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MARIO JORGE DE ALMEIDA CARVALHO

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(1)

MARIO JORGE

DE

ALMEIDA

CARVALHO

L'ROiILOIAS

FINDAVIF.NTAĨS

DF

FFXQMF.lVOf OOU

D4

FfMTfT»F

III

NOTAS

E

BIBLIOGRAFIA

LISBOA

i

9%

(2)

NOTAS

Por uma

questão

de

economia,

não sedão nas notas senão

indicaQÔes

bibliograficas

muito sumarias que se aeham

completadas

na

bibliografia.

1

J VV GOETHE. Xenien. Aus dem

Nach/ass,

+5 in:

Werke,

I.

Abteilung,

V,

p. 275

2

E

indispensavei

fomecer um esciarecimento

prelimmar

desta

noQão.

a que sempre de novo se

recorre no eurso do trabalho e que constitui nele um

operador

fundamental. A

respeito

do senttdo em que se fala do nosso

ponto

de vista são dados elementos no

ponto

1.3.1 e não e necessáno por ora adiantar nada. Mas a proprta

noQão

de ponto de vista presta-se a equivocos

e suscita dificuldades. que é

indispensavei

prevenir. circunscrevendo tão

precisamente

quanto

possívei

o sentido em que e

usada,

o seu

fundamento,

etc..

Lma

nocão

como a de

ponto

de vista aparece-nos por um lado marcada

peio

facto de haverum uso comum (de tal modo que não raro

ouvimos,

lemos.

produzimos

enunctados como "do meu ponto de

vista",

"é um ponto de vista". "esse e o seu ponto de

vista,

etc.)

Esse uso

comum faz que a

nocão

seja entendivei sem

dificuidade,

não constitumdo so por si motivo de

perplexidade

(so o constituindo se a sua

utilizaQão

se desviar do

quadro

de utilizacão

consagrado

pelo

uso) Havendo assim

eondicôes

para que a

noQão

possa ser entendida sem

dificuldade,

o entendtmento que

eorresponde

a este uso comum

tende,

por outro

lado.

a ser

difuso,

pouco

preciso

— não estabelecendo de forma muito

(3)

unidade,

o "bioco" em que os seus eomponentes habitualmente estão fundidos—

se se passa a eonsidera-la a

partir

dessas diversas

eomponentes

(

ponto''

de vtsta)— tal

consideragão

pode

gerar

aíguma

perplexidade

a

respeito

do seu sentido. E

mais ainda

quando

dela se

faz

um uso insistente ('e um uso

alargado

em

reiaQão

ao que e eomum). como sucede aa

presente

mvestigacão

De sorte que

pode.

por

exempio,

pareeer estranho que se faie de ponto de vista (e

sempre de novo de ponto de vtsta),

quando

claramente se

percebe

que se tem em mente a

apresentacão

das coisas

com que se esta. com toda a

grande

multiplicidade

daquilo

aue

comporta.

Em

primeiro

Iugar,

embora na

noQão

de

ponto

de vista se faie de ponto.

aquiio

que neiaesta

emjogo não e

algo

de simpies

(ou

quase

simples.)

mas de facto uma

rmiltiplicidade

— e ate mesmo uma

multiplicidade

bastante

ampla.

numerosa. A chave da

noQão

está no

compíemento

determinativo. E

aquiio

a

parttr

do

quai pode

ser entendida e precisamente a "vista"—

e :amo quer

dizer

ao mesmo tempo uma situacão de acesso. de

apresentacão

(de

ver

algo.

no modo como habitualmente vemos) e o

apresentado

(o que se *em

visto.

a

vista)

nessa

sttuaQåo

Ou

seja.

a ehave da nocão,

aquiio

a

partir

da

qual

deve ser entendida, e

algo

que se caractenza

precisamente por nunca ser

simples

(por

nunca ser apenas um

pontoi,

por comportar sempre i.ima

multiplicidade

(de

tai modo que, por mais confinado que seja. fica sempre mutto lonee de ser

simples

e de ter o que quer que

seja

de

correspondente

a um

ponto).

Sendo

assiim

que senttdo tem a

tntroduQão

da

noQão

de ponto neste eontexto—eomo se anicula ela com essa

multipiicidade

sempre presente em toda e

qualquer

"vista" ?

Qual

o nexo

entre os dois elementos da nocão

complexa

'ponto

de

vjsta'

e que e que se traduz nesse

complexo

O propno uso eomum aa

noQão

dá tndicacôes eiaras a este

respetto.

Quando

se fala deponto de vista. a

intenQão

que se tem e em regra a de introduztr uma restricâo na "vista" que e

destgnada

deste modo

Quando

se faia de ponto ie vista (e se diz "esse e o stu ponto de

vista".

"de um ponto de vista < ou

/",

ete.). o que se acentua a

i-espeito

da "vista' -aa

■ipresemacão.

da

perspectiva)

ae cada vez em causa e .jue se irata de uma vista que íão esgota. de uma vista suieita ;i um uuuuuer condicionamento ou ũuc de ajgum modo consente aiternativas: ouiras '" istas' 'outras

apresentacôes)

diferentes

deia. jue vêem de outro moao

(4)

)

designa

uma vista

(uma

apresentacão,

uma

perspectiva)

que não é a umca

possívei

sobre o seu

objecto

—de tal

modo

que não tem

forQosamente

de se ver assim

Mas. sendo

assim.

porque razão a ideia de

restrtQão

esta associada a

noQão

de ponto. por

que razão e esta que a

expressa9 Porque,

embora o uso eomum o mais das vezes não tenha em

referéncia

senão esta ideia vaga de

restnccão

(sem mais

determinaQÔes.

sem

quaiquer

especificaQão

de

caractensticas

—do

tipo

de

restriQão

de que se trata, do

que

e que a

produz),

de

facto.

no sentido

proprio,

no sentido que deu

origem

â

noQão.

a

restrÍQão

de acesso em causa nela não é uma

restrÍQão quaiquer.

mas um

determmado

tipo de

restricão.

ou

melhor,

um

determinado

tipo

de

organizacão

das restricôes a que estão suieitas as vistas. as persnec-tivas que somos capazes de ter Mais precisamente, o que esta em

jogo

na

noQão

e o condicionamento por um

factor

giobal

de

determinaQão

do alcance. de tal modo que as

caractensticas e

restncôes

de

toda a

apresentaQão

que se tem

dependem

do

mesmo

factor de

condicionamento.

