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Uma análise ao direito à intimidade em face da internet.

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Academic year: 2021

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UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO

CURSO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

JÚLIO CÉSAR SANTOS DE AZEVÊDO

UMA ANÁLISE AO DIREITO À INTIMIDADE EM FACE DA INTERNET

SOUSA - PB

2010

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UMA ANÁLISE AO DIREITO À INTIMIDADE EM FACE DA INTERNET

Monografia apresentada ao Curso de

Ciências Jurídicas e Sociais do CCJS

da Universidade Federal de Campina

Grande, como requisito parcial para

obtenção do título de Bacharel em

Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientador: Professor Esp. Guerrison Araújo Pereira de Andrade.

SOUSA - PB

2010

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U M A A N A L I S E A O D I R E I T O A I N T I M I D A D E E M F A C E DA I N T E R N E T

T r a b a l h o m o n o g r a f i c o a p r e s e n t a d o ao Curso de Direito do C e n t r o de Ciencias Juridicas e Sociais da Universidade Federal de C a m p i n a G r a n d e , c o m o exigencia parcial da obtengao do titulo de Bacharel e m Ciencias Juridicas e Sociais.

Orientador: Prof. Guerrison A r a u j o Pereira de A n d r a d e

B a n c a E x a m i n a d o r a : Data de a p r o v a c a o : 18 de n o v e m b r o de 2 0 1 0

Prof. Guerrison A r a u j o Pereira de A n d r a d e O r i e n t a d o r - U F C G

Prof3, lana Meio Solano

E x a m i n a d o r a - U F C G

Prof3. Maria M a r q u e s Moreira Vieira

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A Claudione e Lucia, m e u s queridos pais, pelos e n s i n a m e n t o s e valores morais q u e m e legaram, c o m o t a m b e m pela batalha incessante para q u e este s o n h o viesse a se tornar realidade, s e n d o f o n t e de inspiragao e servindo c o m o base para t o d o s os p a s s o s desta longa c a m i n h a d a .

A minha avo e madrinha Estefania, por ter d e d i c a d o toda sua vida a f a m i l i a .

A minha avo Antonia e a avo Adalgiza.

A o s m e u s tios Titico, Miranor, Naldinho, Jacinta e Nega, pela p r e s e n c a no m e u crescimento.

A o s primos Helder, E r n a n , Azuil e M a t h e u s , por terem compartilhado u m a infancia de sonhos e m o l e c a g e n s .

A o s d e m a i s familiares, pela confianga prestada.

A Danielle Lucena, minha n a m o r a d a , responsavel pelo afeto, carinho, atengao e a m o r direcionados a minha p e s s o a , fonte de inspiragao e m t o d o s os p a s s o s da m i n h a vida a c a d e m i c a e profissional.

A o s a m i g o s d a Generina Vale, Nilvinha, Socrates, Pato, Novinho, S u e l , Peta, Cesar e Sergio, pela infancia e adolescencia q u e j a m a i s presenciei igual.

A galera d a e s q u i n a , e m especial Diego, Brejeiro, T h i a g o e B e b e g a .

A o a m i g o e irmao Tiago T o m a z "Bakana", pela a m i z a d e e confianga c o n s t r u i d a .

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A galera d a Bat C a v e r n a , e m especial a Boqueira e Bocao, v e r d a d e i r o s irmaos, neste p e r i o d o q u e p a s s a m o s j u n t o s .

A o Externato Santo A n t o n i o , e ao Colegio D i o c e s a n o S e r i d o e n s e , pela vida estudantil e aprendizado.

A o s colegas e amigos da U F C G .

A t o d o s os professores do C C J S , pelos e n s i n a m e n t o s e f o r m a c a o a c a d e m i c a , e m especial ao orientador G u e r r i s o n , a Francivaldo G o m e s , Epifanio, J a c y a r a , Toinho, Tiago Marques e Anrafel.

A o Sr. Antonio do DDD.

A t o d o s os funcionarios do C C J S .

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Esta pesquisa analisa o direito a intimidade e m f a c e da internet. Portanto, a problematica do presente estudo pretende entender, se e c o m o o direito a intimidade c o m o parte d o s direitos f u n d a m e n t a i s , e a s s e g u r a d o n o r m a t i v a m e n t e diante d a evolugao tecnologica no tocante a informatica. O objetivo consiste e m expor o direito a intimidade e analisar s u a s caracteristicas, conteudo e limitagoes, m o s t r a n d o sua fragilidade e m f a c e d a informatizacao. Portanto, justificativa d o trabalho e m analise se revela diante de que o direito a intimidade e c o n s a g r a d o c o m o u m direito f u n d a m e n t a l na Constituigao Federal de 1988, e n c o n t r a n d o - s e a s s e g u r a d o no art.5°, X. L o g o , e necessario verificar se o sistema juridico brasileiro a c o m p a n h a o ritmo imposto pela ciencia da tecnologia, ja q u e essa evolui e m velocidade exorbitante. Pois c o m o se sabe, e crescente o n u m e r o de c a s o s e m q u e a intimidade e violada atraves do uso do c o m p u t a d o r e assim, e necessario q u e se garanta de f o r m a expllcita e eficaz a e s s e direito basilar. Todavia, p e r c e b e - s e que o direito patrio esta obsoleto c o m relagao ao p r o b l e m a e l e n c a d o , necessitando de u m a reformulagao e normatizagao para que o direito a intimidade nao fique e s q u e c i d o e se t o m e cada vez mais f r a g m e n t a d o .

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This research e x a m i n e s the right to privacy in t h e face of the internet. Therefore, the issue of this study is to understand w h e t h e r and how t h e right to privacy, as part of f u n d a m e n t a l rights is e n s u r e d normatively f a c e of technological d e v e l o p m e n t s in relation to information technology. T h e goal is to e x p o s e the right to privacy and to analyze its characteristics, content and limitations, showing its fragility in the face of computerization. Therefore, justification of the w o r k under review unfolds before y o u the right to privacy is enshrined as a f u n d a m e n t a l right in the Constitution of 1988 and is secured in art.5 °, X. It is therefore necessary to verify that the Brazilian legal s y s t e m to keep pace i m p o s e d by the science of technology, since it evolves at exorbitant rate. For as w e know, are a growing number of c a s e s in which intimacy is violated through the use of c o m p u t e r s and thus it is necessary to g u a r a n t e e explicitly and effectively to this basic right. However, it is clear that the Brazilian laws are obsolete part listed on the p r o b l e m , w h i c h needs an overhaul a n d standardization so that the right to privacy m u s t not be forgotten and b e c o m e increasingly f r a g m e n t e d .

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1 I N T R O D U g A O 11 2 A INTIMIDADE E S U A E V O L U Q A O C O M O D I R E I T O F U N D A M E N T A L ... 13 2.1 D O S D I R E I T O S F U N D A M E N T A I S 13 2.2 A E V O L U Q A O D O S D I R E I T O S D O H O M E M 16 2.3 O P R I N C i P I O DA D I G N I D A D E D A P E S S O A H U M A N A 17 2.4 O D I R E I T O A I N T I M I D A D E E S U A S O R I G E N S 18 2.5 O E N S A I O DE W A R R E N E B R A N D E I S 20 2.6 A C O N S T I T U C I O N A L I Z A Q A O D O D I R E I T O A I N T I M I D A D E N A R E P U B L I C A F E D E R A T I V A D O B R A S I L 21 2.7 O D I R E I T O A I N T I M I D A D E C O M O E S P E C I E D O S D I R E I T O S DA P E R S O N A L I D A D E 22 3 O D I R E I T O A INTIMIDADE 2 4 3.1 C O N C E I T O 24 3.1.1 D i s t i n c a o E n t r e V i d a P r i v a d a e V i d a P u b l i c a 24 3.1.2 A N o c a o E n t r e Intimidade e V i d a P r i v a d a 2 5 3.2 A S D U A S A C E P Q O E S D O D I R E I T O A I N T I M I D A D E 28

3.2.1 O Direito a Intimidade C o m o u m Direito de D e f e s a 28 3.2.2 O Direito a Intimidade C o m o u m Direito d e C o n t r o l e 2 9

3.3 C A R A C T E R i S T I C A S D O D I R E I T O A I N T I M I D A D E 30 3.3.1 G e n e r a l i d a d e 30 3.3.2 E x t r a p a t r i m o n i a l i d a d e 30 3.3.3 A b s o l u t i s m o 31 3.3.4 Inalienabilidade 31 3.3.5 I m p r e s c r i t i b i l i d a d e 31 3.3.6 I n t r a n s m i s s i b i l i d a d e e m R a z a o d a Morte 32 3.4 C O N T E U D O A S S E G U R A D O NA C O N S T I T U I Q A O F E D E R A L D E 1988 ... 32 3.4.1 A Inviolabilidade do Domicilio 32 3.4.2 S i g i l o d a s C o r r e s p o n d e n t s e d a s C o m u n i c a c o e s 33 3.4.3 S i g i l o B a n c a r i o 35 3.4.4 S i g i l o de D a d o s 36

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4 A V I O L A Q A O D O D I R E I T O A INTIMIDADE E M F A C E D A I N T E R N E T 4 0 4.1 A I N T E R N E T E B A N C O DE D A D O S 41 4.2 A P R I V A C I D A D E NA I N T E R N E T 4 3 4 . 3 C O R R E S P O N D E N C E V I A E-MAIL, A T R O C A DE D A D O S A T R A V E S DE S I T E S DE R E L A C I O N A M E N T O S E DE S A L A S DE B A T E P A P O 4 5 4.4 I N T E R C E P T A Q A O DE D A D O S DE C O M P U T A D O R 4 7 4.5 J U R I S P R U D E N C E S E C A S O S D E V I O L A Q A O DA I N T I M I D A D E NA I N T E R N E T 50 4.6 A R E G U L A M E N T A Q A O DA I N T I M I D A D E F R E N T E A I N T E R N E T 53 5 C O N C L U S A O 55 6 R E F E R E N C E S 58 A N E X O A - G L O S S A R I O 61 A N E X O B - P R O J E T O D E L E I N°. 84, D E 1999- D I S P O E S O B R E O S C R I M E S C O M E T I D O S NA A R E A D E I N F O R M A T I C A , S U A S P E N A L I D A D E S E D A O U T R A S P R O V I D E N C I A S 67

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1 I N T R O D U g A O

O presente trabalho cientifico procura-se analisar as diretrizes atuais do direito f u n d a m e n t a l a intimidade e m f a c e da internet, j a q u e existe u m a colisao real entre d u a s garantias f u n d a m e n t a l s , ou seja, a Constituigao Federal de 1988 a s s e g u r a que t o d o s tern c o m o garantia a inviolabilidade d a sua intimidade e vida privada, m a s ao m e s m o t e m p o gera outro dispositivo e m que permite ou garante a t o d o s o direito a liberdade de e x p r e s s a o e informagao.

