROUGÈRE, 1998).
O projeto une estas duas perspectivas importantes para o ser humano, uma vez que propõem a integração através da música, colaborando no desenvolvimento e na educação infantil.
1.4 METODOLOGIA
Para o desenvolvimento desse projeto será utilizada a metodologia do
Design Thinking, com o auxílio da ferramenta de HCD (Human Centered Design),
pois esta metodologia eleva o produto a um patamar de inovação, e isso só se torna possível devido a análise sobre o usuário, criando em conjunto com o mesmo desde o início, para juntos solucionar e experimentar o produto, a fim de que na fase final o projeto atinja o objetivo com êxito.
A parte de experimentação nas fases iniciais é essencial para efetivação do processo, pois redobra a eficácia se o produto for executado em conjunto com o usuário, possibilitando o aumento do elo empático com este, e ajudando a descobrir e entender necessidades e desejos não revelados em uma pesquisa de campo normal, como em realização de questionário on line, por exemplo. Essa imersão resulta em ideias de valor, que passarão por constante experimentação até chegar ao produto final (BROWN, 2010), e o êxito dele não se trata apenas da sua viabilização, mas como também de conseguir promover o bem-estar na vida das pessoas envolvidas (VIANNA, 2012).
A inovação que se busca neste projeto, abordado através do Design
Thinking, consiste em desenvolver algo que seja amplamente acessível aos
usuários, que neste caso são as crianças, e ao mesmo tempo seja eficaz (BROWN, 2009).
Esta inovação, segundo Brown (2009), não se trata apenas da parte estética ou funcional de um produto, mas também do sistema inteiro em torno dele. O designer é convidado a sair de sua zona de conforto durante o processo, uma vez que inserido em uma área diferente do que está acostumado, com a finalidade de contribuir na solução de problemas de interação, meios de comunicação, entre outros.
Por não se tratar de um projeto estritamente da área de design, Brown (2009) comenta sobre o fato de existir uma necessidade de que o projeto seja feito por uma equipe interdisciplinar, tendo diversas áreas de atuação para contribuir na concretização de um projeto que atenda a expectativas de todos.
Os envolvidos colaboraram durante as fases de inspiração / imersão, idealização / ideação e por final na prototipação / implementação, fases que para o
autor se caracterizam como os “três espaços da inovação”, como pode ser analisado na figura 01. A primeira fase diz respeito ao problema que necessita de solução, havendo necessidade de fazer uma imersão em torno do assunto. Na segunda a elaboração de alternativas e os testes das mesmas. E na última fase é feita a entrega do produto aos usuários.
Figura 01: Fases da metodologia Design Thinking Fonte: Autoria própria, 2015
Nesta projeto, a última fase é separada a prototipação e a implementação, uma vez que o produto será confeccionado, para obter uma exploração em torno do mesmo, para que assim seja entregue ao usuários, na fase de implementação.
A necessidade da exploração contínua, sobre o indivíduo e seus comportamentos, pode fazer com que o produto precise voltar à umas destas fases. No momento da implementação, por exemplo, o usuário pode apresentar insights que levem o projeto a uma direção mais interessante. Não se perde o que já foi pesquisado anteriormente, há apenas um aprimoramento e atualização com base nas novas informações. Brown (2009) reforça ainda que é importante errar muitas vezes para obter o sucesso mais rapidamente, evitando a constante volta à umas destas fases anteriores.
O autor também ressalta que para diminuir os números de erros, é importante que o projeto apresente certo equilíbrio harmônico baseando-se em três restrições: desejabilidade, praticidade e viabilidade, ou seja, é conveniente que a ideia gerada seja a intersecção dessas três categorias, que na ferramenta HCD são chamadas de
lentes (Figura 02). Primeiro se examina os desejos do usuário, para que possa avaliar as possíveis técnicas a serem utilizadas e por fim se são viáveis aplica-las.
Figura 02: Lentes do HCD
Fonte: HCD (Human Centered Design)
Segundo Brown (2009), nessa metodologia o briefing age determinando restrições e ao mesmo tempo dando liberdade. O processo dá abertura para a interpretação do conceito, a exploração e a descoberta. Durante essa imersão, o
briefing é utilizado para instigar os insights, que são adaptados e aperfeiçoados
buscando atingir o equilíbrio desejado entre as três lentes citadas acima. Para o autor, esses aperfeiçoamentos que ocorre durante o processo, somente afirmam a importância de se trabalhar em conjunto com os usuários, uma vez que eles são os geradores de insights.
Os insights, em conjunto com outros elementos complementares da metodologia de Design Thinking, ajudam os pesquisadores analisarem os comportamentos através de pesquisa de campo, podendo obter valiosas dicas. Essa aproximação com o usuário gera uma conexão com o mesmo, criando uma ponte entre os insights gerados e as necessidades latentes.
Esta conexão é uma das fases que abrem portas para novas possibilidades e direcionamento ao projeto, podendo causar inovadoras soluções, dando assim
sentido a metodologia Design Thinking ser caracterizado por ser um projeto integrador.
O brainstorming é uma ferramenta, auxiliadora dessa metodologia, que possibilita geração coletiva de ideias, a partir de um grupo de pessoas, pois parte do pressuposto que quando estão em conjunto, os indivíduos tendem a gerar mais ideias consequentemente, dando origem a pensamentos criativos e promissores. Para que uma sessão de brainstorming ocorra de forma eficaz, é importante que não haja restrições que limite os participantes, a liberdade desperta ideias interessantes e inovadoras (NUNES, 2008).