E todaa

multiplicidade

do que esta

apresentado

e

determinada

(no que

inciui.

no que não inclui e na forma como

inclui)

por um mesmo pnncipio

global

de condicionamento

que em toda ela se refiecte. E isso—

e

especificamente

e a

forma

como se

verifica

aigo

deste genero no caso

da

visão—

que esta na

origem

da

expressão

ponto

de vista econstitui o sentido propno da

noQão

Pois caractenza a

apresentacão visual,

tai como ocorre em nos. que as earactensticas do que se tem

apresentado

vanam consoante o

ponto

de

colocaQâo

do

observador

(o

"'ugar

de onde" da

visãoî.

De sorteque a cada

colocaQao

diferente

corresponde,

mesmo não havendo

qualquer

outra

modifîcacão.

uma

modtficaQão global

detodo o visto

(tudo

tido

de um outro

ânguio,

eom outra

repartÍQão

das panes

vistas

e não

vistas.

outra

postcão

de cada coisa no campo visuai. etc.) De tai modo que de cada

coiocaQão

do observador resulta

uma vista

diferente.

propna dessa

coiocaQão.

que so se

pode

ter a partirdela. E de tai modo que para eada realidade visuai

(para

cada

multiplicidade

'ndimensional que

corresponde

a eada

obiecto),

ha uma

muitiplicidade

mutro numerosa de vistas

diferentes,

eonsoante o ponto de que

e obser\fada (consoante a distância. o iado. o

ãngulo

que esse ponto ierine na sua

reiacão

com eia) 0 que mtroduz precisamente uma forma de restricão proprta da

apresentaQão

visuai: toda eia. sem

excepcão.

está semore de algmn modo restringida na anresentacão do seu ohiecto. vê-o sempre rie (a partir de) um dado oonto e de ta! forma que e determinada

peio

sistema de condicionamento/alcance/restricão que dele resuita. Ou seia. nenhuma

apresentacão

visuai Je

(5)

'

Ihe

eorresponde

(sem deixar a

possibilidade

de ser

complementada

por ouíras) Inere a

apresentaQão

visual o estar por sua

cropria

natureza

dispersa.

dtsseminada,

por uma

multipíicidade

de

perspectivas

complementares,

todas deixando

de

fora

aigo

que outras captam. cada uma

ganhando algo

que noutras não se tem De sorĩe que não e

possivei

tê-ías

simultaneamente a

todas,

antes so em alternativa. E de sorte que cada uma que

de

eaaa vez se

tem

perde

tudo

aquilo

que de

proprio

se

adquire

em cada uma de todns as ontra>

Dado esse nexo de

condicionamento (essa

impiicaQão

que a

colccaQão

do

observador.

o

ponto

de que se

vé.

tem sobre a

determinaQão

da vista que

pode

haver a

panir

desse

ponto— sobre o

respectivo

alcance,

ascaractensticas do que vê e as

iimitacôes

a que esta

sujeita).

ponto de vista não

significa

so o

ponto

propriamente

dito (o

iugar.

a

posiQåo.

enquanto

tal)

mas. por extensão, tambem o condtcionamento de vista que Íhe

corresponde

e a visia assim condicionada (a

perspectiva

relativa.

finita, condicionada,

que se

pode

:er a

partir

dele. E este

tipo

de conexão que esta na ongem da

noQão

ae

ponto

de vista como nocão

fixa.

signincanao não um

ponto

do espaco mas um determmado

tipo

ue

apresentaQão

E este

ttpo

de conexão que esta na

origem

do

que encontramos no seu uso mais comum. E e este ttpc de apresentacão fmita. reiativa a um condicionamento. consentindo alteraativas e constituindo um modo de

apresentacão

entre outros

possiveis

(um modo de apresentacão que ao mesmo temoo que

mostra, também

esconde)

que se tem em referência ao usar-se .1 nocão ie ponro de vista ia îbrma como se

faz

neste trabalho.

De

raiz,

a

nocão

de ponto de vista esta,

assim.

associaca a um determmaao conjunto de

propneaades

da visão—e

especificamente

a ideniificacao ãa rbrma comc as suasearactensĩicas esíâo

dependentes

da sttuacão ao observadcr no espaco. A proprta exoressão iponto de vista) traduz esta

dupla

conexão e 0 caracter

espectfico

io

fenomeno

por eia referenciado.

Mas. por outro lado. sendo essa a sua matnz. isso não

impede

que 1

nocão

*enha sido

alargada. desprendendo-se

dessa

iigaQão

especifica.

soffendo

extensôes e

passando

a referír outras ipresentacoes com

propriedadei;

de condicionaiĩiento

analogas

1 essas que no caso aa ■■■isão são Jeterminadas oeio

vinculo

i*o espaQO.

(6)

5

especifico,

estrito,

que é o da sua

origem,

que esta

aqui

em causa— mas umsentido

alargado,

solto dessa

circunscricâo.

sem víneulo a ela

Este e o

segundo

aspecto

que

importa

realQar

para a

caracterizaQão

do sentido em que semprede novo, no curso deste

trabalho,

se

faJa

de ponto de

vista.

Mas,

porque entretanto são

possíveis

varias

iinhas

de

alargamemo

da

nocão

íe

várias

são

as que

tiveram desenvoivtmento

na sua

historia),

porque esse

alargamento

pode

tr mais ou menos

longe

e conduzir a

hoqôcs

mais ou menos precisas. com maior ou menor carga de

determinaQão.

importa

precisar

que

linhas

de

aiargamento

supôe

a

utilizacâo

que aqut se da å

noQão

de ponto de vista. ate onde e que vai no

desprendimento

em

relaQão

ao

sentido estrito

e

que conjunto de

aeterminaQôes

na verdade comporta. Há

alargamentos

e

aiargamentos

— e se, por

exempio,

tambem o uso comum da

noQão

de ponto de

vista

corresponde

a um

aiargamento

Jo seu sentido

onginal.

a

acepQão

em que neste

trabalho

se tala do nosso ponto de vista é

bastante diferente

da que

corresponde

ao uso comum e temoutras

impiicaQôes

0

alargamento

da

noQâo

e o seu

desprendimento

do campo de

fenomenos

que Ihe serviu de matnz

pode,

em

primeiro

iugar.

advir de uma

emancipacão

reiativameme

ao

sentido literal

quer da

noQão

de

"ponto"

quer da nocão de "vista"

Por um

lado,

com

efeito.

não e so no campo da

visão

(em

sentido propno.

estrito)

que se

verifica

o

tipo

de

condicionamento

e de

apresentaQão

relativa que a

noQão

de ponto de vtsta

refere. ?or

exemplo

tambem no campo da

auaicão

se

verifica

um

estado-de-coisas

semelhanîe— mesmo que

isso

possa ser menos

nítido.

tambem nela a

posicão

no espaco

condiciona

e

restringe

a

apresentacão

que se tem. ae tai modo que esra vana consoante aqueia Por outro

lado,

tambem não e so o espaco e a

posÍQåo

do observador no espaQO que condicionam a

apresentacão

que setem por

forma

tal que eiae relativa a

posÍQão

emque seconstitui.