C o m isso, buscar-se-a estudar situagoes e m que o uso incorreto ou indevido de servicos e recursos tecnologicos acessiveis atraves d a internet c o m o , e-mail, b a n c o de dados, sites de relacionamentos, p r o g r a m a s e salas de b a t e - p a p o entre outros p o d e r a o d e s e n v o l v e r lesoes irreversiveis ao individuo, a f e t a n d o sua esfera intima, d e n e g r i n d o sua i m a g e m e personalidade.

Ressaltando que, hoje mais do q u e nunca, o direito a intimidade torna-se presa facil de invasao diante do progresso tecnologico, a c e n t u a n d o - s e no q u e se toca a informatica q u a n d o utilizada por m a o s erradas. P o d e n d o haver a m a n i p u l a g a o de b a n c o de d a d o s , informacoes pessoais ou ate d a d o s vitais de u m a e m p r e s a .

V i s a n d o que muitos paises, c o m o a Suecia, estao a nossa frente nesse c a m p o do direito, estudar-se-a o a v a n c o d a s leis no Brasil diante d e s s e perfil exigido pela e v o l u c a o tecnologica, pois a c a d a dia q u e passa algo novo surge no m u n d o cibernetico.

A d e m a i s , o presente estudo objetivara ainda d e s e n v o l v e r a ideia sobre o direito a intimidade c o m e n f o q u e nas s u a s caracteristicas, c o n t e u d o e limitagoes, verificando e salientando os perigos q u e a internet representa q u a n d o utilizada para violar a vida intima das pessoas.

Logo, a justificativa do trabalho e m analise se revela diante d e q u e o direito a intimidade e c o n s a g r a d o c o m o u m direito f u n d a m e n t a l na Constituigao Federal de 1988. E e atraves d e s s e r e c o n h e c i m e n t o q u e o h o m e m m o d e r n o pode vir desenvolver sua personalidade plena.

A s s i m , c o m e s s e d e s e n v o l v i m e n t o acelerado da informatica e m q u e u m individuo, o qual passa a se c o m u n i c a r e ter a c e s s o a d a d o s d e outros individuos a milhas de distancia e m a p e n a s u m clique, na c o m o d i d a d e de sua residencia ou local de trabalho. T o r n a n d o - s e muitas vezes dificil atraves d e s s e meio dividir o que seria

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vida publica e vida intima do ser h u m a n o , g e r a n d o d u v i d a s onde termina a vida privada e onde c o m e c a a vida publica, produzindo controversias no que t a n g e a protecao do direito a intimidade.

Por isso, diante do q u e foi exposto, far-se-a u m a analise no presente trabalho sobre os efeitos d a s novas tecnologias d e informagao mais p r e c i s a m e n t e o uso da internet e seus efeitos na vida intima do ser h u m a n o , a c o m p a n h a n d o a e v o l u c a o do direito nessa area de e s t u d o .

Por c o n s e g u i n t e , foi a d o t a d o o m e t o d o dedutivo, afim de proporcionar u m a base consistente de analise, pois foi utilizado c o m o ponto de partida as teorias e leis de carater mais gerais afunilando para a ocorrencia de f e n o m e n o s particulares, ja que usou-se a tecnica de pesquisa bibliografica e jurisprudencial, c o m o intuito proporcionar u m melhor c o n t e u d o a q u e s t a o .

Desta feita, o capitulo A Intimidade e sua Evolucao c o m o Direito F u n d a m e n t a l desenvolve o c o n t e u d o inicial, partindo d o s a s p e c t o s historicos no tocante ao surgimento dos direitos f u n d a m e n t a l s do h o m e m , partido destes ate o e n t e n d i m e n t o de que a vida intima deveria ser a s s e g u r a d a de f o r m a explicita nas Cartas Constitucionais, ja q u e s e u r e c o n h e c i m e n t o no o r d e n a m e n t o juridico patrio e recente, t e n d o a t r a v e s s a d o u m processo lento e dificultoso ate se chegar a ideia de que o m e s m o e um direito f u n d a m e n t a l , t e n d o presente t o d a s as caracteristicas d o s direitos d a personalidade.

Ja o capitulo O Direito a Intimidade, enfoca no que seria intimidade, f a z e n d o u m a distincao entre o intimo e o privado, atentando para o fato de que estes

nao f a z e m parte d a esfera publica, enfatizando suas caracteristicas e a f o r m a c o m o surgiu entre os direitos f u n d a m e n t a l s d a Constituigao Federal de 1988, m o s t r a n d o de f o r m a clara que e e s p e c i e d o s direitos da personalidade.

Por ultimo, o capitulo A Violagao do Direito a Intimidade e m Face da Internet, encurta a relagao do direito a intimidade na internet, procurando fazer u m a analise entre a relagao internet e b a n c o de d a d o s , para que c o n s i g a m o s d e s e n v o l v e r a ideia do que seria a intimidade na internet, m o s t r a n d o as f o r m a s que esta p o d e r a ser burlada e violada, t r a z e n d o c a s o s recentes de j u r i s p r u d e n c i a s e noticias jornalisticas e n v o l v e n d o e s c a n d a l o s da q u e b r a desse direito atraves d o m e i o cibernetico, para enfim dar e n f o q u e aos m e i o s que r e g u l a m e n t a m o direito a intimidade na internet.

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2 A INTIMIDADE E S U A E V O L U Q A O C O M O D I R E I T O F U N D A M E N T A L

2.1 D O S D I R E I T O S F U N D A M E N T A I S

T e m - s e a nocao de que os direitos do h o m e m d e s e n v o l v e u - s e atraves d a s culturas e filosofias de diferentes civilizagoes, portando n o m e s ou identificacoes diferenciadas, c o m o direitos individual's, direitos naturais, direitos do h o m e m e do cidadao, direitos f u n d a m e n t a l s , ou ate m e s m o direitos essenciais d o h o m e m . Entretanto, os direitos f u n d a m e n t a l s f o r a m reconhecidos r e c e n t e m e n t e , depois de t e r e m a t r a v e s s a d o u m p r o c e s s o lento e dificultoso ao longo d o s anos. M a s , no entanto, c o m o b e m lembra Silva (1999, p. 155):

Foi, no bojo da Idade Media que surgiram os antecedentes mais diretos das declara?6es de direitos. Para tanto contribuiu a teoria do direito natural que condicionou o aparecimento do principio das leis fundamentals do Reino limitadoras do poder monarca, assim como o conjunto de principios que se chamou humanismo.

A i n d a p o d e - s e afirmar que atraves do Cristianismo o p e n s a m e n t o h u m a n o passou a se preocupar c o m os direitos f u n d a m e n t a l s . M a s , no entanto, foi na Inglaterra onde surgiram os primeiros passos c o m as cartas e estatutos que p a s s a r a m a assegurar os direitos f u n d a m e n t a l s , c o m o a "Magna Carta" de 1212, a "Pettition of Rights" de 1628, o Habeas Corpus "Amendment Actc" tie 1679 e o "Bill of Rightsl" tie 1688. P o r e m , o e n t e n d i m e n t o de declaracoes de direitos f u n d a m e n t a l s c o m u m a visao m a i s m o d e r n a so aparecera no seculo XVII c o m a e x p l o s a o d a Revolucao A m e r i c a n a e a R e v o l u c a o Francesa.

A primeira declaragao de direitos f u n d a m e n t a i s , b u s c a n d o u m sentido m a i s m o d e r n o , foi a Declaragao de Direitos do B o m Povo de Virginia, colonia inglesa que integrava a A m e r i c a . S e n d o , portanto, anterior a Declaragao de Independencia d o s Estados Unidos da A m e r i c a , m a s que tern u m ponto e m c o m u m c o m esta, pois a m b a s inspiram-se nas teorias de R o u s s e a u , Locke, e M o n t e s q u i e u .

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a Declaragao da Virginia e a de outras ex-colonias inglesas na America eram mais concretas, preocupadas mais com a situagSo particular que afligia aquelas comunidades, enquanto a Declaragao francesa de 1789 e mais abstrata, mais universal.

Diante do breve exposto, pode-se afirmar q u e o texto d a Declaragao de 1789 e de estilo mais conciso, breve e elegante, c o m objetividade, o qual e m d e z e s s e t e artigos proclama os principios da liberdade, igualdade, d a propriedade e d a legalidade, c o m o t a m b e m as garantias individuals liberais.

