GERENCIAMENTO DE CURSOS A
DISTÂNCIA
Para citar este texto:
CARNEIRO, Luciana, Gerenciamento de Cursos EaD. Valinhos, p. 9, 2012. Disponível em: <http://anhanguera.com>. Acesso em: 1 fev. 2012.
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Publicação: Abril de 2012
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DIRETORIA DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO
Silvio Cecchi
Correspondência/Contato
Alameda Maria Tereza, 2000, Valinhos, São Paulo, CEP. 13.278-181.
PREPARAÇÃO GRÁFICA
Lusana Veríssimo
AULA 3 – MODELOS DE CURSOS A DISTÂNCIA
OBJETIVO
Nesta aula, você aprenderá sobre a evolução das tecnologias e sua
aplicação na educação, além de conhecer os diferentes modelos existentes
nos cursos oferecidos na modalidade a distância.
1. INTRODUÇÃO
Você já sabe que o rápido avanço nos meios de comunicação tem
contribuído para a educação
e impulsionado a educação a distância que, nos
últimos anos, tem exercido um papel fundamental na formação e preparação
de profissionais qualificados para exercer suas funções no mercado de
trabalho.
Segundo Niskier (2000) apud Mugnol (2008),
[...] a EAD tornou-se a modalidade fundamental de aprendizagem e ensino, no mundo inteiro. Antes cercada de mistério, hoje é até mesmo reivindicada por sindicatos poderosos, no Brasil, onde o seu prestígio cresce de forma bastante visível. Parte-se de um conceito extremamente simples: alunos e professores separados por certa distância e, às vezes, pelo tempo. A modalidade modifica aquela velha ideia de que, para existir ensino, seria sempre necessário contar com a figura do professor em sala e de um grupo de estudantes.
Como você sabe, a educação a distância não é uma modalidade de ensino
recente e pode ser realizada por diversos meios, mas com as novas
tecnologias de comunicação, têm surgido vários modelos e formas de interação
que fazem da EAD uma metodologia de ensino/aprendizagem que cada vez
mais atende às necessidades do mercado e às expectativas de jovens e
2. EVOLUÇÃO DOS FORMATOS DE CURSOS EAD
A EAD pressupõe o uso da mídia, seja ela feita com tecnologia de ponta ou mesmo pelo livro impresso, por muitos considerado indispensável. Até os anos 1980, as tecnologias disponíveis eram poucas e simples para a produção, o acesso e a interação dos cursos, e as instituições baseavam os seus trabalhos em material impresso, programas em áudio, vídeo ou transmissões em televisões e rádios educativos (SILVA et al, 2011).
Na Tabela 1, você pode observar a evolução da tecnologia usada na
educação a distância. A EAD está presente no Brasil há muitas décadas, mas
foi nos anos 90, com o surgimento da internet e o avanço das tecnologias de
comunicação e informação, que houve um crescimento significativo desta
modalidade de ensino.
A partir da década de 1990, houve um aumento no número de
instituições de ensino superior e, consequentemente, na oferta de cursos e
vagas a diversos jovens e adultos, o que tem proporcionado a muitos a
oportunidade de uma formação superior e qualificação profissional.
1. Tabela 1: Cronologia do uso de mídias na EAD.
Início do uso de tecnologias da comunicação e da informação aplicadas à EAD no Brasil Ano Tecnologia Tipo de produto lançado inicialmente 1904 Mídia impressa via correio Cursos de iniciação profissional por
correspondência.
1923 Rádio Cursos de apoio à escolarização aberta. 1971 Televisão Telenovela educativa.
1996 Videoconferência Mestrados em parcerias com empresas. 1996 Internet Cursos de extensão universitária. 1997 Internet com uso de
ambientes virtuais de aprendizagem
Programas de pós-graduação lato sensu.
2001 Televisão com uso de satélites com sinal digital
Cursos de graduação para formar professores do ensino fundamental.
2005 Web TV Os cursos a distância ofertados no modelo “universidade virtual” passam a incorporar
progressivamente os recursos de transmissão e de interação por áudio e vídeo via internet.
3. MODELO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
De acordo com os Referenciais de Qualidade para a Educação Superior a Distância (BRASIL, 2007), os programas de educação a distância podem apresentar diferentes desenhos e várias combinações de linguagens e recursos educacionais e tecnológicos, pois não existe um modelo único, e a natureza do curso e as necessidades dos alunos são os elementos que definirão o melhor modelo a ser utilizado, bem como a necessidade de momentos presenciais e demais estratégias de ação.
