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Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
Breaking
paradigms
in
severe
epistaxis:
the
importance
of
looking
for
the
S-point
夽
Eduardo
Macoto
Kosugi
a,∗,
Leonardo
Balsalobre
a,b,
João
Mangussi-Gomes
a,b,
Miguel
Soares
Tepedino
c,
Daniel
Marcus
San-da-Silva
a,
Erika
Mucciolo
Cabernite
a,
Diego
Hermann
be
Aldo
Cassol
Stamm
baUniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),EscolaPaulistadeMedicina,DepartamentodeOtorrinolaringologiaeCirurgiade
Cabec¸aePescoc¸o,SetordeRinologia,SãoPaulo,SP,Brasil
bComplexoHospitalarEdmundoVasconcelos,CentrodeOtorrinolaringologiaeFonoaudiologia,SãoPaulo,SP,Brasil cPoliclínicadeBotafogo,DepartamentodeOtorrinolaringologia,RiodeJaneiro,RJ,Brasil
Recebidoem2dedezembrode2017;aceitoem20dedezembrode2017 DisponívelnaInternetem26demarçode2018
KEYWORDS Epistaxis; Nasalseptum; Endoscopy; Naturalorifice endoscopicsurgery; Recurrence Abstract
Introduction:SincetheintroductionofnasalendoscopyintothefieldofOtorhinolaryngology, the treatmentparadigm for cases of severeepistaxis hasshifted towardearly andprecise identificationofthebleedingsite.Althoughsevereepistaxisisusuallyconsideredtoarisefrom posteriorbleeding, anarterialvascularpedicleinthesuperior portionofthenasal septum, aroundtheaxillaprojectionofthemiddleturbinate,posteriortotheseptalbody,frequently hasbeenobserved.ThatvascularpediclewasnamedtheStamm’sS-point.
Objective:TheaimofthisstudywastodescribetheS-pointandreportcasesofsevereepistaxis originatingfromit.
Methods:A retrospectivecase seriesstudy was conducted. Ninepatients with spontaneous severe epistaxis, wherethe S-point was identifiedasthe sourceof bleeding, weretreated betweenMarch2016andMarch2017.
Results:Malepredominance(77.8%)withageaverageof59.3yearsoldwerereported.Most casespresentedcomorbidities(88.9%)andwerenottakingacetylsalicylicacid(66.7%).A pre-dominanceofleftsidedinvolvement(55.6%)andanteroposteriorbleedingbeingtheprincipal initialpresentation(77.8%)wasseen.Sixpatients(66.7%)presentedwithhemoglobinlevels below10g/dL,andfour(44.4%)requiredbloodtransfusion.CauterizationofS-pointwas per-formedinallpatients,withcompleteresolutionofbleeding.Nopatientexperiencedrecurrence ofsevereepistaxis.
DOIserefereaoartigo:https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2017.12.007
夽 Comocitaresteartigo:KosugiEM,BalsalobreL,Mangussi-GomesJ,TepedinoMS,San-da-SilvaDM,CaberniteEM,etal.Breakingparadigms insevereepistaxis:theimportanceoflookingfortheS-point.BrazJOtorhinolaryngol.2018;84:290---97.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](E.M.Kosugi).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
2530-0539/©2018Associac¸˜aoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaC´ervico-Facial.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY(http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Breakingparadigmsinsevereepistaxis:theimportanceoflookingfortheS-point 291
Conclusion: TheStamm’sS-point,anovelsourceofspontaneoussevereepistaxis,isreported, anditscauterizationwaseffectiveandsafe.Otolaryngologistsmustactivelyseekthissiteof bleedingincasesofsevereepistaxis.