Tambem.

por

exempio,

a

posÍQão

do

observador

no tempo. a

posicão

— o

"ponto"—

que se ocupa na

muitipiicidade

que Ihe

corresponde

(e a relacão que o ponto de

observaeão

tem com os outros niomentos da

muitiplicidade

temporal

e em

particuiar

com

aqueies

em que *e situao

observado)

inten'ere no modo como se vé. condiciona i

apresentacão

que se tem e por tal forma que

tambem

aqui

a mesma reaiidade assume aspectos muito

diversos

consoante o

'ãnguio' temporai

(7)

é

Mas este e apenas um aspecto A

noQão

de pontc de

vista

pode

desvincuiar-se

da sua

ligaQão

ao espaco ('e 10

eondicionamento

resuitante

deie)

ainda de muitas

outras

formas

que envolvem uma

diminuÍQão

do

paralelismo

em

relaQão

a

matriz (a

estrutura do

condicionamento

cia

visão

pela

posiQão

:kj espaQO a

partir

da

qual

se ve). mas

correspondem

a

identificacão

de outras

modalidades

de

condicionamento. constiruidas

de modo

diferente,

mas apesar de tudo

analogas

a essa. De tal

modo

que a nocão de ponto de vista

pode

ir

bastame lonee

no

alargamento

em

reíacão

ao entendimento a que estava associada na sua

origem

e passa a ter uma esfera de

aplicacåo

muito mais

ampla,

muito menos

regional

■\ssim,

independentemente

das

restriQôes

de condicicnamento impostas

peia iocalizacãc

espácio-temporal.

sâo

identiricáveis

na

perspeetiva

que îemos

condicionamentos

de

relatividade

resultantes de iiaver limiares da nossa

capacidade perceptiva.

de ser restrito o

tipc

de

determinaQÔes

a que somos

sensiveis

e de não havei total

correspondênca

entre as

determinaQÔes

a que recorre a

apresentacão

que temos e

aquilo

que porventura ha

independentemente

deia. São

identificaveis condicionamentos

ae reiatividade resultantes de haver interferéncias de interesse no modo como vemos ('de sorte aue, consoante a ortentacão de

interesse,

assim tambem muda o aspecto com que as cotsas se

apresentam).

São identificaveis condicionamentos de reiatividade resultantes do dominio de aparatos

conceptuais

:ue

consentem altemativas— da

dependéncia

de teses. modos de ver, etc, que são comummente sustentados dentro ae determinados gmpos sociais em aetermmadas cuituras i'e reinam com

"evidéncia"

total no seu

quadro).

mas não têm aceĸacão e parecem mdo menos evidentes aa;a

outros gmpv)s e outras cuituras. eic.

E variavei a reiacão de

anaiogia

uue estes

diversos

conaictonamentos tém com a estramra de condicionamento de ieiatividade

produzido

peia

iocaitzacão noespaQO (e notempo). Mas ha

um nucieo fimdamental de semeihanca—

que passa

peía

circunstârcia

de em todos esses casos as

condicôes

de

constituicao

do acesso que se tem inrerfenrem no

oroprio

conteuoo

daquiio

a que se acede. E por -ai forma que i

perspectiva

assim ccnsntuída e reíativa a essas ccnaicães. tem

algo

de

proprio

que resuita deias (e. ao mesmo empo uue (iá a ver— ao

mesmo -emcc

que abre. expoe,

pôe

"em contaeto" eom isso que mcstra ou seia :om

aquilo

que e conforme a essas

condÍQÔes

—tambem esconde (fecha.

(8)

/

o modo

absoluto

de ter not.c.a deias— mas um modo

entre outros,

contmgente,

dependente

de

circunstâncias.

A

-denttficacão

de uma

piuralidade

de factores de

condicionamento

como estes e o

correspondente

alargamento

do

sentido

da

noQão

de ponto de

vista

não

introduz

apenas uma

modtficaQão

semântica.

Corresponde

a uma

modificaQão

(de

que se

pode

ter uma

consciência

mais ou menos

aguda)

das caractensticas com

que a

apresentaQão

que temos se apresenta. A

identificaQão

de uma

pluralidade

de aspectos como os

referidos faz

que o caracter

condicio-nado,

reiativo.

deixe de aparecer como um

fenomeno

de mcidência

regional,

afectando

so estes

ou

aqueles

aspectos circunscntos no

quadro

da

apresentaQão

que se tem

(um

fenomeno

cuja

detecQão

deixa todos os outros momentos da

apresentaQão

numa

valência

de não-reia-tividade—

livres

de

quaJquer

restriQâo.

não

afectados

por

quaiquer

carácter

condicionado).

De tal modo que, se se

ultrapassar

o registo

disperso

desses factores

e se

forem

agregados

numa

identificaQão

conjunta,

produz-se

uma

considerável

revisâo da

apresentaQão

que se tem. da

forma

como e somente

relativa,

da extensão em que o é. etc

Mas o que de momento nos importa e

precisamente a

modificaQão

semântica da

noQão

de ponto de vista— a

modificaQão

semântica que resulta da

identificaQão

desses

outros

factores

de

condicionamento

e

relattvidade

da

apresentaQão

e de tambern eles serem

designados

a parttr de uma

analogia

com o

condicionamento

que a

locaiizaQão

no

espaQo

produz

a respeito da visão. Em virtude dessa

modificacão.

ponto de

vista

passa a

significar

um

tjjyo

de

restriQão

(um

tipo

de

reiatividade,

um

tifio

de

condicionamento)

da

apresentaQão

a que se tem acesso.

mdependentemente

da

forma

como

especificamente

se

produz

essa

relatividade

e restncão, auer

dizer,

ja

sem

quaiquer

vinculo

a

peculiar

estmmra de

eondicionamento

em causa na ongem da

expressão

(e de tacto tambem

sem

qualquer circunscriQão

aos

diversos

modos ae

condicionamento

que ae cada vez se acham

identificados.

antes

abrangendo

esses e todos os outros que ainda estejam por detectar mas que

correspondam

a esse

tipo

de

condicionamento).

