MARIO JORGE
DE
ALMEIDA
CARVALHO
L'ROiILOIAS
FINDAVIF.NTAĨS
DF
FFXQMF.lVOf OOU
D4
FfMTfT»FIII
NOTAS
E
BIBLIOGRAFIA
LISBOA
i9%
NOTAS
Por uma
questão
deeconomia,
não sedão nas notas senãoindicaQÔes
bibliograficas
muito sumarias que se aehamcompletadas
nabibliografia.
1
J VV GOETHE. Xenien. Aus dem
Nach/ass,
+5 in:Werke,
I.Abteilung,
V,
p. 2752
E
indispensavei
fomecer um esciarecimentoprelimmar
destanoQão.
a que sempre de novo serecorre no eurso do trabalho e que constitui nele um
operador
fundamental. Arespeito
do senttdo em que se fala do nossoponto
de vista são dados elementos noponto
1.3.1 e não e necessáno por ora adiantar nada. Mas a proprtanoQão
de ponto de vista presta-se a equivocose suscita dificuldades. que é
indispensavei
prevenir. circunscrevendo tãoprecisamente
quantopossívei
o sentido em que eusada,
o seufundamento,
etc..Lma
nocão
como a deponto
de vista aparece-nos por um lado marcadapeio
facto de haverum uso comum (de tal modo que não raroouvimos,
lemos.produzimos
enunctados como "do meu ponto devista",
"é um ponto de vista". "esse e o seu ponto devista,
etc.)
Esse usocomum faz que a
nocão
seja entendivei semdificuidade,
não constitumdo so por si motivo deperplexidade
(so o constituindo se a suautilizaQão
se desviar doquadro
de utilizacãoconsagrado
pelo
uso) Havendo assimeondicôes
para que anoQão
possa ser entendida semdificuldade,
o entendtmento queeorresponde
a este uso comumtende,
por outrolado.
a serdifuso,
poucopreciso
— não estabelecendo de forma muitounidade,
o "bioco" em que os seus eomponentes habitualmente estão fundidos—se se passa a eonsidera-la a
partir
dessas diversaseomponentes
(ponto''
de vtsta)— talconsideragão
pode
gerar
aíguma
perplexidade
arespeito
do seu sentido. Emais ainda
quando
dela sefaz
um uso insistente ('e um usoalargado
emreiaQão
ao que e eomum). como sucede aapresente
mvestigacão
De sorte quepode.
porexempio,
pareeer estranho que se faie de ponto de vista (esempre de novo de ponto de vtsta),
quando
claramente sepercebe
que se tem em mente aapresentacão
das coisas
com que se esta. com toda agrande
multiplicidade
daquilo
auecomporta.
Em
primeiro
Iugar,
embora nanoQão
deponto
de vista se faie de ponto.aquiio
que neiaestaemjogo não e
algo
de simpies(ou
quasesimples.)
mas de facto umarmiltiplicidade
— e ate mesmo umamultiplicidade
bastanteampla.
numerosa. A chave danoQão
está nocompíemento
determinativo. Eaquiio
aparttr
doquai pode
ser entendida e precisamente a "vista"—e :amo quer
dizer
ao mesmo tempo uma situacão de acesso. deapresentacão
(de
veralgo.
no modo como habitualmente vemos) e oapresentado
(o que se *emvisto.
avista)
nessasttuaQåo
Ou
seja.
a ehave da nocão,aquiio
apartir
da
qual
deve ser entendida, ealgo
que se caractenzaprecisamente por nunca ser
simples
(por
nunca ser apenas umpontoi,
por comportar sempre i.imamultiplicidade
(de
tai modo que, por mais confinado que seja. fica sempre mutto lonee de sersimples
e de ter o que quer queseja
decorrespondente
a umponto).
Sendo
assiim
que senttdo tem atntroduQão
danoQão
de ponto neste eontexto—eomo se anicula ela com essamultipiicidade
sempre presente em toda equalquer
"vista" ?Qual
o nexoentre os dois elementos da nocão
complexa
'ponto
devjsta'
e que e que se traduz nessecomplexo
■O propno uso eomum aa
noQão
dá tndicacôes eiaras a esterespetto.
Quando
se fala deponto de vista. aintenQão
que se tem e em regra a de introduztr uma restricâo na "vista" que edestgnada
deste modoQuando
se faia de ponto ie vista (e se diz "esse e o stu ponto devista".
"de um ponto de vista < ou/",
ete.). o que se acentua ai-espeito
da "vista' -aa■ipresemacão.
daperspectiva)
ae cada vez em causa e .jue se irata de uma vista que íão esgota. de uma vista suieita ;i um uuuuuer condicionamento ou ũuc de ajgum modo consente aiternativas: ouiras '" istas' 'outrasapresentacôes)
diferentes
deia. jue vêem de outro moao)
designa
uma vista(uma
apresentacão,
umaperspectiva)
que não é a umcapossívei
sobre o seuobjecto
—de talmodo
que não tem
forQosamente
de se ver assimMas. sendo
assim.
porque razão a ideia derestrtQão
esta associada anoQão
de ponto. porque razão e esta que a
expressa9 Porque,
embora o uso eomum o mais das vezes não tenha emreferéncia
senão esta ideia vaga derestnccão
(sem maisdeterminaQÔes.
semquaiquer
especificaQão
decaractensticas
—dotipo
derestriQão
de que se trata, doque
e que aproduz),
defacto.
no sentidoproprio,
no sentido que deuorigem
ânoQão.
arestrÍQão
de acesso em causa nela não é umarestrÍQão quaiquer.
mas umdetermmado
tipo derestricão.
oumelhor,
umdeterminado
tipo
deorganizacão
das restricôes a que estão suieitas as vistas. as persnec-tivas que somos capazes de ter Mais precisamente, o que esta emjogo
nanoQão
e o condicionamento por umfactor
giobal
dedeterminaQão
do alcance. de tal modo que ascaractensticas e
restncôes
de
toda aapresentaQão
que se temdependem
do
mesmofactor de
condicionamento.
