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O PODER DA INTERCESSÃO
Resumo
O subsídio desta semana (Lição 05 – 2º Trimestre 2010 de 02/05/2010) da Revista “Lições bíblicas” de Jovens e Adultos, que está abordando o tem Jeremias – Esperança em tempos de crise (um estudo no livro do profeta Jeremias), traz o assunto da Intercessão, com o título “O poder da intercessão”. O texto áureo desta lição está registrado no livro de 1 Samuel 12.23 “E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito”. O Pr Claudionor de Andrade tirou a seguinte verdade prática do texto base da aula (Jr 14. 1-3, 7, 8, 10; 15.1): “Orar é preciso; interceder é a obrigação de todo o povo de Deus”. Este subsídio tem como objetivo explorar profunda e exaustivamente este assunto; não sendo, de forma alguma, a última palavra em um assunto tão amplo. Espera-se contribuir assim com os objetivos listados na lição bíblica que é: “compreender o que é intercessão segundo os padrões bíblicos; explicar por que Jeremias intercedia por Judá, mesmo sabendo que o povo estava afastado de Deus e saber que a intercessão é uma recomendação bíblica.”.1 Bons estudos!!!
Palavras-Chaves: Oração; Intercessão; Persistência;
Introdução
A intercessão é a oração em que o cristão suplica a Deus em favor do outro, com fé perseverante. É a demonstração do amor de Cristo em seu povo, que se compadece de outra pessoa e suplica por ela.
Jeremias vive em um momento em que o povo está longe dos propósitos divinos, distante de Deus. No texto base para essa lição, capítulos 14 e 15, o profeta chora diante de Deus pelo povo, mas o Senhor rejeita sua oração. Jeremias sabe que aquele que confessa os pecados encontra perdão e misericórdia (Jr 14. 7-10; 1 Jo 1.9), porém a nação não quer reconhecer seus pecados. Jeremias coloca-se no lugar do povo e clama por perdão, confessando os pecados da nação; a angústia do profeta é profunda diante da ruína iminente
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de Israel; mesmo assim o Senhor Deus rejeita seu pedido e o proíbe de interceder por Judá (Jr 14.11-12) que está condenada ao castigo por conta dos pecados cometidos.
O profeta denuncia a infidelidade, rebelião da nação e conhecedor do amor do Santo de Israel fala com compaixão ao povo; ele reconhece a gravidade do estado de seu povo por isso denuncia com severidade os pecados cometidos por seu povo.
No reinado de Josias a nação passou por uma reforma quando o livro da lei foi encontrado no templo do Senhor, a partir de então, houve um esforço para que a prática da justiça e dos ensinos proféticos causasse transformação na vida religiosa do povo, para que a nação fosse encontrada santa segundo o padrão estabelecido por Deus para o povo escolhido.
Realmente houve uma mudança, mas não perdurou muito, pois o rei foi morto, e o povo subjugado por outra nação, o Egito, e não muito depois foi levado cativo pela Babilônia. Isto aconteceu porque na verdade a reforma que houvera antes fora superficial, e, o profeta Jeremias reconheceu este fato, por isso “falou a consciência despertada do povo, mostrando aos reis e ao povo que a nação ainda era pecaminosa, desejando as bênçãos da justiça e da fidelidade ao Senhor, enquanto praticava a injustiça e confiava na política dos reis, ao invés de ouvir e obedecer a mensagem de Deus” (CRABTREE: 177).
Jeremias nos versículos 13 a 22 do capítulo 14, ainda tenta explicar ao Senhor Deus os defeitos de seu povo, mas o castigo vem sobre os causadores de prejuízo em Judá, os falsos profetas. O profeta tenta ainda, como fez Moisés, Abraão e Samuel, clamando pelo povo, por seu estado pecaminoso, mas a resposta vem dura e irreversível: “... Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam”. (Jr 15.1).
A nação rejeitou a Deus de tal forma que Ele não pode ter compaixão por mais tempo. Toda desolação por que passou e a mensagem anunciada pelo profeta não fora suficiente para reverter o quadro desesperador daquela nação, não havia outra saída a não ser o juízo divino.
Apesar de todo o sofrimento do profeta por seu povo, ele não desistiu ainda de interceder, o que nos deixa lições preciosas sobre este dever de todo aquele que professa o nome de Cristo. E este estudo abordará esta questão.
Oração
A oração é o meio que o cristão tem para manter um relacionamento íntimo com o Senhor Deus. Para ter comunhão com o Senhor Deus que é um ser pessoal que deseja e pode ouvir aqueles que clamam por Ele. A oração é determinação divina, mas é preciso lembrar que para ter este privilégio, ou seja, falar com o Senhor Deus, é preciso estar em plena comunhão com Ele. A oração que é aceita é a que vem de um coração reto; a oração dos ímpios, dos que praticam iniqüidade é abominável diante de Deus e não é respondida (PV 15.29; 28.9). “Todos quantos se revelam contra a autoridade divina não lhe são aceitos sem que antes renunciarem a seus pecados e receberem o perdão. A oração é a comunhão dos
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filhos de Deus com seu Pai que está nos céus, e consiste em adoração, ação de graças, confissão de pecados e petições, Ne 1. 4-11; Dn 9. 3-19; Fl 4.6.” (DAVIS: 432).