•Ponto de vista', passa. deste modo. a eonstituir uma

noQão

formal. aberta. que

compreende

todos os modos de

condicionamento

e

reiatividade

desse iwo

(sejam

eies quais

forem)

De maneira que, para ,:e converter em

aigo

de concreto. tem precisamente de ser

"desformaiizada"

em

ĸientificaQÔes

eoncretas dos

condicionamentos

de que de

caaa vez se trata—do sentido em

que estas e

aquelas

apresentacôes

que temos sao meros

'pontos

de vista"

(9)

s

Assim,

independentemente

dos termos em que se acha expresso e

sublinhando

o carácter formal de que se reveste.

pode adoptar-se

o enunciado de CHLADENIUS a respeito da

noQão

de

ponto

de vista

(Einleitung

zur

richtigen Auslegung verniintTtiger

Reden und Schriften.

p 187);

Diejenigen

Umstánde unserer Seele. Leiber und unserer

gantzen Person,

welche machen. oder Ursache

sind,

da|3

wir uns eine Sache so, und nicht anders vorstellen.

wollen wir den Sehe-Punkí nennen. VVie nemlich den Ort unseres

Augens,

und ins

hesondere die

Entfernung

von einem Vorwurffe. die Ursache ist.

dap

wir ein solches Bild,

und kein anderes von der Sache bekommen. also

giebt

es

bey

ailen unsern

Vorstellungen

einen Grund. warum wir die Sache so und nicht anders erkennen. und dieses ist der

Sehe-Punckt von derselben Sache '

E neste sentido desvincuiado do contexto original. e neste sentido alargado.

analogico.

formal. aberto. que a

noQão

de

ponto de

vista é usada nestetrabalho.

Alias,

a

desvincuiaQão

relativamente ao contexto

origmai.

a

autonomizaQão

relaîivamente a

eie. a abertura para outras

formas

de

condicionamento

e a

substituÍQåo

do sentido "iiteral"

peio

sentido

'analogico"

constituem tragos dominantes da hustôna da propna nocão. De sorte que.

ao usá-la assim num sentido

ja

totalmente desvincuiado do contexto

originai,

não se taz

violéncia a

tradÍQão

em que se insere nem se introduz nada de novo De facto. semeihante

desvanculaQão

e

autonomizaQão

esta tão associada a nocão de ponto de vista e e

tradicionalmente tão ilimitada que

ja

no

proprio

uso que LEIBNIZ raz do lermo íum uso

"ciássico",

que constitui

provavelmeme

um

dos mais

deciíivos

íactores

da sua

difusão)

a nocáo

jompona uma radicai

suspensåo

do modelo

espaciai

que vem aa ^ua origem. E ceno que LEÎBNIZ recorre muitas vezes a esse modeio

espaciai

(a

posicão

no espaco. ao punctum

visus, intuentis situs. etc. ) como modelo de suporte para mtroduzir a

noQão

de ponto ue nsta

■ef.

designadamente

G.

i.

pp. 10. 19. 20,

69,

I50s...

?;>?. GJL pn IQ. 5T. Q8. 45S. G.IIL ^p

557,

623. 036. G. IV. pp. 434. 438. 477. 484 . 530, 553 s . G. V. pP 50. o5. 578. G.VL pp

l,:rs..

327,

599,

o03,

616.

G.VĩI. pp 120. 452. 542 s. ::o. 5c?u 5.. Grua l. pp :57s.. 26o. Couu. pp 'Os . 15. 52!. Akau. VI II. p. 504) e exore^mente detenvúive esse t.coc-ío em

reoetidas ilustracoes como a das diven;us vistas de uma mesma ciciade. erc. L ecno aue. dessa

forma.

as

proprieuaues

io espaco e a sua interferência na

.isão

aparecem como ;eferc.T;CÍa "

(10)

9

representaQôes obscuras,

de

representaQÔes

claras.

de

representaQôes

distintas

— e tanto quer dizer ao mesmo

tempo.

da

falta de

representaQôes

sequer

obscuras,

da

falta

de

representaQôes

ciaras.

da falta de

representaQÔes

distintas,

da

faíta

de

representacôes

adequadas,

da raita de

representaQôes

intuitivas—

que,

segundo LEIBNĨZ,

fazem.

na ordem da propna

apresentaQão.

que o acesso que se tem constitua um mero

ponto

de

vista).

Mas. de

tacto,

e o mesmo LEIBNIZ que

insistentemente

retira ao espaQo o caracter de referência absoluta com que

figura

nesse modelo

(e

sem o

qual

o modelo cai

pela

base).

e o mesmo LEIBNIZ que reduz o

espaQO (e todo o conjunto de

relaQôes

de ordem

espacial)

a um mero correiato de uma

representaQão

coníiisa

(cf.

por

exempio,

G.I,

p

392,

G.lJ.pp.99.

101,

118s. I69s.. 195. 336.

379,

435,

438,

510, G.UI,

pp. 595. 612, 622 s., 674.

G.IV.

pp. 483. 491.

568. G.V,

pp 205s .

G.VIĨ,

pp.3

14

,322, toda

a

correspondéncia

com

Clarke

(e

em

particular

pp

375ss. 395s,

400-415), 461.

467s., Cout..

pp 522-523i De tal modo que, de

facto,

mesmo no

que diz

respeito

a

visão

propriamente

dita,

o

entendimento

do ponto de vista a

partir

da

referência

ao espaco

rica

apresemado

como uma

forma condicionada. relativa,

deencarar e

compreender

o

fenômeno do

ponto

de vista—

ou seja. como um mero ponto de vista

sobre

o

fenômeno

do ponto de vista e sobre a

forma

de

condicionamento,

de reiatividade que lhe

corresponde.

E de tai

modo

que a

noQão

de ponto de

vista

se

emancipa

do modeio

"'espaciaP

de que

provém

e se autonomiza

por

inteiro.

Pelo que a

persisténcia

do modeio

•'espacial"

nas

exposÍQôes

ae

LEÎBNÍZ

não

corresponde

senão a

mais

um caso de

"acomodaQão

as

expressôes

tradicionais"

(cf.

Nouveaux

Essuis III. G.V,

p

67).

de

"practicologia"

(cf.

Discours de

métaphysique.

XXVII

G.IV,

(11)

10

pp 7-17. I91ss.. em

especiai

20 1-2!

2;

sobre as

noQÔes

de "sistema

comum",

"sistema

novo",

e

nocôes

paralelas.

bem como a

oposicão

entre

"ngor

metaíisico"

e

"acomcdaQão'"

V as

passagens recenseadas por

SCHL'pLER.

op. cit . na nota

66,

pp

17-18).

A

referencia

a LEÍBNIZ

permite, ja

desde

o

pnncípio.

dar uma

medida

da

ampiitude

de

desvinculaQão

do contexto

original

íde passagem a um sentido meramente

anaiogico,

tbrmal)

que caractenza o uso que

aqui

se da a

noQão

de ponto de

vista.