E todaamultiplicidade
do que estaapresentado
edeterminada
(no queinciui.
no que não inclui e na forma como
inclui)
por um mesmo pnncipioglobal
de condicionamentoque em toda ela se refiecte. E isso—
e
especificamente
e aforma
como severifica
aigo
deste genero no casoda
visão—que esta na
origem
da
expressão
ponto
de vista econstitui o sentido propno danoQão
Pois caractenza aapresentacão visual,
tai como ocorre em nos. que as earactensticas do que se temapresentado
vanam consoante oponto
decolocaQâo
doobservador
(o
"'ugar
de onde" davisãoî.
De sorteque a cadacolocaQao
diferente
corresponde,
mesmo não havendo
qualquer
outramodifîcacão.
umamodtficaQão global
detodo o visto(tudo
tido
de um outroânguio,
eom outrarepartÍQão
das panesvistas
e nãovistas.
outrapostcão
de cada coisa no campo visuai. etc.) De tai modo que de cadacoiocaQão
do observador resultauma vista
diferente.
propna dessacoiocaQão.
que so sepode
ter a partirdela. E de tai modo que para eada realidade visuai(para
cadamultiplicidade
'ndimensional quecorresponde
a eadaobiecto),
ha umamuitiplicidade
mutro numerosa de vistasdiferentes,
eonsoante o ponto de quee obser\fada (consoante a distância. o iado. o
ãngulo
que esse ponto ierine na suareiacão
com eia) 0 que mtroduz precisamente uma forma de restricão proprta daapresentaQão
visuai: toda eia. semexcepcão.
está semore de algmn modo restringida na anresentacão do seu ohiecto. vê-o sempre rie (a partir de) um dado oonto e de ta! forma que e determinadapeio
sistema de condicionamento/alcance/restricão que dele resuita. Ou seia. nenhumaapresentacão
visuai Je'
Ihe
eorresponde
(sem deixar apossibilidade
de sercomplementada
por ouíras) Inere aapresentaQão
visual o estar por suacropria
naturezadispersa.
dtsseminada,
por umamultipíicidade
deperspectivas
complementares,
todas deixando
defora
aigo
que outras captam. cada umaganhando algo
que noutras não se tem De sorĩe que não epossivei
tê-ías
simultaneamente atodas,
antes so em alternativa. E de sorte que cada uma quede
eaaa vez setem
perde
tudoaquilo
que deproprio
seadquire
em cada uma de todns as ontra>Dado esse nexo de
condicionamento (essa
impiicaQão
que acolccaQão
doobservador.
oponto
de que sevé.
tem sobre adeterminaQão
da vista quepode
haver apanir
desse
ponto— sobre orespectivo
alcance,
ascaractensticas do que vê e asiimitacôes
a que estasujeita).
ponto de vista nãosignifica
so oponto
propriamente
dito (oiugar.
aposiQåo.
enquantotal)
mas. por extensão, tambem o condtcionamento de vista que Íhecorresponde
e a visia assim condicionada (aperspectiva
relativa.finita, condicionada,
que sepode
:er apartir
dele. E estetipo
de conexão que esta na ongem danoQão
aeponto
de vista como nocãofixa.
signincanao não umponto
do espaco mas um determmadotipo
ueapresentaQão
E estettpo
de conexão que esta naorigem
do
que encontramos no seu uso mais comum. E e este ttpc de apresentacão fmita. reiativa a um condicionamento. consentindo alteraativas e constituindo um modo deapresentacão
entre outrospossiveis
(um modo de apresentacão que ao mesmo temoo quemostra, também
esconde)
que se tem em referência ao usar-se .1 nocão ie ponro de vista ia îbrma como sefaz
neste trabalho.De
raiz,
anocão
de ponto de vista esta,assim.
associaca a um determmaao conjunto depropneaades
da visão—eespecificamente
a ideniificacao ãa rbrma comc as suasearactensĩicas esíâodependentes
da sttuacão ao observadcr no espaco. A proprta exoressão iponto de vista) traduz estadupla
conexão e 0 caracterespectfico
iofenomeno
por eia referenciado.Mas. por outro lado. sendo essa a sua matnz. isso não
impede
que 1nocão
*enha sidoalargada. desprendendo-se
dessaiigaQão
especifica.
soffendo
extensôes epassando
a referír outras ipresentacoes compropriedadei;
de condicionaiĩientoanalogas
1 essas que no caso aa ■■■isão são Jeterminadas oeiovinculo
i*o espaQO.5
especifico,
estrito,
que é o da suaorigem,
que estaaqui
em causa— mas umsentidoalargado,
solto dessacircunscricâo.
sem víneulo a elaEste e o
segundo
aspecto
queimporta
realQar
para acaracterizaQão
do sentido em que semprede novo, no curso destetrabalho,
sefaJa
de ponto devista.
Mas,
porque entretanto sãopossíveis
variasiinhas
dealargamemo
danocão
íevárias
sãoas que
tiveram desenvoivtmento
na suahistoria),
porque esse
alargamento
pode
tr mais ou menoslonge
e conduzir ahoqôcs
mais ou menos precisas. com maior ou menor carga dedeterminaQão.
importa
precisar
quelinhas
deaiargamento
supôe
autilizacâo
que aqut se da ånoQão
de ponto de vista. ate onde e que vai nodesprendimento
emrelaQão
aosentido estrito
eque conjunto de
aeterminaQôes
na verdade comporta. Háalargamentos
eaiargamentos
— e se, porexempio,
tambem o uso comum danoQão
de ponto devista
corresponde
a umaiargamento
Jo seu sentidoonginal.
aacepQão
em que nestetrabalho
se tala do nosso ponto de vista ébastante diferente
da quecorresponde
ao uso comum e temoutrasimpiicaQôes
0
alargamento
danoQâo
e o seudesprendimento
do campo defenomenos
que Ihe serviu de matnz
pode,
emprimeiro
iugar.
advir de umaemancipacão
reiativameme
aosentido literal
quer da
noQão
de"ponto"
quer da nocão de "vista"Por um
lado,
comefeito.
não e so no campo davisão
(em
sentido propno.estrito)
que se
verifica
otipo
decondicionamento
e deapresentaQão
relativa que anoQão
de ponto de vtstarefere. ?or
exemplo
tambem no campo daauaicão
severifica
umestado-de-coisas
semelhanîe— mesmo queisso
possa ser menosnítido.
tambem nela aposicão
no espacocondiciona
erestringe
aapresentacão
que se tem. ae tai modo que esra vana consoante aqueia Por outrolado,
tambem não e so o espaco e aposÍQåo
do observador no espaQO que condicionam aapresentacão
que setem porforma
tal que eiae relativa aposÍQão
emque seconstitui.Tambem.
