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Modelagem, identificação e controle de um pêndulo invertido de duas rodas

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PROGRAMA DE P ´

OS-GRADUA¸

AO EM ENGENHARIA MECˆ

ANICA

WAGNER DE SOUZA CHAVES

MODELAGEM, IDENTIFICA¸

AO E CONTROLE DE UM

ENDULO INVERTIDO DE DUAS RODAS

DISSERTA¸

AO

CORN´

ELIO PROC ´

OPIO

2020

(2)

MODELAGEM, IDENTIFICA¸

AO E CONTROLE DE UM

ENDULO INVERTIDO DE DUAS RODAS

Disserta¸c˜ao apresentada ao Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia Mecˆanica da Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a, como requisito parcial para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Mestre.

´

Area de concentra¸c˜ao: Ciˆencias Mecˆanicas Linha de pesquisa: Sistemas Dinˆamicos Orientador: Adailton Silva Borges

Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a Coorientador: Marcio Aurelio Furtado Montezuma

Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a

CORN´

ELIO PROC ´

OPIO

2020

(3)

Modelagem, identificação e controle de um pêndulo invertido de duas rodas / Wagner de Souza Chaves. – 2020.

95 p. : il. color. ; 31 cm.

Orientador: Adailton Silva Borges.

Coorientador: Marcio Aurelio Furtado Montezuma.

Dissertação (Mestrado) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica. Cornélio Procópio, 2020.

Bibliografia: p. 87-91.

1. Pêndulo. 2. Engenharia de protótipos. 3. Equilíbrio. 4. Engenharia Mecânica – Dissertações. I. Borges, Adailton Silva, orient. II. Montezuma, Marcio Aurelio Furtado, coorient. III. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica. IV. Título.

CDD (22. ed.) 620.1

Biblioteca da UTFPR - Câmpus Cornélio Procópio Bibliotecário/Documentalista responsáve l:

(4)

Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica

Av. Alberto Carazzai, 1640 - 86.300-000- Cornélio Procópio – PR.

Tel. +55 (43) 3133-3789 / e-mail: [email protected] / www.utfpr.edu.br/cornelioprocopio/ppgem

Título da Dissertação Nº 046:

“Modelagem, Identificação e Controle de Um Pêndulo

Invertido De Duas Rodas

”.

Por

Wagner de Souza Chaves

Orientador: Prof. Dr. Adailton Silva Borges

Esta dissertação foi apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de MESTRE EM ENGENHARIA MECÂNICA – Área de Concentração: Ciências Mecânicas, linha de pesquisa: Sistemas Dinâmicos, pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica – PPGEM – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Câmpus Cornélio Procópio, às 13h30min do dia 03 de ABRIL de 2020. O trabalho foi aprovado pela Banca Examinadora, composta pelos professores:

_______________________________

Prof.Dr.Adailton Silva Borges

(Orientador – UTFPR-CP)

_________________________________

Prof. Dr. Cristiano Marcos Agulhari

(UTFPR-CP)

_______________________________

Prof. Dr. Luiz Henrique Geromel

(5)

Agrade¸co a Deus por me dar a oportunidade de chegar nesta etapa da minha vida e por me guiar durante os momentos de dificuldade.

Aos professores Adailton Silva Borges e Marcio Aurelio Furtado Montezuma pela orienta¸c˜ao, apoio e incentivo durante o desenvolvimento deste projeto.

Aos amigos do laborat´orio LASISC, Eduardo Hideki, Matheus Mollon, Lucas Niro, Wanderlei Malaquias, Umberto Xavier e Gabriel Rossato pelo auxilio, coopera¸c˜ao e amizade.

A minha namorada Karina Pereira, aos meus pais Walfredo Chaves e Eloi Penha, e as minhas irm˜as Val´eria e Vanessa pelo apoio e carinho.

(6)
(7)

CHAVES, Wagner. Modelagem, Identifica¸c˜ao e Controle de um Pˆendulo Invertido de Duas Rodas. 2020. 95 f. Disserta¸c˜ao – Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia Mecˆanica, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. Corn´elio Proc´opio, 2020.

Esta disserta¸c˜ao apresenta a constru¸c˜ao de uma planta did´atica de um pˆendulo invertido de duas rodas, assim como a prototipagem virtual da mesma utilizando o software MSC ADAMS. Por meio desta ferramenta foi poss´ıvel estudar e simular o comportamento dinˆamico deste sistema inst´avel, multiv´ariavel e n˜ao linear. O modelo matem´atico para representar a dinˆamica do sistema foi obtido utilizando o m´etodo de Newton-Euler. Em seguida, contro-ladores de equil´ıbrio e dire¸c˜ao foram projetados para fazer o robˆo percorrer uma trajet´oria equilibrando-se de forma autom´atica. A t´ecnica de controle robusto H∞ via LMI foi utilizada

e incertezas n˜ao estruturadas foram consideradas no modelo matem´atico do sistema. Por fim, o controlador projetado foi aplicado no prot´otipo virtual utilizando co-simula¸c˜ao entre o MSC ADAMS e o MATLAB/Simulink e os resultados foram comparados com o controle apli-cado no modelo matem´atico. Ap´os validado, o sistema de controle foi apliapli-cado ao prot´otipo real. Palavras-chave: Pˆendulo invertido de duas rodas. Prototipagem virtual. Controle de equil´ıbrio e dire¸c˜ao. Controle robusto H∞.

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CHAVES, Wagner. Design, Identification and Control of a Two Wheeled Inverted Pendulum. 2020. 95 f. Disserta¸c˜ao – Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia Mecˆanica, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. Corn´elio Proc´opio, 2020.

This dissertation presents the construction of a two-wheeled inverted pendulum educational board, as well as its virtual prototyping using the MSC ADAMS software. Through this tool it was possible to study and simulate the dynamic behavior of this unstable, multivariable and nonlinear system. The mathematical model to represent the system dynamics was derived using Newton-Euler method. Then, balance and direction controllers were designed to make the robot travel through a path while it balances by itself. The robust control technique H∞ via LMI was

used and unstructured uncertainties were considered in the mathematical model of the system. Finally, the designed controller was applied to the virtual prototype using co-simulation between MSC ADAMS and MATLAB/Simulink and the results were compared with the control applied in the mathematical model. Once validated, the control system was applied to the real prototype. Keywords: Two-wheeled inverted pendulum. Virtual prototyping. Balance and direction control. Robust control H∞.

(9)

Figura 1 – Vers˜oes de pˆendulo invertido. . . 18

Figura 2 – (a) Segway. (b) Hoverboard. . . 18

Figura 3 – Movimentos de um TWIP. . . 21

Figura 4 – Projeto JOE de Grasser et al. (2002). . . 22

Figura 5 – (a) Prot´otipo de Ooi (2003). (b) Prot´otipo de Carlsson e ¨Orb¨ack (2009). . 23

Figura 6 – Sistema de controle de Grasser et al. (2002). . . 24

Figura 7 – Projeto nBOT de Anderson (2013). . . 27

Figura 8 – Projeto de Solis et al. (2009). . . 28

Figura 9 – Kit de desenvolvimento. . . 28

Figura 10 – LEGO NXTway-GS. . . 29

Figura 11 – TWIP constru´ıdo. . . 31

Figura 12 – Corpo intermedi´ario. . . 31

Figura 13 – Rodas utilizadas. . . 32

Figura 14 – Motores utilizados. . . 33

Figura 15 – Circuito el´etrico do motor PMDC. . . 34

Figura 16 – Placa controladora. . . 34

Figura 17 – Driver de acionamento. . . 35

Figura 18 – M´odulo GY-86. . . 36

Figura 19 – Fus˜ao dos sensores utilizando Filtro de Kalman. . . 36

Figura 20 – Estima¸c˜ao do ˆangulo de pitch. . . 37

Figura 21 – Decodificador de quadratura. . . 38

Figura 22 – Baterias utilizadas. . . 39

Figura 23 – Circuito LM259. . . 39

Figura 24 – Diagrama de corpo livre do TWIP constru´ıdo. . . 40

Figura 25 – Sistema de referˆencias adotado. . . 41

Figura 26 – Experimento de pesagem das pe¸cas do TWIP. . . 47

Figura 27 – Modelo 3D do TWIP. . . 48

Figura 28 – Etapas da prototipagem virtual do TWIP. . . 51

Figura 29 – Prot´otipo virtual do TWIP. . . 52

Figura 30 – Juntas do prot´otipo virtual. . . 52

Figura 31 – For¸cas e torques aplicadas no prot´otipo virtual. . . 53

Figura 32 – Diagrama de blocos de um controle por realimenta¸c˜ao de estados. . . 55

Figura 33 – Sistema incerto. . . 57

Figura 34 – Sistema de controle no MATLAB/Simulink. . . 65

Figura 35 – Unidade de transforma¸c˜ao. . . 66

(10)

Figura 39 – Sinais de referˆencia para ˙XRM e ˙ψ aplicados em momentos diferentes. . . . 68

Figura 40 – Sinais de referˆencia para ˙XRM e ˙ψ aplicados simultaneamente. . . 68

Figura 41 – Sinais de referˆencia para ˙XRM e ˙ψ fazerem o TWIP subir uma rampa. . . . 69

Figura 42 – Rampa constru´ıda no ADAMS. (a) Vista em trˆes dimens˜oes. (b) Vista lateral. 69 Figura 43 – Simula¸c˜ao do controle aplicando um dist´urbio no TWIP. . . 71

Figura 44 – A¸c˜ao do controlador ao aplicar um dist´urbio no TWIP. . . 71

Figura 45 – Simula¸c˜ao do controle aplicando sinais de referˆencia em tempos diferentes. 72 Figura 46 – A¸c˜ao do controlador ao aplicar sinais de referˆencia em tempos diferentes. . 72

Figura 47 – Simula¸c˜ao do controle aplicando sinais de referˆencia simultˆaneos. . . 73

Figura 48 – A¸c˜ao do controlador ao aplicar sinais de referˆencia simultˆaneos. . . 74

Figura 49 – TWIP subindo uma rampa de 10 graus. . . 74

Figura 50 – Simula¸c˜ao do controle com o TWIP subindo uma rampa. . . 75

Figura 51 – A¸c˜ao do controlador com o TWIP subindo uma rampa. . . 75

Figura 52 – Peso de 0,1 Kg adicionado ao TWIP. . . 76

Figura 53 – Simula¸c˜ao do controle aplicado no sistema adaptado - Estados. . . 78