© 2018 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/). PALAVRAS-CHAVE Epistaxe; Septonasal; Endoscopia; Cirurgiaendoscópica pororifícionatural; Recorrência
Quebrandoparadigmasnaepistaxegrave:aimportânciadeprocuraroS-point
Resumo
Introduc¸ão: Desdeaintroduc¸ãodaendoscopianasalnocampodeotorrinolaringologia,o para-digmadetratamentoparacasosgravesdeepistaxevoltou-separaaidentificac¸ãoprecocee corretadolocaldesangramento.Emboraaepistaxegravesejageralmenteconsideradauma hemorragia posterior, um pedículo vasculararterialtem sidofrequentemente observadona porc¸ãosuperiordoseptonasal,aoredordaprojec¸ãodaaxiladaconchamédia,posteriorao tubérculoseptal.EssepedículovascularfoichamadodeStamm’sS-point.
Objetivo: DescreveroS-pointerelatarcasosgravesdeepistaxequeseoriginamnesselocal.
Método: Umestudoretrospectivodesériedecasosfoiconduzido.Novepacientescom epis-taxegraveespontânea,naqualoS-pointfoiidentificadocomoafontedosangramento,foram tratadosdemarc¸ode2016amarc¸ode2017.
Resultados: Houvepredominânciadosexomasculino(77,8%)commédiade59,3anos.A maio-riadoscasosapresentavacomorbidades(88,9%),massemusodeácidoacetilsalicílico(66,7%). Observou-sepredominânciadoladoesquerdo(55,6%)comsangramentoanteroposteriorcomoa principalapresentac¸ãoinicial(77,8%).Seispacientes(66,7%)apresentaramníveisde hemoglo-binainferioresa10g/dLequatro(44,4%)necessitaramdetransfusãosanguínea.Cauterizac¸ão doS-pointfoifeitaemtodosospacientes,comresoluc¸ãocompletadosangramento.Nenhum pacienteapresentourecorrênciadeepistaxegrave.
Conclusão:OStamm’sS-pointérelatadocomoumanovaregiãodeorigemdeepistaxegrave espontâneaeotratamentofeitocomcauterizac¸ãofoieficazeseguro.Osotorrinolaringologistas devembuscarativamenteesselocaldesangramentoemcasosdeepistaxegrave.
© 2018 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
A epistaxe é umas das urgências mais comuns na prá-tica otorrinolaringológica.1 É extremamente frequentena populac¸ão emgeral, porémestima-sequeapenas10%dos casosprocuremoatendimentomédico,dadaasua caracte-rísticabenignaeautolimitada.2---4Epistaxesgraves,quesão episódioscompotencialrisco àvidaedemandamconduta urgenteeimediata,5sãomaisraras,massuaocorrênciaem servic¸osespecializadosdeotorrinolaringologiapodechegar a4%doscasos.1
Asepistaxesgravessãotradicionalmentereferidascomo sangramentos de origem posterior,5 apesar de até 50% dos casos graves ou recidivantes não serem identificados apropriadamente.5,6 Assim, o principal tratamento cirúr-gico das epistaxes graves costuma sera cauterizac¸ão dos ramosdaartériaesfenopalatina,comaltastaxasdesucesso, apesardanecessidadevariáveldeabordagemadicionalda artériaetmoidalanterior(AEA).5,7
Oseptonasalaltotemsidoconsideradoumimportante sítio de epistaxes graves, especialmente decorrentes dos ramos da AEA (fig. 1).8 Mais especificamente, um ponto
AEA
PEA S
Figura 1 Cauterizac¸ão microscópica dos ramos da artéria etmoidalanterior(AEA,artériaetmoidalanterior;PEA,artéria etmoidalposterior;S,septo).
S
A
MT
Figura2 Fossa nasal esquerda, visão endoscópicasuperior, acimadaaxiladaconchamedia(A). OS-point (setapreta)é umpedículovascularnaporc¸ãosuperiordoseptonasal(S).Note queojatodesanguepodeserforteosuficienteparaalcanc¸ara paredelateraldonarizefluirposteriormente,simularepistaxe posterior(MT,conchamédia).
específico de sangramento foi descrito pelo autor sênior (ACS)naregiãosuperiordoseptonasal,aoredordaprojec¸ão da‘‘axila’’daconchamédia,apósotubérculoseptal,quese apresentacomoumpedículovascular arterial,geralmente comsangramentoativo(referênciaanedotal).Essepedículo vasculararterialédenominadoStamm’sS-point(fig.2).