A prática de desenhar em uma sessão de brainstorming, como forma de expressar as ideias, é um método eficaz segundo Brown (2009). O esboço facilita a compreender características funcionais, como também emocionais do desenhista. Desenhos normalmente potencializam as tomadas de decisão e favorece que os resultados apareçam com mais rapidez, o que não se obtêm tanta facilidade quando as ideias são expressas verbalmente.
Palavras e números têm sua utilidade, mas só o desenho pode simultaneamente revelar tanto as características funcionais de uma ideia quanto seu conteúdo emocional (BROWN, 2009, p 74).
Outro método visual eficiente são os mapas mentais, que propicia a explorar e descrever ideias de formas valiosas e organizadas. Para Brown (2009) o post it é uma ferramenta inovadora que auxilia em mapas mentais, pois ajuda na organização de ideias e insights em padrões reconhecíveis. Ao fim deste processo as ideias são afuniladas, divergindo para as mais promissoras. Tanto o brainstorming quanto a metodologia do mapa mental contribuem para a fase divergente de criar opções.
Segundo Martin, nessa fase onde ideias tendem a se multiplicar e ter relações não lineares entre si, nenhum pensamento é dispensado, pois qualquer um, por mais simples que possa parecer é uma fonte de inspiração.
Os pensadores que exploram ideias apostas para construir uma nova solução têm uma vantagem fundamental sobre aqueles que só levam em consideração um modelo por vez (BROWN, 2009, p. 80)
Após essa fase de geração de ideias, ou seja, de ideação do projeto, se inicia a prototipagem do produto. Será nesta etapa em que o produto será avaliado, testando sua funcionalidade e obtendo um feedback do usuário. É importante,
segundo Brown (2009), que durante o desenvolvimento do protótipo deve-se procurar sustentar as ideias obtidas em conjunto aos elementos funcionais e emocionais definidos, para atender as necessidades dos usuários. E ao concretizar uma ideia, dando forma a mesma, possibilita avalia-la visualizando seus pontos positivos e negativos, para que possa refina-la e melhora-la. Por ser nesta fase em que se notarão as falhas, Brown (2009) sugere que os protótipos iniciais sejam de rápida construção, rudimentares e baratos para que não aja desperdício de dinheiro e de tempo.
A meta da prototipagem não é criar um modelo funcional. É dar forma a uma ideia para conhecer seus pontos fortes e fracos e identificar novos direcionamentos para a próxima geração de protótipos mais detalhados e lapidados. (BROWN, 2009, p. 87).
A riqueza de um projeto para Brown (2009) é a história que está por de trás dele, e a experiência significativa e memorável que proporciona às pessoas. Para que isso ocorra é preciso unir a empatia adquirida com a compreensão cultural e contextual, e promover uma experiência na qual crie a oportunidade para envolvimento e participação ativa do usuário.
Um exemplo de participação ativa numa experiência, citado por Lawrence Lessig, e que Brown (2009) inseriu em seu livro, se refere a música. Lessig diz que não se consome música ou terceirizam-se composições como antigamente, as tecnologias existentes permitem que as pessoas possam criar suas músicas sem ter, necessariamente, treinamento formal ou mesmo a capacidade de tocar instrumentos. Hoje, crianças de setes anos são capazes de criar suas próprias melodias exclusivas, proporcionando assim uma experiência única às mesmas.
2 IMERSÃO
Segundo a ferramenta HCD (IDEO, 2009), nesta fase da metodologia serão coletadas histórias que servirão de inspirações, e levará a organizar e conduzir as pesquisas de campo, e a partir deste processo inicial, surgirá os insights, que podem se tornar mais enriquecedores se houver um espaço físico que estimule a criação com pessoas de áreas diferentes dispostas a pensar em conjunto e compartilhar seus conhecimentos.
2.1 PARQUE GOMM
No centro do bairro Batel, no ano de 1906, foi construída a casa da família Gomm (Figura 3) feita de Pinho de Araucária, e em seu quintal havia uma área preservada de Mata Atlântica nativa. A casa, que hoje não é mais habitada, passou por uma restauração e se tornou em 2004 um espaço pedagógico-cultural: a Casa Gomm-Embap, na qual funciona uma parte da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (PARQUES DE CURITIBA, 2014).
Figura 3: Casa da Família Gomm Fonte: Panoramio, 2013
Com o passar dos anos a área em torno da casa foi sendo degradada, devido à construção de um Shopping Center, como pode ser visto na figura 4. Esta edificação apresentou diversos problemas que foram discutidos pelos frequentadores do lugar e passado à secretaria de Urbanismo de Curitiba que no primeiro contato ignorou (TUPAN, 2013).
Figura 4: Vista cronológica aérea do Parque Gomm Fonte: Tupan, 2013
Segundo o jornalista Tupan, a polêmica mais recente envolvendo o Parque Gomm, e que desencadeou diversas manifestações, se trata de um projeto da construção de uma rua passando pela área arborizada do parque, onde haveria um fluxo constante de carros (Figura 5). Esse plano engloba diversas contradições, uma vez que no documento em que devia constar a autorização do projeto, é mencionada a ideia de que se trataria da criação de uma praça, e não de uma rua.
