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DPIII Texto Leitura 2º Semestre

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eculiaridades do Direito Penal

Ambiental no mundo contemporâneo.

(

Sumário

1. Explicações introdutórias

2. Características do Direito Penal Ambiental 3. Responsabilidade penal das pessoas jurídicas 4. Considerações finais

Bibliografia

.

Explicações introdutórias

CarlosAlberto Maluf Sanseverino

Advogadoem São Paulo. Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, secção de São Paulo (OAB-SP). Professor universitário.

Se considerarmos que o conceito de meIO ambiente, como bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, alcança pela primeira vez a condição de bem jurídico1na

re-cente Constituição Federal de 1988,2 o conceito de crime ambiental torna-se ainda mais atual, pois a Lei n° 9.605, que disciplina a matéria, data de 12/2/1998. No entanto, esse período de cerca de 11 anos, apesar de não ser considerado longo, pro-porcionou discussões acirradas sobre a Doutrina e

Débora Motta Cardoso

Advogadaem São Paulo.Mestre em Direito PenalpelaPontificiaUniversidadeCatólicade SãoPaulo(PUC-SP).Professorauniversitária.

1. "A partir danoçãode EstadodeDireito Democrático,ut supra-mencionada, é imperiosa a distinção entre valores jurídicos e meta-jurídicos e a localização dos bens dignos da tutela penal no terreno social, mas com vista ao indivíduo. Tudo issoserve para determinar a matéria do juridicamente tutelável e o Direito Penal deve oferecer a substância básica do que for por ele protegível. Explicando: o in-teressesocial relevante para o indivíduo deve ser elevadoàcategoria de bem digno de tutela jurídico-penal. Assim para que um bem jurí-dico possaser considerado, em sentido político criminal, como bem jurídico-penal, insta acrescerainda o juízo de suficiente importân-cia soimportân-cial." Ver Luiz Regis Prado, Bem ;urídico penal e constituição, p.90.

2. Ver artigo 225 da Constituição Federal.

23 o "C '" c:n o > "C « o "C '" ...,'" > <IJ a::

(2)

o <LI <:: <~ o a. E <LI +-' <:: o u o "O <:: => E o <:: '" +-' <:: <LI .J:) E « '" <:: <LI "-o +-' ~ c o "O V> <LI "O '" "O => U <LI "-24 o "O '" C'I o > "O « o "O '" +-' V> > <LI o:

entre os operadores do Direito sobre o tema, pe-culiaridades, especialmente de enfoque criminal, foram apontadas e serão objeto de despretensiosos comentários no presente artigo. Antes disso, toda-via, para que possamos seguir adiante no tema, devemos abordar o exato significado da expressão

<crimes ambientais, para tanto, recorreremos aos

conceitos de crime e de meio ambiente.

Segundo Cezar Roberto Bitencourt,3 "além dos conhecidos conceitos formal (crime é toda ação ou omissão proibida por lei, sob ameaça de pena) e material (crime é a ação ou omissão que contraria os valores ou interesses do corpo social, exigindo sua proibição com ameaça da pena), faz-se necessária a adoção de um conceito analítico de crime", e nesse aspecto define-se como crime a ação ou omissão típica, antijurídica e culpável.4 Com base nisso, acreditamos que, para a configu-ração de um delito, ~ necessário que haja uma con-duta humana, dolosa ou culposa, proibida por lei, e, portanto, típica, um resultado jurídico que adve-nha da referida conduta e um nexo de causalidade ligando a conduta ao resultado.5 Além disso, "uma ação típica e antijurídica somente se converte em crime com acréscimo da culpabilidade".6

Meio ambiente, por sua vez, conforme a

definição legal do artigo 3°, inciso I, da Lei n° 6.938/1981(que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente), é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, quí-mica e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.

Assim, de maneira bastante concisa, crime am-biental pode ser definido como dano ou ameaça de dano causado aos bens jurídicos que compõem o meio ambiente e previsto em lei.

.

