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TÍTULO: CONHECIMENTO SOBRE O RASTREIO DO CÂNCER DO COLO UTERINO EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIAS DA ÁREA DA SAÚDE
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: FISIOTERAPIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: FACULDADE ANHANGÜERA DE BAURU INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): CAMILA MESQUITA ALVARES AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): DULCEGLEIKA VILLAS BOAS SARTORI, ERIKA ZAMBRANO TANAKA ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): ELLEN CRISTINA SEMENTILLE COLABORADOR(ES):
Resumo
O Câncer do Colo do Útero apresenta-se como a segunda neoplasia maligna mais comum entre as mulheres no mundo, sendo responsável aproximadamente por 471 mil novos casos e por cerca de 230 mil óbitos de mulheres por ano. Este estudo teve como objetivo verificar se as universitárias do 1º ano do curso noturno de fisioterapia da Faculdade Anhanguera de Bauru realizam o exame citopatológico do colo uterino (Papanicolau), periodicamente. A pesquisa foi realizada por meio de aplicação de questionários, a qual foi previamente informada sobre o objetivo da mesma, inclusive sobre seu caráter sigiloso e, quando de acordo, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Participaram do estudo 25 sujeitos. Verificou-se que a maioria das participantes 68% tinha entre 18 e 21 anos, 96% eram solteiras, 28% tiveram a primeira relação sexual com 17 anos, 72% têm parceiro fixo, 64% conhecem o exame citopatológico, 56% nunca realizaram e 64% sabem a importância do exame. Em relação à importância do rastreio do câncer do colo do útero, nosso estudo demonstra que a maioria tinha conhecimento sobre o exame, o que é importante tanto para o autocuidado, como pelo fato de serem profissionais da área da saúde e com importante papel na orientação da saúde da população.
Palavras-chave: Câncer do colo do útero. Citologia oncótica. HPV.
Introdução
A cada ano, 500.000 mulheres no mundo têm câncer do colo do útero e 250.000 morrem (1). O câncer do colo do útero pode acontecer a qualquer momento em mulheres de todas as idades. O papilomavírus humano (HPV) é responsável por 99,7% dos casos (2). Desde a adolescência, com o início da atividade sexual, as mulheres vivem o risco de adquirir uma infecção no colo do útero causada por HPV (3). O câncer do colo do útero é a segunda maior causa de morte por câncer entre mulheres no mundo (2).
Existem aproximadamente 100 tipos diferentes de HPV, (1-2) dos quais aproximadamente 35 tipos infectam a mucosa anogenital (4). Quinze tipos de HPV são considerados oncogênicos, isto é, podem causar câncer (5). Os demais tipos são considerados de baixo risco, causando basicamente verrugas genitais, lesões de caráter benigno e transitório. Os HPVs 16, 18, 31 e 45 são responsáveis por mais de 80% dos casos de câncer do colo do útero. Outros tipos, como o HPV 6 e 11, causam apenas verrugas genitais (6).
2 De acordo com HARPER (4), 99,7% dos casos de câncer do colo do útero estão associados aos tipos de HPV oncogênicos.
O HPV é transmitido sexualmente. Porém, mesmo que não haja penetração, pode haver transmissão do vírus pelo simples contato pele a pele. Entre as mulheres sexualmente ativas, 50 a 80% delas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV ao longo da vida. Porém, apesar desse elevado percentual, muitas das infecções são transitórias (7-10).
Na maior parte das vezes, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. Por isso é fundamental que se faça o exame de Papanicolau periodicamente para verificar se apresenta HPV. A infecção persistente pode progredir para o câncer do colo do útero (4).
Objetivos
Os objetivos deste estudo foram verificar se as universitárias do 1º ano do curso de fisioterapia da Faculdade Anhanguera realizam e conhecem o exame citopatológico do colo uterino e caracterizar sócio demograficamente a amostra.
Metodologia e Desenvolvimento
O presente estudo foi do tipo longitudinal, prospectivo e descritivo. Foi utilizada à abordagem quantitativa. A abordagem quantitativa por meio do método de coleta de informações permite quantificar dados e opiniões, garantindo a precisão dos resultados sem distorções de análise e interpretações (11-12). O estudo foi desenvolvido em uma faculdade particular do interior do estado de São Paulo.
A pesquisa foi realizada por meio da aplicação de questionário as voluntárias do 1º ano do curso noturno de fisioterapia da Faculdade, a qual foi previamente informada sobre o objetivo da mesma, inclusive sobre seu caráter sigiloso e, quando de acordo, assinaram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Os critérios de inclusão foram às participantes possuírem idade maior que 18 anos, pertencerem ao 1º ano do curso noturno de fisioterapia, e que aceitaram participar da pesquisa, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido.
O projeto de pesquisa foi submetido à autorização do diretor responsável da instituição e após ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade, seguindo as normas de pesquisa com seres humanos, de acordo com a Resolução 196/96,
3 que analisou a aprovação da realização do estudo, sob número 112/2009.