Figura 5: Projeto de construção da rua Fonte: Tupan, 2013
Após a divulgação deste projeto, pessoas de diversas partes da cidade se mobilizaram em prol da preservação desta área pública. As manifestações foram organizadas por integrantes que se denominaram como Amigos do Parque Gomm, e ocorrem de forma pacifica, organizando eventos no local para mantê-lo sempre ocupado. As redes sociais foram essenciais para dar força a essa mobilização social, pois além de informar as pessoas a respeito da causa, serviu para aumentar o número de frequentadores e consequentemente de manifestantes (BREMBATTI, 2014).
Decorrente a essa movimentação, despertou-se atenção dos técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), possibilitando assim um diálogo entre eles e os integrantes do movimento. Desses encontros surgiu a decisão de criar uma unidade
de conservação a ser implantada no Bosque. Ainda há muito a se discutir, porém a princípio a intenção é que nesta nova unidade tenha uma trilha educativa, a qual será anexada ao parque, junto com um espaço para atividade artística para os visitantes onde haverá a contribuição popular no processo de criação (JORNAL DO POVO, 2014).
Segundo o secretário do Meio Ambiente, Renato Lima, a importância de preservar o Parque vai além da sua diversidade de flora e fauna. Por ser um espaço que está numa área predominantemente urbanizada, ele se torna um lugar de pouso para os pássaros e devido a isso atribui a ele uma relevância ambiental, assim como o Passeio Público.
2.1.1 Musicalização no Parque Gomm
Todos os finais de semana há diversas atividades ocorrendo no Parque Gomm. Entre esses eventos houve uma confraternização de fim de ano de uma escola de música para crianças, onde pais e filhos aproveitavam a manhã no Parque com muita música, num espaço próprio onde puderam brincar com seus brinquedos instrumentais. Essa foi a oportunidade para se aproximar e compreender a ligação da música com as crianças, pelo ponto de vista delas e de seus pais, criando assim um elo empático com eles, que segundo Brown (2009) é fundamental na aplicação do Design Thinking para o projeto. Essa fase consiste na compreensão do usuário, e neste caso analisar o ponto de vista tanto dos pais quantos de seus filhos. Para a realização desta analise foram feitas entrevistas com os pais, com registros autorizados pelos mesmos (Apêndice A), a fim de aperfeiçoar o projeto e de fazê-lo em conjunto com os futuros usuários.
Durante o evento, cinco mães foram entrevistadas e questões sobre de onde surgiu o incentivo de colocar seu filho numa escola de música, que instrumentos ele demonstra mais e menos interesse e como imaginariam um brinquedo instrumental ideal para seu filho.
A primeira entrevistada é mãe de uma filha de 2 anos, que desde bebê demonstrava interesse por música, ao se entreter com objetos que produzia sons. A partir dos conhecimentos que atualmente adquiriu na escola de iniciação musical,
seus instrumentos preferidos são: maraca, pandeiro, piano, tambor, reco-reco e violão, como mostrado na figura 6. Na entrevista, a mãe disse que imagina instrumentos que possibilitem à criança tocar tanto com os pés quanto com as mãos, e sugeriu ainda a ideia de um escorregador onde embaixo houvesse pedaços de bambu, que emitissem sons quando a criança escorregasse (OLIVEIRA, 2014).
Figura 6: Instrumento musical infantil Fonte: Autoria própria, 2015
Outra mãe entrevistada, com um filho de 4 anos diz que este começou a iniciação musical aos 2 anos e seu interesse por música surgiu por causa de seu pai, que é músico. Com isso, os pais decidiram introduzir a criança no meio musical, através das aulas, e hoje ela aprecia instrumentos como piano, chocalho, porongo e flauta. Quando questionada sobre como imaginaria um instrumento ideal para uma criança, a mãe comenta que as crianças perdem o interesse quando um instrumento é complexo demais, e acredita que os de percussão sejam os mais adequados para crianças mais novas, pois estimulam a coordenação motora e instiga fascínio por música(CHIONILLI, 2014).
A terceira mãe entrevistada declarou que seu filho de 2 anos demonstra, já nessa idade, curiosidade por certos instrumentos como piano, bateria e de percussão em geral. A mãe sugeriu que o brinquedo ideal seria algo envolvendo percussão ou sopro, pois segunda ela são os que mais podem ser explorados. Seu
filho possui um brinquedo de música (Figura 7), que possibilita cinco tipos de sons diferentes quando tocados separadamente (ROSA, 2014).
Figura 7: Instrumento musical infantil Fonte: Autoria própria, 2015
A quarta entrevistada é mãe de uma menina de 2 anos, que frequenta a escola musical há seis meses. Os pais optaram por colocar a filha na iniciação musical devido ao fascínio que ela demonstrava pelo som que saía das cordas do violão de seu pai. Além desse instrumento, também mostra interesse por tambor, chocalho e teclado. A mãe sugeriu que o teclado mesmo seria uma boa opção para um brinquedo, mas ressaltou que existe uma importância quanto ao visual, e que para ser mais atrativo para as crianças, sugeriu que fosse todo colorido (FARIAS, 2014)
A última mãe entrevistada, compareceu no evento com seu filho de 4 anos, e por vim de uma família de músicos, sempre soube dos benefícios da música para o desenvolvimento da criança, e por isso, desde os oito meses seu filho faz iniciação musical. Ele aprecia instrumentos de sopro, e se incomoda com aqueles que emitem sons muito altos. A mãe também declarou que seu filho apresenta certa dificuldade com instrumentos de corda (MELO DE PAULA, 2014).