por
exempio,
aposÍQão
doobservador
no tempo. aposicão
— o"ponto"—
que se ocupa namuitipiicidade
que Ihecorresponde
(e a relacão que o ponto deobservaeão
tem com os outros niomentos damuitiplicidade
temporal
e emparticuiar
comaqueies
em que *e situaoobservado)
inten'ere no modo como se vé. condiciona i
apresentacão
que se tem e por tal forma quetambem
aqui
a mesma reaiidade assume aspectos muitodiversos
consoante o'ãnguio' temporai
é
Mas este e apenas um aspecto A
noQão
de pontc devista
pode
desvincuiar-se
da sualigaQão
ao espaco ('e 10eondicionamento
resuitantedeie)
ainda de muitas
outrasformas
—que envolvem uma
diminuÍQão
doparalelismo
emrelaQão
amatriz (a
estrutura docondicionamento
ciavisão
pela
posiQão
:kj espaQO apartir
daqual
se ve). mascorrespondem
aidentificacão
de outrasmodalidades
decondicionamento. constiruidas
de mododiferente,
mas apesar de tudoanalogas
a essa. De talmodo
que a nocão de ponto de vistapode
irbastame lonee
noalargamento
emreíacão
ao entendimento a que estava associada na suaorigem
e passa a ter uma esfera deaplicacåo
muito maisampla,
muito menosregional
■\ssim,
independentemente
dasrestriQôes
de condicicnamento impostaspeia iocalizacãc
espácio-temporal.
sâoidentiricáveis
naperspeetiva
que îemoscondicionamentos
derelatividade
resultantes de iiaver limiares da nossacapacidade perceptiva.
de ser restrito otipc
dedeterminaQÔes
a que somossensiveis
e de não havei totalcorrespondênca
entre asdeterminaQÔes
a que recorre aapresentacão
que temos eaquilo
que porventura haindependentemente
deia. Sãoidentificaveis condicionamentos
ae reiatividade resultantes de haver interferéncias de interesse no modo como vemos ('de sorte aue, consoante a ortentacão deinteresse,
assim tambem muda o aspecto com que as cotsas seapresentam).
São identificaveis condicionamentos de reiatividade resultantes do dominio de aparatosconceptuais
:ueconsentem altemativas— da
dependéncia
de teses. modos de ver, etc, que são comummente sustentados dentro ae determinados gmpos sociais em aetermmadas cuituras i'e reinam com"evidéncia"
total no seuquadro).
mas não têm aceĸacão e parecem mdo menos evidentes aa;aoutros gmpv)s e outras cuituras. eic.
E variavei a reiacão de
anaiogia
uue estesdiversos
conaictonamentos tém com a estramra de condicionamento de ieiatividadeproduzido
peia
iocaitzacão noespaQO (e notempo). Mas haum nucieo fimdamental de semeihanca—
que passa
peía
circunstârcia
de em todos esses casos ascondicôes
deconstituicao
do acesso que se tem inrerfenrem nooroprio
conteuoodaquiio
a que se acede. E por -ai forma que iperspectiva
assim ccnsntuída e reíativa a essas ccnaicães. temalgo
deproprio
que resuita deias (e. ao mesmo empo uue (iá a ver— aomesmo -emcc
que abre. expoe,
pôe
"em contaeto" eom isso que mcstra ou seia :omaquilo
que e conforme a essascondÍQÔes
—tambem esconde (fecha./
o modo
absoluto
de ter not.c.a deias— mas um modoentre outros,
contmgente,
dependente
decircunstâncias.
A
-denttficacão
de umapiuralidade
de factores decondicionamento
como estes e o
correspondente
alargamento
dosentido
danoQão
de ponto devista
nãointroduz
apenas umamodtficaQão
semântica.Corresponde
a umamodificaQão
(de
que se
pode
ter umaconsciência
mais ou menosaguda)
das caractensticas comque a
apresentaQão
que temos se apresenta. AidentificaQão
de umapluralidade
de aspectos como osreferidos faz
que o caracter
condicio-nado,
reiativo.
deixe de aparecer como umfenomeno
de mcidênciaregional,
afectando
so estes
ou
aqueles
aspectos circunscntos noquadro
daapresentaQão
que se tem(um
fenomeno
cujadetecQão
deixa todos os outros momentos daapresentaQão
numavalência
de não-reia-tividade—
livres
dequaJquer
restriQâo.
nãoafectados
porquaiquer
carácter
condicionado).
De tal modo que, se seultrapassar
o registodisperso
desses factores
e seforem
agregados
numaidentificaQão
conjunta,produz-se
umaconsiderável
revisâo daapresentaQão
que se tem. da
forma
como e somenterelativa,
da extensão em que o é. etcMas o que de momento nos importa e
precisamente a
modificaQão
semântica danoQão
de ponto de vista— amodificaQão
semântica que resulta daidentificaQão
desses
outros
factores
decondicionamento
erelattvidade
daapresentaQão
e de tambern eles seremdesignados
a parttr de umaanalogia
com ocondicionamento
que alocaiizaQão
noespaQo
produz
a respeito da visão. Em virtude dessamodificacão.
ponto devista
passa asignificar
umtjjyo
derestriQão
(um
tipo
dereiatividade,
umtifio
decondicionamento)
daapresentaQão
a que se tem acesso.mdependentemente
daforma
comoespecificamente
seproduz
essarelatividade
e restncão, auerdizer,
ja
semquaiquer
vinculo
apeculiar
estmmra deeondicionamento
em causa na ongem da
expressão
(e de tacto tambemjá
semqualquer circunscriQão
aosdiversos
modos aecondicionamento
que ae cada vez se achamidentificados.
antesabrangendo
esses e todos os outros que ainda estejam por detectar mas quecorrespondam
a essetipo
decondicionamento).