Esse carater universal d a Declaragao francesa, fez c o m q u e a m e s m a atingisse uma visao mundial dos direitos do h o m e m , constituindo a s s i m c o m o u m a de s u a s principais caracteristicas, ou seja, e s s e carater globalizado. A s s i m , as declaragoes de direitos do seculo XX p r o c u r a r a m confirmar d u a s t e n d e n c i a s para o m u n d o m o d e r n o , que seria a implantagao do universalismo e dos direitos sociais, produzindo d e s s a f o r m a u m Direito Constitucional c o n t e m p o r a n e o . Dai nasce a Declaragao Universal d o s Direitos do H o m e m , que nas palavras do mestre Silva (1999, p. 167, grifo nosso):

Contem trinta artigos, precedidos de um Preambulo com sete considerandos, em que reconhece solenemente: a dignidade da pessoa

humana, como base da liberdade, da justiga e da paz; o ideal democratico

com fulcro no progresso economico, social e cultural; o direito de resistencia a opressao; finalmente a concepcao comum desses direitos.

O h o m e m , passa apos a Declaragao Universal d o s Direitos do h o m e m , a ser visto c o m o u m ser igual, c o m direitos iguais, principalmente os relativos a vida e a d i g n i d a d e d a pessoa h u m a n a , se t o r n a n d o u m ser mais livre nas s u a s e s c o l h a s , tendo respeitados seus p e n s a m e n t o s e opinioes, c o m o t a m b e m alcangando u m ideal de justiga.

Nos dizeres de J o h n Locke (apud B O B B I O , 1992, p.29)

o verdadeiro estado do homem nao e o estado civil, mas o natural, ou seja, o estado de natureza no qual os homens sao livres e iguais, sendo o estado civil uma criacao artificial, que nao tern outra meta alem da de permitir a mais ampla explicitagao da liberdade e da igualdade naturais. Ainda que a hipotese do estado de natureza tenha sido abandonada.O que e uma maneira diferente de dizer que os homens sao livres e iguais por natureza.

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O referido autor se e x p r e s s o u de f o r m a clara sobre as primeiras palavras e l e n c a d a s na Declaragao Universal d o s Direitos do H o m e m , q u e diz que " T o d o s os h o m e n s n a s c e m livres e iguais e m dignidade e direitos".

E facil perceber q u e a Declaragao Universal dos Direitos do H o m e m m a r c o u u m a etapa decisiva no a m b i t o internacional pela busca de u m s e n t i m e n t o etico c o m u m . E a celebragao d a Conferencia Internacional de Direitos H u m a n o s de Teera, e m 1968, veio efetivar a tutela dos Direitos F u n d a m e n t a l s pelo Direito Internacional Publico. E m 1993, foi c o n v o c a d a a II Conferencia M u n d i a l d o s Direitos H u m a n o s , e m V i e n a .

Desta feita, essas Conferencias implantam p a r a d i g m a s e m relagao a o processo de formulagao e implantagao de politicas internacionais de protegao d o s direitos h u m a n o s , contribuindo a s s i m na fixagao d a universalidade d o s direitos f u n d a m e n t a l s do h o m e m , atingindo a tutela u m nivel m u n d i a l .

Do ponto de vista de Bobbio (1992, p.5),

os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, sao direitos historicos, ou seja, nascidos em certas circunstancias, caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes. e nascidos de modo gradual, nao todos de uma vez e nem de uma vez por todas.

Portanto, verificando a ampliagao e t r a n s f o r m a g a o dos direitos f u n d a m e n t a i s do h o m e m no envolver historico, dificulta definir-lhe u m conceito sintetico e p r e c i s e A u m e n t a e s s a dificuldade a circunstancia de se e m p r e g a r e m varias e x p r e s s o e s para designa-los, tais c o m o : direitos naturais, direitos h u m a n o s , direitos do h o m e m , direitos individuals, direitos publicos subjetivos, liberdades f u n d a m e n t a i s , direitos f u n d a m e n t a i s do h o m e m (SILVA, 1999)

Por conseguinte, a fungao primordial d o s direitos f u n d a m e n t a i s , e a de servir c o m o base ou principios a outros direitos s u b o r d i n a d o s a eles, surgindo c o m o garantia ao individuo atraves das cartas constitucionais ou pelas leis f u n d a m e n t a i s d o s Estados, gerando direitos inerentes a t o d o s os h o m e n s .

F u n d a m e n t a l , pelo e n t e n d i m e n t o de Nucci (2008, p.67)

e o basico, necessario, essencial. E por tal razao Seio fundamentais os direitos e garantias individuals. A sua origem foi justamente para combater os abusos do Estado, reconhecendo-se que o homem possui valores que estao acima e fora do alcance estatal.

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Isso se deve pelo fato d o s m a n d a m e n t o s cristaos terem auxiliado o cultivo d e s s e s direitos, c o m isso, d e s d e a Idade Media, q u a n d o a igreja se t o r n o u totalitaria, e s s e s p e n s a m e n t o s fizeram evoluir o constitucionalismo e as liberdades individuals lado a lado, f o r m a n d o d e s s a f o r m a a Base do Estado Democratico de Direito, atraves d o aparecimento das leis nao escritas c o m o t a m b e m do forte poder cristao.

Durante o processo de catolicismo, o cristianismo foi importante para o surgimento dos direitos f u n d a m e n t a i s porque foi o responsavel pelo r e c o n h e c i m e n t o d a dignidade de cada h o m e m , na m e d i d a e m que, b a s e a n d o - s e na j u n g a o d a s crencas j u d a i c a s (originarias de J u d a ) e israelitas (originarias de Israel) q u a n t o a criacao do h o m e m por Deus, fez c o m o h o m e m - e n q u a n t o i m a g e m e filho de Deus - , p a s s a s s e a ser c o n s i d e r a d o igual ao s e u s e m e l h a n t e , i n d e p e n d e n t e m e n t e da s u a c o n d i c a o social, d a sua o r i g e m , d a sua fe religiosa e t c . ( C O R R E A , 2 0 0 5 ) .

Desta f o r m a , fica cristalino perceber que o cristianismo e a igreja tiveram papel importantissimo no s u r g i m e n t o e p e n s a m e n t o d o s direitos f u n d a m e n t a i s , m o t i v a n d o a s o c i e d a d e a crer no b e m c o m u m , f a z e n d o o individuo e n x e r g a r s e u s e m e l h a n t e c o m o pessoa digna de direitos.

2.2 A E V O L U Q A O D O S D I R E I T O S D O H O M E M

A n t e r i o r m e n t e os direitos do h o m e m e r a m r e c o n h e c i d o s c o m o direitos naturais, e m que o unico m o d o do h o m e m se d e f e n d e r contra a violagao d e s s e s pelo Estado era utilizando u m direito igualmente natural. C o m o passar d o s t e m p o s o direito passou a se a d e q u a r ao meio, c o m o b e m mostra Bobbio (1992, p. 18),

O elenco dos direitos do homem se modificou, e continua a se modificar, com a mudanga das condicoes historicas, ou seja, dos carecimentos e dos interesses das classes no poder, dos meios disponiveis para a realizagao dos mesmos, das transformagoes tecnicas, etc. Direitos que foram declarados absolutos no final do seculo XVIII, como a propriedade sacre et inviolable, foram submetidos a radicals limitagoes nas declaragoes contemporaneas; direitos que as declaragoes do seculo XVIII nem sequer mencionavam, como os direitos sociais, sao agora proclamados com grande ostentagao nas recentes declaragoes.

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O citado autor se referiu a m u t a c a o constante do direito, e m que este deve se a d e q u a r a cada exigencia d a sociedade, a cada novo passo ou e v o l u c a o dos h o m e n s , b u s c a n d o u m a maior protecao a vida de todos, para que estes v i v a m de f o r m a digna. O u seja, o que p a r e c e f u n d a m e n t a l e m d e t e r m i n a d a data ou m o m e n t o historico ou n u m d e t e r m i n a d o grupo de p e s s o a s nao e obrigatoriamente f u n d a m e n t a l n u m a futura s o c i e d a d e ou cultura.

Hoje o problema crucial e f u n d a m e n t a l no q u e diz respeito aos direitos do h o m e m nao e tanto o de justifica-los, m a s o de protege-los. Trata-se de u m problema nao filosofico, m a s politico e estrutural d a s o c i e d a d e ( B O B B I O , 1992).

2.3 O P R I N C i P I O DA D I G N I D A D E D A P E S S O A H U M A N A

O principio da dignidade d a pessoa h u m a n a surge de u m valor espiritual e moral inerente a pessoa, constituindo u m m i n i m o invulneravel que todo estatuto juridico d e v e assegurar; de m o d o q u e , s o m e n t e atraves de u m a e x c e p c i o n a l i d a d e , p o s s a m ser feitas limitagoes ao exercicio d o s direitos f u n d a m e n t a i s , m a s s e m p r e s e m m e n o s p r e z a r a necessaria estima que m e r e c e m t o d a s as p e s s o a s e n q u a n t o seres h u m a n o s ( M O R A E S . 2 0 0 7 ) .

A dignidade da pessoa h u m a n a tern c o m o caracteristica f u n d a m e n t a l , assegurar o m i n i m o de respeito ao h o m e m so pelo fato de ser h o m e m , ja que t o d o s os h o m e n s sao d o t a d o s de igualdade por sua conjungao ou natureza.