Característicasdo DireitoPenal

Ambiental

Como muitos, entendemos que a finalidade maior do Direito Penal Ambiental é a prevenção

do dano, já que ~ pre ~~ ~~"ado em razão da lesão ao meio ambleffie e ..~~umente irreparável

e de natureza coleb'.a7 .::;!!!.b-<benesse ponto de

vista, a consumação d~ enme. que fora da seara ambiental normalmente co~~c~decom o momento da lesão efetiva ao bem ;umtco. é transferida para o momento anterior, qual sela c da simples ameaça de lesão ao bem tutelado pela norma penal, dessa forma, temos que os crimes contra o meio ambiente são, em grande número, crimes de perigo.

Quanto a essa característica, parece-nos que não poderia ter agido de forma diferente o legisla-dor, sendo a medida elogiável, sobretudo em razão da boa política criminal, não sendo menos verda-de que os Tribunais verda-de todo o país refletem essa postura repressora e preventiva em seus julgados.

Agrega-se a esse entendimento outro ponto

bastante interessante que diz respeito à frequência com que os crimes ambientai"s admitem a modali-dade culposa, a qual, em regra, é tida como

exce-ção para o Direito Penal.8Assim,nos capítulos da

Lei n° 9.605/1998, que tratam dos crimes contra a fauna e contra a flora, do ordenamento urbano e dos crimes de poluição ambiental, há a expressa previsão da modalidade culposa, reforçando a tese

J.Tratado de Direito Penal, pp. 143/146.

4. Juarez Tavares, p. I.

5. Nesse aspecto adotamos o conceito analítico de crime como ação típica, antijurídica e culpável, não acompanhando o entendimento dominante no Brasil segundo o qual "crime é ação típica e antijurí-dica", sendo a culpabilidade mero pressuposto da pena. Em sentido contrário, ver Damásio Evangelista de Jesus, Direito Penal, São Paulo, Saraiva, pp. 395-6.

6. Cezar Roberto Bitencourt, p. 281.

7. Para Gianpaolo Poggio Smanio, "os bens jurídicos penais de natureza difusa também se referem àsociedade como um 'todo, de forma que os indivíduos não têm disponibilidade sem afetar a coletividade. São, igualmente, indivisíveis em relação aos titulares. Os bens de natureza difusa trazem uma conflituosidade social que contrapõe diversos grupos dentro da sociedade, como na proteção ao meio ambiente, em que os interesses econômico-industriais e o interesse na preservação ambiental se contrapõem, ou na proteção das relações de consumo, contrapostos os fornecedores e os consu-midores, na proteção da saúdepública, no que se refereàprodução alimentícia e de remédios, na proteção da economia popular, da in-fância e juventude, dos idosos, etc.".

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da necessidade de repressão e prevenção ao dano causado ao meio ambiente.9

Isso porque, para o Direito Ambiental, o que-rer dirigido a um resultado danoso, o que chama-mos de dolo, causa o mesmo resultado indesejado e muitas vezes irreparável que a conduta pratica-da com falta de cautela, atenção ou emprego de meios inadequados, e, se estamos diante da ine-xorável preocupação com a preservação do meio ambiente, o desvalor da ação, seja ela culposa ou dolosa, já autoriza a aplicação da norma penal.

Entendemos que a finalidade

maior do Direito Penal Ambiental

é a prevenção do dano.

Por o~tro lado, a Lei n° 9.605/1998 não garantiu somente elogios ao legislador, certas imperfeições em relação ao número excessivo de tipos penais abertos e ao grande número de normas penais em branco são motivos de constantes críticas.

Na verdade, os tipos penais abertos, por afron-tarem o Princípio da Legalidade, incomodam to-dos aqueles que se preocupam com a segurança jurídica que o Direito Penal deve garantir. Por isso, observamos que, seja qual for o tipo penal, ligado diretamente ao Direito Ambiental ou não, deve conter todos os elementos necessários para sua

ti-pificação,porquea contrario sensua amplitude e

a indeterminação da conduta incriminada geram

9. Exemplos: artigo 38, parágrafo único; artigo 40, S3°; artigo 41,

parágrafo único; artigo 49, parágrafo único; artigo 54, S1°; artigo

56,S3°; artigo 62, parágrafo único; artigo 67, parágrafo único, entre

outros.