OS-pointpareceserumlocalfrequenteeestávelde epis-taxe grave atualmente. Devidoa sua natureza arterial, o sangramentodoS-pointpodeserintensoosuficientepara atingiraparedelateraldonarize drenarposteriormente, podeser confundido com umaepistaxe posterior (fig. 2). Alémdisso,aáreadoS-point,bemsuperior,aoredordaaxila daconchamédia,nãoéumaárearotineiramenteexaminada pelootorrinolaringologistadurante ascirurgias endoscópi-cas nasais e pode ser de difícil acesso endoscópico, pois ficaposterioraotubérculoseptal.Portanto,epistaxesgraves origináriasdoS-pointpodemnãoserdiagnosticadas corre-tamenteelevarafalhasterapêuticas.
Esteestudoéoprimeiroadescreveresseponto especí-ficodesangramentonasepistaxesgraves.Oobjetivodeste estudoérelatarnovepacientesemqueoS-pointfoiaorigem deepistaxegrave.
Método
Trata-sedeumasériedenovepacientesqueapresentaram epistaxegraveentremarc¸ode 2016 e marc¸o de2017 em trêsdiferenteshospitais,emqueoS-pointfoiidentificado comoorigemdosangramento.
Houve aprovac¸ão do estudo por comitê de ética em pesquisa (Parecer1.890.166) eos participantes assinaram termodeconsentimentolivreeesclarecido.
Critériosdeinclusão
EpistaxegravecomorigemnoS-point; Tratamentocomcauterizac¸ãodoS-point; Voluntáriosaparticipardoestudo.
Critériosdeexclusão
EpistaxegravecomoutrasorigensquenãooS-point; Epistaxegravecomorigemdesconhecida;
Tratamento concomitante com cauterizac¸ão de artéria esfenopalatina;
Tratamento concomitante com cauterizac¸ão da artéria etmoidalanterior.
Foram coletados os seguintes dados: idade, gênero, presenc¸adecomorbidades,usoounãodeácido acetilsalicí-lico(AAS),lateralidadedaepistaxe,apresentac¸ãoanterior e/ou posterior do sangramento, tratamento inicial feito, níveis de hemoglobina (Hb), presenc¸a de distúrbios de coagulac¸ão, necessidade de hemotransfusão, tratamento cirúrgicofeitoetempodeseguimento.
Identificac¸ãodoS-point
Para a corretaidentificac¸ãoda origemdaepistaxegrave, todaa cavidadenasalfoicuidadosamente examinadacom endoscópiodezerograu,especialmenteaporc¸ãosuperior do septo nasal ao redor da projec¸ão da axila da concha média, posterior ao tubérculoseptal,onde o S-point cos-tumaserencontrado(fig.3,materialsuplementar,vídeo1). Para tal, o endoscópio precisouser dirigidopara aregião superiordacavidadenasal,acimadomeatomédio,emuma áreanãousualmenteacessadadurante ascirurgias endos-cópicasnasaistradicionais.
Emalgunscasos,umalevecompressãodotubérculo sep-talcomumelevadordeCottle,ouatémesmoseptoplastia, foinecessáriaparaavisualizac¸ãoadequadadoS-point.
Duas outras medidas foram necessárias para a identificac¸ão do S-point na avaliac¸ão endoscópica inicial: osníveispressóricosprecisariamsermantidospróximosaos valoresnormais,semhipotensão;esoluc¸ões descongestio-nantes nãopuderam ser usadas atéa completa avaliac¸ão endoscópicanasal.Ousodealgodãoembebidoemsoluc¸ões descongestionantes poderia promover vasoconstric¸ão do pedículo arterial e hemostasia temporária e tornar a identificac¸ão do S-point uma tarefa impossível (fig. 4, materialsuplementar,vídeo2).