•Ponto de vista', passa. deste modo. a eonstituir umanoQão
formal. aberta. quecompreende
todos os modos decondicionamento
ereiatividade
desse iwo(sejam
eies quaisforem)
De maneira que, para ,:e converter emaigo
de concreto. tem precisamente de ser"desformaiizada"
emĸientificaQÔes
eoncretas doscondicionamentos
de que decaaa vez se trata—do sentido em
que estas e
aquelas
apresentacôes
que temos sao meros'pontos
de vista"s
Assim,
independentemente
dos termos em que se acha expresso esublinhando
o carácter formal de que se reveste.pode adoptar-se
o enunciado de CHLADENIUS a respeito danoQão
deponto
de vista(Einleitung
zurrichtigen Auslegung verniintTtiger
Reden und Schriften.p 187);
Diejenigen
Umstánde unserer Seele. Leiber und unserergantzen Person,
welche machen. oder Ursachesind,
da|3
wir uns eine Sache so, und nicht anders vorstellen.wollen wir den Sehe-Punkí nennen. VVie nemlich den Ort unseres
Augens,
und inshesondere die
Entfernung
von einem Vorwurffe. die Ursache ist.dap
wir ein solches Bild,und kein anderes von der Sache bekommen. also
giebt
esbey
ailen unsernVorstellungen
einen Grund. warum wir die Sache so und nicht anders erkennen. und dieses ist derSehe-Punckt von derselben Sache '
E neste sentido desvincuiado do contexto original. e neste sentido alargado.
analogico.
formal. aberto. que a
noQão
deponto de
vista é usada nestetrabalho.Alias,
adesvincuiaQão
relativamente ao contextoorigmai.
aautonomizaQão
relaîivamente aeie. a abertura para outras
formas
decondicionamento
e asubstituÍQåo
do sentido "iiteral"peio
sentido'analogico"
constituem tragos dominantes da hustôna da propna nocão. De sorte que.ao usá-la assim num sentido
ja
totalmente desvincuiado do contextooriginai,
não se tazvioléncia a
tradÍQão
em que se insere nem se introduz nada de novo De facto. semeihantedesvanculaQão
eautonomizaQão
esta tão associada a nocão de ponto de vista e etradicionalmente tão ilimitada que
ja
noproprio
uso que LEIBNIZ raz do lermo íum uso"ciássico",
que constituiprovavelmeme
umdos mais
deciíivosíactores
da suadifusão)
a nocáojompona uma radicai
suspensåo
do modeloespaciai
que vem aa ^ua origem. E ceno que LEÎBNIZ recorre muitas vezes a esse modeioespaciai
(aposicão
no espaco. ao punctumvisus, intuentis situs. etc. ) como modelo de suporte para mtroduzir a
noQão
de ponto ue nsta■ef.
designadamente
G.i.
pp. 10. 19. 20,69,
I50s...
?;>?. GJL pn IQ. 5T. Q8. 45S. G.IIL ^p557,
623. 036. G. IV. pp. 434. 438. 477. 484 . 530, 553 s . G. V. pP 50. o5. 578. G.VL ppl,:rs..
327,
599,
o03,
616.
G.VĩI. pp 120. 452. 542 s. ::o. 5c?u 5.. Grua l. pp :57s.. 26o. Couu. pp 'Os . 15. 52!. Akau. VI II. p. 504) e exore^mente detenvúive esse t.coc-ío emreoetidas ilustracoes como a das diven;us vistas de uma mesma ciciade. erc. L ecno aue. dessa
forma.
asproprieuaues
io espaco e a sua interferência na.isão
aparecem como ;eferc.T;CÍa "9
representaQôes obscuras,
derepresentaQÔes
claras.
derepresentaQôes
distintas
— e tanto quer dizer ao mesmotempo.
dafalta de
representaQôes
sequerobscuras,
dafalta
derepresentaQôes
ciaras.
da falta derepresentaQÔes
distintas,
dafaíta
derepresentacôes
adequadas,
da raita derepresentaQôes
intuitivas—
que,segundo LEIBNĨZ,
fazem.
na ordem da propnaapresentaQão.
que o acesso que se tem constitua um meroponto
devista).
Mas. detacto,
e o mesmo LEIBNIZ queinsistentemente
retira ao espaQo o caracter de referência absoluta com quefigura
nesse modelo(e
sem oqual
o modelo caipela
base).
e o mesmo LEIBNIZ que reduz oespaQO (e todo o conjunto de
relaQôes
de ordemespacial)
a um mero correiato de umarepresentaQão
coníiisa
(cf.
porexempio,
G.I,
p392,
G.lJ.pp.99.
101,
118s. I69s.. 195. 336.379,
435,
438,
510, G.UI,
pp. 595. 612, 622 s., 674.G.IV.
pp. 483. 491.568. G.V,
pp 205s .G.VIĨ,
pp.3
14,322, toda
acorrespondéncia
comClarke
(e
emparticular
pp375ss. 395s,
400-415), 461.467s., Cout..
pp 522-523i De tal modo que, defacto,
mesmo noque diz
respeito
avisão
propriamente
dita,
oentendimento
do ponto de vista apartir
dareferência
ao espacorica
apresemado
como umaforma condicionada. relativa,
deencarar ecompreender
ofenômeno do
ponto
de vista—ou seja. como um mero ponto de vista
sobre
ofenômeno
do ponto de vista e sobre aforma
decondicionamento,
de reiatividade que lhecorresponde.
E de taimodo
que a
noQão
de ponto devista
seemancipa
do modeio"'espaciaP
de queprovém
e se autonomizapor
inteiro.
Pelo que apersisténcia
do modeio•'espacial"
nasexposÍQôes
aeLEÎBNÍZ
nãocorresponde
senão amais
um caso de"acomodaQão
asexpressôes
tradicionais"(cf.
NouveauxEssuis III. G.V,
p67).
de"practicologia"
(cf.
Discours demétaphysique.
XXVIIG.IV,
10
pp 7-17. I91ss.. em
especiai
20 1-2!2;
sobre asnoQÔes
de "sistemacomum",
"sistema
novo",
enocôes
paralelas.
bem como aoposicão
entre"ngor
metaíisico"
e"acomcdaQão'"
V aspassagens recenseadas por
SCHL'pLER.
op. cit . na nota66,
pp17-18).
A
referencia
a LEÍBNIZpermite, ja
desde
opnncípio.
dar umamedida
daampiitude
dedesvinculaQão
do contextooriginal
íde passagem a um sentido meramenteanaiogico,
tbrmal)
que caractenza o uso que
aqui
se da anoQão
de ponto devista.