10. "Artigo 54 - Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significa-tiva da flora:

Pena - reclusão, de I (um) a 4 (quatro) anos, e multa. S 1° - Se o crime é culposo:

Pena - detenção de 6 (seis) meses a I (um) ano e multa." 11. Ver nota anterior.

a mais absoluta insegurança jurídica, o que não pode ser tolerado, tendo em vista os contornos do Princípio da Reserva Legal.

Um bom exemplo da falta de rigor legislativo pode ser encontrado no tipo penal do crime de poluição ambiental previsto no artigo 54 da lei citada.lO Nesse comportamento proibido são uti-lizadas expressões amplas, como "causar poluição de qualquer natureza em níveis tais" ou ainda "que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora", que não en-contram respaldo em qualquer definição legal, ou seja, o que se deve entender por níveis tais? Ou quanto e como deve ser compreendida a expres-são destruição significativa?

As mesmas críticas anteriormente traçadas

podem ser repetidas em relação às normas pe-nais em branco. Em razão delas, o legislador, ao mesmo tempo em que dificulta o trabalho do intérprete, cria lacunas indesejadas, natural-mente sob o aspecto da aplicação da lei penal e nem sempre pelo prisma do acusado, estratégias de defesa.

Podemos exemplificar bem o caso utilizando o crime de poluição ambiental previsto no artigo 54 da lei. No referido tipo penal,l1 a elementar polui-ção, prevista no núcleo do tipo que é exatamente descrito como "causar poluição de qualquer na-tureza", não está definida na Lei n° 9.605/1998, sendo necessário o recurso a outras regras do ordenamento jurídico, pouco satisfatórias, para a tipificação.

.

Responsabilidade penal das pessoas

jurídicas

Por fim, acreditamos que a mais relevante e

inovadora peculiaridade do Direito Penal

Am-biental refere-se à possibilidade de responsabi-lização penal da pessoa jurídica, que é a grande causadora das mais gravosas vulnerações ao meio ambiente. o QJ c: <~ o o.. E QJ .... c: o u o 'O c: ::I E o c: '" .... c: QJ .D E « '" c: QJ c.. o .... I:) o 'O '" QJ 'O '" 'O ::I U QJ c.. 25 o 'O '" cn o > 'O « o 'O '" ....'" > QJ a:

(4)

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Para a Doutrina tradicional, a responsabilidade penal é pessoal, ou seja, somente a pessoa física poderá ser sujeito ativo do crime, e jamais será responsabilizada penalmente a pessoa jurídica. Desse modo, o diretor, o administrador, o sócio, o gerente, ou quiçá o funcionário da pessoa jurídica

poderá ser responsabilizado criminalmente caso

pratique uma conduta dolosa ou culposa prevista em lei, no entanto isso não poderá ocorrer com a empresa, pessoa coletiva. E esse entendimento teve absoluto amparo nas Constituições Federais de 1824, 1891, 1934, 1946 e 1967. Todavia, com a

Constituição Federal de 1988,12o artigo 225,S

3°,

e o artigo 173,

S

5°, acabaram por obrigar, apesar de muitos protestos, a conclusão de que foi consa-grada a responsabilidade penal das empresas no Direito Penal brasileiro.

(

A mais relevante e inovadora

peculiaridade do Direito Penal

Ambiental refere-se à possibilidade

de responsabilização penal da

pessoa jurídica, que é a grande

causadora das mais gravosas

vulneraçães ao meio ambiente.

o

primeiro dos artigos dispõe que "as con-dutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,

independentemente da obrigação de reparar os

danos causados". Já o segundo disciplina que "a lei,

sem prejuízo da responsabilidade individual

dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-se às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular".