Esse uso e não menos

aberto,

náo menos autonomizado reiativamente ao contexro

original,

que o de LEIBNIZ

Mas há ainda um outro aspecto de

desprendimento

da

matriz

e de

aJargamento

em reíacão a eia que. embora

esteja

de

aigum

modo

iniplicado

no que

se

focou.

não se acha

suiicientemente

posto em reievo a partir do que se disse (e que. não sendo expressamente

sublmhado.

pode

passar

despercebido

e não ser

levado

em conía—

quando

de facto é de

importåncia

decisiva).

No sentido

originai

da nocão, o caracier condicionado e relativo do que e

designado

como

ponto de vista não afecta

signiricativamente

a

pretensáo

natural da

apresentacâo.

não a oôe cm

causa no seu estatuto. não

desortenta.

não crta

perpiexidade.

Insere-se

perfeitamente

no

regime

de

auto-avatiaQão

natural do acesso sem o

perturbar

e sem por minimamente "em

xeque'

a

versão nele

vigente

Se a nocão de ponto de vista envoive uma

restrÍQão.

uma ncta de relati-vidade

(a

admissâo de

altemativas,

etc ). o âmbito de

incidência

a

respeito

do

quai

o faz e um âmbito circunscrito que. como se disse. deixa

subsistir

muitos outros aspectos da aoresentacão

completamente

livres

de

qualquer

marca de reiatividade ou

restrieâo

sem nada cue os afaste

de uma 'vaîiaade irrestnta" De :ai modo que.

globalmente.

i

apresentacão

man:em-se marcada

por uma validade dessa ordem De

íacto,

a

propria

relatividade

da

apresentacãc

/isuai

e as

restrÍQôes

de alcance que ihe

correspondem

parecem 'naturais' e não são encaradas como

comprometendo

minimameme a sua

dieacia

ou

pondo

de

aigum

modo em causa o estatuto

daquiio

(íuese tem ao tê-ĩa.

Em suma. no contexto

primittvo.

a identiîicacão do

condicionamento

em causa na

p.oqĩo

ie

nonto de

vista

e. no îuncamentai.

perfettamente

mocua.

Ora. sendo assim. o

desnrenaimento

em :e:acão ao xu;e\:o »MÍm:tivo e i

:cen.î:iicacãc

■!os uiieremes faercres je

ecnuicionamento

e relaiividude utiu ífecînm a acrc-ĩ:e:iiaeáo de que

d'.spomos

>ão suscepnveis .:c fazer descu:;n: o

v.ouuieionamento

e a rc!attv:cr.ae da

(12)

deixa

incolume,

não

corresponde

apenas a uma

particularidade

sem

consequências

de

maior

(que

não

atinge

a

"paz",

a seguranQa, o estatuto sem

problemas

da

apresentaQão),

antes a

pôe

efectivamente

"em

xeque", perturbando

o seu estatuto,

tomando-o

problemático

Ou

seja,

a

descoberta

de outros

aspectos

de

condicionamento

(de

outros modos de a

apresentaQão

que se

tem ser apenas um

ponto

de

vista)

pode

fazer

desaparecer

o que a

noQão

de

ponto

de vista

prirmtivamente

tem de

inôcuo

e

precipitar

a

apresentaQão

numa

situaQão

(numa

auto-avaliaQão,

numa

tixaQão

do seu

estatuto)

muito diferente

daquela

em que

desprevenidamente

se

presume: numa

situaQão

em que se revela

radicaimente condicionada, radicalmente

reiativa— e a tal ponto que tem

diíiculdade

em

perceber

aque

é que

equivale,

qual

é o seu

proprio

estatuto.

Esta

mudanQa

esta

perda

do

carácter

inofensivo

comeQa a

desenhar-se ainda

mesmo dentro do contexto

primitivo

da

noQão,

quando

o

condicionamento

pela posÍQão

no

espaQO deixa de ser considerado so no

âmbito

de espaQos restritos

(aceitando

o sistema de

referenciais

em

cujo quadro

se

inserem

e em

funQão

do

qual

se

acham

deíinidos)

e se entra no exame

desse

mesmo

sistema

de

referenciais

e da

possibilidade

de tambem ele

depender

da

posiQão

do

observador

Acontece

justamente aigo

deste

género

com a

determinaQão

do alto e do baixo

que também eia e

condicionada,

não tem o caracter

"irrelativo"

que a

reiativnzaQão

da visão

sempre de novo tende a deixar subsisttr.

Assim,

como por

exemplo

se

formula

no De docta

ignorantia

de

NICOLAU

DE

CUSA.

para um

observador coiocado

na terra

sob

o

polo

norte

do hemisfério

celeste e para um

observador

colocado neste mesmo

polo

a

definiQão

da

posÍQão

respectiva

e do sistema de

posicôes espaciais

em que se

integram

e

completamente

diferente.

Para o

observador

colocado na terra, o

polo

esta no zemte e ele

proprio

está no centro, para o observador colocado no

polo.

o pnmeiro é que esta no zenite, ele

prôprio

esta no centro. 0

mesmo sucedendo tambem com o

pôlo

antárctico e com a

relaQão

entre um

observador

colocado nele e um

observador colocado

na terra De tai modo que. para

qualquer

dos

observadores colocados nos

polos.

eles

proprios

estão no centro e a terra esta no zenite— não

se

conseguindo

fazer

"congnm-"

estes

diferentes

sistemas de

determinacôes

para os

quais

o mesmo e simuitaneamente centro e zenite

(ou

ocupa uma

posÍQão completamente

diferente num sistema em que tanto o eentro como o zemte não coincidem com

eie)

e ticando

perturbado.

quanto ao seu estatuto. todo o ststema de

"direcQÔes

no

espaQo"

que normaimente parece

pacífico

e irreiativo (cf. De docta

ignorantia

II

11(161)).

Vlesmo

já aqui,

o

alargamento

da

(13)

12

aspectos

de relatividade que corroem

mais

a

impressão

de

dominio

naturalmente

vigente

e com

que se

experimenta

maior ditículdade em lidar

Isto constitui somente um

exemplo

do

tipo

de

agravamento que

a

descoberta de mais

factores

de

relatividade

pode

trazer

consigo

— e um

exempio

ainda relativamente

inocuo,

que

esta ainda muito

longe

do

tipo

de

perturbaQão

que a

detecQão

de outros

factores provoca.

Mas por ora

pode

bastar para derimr esta outra

direcQão

de

transformaQcão

da

noQão

de ponto de

vista a da não

retenQão

numa

esfera

de

particularidades

mais

ou menos

inocuas

do acesso que

se tem. a da não

circunscnQão

da relatividade a aspectos mais de pormenor dentro de

quadros

(de

sistemas de

referência)

eles propnos de modo nenhum

atingidos

por

quaiquer

reiativizaQão

a da extensão da reiatividade a esses mesmos

quadros

e a aspectos mais

"virulentos",

que abalam mais

profundamente

a seguranQado acesso que setem.