Resultados
Foramidentificadosnove pacientesque cumpriramos cri-térios de inclusão e exclusão, sete homens (77,8%), com média de59,3 anos(mediana 58 anos, 34---88 anos). Ape-nas um paciente (11,1%) não apresentava comorbidades, três (33,3%) usavamAAS diariamente devido à coronario-patia.Cinco pacientes(55,6%) sangraram pelafossa nasal esquerda(FNE),aapresentac¸ãoanteroposteriorfoiamais comum(setepacientes;77,8%).Otamponamentoanterior foioprincipaltratamentoinicial(cincopacientes;55,6%).
Breakingparadigmsinsevereepistaxis:theimportanceoflookingfortheS-point 293
1
AEA2
SS NSA Pos Ant S A MTFigura3 Fossanasalesquerda,dissecc¸ãoanatômica(1)evisãoendoscópica(2).Ocírculopretoeaáreaamarelamostrama regiãoondeoS-point(umramodaartériaetmoidalanterior)podeserencontrado,superioraomeatomédio,emumaregiãoque normalmentenãoéexaminadanascirurgiasendoscópicasnasais(Ant,anterior;Pos,posterior;AEA,artériaetmoidalanterior;NSA, artérianasosseptal;SS,seioesfenoidal;S,septonasal;A,axiladaconchamédia;MT,conchamédia).
1
2
A S MT A S MTFigura4 Fossanasaldireita.S-point(círculoamarelo)antes(1)eapós(2)ousodealgodãocomdescongestionantetópico.Após vasoconstritor,opedículovascularS-pointpraticamentedesaparece.(A,axiladaconchamédia;MT,conchamédia;S,septonasal).
Seispacientes(66,7%)apresentaramníveis deHb menores do que 10 g/dL, quatro(44,4%) necessitaram de transfu-são sanguínea. Apenas um paciente (11,1%) apresentava alterac¸ãoemcoagulograma.Todosospacientesforam sub-metidos à cauterizac¸ão do S-point, sem manipulac¸ão da artériaesfenopalatinae/ouetmoidal.Nenhumapresentou recorrência do sangramento, em período pós-operatório médio de10 meses(mediana: 11 meses,2---18). Osdados sãoapresentadosnatabela1.
Apresentac¸ãodoscasos
1◦Paciente:58anos,masculino,hipertensocontroladocom atenololehidroclorotiazida,comhistóricodeepistaxegrave emFNE,forasubmetidoàcauterizac¸ãodasartérias esfeno-palatinaeetmoidalanterioripsilateraishavianovemesese revisãocirúrgicaapósummêsdosprocedimentospor ressan-gramento.Permaneceusemsangramentosporoitomeses, quandoapresentounovoepisódiodeepistaxegraveemFNE,
controladocomtamponamentonasalanterior.Feita endos-copianasalsobanestesiageraleidentificadosangramento ativodo S-point (fig. 5(1)), que cessou após cauterizac¸ão elétrica.Opacientesemantevesemsangramentosdurante operíodopós-operatóriodeoitomeses.
2◦Paciente:53anos,masculino,hepatopatacrônicopor hepatite B em fila de espera para transplante hepático, apresentou epistaxe grave em FNE com sinais de choque hipovolêmico.Foisubmetidoàestabilizac¸ãohemodinâmica com3Lderingerlactatoetamponamentonasal anteropos-teriorcomcontroledosangramento.Níveisdehemoglobina caíramde9,0para7,8g/dL,comRNIde2,12.Após transfu-sãodeduasunidadesdeconcentradodehemáciasetrêsde plaquetas,sobanestesiageral,acavidadenasalfoi exami-nadacomendoscópiorígidoefoiidentificadosangramento ativodoS-point(fig.5(2)).Foifeitacauterizac¸ãoelétricado S-pointcomcontroledosangramento.Opaciente permane-ceuestávelduranteperíodopós-operatóriodecincomeses. 3◦ Paciente:34anos, masculino,apresentavaepistaxes recorrentesem fossanasal direita(FND)por trêsdias. Os
K
osugi
EM
et
al.