Esse uso e não menosaberto,
náo menos autonomizado reiativamente ao contexro
original,
que o de LEIBNIZMas há ainda um outro aspecto de
desprendimento
damatriz
e deaJargamento
em reíacão a eia que. emboraesteja
de
aigum
modoiniplicado
no quejá
sefocou.
não se achasuiicientemente
posto em reievo a partir do que se disse (e que. não sendo expressamentesublmhado.
pode
passardespercebido
e não serlevado
em conía—quando
de facto é deimportåncia
decisiva).No sentido
originai
da nocão, o caracier condicionado e relativo do que edesignado
comoponto de vista não afecta
signiricativamente
apretensáo
natural daapresentacâo.
não a oôe cmcausa no seu estatuto. não
desortenta.
não crtaperpiexidade.
Insere-seperfeitamente
noregime
deauto-avatiaQão
natural do acesso sem operturbar
e sem por minimamente "emxeque'
aversão nele
vigente
Se a nocão de ponto de vista envoive umarestrÍQão.
uma ncta de relati-vidade(a
admissâo dealtemativas,
etc ). o âmbito deincidência
arespeito
doquai
o faz e um âmbito circunscrito que. como se disse. deixasubsistir
muitos outros aspectos da aoresentacãocompletamente
livres
dequalquer
marca de reiatividade ourestrieâo
—sem nada cue os afaste
de uma 'vaîiaade irrestnta" De :ai modo que.
globalmente.
iapresentacão
man:em-se marcadapor uma validade dessa ordem De
íacto,
apropria
relatividade
daapresentacãc
/isuai
e asrestrÍQôes
de alcance que ihecorrespondem
parecem 'naturais' e não são encaradas comocomprometendo
minimameme a suadieacia
oupondo
deaigum
modo em causa o estatutodaquiio
(íuese tem ao tê-ĩa.Em suma. no contexto
primittvo.
a identiîicacão docondicionamento
em causa nap.oqĩo
ienonto de
vista
e. no îuncamentai.perfettamente
mocua.Ora. sendo assim. o
desnrenaimento
em :e:acão ao xu;e\:o »MÍm:tivo e i:cen.î:iicacãc
■!os uiieremes faercres je
ecnuicionamento
e relaiividude utiu ífecînm a acrc-ĩ:e:iiaeáo de que
d'.spomos
>ão suscepnveis .:c fazer descu:;n: ov.ouuieionamento
e a rc!attv:cr.ae daIĩ
deixa
incolume,
já
nãocorresponde
apenas a umaparticularidade
semconsequências
demaior
(que
nãoatinge
a"paz",
a seguranQa, o estatuto semproblemas
daapresentaQão),
antes apôe
efectivamente
"emxeque", perturbando
o seu estatuto,tomando-o
problemático
Ouseja,
adescoberta
de outrosaspectos
decondicionamento
(de
outros modos de aapresentaQão
que setem ser apenas um
ponto
devista)
pode
fazerdesaparecer
o que anoQão
deponto
de vistaprirmtivamente
tem deinôcuo
eprecipitar
aapresentaQão
numasituaQão
(numaauto-avaliaQão,
numa
tixaQão
do seuestatuto)
muito diferente
daquela
em quedesprevenidamente
sepresume: numa
situaQão
em que se revelaradicaimente condicionada, radicalmente
reiativa— e a tal ponto que temdiíiculdade
emperceber
aqueé que
equivale,
qual
é o seuproprio
estatuto.Esta
mudanQa
—esta
perda
do
carácterinofensivo
—comeQa a
desenhar-se ainda
mesmo dentro do contextoprimitivo
danoQão,
quando
ocondicionamento
pela posÍQão
noespaQO deixa de ser considerado so no
âmbito
de espaQos restritos(aceitando
o sistema dereferenciais
em
cujo quadro
seinserem
e emfunQão
doqual
seacham
deíinidos)
e se entra no examedesse
mesmo
sistema
dereferenciais
e dapossibilidade
de tambem eledepender
daposiQão
doobservador
Acontecejustamente aigo
destegénero
com adeterminaQão
do alto e do baixoque também eia e
condicionada,
não tem o caracter"irrelativo"
que areiativnzaQão
da visãosempre de novo tende a deixar subsisttr.
Assim,
como porexemplo
seformula
no De doctaignorantia
deNICOLAU
DECUSA.
para umobservador coiocado
na terrasob
opolo
nortedo hemisfério
celeste e para umobservador
colocado neste mesmopolo
adefiniQão
daposÍQão
respectiva
e do sistema deposicôes espaciais
em que seintegram
ecompletamente
diferente.
Para oobservador
colocado na terra, opolo
esta no zemte e eleproprio
está no centro, para o observador colocado nopolo.
o pnmeiro é que esta no zenite, eleprôprio
esta no centro. 0mesmo sucedendo tambem com o
pôlo
antárctico e com arelaQão
entre umobservador
colocado nele e umobservador colocado
na terra De tai modo que. paraqualquer
dos
observadores colocados nos
polos.
elesproprios
estão no centro e a terra esta no zenite— nãose
conseguindo
fazer"congnm-"
estesdiferentes
sistemas dedeterminacôes
para osquais
o mesmo e simuitaneamente centro e zenite(ou
ocupa umaposÍQão completamente
diferente num sistema em que tanto o eentro como o zemte não coincidem comeie)
e ticandoperturbado.
quanto ao seu estatuto. todo o ststema de"direcQÔes
noespaQo"
que normaimente parecepacífico
e irreiativo (cf. De doctaignorantia
II11(161)).
Vlesmojá aqui,
oalargamento
da12
aspectos
de relatividade que corroemmais
aimpressão
dedominio
naturalmentevigente
e comque se
experimenta
maior ditículdade em lidarIsto constitui somente um
exemplo
dotipo
deagravamento que
adescoberta de mais
factores
derelatividade
pode
trazerconsigo
— e umexempio
ainda relativamenteinocuo,
queesta ainda muito
longe
dotipo
deperturbaQão
que adetecQão
de outrosfactores provoca.