Figura 54 – Simula¸c˜ao do controle aplicado no sistema adaptado - Torques. . . 78

Figura 55 – Leitura dos estados do TWIP real. . . 79

Figura 56 – Posi¸c˜ao das rodas. . . 79

Figura 57 – Estrutura de funcionamento do TWIP real. . . 80

Figura 58 – Sinais de referˆencia para o TWIP real. . . 80

Figura 59 – Respostas do controle aplicado ao TWIP Real. . . 81

Figura 60 – Torques aplicados ao TWIP real. . . 82

Figura 61 – Tens˜oes de armadura aplicados aos motores reais. . . 82

Figura 62 – TWIP com rodas alteradas. (a) Projeto com as rodas originais. (b) Projeto com as rodas alteradas. . . 83

Figura 63 – TWIP constru´ıdo. (a) Sistema f´ısico. (b) Modelo 3D no SolidWorks. (c) Prot´otipo virtual no MSC ADAMS. . . 84

Figura 64 – Fotos de experimentos com o sistema de controle aplicado ao TWIP real. . 85

Figura 65 – Bancada constru´ıda. . . 92

Figura 66 – Diagrama de funcionamento da bancada constru´ıda. . . 92

Figura 67 – Sinal utilizado para excitar os motores PMDC. . . 94

(11)

Quadro 1 – Trabalhos classificados de acordo o m´etodo de modelagem utilizado. . . . 23 Quadro 2 – Trabalhos classificados de acordo a estrat´egia de controle adotada. . . 26 Quadro 3 – Componentes da bancada constru´ıda. . . 93

(12)

Tabela 1 – Especifica¸c˜oes dos motores . . . 32

Tabela 2 – Parˆametros dos motores PMDC . . . 33

Tabela 3 – S´ımbolos utilizados na modelagem do TWIP. . . 41

Tabela 4 – Parˆametros identificados para o modelo do TWIP . . . 48

Tabela 5 – Atrito entre as rodas e o ch˜ao . . . 53

Tabela 6 – Entradas e sa´ıdas do prot´otipo virtual . . . 53

Tabela 7 – Sistema do TWIP adaptado . . . 76

Tabela 8 – Modelo matem´atico adaptado . . . 77

(13)

TWIP Two Wheeled Inverted Pendulum

MIP Mobile Inverted Pendulum

GDL Graus de Liberdade

LQR Linear Quadratic Regulator

PID Proporcional, Integral e Derivativo

SMC Slide Mode Control

LMI Linear Matrix Inequalities

LTR Loop Transfer Recovery

ISE Integral Square Error

RC R´adio Controlado

CC Corrente Cont´ınua

PMDC Permanent Magnetic Direct Current

KDS Kinets Design Studio

PWM Pulse Width Modulation

IMU Inertial Measurement Unit

SPI Serial Peripheral Interface

LASISC Laborat´orio de Sistemas de Controle LIT Linear e Invariante no Tempo

CAD Computer-Aided Design

MBS Multibody system

(14)

TL Torque aplicado na roda esquerda

TR Torque aplicado na roda direita

θL Posi¸c˜ao angular da roda esquerda

θR Posi¸c˜ao angular da roda direita

XL Posi¸c˜ao linear da roda esquerda

XR Posi¸c˜ao linear da roda direita

HT L For¸ca de atrito entre a roda esquerda e o ch˜ao

HT R For¸ca de atrito entre a roda direita e o ch˜ao

fd Dist´urbio externo aplicado no centro de gravidade do TWIP

XRM Posi¸c˜ao do TWIP

θp Angulo de pitch do corpo intermedi´arioˆ

Mp Massa do corpo intermedi´ario

ψ Angulo de yaw do corpo intermedi´arioˆ Dw Distˆancia entre as rodas do TWIP

ML Massa da roda esquerda

MR Massa da roda direita

Mw Massa das rodas iguais

R Raio das rodas

Jp Momento de in´ercia do corpo intermedi´ario no eixo Z

Jr Momento de in´ercia do corpo intermedi´ario no eixo Y

JL Momento de in´ercia da roda esquerda no eixo Z

JR Momento de in´ercia da roda direita no eixo Z

Jw Momento de in´ercia das rodas iguais no eixo Z

(15)

Cψ A¸c˜ao de controle para o subsistema rota¸c˜ao

X, Y, Z Sistema de coordenadas g Acelera¸c˜ao da gravidade Br Atrito viscoso do rotor

Jr In´ercia do rotor

Ke Constante el´etrica

Kt Constante de torque

La Indutˆancia da bobina de armadura

Ra Resistˆencia de armadura

x Vetor de estados

u Vetor de entradas

y Vetor de sa´ıdas medidas

A Matriz de estados

B Matriz de entrada

C Matriz de sa´ıda

D Matriz de transmiss˜ao direta

I Matriz identidade

λ Vetor de autovalores

(16)

1 – INTRODU ¸C˜AO . . . 17 1.1 JUSTIFICATIVA . . . 19 1.2 OBJETIVOS . . . 19 1.2.1 Objetivo Geral . . . 19 1.2.2 Objetivos Espec´ıficos . . . 20 1.3 ORGANIZA¸C˜AO DO TRABALHO . . . 20 2 – REVIS˜AO DE LITERATURA . . . 21

2.1 MODELAGEM MATEM´ATICA DO TWIP . . . 21

2.2 METODOLOGIAS DE CONTROLE . . . 24

2.3 ASPECTOS PR´ATICOS DA CONSTRU¸C˜AO DO PROT ´OTIPO . . . 26

3 – METODOLOGIA . . . 30

3.1 CONSTRU¸C˜AO DO TWIP . . . 30

3.1.1 Corpo Intermedi´ario e Rodas . . . 30

3.1.2 Motores de Corrente Cont´ınua . . . 32

3.1.3 Placa Controladora . . . 34

3.1.4 Driver de Acionamento . . . 35

3.1.5 Sensor Inercial . . . 35

3.1.6 Leitor de Encoder . . . . 38

3.1.7 Baterias e Alimenta¸c˜ao do Circuito . . . 38

3.2 MODELAGEM MATEM´ATICA DOS 3 GDL DO TWIP . . . 39

3.2.1 Equa¸c˜oes de Movimento das Rodas . . . 42

3.2.2 Equa¸c˜oes de Movimento do Corpo Intermedi´ario . . . 43

3.2.3 Representa¸c˜ao em Espa¸co de Estados . . . 45

3.2.4 Desacoplamento do Sistema . . . 46

3.3 IDENTIFICA¸C˜AO DOS PARˆAMETROS F´ISICOS . . . 47

3.4 AN´ALISE DO MODELO LINEAR . . . 49

3.5 SISTEMAS MULTI-CORPOS E PROTOTIPAGEM VIRTUAL . . . 50

3.5.1 Constru¸c˜ao do Prot´otipo Virtual no MSC ADAMS . . . 50

3.6 ESTRAT´EGIA DE CONTROLE . . . 54

3.6.1 Estabilidade Segundo Lyapunov . . . 54

3.6.2 Controle por Realimenta¸c˜ao de Estados . . . 55

3.6.3 Controle Robusto H∞ . . . 56

3.6.4 An´alise de Incertezas no Modelo Matem´atico . . . 59

(17)

3.7 SOFTWARE DE SIMULA¸C˜AO . . . 65

4 – AN´ALISE E DISCUSS˜AO DOS RESULTADOS . . . 70

4.1 SIMULA¸C˜AO APLICANDO UM DIST´URBIO NO TWIP . . . 70

4.2 SIMULA¸C˜AO APLICANDO SINAIS DE REFERˆENCIA PARA VELOCIDADE LONGITUDINAL E PARA VELOCIDADE DE GIRO DO TWIP EM MOMEN-TOS DIFERENTES . . . 71

4.3 SIMULA¸C˜AO APLICANDO SINAIS DE REFERˆENCIA PARA VELOCIDADE LONGITUDINAL E PARA VELOCIDADE DE GIRO DO TWIP SIMULTANE-AMENTE . . . 73

4.4 SIMULA¸C˜AO DO TWIP SUBINDO UMA RAMPA . . . 74

4.5 AN´ALISE DE ROBUSTEZ DO SISTEMA DE CONTROLE . . . 76

4.6 RESULTADOS PR´ATICOS DO SISTEMA DE CONTROLE . . . 79

5 – CONCLUS˜AO . . . 83

5.1 CONSTRU¸C˜AO DO PROT ´OTIPO . . . 83

5.2 SISTEMA DE CONTROLE . . . 84

5.3 PROBLEMAS ENFRENTADOS . . . 85

5.4 TRABALHOS FUTUROS . . . 86

Referˆencias . . . 87

APˆENDICE A–Bancada para realiza¸c˜ao de experimentos e aquisi¸c˜ao de dados 92 APˆENDICE B–Identifica¸c˜ao dos parˆametros dos motores PMDC . . . 94

(18)

1 INTRODU ¸C˜AO

Pesquisas relacionadas ao pˆendulo invertido sempre tiveram destaque nos laborat´orios de controle e rob´otica ao redor do mundo (BOUBAKER, 2013). Isso acontece porque trata-se de um sistema inst´avel e n˜ao linear que necessita de um controle ativo para mantˆe-lo em equil´ıbrio. Essas caracter´ısticas fazem do pˆendulo invertido o exemplo mais cl´assico e did´atico no estudo de dinˆamica e controle, sendo este sistema tipicamente utilizado por pesquisadores e alunos para realizar modelos experimentais, validar a eficiˆencia de novas t´ecnicas de controle e verificar sua implementa¸c˜ao (SANTOS, 2015).

Al´em disso, o problema de auto-equil´ıbrio ´e de fundamental importˆancia em diversos outros sistemas pr´aticos da engenharia. Por exemplo, em aeron´autica o modelo do pˆendulo invertido ´e semelhante ao modelo do lan¸camento de um foguete (OGATA; MAYA; LEONARDI, 2003). A fim de manter a posi¸c˜ao correta durante a subida, um sistema de controle torna-se necess´ario.

At´e mesmo o pr´oprio corpo humano ´e um bom exemplo de uma estrutura que usa mecanismos de auto-equil´ıbrio para ficar em p´e e caminhar (SANTOS, 2015). Devido a isso, habilidades de auto-equil´ıbrio humano s˜ao adotados na rob´otica para robˆos b´ıpedes (BOBROW, 2015). O conceito de auto-equil´ıbrio de um robˆo tamb´em ´e baseado no modelo do pˆendulo invertido (GOHER; TOKHI, 2010).

