ATIVIDADES MUSEAIS, PRÁTICA DOCENTE E PESQUISA:
Visitas técnicas a museus e o Programa de Iniciação Científica do ColégioPedro II no Museu da República
Claudia Regina Amaral Affonso1
José Paulo Antunes Teixeira2
Luiz Fernando Cunha Limia3
Pedro Krause Ribeiro4
Silvana Bandoli Vargas5
Resumo: Este relato de experiência docente apresenta as atividades museais realizadas com alunos no campus Tijuca II do Colégio Pedro II. Tais atividades de ensino e pesquisa foram parte do Projeto de Iniciação Científica Júnior, intitulado “Iniciação Científica em Ciências Humanas no Museu da República”, sob a supervisão do Departamento de História. No primeiro momento, os autores mostram a natureza da parceria entre o Museu da República e o Colégio Pedro II. Depois, eles tecem observações sobre o desenvolvimento do projeto no ano de 2016, utilizando relatos dos alunos sobre as suas diversas atividades no Museu da República, bem como os seus relatórios de viagem, elaborados após a missão oficial da equipe em visitas técnicas a museus portugueses, em outubro de 2016.
Palavras-chave: História – Ensino – Pesquisa – Museu – Programa de Iniciação Científica.
1 Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense. Professora Associada do
Departamento de História do Colégio Pedro II, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de História. E-mail: [email protected].
2 Mestre em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor do Departamento
de História do Colégio Pedro II. E-mail: [email protected].
3 Mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá. Professor do Departamento de História
do Colégio Pedro II. E-mail: [email protected].
4 Mestre em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor do Departamento de
História do Colégio Pedro II. E-mail: [email protected].
5 Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense. Chefe e Professora do
I – Introdução
A parceria e cooperação entre o Colégio Pedro II (MEC), através de seu
Departamento de História, e o Museu da República (IBRAM – MinC) baseia-se numa longa trajetória de construção de afinidades. Visitado anualmente por
centenas de estudantes do colégio em virtude de seu acervo permanente
contemplar temas e problemas da História da República, o Palácio do Catete,
seus Jardins, Biblioteca e Arquivo Histórico acabaram tornando-se destino
obrigatório das aulas de campo, tanto para alunos do Ensino Fundamental quanto
para os do Ensino Médio.
A partir de seu compromisso com a universalização democrática do acesso
aos seus acervos, e a construção da cidadania, o Museu mantém uma série de
iniciativas de cunho educativo abertas à população em geral. Podemos destacar a
riqueza única de seu acervo para se pensar, pesquisar e intervir na realidade
brasileira de construção incompleta do Estado de Direito e da Democracia. Além
disto, verificamos que existe no Museu um Setor de Educação voltado para a
recepção e produção de conhecimento dedicado ao público, em especial
estudantes e educadores em geral.
Na opinião de Ana Maria Monteiro, a relação entre educação e museu
ultrapassa a simples exposição do seu material para os visitantes:
Muito além da conservação da cultura material, os museus, através da exposição do seu acervo organizado a partir de diferentes conceitos, criam a oportunidade para desconstruir verdades estabelecidas, instigar questionamentos e despertar o interesse para a diferença, pela experiência do outro, de forma a buscar compreender alternativas e a construção histórica da vida social em perspectiva crítica. (MONTEIRO, 2010, p.15).
Sendo assim, na medida em que o museu é um espaço de formação crítica
Colégio Pedro II e o Museu da República do Rio de Janeiro, visando a formação
acadêmica e profissional de jovens estudantes interessados nas Ciências
Humanas. Ao longo do relato de pesquisa ora apresentado, analisaremos o
histórico dessa parceria, que já dura três anos, bem como faremos uma avaliação
dos trabalhos desenvolvidos pelo Projeto de Iniciação Científica Júnior ao longo
do ano de 2016.
II – A Iniciação Científica no Museu da República: os primeiros anos.