Mas por orapode
bastar para derimr esta outradirecQão
detransformaQcão
danoQão
de ponto de
vista a da nãoretenQão
numaesfera
departicularidades
mais
ou menosinocuas
do acesso quese tem. a da não
circunscnQão
da relatividade a aspectos mais de pormenor dentro dequadros
(de
sistemas dereferência)
eles propnos de modo nenhumatingidos
porquaiquer
reiativizaQão
—a da extensão da reiatividade a esses mesmos
quadros
e a aspectos mais"virulentos",
que abalam maisprofundamente
a seguranQado acesso que setem.Se espontaneamente se tende a nao associar a nocão de ponto de vista a nenhuma
perturbaQão
desta ordem(de
tal modo quede facto
se mantem afastada daideia
de uma taiperturbaQão).
o que esta emjogonela,
apartir
do
momento em que sedesprende
doquadro
ini-cia! e passa acorresponder
a umtipo
decondicionamento
erelativtdade
e aabranger
todososdiversos factores
quecorrespondem
a esse tipo, envolve a possibilidade dessaperturbaQão
—tudo
dependendo
do ponto a que vai ocondicionamento
e a relatividade a que aapresentaQão
de que
dispomos
defacto
se venhaarevelarsujeita.
Neste sentido. ao usar-se
aqui
anoQão
deponto
de vnsta, ela e aberta tambem no que dizrespeito a medida em que o tacto de ter o carácter de um mero
ponto
de \ista esusceptiveí
aeperturbar
o estatuto daapresentacão
que se tem e não esta presa aosentido
mais ou menos anodino de que se reveste no entendimento mais comum.E
precisamente
assim,
comtodo
estedesprendimento
da matrtz(e
tanto quer dizer:1)
comum
aiargamento
a todos osfactores
de condicionamento emfunQão
aos quaispode
ser restrita e reiativa aapresentaQão
que se tem e. 2)suspendendo
apresuncão
queinexplicitanente
reduzesses
factores
aparticularidades
mais ou menosinofensivas
e abrindo apossibtiidade
de o caractercondicionado
e reiaiivo daapresentacão
sermuito
maisperturbante
do
que esponta-neamente se pensaeenvolver
mesmo umaradical
perturbaQão
do estatuto daapresentacão
• que seusa aquianocão de ponto de vista13
consequéncias
efectivamente se revestem. etc. Dequaiquer
modo,
aodesignar-se
assim.
desdeo
principio.
aapresentaQão
em que estamosconstituidos
(este
acontecimento
delucidez
em quenos achamos e
aquilo
que se encontra tidoneie) antecipa-se já
que essaapresentaQão
esta mar-cada por condicionamentos destetipo
e que osresuitados
a que ainvestigaQão
conduz a descobrem mesmo tão marcada porisso que levama fazersurgir
adesignacão
deponto
de vtsta(que
a descrevepela
referência
a essetipo
decondicionamento)
como adesignaQão
mais
apropnada
parafalar
deia.0 que. entretanto, não
pode
ser entendtdo sem se esclarecer ainda um outroaspecto
dealargamento
eemancipaQão
do sentidoongmal,
que nãofoi
focado.
mas eigualmente
decisivopara a
conformaQão
danoQão
deponto
devista,
tal como sempre de novo é usada no curso dapresente
investtgaQão.
No sentido mais estrito (e
naquele
que está naorigem
danogão).
ponto
de vista é cadasituaQão
diferente daapresentaQão
(no sentidoliteral.
cadalocalizaQão
no espaQO, cada"localizaQão"
notempo.
cada umdos diversos condicionamentos
cuiavariaQão
determinamudanQas
naapresentaQão
que temos). De tai modo quemuitasmudanQas
por que passamos nocurso natural das nossas vidas
correspondem
precisamente
amudanQas
de ponto de vista(no
espaQO, no tempo, no
interesse
que nosmotiva,
quanto
ao sistema de crenQasvigente
no meio social que nos rodeia e sob cuja"pressão"
nos achamos postos, etc. etc). E de tal modo que.pelo
menosnalguns
aspectos,
o que caractenza o curso normal daapresentacão
que temos éprecisamente
uma muitorrequente
e mesmo uma continua ouquase contmuavanacão
doponto
de vista em que se esta.Nesse
sentido,
não resulta imediatamente claro como e que sepode
falar a nossorespeito
deum ponto de vista. 0 que parece e que se deveria falar de uma
pluraiidade
(e de umapluralidade
muito numerosa) depontos
de vistadiferentes.
por que sucessivamente se vaipassando
no curso daapresentacão
quese tem.Que
sentidopode
ter. então. o uso danocão
nosingular'7
Que
sentidopode
ter falar-se donosso ponro de vista. do
ponto
devista em que se esta (ouseja. sugenndo aigo
de permanentee decontínuo). como desde o
principio
e semprede novo sucedena presenteinvestigacão9
?or um lado. embora efectivamente aconteQa que se vaipassando
por uma sucessão depontos de vista e que a
mudanQa
deles e constante ou quase constante. isso nãosignifica
deu
inteiramente
';estanques':
uns emrelaQão
aos outros, semqualquer ligaQão
entresi. Sucede
pelo
contrario
que a passagem por essa sucessão de pontosde vista diferentes
produz
precisamente
alguma
"tusão",
conjugaQão
deles
e asuperaQão
darestnQão
prápria
decada
um. TalintegraQão
nãoequivale
âcompleta
conjunQão
de tcdos osdiferentes
pontosde vista
porque
sucessivamente
se passou— como se. semperdas,
seintegrassem
uns nos outros eformassem
umaperspectiva aiargada
que os somasse.Mas,
por outroíado,
constituiaigo
tambem muito
diferente
da absolutaperda
de
tudo o quevai ficando
paratras na passagem deuns
pontos
devista
para os outros. De tai modo que aperspectiva
que de cada vez setem nãoesta absoiutamente circunscrita ao
ponto
de visîa (nesse sentidoestrito)
que de cada vez seocupa, não esta fechada por toda a
"earga"
derestriQão
que lhecorresponde,
mas aberta paralá desse
ponto
devista,
deaJgum
modo em contacto com o seu"extenor,
com um alcancemaior
do que o dele—passada
"para
iã*"
do quepropriamente
está â mostra nele. Se ha umacontinua ou quase contmua
variaQão
deponto
devista,
no sentido mais estnto. o acesso deque se
dispôe
não se atém absolutamente a cada umdos
passos dessavanaQão.
Corresponde
de cada vez a um desses"passos"
e a uma como que 'resuitante" dos pontos de vistajá
atravessados no curso da propna
variaQão.