2.2 MÚSICA
Música, segundo J. Jota de Morais no livro O que é Música, é o movimento, a tensão, o relaxamento, além de ser uma forma diferente de pensar e de sentir. Há três formas de se ouvir a música: com o corpo, emotivamente e intelectualmente. Com o corpo é quando a pessoa ouve a música e o corpo vibra, pulsa, é um movimento orgânico, é a mistura da música com o ser humano. Emotivamente é o que acontece quando se expressa em palavras como “lindo”, “triste”, “sem palavras para expressar”, é ouvir e se envolver com o que está sendo ouvido, ouvir também seus próprios sentimentos, se entregar às sensações do som. Já ouvir música intelectualmente é entender a música, sua estrutura, é ver a beleza estética e não emocional (MORAIS, 1983).
Morais afirma que a música é um fenômeno universal, mas não é possível chamá-la de linguagem universal, pois apesar de todos os povos do planeta se manifestarem sonoramente, ela é diferente em cada comunidade, tendo um sentido diferente para cada grupo. A música, ao contrário da linguagem, não pode ser traduzida, pois ela pode ser compreendida em inúmeras maneiras por outras culturas, mas não terá a importância e emoção que tem para seu próprio povo. Por esse motivo serão apresentados nos tópicos a seguir algumas diferentes culturas musicais e exemplos de instrumentos marcantes dentro delas, informações que serão de grande valia para o projeto.
Independente da cultura, ao compor uma música, é necessário haver uma combinação simultaneamente entre seis elementos musicais importantes, que se denominam como componentes básicos, dentre eles estão: melodia, harmonia, ritmo, timbre, forma e textura (BENNETT, 1986).
Para ajudar na elaboração deste projeto, será necessário conhecer o significado de cada elemento, para que possamos inserir esses componentes na sonoridade do playground. Bennett descreve os elementos da seguinte forma:
Melodia: Considerado como o componente mais importante, se trata de uma sequência de notas, organizado de certa forma que faz sentido a quem escuta;
Harmonia: Quando duas ou mais notas são tocadas simultaneamente formando um acorde, este por sua vez pode ser concordante, onde duas notas concordam entre si, ou dissonantes no qual as notas dissoam em maior ou menor grau, causando elemento de tensão na frase musical. Sendo assim, a harmonia se refere à seleção de notas que constitui determinado acorde em sentido amplo;
Ritmo: Um componente usado para se referir aos diferentes modos pelos quais determinados sons musicais são agrupados, formando uma batida regular que servirá como referência ao ouvidor para medir o ritmo;
Timbre: Este é um componente que ajudar a diferenciar os instrumentos, cada um tem sua qualidade de som, que pode ser notada quando escutada;
Forma: Se refere ao projeto de composição de uma obra musical;
Textura: Este aspecto da música se refere ao efeito que a sonoridade produz. Bennett (1986) faz a seguinte comparação “a trama formada pelos fios de um tecido com a organização dos sons numa composição musical”. E segundo ele, há três maneiras básicas de o compositor "tecer" uma música: monofônica, polifônica e a homofônica.
2.2.1 Educação musical infantil
O som está em cada canto da cidade, da floresta, do céu gerando movimentos em forma de vibrações sonoras, e assim nos integrando ao mundo que vivemos (BRITO, 2003). Para a educadora Teca de Alencar de Brito, o som é tudo que soa, e complementa que para alguns mitos da cultura humana, o som é visto como o poder da criação do universo.
Independente da crença que cerca sobre o som, a música por si só é uma expressão artística presente em diversas culturas pelo mundo, em consequência à isso, se viu a necessidade que implementa-la na educação infantil, uma vez que ela
é vista como uma linguagem importante para o desenvolvimento educacional (BRASIL, S/D)
A linguagem é toda e qualquer forma de comunicação inventada pelo homem ao longo da humanidade, portanto uma construção social. Ela possibilita as interações das crianças com a natureza e a cultura, para que possa construir sua subjetividade e se constituírem como sujeitos sociais. (BRASIL, s/d, p. 7)
Para a educadora Brito (2003), para que alcance com êxito a formação integral do ser humano, a educação musical deverá acontecer em contexto nos quais os alunos se sintam respeitados e estimulados a explorar, experimentar, pensar, sentir, questionar, criar, argumentar e a discutir. Brito ainda enfatiza que propor exercícios geradores de autodisciplina e consciência promove situações de comunicação e relacionamento entre as crianças, resultando em uma integração musical e em um inter-relacionamento humano.
O desenvolvimento musical ocorre de modo contínuo, inicialmente os conceitos musicais são transmitidos às crianças de um modo muito vago, e ao longo do processo nota-se um aumento na complexidade, que vão sendo compreendidos e assimilados de forma natural pelas crianças, cada vez com maior precisão e exatidão. A resposta à música é possível devido às experiências concretas vividas pelas crianças, que as orientam para o conhecimento abstrato da linguagem musical, sendo assim, a experiência, como para qualquer desenvolvimento humano, também é um fator indispensável para o desenvolvimento musical (MÁRSICO, 2011).