Em 2014, após reuniões de trabalho entre o Departamento de História do
Colégio e o Setor Educativo do Museu da República, em reuniões mediadas pelas
professoras do Colégio, Claudia Affonso e Silvana Bandoli Vargas, e pela
historiadora do Museu da República, Ana Paula Zaquieu, analisamos a proposta
de criarmos nesta instituição um campo de Iniciação Científica Júnior. O seu
objetivo central era oferecer aos alunos do Ensino Médio do Colégio Pedro II as
chances de experimentação das atividades científicas e profissionais
desenvolvidas pela equipe de arquivistas, museólogos, bibliotecários, sociólogos,
historiadores, restauradores, administradores, entre tantos outros, que atuam no
Museu da República. Os alunos deste programa seriam selecionados e
receberiam bolsas do programa de Iniciação Científica Júnior do Colégio Pedro II,
de acordo com a disponibilidade das mesmas.6
Como foco principal desse projeto, definiu-se o desenvolvimento da
capacidade de reflexão e construção do conhecimento histórico a partir da
materialidade do acervo do Museu. Podemos destacar o interesse do Colégio
6Para saber mais sobre o Projeto de Iniciação Cientifica Júnior do Colégio Pedro II, coordenado
pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (PROPGPEC), acesse: http://www.cp2.g12.br/blog/propgpec/pesquisa/programa-de-iniciacao-cientifica/.
Pedro II em propiciar aos seus alunos do Ensino Médio experiências relevantes
de iniciação à pesquisa ao mesmo tempo que lhes oferece aproximações
profissionais significativas na hora de escolherem suas carreiras. O processo
pedagógico também pode ser enriquecido pela realização de eventos conjuntos
Escola-Museu, entendidos como espaços educativos distintos e complementares.
Visando o fortalecimento dessa parceria, iniciou-se a implementação de um
Termo de Cooperação entre o Colégio Pedro II e o Museu da República, já tendo
o nosso procurador dado o seu aval para os aspectos firmados nesse acordo.
Atualmente, esse mesmo documento encontra-se sob análise do procurador do
Museu da República.
Em outubro de 2014, realizou-se o primeiro evento “Bastidores do Museu da República” com alunos do colégio, marcando o início de um novo tempo em nossas relações institucionais. Além disso, sob a orientação de Claudia Affonso,
foi selecionado um aluno para formulação de uma pesquisa no acervo do Museu.
No ano de 2015, ainda sob a orientação da professora Claudia Affonso,
fortalecemos nossos vínculos, ingressando quatro alunas nesse projeto de
Iniciação Científica. Como resultado dessa boa relação, ainda em 2015,
realizamos também uma atividade do cineclube Silvio Tendler, mantido pelo
Museu, no auditório do campus Tijuca II. Nessa ocasião, foi projetado o
documentário Militares da democracia: os militares que disseram não (2014), que
aborda a perseguição aos militares que se posicionaram contra o regime ditatorial
iniciado no Brasil em 19647. Nesse evento, tivemos a oportunidade de contar com
a presença de alguns desses militares para que pudéssemos debater os
7 A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), através da TV Brasil, disponibiliza em seu sítio
eletrônico os vídeos do documentário, dividido em episódios. Ver: http://tvbrasil.ebc.com.br/militares-da-democracia. Acesso em 1º de abr. 2017.
momentos vividos pelos mesmos.
III – Atividades realizadas em 2016.
No ano de 2016, esse projeto ficou a cargo dos professores Luiz Fernando
Limia, José Paulo Antunes Teixeira e Pedro Krause Ribeiro. Nesse ano, a parceria
com o Museu avançou para 10 bolsistas, distribuídos por cinco setores do museu:
Educativo, Arquivo, Galeria do Lago, Comunicação e Pesquisa. Um dia por
semana, durante quatro horas, os alunos tinham de comparecer ao museu para
realizar as atividades propostas no setor em que atuavam. Além disso, o grupo
de professores coordenadores realizava reuniões semanais no colégio com esses
alunos para avaliações das atividades que vinham sendo desenvolvidas.
Nos meses de maio e de junho, os bolsistas fizeram todo o trabalho de
reconhecimento dos setores do Museu da República, passando por cada seção
da instituição e fazendo visitas técnicas no jardim histórico e nos arredores do
Museu, usando espaços não convencionais de memória para debater a ocupação
do espaço urbano e as disputas de memória na cidade.
Nesse grupo de 2016, resolvemos que uma outra atividade seria proposta
aos bolsistas: uma série de visitas técnicas a outros museus do Rio de Janeiro,
objetivando que os estudantes atentassem para a diversidade de instituições
presentes na cidade, notando as múltiplas realidades existentes e comparando
seus acervos e atividades. O objetivo era de que, uma vez por mês, os bolsistas e
os seus professores-orientadores fizessem visitas técnicas aos museus,
mediados pelos seus respectivos setores educativos, sendo parte também de um
processo mais amplo de inserção dos bolsistas nas redes de educação museal.