Por outro lado. sedeste modo a
propria
vanacãofazultrapassar
arestnQão
dos diversospontos
de vista a cujo percursocorresponde
epermite
aconstituÍQão
de um acesso subtraidoao conrinamento de cada um
deles.
mesmo admitindo que aintegragão
dosdiferentes pontos
devista
sefizesse
semqualquer perda
(o que. como se apontou. estalonge
de ser ocaso),
odescontinamento
que assim seproduz
e apenas o deseontinamentocorrespondente
aosdiferentes pontos de vista
percorndos
nessa variacão De taJ modo que, adespeito
do caracterdesconfinado
que tem relativamente a cada um dos pontos de vistapercomdos,
o propnopercurso (e o acesso
alargado
deleresuitante)
e aindacominado
emrelacåo
aos outros pontosde
vista
que não cobre. que deixa defora.
E de taJ modo aue a ĩotalidade do percurso feito (eo acesso
alargado
deleresuitante)
tem, embora noutra 'escala". caractensticas aecondicionamento e de
restrÍQão,
deconfmamento.
anaiogas
as de cadaponto
devista
que ointegra
—constituindo.
nesse
sentido.
de cada vez um ponto de vista.Vlas mais. Não acontece so que. assim. o percurso de cada vez reaiizado e o que deie
15
percurso de cada vez
já
levado aefeito)
esteja
tambémela
sujeita
a um condicionamentorestritivo
— de sortequetodo o percurso a que
pode
conduzir
<e todo o desconfmamento deleresultante)
corresponde
ainda a umdeterminado modo de
ver, aoâmbito
de umconjunto
deapresentaQôes
que. diferindo entre si.pertencem
todas a um mesmotipo
de 'Vista'". que de facto étodo
ele relativo. consente alternativas. tem um "exterior" Ouseja,
epossivei
que toda avariaQão
esteja
presa de um condicionamento eseja
vanaQão
na 'área fechada" dessecondicionamento,
no"'circuito fechado"
dele.É
possível
quetodo
o âmbito da variacão ao alcance(mesmo
daquela
que decada
vez estáainda
por levar acabo)
corresponda
a uma 'Vista" maisabrangente
(de
que de cada vez temos soparte),
mas que. conquanto maisdesconfinada,
depende
ainda de umdeterminado condicionamento,
é relativa a ele. admite alternativas e tem um carácterfechado,
retido,
análogo
ao davista
que se tem so a partir deum dado
ponto
do espaQO. Por outraspalavras,
épossiveí
que toda avanaQão
que tem cabimentoesteja
retida
dentro de umquadro
fixo e que todas as diferentes"vistas"
a que avariaQão
da acesso constituam umamultiplicidade
por sua vez também eiagiobaimente
dependente
de umcondicionamento
(ou
de umsistema
decondicionamentos)
esujeita
a umconíinamento
(ou
a umconjunto
deaspectos
deconhnamento)
analogos aqueles
que para cadauma deias se
mamfesta
narespectiva
vanacão
E
justamente
neste sentido— e admitindo umatal
possibilidade
—que se
faia
aqui
dobalmente
do ponto de vista em que se está. nosinguiar. designando
dessa forma todo oquadro
do acesso emquese estaconstituidoA
designaQão
tem. destemodo.
umsigniíicado
corrector reiativamente apretensão
natural do acesso em que nos temos. oqual.
como se verá. tendejustamente
a não se ver como umponto
de vista. neste sentido— tende a manterafastada
de oi aequacionacão
destaspossibilidades.
Por outraspalavras.
ao falar-se sempre de novo do acesso em que se esta como ponto de vista, visa-sejustamente
marcar distância reiauvamenteapretensão.
que esse acesso naturalmente tem. de ser um acesso eficaz. ••transnarenĩe', em relacão á realidade— qne dáas coisas tai como são Ou
seja,
visa-se marcar diståncia reiativamente a suapretensão
cognoscitiva < apreíensáo.
que tem. de constituir conhecimento. v.o sentidoproprio
erbrte.
uue e o que naturai e
mexplicitamente
vigora eaqueie
que se acha expresso por PLATAO. por16
Yvcôvai
dbg
£<jti
_.ĩô_&i?;
",
cf
478a "i!Ejutaxfi^iTi
uév
yé
Jtoi)£7ti
xæôvu>_-£_qv
yvcovai
á).£_Í££i;
Naí.
".subl
m IDito
de outromodo,
ao îaiar-se sempre de novo deponto de vista. visa-se
qualquer
coisa de semeihanteaquiJo
que está emjogo
natradÍQão
tilosofica.
quando
— como desdeos
primordios
(cf.
porexempio,
K. vonFRÍTZ.
Die Rolíedes vovq,
apud
H.-G. GADAMER(ed.),
Uin
dieBegrifFswelt
derVorsokratiker,
pp.246-363)
passando
porPlatão.
etc—considera
a
possibilidade
de o acesso. aapresentaQão
de
quedispomos
ter umcarácter
nãocognoscitivo,
ouseja,
visa-sealgo
de semelhanteaquilo
que tambem seesboQa
naoposiQão
kantiana entre "Frkenntnis" eYorstellungsart
' e naatribuiQão
de um estatuto de meraVorsteilungsart"
atodo
oplano
em que nos encontramos(que
e o que está emjogo
na chamada"revoluQão copermcana'i
Porque.
entretanto, ^o oprôpno
cursoda
investigaQão
pôe
a claro de quemodo
e a queponto
o acesso de que sedispôe
pode
ter essa índole nãocognoscitiva
e constituir. dessaforma.
um meroponto
devista,
adesignacão
que seadopta
desde o comeQO tem um caraeterantecipatorio
relativamente ao curso ulterior e um senttdo que sô sepode
tomar concreto eciaro a
partir
dele.Esciarecido
assim. numafixagão
prehminar,
osignificado
que anoQão
deponto
de vistasempre de novo tem neste trabaího. cumpre ainda assinalar uma outra
acepQão.
diferente dessamas
ligada
a ela. em quealgumas
vezes tambem se emprega o termo—aacepQãc
que está emjogo
quando
se riiia de ter ou não terponto
de vista paraacompanhar
isto ouaquiio
Essa outra
acepcão
radica no mesmocomplexo
de renomenos epropriedades
da visão deque provem a
propria expressão
:*ponto
de vista" e que. como seobservou,
está naorigem
daprimeira
—aacenruacão eque e diferente.