Recentemente surgiu a tecnologia Riding Assist utilizada em motocicletas da empresa Honda, que consiste de um motor el´etrico capaz de mexer o guid˜ao da moto para equilibr´a-la parada ou em baixas velocidades impedindo que ela caia (HONDA, 2017).

Pode-se dizer ent˜ao que o pˆendulo invertido ´e um excelente ponto de partida para estudo de dinˆamica e controle.

Por ser uma das referˆencias mais importantes na ´area de controle e rob´otica, diferentes vers˜oes de pˆendulo invertido surgiram ao longo dos anos, oferecendo novos desafios interessantes para a teoria de controle. Os mais comuns s˜ao o Pˆendulo Furuta (IB´A˜NEZ; AZUELA, 2007), Pˆendulo com Roda de Rea¸c˜ao (SPONG; CORKE; LOZANO, 2001) e o Pˆendulo Invertido Duplo (CHENG et al., 1996) como mostra a Figura 1.

Al´em destes, destaca-se o Pˆendulo Invertido de Duas Rodas (TWIP - Two Wheeled

Inverted Pendulum), tamb´em conhecido na literatura como Pˆendulo Invertido M´ovel (MIP -Mobile Inverted Pendulum) ou Robˆo Auto-equilibrista (Self-Balancing Robot), no qual consiste

de duas rodas independentes conectadas ao longo de um ´unico eixo em um corpo intermedi´ario (MUHAMMAD et al., 2011). Esta categoria de robˆos de duas rodas possuem maior habilidade de girar em torno de si mesmo e consequentemente, maior manobrabilidade em espa¸cos estreitos que os robˆos de 4 rodas. Devido a isso, o TWIP n˜ao ´e de interesse apenas te´orico mas tamb´em pr´atico tendo impulsionado diversas aplica¸c˜oes e estudos na ´area de mobilidade e entretenimento, como exemplo, cadeira de rodas rob´otica (TAKAHASHI; ISHIKAWA; HAGIWARA, 2001),

(19)

Figura 1 – Vers˜oes de pˆendulo invertido.

a) Pêndulo invertido linear (convencional) b) Pêndulo invertido duplo

c) Pêndulo invertido rotacional (Furuta) d) Pêndulo invertido com roda de reação

Fonte: Adaptado de Quanser (2019a), Quanser (2019b) e INTECO (2019).

ve´ıculos para transporte urbano (BALOH; PARENT, 2003), andador rob´otico inteligente para pessoas com mobilidade reduzida (SILVA; SUP, 2017), transportador de bagagens (TAKEI; IMAMURA et al., 2009) e ainda robˆos de transporte pessoal com grande sucesso comercial como o Segway PT (Personal Transporter ) e o Hoverboard mostrados na Figura 2.

Figura 2 – (a) Segway. (b) Hoverboard.

a) b)

Fonte: Autoria pr´opria.

(20)

educacional para modelagem e estudo de t´ecnicas de controle, visto que este sistema possui um alto grau de aplicabilidade e ´e uma boa plataforma para investigar a eficiˆencia de v´arios controladores.

Este trabalho apresenta tamb´em uma metodologia para constru¸c˜ao de um prot´otipo virtual para esta categoria de robˆos de duas rodas, o qual pode ser de grande interesse para pesquisadores e estudantes que desejam estudar este sistema. Al´em disso, ser´a aplicado um controle robusto H∞ para equilibrar o TWIP e fazˆe-lo percorrer uma trajet´oria utilizando

co-simula¸c˜ao entre o ADAMS e o MATLAB/Simulink. De acordo com ˙Ilgen et al. (2016), h´a pouco conhecimento liter´ario em simula¸c˜ao e controle de pˆendulos invertidos de uma ou mais rodas usando o ADAMS e MATLAB, portanto este desenvolvimento poder´a contribuir com o meio cient´ıfico.

1.1 JUSTIFICATIVA

Robˆos m´oveis est˜ao cada vez mais presentes na sociedade e s˜ao usados amplamente em diversas aplica¸c˜oes, incluindo explora¸c˜ao, busca, resgate, transporte e entretenimento (CHAN; STOL; HALKYARD, 2013). O que torna este estudo muito significativo do ponto de vista pr´atico.

Al´em do mais, a constru¸c˜ao de um TWIP possibilitar´a o estudo de t´ecnicas de controle de forma experimental, aplicadas em um sistema multivari´avel e n˜ao linear. Devido ao fato de ser did´atico, o robˆo constru´ıdo pode ser utilizado como ferramenta de aprendizado em sistemas de controle para futuros alunos e pesquisadores do laborat´orio.

Destaca-se tamb´em as contribui¸c˜oes oferecidas ao meio cient´ıfico, uma vez que nesta pesquisa apresenta-se detalhadamente a modelagem matem´atica do TWIP sintetizada a partir de outros trabalhos como Grasser et al. (2002), Silva e Sup (2017), Abidin et al. (2017) e Ooi (2003). Apresenta-se um projeto de controle H∞ para fazer o TWIP seguir uma trajet´oria

equilibrando-se automaticamente com algum grau de robustez nas incertezas do modelo matem´atico. Descreve-se a constru¸c˜ao de um prot´otipo virtual para valida¸c˜ao do sistema de controle e, mostra-se como o sistema de controle ´e aplicado ao prot´otipo real. Apresenta-se tamb´em uma compara¸c˜ao entre os resultados da simula¸c˜ao e os resultados reais mostrando que o prot´otipo virtual possu´ı comportamento semelhante ao TWIP real em malha fechada. S˜ao poucas as publica¸c˜oes que compararam resultados simulados com resultados reais para TWIPs. 1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Este projeto de pesquisa tem como objetivo construir uma planta educacional de um TWIP, assim como o prot´otipo virtual do mesmo usando o software MSC ADAMS para estudo e an´alise de sistemas de controle.

(21)

1.2.2 Objetivos Espec´ıficos

• Construir o prot´otipo mecˆanico e eletrˆonico do TWIP;

• Construir o prot´otipo virtual do TWIP utilizando modelagem multicorpos com o software MSC ADAMS.

• Obter o modelo matem´atico que representa a dinˆamica do prot´otipo; • Identificar os parˆametros do modelo matem´atico;

• Analisar as incertezas e o erro propagado dos parˆametros do modelo matem´atico; • Projetar controladores de equil´ıbrio e dire¸c˜ao utilizando controle robusto H∞ via LMI;

• Desenvolver um programa no MATLAB para resolver o problema de otimiza¸c˜ao do controle H∞ e determinar os ganhos;

• Simular o sistema de controle aplicado ao modelo matem´atico com o MATLAB/Simulink; • Aplicar os controladores ao prot´otipo virtual por meio de co-simula¸c˜ao entre o MSC

ADAMS e o MATLAB/Simulink;

• Aplicar os controladores ao prot´otipo real;

• Utilizar sinais de referˆencia para avaliar as caracter´ısticas de resposta no tempo do sistema com os respectivos controladores;

• Comparar os resultados do controle aplicado ao modelo matem´atico, ao prot´otipo virtual e ao prot´otipo real.

1.3 ORGANIZA¸C˜AO DO TRABALHO

Para melhor compreens˜ao do texto este trabalho foi dividido em 5 cap´ıtulos, sendo cada um descrito abaixo:

• Cap´ıtulo 1:Introdu¸c˜ao sobre o tema abordado, justificativa e objetivos que devem ser alcan¸cados;

• Cap´ıtulo 2: Apresenta a revis˜ao da literatura realizada, abordando os principais assuntos como modelagem matem´atica do TWIP, metodologias de controle frequentemente utilizadas e sobre aspectos pr´aticos da constru¸c˜ao do prot´otipo;

• Cap´ıtulo 3: Apresenta a metodologia de desenvolvimento do projeto, abordando a constru¸c˜ao do TWIP, modelagem matem´atica dos 3 graus de liberdade, identifica¸c˜ao dos parˆametros f´ısicos, an´alise do modelo linear, prototipagem virtual, estrat´egia de controle utilizada e o software de simula¸c˜ao;

• Cap´ıtulo 4: Neste capitulo ´e realizada a an´alise e discuss˜ao dos resultados alcan¸cados; • Cap´ıtulo 5: S˜ao apresentadas as considera¸c˜oes finais sobre este trabalho e tamb´em

(22)

2 REVIS˜AO DE LITERATURA

Este cap´ıtulo apresenta uma breve contextualiza¸c˜ao sobre o tema, onde s˜ao mostradas informa¸c˜oes de trabalhos realizados destacando os principais t´opicos para esta pesquisa: modelagem matem´atica do TWIP (Se¸c˜ao 2.1), metodologias de controle (Se¸c˜ao 2.2) e sobre aspectos pr´aticos da constru¸c˜ao do prot´otipo (Se¸c˜ao 2.3).

2.1 MODELAGEM MATEM´ATICA DO TWIP

Existem muitos trabalhos na literatura a respeito de TWIP, sua caracter´ıstica inst´avel e ampla aplica¸c˜ao do ponto de vista pr´atico despertaram o interesse de muitos pesquisadores e entusiastas ao redor do mundo. Devido a isso, diversos modelos matem´aticos foram propostos para representar a dinˆamica deste sistema, alguns contemplando os trˆes graus de liberdade e outros contemplando apenas dois.

Na Figura 3 pode-se verificar os 3 graus de liberdade e os respectivos movimentos que o TWIP pode realizar no espa¸co: deslocamento angular ao longo do eixo Z (ˆangulo de pitch), deslocamento angular ao longo do eixo Y (ˆangulo de yaw ) e o deslocamento longitudinal ao longo do eixo X.

Figura 3 – Movimentos de um TWIP.

Corpo intermediário Rodas coaxiais Plano vertical Ângulo de pitch (Ɵ𝑃) Ângulo de yaw (Ψ) Deslocamento longitudinal (𝑋𝑅𝑀)

𝑥

𝑧

𝑦

Fonte: Adaptado de Chan, Stol e Halkyard (2013).

As principais abordagens usadas pelos pesquisadores para descrever as equa¸c˜oes diferenciais s˜ao a t´ecnica de Newton-Euler, onde ´e necess´ario analisar as for¸cas e torques atuantes sobre o sistema, e a formula¸c˜ao de Euler-Lagrange onde s˜ao analisadas as energias cin´etica e potencial do sistema.