O mestre Silva (1999, p. 106) trabalha no p e n s a m e n t o de q u e "a d i g n i d a d e da pessoa h u m a n a e u m valor s u p r e m o que atrai o c o n t e u d o de t o d o s os direitos f u n d a m e n t a i s do h o m e m , d e s d e o direito a vida".

A Constituigao Federal de 1988, e m seu art.1°, III, proclama q u e a Republica Federativa do Brasil, constituida e m Estado Democratico de Direito tern c o m o u m de s e u s f u n d a m e n t o s o principio d a dignidade da pessoa h u m a n a . Isso que dizer que, para o Estado Brasileiro, o respeito para c o m o p r o x i m o c o m u m m i n i m o d e dignidade h u m a n a faz valer o verdadeiro sentido de Estado d e m o c r a t i c o , ou seja, t e m - s e q u e qualquer ato do Poder publico ou de s e u s o r g a o s , nao p o d e r a j a m a i s afrontar e s s e principio, visto que tornara o ato ilegitimo e inconstitucional.

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O referido principio basilar, a l e m de ser alicerce para u m a boa base constitucional, t a m b e m tern papel importante no que se refere as exigencias basicas do ser h u m a n o , na intencao d e que s e j a m oferecidos ao h o m e m m o d e r n o recursos m i n i m o s para que este t e n h a u m a existencia digna e que assim possa a vir desenvolver-se c o m o ser h u m a n o .

No dizeres de Edilsom Pereira de Farias (apud M O R I , 2 0 0 9 , p.21) sobre o principio da dignidade da pessoa h u m a n a , o m e s m o d e s e n v o l v e u m a ideia e afirma que:

facilita-se a interpretaceio e aplicagao desses direitos, pois o pensamento sistemico ilumina ou reforca o entendimento de direitos em particular bem como favorece a articulacao destes com outros. Em consequencia, consolida-se a forga normativa dos direitos fundamentais e a sua magna protegao da pessoa humana.

E n t e n d e - s e que a f u n c a o primordial dos direitos f u n d a m e n t a i s , e a de servir c o m o base ou principios a outros direitos s u b o r d i n a d o s a eles, surgindo c o m o garantia ao individuo atraves d a s cartas constitucionais ou pelas leis f u n d a m e n t a i s d o s Estados, g e r a n d o direitos inerentes a todos os h o m e n s .

C o m e s s e s e n s i n a m e n t o s , p o d e - s e ter c o m o c o n f i r m a c a o q u e o direito a vida privada, a intimidade, a honra, a i m a g e m , ao sigilo d a s c o r r e s p o n d e n c i a s , entre outros, s u r g e m c o m o c o n s e q u e n c i a sucessiva a d i g n i d a d e d a pessoa h u m a n a .

2.4 O D I R E I T O A I N T I M I D A D E E S U A S O R I G E N S

C o m o nascimento d a burguesia, a n o c a o de intimidade surgiu, ou seja, c o m o d e s e n v o l v i m e n t o dos nucleos urbanos, a s o c i e d a d e passou a exigir mais do h o m e m m o d e r n o , f a z e n d o o e s p a c o intimo retrair-se g r a d a t i v a m e n t e .

L e m b r a n d o , nos dizeres de J o a o Baptista Herkenhoff (apud C O R R E A , 2 0 0 5 , p.15):

que a partir do momento em que sao assumidas, no planeta, novas formas de convivencia humana e que se torna necessaria a celebragao de novos pactos de convivencia em razao de interesses econOmicos, de tensoes ideologicas, de antagonismos de classe e do maior desenvolvimento da

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informac3o passa a existir a transformacao do mundo em aldeia global e a consequente repercussao internacional as vidas nacionais, o que faz com que o homem responda com maior paroxismo a massificacao e a supremacia tecnologica sobre o privativamente humano por meio de uma nova ideologia humanista baseada na implantacao de uma nova teoria de paz com base nos direitos humanos - e dentre estes o direito a intimidade.

Neste sentido, e n t e n d e m o s que a partir d o m o m e n t o e m que o h o m e m vive e m s o c i e d a d e , novos direitos vao surgindo alem d o s essenciais a vida, c o m o o direito a intimidade, a vida privada, a propriedade.

A posigao de Truyol y Serra e Vil-lanueva (apud C O R R E A , 2 0 0 5 , p. 17) e a de q u e ,

a ideia de intimidade surgiu com o cristianismo, por entender que a intimidade crista esta mais correlacionada com a ideia de autoconsciencia da subjetividade do que com a expressao juridica da intimidade, visto que em momento algum se expressa como conjunto de faculdades ou poderes atribufdos a alguem. Porem, nao se pode desprestigiar a influencia das ideias de obrigagao e de individualidade crista e da concepcao de foro interno protestante na formataccio da ideia de intimidade.

A s s i m , trona-se visivel o papel f u n d a m e n t a l q u e a igreja teve na v a l o r a c a o e do r e c o n h e c i m e n t o de novos direitos para o h o m e m e n q u a n t o h o m e m , para q u e a s o c i e d a d e viesse a ter u m m i n i m o d e equilibrio social. No entanto, t e m - s e a impossibilidade de apregoar quais f o r a m os fatores que d e t e r m i n a r a m o s u r g i m e n t o d a ideia de intimidade.

O que se s a b e e que a s o c i e d a d e m o d e r n a obrigou o h o m e m rural a migrar para a cidade e m busca de melhoras, e f a z e n d o isso o individuo passou a ficar e x p o s t o entre o meio social e m q u e habita, pois e s s e meio e de carater publico e coletivo. Neste diapasao, p o d e m o s dizer que a m e d i d a que o ser h u m a n o se e x p o e , a sua esfera intima diminui e m escala proporcional, ou seja, q u a n d o u m a cresce a outra diminui.

Portanto, verifica-se t a m b e m que a significativa e v o l u c a o social nos ultimos seculos, impos u m a seria intromissao na vida intima do ser h u m a n o , talvez pela necessidade do ser h u m a n o viver e m grupos o u e m f o r m a de colonias, e c o n s e q u e n t e m e n t e habitar locais d e n s a m e n t e p o v o a d o s , talvez pela n e c e s s i d a d e de interacao c o m outras s o c i e d a d e s ou d e m a i s m e m b r o s , ou talvez pela fiscalizacao direta ou indireta de outros g r u p o s , a v e r d a d e e que a intimidade esta s e n d o cada vez m a i s invadida.

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Portanto, e m f a c e do d e s e n v o l v i m e n t o h u m a n o c o m o ser social, foi crescente a falta de u m abrigo seguro contra a intromissao alheia a vida intima. Neste dilema surge a ideia de intimidade e vida privada, que faz o h o m e m m o d e r n o procurar de f o r m a constante u m a f o r m a segura de guardar s e u s s e g r e d o s ou intimidades.

Judicialmente, s e g u n d o Milton Fernandes (apud M O R I , 2 0 0 9 , p.13),

nao ha certeza quanto a primeira vez em que a protecao a vida privada foi acolhida. E comum se fazer referenda a divulgacao do retrato de uma famosa atriz em seu leito mortuario.

Foi na Franca, no julgado do Tribunal Civil do Sena, de 16/06/1858, que o fato constituiu em a irma de uma artista ter encarregado dois artistas de desenha-la, em seu leito de moribunda. O desenho foi abusivamente exposto e colocado a venda num estabelecimento comercial. O Tribunal determinou a apreensao do desenho e de suas varias provas fotograficas. (...)

Ninguem pode, sem o consentimento formal da familia, reproduzir e dar a publicidade os tracos de uma pessoa em seu leito de morte, qualquer que tenha sido a celebridade desta e a publicidade, maior ou menor, ligada aos atos de sua vida. O direito de opor-se a esta reproducao e absoluto; tern seu fundamento no respeito que inspira a dor das familias e nao poderia ser menosprezado sem se atingirem os sentimentos mais intimos e mais respeitaveis da natureza e da piedade domestica.

No passar do t e m p o , os casos que continuaram a surgir no direito frances, g e r a l m e n t e a p o n t a v a m o fato de que existia u m direito de i m a g e m das pessoas que era distinto e ao m e s m o t e m p o e m t e n s a o ou conflito c o m os direitos de propriedade.

2.5 O E N S A I O DE W A R R E N E B R A N D E I S

Em 15/12/1890, os a d v o g a d o s a m e r i c a n o s S a m u e l D e n n i s W a r r e n e Louis Dembitz Brandeis publicaram na revista Havard Law Review, o artigo "The Right to Privacy", e c o m essa publicacao o direito a intimidade g a n h o u u m a devida importancia nos Estado Unidos da A m e r i c a , q u e passou a d e f e n d e r e s s e direito c o m mais eficacia.

O ponto crucial que levou os referidos a d v o g a d o s a m e r i c a n o s a e s c r e v e r e m este artigo, foi o fato de q u e a i m p r e n s a nao respeitava os limites da

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vida privada do a d v o g a d o e industrial W a r r e n , o qual vivia na alta s o c i e d a d e bostoniana ( M O R I , 2 0 0 9 ) .

A imprensa a m e r i c a n a nao se p r e o c u p a v a c o m e s s e ideal de intimidade, i m a g e m , vida privada e honra d a s pessoas, divulgando qualquer a s s u n t o que para eles viesse a se tornar algo lucrativo o u que elevasse o "status" da e m p r e s a , e a s s i m nas palavras de V a n i a Siciliano Aieta ( apud M O R I , 2 0 0 9 , p. 15):

A imprensa americana havia ultrapassado as fronteiras da prudencia e da decencia, comprovando que "as fofocas" ja nao eram mais recurso de ociosos e corruptos, mas sim, grandes e proveitosas atividades comerciais que visavam ao lucro. BRANDEIS e WARREN chegaram a observar o quanto satisfaziam ao publico as fofocas sobre detalhes das relacoes sexuais das pessoas publicas. O ensino precusor da materia ja demonstra o conflito entre direito a intimidade e direito a informacao.