Histórico Nacional. Na ocasião, além da visita às suas exposições permanentes e
temporárias, a equipe foi aos diversos setores, conhecendo áreas administrativas
e de pesquisa; portanto, parte do cotidiano da entidade e de seus servidores, em
mais um movimento de reconhecer os museus como um espaço de trabalho
científico, assim como instituições de aprendizagem e entretenimento.
No mês de setembro, realizamos uma caminhada pelo centro histórico do
Rio de Janeiro, entre a Praça XV de Novembro e a Praça Mauá, onde mostramos
um pouco da evolução histórica da cidade a partir de seus prédios e monumentos.
O objetivo central desse trabalho de campo foi mostrar a ressignificação do
espaço urbano, a relação de uma cidade em crescimento com sua memória,
seguindo uma advertência de Ecléa Bosi, que afirma que:
[...] [quando] o meio urbano afasta as pessoas que já não se visitam, faltam os companheiros que sustentavam as lembranças e já se dispersaram. Quando as vozes das testemunhas se dispersam, se apagam, nós ficamos sem guia para percorrer os caminhos da nossa história mais recente [...]. (BOSI, 2003, p. 70).
Na sua conclusão sobre a dispersão e o “silenciamento” das vozes dessas testemunhas, Ecléa Bosi (2003, p. 70) reitera que, em vez da “envolvente trama” que é tecida “à nossa frente”, somente nos restaria a história oficial. Nesse sentido, a proposta dessas visitações ao espaço urbano do Rio de Janeiro
pretendia que os alunos e alunas observassem as mudanças sócios-espaciais da
urbe, refletindo sobre as exclusões políticas e sociais implementadas nas diversas
reformas da cidade, questionando, de certa maneira, parte da história oficial.
Tendo em vista tal experiência, buscando ampliar nosso campo de
pesquisa, solicitamos junto à Reitoria do Colégio Pedro II, através da Chefia do
Departamento de História, o financiamento para uma série de visitas técnicas a
fora do país, proporcionando aos bolsistas a vivência de outras realidades
institucionais, possibilitando que os mesmos conheçam outras maneiras de
guardar e expor acervos, conhecer os seus "projetos educacionais", em outro
contexto político, social e econômico.
A iniciativa apresentada pretendia inserir o programa de Iniciação Científica
Júnior em um movimento mais amplo de aproximação de instituições
luso-brasileiras e que tem a Comissão Luso-Brasileira para Salvaguarda e Divulgação
do Patrimônio Documental (COLUSO) como uma de suas fontes de inspiração.
De forma breve, a COLUSO é uma iniciativa bilateral entre Brasil e Portugal,
iniciada na década de 1990, que incentiva a permuta de informações arquivísticas
e documentais dos dois países. (COLUSO, 2014, p. 17).
No Brasil, o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), em parceria com a
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), promove pesquisas e
processos técnicos de restauro, de digitalização e de arquivamento de
documentos, disponibilizando bolsas de iniciação científica para graduandos de
diversas cadeiras das Ciências Humanas, como História e Ciências Sociais.
Por isso, ao propormos algo análogo à COLUSO, afirmamos que nossa
intenção era a de promover aos alunos e alunas do Colégio Pedro II uma relação
de vivência com museus e instituições de Portugal que é comum no ensino
superior brasileiro, mas que é raro no ensino básico, sendo, nesse caso, algo
inovador e relevante para o campo da educação, colocando o Colégio Pedro II em
uma posição de destaque na promoção da ciência e da formação acadêmica de
seu corpo discente.
Após a aprovação da Reitoria, realizamos um roteiro de 6 (seis) dias em
coordenadores envolvidos e a chefe de Departamento, professora Silvana Bandoli
Vargas. As nossas visitas técnicas incluíram o centro histórico de Lisboa e alguns
monumentos clássicos lisboetas (como a Torre de Belém, o Padrão dos
Descobrimentos e o Castelo de São Jorge), o Palácio Nacional da Ajuda (Lisboa),
o Palácio Nacional de Queluz (Queluz), o Palácio Nacional da Pena e o Castelo
dos Mouros (ambos em Sintra).