(23)

Em Ha e Yuta (1994) o autor prop˜oe modelar o TWIP de forma semelhante a um pˆendulo invertido convencional. Para isso utilizou-se a formula¸c˜ao de Euler-Lagrange e obteve-se um modelo com apenas dois graus de liberdade, o primeiro referente ao ˆangulo de inclina¸c˜ao do chassi (pitch), e o segundo referente ao ˆangulo de rota¸c˜ao das rodas que permitem obter o deslocamento longitudinal do robˆo. Sendo assim, o modelo n˜ao pode fornecer todas informa¸c˜oes sobre a dinˆamica do sistema, pois matematicamente o robˆo s´o poderia deslocar-se em linha reta.

Alguns anos depois Grasser et al. (2002) desenvolveu um trabalho no qual foi constru´ıdo o robˆo JOE mostrado na Figura 4. Neste trabalho, ´e proposto um modelo matem´atico que contempla os 3 graus de liberdade do sistema incluindo o ˆangulo de yaw, o qual n˜ao havia sido considerado no modelo de Ha e Yuta (1994).

Figura 4 – Projeto JOE de Grasser et al. (2002).

Fonte: Grasser et al. (2002).

Obteve-se ent˜ao, a partir das equa¸c˜oes de movimento de Newton-Euler, um modelo linearizado em espa¸co de estados do TWIP com seis vari´aveis que descrevem totalmente a dinˆamica do sistema. Contudo, devido `as simplifica¸c˜oes matem´aticas realizadas, verificou-se que a dinˆamica do ˆangulo yaw n˜ao depende dos outros dois graus de liberdade, possibilitando separar o modelo matem´atico em dois subsistemas independentes:

1. O primeiro descrevendo a dinˆamica do ˆangulo pitch e tamb´em o deslocamento longitudinal; 2. O segundo descrevendo a dinˆamica do ˆangulo yaw.

Outros trabalhos como Silva e Sup (2017), Nawawi, Ahmad e Osman (2008) e Wu, Liang e Wang (2011) tamb´em fazem uso da mesma metodologia de Grasser et al. (2002).

Da mesma forma, em Bature et al. (2014) pode-se encontrar um modelo que contempla os trˆes graus de liberdade com dois subsistemas independentes, por´em obtido a partir da formula¸c˜ao de Euler-Lagrange, bem como nos trabalhos de Axelsson e Jung (2011), Dai et al. (2015), Barreto et al. (2013), Yamamoto (2008) e Herrera, Jim´enez e Al-Hadithi (2014).

Outra metodologia interessante utilizando as equa¸c˜oes de Newton-Euler foi desenvol-vida por Ooi (2003) e posteriormente por Carlsson e ¨Orb¨ack (2009) que apresentam um modelo

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simplificado com os dois graus de liberdade principais, inclina¸c˜ao do robˆo (ˆangulo pitch) e seu deslocamento longitudinal. Ambos os modelos levam em considera¸c˜ao a dinˆamica el´etrica dos motores de corrente cont´ınua e passam a ter como vari´avel de atua¸c˜ao do sistema a tens˜ao de armadura dos motores, diferentemente do trabalho de Grasser et al. (2002) que usa os torques nas rodas como vari´avel de atua¸c˜ao. Os prot´otipos de Ooi (2003) e Carlsson e ¨Orb¨ack (2009) s˜ao mostrados na Figura 5a e Figura 5b, respectivamente.

Figura 5 – (a) Prot´otipo de Ooi (2003). (b) Prot´otipo de Carlsson e ¨Orb¨ack (2009).

(a) (b)

Fonte: Adaptado de Ooi (2003) e Carlsson e ¨Orb¨ack (2009).

Para melhor compreens˜ao, no Quadro 1 os trabalhos citados anteriormente s˜ao classificados de acordo com o m´etodo utilizado para modelar a dinˆamica do TWIP.

Quadro 1 – Trabalhos classificados de acordo o m´etodo de modelagem utilizado. M´etodo utilizado

Graus de liberdade

Inclina¸c˜ao do TWIP (ˆangulo de pitch) e

Deslocamento longitudinal Deslocamento longitudinal e Dire¸c˜ao do TWIP (ˆangulo de yaw) Equa¸c˜oes de movimento de Newton-Euler Ooi (2003) Carlsson e ¨Orb¨ack (2009) Grasser et al. (2002) Silva e Sup (2017),

Nawawi, Ahmad e Osman (2008) Wu, Liang e Wang (2011)

Formula¸c˜ao de Euler-Lagrange Ha e Yuta (1994) Bature et al. (2014) Axelsson e Jung (2011) Dai et al. (2015) Barreto et al. (2013) Yamamoto (2008)

Herrera, Jim´enez e Al-Hadithi (2014) Fonte: Autoria pr´opria.

(25)

2.2 METODOLOGIAS DE CONTROLE

Para fazer o TWIP equilibrar-se e seguir uma trajet´oria de referˆencia nas duas dimens˜oes do plano ´e essencial a utiliza¸c˜ao de projetos de controle. Na literatura h´a uma abundˆancia de estrat´egias que podem ser aplicadas para atingir tal objetivo, sendo algumas dependentes do modelo matem´atico que representa o sistema e outras dependentes do conhecimento e experiˆencia do projetista baseadas em observa¸c˜oes no prot´otipo real.

Para as t´ecnicas que precisam do modelo matem´atico, geralmente lineariza-se o sistema em torno de seu ponto de opera¸c˜ao vertical para posteriormente calcular o controlador. Em Grasser et al. (2002) e Nawawi, Ahmad e Osman (2008) utiliza-se a t´ecnica de aloca¸c˜ao de polos para obter os dois controladores do sistema desacoplado: Kθ para equilibrar o robˆo e

moviment´a-lo em linha reta e Kδ para controlar a dire¸c˜ao do robˆo (ˆangulo de yaw ) como mostra

a Figura 6. Sendo que XRM ´e o deslocamento longitudinal, VRM ´e a velocidade longitudinal, θP

´e o ˆangulo de pitch, ωP ´e a velocidade do ˆangulo de pitch, δ ´e ˆangulo de yaw, ˙δ ´e a velocidade

do ˆangulo de yaw, VRM C e ˙δC s˜ao os sinais de referˆencias, fdp, fdRL e fdRR s˜ao as perturba¸c˜oes.

Em seguida ´e realizada uma pondera¸c˜ao entre as respostas dos dois controladores Cθ e Cδ

para obter os torques CL e CR que os motores devem aplicar nas rodas.

Figura 6 – Sistema de controle de Grasser et al. (2002).

Fonte: Grasser et al. (2002).

Em Silva e Sup (2017) utiliza-se a mesma metodologia de controle, no entanto os ganhos s˜ao calculados a partir da t´ecnica de controle LQR (Linear Quadratic Regulator ).

No trabalho de Ooi (2003) ´e realizada uma abordagem diferente, o autor utiliza um modelo matem´atico de 2 graus de liberdade apenas para projetar um controlador que equilibre o sistema e o fa¸ca ficar em uma determinada posi¸c˜ao como se estivesse em um trilho. Para obter os ganhos o autor avalia dois m´etodos: Aloca¸c˜ao de p´olos e o LQR. No entanto, o atrito entre as rodas e o ch˜ao fazem com que elas girem muitas vezes em velocidades diferentes ocasionando desvio no trajeto do robˆo e at´e mesmo quedas. Para resolver isso, o autor prop˜oe

(26)

a utiliza¸c˜ao de um controle PID sintonizado utilizando Ziegler-Nichols para controlar o ˆangulo de dire¸c˜ao yaw do robˆo.

Em Ruan e Chen (2010) ´e proposto um m´etodo baseado em controle robusto H∞, no

qual o autor considera erros de modelagem e dist´urbios externos na representa¸c˜ao em espa¸co de estados do TWIP. Dessa forma o problema foi modelado utilizando uma abordagem LMI (Linear Matrix Inequalities) e obteve-se um controlador para equilibrar o TWIP em uma posi¸c˜ao fixa com a capacidade do sistema ser robusto a interferˆencias. No trabalho de Ashfahanil et al. (2017) o autor utiliza um m´etodo semelhante, mas combina com o controle H∞ o m´etodo

LTR (Loop Transfer Recovery ) para recuperar a propriedade de robustez do controlador ap´os a lineariza¸c˜ao do sistema e a utiliza¸c˜ao do Filtro de Kalman para obter o sinal de inclina¸c˜ao do TWIP.

No trabalho de Muhammad et al. (2013) apresenta-se uma metodologia diferente da convencional, no qual o autor lineariza o modelo matem´atico em 14 pontos de opera¸c˜ao diferentes e obt´em para cada modelo um controlador utilizando o m´etodo de aloca¸c˜ao de polos. Dessa forma, o algoritmo proposto seleciona os ganhos do controlador em tempo de execu¸c˜ao de acordo com o ˆangulo de inclina¸c˜ao do TWIP. Seus resultados s˜ao comparados com um projeto de controle convencional (desenvolvido a partir de um modelo linearizado em um ´unico ponto de opera¸c˜ao) e conclui-se que ambos os m´etodos s˜ao capazes de equilibrar o TWIP, por´em a metodologia proposta apresenta uma robustez maior a dist´urbios externos.

H´a tamb´em na literatura alguns trabalhos que n˜ao linearizam o modelo matem´atico para projetar o controlador, ou seja, desenvolvem o sistema de controle utilizando t´ecnicas n˜ao lineares. No projeto de Dai et al. (2015) s˜ao desenvolvidos dois controladores independentes utilizando a t´ecnica SMC (Sliding Mode Control), um para controlar o equil´ıbrio e outro para controlar o ˆangulo de yaw. Outros trabalhos como Huang et al. (2009) e Wu, Liang e Wang (2011) tamb´em utilizam a t´ecnica SMC.

Dentre as t´ecnicas que n˜ao precisam de modelo matem´atico, pode-se destacar o PID sintonizado de forma emp´ırica como em Chee et al. (2006) e Abidin et al. (2017). Nestes trabalhos os autores avaliam uma estrat´egia de controle que utiliza 3 PIDs em cascata, um para equilibrar o TWIP e os outros dois para controlar a velocidade de cada roda de forma independente. Destacam-se tamb´em os trabalhos que utilizam controladores inteligentes como o Fuzzy em Chiu e Peng (2006) no qual obteve-se resultados satisfat´orios equilibrando o TWIP.