Tabela1 Característicasdospacientes---EpistaxegraveempontoS Paciente Idade Sexo Comorbidades Usuário
deAAS Lado Sangramento anterior Sangramento osterior Tratamento inicial Repercussão hematológica Distúrbiosde coagulac¸ão Transfusãode sangue Períodode seguimento Tratamentofinal
1 58 M HAS Não Esquerdo Sim Sim Tamponamento
anterior
Hb11,9 Não Não 8meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
2 53 M HepatiteB Não Esquerdo Sim Sim Tamponamento
anteroposterior
Hb7,8 Sim 2unidades 5meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
3 34 M Não Não Direito Sim Sim Tamponamento
anterior
Hb7,2 Não Não 12meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
4 63 M Desnutric¸ão,
HAS
Não Direito Sim Sim Tamponamento
anterior
Hb6,2 Não 2unidades 18meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
5 71 M HAS,RM Sim Direito Sim Sim Tamponamento
anterior
Hb8,0 Não 2unidades 18meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
6 58 F HAS,artrite
reumatoide
Não Esquerdo Sim Não Não Hb8,1 Não 2unidades 11meses Cauterizac¸ãodo
pontoS Septoplastia
7 71 M HAS,RM,DM Sim Direito Sim Sim Tamponamento
anterior
Hb12,1 Não Não 14meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
8 88 M HAS,RM,DM
artritepsoriática
Sim Esquerdo Sim Não Não Hb11,7 Não Não 2meses Cauterizac¸ãodo
pontoS
9 38 F HAS Não Esquerdo Sim Sim Tamponamento
anteroposterior
Hb9,2 Não Não 2meses Cauterizac¸ãodo
pontoS AAS,ácidoacetilsalicílico;DM,diabetesmelito;F,feminino;HAS,hipertensãoarterialsistêmica;Hb,hemoglobina;M,masculino;RM,revascularizac¸ãodomiocárdio.
Breakingparadigmsinsevereepistaxis:theimportanceoflookingfortheS-point 295
1
2
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4
3
S S S S MT S S A A S A A A A A A MT MT MT MT MT S A A S S MT MT MTFigura5 Identificac¸ãodoS-pointemnovecasos(1a9).OS-pointfoimarcadocomocírculoamarelo(S,septonasal;A,axilada conchamédia;MT,conchamédia).
sangramentos eram espontâneos, em grande quantidade, mas autolimitados. Durante o atendimento, apresentava sangramentoleveemFND,controladacomtamponamento nasalanterior.Devidoàrecorrênciadoquadroepor apre-sentarnível de hemoglobinaséricade 7,2 g/dL,optou-se porexameendoscópicosobanestesiageral,queevidenciou sangramento ativoleve com origemnoS-point(fig. 5(3)). Osangramentofoicontroladocomcauterizac¸ãoelétricaeo pacientenãoapresentourecidivasduranteumanode segui-mento.
4◦Paciente:63anos,masculino,comdesnutric¸ãoe hiper-tensãoarterialsistêmica(HAS)malcontrolada,foiavaliado devidoaepisódiosrecorrentesdeepistaxesgravesna FND nosúltimosdoisdias.Duranteoexamefísico,apresentava sangramentonasalintenso,controladocomtamponamento nasal anteriorbilateralmente. Houve queda dos níveis de hemoglobinanesses dois diasde 10,7 para6,2 g/dL, com necessidade de transfusão de duas unidades de
concen-tradodehemácias.Opacientefoilevadoaocentrocirúrgico paraendoscopianasalqueidentificousangramentoativodo S-pointàdireita(fig.5(4),materialsuplementar,vídeo3), controladoadequadamentecomcauterizac¸ãoelétrica.Sem recidivasem18mesesdepós-operatório.