Na
esfera visual.
amultipiicidade
depossibilidades
decoiocaQão
do
observador— amultipiicidade
dosdiferentes
oontos devista
—faz.
como se
disse.
que cada ponto ue vistaproporcione
aaquisÍQão
dealgo
(envoiva um"ganho")
ao mesmotempo
que fazperder
todo
o conjuntodaquiio
quecorresponde
ao"ganho"
proono ce cada um dos outros Consoante aeapacidade
do observador. cadaponto
de vistatem um detenrunado"ânguío"
e um detcnr.inadoTaio"
de alcance—- umconjunto
deobjectos
uue são MSiveis a partir deie—17
objectos
de quepermite
veralguma
coisa,sim,
mas emcondÍQÔes
queimpedem
oudificultam
oseu reconhecimento
(quer
porque ha realidadesinterpostas
que Ihe ocuitampartes,
quer porque
a
apresentaQão
que se tem não ésuficientemente
abrangente
paraabarcar
o tododesses
objectos,
quer porque oångulo
deapresentaQão
provocaparalaxe,
quer porque adistância
aoobjecto
e demasiada e nãopermite
divisar
bem as suascaracteristicas, etc). Inversamente.
cadaobjecto
ou cadacomplexo
de reaiidades que ocupa umadeterminada
postcão
noespaQo tem
um
conjunto
depontos
devista
em cujo alcance cai e umconjunto
depontos
de vistarelativamente
aosquais
ĩicacompietamente
fora
de alcance— e. deentre ospontos
de vista emcujo
aicancecai,
temaqueies
a que dealgum
modo
seapresenta
mas que não témcondÍQôes
para o
reconhecer
bem ou semdificuídade
e umconjunto muito mais restrito
de pontosde vista
capazesde o
reconhecerem bem, facilmente
e empleno
Cf porexempio
PLATÃO.
Sophista,
234b-234d.
2366.
Leges.
663c Philebus 38 c.41-42a.
WSCHAPP.
Beitrage
zurPhánomenologie
derWahrnehmung,
pp.59ss..
E
precisamente
nestesentido
e apartir
desta
diferenQa
que sepode
falar
de ter ou não terponto de vista para
algo.
Não ter ponto de vista paraaigo signiíica
não ter umaposÍQão
deacesso para
chegar
aisso
e para oacompanhar
semdificuidade
oudistorQão
Terponto
devista
paraalgo significa
.pelo
contrario. ter essaposÍQão
deacesso.Sendo este o contexío em que tem
origem
anoQão
deponto
de vnsta para (e adiferenca
entre ter e não ter ponto de vista para, que ihe
corresponde).
também a esterespeitoo uso que
aqui
se Ihe dácomporta
umalargamento,
desprendendo-a
da matrizinicial
e rransienndo-a paraum registo
analôgico.
quecorresponde
a todas as diferentesformas
deconaicionamento
ao acesso quepodem
fazer quealgo
se mantenha iatente ou se mamfeste e.mamfestando-se,
aicance ou não um reconhecimento e umacompanhamento
cabal dadeterminaQão
que tem(de
como e, do que se passa
consigo).
S6 que o que neste caso e sujeito aalargamento
e esseaspecto
particular
dadiferenca
entre pontos uevista na suareiaQão
com osobjectos
Tal como a
primeira.
tambem esiasegunda
acepcão
da nocão de ponto de vista tem baseno uso
tradicionai
— e mesmo um rimdoenraizamento neie. de tal modo aue constitui uma das
ÍS
II,
p.304).
Esta
"especializaQão"
dosentido é
tambemfortemente
sugerida peia
fcrma
como asrepresentaQÔes
pictoricas
requeremdeterminadas
coiooaQoes
doobservador,
para seremdevidamente
contempladas
('cf.
porexemplo
PASCAL.
Pensées. 21)—particuiandade
queainda mais
agudamente
sefaz
sentir no caso daschamadas "an.amorfoses"'.
que sopermitem
oreconhecimento do que têm
figurado
apartir
de uma determinadaposiQão.
de umdeterminado
ponto
de vista ou de umdeterminado
modo de verícf.
porexempio,
LOCKE.
AnEssay
Concerning
HumanUnderstandins.
II. 2°. 8.LE13NLZ. G.V
p.23c.
G. VI.
p 197. JBALTRL'SAITJS.
\namorphoses
etperspectives
curieuses)
Mas. como de restoia
em LEIBNIZ e emPASCAL.
também atradicão
deste use da nocão de ponto de vista estaampiamente desprendida
daacepcão
Siterai que se acha na suaorigem,
de :ai modo quepeio
menos desde o
finai
do seculo XVIII que aacepQâo
anaiogica
é corrente edesempenha
umpa-pel
reievante natermmologia
filosotica(assim,
porexempio.
em DE LAROCHEFOUCAULD,
LICĨTTENBERG. BECK.REĨNHOLD,
FICHTE— para asreferéncias
texruats e para umie-vantamento mais
compieto.
cf
K.RÔTTGERS.
art. cit.('inffa.
p20).
emespeciai
pp 259$s.—tambem
emKIERKEGAARD,
porexempio.
SV. XIII. 68-76. 55Iss ,Pap
VII 1 \99).
Finaímente—
e para conciuir o
esclarecimento
prelimmar
do uso que se da a nocão deponto
devista
—cumpre
fazer
tambemalgumas
precisôes
acerca da nocão de horizonte.Pois,
comefeito.
fora dos casos em que eempregada
numaacepQtão
especiai
(que
a seu rempo se eiucidara). usa-se anoQão
de honzonte como nocão correiata da de ponto de ista inão no sentido de "nonto de \istapara".
queacabou
de sefixar.
mas no sentidoque antes seáeíineou)
Tai como anoQão
de doiiîo ue vista. tambem a nocão ie honzonte radica emfenomer.os
;proDnedades
da visão
—e de rai formaque
designa
a totandadeda "vista' que-:e tem a pantrae cadacoiocaQão
no espaQO Nestesentido.
aquilo
que anoQâo
dehonzonte
expressa e um correiato do renomeno de condicionamento e deoendência a que a nocão deponto
cie vistaaiude— e a cada oonto de vista eorresnonde tim determinado mio de aicance: ■> <eu