Com isso, não se podem mais ignorar, sob o

pretexto de que wc:.::... ,"" -.07_.."'i"T>1onpotest, ou

de que não existe pe'.3 '1--= '-.. -er aplicada à pes-soa jurídica, os anse~~, d =- rc~ Penal brasileiro de alcançar a pessoa '~T'~_.:.a~.a punição dos cri-mes contra o meio amble~:e

Defende-se, desde então. q"Je de fato alguns crimes somente podem ser rat:cados por pessoas físicas,como o crime de roubG"ti ~ crime de estupro, no entanto existem outros delItos que por suas pecu-liaridades podem ser praticados também por pessoas jurídicas, sendo o caso dos crimes ambientais.

Aliás, não é difícil notar que os delitos ambien-tais mais graves normalmente têm suas práticas atribuídas a pessoas jurídicas. Para chegarmos a tal conclusão, basta avaliarmos o potencial destru-tivo das indústrias petrolíferas, das usinas siderúr-gicas, das mineradoras, das indústrias químicas ou

das indústriasde fertilizantesversuso

exclusivoin-teresse dessas empresas pela lucratividade, ainda que para tanto corram o risco de destruir o meio ambiente.

Por isso afirma Sergio Salomão Scheccaira que "a atual sistemática de responsabilidade in-dividual é insuficiente para dissuadir o cometi-mento do delito no âmbito das grandes empresas. Quando ocorre um delito de natureza econômica o agente imediato é punido, mesmo não obtendo qualquer benefício direto com o cometimento do delito. No mais das vezes, a verdadeira beneficiá-ria - a empresa - obtém vantagens do crime sem sofrer qualquer consequência legal ou patrimo-nial (..,). Não obstante as objeções normalmente

formuladas ao reconhecimento da

responsabili-dade penal das empresas, não se pode deixar de

reconhecer que as pessoas jurídicas podem ter

- e têm - decisões reais, Elas fazem com que se

12. Com efeito, a Constituição Federal de 1988 também recepcio-na o Princípio da Responsabilidade Penal da pessoa no art. 5°, inciso XLV: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do pcrdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos Sllcessores e contra eles exeCll-tadas, até o limite do valor do patrimônio transferido",

(5)

reconheça, modernamente, sua vontade, não no sentido próprio do que se atribui ao ser humano, resultante da própria existência natural, mas em

um plano pragmático-sociológico, reconhecido

socialmente"13(síc).

Assim, quanto às objeções lançadas pela Dou-trina tradicional, basta contra-argumentar par-tindo da premissa de que a pessoa jurídica tem uma realidade diversa da dos seus dirigentes, que

a sua responsabilidade pode ser perfeitamente

individualizada e, quanto à impossibilidade de

punição das empresas, somente a pena privativa de liberdade não pode ser aplicada às pessoas ju-rídicas, entretanto outras modalidades de penas

podem perfeitamente ser aplicadas às pessoas

coletivas.14

Não

é difícil notar que os

delitos ambientais

mais graves

normalmente

têm suas práticas

atribuídas

a pessoas jurídicas.

Por fim, é nosso pensar que já é tempo de ter em mente as novas exigências do mundo contem-porâneo, bem como suas transformações sociais e econômicas, e abrir mão de ideias conservadoras e preconcebidas pela Doutrina tradicional, fazendo valer a punição penal à pessoa jurídica, como forma legítima de prevenção e repressão aos cri-mes praticados contra o meio ambiente.

13. VerResponsabilidadepenal da pessoa;urídica,p. 148.

14. Ver artigo 21 da Lei n° 9.605/1998: "As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3°, são:

I - multa;

11- restritivas de direitos;

III - prestação de serviços à comunidade". Ver também os artigos 22 e 23 em relação ao elenco das penas restritivas de direitos e de prestação de serviços à comunidade.

15. A preocupação com a reparação do dano manifesta-se expressa-mente nos artigos 27 e 28 da Lei n° 9.605/1998.

.