Para a efetivação do desenvolvimento é primordial o contato com a música através de atividades que auxiliam na diferenciação e integração dos elementos musicais, ou seja, na apreensão de detalhes significativos e organizando elas em uma ordem superior. Para a educadora, é a partir disso que a criança atinge uma compreensão satisfatória em torno da música, pois passa a dominar a estrutura rítmica e melódica, e suas relações tonais. Segundo Mársico (2011), a diferenciação é responsável por estabelecer a distinção entre os sons quanto à altura, à duração, à intensidade, ao timbre, etc. Já a integração dos elementos musicais depende da capacidade de identificação e reconhecimento perceptíveis.
Assim como em qualquer aprendizagem, é necessário respeitar as diferenças individuais, pois nem toda criança consegue atingir o mesmo nível de desenvolvimento, que para a autora isso é decorrente das características qualitativas do senso musical.
A autora apresenta dois casos que exemplifica graus de desenvolvimento diferentes. No primeiro uma criança que não toca nenhum instrumento e se mostra incapaz de cantar afinado, essa incapacidade, segundo Mársico (2011), pode ser devida à falta de domínio do aparelho fonador. Entretanto se a criança não for capaz de reproduzir uma melodia nem vocalmente e nem utilizando um instrumento, pode significar que ela possua a ausência de representação ou de imagens musicais, uma vez que ela não consegue realizar atividades nas quais essas imagens são necessárias.
Todo processo de aprendizagem requer algum tempo para alcançar o conhecimento, e no caso da música não é diferente, a educadora orienta que para o desenvolvimento da musicalidade, é necessário “colocar em prática atividades musicais que proporcionem a aquisição de habilidades e capacidades musicais básicas, através da exploração e manipulação de elementos musicais”.
Em seu livro, a educadora dispõe o desenvolvimento musical em quatro estágios, sendo eles:
1º estágio: do 0 aos 2 anos
2º estágio: dos 3 aos 6 anos
3º estágio: dos 7 aos 12 anos
4º estágio: adolescência
A separação por estágio acontece devido às diferenças individuais entre as crianças, e consequentemente serve como ponto de referência para o professor avaliar se determinada idade está tendo um desempenho correspondente a sua idade mental, desenvolvimento social, emocional e físico.
Para obter uma segunda opinião quanto à educação infantil, foi realizado uma entrevista com a educadora musical Vivian Madalosso (Apêndice B), da Escola Alecrim Dourado em Curitiba - PR, a qual auxiliará no desenvolvimento desse projeto.
Conforme Madalosso o envolvimento da criança com a música ocorre através do contato com os instrumentos, interagindo com o corpo, tocando, sentindo, batendo, chutando, interagindo da forma que ela sente necessidade para que a intimidade com o instrumento possa surgir.
Para Madalosso, a musicalização ou alfabetização musical acontece em três etapas:
1. Musicalização infantil: a criança tem entre 3 meses a 2 anos e meio a aula acontece com o acompanhamento dos pais;
2. Iniciação musical: as crianças têm de 2,5 anos a 5 anos. Os alunos já estão sem o acompanhamento dos pais e a aula acontece de uma forma mais formal, ou seja, ela aprenderá timbre, nota, propriedades do som, entre outros fundamentos da música;
3. Pré-instrumental: 5 a 8 anos. As aulas são mais longas, com momento coral e momento instrumental, e as crianças conhecem diversos instrumentos, de forma que possam decidir se tem mais afinidade com algum e se desejam continuar no ensino musical. Todas as propriedades do som e da música são ensinadas antes das crianças conhecerem os instrumentos.
Sobre as atividades executadas por educadores musicais e os benefícios que os exercícios proporcionam às crianças, Beatriz Ilari (2003) destaca em seu artigo o canto e o movimento; execução instrumental; construção de instrumentos musicais; composição e a improvisação musical e por fim os jogos musicais.
O canto e o movimento corporal são respostas aos estímulos sonoros, considerados por especialistas uma reação natural e espontânea vindas das crianças (Figura 8). Segundo Ilari (2003), o primeiro pode resultar numa ativação dos sistemas da linguagem, da memória e de ordenação sequencial. Quanto o movimento, ajuda a desenvolver os sistemas de orientação espacial e motor. E quando são trabalhados juntos podem chegar a estimular pelo menos seis sistemas no cérebro da criança.
Figura 8: Benefícios da música Fonte: Música Plena, 2014
Ao executar o som de um instrumento, a criança, além de estar aprendendo a tocar um instrumento, estará estimulando o desenvolvimento dos seus sistemas de controle de atenção, de orientação espacial, de memória. Ilari (2003) complementa que quando a aprendizagem acontece em grupo, a criança desenvolve o sistema de pensamento social. Nas primeiras fases da iniciação musical, é aconselhável a utilização de instrumentos de fácil execução, a fim de desenvolver o senso de competência na criança e consequentemente fazer com que ela se sinta motivada a aprender um instrumento mais difícil em uma fase subsequente na sua formação musical.
A construção de um instrumento musical é uma experiência rica, principalmente para quem está iniciando seu contato com o meio da música. A liberdade da construção possibilita ensinar às crianças, na prática, sobre diversas influências que o som está submetido, como por exemplo, diferença de dimensões e de materiais.
Compor é outra experiência prazerosa que Ilari (2003) destaca em seu artigo, segundo ela, o ato de compor ajudará ativar os sistemas de controle de atenção, da memória e da linguagem, uma vez que envolve a experimentação dos sons, utilização do ouvido interno para fazer improvisações.