Por fim, verificou-se os trabalhos que realizaram compara¸c˜oes entre diferentes t´ecnicas de controle aplicadas ao TWIP. Em Bature et al. (2014) foram analisados os controladores Fuzzy, LQR e PID sintonizado experimentalmente. Neste trabalho conclui-se que o controlador Fuzzy apresentou os melhores resultados analisando tempo de assentamento, tempo de subida e porcentagem de sobre-sinal da resposta. J´a em Villacr´es et al. (2016) comparou-se os controladores PID, LQR e SMC onde concluiu-se que o SMC apresentou os melhores resultados analisando a capacidade de rejei¸c˜ao a disturbios e a ISE (Integral Square Error ) entre a reposta do sistema e a referˆencia.

(27)

No Quadro 2 pode-se verificar os trabalhos citados anteriormente de acordo com a estrat´egia de controle adotada.

Quadro 2 – Trabalhos classificados de acordo a estrat´egia de controle adotada. Estrat´egia de controle Trabalhos

Aloca¸c˜ao de polos

Grasser et al. (2002) Nawawi, Ahmad e Osman (2008)

Ooi (2003) Muhammad et al. (2013) LQR Silva e Sup (2017) Ooi (2003) Bature et al. (2014) Villacr´es et al. (2016) Controle robusto Ruan e Chen (2010)

Ashfahanil et al. (2017) SMC

Dai et al. (2015) Huang et al. (2009) Wu, Liang e Wang (2011)

Villacr´es et al. (2016) PID sintonizado Chee et al. (2006) Abidin et al. (2017) Bature et al. (2014) Villacr´es et al. (2016)

Fuzzy Chiu e Peng (2006)

Bature et al. (2014) Fonte: Autoria pr´opria.

2.3 ASPECTOS PR´ATICOS DA CONSTRU¸C˜AO DO PROT ´OTIPO

Nesta se¸c˜ao ser˜ao discutidos os assuntos relacionados `a constru¸c˜ao de prot´otipos de TWIP. Na literatura pode-se encontrar muitos trabalhos que desenvolvem e fabricam estes robˆos, no entanto s˜ao poucos que apresentam e discutem sobre os materiais utilizados.

Para construir este robˆo, basicamente tentou-se observar em outros trabalhos quais foram os sensores utilizados para realizar a medi¸c˜ao dos 3 graus de liberdade e tamb´em quais tipos de motores foram utilizados para atuar no sistema.

Em Ooi (2003) foi desenvolvido um TWIP de 1,13 Kg. Para determinar a inclina¸c˜ao do robˆo (ˆangulo de pitch) utilizou-se um filtro de Kalman sobre os sinais de um girosc´opio HITEC GY-130 e um inclinˆometro SEIKA N3, e para obter a posi¸c˜ao longitudinal utilizou-se a m´edia entre os dois encoders conectados nos motores de corrente cont´ınua do lado direito e esquerdo do chassi. O ˆangulo de dire¸c˜ao yaw n˜ao foi obtido pois escolheu-se um modelo de 2 graus de liberdade para representar o sistema.

Em Silva e Sup (2017) foi projetado um andador rob´otico para pessoas com mobilidade reduzida utilizando o mesmo principio do TWIP. Utilizou-se um sensor inercial ADIS16300 da

(28)

ANALOG DEVICES para medir a inclina¸c˜ao do robˆo, e o deslocamento longitudinal tamb´em foi obtido por meio da m´edia dos dois encoders conectados aos motores. Para o ˆangulo de

yaw n˜ao foi utilizado sensor, o valor do estado foi calculado usando informa¸c˜oes da posi¸c˜ao

individual de cada roda e da distˆancia entre elas. Para atua¸c˜ao foram utilizados 2 motores

brushless de corrente cont´ınua HT03002-E01.

No trabalho de Chee et al. (2006) foram utilizados 2 medidores de distˆancia SHARP GP2D12, um para obter a posi¸c˜ao longitudinal e outro para obter a inclina¸c˜ao do robˆo. Segundo o autor, a escolha dos materiais para constru¸c˜ao da estrutura ´e de extrema importˆancia porque o chassis deve ser robusto, sim´etrico e o centro de gravidade deve ser o mais alto poss´ıvel. Para atuar no sistema foram utilizados 2 motores de corrente cont´ınua GM8712 da fabricante PITTMAN, e dois drivers L293B para acionar os motores.

H´a tamb´em projetos que fazem uso de motores de passo como atuadores, semelhante aos usados em impressoras 3D e m´aquinas CNC. Segundo Kung (2019), devido ao surgimento de drivers acess´ıveis para acionamento de motores de passo, sua utiliza¸c˜ao tornou-se muito popular nos ´ultimos anos na constru¸c˜ao desta categoria de robˆos de duas rodas.

Existem ainda projetos dispon´ıveis na internet que descrevem todos os materiais utilizados para constru¸c˜ao de um TWIP, como o nBOT desenvolvido por David P. Anderson. Neste projeto tamb´em utilizou-se 2 motores GM8712 da PITTMAN e para medir o ˆangulo de

pitch utilizou-se o inclinˆometro FAS-G da MicroStrain. Pode-se verificar o robˆo contru´ıdo na

Figura 7.

Figura 7 – Projeto nBOT de Anderson (2013).

Fonte: Anderson (2013).

Em Solis et al. (2009) apresenta-se um trabalho interessante com prop´osito educacional. Segundo o autor, o r´apido aumento de plataformas rob´oticas no cotidiano dos japoneses representa uma ´otima oportunidade para introduzir os conhecimentos b´asicos de sistemas rob´oticos aos estudantes universit´arios de engenharia mecˆanica da Universidade de Waseda no Jap˜ao. Para isso ´e proposta a constru¸c˜ao de um TWIP de baixo custo para estudo de teorias de controle e rob´otica, al´em disso o projeto constru´ıdo proporciona aos estudantes facilidades na personaliza¸c˜ao de sua estrutura, como altera¸c˜oes no centro de massa usando um peso que pode ser fixado em v´arias posi¸c˜oes da haste e tamb´em rodas com op¸c˜oes diferentes

(29)

de tamanho. De acordo com Solis et al. (2009), as modifica¸c˜oes no sistema possibilitam aos estudantes melhor entendimento sobre os fatores que podem afetar a estabilidade dos sistemas de controle enquanto fazem experimentos reais e n˜ao apenas por meio de simula¸c˜ao. Neste trabalho tamb´em ´e apresentado um estudo de caso realizado com 5 alunos onde eles montam o TWIP e desenvolvem controladores PD de acordo com a configura¸c˜ao da estrutura. Na Figura 8a pode se verificar o desenho do projeto com as dimens˜oes em mil´ımetros, e na Figura 8b ´e mostrado a fotografia de um estudante realizando a sua montagem.

Figura 8 – Projeto de Solis et al. (2009).

(a) (b)

Fonte: Solis et al. (2009).

Pode-se encontrar tamb´em kits de desenvolvimento que s˜ao comercializados na internet, alguns de baixo custo como o encontrado no site AliExpress mostrado na Figura 9. A proposta destes kits de desenvolvimento ´e fazer com que qualquer pessoa possa construir um TWIP sem ter conhecimento aprofundado de engenharia e controle. Para isso s˜ao utilizados materiais acess´ıveis e placas eletrˆonicas de c´odigo fonte aberto. Neste produto, o kit cont´em um Arduino para desenvolvimento do algoritmo de controle, um sensor inercial MPU6050 para medir o ˆangulo de pitch, 2 motores GM37 com encoders acoplados e 2 drivers TB6612 para acionar os motores. Al´em disso, um c´odigo fonte com controle de equil´ıbrio e dire¸c˜ao ´e disponibilizado para que o comprador possa utiliz´a-lo e modific´a-lo como desejar.

Figura 9 – Kit de desenvolvimento.

(30)

Pode-se verificar que existem trabalhos na literatura como Manikandan et al. (2018) que utiliza um TWIP semelhante ao kit citado anteriormente.

H´a tamb´em kits did´aticos mais sofisticados como o LEGO Mindstorms NXT que ´e destinado a estudantes de controle e rob´otica. Com este kit ´e poss´ıvel construir o NXTway-GS que ´e um TWIP como mostra a Figura 10.

Figura 10 – LEGO NXTway-GS.

Sensor ultrassônico Motor DC do lado direito + encoder rotacional Motor DC do lado esquerdo + encoder rotacional Giroscópio Fonte: Yamamoto (2008).

Ap´os analisar as tecnologias utilizadas por outros autores para constru¸c˜ao de um TWIP, no pr´oximo cap´ıtulo apresenta-se os materiais e m´etodos selecionados para a constru¸c˜ao deste projeto.

(31)

3 METODOLOGIA

Neste cap´ıtulo s˜ao apresentados os materiais e m´etodos utilizados no desenvolvimento deste projeto. Inicialmente ser´a mostrado o TWIP constru´ıdo (Se¸c˜ao 3.1). Em seguida apresenta-se o deapresenta-senvolvimento do modelo matem´atico do sistema (Se¸c˜ao 3.2), a identifica¸c˜ao de apresenta-seus respectivos parˆametros (Se¸c˜ao 3.3) e a an´alise do modelo linear (Se¸c˜ao 3.4). Posteriormente ser´a apresentada a proposta da constru¸c˜ao de um prot´otipo virtual (Se¸c˜ao 3.5) e por fim, apresenta-se a estrat´egia de controle utilizada (Se¸c˜ao 3.6) com os softwares constru´ıdos para realizar as simula¸c˜oes (Se¸c˜ao 3.7).

3.1 CONSTRU¸C˜AO DO TWIP

O TWIP consiste de duas rodas independentes conectadas em um corpo intermedi´ario no qual geralmente s˜ao montadas as placas eletrˆonicas de controle (MUHAMMAD et al., 2011). Deve haver um motor entre as rodas e o corpo para gerar torque, fazendo as rodas se moverem impedindo que o corpo ca´ıa (IMAMURA; TAKEI et al., 2008). A placa controladora de um TWIP requer sensores para medir o ˆangulo de inclina¸c˜ao (pitch), o ˆangulo de dire¸c˜ao (yaw ), o deslocamento longitudinal e as suas respectivas velocidades. Para isso, acelerˆometros, girosc´opios e encoders nos motores s˜ao necess´arios (KIM; LEE; KIM, 2011).