5◦Paciente:71anos,masculino,hipertensobem contro-lado,com histórico de revascularizac¸ão miocárdica e uso diáriodeAAS.Jáhaviasidosubmetidoàcauterizac¸ão elé-trica do S-point em FNE havia dois mesescom sucesso e agora apresentava epistaxe grave havia um dia em FND, não foi possível identificar o ponto de sangramento na avaliac¸ão de emergência, foi controlado com tampona-mento nasal anterior. Apresentava nível de hemoglobina de 8,0 g/dL, com sintomas de anemia aguda, portanto foi submetido à transfusão de duas unidades de con-centrado de hemácias e endoscopia nasal sob anestesia geral. Sangramento ativo do S-point em FND foi locali-zado(fig. 5[5])ecauterizadocomsucesso,opaciente não
apresentounovossangramentosdurante 18mesesde pós--operatório.
6◦ Paciente: 58 anos, feminino, hipertensa descontro-ladaecomartritereumatoideemusodehidroxicloroquina, apresentavaepistaxegraveintermitente,masautolimitada em FNE nos últimos três meses. Após um novo episódio deepistaxegrave,foiadmitidajásemsangramentoativo. Apresentava exame prévio com nível de hemoglobina em 12,5 g/dL, o exame na admissão mostrava queda para 8,1 g/dL, com necessidade de transfusão de duas unida-des de concentrado de hemácias. Sob anestesia geral, a explorac¸ãoendoscópicanasalevidenciouoS-pointemFNE com sinais desangramento recente(fig. 5[6]).Feita sep-toplastiapara facilitar o acesso e a cauterizac¸ão elétrica doS-point.Semrecorrênciasem 11mesesde acompanha-mento.
7◦ Paciente:71 anos,masculino,com HASbem contro-lada,diabéticoTipo2,revascularizac¸ãomiocárdicapréviae usodiáriodeAAS,deuentradacomepistaxegraveativaem FND.Apresentavaepistaxesrecorrentesdelongadata,que pioraramnoscincodiaspréviosàadmissão.Sangramentofoi controladocomtamponamentonasalanterior.Apresentava níveldehemoglobinade12,1g/dL.Feitaendoscopianasal sob anestesia geral e identificado sangramento ativo do S-pointàdireita(fig.5[7]).Ahemorragiafoicontroladacom cauterizac¸ãoelétricadoS-pointeopaciente permaneceu estáveldurante14mesesdeacompanhamento.
8◦ Paciente: 88 anos, masculino, com HAS, diabetes Tipo2 eartritepsoriática controladasehistóricode angi-oplastia coronariana havia 20 anos, além de uso diário deAAS.Apresentava episódiosde epistaxegrave emFNE, intermitentes e autolimitados, nos últimos dois meses, ocasionalmente associados apicos hipertensivos. Foi ava-liadofora davigência de sangramento e feitaendoscopia nasalque evidenciou S-pointà esquerda. Nível de hemo-globina de 11,7 g/dL, sem distúrbios de coagulac¸ão. Foi internadoparaendoscopianasalsobanestesiageralque con-firmouapresenc¸adeS-point(fig.5[8]),semsangramento no momento da avaliac¸ão, foi submetido à cauterizac¸ão elétrica.Permaneceuestáveldurantedoismesesde acom-panhamento.
9◦ Paciente:38 anos, feminino, hipertensa em uso de cincomedicamentosanti-hipertensivos.Apresentava epis-taxes frequentes, intermitentes, mas autolimitadas em FNEnos últimos quatromeses.Deu entradacom epistaxe de grande intensidade, em FNE, foi necessário tampona-mento nasal anteroposterior paracontrole doquadro. Ao exameendoscópiconasal sobanestesia geral, foi identifi-cadoS-pointcom sangramentoativo emFNE(fig. 5(9)).A hemoglobina de entrada era de 9,2 g/dL, sem distúrbios decoagulac¸ãoesemnecessidadedehemotransfusão.Feita cauterizac¸ão elétricacom sucesso, sem recidivas durante doismesesdepós-operatório.