Deus atende a toda oração que lhe é endereçada de acordo com sua palavra e vontade, Tiago em sua carta (5.16) diz que a oração de um justo sendo fervorosa pode muito. No evangelho de João (14.13), o Senhor Jesus deixa uma recomendação a seus discípulos: “Tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, isso vos farei”. O povo de Deus dirige-lhe suas orações e as submete a sua vontade, conformando-se a afirmativa ou negativa do Senhor Deus. Sabe que o Senhor responderá de acordo com o que for melhor para seus filhos para honra e glória de seu nome, I Jo 5.14. Muitas vezes os servos de Deus são mais abençoados quando não tem suas petições atendidas, assim deixam à vontade de Deus o resultado de suas petições conformando-se com ele.
Intercessão
A bíblia é riquíssima em exemplos de homens que se puseram a interceder, como o próprio profeta objeto de nosso estudo, mas quero falar, sucintamente, de um que acredito seja um dos grandes exemplos de intercessor do texto sagrado: Daniel.
No capítulo 9 do livro do profeta Daniel, o encontramos prostrado clamando a Deus em favor de seu povo, pela restauração de Jerusalém, pelo fim do cativeiro, que ele entendeu que estava chegando ao fim, ao ler as profecias do profeta Jeremias, “E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para O buscar em oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza.” (Dn 9.3).
Daniel conhecia como ninguém o terrível poder da oração, três vezes ao dia orava ao Senhor Deus, pelo que podemos entender, teve esta prática durante toda sua vida, o que com certeza lhe garantiu o sucesso.
Daniel fora movido pelo Espírito de Deus para que clamasse pelo povo em profunda intercessão e jejum, para que o cumprimento da profecia de Deus se cumprisse o retorno do povo de Israel à sua pátria. Sua oração foi ouvida, porém o inimigo tentou impedir a resposta de chegar, mas o servo do Senhor insistiu após alguns dias conseguiu obter a resposta esperada. O Senhor Deus mostrara o destino de seu povo e o final dos tempos (Dn 12).
Segundo os exemplos deste grande homem de Deus podemos ver que vale a pena nos dispormos a orarmos em favor de causas de outras pessoas, de nossa nação, nossos familiares. Como o profeta devemos nos dedicar a intercessão até que venha a resposta e andarmos nosso caminho até o fim confiando e descansando em nosso Deus.
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A intercessão do crente
Jesus em seu ministério terreno clamou em favor daqueles que veio salvar (Lc 19.10); chorou por conta da indiferença de Jerusalém (Lc 19.41). Orava por seus discípulos, por cada um deles e por todos (Jo 17. 6-26), também intercedeu por seus inimigos na cruz (Lc 23.34).
Em I Jo 2. 1, vemos o mestre como advogado, ou seja, aquele que intercede por alguém, este ministério continua sendo exercido por nosso amado salvador que intercede ao Pai por nós (Rm 8.34; Hb 7.25; 9.24; Is 53.12). No capítulo 17 do evangelho de João encontramos a oração intercessora de Jesus, o nosso amado mestre, clama a Deus, intercede por todos, inclusive nós, os que havíamos de ser salvos, e daqueles que ainda irão se salvar, veja só que maravilhoso exemplo para toda liderança cristã, como orar por seus liderados, para os pais, como orar pelos seus filhos. Segundo nota da Bíblia de Estudo Pentecostal deste texto (17.1) ao orarmos por aqueles que estão sob nossa responsabilidade, nossos propósitos devem ser: para que conheçam intimamente a Cristo e à sua Palavra; para que Deus os preserve do mundo, da apostasia, de satanás, do mal e das falsas doutrinas; para que tenham continuamente a alegria de Cristo; para que sejam santos em pensamento, ação e caráter; para que sejam unidos; para que levem outros a Cristo; para que perseverem na fé e finalmente para que habitem com Cristo no céu; para que permaneçam constantemente no amor e na presença de Deus.
No AT, os líderes do povo de Deus, reis, profetas e sacerdotes deveriam ser exemplos na oração intercessora. Como já foi citado anteriormente, exemplos que marcaram grandemente são as orações de Abraão por Ismael (Gn 17.18), Sodoma e Gomorra (Gn 18. 23-32); de Davi por seus filhos (2 Sm 12.16; I Cr 29.19); de Jó em favor de seus filhos e amigos (Jó 1.5; 42.10); Neemias (NE 1. 3-11). Moisés surpreende quando clama pelo povo e pede que o seu nome seja retirado do livro de Deus, e conforme a oração intercessora de Moisés o Senhor Deus perdoou ao povo.