Considerações finais

Assim, estas breves considerações podem nos levar a algumas reflexões, aliás, objetivo precípuo e já dito despretensioso dos articulistas nesta aná-lise do Direito Penal Ambiental. Se for verdade que o objetivo dessa seara do Direito Penal é a

pre-venção do dano, a permanente conscientização

da população sobre a necessidade da proteção ao meio ambiente deve ser uma meta a ser alcançada pelo Poder Público e suas instituições. Por outro lado, não devemos perder de vista que a realidade deste nosso Brasil de rincões e dimensões conti-nentais ainda está a exigir medidas prontas e enér-gicas do Poder Judiciário, senão para coibir, para pedagogicamente remediar, buscando na otimização dos instrumentos trazidos pelo ordenamento jurí-dico penal a proteção ao meio ambiente.

Nessa linha, a exigência da prévia composição do dano para admissibilidade da transação penal, da constatação pela perícia da efetiva reparação do dano, como condítío síne qua non para a declara-ção de extindeclara-ção de punibilidade na suspensão do processo, da possibilidade e, ainda, da prorroga-ção do prazo em caso da não completa reparaprorroga-ção segue na esteira de um Direito Penal que, antes de punitivo, é preventivo, reparador e social.15

E mais, as características repressivas do Direito

Penal Ambiental, em nosso entender, podem

indicar caminhos alternativos ao infrator, levando-o à mitigação e/ou à compensação do dano am-biental como forma, senão de prevenir o dano, de reprimir novas condutas que possam lesar tão importante bem jurídico coletivo.

Vale lembrar a importância social das penas alternativas, como o custeio de programas e de projetos ambientais, e ainda a execução de obras para recuperação de áreas degradadas ou até a ma-nutenção de espaços públicos e a contribuição a entidades ambientais preferencialmente públicas.

Às ensanchas, esse raciocínio pode ser utiliza-do quanutiliza-do se visualiza o Direito Penal Ambiental

o OJ <:: '~ o o.. E OJ ..., <:: o u o "O <:: ~ E o <:: '" ..., <:: OJ .D E « '" <:: OJ "-o ..., CI o "O VI OJ "O'" "O 27 o "O '" C> o > "O « o "O '" ..., VI > OJ c::

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como último guardião para obstar os atos de agres-são à natureza, notada mente quando as prévias me-didas da esfera cível e administrativa não logram a reversão do dano. Nesses casos, deve o Direito Penal Ambiental, na sua missão de proteger o meio ambiente, ainda que subsidiariamente ou supressi-vamente, agir por meio da punição que lhe é exclu-siva: a imposição de pena.

Nesse esteio, entre as penas previstas em lei, notadamente no que diz respeito à pessoa jurídica, entendemos que deva ser dada maior ênfase à pena de multa, a fim de que efetivamente sejam desencorajados os infratores de reiterar o compor-tamento delituoso.

Além disso, a responsabilização penal dos

entes coletivos deve ter como azo, tanto quanto possível, a reparação do dano ambiental, e

cumu-lativamente a mitigação e a compensação( do

dano deverão atingir uma área muito maior que a degradada, visando com isso conscientizar os in-fratores das nefastas consequências de suas ações

ilícitas, e, por outro lado. preusa possibilitar, de

maneira mais breve, a recuperaç~ do dano

am-biental, melhorando també~ as áreas-limites da região efetivamente atingida..

Pretensamente, esse de-."eser. no nosso pensar, o viés que autoriza o Direito Penal Ambiental a açambarcar, com sua característica coercitiva e reparadora, a adoção de medidas que visem efe-tivamente coibir o dano ou o perigo de dano aos bens jurídicos ambientais.

Seguindo essa linha de entendimento, como bem observa Paulo José da Costa Júnior, "nascem assim as bases para a criação de um verdadeiro Direito Penal Social, isto é, de um Direito Penal que oferece sustento e proteção aos valores do ho-mem que opera em sociedade".16 Dessa forma, poderemos oferecer à sociedade a resposta esperada do Direito Penal Ambiental, qual seja a efetiva proteção ao meio ambiente. _

16. Direito Penal Ecol6gico, p. 26.

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Referências

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