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Teologia Sistemática

Patriarcado de Lisboa| Instituto Diocesano de Formação Cristã Escola de Leigos | 1º Semestre 2014/2015

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Tema da sessão - Eclesiologia

Paulo, testemunha da Ressurreição do Senhor. 1. Dados gerais (biográficos) acerca de Paulo.

2. As estratégias missionárias do cristianismo dos primeiros tempos. 2.1. A estratégia missionária judeocristã.

2.2. A estratégia missionária helenista. 2.3. A Assembleia de Jerusalém.

2.4. O conflito de Antioquia. 3. Testemunha do Ressuscitado.

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Dados gerais (biográficos) acerca de Paulo

 Vamos olhar um pouco para Paulo…

 Paulo era Galileu por Nascimento. Os seus pais viviam Giscala (hoje Jish), uma aldeia nos montes da alta Galileia.

 Quando tinha dois anos de idade, os seus pais foram deportados e vendidos como escravos. A sua nova morada foi Tarso

 Os pais de Paulo terão sido escravos de um cidadão Romano. Quando obtiveram a liberdade, eles terão adquirido a cidadania romana.

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Dados gerais (biográficos) acerca de Paulo

 Os seus Pais deveriam ter tido um certo desafogo na vida quando ele atingiu a idade da adolescência. Dois indícios levam-nos a tirar esta conclusão:

1. Paulo considerava o trabalho manual como escravizante (cf 1Cor 9, 19) e humilhante (cf 2Cor 11, 7).

2. As cartas de Paulo mostram a sua excelente formação tanto na área religiosa como na laica.

 Paulo conhecia muito bem as escrituras hebraicas, traduzidas em Grego (cita-as cerca de 90 vezes). Era mestre em escrita e organização de pensamentos e argumentos.

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Dados gerais (biográficos) acerca de Paulo

 Paulo era judeu, convicto de pertencer a um povo único, separado dos outros. A Lei de Moisés marcava a sua vida.

 Certamente passou por Jerusalém, onde terá estudado retórica (o estudo durava 4 anos).

 Em Jerusalém, tornou-se fariseu (Fl 3,5). Terá lá estado no tempo de Gamaliel I.  Não temos notícia de que se tenha encontrado alguma vez com Jesus.

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Dados gerais (biográficos) acerca de Paulo

 O seu presente era dominado pela Lei de Moisés. Observava

meticulosamente todos os mandamentos. O Messias seria uma personagem do futuro. Paulo chegaria à comunidade do Messias no futuro se fosse capaz de cumprir escrupulosamente a Lei.

 A proposta que os seguidores de Jesus faziam seria de todo inaceitável por Paulo. Só havia um caminho de salvação: o cumprimento da Lei.

 O seu zelo pela Lei levou, então, Paulo a perseguir aqueles que estavam errados e ameaçavam a Lei.

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Dados gerais acerca de Paulo

 Testemunha do Encontro  Act 9, 1-19; Gal 1, 11-16a

 A profundidade desta experiência vai acompanhando-o ao longo da vida, o seu verdadeiro alcance vai sendo descoberto ao longo da vida (1 Cor 9, 1; 1 Cor 15, 7-8.

Por detrás desta experiência está o acontecimento central da Ressurreição (1 Cor 15, 12-14)

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Dados gerais acerca de Paulo

 A expressão que Paulo utiliza em 1 Cor 9, 1 “Vi Jesus Nosso senhor” pode perfeitamente ser entendida como: descobri Jesus [como] Senhor nosso.

 Em 2 Cor 4, 6, utilizando uma linguagem batismal, refere-se à iluminação do coração - reconhece a presença de Deus em Jesus Cristo.

 Pelas cartas paulinas sabemos muito pouco acerca do modo concreto, e dos detalhes, como essa experiência de encontro terá ocorrido.

 Mas sabemos que essa experiência procede da revelação e da descoberta de Jesus como o messias.

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Dados gerais acerca de Paulo

 A revelação que Jesus faz não tem pois a ver com temas particulares,

doutrinas, ou normas. Estas coisas vai Paulo conhecê-las, aprendê-las, aprofundá-las e desenvolvê-aprofundá-las ao longo do seu contacto com as diversas comunidades

cristãs.

 As consequências do encontro com o Ressuscitado não se impuseram a Paulo de golpe, num só e único momento; foram-se tornando claras de um modo

paulatino , à medida que aprofunda o s eu viver e o seu agir.

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 A Estratégia Judeocristã:

 Legítima e fundamentada em Jesus.

 A formação do novo povo começaria certamente ligado ao povo judeu, através de uma missão concretamente dirigida a ele.

 A partir de Israel, prepara-se a renovação de todos os povos da terra.  Não exclui os gentios. Estes, serão naturalmente incluídos, a partir da matriz judeocristã.

