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Academic year: 2021

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TÍTULO: OPINIÃO DOS ESTUDANTES DA ÁREA DA SAUDE QUANDO AO USO DE PSICOFÁRMACOS E PSICOTERAPIA

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

ÁREA:

SUBÁREA: PSICOLOGIA

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): BIANCA RAHAL DE MATTOS

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): PAULA DE OLIVEIRA MORA

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1. RESUMO

O investimento da indústria farmacêutica em pesquisas, estudos na área da psiquiatria e marketing vem crescendo de maneira significativa nos últimos anos. Isso leva a uma nova configuração na prática terapêutica atual, na qual há um hiato entre os processos bioquímicos e causa dos sintomas manifestados pelo indivíduo, ou seja, o foco passa a ser a patologia em si e não o porquê do sintoma. A relação, antes pautada na tríade médico, paciente e psicoterapia se esvai, aparecendo como elemento central nessa relação a medicalização (SILVA, DULLIUS e CASTOLDI, 2011).

Os resultados mostraram que 14,20% dos alunos já fizeram ou fazem uso de psicofármacos alguma vez na vida, sendo que 38,80% o avaliaram como excelente, 27,70% como bom, e 33,30% satisfatória. Já o número de alunos que tiveram contato com a psicoterapia foi maior com a porcentagem de 31,60%, sendo a avaliação feita desta como 62,10% como excelente, 21,60% bom e 16,20% ruim. Pode-se perceber através desse estudo que o contato dos alunos com a psicoterapia foi maior quando comparada aos psicofármacos. A avaliação mostra que os alunos indicaram a experiência com a psicoterapia mais favorável.

PALAVRA-CHAVE: Estudantes; Psicofármacos; Psicoterapia; Psicotrópico. 2. INTRODUÇÃO

A utilização de psicofármacos vem crescendo nas últimas décadas em vários países ocidentais e, até mesmo, em alguns países orientais. Esse aumento tem sido atribuído ao crescimento da frequência de diagnósticos de transtornos psiquiátricos na população, à introdução de novos psicofármacos no mercado farmacêutico e às novas indicações terapêuticas dos psicofármacos já existentes. (RODRIGUES; FACHINI; LIMA, 2006)

Entretanto, existem divergências a respeito da indicação de um ou outro tipo de tratamento, sendo verificada, muitas vezes, a ocorrência de debates a respeito de eficácia de uma ou outra técnica.

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O objetivo desta pesquisa é buscar conhecer a opinião de estudantes de psicologia com respeito ao uso de psicofármacos e da psicoterapia. traçar um perfil da opinião e utilização dos serviços de tratamento de saúde mental (psicoterapia e uso de psicotrópicos) dos estudantes da área de saúde.

3. OBJETIVO

3.1 GERAIS

Esta pesquisa tem como objetivo compreender a opinião dos estudantes da área da saúde quanto ao uso de psicofármacos e de psicoterapia para tratamento de transtornos mentais, bem como a adesão dos medicamentos, ou da psicoterapia, e suas avaliações.

3.2 ESPECÍFICOS

O trabalho objetiva avaliar a opinião geral dos estudantes quando ao uso medicamentoso e/ou psicoterápico para tratamentos de transtornos mentais. Identificar o frequente uso de psicofármacos e psicoterapia nos estudantes da área da saúde de uma universidade no interior de São Paulo, bem como a avaliação dos estudantes quanto as técnicas terapêuticas.

4. METODOLOGIA 4.1 SUJEITO

Participaram deste estudo, 128 jovens universitários com idade entre 17 e 27 anos, estudantes de graduação da área de saúde de uma universidade do interior do estado de São Paulo.

4.2 INSTRUMENTO

O questionário investigou se o participante da pesquisa já fez ou faz uso de algum tipo de medicamento psicotrópico, tempo de duração do tratamento, profissional responsável pela indicação e avaliação geral do tratamento, bem como se o mesmo também faz ou já fez psicoterapia, tempo de duração, e avaliação geral do tratamento.

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4.3 LOCAL

Após a autorização dos coordenadores de cada curso, as pesquisadoras foram até as salas de aula.

5. DESENVOLVIMENTO 5.1 COLETA DE DADOS

Os questionários foram entregues aos estudantes que, individualmente, leram e responderam cada uma das questões. Depois de responderem os questionários, estes foram devolvidos as pesquisadoras para posterior análise.

5.2 ANÁLISE DE DADOS

A pesquisa contou com a participação de 128 estudantes, dos cursos de odontologia, fisioterapia, enfermagem e farmácia. Com o termino da aplicação, os questionários foram separados de acordo com o curso do aluno participantes. Em seguida, foram analisadas as porcentagens de resposta de cada questão. Finalmente, foi feita uma comparação das respostas entre dos diversos grupos de estudantes.