Existem modelos bem diferentes de EAD que respondem a concepções pedagógicas e organizacionais distintas. Há os modelos autoinstrucionais e os colaborativos; modelos focados no professor (teleaula), no conteúdo, e outros centrados em atividades e projetos. Há modelos para poucos alunos e modelos de massa, para dezenas de milhares de alunos. Há cursos com grande interação com o professor e outros com baixa interação (MORAN, 2009, p. 21).
Ao escolher os recursos tecnológicos, mídias e metodologias, e definir o modelo a ser usado, os gestores responsáveis pela concepção, desenvolvimento e oferta de cursos e atividades em EAD consideram, segundo Simão Neto (2002), principalmente: a) vencer distâncias, b) reduzir o custo, c) reduzir o tempo de estudo, d) ampliar as escolhas, e) facilitar o acesso, f) diversificar o espaço, g) aumentar a colaboração, h) mudar as formas de ensinar e aprender.
Atualmente, as mídias tradicionais (impressos, rádio e televisão) ainda são amplamente utilizadas. Porém, segundo Santomauro (2012), é cada vez maior o investimento das instituições de ensino superior em estratégias mais dinâmicas e profissionalizadas para que estejam presentes nos ambientes frequentados pelo seu público-alvo, os estudantes.
tipos de interação distintos, com estruturas de tutoria diversas e com logísticas de aulas, estratégias pedagógicas e professores diferenciados.
Atualmente, nas instituições de ensino do Brasil, podem ser encontrados os mais diferentes modelos de cursos de EAD, que atendem a públicos diversificados e a diferentes interesses. A seguir, serão apresentados alguns modelos de ensino e suas principais características.
3.1 CURSOS POR CORRESPONDÊNCIA
O modelo por correspondência é bem conhecido no Brasil, no qual a aula chega ao aluno por meio de uma apostila, fita de áudio, DVD, CD-ROM, ou qualquer outra mídia. Neste modelo, a comunicação entre professores e alunos é totalmente assíncrona, e o aluno estuda e faz atividades sozinho, pode contar ou não com o suporte de tutores a distância por meio de outras mídias, como telefone direto, carta, e-mail etc.
Para Simão Neto (2002, p. 58), esse modelo de educação a distância tem grande aceitação no mercado e é bastante eficiente para cursos voltados ao desenvolvimento de habilidades ou procedimentos operacionais, pois trata-se de:
[...] aprender a fazer, a operar, a realizar trabalhos que exigem a assimilação de um modo correto de fazer alguma tarefa ou ação bem determinada, como consertar relógios, cortar vestidos, montar rádios, desenhar plantas. Há ainda algum espaço para a formação técnica de base para atividades mais criativas, como desenho artístico, arranjos florais e decoração de interiores, porém, os cursos se limitam ao lado operativo e "técnico", ficando a criatividade por conta do aluno.
3.2 MODELO SEMIPRESENCIAL
flexibilização curricular, no que diz respeito às condições individuais de cada estudante, ao ritmo de aprendizagem, ao local e ao tempo de dedicação aos estudos (MARCHI et al, 2008).
A modalidade de ensino semipresencial é reconhecida no Brasil desde 2004, através da Portaria 4.059 do MEC. Neste modelo de ensino, além do ambiente virtual, o atendimento ao aluno deve ocorrer em locais que possuam uma infraestrutura de apoio para as aulas e tutorias presenciais, serviços de suporte como biblioteca, laboratório de informática, uso de materiais impressos de apoio, ou de conteúdos em mídia digital (BRASIL, 2007).
3.3 O MODELO “VIDEOAULA”
Neste modelo, as aulas são gravadas em estúdio e depois disponibilizadas aos alunos, que assistem às aulas, realizam as atividades e podem contar com o apoio do tutor.
Segundo Moran (2009), esse modelo geralmente é oferecido na modalidade semipresencial e online (Web).
Na modalidade semipresencial, os alunos recebem o material impresso como apoio às aulas e encontram-se presencialmente, todas as semanas, em salas com equipamentos para a reprodução de aulas pré-gravadas, e um tutor presencial supervisiona a exibição da videoaula e auxilia nas atividades. Segundo Moran (2009) este modelo é muito útil para cidades pequenas, sem condições para a instalação de uma instituição de Ensino Superior presencial.