Como parte da formação dos discentes e dos docentes envolvidos no
projeto, consideramos que as visitas técnicas feitas aos museus portugueses
propiciaram aos envolvidos o enriquecimento de seus conhecimentos prévios da
história portuguesa, das instituições museais visitadas e da aplicação prática, em
outra realidade institucional, dos conceitos históricos, arquivísticos e
museológicos, desenvolvidos no projeto de pesquisa da equipe de História do
campus Tijuca II. Conhecer outras instituições, bem como a sua diversidade administrativa (empresas privadas, empresas públicas com diretorias privadas e
instituições públicas), possibilitou aos alunos e professores uma experiência
científica importante no seu processo de formação no ciclo básico e de formação
continuada.
Como produto final do Projeto de Iniciação Científica de 2016, obtivemos
relatórios dos bolsistas, produzidos a partir dos trabalhos realizados nos setores
do Museu da República e das observações feitas na viagem a Portugal. Sobre a
experiência na instituição brasileira parceira, destacamos o aprendizado das
atividades museais e o papel que os museus têm na formação dos indivíduos.
Segundo o relato do bolsista Marcos Octávio Machado Mendonça, suas
atividades no setor Educativo foram importantes, pois os alunos envolvidos no
seu cotidiano no Museu da República, bem como o de sua colega de setor, Ninah
Braga Nogino Paiva, funcionou da seguinte maneira:
Começamos dividindo o palácio [...], depois tivemos várias visitas e conversas para conhecer mais a fundo o palácio e seus aspectos gerais, as suas histórias sobre antes e depois da Republica e seu caminho até se tornar museu. Lemos, conversamos, estudamos e pesquisamos sobre os mais diversos pontos [...], chegando, assim, a nossa meta: onde levamos um grupo de mais ou menos 30 alunos para uma visita mediada ao palácio. (MENDONÇA, 2017)
É relevante mencionar que todos os bolsistas conheciam os diversos
setores do Museu, a todo o momento sendo levados a pensar sobre as redes que
ligavam aquelas seções. No relato da bolsista Fernanda Carvalho Freitas de
Paula, alocada no setor de Arquivo, podemos exemplificar tal observação.
Segundo a aluna:
Algumas de minhas tarefas durante o estágio foram: higienizar documentos, organizá-los em ordem cronológica, organizar pastas que continham recortes e materiais de jornais com menções ao Museu da República, acompanhar visitas escolares guiadas até o laboratório de higienização e aprender como funciona o dia a dia do local de trabalho. (PAULA, 2017)
Portanto, a aluna não se limitou ao trabalho exercido no setor de Arquivo,
trabalhando indiretamente na mediação com os visitantes, tarefa coordenada pelo
setor Educativo.
A experiência vivida por esses bolsistas no Museu da República gerou
inúmeros questionamentos aos estudantes quando o comparavam com as
instituições portuguesas. Duas questões centrais nos roteiros elaborado pelos
bolsistas e professores-orientadores foi justamente sobre o papel da formação
dos mediadores nos museus portugueses e na existência, ou não, de projetos
Paiva e Lyz Santos Ramos da Silva, as bolsistas transcreveram a entrevista que
fizeram com mediador do Palácio da Pena, Bruno, que respondeu da seguinte
maneira à questão da formação dos mediadores da instituição:
Sim, há uma formação do Palácio a partir da empresa, que gere outros palácios também, como o de Queluz. Então, demora cerca de 2 dias intensivos, depois são feitas muitas pesquisas até nos sujeitarmos a uma avaliação por meio de visita. E depois se começa a atuar como mediador. (SILVA; PAIVA, 2017)
Já no relatório de Augusto Valente Rodrigues e Filipe Furtado Capuano, ao
questionarem sobre a existência de projetos pedagógicos no Museu da Ajuda,
tiveram a seguinte resposta de Teresa Marrecos, do Setor Educativo do museu:
[...] há em Portugal um concurso nacional chamado “A minha escola adota um museu, um palácio, um monumento...”. Há dois anos uma escola adotou nosso palácio [...]. É um concurso que envolve tanto escolas públicas quanto privadas no qual o objetivo é estreitar a relação do museu com a comunidade. Neste caso, quem nos adotou foi uma escola pequena do alto da Ajuda, próxima do palácio. O prêmio para os vencedores eram entradas gratuitas para eles e suas famílias aos diversos museus portugueses. (RODRIGUES; CAPUANO, 2017)
Os dois bolsistas concluíram em seu relatório de viagem que, além de
estreitar os laços do museu com a comunidade, o regulamento do certame para
ano de 2014 incluía em um dos seus artigos que o projeto também pretendia
“estimular o conhecimento da realidade museológica” (2014, apud, RODRIGUES; CAPUANO, 2017). Inferiram os estudantes que existia uma natureza semelhante
entre essa iniciativa e o trabalho que eles desenvolviam no Museu da República.