Se espontaneamente se tende a nao associar a nocão de ponto de vista a nenhuma

perturbaQão

desta ordem

(de

tal modo que

de facto

se mantem afastada da

ideia

de uma tai

perturbaQão).

o que esta emjogo

nela,

a

partir

do

momento em que se

desprende

do

quadro

ini-cia! e passa a

corresponder

a um

tipo

de

condicionamento

e

relativtdade

e a

abranger

todosos

diversos factores

que

correspondem

a esse tipo, envolve a possibilidade dessa

perturbaQão

tudo

dependendo

do ponto a que vai o

condicionamento

e a relatividade a que a

apresentaQão

de que

dispomos

de

facto

se venhaarevelar

sujeita.

Neste sentido. ao usar-se

aqui

a

noQão

de

ponto

de vnsta, ela e aberta tambem no que diz

respeito a medida em que o tacto de ter o carácter de um mero

ponto

de \ista e

susceptiveí

ae

perturbar

o estatuto da

apresentacão

que se tem e não esta presa ao

sentido

mais ou menos anodino de que se reveste no entendimento mais comum.

E

precisamente

assim,

com

todo

este

desprendimento

da matrtz

(e

tanto quer dizer:

1)

com

um

aiargamento

a todos os

factores

de condicionamento em

funQão

aos quais

pode

ser restrita e reiativa a

apresentaQão

que se tem e. 2)

suspendendo

a

presuncão

que

inexplicitanente

reduz

esses

factores

a

particularidades

mais ou menos

inofensivas

e abrindo a

possibtiidade

de o caracter

condicionado

e reiaiivo da

apresentacão

ser

muito

mais

perturbante

do

que esponta-neamente se pensae

envolver

mesmo uma

radical

perturbaQão

do estatuto da

apresentacão

que seusa aquianocão de ponto de vista

(14)

13

consequéncias

efectivamente se revestem. etc. De

quaiquer

modo,

ao

designar-se

assim.

desde

o

principio.

a

apresentaQão

em que estamos

constituidos

(este

acontecimento

de

lucidez

em que

nos achamos e

aquilo

que se encontra tido

neie) antecipa-se já

que essa

apresentaQão

esta mar-cada por condicionamentos deste

tipo

e que os

resuitados

a que a

investigaQão

conduz a descobrem mesmo tão marcada porisso que levama fazer

surgir

a

designacão

de

ponto

de vtsta

(que

a descreve

pela

referência

a esse

tipo

de

condicionamento)

como a

designaQão

mais

apropnada

para

falar

deia.

0 que. entretanto, não

pode

ser entendtdo sem se esclarecer ainda um outro

aspecto

de

alargamento

e

emancipaQão

do sentido

ongmal,

que não

foi

focado.

mas e

igualmente

decisivo

para a

conformaQão

da

noQão

de

ponto

de

vista,

tal como sempre de novo é usada no curso da

presente

investtgaQão.

No sentido mais estrito (e

naquele

que está na

origem

da

nogão).

ponto

de vista é cada

situaQão

diferente da

apresentaQão

(no sentido

literal.

cada

localizaQão

no espaQO, cada

"localizaQão"

no

tempo.

cada um

dos diversos condicionamentos

cuia

variaQão

determina

mudanQas

na

apresentaQão

que temos). De tai modo quemuitas

mudanQas

por que passamos no

curso natural das nossas vidas

correspondem

precisamente

a

mudanQas

de ponto de vista

(no

espaQO, no tempo, no

interesse

que nos

motiva,

quanto

ao sistema de crenQas

vigente

no meio social que nos rodeia e sob cuja

"pressão"

nos achamos postos, etc. etc). E de tal modo que.

pelo

menos

nalguns

aspectos,

o que caractenza o curso normal da

apresentacão

que temos é

precisamente

uma muito

rrequente

e mesmo uma continua ouquase contmua

vanacão

do

ponto

de vista em que se esta.

Nesse

sentido,

não resulta imediatamente claro como e que se

pode

falar a nosso

respeito

de

um ponto de vista. 0 que parece e que se deveria falar de uma

pluraiidade

(e de uma

pluralidade

muito numerosa) de

pontos

de vista

diferentes.

por que sucessivamente se vai

passando

no curso da

apresentacão

quese tem.

Que

sentido

pode

ter. então. o uso da

nocão

no

singular'7

Que

sentido

pode

ter falar-se do

nosso ponro de vista. do

ponto

devista em que se esta (ou

seja. sugenndo aigo

de permanente

e decontínuo). como desde o

principio

e semprede novo sucedena presente

investigacão9

?or um lado. embora efectivamente aconteQa que se vai

passando

por uma sucessão de

pontos de vista e que a

mudanQa

deles e constante ou quase constante. isso não

significa

de

(15)

u

inteiramente

';estanques':

uns em

relaQão

aos outros, sem

qualquer ligaQão

entre

si. Sucede

pelo

contrario

que a passagem por essa sucessão de pontos

de vista diferentes

produz

precisamente

alguma

"tusão",

conjugaQão

deles

e a

superaQão

da

restnQão

prápria

de

cada

um. Tal

integraQão

não

equivale

â

completa

conjunQão

de tcdos os

diferentes

pontos

de vista

por

que

sucessivamente

se passou— como se. sem

perdas,

se

integrassem

uns nos outros e

formassem

uma

perspectiva aiargada

que os somasse.

Mas,

por outro

íado,

constitui

aigo

tambem muito

diferente

da absoluta

perda

de

tudo o que

vai ficando

paratras na passagem de

uns

pontos

de

vista

para os outros. De tai modo que a

perspectiva

que de cada vez setem não

esta absoiutamente circunscrita ao

ponto

de visîa (nesse sentido

estrito)

que de cada vez se

ocupa, não esta fechada por toda a

"earga"

de

restriQão

que lhe

corresponde,

mas aberta para

lá desse

ponto

de

vista,

de

aJgum

modo em contacto com o seu

"extenor,

com um alcance

maior

do que o dele—

passada

"para

iã*"

do que

propriamente

está â mostra nele. Se ha uma

continua ou quase contmua

variaQão

de

ponto

de

vista,

no sentido mais estnto. o acesso de

que se

dispôe

não se atém absolutamente a cada um

dos

passos dessa

vanaQão.

Corresponde

de cada vez a um desses

"passos"

e a uma como que 'resuitante" dos pontos de vista

atravessados no curso da propna

variaQão.