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 Os acontecimentos do ano 70, precipitam tudo…

O judaísmo sofre uma concentração e uma uniformização.

Este processo terá sido muito duro, mas favoreceu a formação de uma identidade própria destas comunidades.

A comunidade de Jerusalém vai ocupar neste processo um papel muito importante. Vai crescer o judaísmo como expressão nacionalista.

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 Tem várias sensibilidades:

 Uma ala mais radical (Paulo, duramente, chama-os «falsos irmãos») - exigem a circuncisão dos que se convertem do paganismo.

 Uma posição intermédia (Tiago, que desempenhou papel de chefia nesta comunidade) – tentam impor algumas das práticas legais.

 Outros mais moderados (Pedro – pela Carta aos Gálatas, vemos que ele, em Antioquia, aceita as práticas mistas daquela comunidade; depois,

adopta algumas imposições da comunidade de Jerusalém, para salvaguardar a unidade.

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 A estratégia missionária helenista

 Legítima, e fundamentada em Jesus.

 Desde o primeiro momento, a congregação do povo messiânico completo integra os judeus e os gentios.

 Terá tido a sua origem na Palestina, saindo cedo fora deste âmbito -talvez também por causa da hostilidade do judaísmo

 Nas primeiras décadas, já há testemunhos da sua presença nas grandes cidades da bacia do mediterrâneo

.

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 Transformam-se aspetos da prática da missão:

 Linguagens, categorias e paradigmas são repensados, pois a cultura, os costumes, a maneira de viver destas populações é claramente diferente.  Altera-se o método de testemunho e transmissão.

 Algumas das práticas legais distintivas do judaísmo: circuncisão, o descanso sabático, o calendário das festas, as normativas alimentares e outras não poderão servir de base para a vida comunitária.

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 A estratégia da corrente helenista era, formar o povo messiânico uno e

universal, integrado tanto por judeus como por gentios, sem diferença alguma entre eles.

• De notar que a perseguição do grupo cristão de Damasco por parte do próprio Paulo (e por parte dos judeus daquela cidade), mostra-nos a existência, fora da Palestina, por volta do ano 33, de um grupo desta

sensibilidade, que já estava organizado como uma comunidade separada da sinagoga judaica. Paulo não foi, pois, o fundador desta corrente cristã

aberta ao mundo dos gentios como frequentemente se afirma. No entanto, sem dúvida que foi um dos seus representante mais destacado, e que a

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As estratégias missionárias dos primeiros tempos

 Estas duas sensibilidades são igualmente legítimas e têm na sua base discípulos de Jesus. Estes tiraram diferentes consequências:

 Da mesma experiência pascal.  Do começo da era messiânica.

 A organização de cada um destes grupos seguiu caminhos diferentes.

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A Assembleia de Jerusalém

 Antecedentes (breves).

 Paulo converte-se a caminho de Damasco, passa pela Arábia, permanece algum tempo em Damasco, alguns dias em Jerusalém (onde está com

Pedro), vai depois para Antioquia, onde começa a extensa atividade missionária com Barnabé.

Antioquia era uma cidade com grande tolerância na integração entre

cristãos oriundos do judaísmo e dos gentios. Os judeus talvez se reunissem na sinagoga; os fiéis gentios provavelmente em casas (originando as «igrejas domésticas»). Surge um problema: quando judeus e gentios partilham os alimentos à mesma mesa que fazer?

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A Assembleia de Jerusalém

 Act 15, 1-3

 Entretanto, haviam descido alguns da Judeia e começaram a ensinar aos irmãos: «Se não vos circuncidares segundo a norma de Moisés, não

podereis salvar-vos. Surgindo daí uma agitação e tornando-se veemente a discussão de Paulo e Barnabé com eles, decidiu-se que Paulo e Barnabé e alguns outros dos seus subiriam a Jerusalém, aos apóstolos e anciãos, para tratar o problema. Eles, despedidos afavelmente pela Igreja, atravessaram a fenícia e a samaria, narrando a conversão dos gentios e causando grande alegria a todos os irmãos. Chegados a Jerusalém, foram acolhidos pela Igreja, pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo o que Deus fizera junto com eles.

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A Assembleia de Jerusalém

 A Assembleia (Gal 2, 1-10)

 Paulo Barnabé e os outros vão a Jerusalém mandatados pela comunidade de Antioquia.

 Esta delegação pretende defender a missão aos gentios e o seu acolhimento como membros de pleno direito da comunidade, sem que seja necessária a circuncisão, ou as observações da lei judaica.

 Em rigor, mais do que pedir a legitimação, Paulo vai tentar que se elimine a oposição que dificultava a missão aos gentios. Paulo não duvida da verdade, da importância e da necessidade deste anúncio.