Passado esta etapa, foi entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para as participantes, que após o conhecimento do objetivo do estudo e a concordância do mesmo, assinaram o termo para o início da coleta de dados.
Foi utilizado um questionário semi-estruturado contendo questões acerca do conhecimento sobre o exame citopatológico do colo uterino.
Após a coleta, será construído um banco de dados com o programa Excell for Windows. Os dados serão alocados em tabelas e gráficos para a análise estatística descritiva.
Resultados e Discussão
Essa pesquisa teve como meta entrevistar 30 alunas, onde foi possível coletar dados com 25 alunas, 7 alunas recusaram participar da pesquisa durante o período de coleta de dados.
A média de idade das alunas foi de 21 anos. Em relação à faixa etária de 18-20 anos, 17 alunas (68%); entre 21-23, 7 alunas (28%) e entre 24-26 anos, 1 aluna (4%).
A incidência do câncer do colo do útero torna-se evidente na faixa etária de 30 a 39 anos, e o risco aumenta rapidamente, até atingir seu pico geralmente na faixa etária de 45 a 49 anos (13).
Observa-se em mulheres de nível socioeconômico baixo, início de vida sexual precoce, múltiplos parceiros sexuais, baixa imunidade, carências nutricionais, multíparas e fumantes (14).
O câncer de colo uterino nas últimas décadas tem sido considerado como uma séria questão de saúde pública, decorrente da alta incidência, evolução mórbida e elevada taxa de mortalidade (14-16).
O câncer de colo do útero é o terceiro (7,9% de casos novos) mais comum em mulheres e o câncer do corpo do útero ocupa o sexto lugar dentre todos os cânceres. Mais de 85% dos casos no mundo ocorrem em países em desenvolvimento, onde respondem por cerca de 13% de todos os cânceres na população feminina. O câncer do colo do útero é o primeiro mais incidente na Região Norte (23,97/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (20,72/100 mil) e Nordeste (19,49/100 mil), ocupa a segunda posição; na Região Sudeste (11,30/100 mil), a
4 terceira; e, na Região Sul (15,17 /100 mil), a quarta posição. As estimativas de novos casos para 2016 de acordo com o INCA serão de 16.340 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 15,85 casos a cada 100 mil mulheres (INCA, 2016).
Em relação ao estado civil, 1 (4%) era casada e 24 (96%) eram solteiras. Em relação à etnia 80% brancas, 16% pardas e 4% negra. A idade de início da vida sexual ocorreu entre 14 a 17 anos para 28% e 18 a 25 anos para 72%.
O que de fato é relevante para o acometimento do câncer de colo uterino, é o número de parceiros sexuais dessas mulheres, fato que as tornam mais predispostas às doenças sexualmente transmissíveis-DSTs, independentes de terem vida conjugal ou de permanecerem solteiras (17). Entre essas DSTs está o papilomavirus humano-HPV. Estudos de seqüenciamento das variantes genômicas dos HPVs demonstram que essas infecções podem evoluir para lesões que, mesmo após tratamento, não conduzem à eliminação viral, estabelecendo infecções persistentes, resistentes aos tratamentos convencionais, e, portanto, consideradas de alto risco para o desenvolvimento de neoplasias (18).
Em relação as alunas que tem vida sexual ativa, 15 (60%) tem vida sexual ativa e 10 (40%) não tem vida sexual ativa.
Acredita-se que cerca de 50% da população sexualmente ativa em algum momento da vida cruza com o Papiloma Vírus Humano (HPV). Estima-se que 30 milhões de pessoas, em todo mundo, tenham lesões de verruga genital, condiloma acuminado; 10 milhões de pessoas apresentam lesões intra-epiteliais de alto grau em colo uterino e, que ocorrem no mundo 500 mil casos de câncer de colo uterino, anualmente. Sabe-se que 11% de todos os casos de cânceres que acometem as mulheres são causados por HPV (19).
O grande problema ainda são os altos índices de exposição e infecções por DST, entre elas o HPV, que se justificam pela falta de conhecimento sobre o assunto, pela população em geral. A maioria dos casos de DST está restrita às pessoas sexualmente ativas, em geral adolescentes e adultos jovens com idade entre 15 e 34 anos, e recém-nascidos ou lactentes de mães contaminadas (20).
Atualmente, a infecção genital pelo papilomavírus humano (HPV) constitui-se na DST mais prevalente nos diferentes grupos etários e na maior parte das unidades de saúde públicas. Com a maior prevalência ocorrendo entre 20 e 24 anos de idade, e
5 com a mudança dos parceiros sexuais masculinos como principal fator de risco para aquisição da infecção por HPV (20).
A figura 1 mostra a relação das alunas que tem parceiro fixo.
O início antecipado da atividade sexual está relacionado com um maior tempo de ação sobre um epitélio cervical ainda em maturação, de fatores oncogênicos, como a infecção precoce pelos tipos de HPV de alto risco, além de fatores traumatizantes sobre esse epitélio, decorrentes do processo inflamatório resultante (21-22).