Sendo assim foram selecionados os materiais necess´arios para a constru¸c˜ao deste projeto e o resultado pode ser visto na Figura 11.

A seguir descreve-se cada um dos itens, suas caracter´ısticas e o motivo de sua escolha. 3.1.1 Corpo Intermedi´ario e Rodas

No corpo intermedi´ario s˜ao anexados os dois motores de corrente cont´ınua e todos os componentes eletrˆonicos. Para simplificar a montagem, o corpo intermedi´ario foi dividido em 2 partes:

• Base de alum´ınio: ´E a parte da estrutura que precisa ser mais resistente, nela s˜ao conectados os suportes de acr´ılico onde s˜ao fixados os motores. Para esta base foi utilizado um perfil estrutural de alum´ınio de 281 mil´ımetros de comprimento;

• Torre de acr´ılicos: Consiste de trˆes pe¸cas de acr´ılico com 3 mil´ımetros de espessura cada, posicionados horizontalmente e conectados por separadores de 40 mil´ımetros. Na pe¸ca inferior realizou-se as fura¸c˜oes para serem conectados os drivers de acionamento dos motores e a placa leitora de encoder. Na pe¸ca mediana pode-se conectar a placa controladora, as fura¸c˜oes s˜ao compat´ıveis com as placas do Arduino Uno, Arduino Mega ou a FRDM-K64 da NXP. Na pe¸ca superior pode-se conectar at´e 2 baterias e um sensor inercial que contenha girosc´opio e acelerˆometro, pode-se utilizar a placa GY-86 ou o m´odulo WIT MOTION que s˜ao facilmente encontrados na internet. Al´em disso um

(32)

Figura 11 – TWIP constru´ıdo.

Corpo intermediário (chassis)

Roda esquerda Roda direita

Drivers de acionamento e leitor do

encoder

Placa controladora e sensor inercial Baterias e circuito de alimentação

Base Motor de corrente

contínua com encoder

Fonte: Autoria pr´opria.

circuito para derivar a tens˜ao da bateria e alimentar a placa controladora pode ser colocado na pe¸ca superior.

Na Figura 12 pode-se verificar o corpo intermedi´ario montado. Figura 12 – Corpo intermedi´ario.

Base de alumínio Suporte do motor esquerdo Suporte do motor direito Peça inferior Peça mediana Peça superior Torre de acrílicos

Fonte: Autoria pr´opria.

As rodas escolhidas possuem 80 mil´ımetros de diˆametro e s˜ao as mesmas utilizadas em automodelismo nos carros RC (R´adio Controlados). Essas rodas tem a vantagem de terem pneus

(33)

pr´oprios, conex˜ao padr˜ao sextavada e s˜ao facilmente encontradas na internet em diferentes tamanhos. Para conectar as rodas aos motores s˜ao utilizados acoplamentos pr´oprios para esta categoria de rodas. Pode-se verificar as rodas e pe¸cas utilizadas na Figura 13.

Figura 13 – Rodas utilizadas.

Acoplamentos Rodas com pneus

Fonte: Autoria pr´opria.

3.1.2 Motores de Corrente Cont´ınua

O motor CC ´e uma m´aquina capaz de converter a energia el´etrica em energia mecˆanica por meio da intera¸c˜ao de um campo magn´etico com condutores de corrente el´etrica (CHAPMAN, 2013).

Neste projeto foram utilizados dois motores de corrente cont´ınua de im˜a permanente (PMDC - Permanent Magnetic Direct Current). Esta categoria de motores possuem uma particularidade, o enrolamento de campo localizado no estator ´e substitu´ıdo por um im˜a permanente, resultando em uma constru¸c˜ao mais simples. Contudo, o espa¸co necess´ario para os im˜as permanentes ´e inferior ao exigido pelos enrolamentos de campo e, portanto, os motores PMDC geralmente s˜ao menores (FITZGERALD; JR; UMANS, 2006). Al´em do rotor e do estator, o motor PMDC possui o comutador e as escovas como pe¸cas fundamentais.

O modelo escolhido foi o A202629 do fabricante Maxon, o par de motores j´a cont´em

encoders com resolu¸c˜ao de 500 contagens por revolu¸c˜ao. Na Figura 14 pode-se ver os motores

utilizados e na Tabela 1 s˜ao mostradas as suas especifica¸c˜oes. Tabela 1 – Especifica¸c˜oes dos motores.

Tens˜ao nominal Redu¸c˜ao Torque m´aximo Velocidade base

24 V 20,25:1 150 N.cm 400 RP M

(34)

Figura 14 – Motores utilizados.

Encoder

Fonte: Autoria pr´opria.

Na Tabela 2 pode-se verificar os parˆametros construtivos do PMDC, para determin´a-los utilizou-se uma bancada constru´ıda para realiza¸c˜ao de experimentos mostrada no Apˆendice A e detalhes sobre a obten¸c˜ao dos valores s˜ao mostrados no Apˆendice B.

Tabela 2 – Parˆametros dos motores PMDC.

Parˆametro S´ımbolo Valor m´edio

Atrito viscoso do rotor Br[N m.s/rad] 0,0031

In´ercia do rotor Jr[Kg.m2] 0,0021

Constante el´etrica Ke[V.s/rad] 0,6630 Constante de torque Kt[N m/A] 0,6630 Indutˆancia da bobina de armadura La[H] 8,3297x10−5

Resistˆencia de armadura Ra[Ohm] 4,7385 Fonte: Autoria pr´opria.

Considere agora o circuito el´etrico do motor PMDC mostrado na Figura 15, sendo que Va ´e a tens˜ao de alimenta¸c˜ao da armadura, Ia ´e a corrente de armadura, eb ´e uma tens˜ao

induzida que se op˜oe `a tens˜ao de alimenta¸c˜ao, ˙θm ´e a velocidade do rotor, Tm ´e o torque

eletromagn´etico do motor e Tc ´e um torque de carga.

Pode-se utilizar as leis de Kirchoff para equacionar o circuito do motor PMDC, Va− RaIa− La˙Ia− eb = 0, (1)

sendo que a tens˜ao induzida eb ´e diretamente proporcional `a velocidade do rotor,

eb = Ke˙θm, (2)

e Ke ´e uma constante el´etrica. Portanto

(35)

Figura 15 – Circuito el´etrico do motor PMDC.

+

-𝑉

𝑎

𝑅

𝑎

𝐿

𝑎

𝑒

𝑏

𝑇

𝑚

, Ɵ

𝑚

𝐽

𝑟

𝐵

𝑟

𝑇

𝑐

𝐼

𝑎

Fonte: Adaptado de Ooi (2003).

Pode-se verificar na Tabela 2 que a indutˆancia da bobina de armadura La´e

aproxima-damente zero e portanto ser´a desconsiderada, ent˜ao

Va− RaIa− Ke˙θm = 0. (4)

Sabe-se tamb´em que o motor produz um torque eletromagn´etico Tm proporcional a

corrente de armadura Ia dado por

Tm = KtIa, (5)

sendo Kt uma constante de torque. Pode-se ent˜ao substituir a Equa¸c˜ao (5) na Equa¸c˜ao (4)

para obter uma rela¸c˜ao entre Va e Tm que ser´a utilizada posteriormente:

Va =

Ra

Kt

Tm+ Ke˙θm. (6)

3.1.3 Placa Controladora

Para aquisi¸c˜ao de dados e controle utilizou-se a placa FRDM-K64F da NXP mostrada na Figura 16.

Figura 16 – Placa controladora.

(36)

Esta placa possui um microcontrolador MK64FN1M0VLL12 de 1 MB de mem´oria flash, 256 KB de mem´oria RAM e frequˆencia de processamento de 120 MHz. Al´em disso a placa j´a tem um circuito interno para grava¸c˜ao e depura¸c˜ao do c´odigo e seus pinos s˜ao compat´ıveis com os pinos da placa Arduino Uno.

Para o desenvolvimento de algoritmos utilizou-se a ferramenta gratuita KDS (Kinets

Design Studio) tamb´em fornecida pela NXP.

3.1.4 Driver de Acionamento

Para fazer a interface entre os motores e a placa controladora, drivers de acionamento s˜ao necess´arios. Neste projeto foram utilizadas duas placas IBT-2 que possuem o componente BTS7960 como circuito de Ponte-H (Half-Bridge).

Por meio deste componente ´e poss´ıvel controlar o sentido e a velocidade de rota¸c˜ao dos motores utilizando sinais PWM (Pulse Width Modulation) gerados pela placa controladora.

Esta placa foi selecionada, pois o BTS7960 pode fornecer at´e 43A, o que possibilita utilizar motores de potˆencias maiores sem a necessidade de altera¸c˜oes nos circuitos el´etricos.

Figura 17 – Driver de acionamento.

Fonte: Autoria pr´opria.

3.1.5 Sensor Inercial

Para controlar o equil´ıbrio de um TWIP ´e conveniente a utiliza¸c˜ao de sensores que forne¸cam informa¸c˜oes precisas e confi´aveis, no entanto tais sensores podem ser muito caros. Uma alternativa ´e utilizar a fus˜ao de sensores, na qual o sinal de v´arios sensores s˜ao combinados para fornecer uma estimativa precisa. Para isso ´e comum a utiliza¸c˜ao do Filtro de Kalman como em Ooi (2003) e Neves (2017) para estimar os ˆangulos de Euler (Roll, Pitch e Yaw ).

Neste trabalho, para medir a inclina¸c˜ao do TWIP foi utilizado o m´odulo GY-86 mostrado na Figura 18. Este m´odulo cont´em uma IMU (Inertial Measurement Unit) de 6 eixos

(37)

denominada MPU-6050, que fornece a leitura dos 3 eixos de um acelerˆometro e os outros 3 eixos de um girosc´opio.

Figura 18 – M´odulo GY-86.

Fonte: Autoria pr´opria.

As informa¸c˜oes do acelerˆometro e girosc´opio foram ent˜ao combinadas utilizando um Filtro de Kalman para estimar o ˆangulo de pitch (θp) e sua velocidade ( ˙θp), na Figura 19

pode-se ver o diagrama que representa a fus˜ao dos sensores.

Figura 19 – Fus˜ao dos sensores utilizando Filtro de Kalman.