5.3 ASPÉCTOS ÉTICOS

O presente projeto foi encaminhado para comissão de ética desta universidade e obteve parecer favorável. Foi realizado segundo as normas éticas estipuladas pela resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

6. RESULTADOS

O enfoque do questionário era coletar a percentagem de estudantes que fizeram, ou ainda fazem uso, tanto de fármacos quanto de psicoterapia, e a avaliação que estes estudantes fazem sobre os dois métodos terapêuticos.

Dos estudantes de Odontologia, Enfermagem, Ciências farmacêuticas, e Fisioterapia apenas 14,20% fazem, ou já fizeram, uso de algum psicofármaco, como mostra a figura 1.

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FIGURA 1: Porcentagem de alunos que já fizeram ou fazem psicofármacos.

Dos estudantes que já fizeram uso de medicamentos, o curso que apresenta mais adesão é o de Odontologia, com 42,85% dos alunos que fazem, ou já fizeram uso de psicotrópicos. Seguido pelo curso de Fisioterapia, com 15%, Enfermagem com 9,67%, e Farmácia com 7,31% (figura 3).

FIGURA 3: porcentagem de estudantes que fazem uso de psicofármacos por curso.

Segundo os dados coletados, o psicotrópico mais utilizado são os ansiolíticos, com 34,70% de uso (tabela 1). Os antidepressivos aparecem em segundo lugar com 30,40%, e os analgésicos Opióides tem 13,00% do total de estudantes que fazem uso de psicotrópicos.

14% 86% Sim Não 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00%

Odonto Enfermagem Farmacia Fisioterapia

Uso de psicofármaco

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MEDICAMENTO: Ansiolíticos 34,70% Antidepressivos 30,40% Anticonvulsivantes 0,00% Antipsicóticos 0,00% Analgésicos opióides 13,00% Estabilizador de humor 8,60% Estimulantes cerebrais 8,60% Hipnóticos 4,30%

TABELA 1: porcentagem de medicamento usado.

A pesquisa investigou o tempo de uso de cada medicamento, e aponta que 16,60% fizeram uso de psicotrópicos por apenas uma semana, e que 44,44% dos pesquisados fizeram, ou ainda fazem, uso do medicamento a mais de três meses (tabela 2). TEMPO DE USO: 1 Semana 16,60% 1 Mês 22,20% 3 Meses 16,60% Mais 3 Meses 44,40%

TABELA 2: Porcentagem do tempo de uso dos medicamento.

A avaliação do medicamento foi feita apenas pelos alunos que fizeram, ou fazer, uso de alguma medicação psicoativa. 38,80% dos usuários avaliaram a medicação como excelente, 27,70% como bom, e 33,30% disseram que a medicação apresentou resultados satisfatórios (figura 4).

FIGURA 4: Avaliação dos efeitos do medicamento utilizados pelos alunos

Entre os cursos abordados para a pesquisa, o que mais apresenta adesão para o tratamento psicoterápico é a odontologia, com 50% dos alunos.

39% 28% 33% 0% excelente bom satisfatório ruim

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Em segundo lugar vem a fisioterapia, com 45%. Ciências farmacêuticas tem 24,32% dos alunos que já fizeram e/ou ainda fazem uso de psicoterapia. E a enfermagem tem 11,53% dos seus alunos que já fizeram, ou ainda fazem, o tratamento psicológico. (Figura 6)

FIGURA 6: porcentagem de estudantes que fazem uso de psicoterapia por curso.

Entre aqueles que fazem ou fizeram psicoterapia, 62,10% consideraram excelente o tratamento, 21,60%, bom, 16,20% satisfatório, como mostra a figura 4. .

FIGURA 4: Avaliação da psicoterapia feita por alunos

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa buscou conhecer a adesão ao uso de psicofármacos e psicoterapia para o tratamento de transtornos mentais entre os estudantes da área da saúde, e a avaliação que os estudantes fazem sobre ambas as terapias.

A pesquisa proporcionou também uma análise quando o período que os alunos fizeram uso do medicamento, com a avaliação feita pelos mesmo.

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% 100,0%

Odonto Enfermagem Farmacia Fisioterapia

Sim Não 62% 22% 16% 0% excelente bom satisfatório ruim

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Quanto ao tempo de uso, pesquisa aponta que 16,60% fizeram uso de psicotrópicos por apenas uma semana, 22,20% fizeram uso por um mês, 16,60% usaram o medicamento por três meses, e que 44,44% dos pesquisados fizeram, ou ainda fazem, uso do medicamento a mais de três meses.