Por outro lado. sedeste modo a

propria

vanacãofaz

ultrapassar

a

restnQão

dos diversos

pontos

de vista a cujo percurso

corresponde

e

permite

a

constituÍQão

de um acesso subtraido

ao conrinamento de cada um

deles.

mesmo admitindo que a

integragão

dos

diferentes pontos

de

vista

se

fizesse

sem

qualquer perda

(o que. como se apontou. esta

longe

de ser o

caso),

o

descontinamento

que assim se

produz

e apenas o deseontinamento

correspondente

aos

diferentes pontos de vista

percorndos

nessa variacão De taJ modo que, a

despeito

do caracter

desconfinado

que tem relativamente a cada um dos pontos de vista

percomdos,

o propno

percurso (e o acesso

alargado

dele

resuitante)

e ainda

cominado

em

relacåo

aos outros pontos

de

vista

que não cobre. que deixa de

fora.

E de taJ modo aue a ĩotalidade do percurso feito (e

o acesso

alargado

dele

resuitante)

tem, embora noutra 'escala". caractensticas ae

condicionamento e de

restrÍQão,

de

confmamento.

anaiogas

as de cada

ponto

de

vista

que o

integra

constituindo.

nesse

sentido.

de cada vez um ponto de vista.

Vlas mais. Não acontece so que. assim. o percurso de cada vez reaiizado e o que deie

(16)

15

percurso de cada vez

levado a

efeito)

esteja

também

ela

sujeita

a um condicionamento

restritivo

— de sorte

quetodo o percurso a que

pode

conduzir

<e todo o desconfmamento dele

resultante)

corresponde

ainda a um

determinado modo de

ver, ao

âmbito

de um

conjunto

de

apresentaQôes

que. diferindo entre si.

pertencem

todas a um mesmo

tipo

de 'Vista'". que de facto é

todo

ele relativo. consente alternativas. tem um "exterior" Ou

seja,

e

possivei

que toda a

variaQão

esteja

presa de um condicionamento e

seja

vanaQão

na 'área fechada" desse

condicionamento,

no

"'circuito fechado"

dele.

É

possível

que

todo

o âmbito da variacão ao alcance

(mesmo

daquela

que de

cada

vez está

ainda

por levar a

cabo)

corresponda

a uma 'Vista" mais

abrangente

(de

que de cada vez temos so

parte),

mas que. conquanto mais

desconfinada,

depende

ainda de um

determinado condicionamento,

é relativa a ele. admite alternativas e tem um carácter

fechado,

retido,

análogo

ao da

vista

que se tem so a partir de

um dado

ponto

do espaQO. Por outras

palavras,

é

possiveí

que toda a

vanaQão

que tem cabimento

esteja

retida

dentro de um

quadro

fixo e que todas as diferentes

"vistas"

a que a

variaQão

da acesso constituam uma

multiplicidade

por sua vez também eia

giobaimente

dependente

de um

condicionamento

(ou

de um

sistema

de

condicionamentos)

e

sujeita

a um

coníinamento

(ou

a um

conjunto

de

aspectos

de

conhnamento)

analogos aqueles

que para cada

uma deias se

mamfesta

na

respectiva

vanacão

E

justamente

neste sentido— e admitindo uma

tal

possibilidade

que se

faia

aqui

dobalmente

do ponto de vista em que se está. no

singuiar. designando

dessa forma todo o

quadro

do acesso emquese estaconstituido

A

designaQão

tem. deste

modo.

um

signiíicado

corrector reiativamente a

pretensão

natural do acesso em que nos temos. o

qual.

como se verá. tende

justamente

a não se ver como um

ponto

de vista. neste sentido— tende a manter

afastada

de oi a

equacionacão

destas

possibilidades.

Por outras

palavras.

ao falar-se sempre de novo do acesso em que se esta como ponto de vista, visa-se

justamente

marcar distância reiauvamentea

pretensão.

que esse acesso naturalmente tem. de ser um acesso eficaz. ••transnarenĩe', em relacão á realidade— qne dá

as coisas tai como são Ou

seja,

visa-se marcar diståncia reiativamente a sua

pretensão

cognoscitiva < a

preíensáo.

que tem. de constituir conhecimento. v.o sentido

proprio

e

rbrte.

uue e o que naturai e

mexplicitamente

vigora e

aqueie

que se acha expresso por PLATAO. por

(17)

16

Yvcôvai

dbg

£<jti

_.ĩô_&i?;

",

cf

478a "i!

Ejutaxfi^iTi

uév

Jtoi)

£7ti

ôvu>_-£_qv

yvcovai

á).£_Í££i;

Naí.

".

subl

m I

Dito

de outro

modo,

ao îaiar-se sempre de novo de

ponto de vista. visa-se

qualquer

coisa de semeihante

aquiJo

que está em

jogo

na

tradÍQão

tilosofica.

quando

— como desde

os

primordios

(cf.

por

exempio,

K. von

FRÍTZ.

Die Rolíe

des vovq,

apud

H.-G. GADAMER

(ed.),

Uin

die

BegrifFswelt

der

Vorsokratiker,

pp.

246-363)

passando

por

Platão.

etc—

considera

a

possibilidade

de o acesso. a

apresentaQão

de

que

dispomos

ter um

carácter

não

cognoscitivo,

ou

seja,

visa-se

algo

de semelhante

aquilo

que tambem se

esboQa

na

oposiQão

kantiana entre "Frkenntnis" e

Yorstellungsart

' e na

atribuiQão

de um estatuto de mera

Vorsteilungsart"

a

todo

o

plano

em que nos encontramos

(que

e o que está em

jogo

na chamada

"revoluQão copermcana'i

Porque.

entretanto, ^o o

prôpno

curso

da

investigaQão

pôe

a claro de que

modo

e a que

ponto

o acesso de que se

dispôe

pode

ter essa índole não

cognoscitiva

e constituir. dessa

forma.

um mero

ponto

de

vista,

a

designacão

que se

adopta

desde o comeQO tem um caraeter

antecipatorio

relativamente ao curso ulterior e um senttdo que sô se

pode

tomar concreto e

ciaro a

partir

dele.

Esciarecido

assim. numa

fixagão

prehminar,

o

significado

que a

noQão

de

ponto

de vista

sempre de novo tem neste trabaího. cumpre ainda assinalar uma outra

acepQão.

diferente dessa

mas

ligada

a ela. em que

algumas

vezes tambem se emprega o termo—a

acepQãc

que está em

jogo

quando

se riiia de ter ou não ter

ponto

de vista para

acompanhar

isto ou

aquiio

Essa outra

acepcão

radica no mesmo

complexo

de renomenos e

propriedades

da visão de

que provem a

propria expressão

:*ponto

de vista" e que. como se

observou,

está na

origem

da

primeira

—aacenruacão e

que e diferente.