Filtro de Kalman Acelerômetro Giroscópio Ɵ𝑘 Ɵ𝑘− Ɵ𝑝 ω𝑏𝑖𝑎𝑠

Fonte: Autoria pr´opria.

Verifique que ˆθk ´e o ˆangulo de pitch obtido pelo acelerˆometro,

ˆ θk= atan2(ax, q a2 y+ a 2 z), (7)

sendo ax, ay, az as acelera¸c˜oes nas dire¸c˜oes X, Y e Z, respectivamente. A vari´avel θ − k ´e o

ˆangulo de pitch calculado pela integra¸c˜ao discreta do sinal do girosc´opio, θ− k = θk−1+ (ωgyro− ωbias | {z } ˙ θp )Ts, (8)

sendo θk−1 o valor do ˆangulo na itera¸c˜ao anterior, ωgyro ´e o sinal medido do girosc´opio em

rad/s, Ts ´e o tempo de amostragem, ωbias ´e um valor de compensa¸c˜ao do girosc´opio que ser´a

(38)

Pode-se ent˜ao obter o ˆangulo de pitch (θp) e o valor de compensa¸c˜ao do girosc´opio

(ωbias) a cada itera¸c˜ao k fazendo

" θp ωbias # = " θ− k ω− bias # + Kk(ˆθk− θ − k), (9)

sendo Kk o ganho de Kalman dado por

Kk = P − k H ′ (HP− k H ′ + R)−1 , (10)

onde H = [1 0], R ´e a covariˆancia do ru´ıdo de medi¸c˜ao, P−

k ´e a estimativa da covariˆancia do

erro de predi¸c˜ao mostrado na Equa¸c˜ao (11) e Q ´e a covariˆancia do ru´ıdo do processo. Pk− = " 1 −Ts 0 1 # Pk−1 " 1 0 −Ts 1 # + QTs. (11)

Ao final de cada itera¸c˜ao k, deve-se realizar o c´alculo da nova estimativa da covariˆancia do erro de predi¸c˜ao, fazendo

Pk = (I − KkH)P −

k , (12)

onde I ´e a matriz identidade e Pk ´e inicialmente uma matriz nula.

Semelhante a Neves (2017), neste projeto adotou-se Q = " 0,001 0 0 0,003 # , (13) e R = 0,03. (14)

Na Figura 20 pode-se verificar a compara¸c˜ao do ˆangulo de pitch obtido pelo acelerˆo-metro com o estimado pelo Filtro de Kalman.

Figura 20 – Estima¸c˜ao do ˆangulo de pitch.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 Tempo (s) -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 Ângulo (rad/s) Acelerômetro Filtro de Kalman 14 14.5 15 15.5 16 -0.1 0 0.1

(39)

3.1.6 Leitor de Encoder

Uma das formas de se obter a posi¸c˜ao longitudinal do TWIP ´e sabendo o raio das rodas e suas respectivas posi¸c˜oes angulares. Para isso pode-se utilizar encoders acoplados aos motores que tem por objetivo gerar pulsos conforme o rotor gira. Tais pulsos formam dois sinais em forma de quadratura o qual devem ser contados para saber a posi¸c˜ao do rotor e a dire¸c˜ao do movimento.

Para realizar a contagem dos pulsos de ambos encoders foi utilizada uma placa decodificadora de quadratura desenvolvida no laborat´orio LASISC. Esta placa faz interface para dois LS7366R (circuito integrado que realiza a contagem de quadratura) e pode ser vista na Figura 21.

Figura 21 – Decodificador de quadratura.

Fonte: Autoria pr´opria.

Dessa forma, a placa controladora FRDM-K64 pode realizar a leitura da contagem de cada encoder por meio da comunica¸c˜ao SPI (Serial Peripheral Interface) e obter a posi¸c˜ao angular do motor fazendo

θM = Cq((2π/2000)/20,25), (15)

sendo θM a posi¸c˜ao do motor em rad/s, Cq a contagem de quadraturas obtida, 2000 ´e o

n´umero de pulsos geradas pelo encoder a cada volta completa do rotor e 20,25 ´e a rela¸c˜ao de engrenagens.

3.1.7 Baterias e Alimenta¸c˜ao do Circuito

Para fornecer a alimenta¸c˜ao dos motores foram utilizadas duas baterias de Li-Po de 11,1 V ligadas em s´erie, totalizando 22,2 V. Isso ´e necess´ario para que os motores Maxon A202629 possam funcionar pr´oximos a sua tens˜ao nominal de 24 V. As baterias utilizadas s˜ao mostradas na Figura 22.

(40)

Figura 22 – Baterias utilizadas.

Fonte: Autoria pr´opria.

A tens˜ao de 5 V necess´aria para alimentar a placa controladora, encoders, decodificador de quadratura, IMU e driver de acionamento foi derivada da tens˜ao de uma das baterias utilizando o circuito LM259 mostrado na Figura 23.

Figura 23 – Circuito LM259.

Fonte: Autoria pr´opria.

3.2 MODELAGEM MATEM´ATICA DOS 3 GDL DO TWIP

Para desenvolver um sistema de controle eficiente, deve-se obter um modelo matem´a-tico que represente adequadamente a dinˆamica do sistema.

Nesta se¸c˜ao, apresenta-se uma metodologia semelhante a utilizada por Grasser et al. (2002), Silva e Sup (2017) e Abidin et al. (2017) para obter o modelo em espa¸co de estados que contempla os 3 GDL do TWIP. Assim como nestes trabalhos, foi utilizado o m´etodo de Newton-Euler para obter as equa¸c˜oes que descrevem o deslocamento longitudinal, o ˆangulo de

(41)

Inicialmente a dinˆamica dos motores PMDC ser´a desconsiderada pois, segundo Grasser

et al. (2002) sua constante de tempo ´e pequena comparada `a constante de tempo do TWIP.

Considere ent˜ao o diagrama de corpo livre mostrado na Figura 24. Observe que ao aplicar os torques TL e TR nas rodas, isso produzir´a uma acelera¸c˜ao ¨XRM que far´a o robˆo se

movimentar para frente. No entanto, devido a essa acelera¸c˜ao ¨XRM o corpo intermedi´ario ir´a

se inclinar no sentido oposto produzindo uma for¸ca tangencial Ftan e uma for¸ca normal FN

devido ao momento angular criado no corpo com rela¸c˜ao ao eixo de rota¸c˜ao das rodas. Figura 24 – Diagrama de corpo livre do TWIP constru´ıdo.

𝑉𝐿 𝐻𝐿 𝐻𝑇𝐿 𝑋𝐿 𝑇𝐿 Ɵ𝐿 𝑉𝑅 𝐻𝑅 𝐻𝑇𝑅 𝑇𝑅 Ɵ𝑅 𝑋𝑅 Ɵ𝑃 𝐹𝑡𝑎𝑛 𝐹𝑔 𝐹𝑁 𝑓𝑑

𝑋

𝑅𝑀 𝑋 𝑌 (𝐻𝐿+𝐻𝑅) (𝑉𝐿+𝑉𝑅)

Fonte: Autoria pr´opria.

Observe tamb´em que Fg ´e a for¸ca gravitacional, fd ´e um dist´urbio aplicado no centro

de massa do corpo intermedi´ario, HT L e HT R s˜ao os atritos entre as rodas e o ch˜ao, HL, HR,

VL e VR s˜ao for¸cas de rea¸c˜ao entre o corpo intermedi´ario e as rodas, θp ´e o ˆangulo de pitch, θL

e θR s˜ao os ˆangulos das rodas com rela¸c˜ao ao eixo Z. Pode-se verificar na Figura 25 o sistema

de referˆencias adotado e os principais s´ımbolos e vari´aveis usados est˜ao listados na Tabela 3. Pode-se ent˜ao utilizar as rela¸c˜oes de Newton-Euler para determinar o movimento linear e angular das rodas e do corpo intermedi´ario conforme a Equa¸c˜ao (16) e Equa¸c˜ao (17), respectivamente.

X

Fx = m¨x (16)

X

(42)

Figura 25 – Sistema de referˆencias adotado.

𝑌

𝑋

𝑍

Ψ 𝑪𝑮 𝑙 𝐷𝑤 𝐻𝐿 𝐻𝑅

Fonte: Autoria pr´opria.

Tabela 3 – S´ımbolos utilizados na modelagem do TWIP.

S´ımbolo Descri¸c˜ao Unidade

TL, TR Torques aplicados nas rodas N.m

θL, θR Posi¸c˜ao angular das rodas rad

XL, XR Posi¸c˜ao linear das rodas m

HT L, HT R For¸cas de atrito entre as rodas e o ch˜ao N

HL, HR, VL, VR For¸cas de rea¸c˜ao entre as rodas e o corpo intermedi´ario N

fd Dist´urbio externo aplicado no centro de gravidade N

XRM Posi¸c˜ao do TWIP m

θp Angulo de pitch do corpo intermedi´arioˆ rad

Mp Massa do corpo intermedi´ario Kg

ψ Angulo de yaw do corpo intermedi´arioˆ rad

Dw Distˆancia entre as rodas m

ML e MR Massa de ambas as rodas Kg

R Raio das rodas m

CG Centro de gravidade

-Jp Momento de in´ercia do corpo intermedi´ario no eixo Z Kg.m2

Jr Momento de in´ercia do corpo intermedi´ario no eixo Y Kg.m2

JL, JR Momento de in´ercia de ambas as rodas no eixo Z Kg.m2

l Distˆancia entre o CG e o eixo das rodas m

(43)

3.2.1 Equa¸c˜oes de Movimento das Rodas

Para a roda esquerda pode-se verificar que,

MLX¨L= HT L− HL (18)

e

JLθ¨L= TL− HT LR. (19)

Pode-se eliminar a vari´avel de atrito HT L reescrevendo a Equa¸c˜ao (18),

HT L= MLX¨L+ HL

e substituindo o resultado na Equa¸c˜ao (19):

JLθ¨L= TL− MLR ¨XL− HLR, (20)

pode-se ent˜ao obter a for¸ca de rea¸c˜ao HL entre a roda esquerda e o corpo intermedi´ario

HL= −

JL

Rθ¨L+ TL

R − MLX¨L. (21)

De forma an´aloga, pode-se obter a for¸ca de rea¸c˜ao HR entre a roda direita e o corpo

intermedi´ario HR= − JR R θ¨R+ TR R − MRX¨R. (22)