3.4 TRANSMISSÃO VIA SATÉLITE
Neste modelo, as aulas são transmitidas ao vivo por satélite a diversas salas de aula em polos presencias espalhados pelo Brasil. Os alunos também contam com a tutoria presencial nos polos, bem como atividades presenciais e atividades complementares na Web, com a orientação do tutor a distância. Durante a transmissão das aulas, os alunos podem interagir ao vivo com professor através de perguntas enviadas via chat pelo tutor local. Neste modelo, os alunos contam com o apoio de professores durante as aulas, além da tutoria presencial e a distância.
A teleaula por satélite e interação pela Internet é o modelo que mais cresceu nos últimos anos, e domina o mercado pelo setor privado, pois tem uma capacidade de atendimento a milhares de alunos e fácil instalação tecnológica (MORAN, 2009).
Esse modelo torna possível a transmissão de aulas para várias pessoas ao mesmo tempo, oportunizando o acesso de alunos de diversas classes sociais e de diferentes lugares do país a esta modalidade de ensino. Considerando o modo de transmissão por meio de satélites, o aluno assiste às aulas (ao vivo) através de um telão, no centro associado de sua cidade, que pode estar localizado em diversas cidades do Brasil, com a possibilidade de interagir, também ao vivo, via telefone, e-mail, ou fax (NICOLAIO & MIGUEL, 2010).
3.5 TRANSMISSÃO VIA STREAMING
É um modelo no qual o curso é desenvolvido predominantemente na internet e os alunos se dirigem ao polo onde estão matriculados apenas para a avaliação presencial.
4. VAMOS PENSAR?
Nesta aula, você aprendeu sobre vários modelos de cursos a distância. Agora, elabore um texto explicativo em torno das seguintes questões: Ao planejar um curso a distância, quais devem ser os critérios para escolher o modelo do curso a ser ofertado? E quais as principais diferenças dos modelos discutidos nesta aula?
5. PONTUANDO
•
Os programas de educação a distância podem apresentar diferentes
desenhos e várias combinações de linguagens e recursos educacionais
e tecnológicos.
•
Cursos por correspondência possuem apenas momentos assíncronos.
•
No modelo semipresencial, o aluno conta com momentos virtuais e
momentos no polo presencial.
•
As videoaulas são gravadas em estúdio e disponibilizadas via Web ou
semipresencialmente.
•
Na transmissão via satélite, as aulas são transmitidas ao vivo nos polos
presenciais.
•
No modelo streaming, as aulas são transmitidas ao vivo pela Web.
Modelos de Educação a Distância.
Disponível em:
6. REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Referenciais de qualidade para educação superior a distância: versão preliminar. 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/referenciaisead.pdf>. Acesso em: 3 mai. 12.
MARCHI, A. C. B.; ARAÚJO, D. D.; ISTREIT, I. R. Modalidade semipresencial e ensino: alguns resultados da implantação em disciplinas de graduação da UPF. 2008.
Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/viewFile/14477/8396>. Acesso em: 5 mai. 12.
MORAN, J. M. O ensino superior a distância no Brasil. Educação & Linguagem, v. 12, n. 19, p. 17-35, jan.-jun. 2009.
NICOLAIO, K.; MIGUEL, L. A democratização do ensino por meio da educação
a distância. Revista Intersaberes, Curitiba, ano 5, n. 9, p. 68-91, jan/jun 2010.
RIBEIRO, L. O. M.; TIMM, M. I.; ZARO, M. A. Gestão de EAD: a importância da visão sistêmica e da estruturação dos CEADs para a escolha de modelos adequados. Novas Tecnologias na Educação, CINTED-UFRGS, v. 5, nº 1, jul. 2007.
SANTOMAURO, A. C. Onde está o aluno? Revista Ensino Superior, ed. Segmento. n. 163, p. 34-36, abr. 2012.
SILVA, A. R. L.; REBELO, S.; SANTOS, J. V. V.; NUNES, C. S.; SPANHOL, F. J. Modelos utilizados pela educação a distância: uma síntese centrada nas instituições de ensino superior brasileiras. Revista Gestão Universitária na América Latina, Florianópolis, v. 4, n. 3, p.153-169, set./dez. 2011.