Por fim, Ilari (2003) comenta sobre os benefícios dos jogos musicais, quando realizados de forma lúdica entre os alunos, resultam em uma atividade rica de aprendizado, motivação e neurodesenvolvimento. Por serem feitos, na maioria das vezes em aulas coletivas, os jogos estimulam os sistemas de orientação espacial e do pensamento social, entre outros sistemas, dependendo do tipo do jogo.
Brincadeira lúdica, de uma forma geral, é um elemento importante para o desenvolvimento da criança, e como já foi citado, fundamental também no que diz respeito ao processo de musicalização, pois é através da brincadeira que também pode acontecer o aprendizado. (SOUZA, 2008)
Fernanda Souza aprofunda, em seu artigo publicado na revista ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical), sobre a importância do brincar, para a professora as crianças se aproximam mais da música através de uma brincadeira. Elas vão descobrindo o som, explorando os materiais muitas vezes de formas inesperada devido a sua curiosidade e criatividade, chegando a reinventar a brincadeira que foi proposta. Esta descoberta só se torna possível por conta da brincadeira ser uma atividade livre e espontânea, que segundo os estudos apresentados por Souza (2008), é um exercício responsável pelo desenvolvimento físico, moral e cognitivo, uma vez que ajuda a desenvolver os músculos, a mente e a coordenação motora.
Outro aspecto que Souza (2008) salienta em seu artigo, é como a brincadeira auxilia no desenvolvimento da socialização da criança, que só tende a ser mais eficaz quando o ambiente desperta a coletividade, repassando assim valores e comportamentos que essa característica carrega.
2.3 INSTRUMENTOS MUSICAIS
A música estava presente em diversas culturas, e possui significados diversos, mas independente do lugar, os instrumentos musicais possuem, assim como até hoje em dia, o poder de despertar e expressar emoções. Usados em cerimônias religiosas e comemorativas, os instrumentos são usados tanto em conjunto quanto individualmente. Na música erudita, quando o som é produzido em conjunto pequeno é nomeado como música de câmara, e orquestra quando se trata de um conjunto com maior número de instrumentistas (ESCOLA BRITANNICA, 2015).
Não há fatos que comprovem a origem dos primeiros instrumentos musicais, mas se sabe que os homens começaram a construí-los com o intuito de imitar sons da natureza, desde os mais sutis, como o vento, aos mais marcantes como o rugido de uma fera. (FERNANDES, 2010)
Segundo Fernandes (2010), os primeiros instrumentos que se têm conhecimento são aqueles feitos de ossos de animais, o arco, corda e tambores.
Os Chocalhos e Apitos sugiram na Idade da Pedra Lascada, esculpidos em materiais recolhidos da natureza, os ossos, por exemplos, eram utilizados como
Apito e Flauta (Figura 9).
Figura 9: Apito e flauta de ossos
Outro instrumento muito antigo é o Tambor, no qual é usada pele de animal desde a sua origem, e inicialmente era utilizado para ajudar na comunicação a distância e em rituais religiosos.
A Harpa apareceu em seguida, a partir dos arcos de caça que faziam sons quando as cordas se roçavam. Desse som surgiu a lira, instrumento importante para os gregos usados para acompanhar leituras.
Outro instrumento peculiar da Grécia Antiga é o Krotala (Figura 10) que consiste em pares de barras de madeiras curvas as quais eram unidas por uma dobradiça feita de pele. Krotala era segurado entre o dedo polegar e o médio de cada mão e tocado em uma frequência elevada com ritmo (ALVES SILVA, 2008).
Figura 10 - Krotala Fonte: Blog ACEAV, 2007
O surgimento de diversos instrumentos gerou a necessidade de classifica-los. A organologia é o estudo e a classificação dos instrumentos musicais, e segundo o material de apoio do curso de licenciatura em música da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) há duas formas de classificação. A primeira quanto à fonte sonora, ou seja, constituição física de cada instrumento, normalmente esta classificação é usada pelos musicólogos e físicos. A segunda maneira de classificar os instrumentos se dá conforme a forma de produzir o seu som, geralmente usada pelos músicos e encontrada em materiais de apoio sobre instrumentação e orquestração.
Albertino Aires em seu livro Educação Musical (2007) utiliza a primeira classificação descrita à cima, na qual os instrumentos são subdividos em: cordofones, aerofones, membranofones e idiofones.
Os cordofones são aqueles que produzem som através das vibrações nas cordas, que podem ser de aço, latão, tripa ou nylon. A altura do som varia de acordo com a largura e o tamanho das cordas. Entre os exemplos de cordofones, citado por Aires (2007), encontra-se: Harpa, Guitarra, Alaúde, entre outros. Instrumentos como
Piano, Cravo ou Orgão também são considerados dessa família uma vez que as
cordas internas ressoam através de baquetas, por exemplo.
Quando o som é reproduzido com a vibração do ar, o instrumento é categorizado como um aerofone. Existem instrumentos de sopro feito tanto de metal como também de madeira.
Os instrumentos de percussão se dividem em membranofones e idiofones. O primeiro é o nome dado aos instrumentos musicais em que o som é produzido através das vibrações nas membranas esticadas, sob uma caixa de ressonância de forma e tamanho variado. Para auxiliar a produção do som, usam-se normalmente baquetas ou apenas a mão. Como exemplo de membranofones têm-se o Pandeiro,
Bateria, Tambor, entre outros.