Para obter a for¸ca de rea¸c˜ao total entre as rodas e o corpo intermedi´ario pode-se somar a Equa¸c˜ao (21) e a Equa¸c˜ao (22), obtendo

(HL+ HR) = − JL Rθ¨L+ TL R − MLX¨L− JR R θ¨R+ TR R − MRX¨R, (23) mas considerando que as rodas s˜ao iguais

JL= JR = Jw,

ML= MR= Mw,

(24) ent˜ao, a Equa¸c˜ao (23) se torna

(HL+ HR) = −Mw( ¨XL+ ¨XR) −

Jw

R(¨θL+ ¨θR) + 1

R(TL+ TR). (25) Sabendo que a posi¸c˜ao do TWIP ser´a a m´edia entre as posi¸c˜oes das duas rodas,

XRM =

XL+ XR

2 , (26)

e tamb´em considerando a rela¸c˜ao entre o deslocamento angular e o deslocamento linear θL+ θR=

XL+ XR

R , (27)

a Equa¸c˜ao (25) que representa a for¸ca de rea¸c˜ao total entre as rodas e o corpo intermedi´ario torna-se: (HL+ HR) = −2(Mw+ Jw R2) ¨XRM + 1 R(TL+ TR). (28)

(44)

3.2.2 Equa¸c˜oes de Movimento do Corpo Intermedi´ario

Sabe-se que o TWIP possui 3 GDL possibilitando deslocamento na dire¸c˜ao X, rota¸c˜ao em torno do eixo Z, e rota¸c˜ao em torno do eixo Y . Pretende-se determinar as equa¸c˜oes diferenciais para as trˆes vari´aveis que representam esses movimentos: ¨XRM, ¨θp e ¨ψ.

Considere ent˜ao as rea¸c˜oes sobre o corpo intermedi´ario. Pode-se verificar que

(Mp+ 2Mw) ¨XRM = (HL+ HR) + fd− Ftancos θp+ FN sin θp. (29)

Substituindo a Equa¸c˜ao (28) na Equa¸c˜ao (29), ent˜ao (Mp+ 2Mw) ¨XRM = −2(Mw +

Jw

R2) ¨XRM +

1

R(TL+ TR) + fd− Ftancos θp+ FNsin θp, sendo

Ftan = Mpl ¨θp,

FN = Mpl ˙θp 2

. (30)

Usando a Equa¸c˜ao (30) e agrupando ¨XRM, tem-se

(Mp+ 4Mw + 2 Jw R2) ¨XRM = 1 R(TL+ TR) + fd− Mpl cos θpθ¨p+ Mpl ˙θp 2 sin θp. (31)

Isolando ent˜ao ¨XRM, determina-se a primeira rela¸c˜ao.

¨ XRM = 1 R(TL+ TR) + fd− Mpl cos θpθ¨p+ Mpl ˙θp 2 sin θp Mp+ 4Mw+ 2JRw2 . (32)

A segunda rela¸c˜ao pode ser obtida considerando a rota¸c˜ao do corpo intermedi´ario em torno do eixo Z. Pode-se dizer que

Jpθ¨p = Fgl sin θp+ MpX¨RMl cos θp+ fdl cos θp, (33)

sendo

Fg = Mpg

e g ´e a acelera¸c˜ao gravitacional.

Portanto, isolando ¨θp tem-se a segunda rela¸c˜ao.

¨ θp =

Mpgl sin θp+ MpX¨RMl cos θp + fdl cos θp

Jp

. (34)

Antes de continuar, a Equa¸c˜ao (32) e a Equa¸c˜ao (34) precisam ser linearizadas em torno de um ponto de equil´ıbrio. Considerando ent˜ao que o TWIP pode ter um deslocamento vertical muito pequeno (θp ≈ 0), pode-se utilizar a Equa¸c˜ao (35) para obter as equa¸c˜oes

linearizadas. cos θp = 1, sin θp = θp, ˙θ2 p = 0. (35)

(45)

Portando, tem-se ¨ XRM = 1 R(TL+ TR) + fd− Mpl ¨θp Mp+ 4Mw+ 2JRw2 (36) e ¨ θp = Mpglθp+ MpX¨RMl + fdl Jp . (37)

Substituindo primeiramente a Equa¸c˜ao (36) na Equa¸c˜ao (37), verifica-se que ¨ θp = Mpglα β θp+ Mpl Rβ (TL+ TR) + Mpl + lα β fd, (38)

e substituindo a Equa¸c˜ao (38) na Equa¸c˜ao (36), tem-se ¨ XRM = − M2 pl 2 g β θp+  1 Rα− M2 pl 2 Rαβ  (TL+ TR) +  1 α − M2 pl 2 αβ − Mpl2 β  fd, (39) sendo α = Mp+ 4Mw+ 2 Jw R2, (40) e β = Jpα + M 2 pl 2 . (41)

A Equa¸c˜ao (38) e a Equa¸c˜ao (39) representam a dinˆamica do deslocamento longitudinal e da rota¸c˜ao em torno do eixo Z (ˆangulo de pitch). No entanto ainda falta obter a equa¸c˜ao que representa a rota¸c˜ao em torno do eixo Y (ˆangulo de yaw ). Para isso, considerando a Figura 25, pode-se dizer que

ψ = XL− XR Dw

, (42)

e que a somat´oria dos momentos com rela¸c˜ao ao eixo Y ser´a Jrψ = (H¨ L− HR)

Dw

2 . (43)

Substituindo a Equa¸c˜ao (21) e a Equa¸c˜ao (22) na Equa¸c˜ao (43), considerando ainda que as rodas s˜ao iguais, tem-se

2 Jr Dw ¨ ψ = −Mw( ¨XL− ¨XR) − Jw R (¨θL− ¨θR) + 1 R(TL− TR), (44) pode-se ent˜ao utilizar a Equa¸c˜ao (42) na Equa¸c˜ao (44) para obter a equa¸c˜ao dinˆamica que representa a rota¸c˜ao em torno do eixo Y

¨ ψ = 1 Rρ(TL− TR), (45) sendo que ρ = 2 Jr Dw + MwDw+ JwDw R2 . (46)

(46)

3.2.3 Representa¸c˜ao em Espa¸co de Estados

A representa¸c˜ao em espa¸co de estados de um sistema LIT (Linear e Invariante no Tempo) cont´ınuo pode ser escrito na seguinte forma:

˙x = Ax + Bu,

y = Cx + Du, (47)

sendo que x ´e o vetor de estados, o ponto indica a derivada temporal, u ´e o vetor de entradas, y ´e o vetor de sa´ıdas medidas e A, B, C e D s˜ao matrizes constantes para um sistema linear (OGATA; MAYA; LEONARDI, 2003).

Ent˜ao da Equa¸c˜ao (38), Equa¸c˜ao (39) e Equa¸c˜ao (45), tem-se:            ˙ XRM ¨ XRM ˙θp ¨ θp ˙ ψ ¨ ψ            =            0 1 0 0 0 0 0 0 A23 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 A43 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0                       XRM ˙ XRM θp ˙θp ψ ˙ ψ            +            0 0 0 B21 B22 B23 0 0 0 B41 B42 B43 0 0 0 B61 B62 0               TL TR fd    , y = Ix + 0u, (48)

sendo I a matriz identidade,

A23 = − M2 pl 2 g β , (49) B21= B22= 1 Rα− M2 pl 2 Rαβ, (50) B23 = 1 α − M2 pl 2 αβ − Mpl2 β , (51) A43 = Mpglα β , (52) B41 = B42= Mpl Rβ , (53) B43 = Mpl + lα β , (54) B61 = −B62= 1 Rρ (55)

(47)

3.2.4 Desacoplamento do Sistema

A Equa¸c˜ao (48) apresenta a caracter´ıstica dinˆamica do TWIP em torno de um ponto de opera¸c˜ao no qual o ˆangulo θp ´e muito pequeno. Pode-se verificar que neste ponto o sistema

torna-se desacoplado, ou seja, a dinˆamica do deslocamento longitudinal e do ˆangulo pitch [XRM X˙RM θp ˙θp] n˜ao interferem na dinˆamica do ˆangulo de yaw [ψ ˙ψ]. Portando pode-se

separar o sistema de 3 GDL em 2 subsistemas independentes,       ˙ XRM ¨ XRM ˙θp ¨ θp       =       0 1 0 0 0 0 A23 0 0 0 0 1 0 0 A43 0             XRM ˙ XRM θp ˙θp       +       0 0 0 B21 B22 B23 0 0 0 B41 B42 B43          TL TR fd    , (56) e " ˙ψ ¨ ψ # = " 0 1 0 0 # " ψ ˙ ψ # + " 0 0 0 B61 B62 0 #   TL TR fd    . (57)

Note que fd ´e um dist´urbio que age sobre o centro de massa do corpo intermedi´ario,

portanto n˜ao deve ser utilizado para controlar o sistema. Apenas TL e TR que s˜ao os torques

aplicados nas rodas pelos motores podem ser utilizados para atuar no sistema.

Para impˆor a dinˆamica desejada ao TWIP pretende-se controlar de forma independente o equil´ıbrio do robˆo (Subsistema da Equa¸c˜ao (56)) e o movimento de rota¸c˜ao em torno do eixo Y (Subsistema da Equa¸c˜ao (57)). Portanto, deve-se projetar dois controladores, um produzindo uma a¸c˜ao de controle Cθ, correspondente ao controle de equil´ıbrio e outro produzindo uma

a¸c˜ao de controle Cψ, correspondente ao controle de rota¸c˜ao em torno de Y .

Para aplicar estes torques no TWIP, deve-se converter as respostas dos controladores Cθ e Cψ para os torque dos motores TL e TR. Ent˜ao considere uma unidade de transforma¸c˜ao

dada por " TL TR # = " D11 D12 D21 −D22 # " Cθ Cψ # , (58)

sendo que D11, D12, D21 e D22 s˜ao valores para ponderar a importˆancia de cada controlador.

Os dois subsistemas tornam-se • Subsistema ”Pˆendulo”:       ˙ XRM ¨ XRM ˙θp ¨ θp       =       0 1 0 0 0 0 A23 0 0 0 0 1 0 0 A43 0             XRM ˙ XRM θp ˙θp       +       0 B2 0 B4       Cθ, (59) • Subsistema ”Rota¸c˜ao”: " ˙ψ ¨ ψ # = " 0 1 0 0 # " ψ ˙ ψ # + " 0 B6 # Cψ (60)

Referências

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