Neste diapasao, o direito a intimidade e a vida privada d a s p e s s o a s p a s s a r a m a ter u m instrumento de defesa, constituindo a s s i m u m a base para que a doutrina p u d e s s e desenvolver teorias e p e n s a m e n t o s para que os individuos nao se t o r n a s s e m cada v e z mais vitimas da s o c i e d a d e , no que diz respeito ao seu direito de estar so.

2.6 A C O N S T I T U C I O N A L I Z A Q A O D O D I R E I T O A I N T I M I D A D E N A R E P U B L I C A F E D E R A T I V A D O B R A S I L

A Constituigao Federal d e 1988 a s s e g u r a de f o r m a clara, e m s e u art.5°, X , q u e "sao inviolaveis a honra, a intimidade, a vida privada e a i m a g e m d a s p e s s o a s , a s s e g u r a d o o direito a indenizagao pelo d a n o material o u moral decorrente d e sua violagao".

L e m b r a n d o - s e q u e n e n h u m dispositivo referente ao direito a intimidade existia nas constituigoes anteriores de f o r m a explicita, m a s implicitamente era facil encontrar tal dispositivo, e n c o n t r a n d o - s e g e n e r i c a m e n t e relacionado c o m dispositivos que se referiam a o s direitos d a personalidade.

A s s i m , trona-se interessante escalonar o direito a intimidade d e s d e a Constituigao de 1824 ou Constituigao do Imperio, c o m o ficou m a i s c o n h e c i d a , ate a Constituigao Federal de 1988. C o m isso, v e - s e que a Constituigao do Imperio se

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referia a p e n a s no tocante a inviolabilidade de domicilio e d a s cartas, e m s e u art. 179, VII e X X V I I , protegendo d e s s a f o r m a a intimidade.

Ja a Constituigao d a Republica, do ano de 1 8 9 1 , a qual a s s e g u r a v a no s e u art.72, §§ 11 e 12, t a m b e m o direito a inviolabilidade de domicilio e d a s cartas. E assim persistiu ate a constituigao de 1934, e m seu art.113.

A Constituigao ditatorial de 1937, m a i s c o n h e c i d a c o m o "Constituigao Polaca", repetiu de f o r m a generica o c o n t e u d o e n c o n t r a d o na Constituigao d e 1934, m a s p r e c i s a m e n t e e m seu art. 112, § 6°.

Na Constituigao de 1946, o raciocinio das constituigoes anteriores foi seguido, protegendo o direito a intimidade via a inviolabilidade d o domicilio e d a correspondencia no art. 1 4 1 , §§ 6° e 15. C o m o t a m b e m as outras d u a s constituigoes seguintes, ou seja, a Constituigao de 1967 e sua E m e n d a 1, q u e para muitos doutrinadores e u m a Constituigao, do a n o de 1969.

No entanto, a Constituigao d e Republica Federativa do Brasil, do ano de 1988, se e x p r e s s o u de f o r m a explicita, c o m o ja visto anteriormente, no s e u art.5°, X, sobre direito a intimidade, a s s e g u r a d o c o m o carater de Direito e Garantia F u n d a m e n t a l . E o b t e n d o e s s e carater f u n d a m e n t a l , o direito a intimidade passou a gozar de u m regime j u r i d i c o m a i s seguro, t e n d o adquirido a f o r m a de "clausula petrea" e de aplicagao imediata.

De f o r m a indireta o constituinte da Republica Federativa d o Brasil, protegeu t a m b e m de f o r m a indireta, atraves d e outros dispositivos o direito a intimidade, c o m o v e r e m o s no direito de resposta (art.5°, V ) ; a inviolabilidade do domicilio (art.5°, XI); a inviolabilidade do sigilo d a c o r r e s p o n d e n c i a , das c o m u n i c a g o e s telegraficas, de d a d o s e das c o m u n i c a g o e s telefonicas, salvo e m caso de o r d e m judicial (art.5°, XII); o sigilo da fonte, q u a n d o necessario ao exercicio profissional, no tocante ao a c e s s o a informagao (art.5°, XIV), entre outros.

2.7 O D I R E I T O A I N T I M I D A D E C O M O E S P E C I E D O S D I R E I T O S D A P E R S O N A L I D A D E

A personalidade e u m atributo que possibilita ao h o m e m , a priori, exercer direitos e contrair obrigagoes, na s e q u e n c i a da sua evolugao c o m o ser h u m a n o .

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A s s i m t e m - s e que a personalidade e o vasto c a m p o de f a c u l d a d e s que gera no individuo a c a p a c i d a d e abstrata ou potencial de ser sujeito de direitos e obrigacoes (CORRIzA, 2 0 0 5 ) .

A previsao legal do direito a intimidade decorre do p r i m a d o constitucional de protecao a pessoa h u m a n a e m sua dignidade. E fruto d a personalizacao d o direito e visa a preservacao do individuo e m sua esfera particular, r e s g u a r d a n d o - o , e m u m ambito ainda que restrito, das ingerencias sociais.

C o m o b e m diz G o n c a l v e s (2007, p. 159),

O respeito a dignidade humana encontra-se em primeiro piano, entre os fundamentos constitucionais pelos quais se orienta o ordenamento juridico brasileiro na defesa dos direitos da personalidade (CF, art.1°, III). Segue-se a especificacao dos considerados de maior relevancia - intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas - com a proclamacao de que "e assegurado o direito a indenizacao pelo dano material ou moral decorrente de sua violagao" (art.5°, X).

Dito isto, frisa-se q u e as caracteristicas que identificam os direitos d a personalidade sao d e t e r m i n a d a s e m igualdade aos direitos da intimidade, ja q u e a m b o s sao pessoais, extrapatrimoniais, inalienaveis, absolutos e imprescritiveis.

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3 O D I R E I T O A INTIMIDADE

3.1 C O N C E I T O

V e e m - s e casos e m que a doutrina e a jurisprudencia aplicam s e m distingao os t e r m o s intimidade e privacidade, ou ate m e s m o a e x p r e s s a o vida privada se referindo a m e s m a coisa. Diante disto, e importante frisar que u m a parte d a doutrina reconhece a dificuldade que existe e m presumir u m conceito claro de intimidade. C o m o t a m b e m existe a m e s m a dificuldade e m se diferenciar vida privada de privacidade ( P E R E I R A , 2 0 0 8 ) .

A s s i m , tenta-se e x a m i n a r d e f o r m a mais proxima o conceito de intimidade, vida privada e privacidade.

3.1.1 Distingao E n t r e V i d a P r i v a d a e V i d a P u b l i c a

Primeiramente torna-se necessario fazer u m a analise s o b r e o q u e seria vida privada, e o que seria vida publica, pois muitas v e z e s s u r g e m c o m p l i c a c o e s e m tabelar a o n d e t e r m i n a a vida privada e a o n d e c o m e c a a vida publica.

A s s i m , nos dizeres de Francesco Carnelutti (apud M O R I , 2 0 0 9 , p. 27)

publico deriva provavelmente de povo; o vocabulo alude ainda a reuniao de pessoas. Privado, contrario de publico, exprime ao inves a ideia de separacao, privado e o homem enquanto se separa dos outros; privar quer dizer exatamente separar alguma coisa de alguem.

Neste diapasao, pode-se a p o n t a r que a vida publica d o h o m e m e a vida social, e m que ha interacao c o m outros seres ou entre s e u s s e m e l h a n t e s , f a z e n d o contato c o m estes, seja de f o r m a profissional, d e f o r m a amigavel, d e f o r m a e s p o n t a n e a . A o contrario que a vida privada diz respeito a sua esfera individual ou familiar, sua vida interna, espiritual, a vida q u e existe no interior de sua residencia, por tras d a s paredes e portas, e o seu direito de tranquilidade e solidao.

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Muitas vezes c h e g a - s e a confundir o que e publico e o que e privado, c o m o no caso do exercicio laboral, e m que e m b o r a s e n d o realizado na esfera privada, este pode adquirir c o n o t a c a o de esfera publica.

3.1.2 A N o c a o E n t r e Intimidade e V i d a P r i v a d a

T o r n a - s e imprescindlvel para o referido instituto, que seja feita u m a breve distingao entre o que seria a vida privada e a vinda intima de cada cidadao, pois para o direito, os m e s m o s nao p e r t e n c e m a u m a m e s m a conotagao, s e n d o preciso se fazer u m a analise e s e p a r a g a o entre e s s e s , e a s s i m , t e m o s pelo e n t e n d i m e n t o de Silva (1999, p.209)

O direito a intimidade e quase sempre considerado como sinonimo de direito a privacidade. Esta e uma terminologia do direito anglo-americano (rigth of privacy), para designar aquele, mais empregada no direito dos povos latinos. Nos termos da Constituigao, contudo, e plausivel a distingao que estamos fazendo, ja que o inciso X do art.5° separa intimidade de outras manifestagSes da privacidade: vida privada, honra e imagem das pessoas, que trataremos, por isso, em topicos apartados.

S e g u n d o e s s e raciocinio, e mister fazer u m a breve distingao entre intimidade e vida privada, para se obter uma maior clareza no estudo que se s e g u e .