A avaliação do medicamento foi feita apenas pelos alunos que fizeram ou fazem uso de alguma medicação psicoativa. Dentre esses alunos, 38,80% dos usuários avaliaram a medicação como excelente, 27,70% como bom, e 33,30% disseram que a medicação apresentou resultados satisfatórios.

Assim, alunos que utilizaram psicotrópicos por menos de um mês (ou seja, alunos que fizeram uso de medicamentos por uma semana ou um mês) não tiveram o efeito que o remédio tem potencial para promover, pois, segundo Souza (1999) esses medicamentos produzem, em média, uma melhora dos sintomas depressivos de 60% a 70%, no prazo de um mês. O tempo de uso indevido pode ter levado 33,30% dos alunos a avaliarem os medicamentos como “satisfatórios”.

O medicamento mais usado entre os estudantes da área da saúde é o ansiolítico, com 34,70%. Resultado já esperado, uma vez que uma pesquisa divulgada recentemente realizada pelo IMS Health demonstrou que o Rivotril® 9 (Clonazepam) foi o segundo medicamento mais consumido no Brasil em 2008. (AMARAL; MACHADO, 2012).

Considerando o uso deste medicamento, sob uma ótica social e antropológica, Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês introduz o conceito de modernidade líquida. A partir desta ótica, ele sugere que a modernidade emprega um modelo idealizado de felicidade, uma busca intensa deste ideal. Daí o uso desenfreado de ansiolíticos.

Entretanto, esses sintomas são realmente uma síndrome, ou uma forma de readaptação do comportamento humano, que, assim como propõe Darwin, sofrem modificações para adaptar-se a evolução da espécie? Nesse pensamento, o uso abusivo de ansiolíticos é realmente necessário, ou será mais uma forma rápida de fugir do desprazer, ou seja, de encontrar satisfação?

A segunda linha de medicamento mais utilizada são os antidepressivos com 30,40% de adesão. Segundo Cigognini e Furlanetto (2006) os distúrbios depressivos são altamente prevalentes e resultam em perda funcional

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significativa. Os autores estimam que, em 2020, a depressão será a segunda principal causa de anos de vida perdidos para incapacitação em todo o mundo.

No que se refere à psicoterapia, 31,60% dos alunos fazem ou fizeram psicoterapia. Essa porcentagem refere-se ao dobro dos estudantes que procuraram uso dos medicamentos para tratamento dos transtornos mentais. A divulgação e a quebra de tabus para com a psicoterapia podem ser fatores que auxiliam os pacientes a procurarem a psicoterapia.

Essa nova visão sobre o trabalho dos psicólogos deve-se a uma diversidade de estudos que comprovam a efetividade do tratamento psicoterápico para transtornos mentais.

Um estudo piloto, realizado pelos autores do presente projeto, indicou que a atitude dos estudantes com relação à psicoterapia é que a psicoterapia age na causa, o que acarreta um tratamento legítimo, enquanto o medicamento retira os sintomas, mas não “cura” a causa, agindo assim de forma paliativa. (Comunicação pessoal). Esta ideia pode ajudar a compreender porque o motivo da procura pelo tratamento psicoterápico ser maior do que o tratamento farmacológico.

Frente aos dados coletados e a análise feita, nota-se a necessidade de investigar o uso de tratamentos para transtornos mentais no curso de Medicina, uma vez que estes estudantes lidam rotineiramente com intercorrências estressantes.

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8. FONTES CONSULTADAS

AMARAL, Bruno Daniel Alves; MACHADO, Kaliana Larissa. Machado Benzodiazepínicos: uso crônico e dependência. Farmacologia Unifil, Londrina. 2012

CIGOGNINI, Marco Aurélio; FURLANETTO, Letícia Maria. Diagnosis and pharmacological treatment of depressive disorders in a general hospital. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 28, n. 2, p. 97-103, June 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462006000200005&lng=en&nrm=iso>. access on 24 Aug. 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462006000200005. RODRIGUES, Maria Aparecida P; FACCHINI, Luiz Augusto; LIMA, Maurício Silva de. Modificações nos padrões de consumo de psicofármacos em localidade do Sul do Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 40, n. 1, p. 107-114, Feb. 2006 . Available from

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102006000100017&lng=en&nrm=iso>. access on 14 July 2015.

SOUZA, Fábio Gomes de Matos e. Tratamento da depressão. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 21, supl. 1, p. 18-23, May 1999 . Available from

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500005&lng=en&nrm=iso>. access on 25 Aug. 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44461999000500005

SILVA, Celene Maria Longo da et al. Estudo populacional de síndrome pré-menstrual. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 40, n. 1, p.47-56, 2006.

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Referências

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