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A Assembleia de Jerusalém

 Terá havido dois momentos de negociação:

 A assembleia plenária (cada parte mantem a sua posição)

A negociação com os notáveis terá sido diferente. O texto diz claramente que estes não impuseram nada, o que excluiria a imposição do famoso decreto de que nos fala Act 15, 20.23-29. Terá havido um (largo) diálogo entre as partes, refletiu-se a missão aos circuncisos e a missão aos

incircuncisos. No fim terão chegado a um acordo.

O acordo não se refere contudo a divisão geográfica, ou étnica da missão. Reconhece os dois tipos de missão existentes (Comunidade de Jerusalém e a Comunidade de Antioquia).

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A Assembleia de Jerusalém

 A coleta de que se fala no fim, pode ser entendida como demonstração de efetiva comunhão entre ambas as comunidades (a ocasião talvez tenha sido a escassez de alimentos padecida em Jerusalém por causa do ano sabático que iria de Outono de 47 a Outono de 48).

 O acordo desta Assembleia foi decisivo para a história posterior do cristianismo.

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O conflito de Antioquia

 Mas os problemas não ficaram resolvidos…

 Como gerir a comunhão de vida numa comunidade cristã mista de judeus e gentios? (Isso aconteceu em Antioquia )

 Como proceder quando se encontrassem num mesmo lugar de missão estas duas sensibilidades? (isso terá acontecido na Galácia e terá sido um dos motivos que levou Paulo a escrever estes texto da carta aos Gálatas)  Como reagiriam os chamados «falsos irmãos»? Não foi fácil manter uma posição intermédia e eles foram exercendo cada vez uma pressão maior…

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O conflito de Antioquia

 O conflito de Antioquia (Gal 2, 11-14)

 Pedro incorporou a comunidade de Antioquia

 O texto refere um antes e um depois. A causa da mudança terá estado na chegada de certos indivíduos enviados por Tiago.

 Essa delegação terá vindo tornar efetivo o signo de comunhão da

coleta, e terá julgado também necessário regular a comunhão dos membros judeus e dos membros gentios a partir da lei judaica.

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O conflito de Antioquia

 Terá sido por isto que foi redigido o famoso decreto (em Actos), que apresenta o acordo fundamental alcançado na Assembleia de Jerusalém.  Diante de todos, Paulo denuncia esta situação. Como critério de

discernimento vai ser assinalado a «verdade do evangelho», segundo o qual no novo povo messiânico já não estão vigentes as divisões da humanidade velha (Gal 3; 23-28).

 Os textos não nos dizem explicitamente o que terá acontecido. Talvez Paulo tenha perdido esta disputa.

 Terá havido uma certa estabilização na relação entre estas duas comunidades. Pedro desempenhou um papel fundamental. E começa a ‘converter-se’ no

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O conflito de Antioquia

 Paulo não continua mandatado por Antioquia.

 Surge uma questão fundamental: terminando a sua relação com Antioquia, quem o credita Apostolicamente? Qual é a base de legitimidade para a sua atividade missionária?

 Ele tinha recebido diretamente do Senhor a vocação de ser apóstolo dos gentios…

 Dá-se uma alteração na maneira de se apresentar. Agora, como nos testemunha Gal 1,1, Paulo apresenta a sua missão a partir do próprio Ressuscitado e já não a partir do envio da comunidade de Antioquia. O testemunho vivo das comunidades por ele fundadas são o testemunho da

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Testemunha do Ressuscitado

 Encontro com o Ressuscitado.

 Marca um antes e um depois.  Acompanha-o ao longo da vida.  O seu viver e agir:

 Brotam desse encontro,

 Alimentam-se desse encontro continuado,  São testemunha desse encontro.

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Testemunha do Ressuscitado

O anúncio do evangelho só poderia ser verdadeiramente consistente tendo como base uma existência partilhada em comunidade.

E nesta comunidade o amor é o único imperativo da nova Lei. Este foi a característica da humanidade de Cristo e é o conteúdo do único verdadeiro preceito que permanece (Gal 5, 14; Rom 13, 8-10; 1Tes 4,9).

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Orientações Bibliográficas

AAVV, Olhares recentes sobre S. Paulo, in Didaskalia Volume XXXVIII, fasc 1 (2008).

Jerome Murphy-O’Connor, Paulo. Um homem inquieto, um apóstolo

insuperável, Paulinas, Lisboa 20082.

Senén Vidal, Pablo de Tarso a Roma = Presencia Teológica 158, Sal Terrae, Santander 2007.

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Teologia Sistemática

Patriarcado de Lisboa| Instituto Diocesano de Formação Cristã Escola de Leigos | 1º Semestre 2014/2015

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