Portanto nos dizeres de Pereira (2008, p. 111), o m e s m o faz u m a breve aproximagao do que seria intimidade, a f i r m a n d o que,

intimidade e o mais interior da pessoa, seus pensamentos, ideias, emogoes etc. Dessa forma, parte da doutrina juridica relaciona a intimidade com uma zona nuclear e reservada, de carater espiritual, em que as pessoas estejam livres de ingerencias.

O u seja, intimidade esta relacionada c o m o sentimento d a s p e s s o a s , a respeito das questoes que elas nao se i n c o m o d a m de participar a o s outros e d a q u e l a s outras que preferem m a n t e r sob reserva. Esse sentimento, e v i d e n t e m e n t e , varia d e pessoa para pessoa e e t a m b e m diferenciado e m c a d a cultura, e m cada e p o c a e nos diferentes lugares. Esta ainda, e m constante mutagao no t e m p o e no

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espago, pois a cada dia u m a nova f o r m a de cultura surge, e c o m ela varios conceitos sao trocados, p o d e n d o ocorrer c o m o que significa a intimidade.

Nos dizeres de V a n i a Siciliano Aieta (apud M O R I , 2 0 0 9 , p.31) v i s a n d o obter u m melhor esclarecimento do direito a intimidade, se p r e o c u p o u e m d e s t a c a r q u e e m 1967, na Conferencia Nordica sobre Direito a Intimidade, foi editado o d o c u m e n t o de Estoclomo, c o n c e i t u a n d o o direito a intimidade c o m o "o direito do h o m e m d e viver de f o r m a independente a sua vida, c o m u m m i n i m o de ingerencia alheia."

Diante do exposto, pode-se afirmar que a intimidade e o lado m a i s interno do ser h u m a n o , e a o n d e ele resguarda s e u s s e g r e d o s e resguarda de f o r m a segura s e u s s e g r e d o s e p e n s a m e n t o s , e o verdadeiro direito de estar so, e a z o n a m a i s reservada do individuo, o n d e ele possui u m a liberdade q u a s e que absoluta, s e m que n e n h u m outro individuo p o s s a tocar ou invadir este direito antes da p e r m i s s a o do verdadeiro detentor do referido direito.

No entanto, p e r c e b e - s e que na atualidade a intimidade p o d e ser obstruida atraves de m e i o s e m que nao seja necessaria a presenga fisica do s u p o s t o intruso, c o m o e o caso de e s c u t a s telefonicas, fotos tiradas s e m a percepgao da vitima ou do fotografado, o uso indevido de d a d o s informaticos, c a m e r a s de seguranga instaladas de f o r m a exorbitante, entre outros meios.

Para o Tribunal Constitucional e s p a n h o l (apud P E R E I R A , 2 0 0 8 , p.113), a intimidade esta vinculada ao principio d a dignidade d a pessoa h u m a n a , c o m o s e g u e nas palavras d e s t e tribunal:

Junto al valor de la vida humana y sustancialmente relacionado con la dimension moral de 6sta, nuestra Constituicidn ha elevado tambten a valor juridico fundamental la dignidad de la persona, que sin perjuicio de los derechos que Le son inherentes, se halla intimamente vinculada (...) a la intimidad personal y familiar.

C o m o antes foi dito, e agora c o m a explanagao do Tribunal Constitucional e s p a n h o l , d e v e - s e entender que a intimidade d e v e ser e n q u a d r a d a no atual sistema de direitos f u n d a m e n t a i s , c o m o u m verdadeiro valor d o principio da d i g n i d a d e d a pessoa h u m a n a .

D a n d o continuidade ao estudo, passar-se-a a analisar o que viria a ser vida privada, ja q u e e n c o n t r a m o s as m e s m a s dificuldades para conceitua-la c o m o as que f o r a m encontradas para conceituar intimidade, m a s n e m por isso d e i x a r e m o s de

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fazer u m breve estudo sobre a q u e s t a o , pois c o m o a s s e g u r a Leite S a m p a i o {apud P E R E I R A , 2008, p.114) "ainda que o conteudo d a vida privada seja determinavel e m u m d e t e r m i n a d o m o m e n t o historico, este s e m p r e estara aberto a a d a p t a c o e s para poder seguir a propria e v o l u c a o da historia h u m a n a . "

A i n d a sobre a vida privada Pereira (2008, p.115) e x p l a n a d e tal f o r m a que faz u m a c o m p a r a g a o entre intimidade e vida privada, afirmando e m muitas v e z e s ser imposslvel distinguir u m a da outra, c o m o b e m diz q u e :

a intimidade abrange, por assim dizer, um ambito mais limitado, ligado, ao menos em sua acepcao mais estrita, ao interior, a zona espiritual da pessoa. Partindo dessa premissa, podemos afirmar que a vida privada seria, em uma primeira aproximac3o, tudo o que nao pertenca a esse ambito intimo, mas que, por sua vez, nao transpassasse a esfera publica.

Em linhas gerais define-se que a vida privada diz respeito a a u t o d e t e r m i n a c a o da existencia propria, autodefinicao pessoal, sexual e familiar. E a intimidade, c o m o u m de s e u s aspectos, se refere ao controle d a s i n f o r m a c o e s pessoais, d e s d e a coleta ao uso, a i s i m , do recato e da solidao, ou seja, a intimidade e algo mais interno q u e a vida privada, j a que esta se e s t e n d e a outras pessoas ( M O R I . 2 0 0 9 ) .

Portanto, pelo q u e foi visto, p o d e - s e concluir q u e vida privada e o m o m e n t o e m que o individuo se retira da esfera publica e p a s s a a conviver de f o r m a mais recatada, seja c o m a familia, c o m os c o m p a n h e i r o s de trabalho, a m i g o s intimos, c o m p a n h e i r o s a m o r o s o s , enfim tudo q u e nao pertenca a esfera publica.

Salientando-se o p o s i c i o n a m e n t o da doutrina alema, a qual m e d i a n t e u m p o s i c i o n a m e n t o tornado por u m a teoria que resolveram conceituar de "teoria das esferas ou dos circulos concentricos" {Spharentheorie), cuja teoria levou os a l e m a e s a incluir o direito a intimidade no universo dos direitos d a personalidade. E que pra estes, a intimidade seria u m a parcela mais reservada d a vida privada, e s t a n d o incluida e m seu universo.

Para esta teoria existe a esfera privada (privatsphare), que e a de maior amplitude, p o d e n d o dividir-se e m outras esferas m e n o r e s , na proporcao q u e a intimidade for se estreitando; a esfera d a intimidade (vertrauensphare), a qual indica que no universo da intimidade a p e n a s as p e s s o a s que tern status de confianga para c o m o individuo m a t e m u m a certa intimidade para c o m este; a esfera da reserva (vertraulichkeitssphare), a qual esta ligada diretamente a a s s u n t o s confidenciais e

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por ultimo a m e n o r das esferas que seria a esfera do s e g r e d o (geheimsphare), que a parte resguardada pelo individuo, ou seja, os s e g r e d o s pertencentes a este, os quais a p e n a s alguns a m i g o s pode compartilha-los ou nem m e s m o estes, p o d e n d o ficar na reserva intima do ser ( M O R I , 2 0 0 8 ) .

3.2 A S D U A S A C E P Q O E S D O D I R E I T O A I N T I M I D A D E

E de s u m a importancia para o presente trabalho, e x a m i n a r o direito a intimidade c o m o u m direito de d e f e s a , c o m o t a m b e m u m direito de controle, v a l e n d o lembrar q u e existem outras f o r m a s de caracterizar o direito a intimidade, m a s q u e nao serao neste trabalho utilizadas.

3.2.1 O Direito a Intimidade C o m o u m Direito de D e f e s a

Por c a u s a do "status" adquiro de direito f u n d a m e n t a l , o direito a intimidade possui um direito de defesa, c o m o todos os outros pertencentes a esta categoria.

Portanto, a partir do "Ensaio de W a r r e n e Brandeis", c o m o j a foi d e m o n s t r a d o anteriormente, o direito a intimidade passou a ter carater protetivo, constituindo a s s i m u m a base para que a doutrina p u d e s s e d e s e n v o l v e r teorias e p e n s a m e n t o s para que os individuos nao se t o r n a s s e m cada vez m a i s v i t i m a s da s o c i e d a d e , no que diz respeito ao s e u direito de estar so.

T e m o s c o m o e s p e l h o as palavras do ilustre Pereira (2008, p. 127) de q u e ,

em um momento inicial, a doutrina jurldica, e tambem a jurisprudencia, e tendo em vista a natureza negativa do direito a intimidade, atribuiram a este direito um status de defesa contra intromissctes que poderiam ser realizadas tanto pelos Poderes Publicos, como por particulares. Seguindo essa linha, De Cupis observa que a intimidade, considerada um modo de ser da pessoa, consiste no direito, ou melhor dito, no poder de exclusao do conhecimento alheio de determinados aspectos da vida de um individuo.

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Diante do que foi visto, agora pode-se concluir que o direito a intimidade nao poderia ficar preso ou limitado a um poder de e x c l u s a o , e a s s i m , ele passa a ter u m carater de poder d e controle sobre o que e n t e n d e m o s que o restante d o s individuos deveriam ou nao conhecer sobre nos. E c o m isso, o detentor do direito a intimidade passa a ter u m controle sobre o q u e pode ou nao ser e x t e r n a d o sobre sua pessoa.

3.2.2 O Direito a Intimidade C o m o u m Direito de C o n t r o l e

Essa ideia de direito de controle e m relagao ao direito a intimidade e u m a criacao doutrinaria, a qual t e v e sua origem nos Estados Unidos, atraves de A l a n W e s t i n , no ano de 1970 (apud P E R E I R A , 2 0 0 8 , p.128), o qual "definiu, pela primeira vez, o direito a intimidade c o m o u m direito de controle."