Discussão
O tratamento cirúrgico das epistaxes graves evoluiu de medidasheroicascomoligaduradaartériacarótidaexterna para procedimentos que cada vez mais valorizam a identificac¸ãoprecisaeocontroledopontodesangramento. A cauterizac¸ão endoscópica da artéria esfenopalatina é
atualmenteoprocedimentocirúrgicomaiscomumentefeito no tratamento das epistaxes graves, o uso dos endoscó-pios permitiu até refinamentos na técnica cirúrgica que proporcionaramaumentodaeficáciadoprocedimento.5,9A popularizac¸ãodaendoscopianasaltemincentivadoabusca ativa do ponto de sangramento, antes restrita ao plexo de Kiesselbach, agora com possibilidade de identificac¸ão de pontos desangramento posteriores da cavidadenasal. Portanto, a endoscopia nasal tem promovido importante mudanc¸adeparadigmasnotratamentodaepistaxegrave.6 Existe muita controvérsia sobre a localizac¸ão do san-gramentograve,talvezpelafaltadepadronizac¸ãoemsua busca.10 Thornton et al. (2005)11 identificaram a parede nasal lateral como o principal sítio de sangramento, o septonasal superiorfoi responsável porapenas16,3% dos casos.JáAlmeidaetal.(2005)6identificaramoseptonasal como principal sítio de sangramentos posteriores graves (46,6%),porémseuestudoapenasconsideroualocalizac¸ão anterior ouposterior dos sangramentos, não avaliou se o sangramentoerasuperior.Porfim,ChiueMcGarry(2007)10 tambémrelataramqueamaioriadasepistaxesposteriores vinhadoseptonasal,eramdistribuídasigualmenteentrea porc¸ãosuperioreinferior.Umfatoré fundamental:semo uso doendoscópio,o pontodesangramento podenãoser localizadoemmetadedoscasos.5
Apesardeessesestudospréviosteremconfirmadoosepto nasalcomoorigemfrequentedeepistaxesgraves,nãohouve aidentificac¸ãodeumpontoespecíficoeconstantede san-gramentosseptais.Opresenteestudodescreveuumafonte estáveldesangramentoempacientescomepistaxegrave, localizadona porc¸ão superiordoseptonasal, aoredorda projec¸ão da axila da concha média, posterior ao tubér-culo septal. Apesar de nãoser possível determinar taxas deprevalênciacomessedelineamentodeestudo,oS-point pareceuserumacausafrequentedesangramentosnas epis-taxesgraves.
Atualmente, a identificac¸ão do ponto de sangramento comsuaposteriorcauterizac¸ãoéconsideradauma aborda-gem adequada, efetiva e segura nomanejo das epistaxes graves,e émenosinvasivadoqueacauterizac¸ãoda arté-ria esfenopalatina.6 O presente estudo caracterizou pela primeiravezoS-point,umpontoestáveldeepistaxes gra-ves,emumlocalnãousualmenteavaliadoduranteoexame endoscópiconasal.Edemonstroutambémque,quando iden-tificado, acauterizac¸ãodoS-pointsemostrouummétodo eficazeseguronotratamentodasepistaxesgraves,mesmo empacientescomcomorbidadesedistúrbiosdacoagulac¸ão. Portanto,abuscaativaeidentificac¸ãodoS-pointcomo ori-gem do sangramento pode mudar paradigmas no manejo dospacientescomepistaxegraveelevaraabordagemmais simpleseeficaz.
Conclusão
O Stamm’s S-point foi reportadocomo origemde sangra-mentodeepistaxesgraves.Foramrelatadosnove casosde epistaxe grave decorrentes desse local e seu tratamento foiefetivoapenascomcauterizac¸ãoelétricadoS-point.A disseminac¸ão do conhecimentodo S-pointcomo causade sangramentogravepodeaumentarosucessodotratamento cirúrgicodaepistaxe,alémdediminuirsuamorbidade.
Breakingparadigmsinsevereepistaxis:theimportanceoflookingfortheS-point 297
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Apêndice
A.
Material
adicional
Pode-se consultar o material adicional para este artigo na sua versão eletrônica disponível em
doi:10.1016/j.bjorlp.2017.12.002.
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