Aires (2007) afirma que os idiofones são instrumentos que produzem sons a partir da vibração do próprio corpo ao ser batido, raspado ou agitado, como por exemplo, os triângulos e as claves. Há ainda dentro dessa mesma categoria os lamelofones, conhecidos como idiofones dedilhados, pois é necessário vibrar as palhetas de metal ou de bambu com os polegares.
Com a modernização dos instrumentos, no século XX foi inserida outra família, de eletrofones, ou seja, os que geram sons através de meios eletrônicos. (VEIGA, 2015)
A classificação dos instrumentos conforme a sua execução é divida em instrumentos de corda, de sopro, de percussão e de teclado, e cada um possui subgrupos (UFRGS, 2015).
Há três tipos de cordas (Figura 11), as friccionadas que são os instrumentos de arco (violino, viola, contrabaixo, etc); as pinçadas que necessitam de dedilhamento (violão, harpa, etc) ou o uso da palheta (cavaquinho, bandolim) e por fim as cordas percutidas, as quais são percutidas por baquetas ou martelos (piano, címbalo, etc).
Figura 11 – Instrumentos de cordas (violino, violão, bandolim e piano) Fonte: Montagem de autoria própria, 2015
Quanto aos instrumentos de sopro, o material de apoio disponibilizado pela UFRGS divide em sopros de madeiras (Figura 12) e de metal (Figura 13). O primeiro é dividido em três tipos: embocadura livre (flauta), palheta simples (clarinete, saxofone), palheta dupla (oboé, corne inglês, fagote). Os instrumentos de sopros feitos de metal também são divididos em três tipos, sendo eles: instrumentos de vara (trombone); instrumentos de válvula rotatória (trompa), instrumentos de pistão (trompete).
Figura 12 – Instrumentos de sopros de madeira (flauta, clarinete, fagote) Fonte: Montagem de autoria própria, 2015
Figura 13 – Instrumentos de sopros de metal (trombone, trompa e trompete) Fonte: Montagem de autoria própria, 2015
Os instrumentos de percussão por sua vez, são divididos em dois grupos. O primeiro, classificado como altura indefinida, (Figura 14) possui diversos tipos, entre eles os instrumentos sacudidos (chocalho, matraca), instrumentos de madeira (claves, woodblock), instrumentos de pele (caixa clara, bombo), instrumentos de metal (triângulo), entre outros. Já o segundo grupo, chamado de altura definida (Figura 15), possui apenas duas subdivisões: instrumentos de pele (tímpanos, rotontons) e instrumentos de teclado (xilofone, marimba, vibrafone)
Figura 14 – Instrumentos de percussão de altura indefinida (chocalho, claves e caixa clara) Fonte: Montagem de autoria própria, 2015
Figura 15 – Instrumentos de percussão de altura definida (rotontons e xilofone) Fonte: Montagem de autoria própria, 2015
Por último, o material sobre organologia da UFRGS, destaca os instrumentos de teclado (Figura 16), grupo que é dividido em três tipos. Os com corda percutida, no qual o som é produzido pela percussão das cordas, como por exemplo, o piano. Em seguida destaca o teclado com corda beliscada, em que o som é produzido a partir de plectros (palheta) que puxam as cordas, o que acontece em instrumentos como o cravo e espineta. Por último há os teclados de vento, como por exemplo, o órgão e o harmônico, nestes o som são produzidos através da vibração de coluna de ar.
Figura 16 – Instrumentos de teclado (piano, cravo e orgão) Fonte: Montagem de autoria própria (2015)
Essa introdução sobre os instrumentos musicais comprova que povos de todas as partes do mundo, produziam suas músicas muito antes do que se pensava. Existem mitos africanos, asiáticos, americanos que contam como os deuses inventaram os instrumentos musicais. E mesmo depois de muito tempo, há povos que acreditam nos poderes sobrenaturais que está por de trás dos sons (ALENCAR, 2008).
Segundo Alencar, a essência da música não está apenas nas clássicas, de instrumentos requintados, é importante ressaltar as produções musicais mais rudimentares como vista nos povos indígenas, africanos, orientais, entre outros.
Dentre esses povos, a historiadora Alencar comenta sobre a influência dos povos africanos, principalmente da região subsaariana, exercida nos elementos da musicalidade no Brasil. Dentre as bases rítmicas trazidas pelos escravos, as que merecem ser destacadas quanto a importantes para a nossa cultura é a Umbigada e o Maxixe, que deram origem a um popular gênero musical brasileiro: o samba.
Além da contribuição rítmica, os africanos também enriqueceram o país com instrumentos musicais de sua cultura.
2.3.1 INFLUÊNCIA AFRICANA
A cultura africana é uma das mais diversificadas do mundo, e devido a isso, são encontrados inúmeros estilos diferentes de música nas regiões africanas. Sua influência chegou às Américas através dos escravos africanos, e a partir da combinação do estilo folk, de colonos europeus, deram origem a outros gêneros musicais como blues, gospel e jazz, que se tornaram base para o mundo da música até nos dias de hoje. (BBC, 2014)
Segundo a matéria da BBC (2014)os tambores africanos são feitos a partir de materiais como madeira, metal, cerâmica ou frutos. Esses instrumentos possuem diferentes formatos e tamanhos, gerando notas diversificadas. Outros elementos como o chocalho de metal, sementes e miçangas podem ser colocados dentro do tambor, alterando assim o som que produzirá.