A i n d a nos dizeres de Pereira (2008, p. 128),

Para esse autor, a intimidade seria o direito das pessoas, grupos ou instituicoes, de determinar, segundo Ihes parega, quando, como e com que extensao a informaccio acerca de si seja comunicada a outros.Destacamos a inclusao, no conceito elaborado por Westin, dos grupos e instituicoes como titulares do direito de controle sobre informacoes a eles concernentes e, portanto, como titulares do direito a intimidade.

A s s i m , diz-se q u e o direito a intimidade possui c o m o f o r m a de protegao juridica dois aspectos, ou seja, o negativo, que e o relacionado a d e f e s a ou e x c l u s a o , o qual garante ao individuo o direito de se ver livre de intromissoes e m seu ambito interior, c o m o t a m b e m o aspecto p o s i t i v e q u e e o relacionado ao livre arbitrio do ser, e m que ele decide a hora, a f o r m a e c o m quern ele quer compartilhar os a s p e c t o s de sua vida pessoal.

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3.3 C A R A C T E R I S T I C A S D O D I R E I T O A I N T I M I D A D E

E n q u a n t o e s p e c i e dos direitos d a personalidade, o direito a intimidade possui as m e s m a s caracteristicas d a q u e l e s , s e n d o direitos gerais, extrapatrimoniais, inalienaveis, absolutos, imprescritiveis e intransmissiveis e m razao d a morte.

3.3.1 G e n e r a l i d a d e

Nos dizeres de Gongalves (2007, p. 157), e u m direito c o m "carater absoluto, c o m oponibilidade erga omnes. S a o tao relevantes e necessarios q u e i m p o e m a t o d o s u m dever de a b s t e n c a o , de respeito." O u seja, e e x a t a m e n t e este poder c o m carater absoluto e contra todos, q u e permite ao individuo regular o c o m p o r t a m e n t o alheio, e m f a c e d a sua intimidade, caracterizando-se c o m o u m verdadeiro direito subjetivo.

3.3.2 E x t r a p a t r i m o n i a l i d a d e

Pelos e n s i n a m e n t o s de Mori (2009, p.35) "A vida privada e t a m b e m u m direito extrapatrimonial por nao ter equivalencia e m dinheiro. Os valores q u e a intimidade preserva sao inalienaveis, nao ha c o n t e u d o e c o n o m i c o . "

P o r e m , e m regra nao ha pecunia e m relagao a este direito, m a s nada i m p e d e q u e , por ser u m direito extrapatrimonial v e n h a a ter reflexos e c o n o m i c o s . C o m o e o caso d a violagao do direito a intimidade e a s s i m ser c a p a z de postular reparagao e m dinheiro, devido ao fato do interesse m o r a l , c o m o as perdas e d a n o s c a u s a d o s por e s s a violagao.

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3.3.3 A b s o l u t i s m o

O carater absoluto do direito a intimidade, de certo e bastante parecido c o m o carater geral, s e n d o o p o n i v e l erga omnes, contra t o d o s e t o d a s q u e vierem a violar e s t e direito.

3.3.4 Inalienabilidade

A caracteristica d a inalienabilidade ou indisponibilidade presente nos direitos da personalidade e c o n s e q u e n t e m e n t e no direito a intimidade, e guiada pelo fato de u m a pessoa nao poder dispor da d e f e s a que a m p a r a a sua intimidade, alienando-a, ou seja, o individuo pode ate deixar de exercer o direito, m a s j a m a i s podera renuncia-lo.

A respeito d e s s a impossibilidade, pode-se afirmar q u e e s s a renuncia tern s u a s raizes derivadas d a s caracteristicas do direito f u n d a m e n t a l , e assim se torna inalienavel, nao p o d e n d o os s e u s titulares deles dispor, transmitir a terceiros, a b a n d o n a n d o - o s , pois e s s e s direitos sao inseparaveis, n a s c e n d o e m o r r e n d o c o m s e u s verdadeiros detentores.

3.3.5 I m p r e s c r i t i b i l i d a d e

Pelos e n s i n a m e n t o s do mestre Gongalves (2007, p. 157), a caracteristica da imprescritibilidade "e m e n c i o n a d a pela doutrina e m geral pelo fato de os direitos da personalidade nao se extinguirem pelo uso e pelo d e c u r s o do t e m p o , n e m pela inercia na pretensao de defende-los."

Mas, no entanto, q u a n d o referente a d a n o moral, v i s a n d o u m b e m juridico extrapatrimonial contido nos direitos da personalidade, e m especial no direito a intimidade, a pretensao de reparar o d a n o esta sujeita a prazos prescricionais devido ao carater patrimonial envolvido.

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3.3.6 I n t r a n s m i s s i b i l i d a d e e m R a z a o d a Morte

C o m o se sabe, a maioria doutrinaria afirma q u e o direito a intimidade e a vida privada se extingue c o m a morte do detentor deste direito, nao s e n d o possivel s u a t r a n s m i s s a o aos seus herdeiros, p o r e m , parte d a doutrina e n t e n d e o contrario, afirmando que estes direitos se p e r p e t u a m , s e n d o possivel a transmissibilidade aos herdeiros, c o m o t a m b e m s e n d o possivel a divulgagao d a intimidade do individuo tanto durante a vida, quanto a p o s a morte.

3.4 C O N T E U D O A S S E G U R A D O N A C O N S T I T U I Q A O F E D E R A L D E 1988

C o m o ja exposto anteriormente, a Constituigao Federal de 1988 a s s e g u r a e m seu art.5° e incisos, direitos referentes a vida privada e intima do cidadao, c o m o no caso d a inviolabilidade do domicilio (art.5°, XI), no sigilo das c o r r e s p o n d e n c i a s e das c o m u n i c a g o e s (art.5°, XII), no sigilo bancario (art.5°, XII), no sigilo de d a d o s t a m b e m a s s e g u r a d o pelo (art.5°, XII), e no caso do s e g r e d o profissional (art.5°, XIV).

3.4.1 A Inviolabilidade d o Domicilio

Em se tratando de inviolabilidade do domicilio, t o r n a - s e imprescindivel transcrever parte do discurso do Lord Chatham no Parlamento Ingles, trazido pelo professor Ferreira (1989, p.80) no qual diz:

O homem mais pobre desafia em sua casa todas as forcas da Coroa, sua cabana pode ser muito fragil, seu teto pode tremer, o vento pode soprar entre as portas mal ajustadas, a tormenta pode nela penetrar, mas o Rei da Inglaterra nao pode nela entrar.

Desta feita, p o d e - s e avaliar q u e m e s m o c o m o passar d o s anos, e c o m a evolugao das ciencias e d o s direitos, o direito a vida intima d e v e ser mantido e

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a s s e g u r a d o nao so de f o r m a material, mas de f o r m a eficaz, para que o c i d a d a o possa conviver c o m u m m i n i m o de privacidade, t e n d o a esfera secreta de sua vida protegida. Ja que "intimidade e tudo quanto diga respeito unica e e x c l u s i v a m e n t e a pessoa e m si m e s m a , a seu m o d o de ser e de agir." ( F E R R E I R A , 1989).

S e g u n d o dispoe T a v a r e s (2008, p.617) a c a s a e u m local a ser respeitado, e neste sentido,

Fica assegurado a pessoa um local dentro do qual pode exercer livremente sua privacidade, sem que seja importunado ou tenha de expor-se, em seu comportamento, ao conhecimento do publico. Engloba, ainda, a liberdade de conviver sob um mesmo teto com sua familia (ascendentes e descendentes) e a liberdade de relacao sexual, denominada intimidade sexual (entre o casal), e, dada a amplitude com que tern sido aceita, a liberdade de exercer sua profissao.

A s s i m , deve-se prezar pelo fato de que a casa nao e s o m e n t e o local e m que reside o proprietario ou seus m o r a d o r e s , m a s t a m b e m , e n t e n d e n d o - s e c o m o s e n d o qualquer e s p a c o habitado e, e m d e t e r m i n a d a s hipoteses, o local de trabalho no qual e exercida u m a atividade de indole profissional c o m e x c l u s a o de terceiros, c o m o escritorios, consultorios, e s t a b e l e c i m e n t o s industriais e comerciais, nos locais de a c e s s o restrito ao publico ou apos o e n c e r r a m e n t o d a s atividades ( N O V E L I N O , 2 0 0 9 ) .

M e n c i o n a - s e o fato pelo qual o S u p r e m o Tribunal Federal e n t e n d e u que os locais reservados para o exercicio profissional, t a m b e m f a z e m jus ao beneficio a s s e g u r a d o na Constituigao Federal de protecao a privacidade.

T o d a v i a , tal direito nao e absoluto, pois a Constituigao d e f e n d e o direito a inviolabilidade domiciliar, permitindo-se que se adentre na casa ou domicilio e m caso de flagrante delito, c o m o t a m b e m de desastre, ou para prestar socorro, o u , durante o dia, por determinagao judicial.

3.4.2 S i g i l o d a s C o r r e s p o n d e n c i a s e d a s C o m u n i c a g o e s

U m a das f o r m a s tradicionais de violagao d a intimidade e a q u e b r a do sigilo epistolar. O direito ao sigilo d a correspondencia deriva do direito a intimidade. E ainda adicionando a ideia de que o direito de protegao do sigilo epistolar e muito

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antigo, surgindo c o m a propria criacao do servigo postal. Pois o sigilo d a correspondencia esta hoje e s t e n d i d o as c o m u n i c a g o e s telegraficas, de d a d o s e telefonicas. A s s i m , a palavra c o r r e s p o n d e n c i a e usada e m sentido amplo, a b r a n g e n d o nao so a carta, mas a c o m u n i c a c a o telefonica e telegrafica, o radio e d e m a i s instrumentos de c o m u n i c a c a o ( F E R R E I R A , 1989).