No NT, encontramos também muitos exemplos de pessoas que intercederam em favor de outras (Mc 5.22-43; Jo 4.47-53; Mc 10.13; MT 8.6-13; Mt 20.20-21).
A igreja primitiva intercedia constantemente pelos fiéis. Por exemplo, a igreja de Jerusalém reuniu-se a fim de orar pela libertação de Pedro da prisão (At 12.5,12); a igreja de Antioquia orou pelo êxito do ministério de Barnabé e Paulo (At 13.3). Tiago em sua epistolo ordena veementemente que os presbíteros da igreja orem pelos enfermos (Tg 5.14) e que todos os cristãos orem uns pelos outros (Tg 5.16; Hb 13.18,19). O apóstolo Paulo em várias de suas cartas menciona a intercessão em favor de muitas igrejas e pessoas, além de pedir oração por ele mesmo, pois tinha conhecimento de que se não fosse auxiliado pelas orações e súplicas dos santos o exercício de seu ministério não seria bem sucedido. (Rm 15.30-32; 2 Co 1.11; Ef 6.18-20; Fp 1.19; Cl 4.3,4; 1 Ts 5.25; 2 Ts 3.12).
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Propósitos da oração intercessora
Nas ocasiões em que os servos de Deus intercederam ao Senhor, seus propósitos eram: para que Deus suspendesse o juízo (Nm 14.13-19), que restaurasse o povo (Ne 1; Dn 9), que livrasse as pessoas do perigo (Rm 15.31), que abençoasse o seu povo (Sl 122.6-8; 1 Rs 18.41-45). Os intercessores também oravam para que o pode do Espírito Santo viesse sobre os santos (At 8.15-17; Ef 3. 14-17), para que alguém fosse curado (1 Rs 17.20-23; At 28.8), pelo perdão dos pecados (Dn 9), para Deus dar capacidade às pessoas investidas de autoridade para governarem bem (1 Cr 29.19; 1 Tm 1.2), pelo crescimento na vida cristã (Fl 1.9-11), por pastores para que sejam capazes (2 Tm 1.3-7), pela obra missionária (MT 9.38), pela salvação do próximo (Rm 10.1) e para que os povos venham louvar a Deus (Sl 67.3-5). Qualquer coisa que a Bíblia revele como a perfeita vontade de Deus para o seu povo pode ser um motivo adequado para a oração intercessora.
Conclusão
O amor entre os cristãos reflete a comunhão entre o Pai e o Filho e manifesta o poder sobrenatural da obra redentora de Cristo, nosso amado salvador.
Quando há o genuíno amor entre os santos, é possível sentir angústia, tristeza, dor, sofrer como o profeta Jeremias sofreu por seu povo. Será que estamos sofrendo com tanta tristeza, com a perdição da nossa sociedade, com a devassidão, com a dor daqueles que estão próximos a nós e também daqueles que estão distantes, por exemplo, famílias atingidas por catástrofes naturais; sabemos que é cumprimento da profecia, mas o que estamos fazendo?
O ministério da intercessão não é opcional, não é obrigação das senhoras do Círculo de oração das igrejas, mas é um imperativo para todo aquele que se diz salvo na pessoa de Cristo.
Poderíamos ser muito mais abençoados se em lugar de pedirmos, clamássemos em favor dos necessitados, das causas do Reino. Muitas vezes os propósitos divinos podem ser impedidos de serem realizados com maior presteza por falta de intercessão da igreja, como por exemplo, o envio de missionários, o Senhor Jesus orientou para que clamássemos ao Senhor da seara para que envie ceifeiros, estamos fazendo isso? Ou estamos preocupados com nossos problemas apenas, com as nossas bênçãos?
É um imperativo do Evangelho, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
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Referências
BÍBLIA. Português. A Bíblia Vida Nova. Almeida Revista e Atualizada.
BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Pentecostal. Almeida Revista e Corrigida.CPAD, 1995. CRABTREE. Asa Routh. Teologia do Velho Testamento, 4 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1986. DAVIS. John D. Dicionário da Bíblia. Trad. Rev. J. R. Carvalho Braga. 7 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1980.
Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. R. Laird Harris organizador. Trad. Márcio Loureiro Redondo, Luiz Alberto T Sayão, Carlos Osvaldo C. Pinto – São Paulo: Vida Nova, 1998.
Jeremias e Lamentações. Série Cultura Bíblica. Trad. Hans Udo Fuchs. 1 ed. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1980.
LINDSAY. Gordon. Oração e Jejum a chave mestra para o impossível. Rio de Janeiro: Graça Editorial, 1997.
MCNAIR. S.E. A Bíblia Explicada. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.
São Bernardo do Campo, 28 de abril de 2010.
Carolina Souza Silva2
Revisão Teológica
Valter Borges dos Santos3
2
Superintendente da EBD – AD Thelma. E-mail: [email protected]