Na

esfera visual.

a

multipiicidade

de

possibilidades

de

coiocaQão

do

observador— a

multipiicidade

dos

diferentes

oontos de

vista

faz.

como se

disse.

que cada ponto ue vista

proporcione

a

aquisÍQão

de

algo

(envoiva um

"ganho")

ao mesmo

tempo

que faz

perder

todo

o conjunto

daquiio

que

corresponde

ao

"ganho"

proono ce cada um dos outros Consoante a

eapacidade

do observador. cada

ponto

de vistatem um detenrunado

"ânguío"

e um detcnr.inado

Taio"

de alcance—- um

conjunto

de

objectos

uue são MSiveis a partir deie

(18)

17

objectos

de que

permite

ver

alguma

coisa,

sim,

mas em

condÍQÔes

que

impedem

ou

dificultam

o

seu reconhecimento

(quer

porque ha realidades

interpostas

que Ihe ocuitam

partes,

quer porque

a

apresentaQão

que se tem não é

suficientemente

abrangente

para

abarcar

o todo

desses

objectos,

quer porque o

ångulo

de

apresentaQão

provoca

paralaxe,

quer porque a

distância

ao

objecto

e demasiada e não

permite

divisar

bem as suas

caracteristicas, etc). Inversamente.

cada

objecto

ou cada

complexo

de reaiidades que ocupa uma

determinada

postcão

no

espaQo tem

um

conjunto

de

pontos

de

vista

em cujo alcance cai e um

conjunto

de

pontos

de vista

relativamente

aos

quais

ĩica

compietamente

fora

de alcance— e. deentre os

pontos

de vista em

cujo

aicance

cai,

tem

aqueies

a que de

algum

modo

se

apresenta

mas que não tém

condÍQôes

para o

reconhecer

bem ou sem

dificuídade

e um

conjunto muito mais restrito

de pontos

de vista

capazesde o

reconhecerem bem, facilmente

e em

pleno

Cf por

exempio

PLATÃO.

Sophista,

234b-234d.

2366.

Leges.

663c Philebus 38 c.

41-42a.

W

SCHAPP.

Beitrage

zur

Phánomenologie

der

Wahrnehmung,

pp.59ss..

E

precisamente

neste

sentido

e a

partir

desta

diferenQa

que se

pode

falar

de ter ou não ter

ponto de vista para

algo.

Não ter ponto de vista para

aigo signiíica

não ter uma

posÍQão

de

acesso para

chegar

a

isso

e para o

acompanhar

sem

dificuidade

ou

distorQão

Ter

ponto

de

vista

para

algo significa

.

pelo

contrario. ter essa

posÍQão

deacesso.

Sendo este o contexío em que tem

origem

a

noQão

de

ponto

de vnsta para (e a

diferenca

entre ter e não ter ponto de vista para, que ihe

corresponde).

também a este

respeitoo uso que

aqui

se Ihe dá

comporta

um

alargamento,

desprendendo-a

da matriz

inicial

e rransienndo-a para

um registo

analôgico.

que

corresponde

a todas as diferentes

formas

de

conaicionamento

ao acesso que

podem

fazer que

algo

se mantenha iatente ou se mamfeste e.

mamfestando-se,

aicance ou não um reconhecimento e um

acompanhamento

cabal da

determinaQão

que tem

(de

como e, do que se passa

consigo).

S6 que o que neste caso e sujeito a

alargamento

e esse

aspecto

particular

da

diferenca

entre pontos uevista na sua

reiaQão

com os

objectos

Tal como a

primeira.

tambem esia

segunda

acepcão

da nocão de ponto de vista tem base

no uso

tradicionai

— e mesmo um rimdo

enraizamento neie. de tal modo aue constitui uma das

(19)

ÍS

II,

p.304).

Esta

"especializaQão"

do

sentido é

tambem

fortemente

sugerida peia

fcrma

como as

representaQÔes

pictoricas

requerem

determinadas

coiooaQoes

do

observador,

para serem

devidamente

contempladas

('cf.

por

exemplo

PASCAL.

Pensées. 21)—

particuiandade

que

ainda mais

agudamente

se

faz

sentir no caso das

chamadas "an.amorfoses"'.

que so

permitem

o

reconhecimento do que têm

figurado

a

partir

de uma determinada

posiQão.

de um

determinado

ponto

de vista ou de um

determinado

modo de ver

ícf.

por

exempio,

LOCKE.

An

Essay

Concerning

Human

Understandins.

II. 2°. 8.

LE13NLZ. G.V

p.23c.

G. VI.

p 197. J

BALTRL'SAITJS.

\namorphoses

et

perspectives

curieuses)

Mas. como de resto

ia

em LEIBNIZ e em

PASCAL.

também a

tradicão

deste use da nocão de ponto de vista esta

ampiamente desprendida

da

acepcão

Siterai que se acha na sua

origem,

de :ai modo que

peio

menos desde o

finai

do seculo XVIII que a

acepQâo

anaiogica

é corrente e

desempenha

um

pa-pel

reievante na

termmologia

filosotica

(assim,

por

exempio.

em DE LA

ROCHEFOUCAULD,

LICĨTTENBERG. BECK.

REĨNHOLD,

FICHTE— para as

referéncias

texruats e para um

ie-vantamento mais

compieto.

cf

K.

RÔTTGERS.

art. cit.

('inffa.

p

20).

em

especiai

pp 259$s.

tambem

em

KIERKEGAARD,

por

exempio.

SV. XIII. 68-76. 55Iss ,

Pap

VII 1 \

99).

Finaímente—

e para conciuir o

esclarecimento

prelimmar

do uso que se da a nocão de

ponto

de

vista

cumpre

fazer

tambem

algumas

precisôes

acerca da nocão de horizonte.

Pois,

com

efeito.

fora dos casos em que e

empregada

numa

acepQtão

especiai

(que

a seu rempo se eiucidara). usa-se a

noQão

de honzonte como nocão correiata da de ponto de ista inão no sentido de "nonto de \ista

para".

que

acabou

de se

fixar.

mas no sentidoque antes se

áeíineou)

Tai como a

noQão

de doiiîo ue vista. tambem a nocão ie honzonte radica em

fenomer.os

;

proDnedades

da visão

—e de rai forma

que

designa

a totandadeda "vista' que-:e tem a pantrae cada

coiocaQão

no espaQO Neste

sentido.

aquilo

que a

noQâo

de

honzonte

expressa e um correiato do renomeno de condicionamento e deoendência a que a nocão de

ponto

cie vista

aiude— e a cada oonto de vista eorresnonde tim determinado mio de aicance: ■> <eu

Referências

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