Neste sentido, e n t e n d e - s e q u e a carta ou qualquer f o r m a de correspondencia privada, d e v e ficar oculta ou intocavel ao c o n h e c i m e n t o de terceiros, a m e n o s que os interessados diretos q u e i r a m divulgar seu c o n t e u d o . Pois, qualquer meio de c o r r e s p o n d e n c i a tern certo carater de revelagao do universo interior de cada individuo, atraves d e suas caracteristicas subjetivas, pessoais e confidenciais.

O jurista M o r a e s (2007, p.52), tratando do referido t e m a , a s s e g u r a q u e :

E inviolavel o sigilo da correspondencia e das comunicagoes telegraficas, de dados e das comunicagoes telefonicas, salvo, no ultimo caso, por ordem judicial, nas hipoteses e na forma que a lei estabelecer para fins de

investigagao criminal ou instrugao processual penal. Ocorre, porem, que apesar de a excegSo constitucional expressa referir-se somente a interceptag§o telefonica, entende-se que nenhuma liberdade individual e absoluta, sendo possivel, respeitados certos parametros, a interceptagao das correspondencias e comunicagoes telegraficas e de dados sempre que as liberdades publicas estiverem sendo utilizadas como instrumento de salvaguarda de praticas ilicitas.

D a n d o continuidade, torna-se imprescindivel afirmar que o instituto que garante o sigilo de d a d o s e n g l o b a t a m b e m aqueles decorrentes da informatica, devido ao crescente uso d e s s e meio nas ultimas d e c a d a s , e m que individuos t r o c a m informagoes, ocorre o a r m a z e n a m e n t o de d a d o s , entre outros.

V a l e salientar q u e a lei q u e trata da interceptagao telefonica (Lei 9.296 de 2 4 / 0 7 / 1 9 9 6 ) , a qual s e g u n d o M o r a e s (2007, p.53) "e a captagao e gravagao de conversa telefonica, no m e s m o m o m e n t o e m que ela se realiza, por terceira pessoa s e m o c o n h e c i m e n t o de qualquer d o s interlocutores", foi editada para regulamentar o inciso X I I , do art.5° da Constituigao Federal, na qual ha a possibilidade de interceptagao telefonica, d e s d e q u e presentes os seguintes requisitos: I- o r d e m judicial, II- para fins de investigagao criminal ou instrugao processual penal, III- nas

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3.4.3 Sigilo B a n c a r i o

Na atualidade s a b e - s e da impossibilidade de u m cidadao c o m u m viver s e m que tenha u m m i n i m o de relagao c o m u m banco ou instituigao financeira, devido a o s m e s m o s o f e r e c e r e m a este c i d a d a o u m a g a m a de possibilidades de operagoes ou servigos necessarios ao seu dia-a-dia.

E para tanto, ou seja, para que seja feita esta relagao banco-cliente, o b a n c o necessita fazer u m cadastro, no qual fica salvo e m s e u b a n c o d e d a d o s , c o n t e n d o varias caracteristicas intimas do cliente, muitas vezes se inteirando de s e u s pianos e projetos e de outras particularidades, c h e g a n d o t a m b e m ao seio da familia, d o s a m i g o s , d a s f o r m a s de lazer, entre outros a c o m p a n h a n d o o h o m e m atraves de toda a sua existencia, t e s t e m u n h a n d o o deposito de u m pai a favor de u m a crianga, assistindo u m j o v e m na luta pela vida, p r e s e n c i a n d o t o d a e qualquer atividade de u m adulto (contas corrente, e m p r e s t i m o s , s e g u r o s etc.) s e g u i n d o , por fim, o cliente ate o falecimento, ao prestar servigos na s u a s u c e s s a o (AIETA, 1999).

A s s i m , diante destas palavras, s a b e - s e que as informagoes bancarias dizem respeito a boa parte d a vida intima do cidadao. M a s , no entanto o direito ao sigilo bancario nao e absoluto, p o d e n d o ser q u e b r a d o s por o r d e m judicial f u n d a m e n t a d a , c o m o bem a s s e g u r a M o r a e s (2007, p.62),

Os sigilos bancario e fiscal, consagrados como direitos individuais constitucionalmente protegidos, somente poderao ser excepcionados por ordem judicial fundamentada ou de ComissSes Parlamentares de Inquerito, desde que presentes requisitos razoaveis, que demonstrem, em carater restrito e nos estritos limites legais, a necessidade de conhecimento dos dados sigilosos.

Entretanto, e m respeito ao principio do juiz natural, s o m e n t e a autoridade judiciaria c o m p e t e n t e p o d e r a decretar a q u e b r a de sigilo bancario ou fiscal d o investigado ( M O R A E S , 2 0 0 7 ) .

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3.4.4 S i g i l o de D a d o s

C o m o surgimento d a informatica, a q u a n t i d a d e de d a d o s transferidos a u m e n t o u g r a d a t i v a m e n t e de f o r m a q u e foi preciso introduzir na Constituigao u m a maior protegao a estes d a d o s , visto que e s s e direito nao era anteriormente previsto e m outras constituigoes.

Nas palavras de Silva (1999, p.212),

O intenso desenvolvimento de complexa rede de ficharios eletronicos, especialmente sobre dados pessoais, constitui poderosa ameaca a privacidade das pessoas. O amplo sistema de informacoes computadorizadas gera um processo de esquadrinhamento das pessoas, que ficam com sua individualidade inteiramente devassada. O perigo e t§o maior quanto mais a utilizacao da informatica facilita a interconexao de ficharios com a possibilidade de formar grandes bancos de dados que desvendem a vida dos individuos, sem sua autorizacao e ate sem seu consentimento.

Deste m o d o , cabe classificar a palavra "dados", e m materia constitucional c o m o s e n d o informagoes c o r r e s p o n d e n t e s as pessoas, m e r e c e n d o u m a protegao

legal para que nao haja violagao a e s s e direito. S a b e - s e q u e varios s a o os sistemas utilizados por c o m p u t a d o r e s responsaveis pelo a r m a z e n a m e n t o de d a d o s c o m o os servigos de protegao ao credito, a Receita Federal, os B a n c o s , os cadastros privados e m lojas etc. ( M O R I , 2 0 0 9 ) .

Por isso,em t o d a s as situagoes entre e m p r e s a s a c u m u l a d o r a s de d a d o s (informatica) e o usuario por elas fichado, a manipulagao inescrupulosa do g r a n d e c o m p u t a d o r pode ensejar, s e m d u v i d a , a c o n s u m a g a o da violagao da vida privada do individuo, ou de seu direito a intimidade, j a na iminencia de ser reduzido a u m n u m e r o ( o do C P F , o da conta corrente bancaria etc.)

Devido a estes motivos, p e r c e b e - s e que a reserva intima fica cada vez mais dificil de ser mantida c o m o c r e s c e n t e n u m e r o d e b a n c o de d a d o s de c a d a pessoa, portanto exige-se u m m i n i m o d e protegao a este direito, para que p e s s o a s agindo de ma-fe nao v e n h a m utilizar n o s s o s d a d o s ou nossa intimidade contra nossa p e s s o a .

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3.4.5 S e g r e d o P r o f i s s i o n a l

T o r n a - s e importante o sigilo de d a d o s obtidos a partir da profissao, c o m o ocorre c o m a profissao do m e d i c o , d o a d v o g a d o , do psicologo, pois c o m e s s a n o r m a constitucional, o titular d a informagao Intima tern garantia q u a n t o ao resguardo do que foi dito, c o m o b e m diz T a v a r e s (2008, p.627)

Ha uma proibicao dirigida a esses profissionais que nao so os impede de divulgar a informacao obtida como tambem Ihes impoe o dever de zelar para que outros nao tenham acesso a ela, quando se encontre em seu poder.

J o s e A f o n s o da Silva (1999. p.203) d e f e n d e q u e ,

o segredo profissional obriga a quern exerce uma profissao regulamentada, em razao da qual ha de tomar conhecimento do segredo de outra pessoa, a guarda-lo com fidelidade. O titular do segredo e protegido, no caso, pelo direito a intimidade, pois o profissional, medico, advogado e tambem o padre-confessor (por outros fundamentos) nao pode liberar o segredo, devassando a esfera intima, de que teve conhecimento, sob pena de violar aquele direito e incidir em sancoes civis e penais.

Salientando-se q u e o profissional d e v e ter tornado c o n h e c i m e n t o s o b r e o fato sigiloso e m virtude d a sua profissao ou no exercicio de s u a s fungoes. Devido ao fato de que a divulgagao nao autorizada de e v e n t o s intimos d a vida d e a l g u e m , obtidos e m razao da atividade profissional, constitui nao so a violagao da vida privada, no ambito civil, m a s t a m b e m a pratica de crime de violagao de s e g r e d o profissional, tutelado pelo C o d i g o Penal, no art. 154 ( M O R I , 2 0 0 9 ) .

Desta feita, p o d e - s e dizer q u e o s e g r e d o profissional acarreta ao eventual violador d e s s e direito, sangoes civis c o m o t a m b e m penais, pois fere a i m a g e m , a honra e a intimidade da outra parte envolvida.

Referências

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