A relação entre câncer do colo uterino e os hábitos sexuais (promiscuidade, início precoce da atividade sexual e infecções ginecológicas repetidas) levou à identificação do Papillomavirus humano (HPV) como fator causal. Diversos fatores do meio ambiente, destacando o estilo de vida, têm importância no favorecimento de condições propícias à prevalência do vírus (23). O HPV é um vírus DNA pertencente à família Papovaviridae. O período de incubação é extremamente variável, indo desde três semanas até cerca de oito meses e depende da imunocompetência do indivíduo (21).
Figura 1- Distribuição das alunas do curso de Fisioterapia, segundo parceiro fixo. Bauru-SP. 2016.
A figura 2 mostra a relação das alunas que tem conhecimento sobre o exame citopatológico do colo uterino.
Aproximadamente 230 mil mulheres morrem por ano como conseqüência do câncer de colo uterino, representa a segunda neoplasia mais freqüente entre as mulheres, e nas regiões menos favorecidas lidera as estatísticas de incidência e mortalidade. No entanto, esse tipo de câncer é considerado de fácil diagnóstico e apresenta altas taxas de cura quando identificado precocemente. Além disso, pode ser prevenido
6 devido ao caráter infeccioso de sua etiologia, atribuída ao vírus do Papiloma Humano (23).
A infecção por HPV é considerada causa necessária, embora não suficiente para desenvolvimento dessa neoplasia, tendo em vista a presença do DNA viral em 99,7% dos casos da doença (24-27).
Figura 2- Distribuição das alunas do curso de Fisioterapia em relação ao conhecimento sobre o exame citopatológico.
Das alunas que sabem a importância da realização do exame citopatológico foram 16 (64%) e 9 (36%) não sabem a importância da realização. Todas relataram ter vida sexual ativa. Ao serem questionadas se realizaram o rastreio do Câncer do colo uterino, 56% informaram nunca terem realizado, 44% realizaram, sendo a que a faixa etária deste grupo foi de 18 a 26 anos.
Uma série de fatores epidemiológicos associa-se ao câncer cérvico uterino, dos quais a maioria é passível de prevenção e atuação dos profissionais de saúde, o que depende muitas vezes, da organização da assistência, dos profissionais de saúde e da adesão das mulheres para a realização do exame (28-31).
A descentralização do exame de Papanicolau realizado em Unidades de Saúde da Família (UFS) facilitou o acesso da população feminina para a realização do mesmo. Apesar dessa facilidade, muitas mulheres ainda apresentam resistência à colheita citológica e por vezes submetem-se ao exame já em fase tardia (32-35).
É importante considerar que a prevenção não depende apenas de aspectos técnicos, mas de outros fatores, dentre eles a educação em saúde. A Estratégia Saúde da Família conta com o profissional enfermeiro atuando não somente na colheita citológica, mas, especialmente, na promoção da saúde (35).
7 A prevenção do câncer do colo de útero é uma atividade inerente às equipes de Saúde da Família, definida como estratégica no Pacto pela Vida, publicado através da Portaria nº. 399/06 do Ministério da Saúde e assumida formalmente por gestores municipais (33). Via de regra, essa tem sido uma atividade desenvolvida praticamente apenas pelo enfermeiro. A meta estabelecida pelo Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo de Útero é de que pelo menos 80% das mulheres com idade entre 25 e 59 anos realizem o exame de Papanicolau periodicamente, da seguinte forma: inicialmente um exame por ano; no caso de dois exames normais seguidos (com intervalo de um ano entre eles), o exame deverá ser feito a cada três anos. Nos casos de resultados alterados a mulher deve seguir as orientações fornecidas pelo médico que a acompanha (35).
Sabe-se que o pico de incidência de câncer de colo de útero ocorre em mulheres entre 40 e 60 anos, com poucos casos na faixa etária abaixo de 30 anos. Acontece que a maioria dos exames de Papanicolau realizados e registrados no Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo de Útero e Mama corresponde a mulheres com menos de 35 anos de idade. Esse fato pode estar relacionado à maior demanda por cuidados relativos à natalidade nessa fase da vida (31).
Conclusão
Observou-se que a maioria era jovens, solteiras e sexualmente ativas, o esperado para o padrão de estudantes no primeiro ano da vida acadêmica. Em relação à importância do rastreio do câncer do colo do útero, nosso estudo demonstra que a maioria tinha conhecimento sobre o exame, o que é importante tanto para o autocuidado como pelo fato de serem profissionais da área da saúde e com importante papel na orientação da saúde da população. E, finalmente a maioria das estudantes não havia realizado o rastreio o que está de acordo com o protocolo do INCA cuja recomendação é de início aos 25 anos. Um elevado percentual já havia sido submetido a este exame, sendo esta uma realidade na atividade prática da maioria dos serviços que oferecem o rastreamento de câncer cervical no Brasil.
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