Dos tambores africanos, o mais conhecido é o Djembe, esculpido em um tronco oco obtendo o formato de uma taça, e em uma de suas extremidades é envolvida com pele de cabra, onde com o auxílio da mão o som é percutido.
Há também os tambores falantes (Figura 17), que imitam ritmos e entonações da voz. Pertencentes à família de tambores sob pressão, esses possuem forma de ampulheta, possibilitando a percussão do som nas duas extremidades. Normalmente são usados para imitar sons de fala ou simplesmente como alerta. O tom desse instrumento pode ser alterado afrouxando ou apertando as cordas do Tambor com o braço (BBC, 2014).
Quando é tocado um conjunto de tambores, de diferentes estilos, observa uma complexidade rítmica e de textura. Existe sempre um principal que fica responsável por “orquestrar” os outros, determinando padrões e orientando nas mudanças de ritmo.
Figura 17 – Tambores falantes
Fonte: African Percussion Resource, 2015
Há ainda os instrumentos africanos de corda, como os vários tipos de alaúde, harpa e cítara, porém os mais conhecidos se chamam Ud e Kora (Figura 18), uma harpa de pescoço longo com muitas cordas.
Figura 18 – Kora
Fonte: People With Voice, 2011
Além dos instrumentos citados, a matéria da BBC (2014) destaca outros dois melódicos conhecidos como Balafon e Mbira (Figura 19). O primeiro é um instrumento de percussão campal com barras feitas de bambu ou de tronco de árvore. Já o Mbira ou Kalimba, ou polegar piano, são pedaços curvos de madeira presos a um suporte. É mais conhecido pelo segundo nome, pois é um instrumento tocado com os polegares.
Figura 19 – Balafon e Mbira
Fonte: Montagem de autoria própria, 2015
O Bravo Afro Brasil (2010) destaca outros instrumentos de origem africana, dentro os que são classificados como idiofone se destaca o Afoxé e o Agogô (Figura 20).
Figura 20 – Agogô
Fonte: Valmir das Biribas, 2011
Além desses, existem outros com nomes mais familiares como Caxixi (Figura 21) e o Berimbau, conhecidos por ser usados na atividade de capoeira, e a
Cuíca, um instrumento de fricção muito usado no carnaval brasileiro.
Figura 21 – Caxixi
Fonte: Capoeira na alma, 2005
2.3.2 INFLUÊNCIA INDÍGENA
A música, para os povos indígenas, sempre esteve associada ao universo metafísico no qual as tribos acreditam como também em eventos festivos.
Independente da ocasião, o som dos instrumentos é um fator essencial, e segundo a compositora, pianista, professora e musicóloga Helza Camêu (1977), os índios acreditam que os instrumentos têm uma origem, uma lenda na qual cada um possui um significado específico, e deve ser vinculado ao que é destinado.
Os instrumentos musicais dos índios brasileiros possuem uma vasta variedade de aspectos que são notoriamente reconhecíveis, o que significa que o contato com o branco não interferiu na padronização dos instrumentos e em suas utilizações. A maioria é confeccionada a partir das mesmas matérias prima, diferenciando apenas em suas particularidades como o material de confecção, estrutura e no que tem sido frequentemente qualificado como ornamentação (CAMÊU, 1979).
Há dois tipos de trombetas que Camêu (1979) destaca em seu livro, a Apieti
Amu e a Hôhi (Figura 22). O primeiro instrumento é uma trombeta feita com tubo de
bambu de 400 mm de comprimento unido a uma cauda de tatu canastra. Para a união das peças há penas negras da ave de espécie mutum e vermelhas de arara por cima dos fios de algodão, que auxilia na fixação das peças feitas por compressão. Enquanto a segunda é confeccionada a partir de um tubo de bambu de 580 mm e unida a chifre de boi (técnica de compressão). O tubo funciona como condutor da coluna de ar, enquanto o chifre possui função de ressonância. Na junção da cânula com o chifre, além de fios de algodão, há também cascos e penas.
Figura 22 – Apieti Amu e Hôhi Fonte: CAMÊU, 1979
Entre as flautas, a mais conhecida nos dias atuais é a Flauta de Pã (Figura 23), que são tubos unidos por uma embira, com calibres iguais apenas diferenciados em seu comprimento. Além dessa há também as Jakui e a Membi (Figura 24), essa última é um instrumento confeccionado a partir de um tubo de bambu, contento três orifícios, abertos a fogo e larga saída de som.
Figura 23 – Flauta de pã Fonte: CAMÊU, 1979
Figura 24 – Jakui e Membi Fonte: CAMÊU, 1979
Os chocalhos presos em diversas partes do corpo possibilitam a reprodução sonora a partir de danças ou de gestos. Nos de atrito encontramos instrumentos como o Reco-Reco, Bastões e Chocalhos, que produzem ruídos singulares. Sons que variam de acordo os materiais que entram em choque dentro dos instrumentos, podendo ser madeiras, sementes ou élitros (asas de besouros). Outro fato que influência nas variações de timbre é intensidade e frequência dos movimentos que impulsiona o instrumento. Há também os chocalhos fieiras, no qual os objetos são