Outros trabalhos e produtos foram desenvolvidos pelos bolsistas ao longo
do ano de 2016 no Projeto de Iniciação Científica Júnior. Em destaque, podemos
citar o artigo elaborado pelos bolsistas Lyz Santos Ramos da Silva e Daniel
Wendel Diniz Manoel, em conjunto com a historiadora Maria Helena Versiani,
2017). Além disso, é importante ressaltar que esses relatórios serviram de base
para o banner que foi produzido para a Jornada de Iniciação Científica do Colégio
Pedro II, realizado em abril de 2017.
IV – Considerações finais
Ao promover a relação entre escola e museu, utilizando como ponte a
educação, o objetivo central do projeto "Iniciação Científica em Ciências Humanas
no Museu da República" é o de que alunos e alunas do colégio experimentem as
atividades cotidianas de uma entidade deste tipo, conhecendo os seus bastidores
e os seus setores, percebendo as Ciências Humanas como um campo do
conhecimento importante para o desenvolvimento científico do país, assim como
um destacado espaço de memória. Portanto, trata-se de uma iniciativa que
ultrapassa as próprias barreiras institucionais do Museu da República, provendo
uma experiência científica diferenciada para os seus bolsistas e desejando ser um
programa ainda mais amplo, criando laços institucionais entre o Colégio Pedro II e
outras entidades nacionais e internacionais.
Logo, o desenvolvimento do programa de iniciação científica júnior tem
possibilitado que novas ideias e atividades surjam, aprofundando um dos pilares
do projeto apresentado, que é o de oferecer aos seus alunos do Ensino Médio
experiências relevantes de iniciação à pesquisa. O nosso objetivo é oferecer ao
aluno de Ensino Médio a oportunidade de desenvolver pesquisas que,
normalmente, são oferecidas somente no nível superior. Além disso,
procuraconferir às Ciências Humanas um lugar central na produção de
conhecimento no âmbito do Colégio Pedro II. Ao mesmo tempo, ele oferece aos
carreiras, centrando tal experiência nas Ciências Humanas e no destaque do
papel do museu na preservação da nossa memória coletiva.
Referências Bibliográficas.
BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
COLUSO – Comissão Luso-Brasileira para Salvaguarda e Divulgação do Patrimônio Documental: Seção brasileira. Relatório de atividades 2010-2014. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 2014.
MENDONÇA, Marcos Octávio Machado. Relatório de Atividades – Setor
Educativo. Projeto Iniciação Científica Júnior – Colégio Pedro II, Rio de Janeiro,
2017.
MONTEIRO, Ana Maria. O ensino de história e museus: o diálogo com a experiência do outro. In: Revista do Professor – Museu da República, Rio de Janeiro, n. 2, p. 14-15, jan. de 2010.
PAULA, Fernanda Carvalho Freitas de. Relatório de Atividades – Setor de
Arquivo. Projeto Iniciação Científica Júnior – Colégio Pedro II, Rio de Janeiro,
2017.
RODRIGUES, Augusto Valente; CAPUANO, Filipe Furtado. Relatório de Viagem
– Palácio Nacional da Ajuda. Projeto Iniciação Científica Júnior – Colégio Pedro
II, Rio de Janeiro, 2017.
SILVA, Lyz Santos Ramos da; PAIVA, Ninah Braga Nogino. Relatório de Viagem
– Palácio Nacional da Pena. Projeto Iniciação Científica Júnior – Colégio Pedro
II, Rio de Janeiro, 2017.
VERSIANI, Maria Helena; MANOEL, Daniel Wendel Diniz; SILVA, Lyz Santos Ramos da. No meio do caminho tinha um museu. In: Publicações, Rio de Janeiro, fev. 2017. Disponível em: http://museudarepublica.museus.gov.br/no-meio-do-caminho-tinha-um-museu/.Acesso em 1º de abr. 2017.
MUSEUM ACTIVITIES, TEACHING PRACTICE AND RESEARCH:
Technical visits to museums and The Junior Scientific Initiation Programmeof Colégio Pedro II in the Republic Museum.
Abstract: This report of teaching experience aims at presenting and discussing the museum activities which were carried out with the Tijuca II-based students from Colégio Pedro II. Such activities encompassed teaching and research in Basic Education and were part of the Junior Scientific Initiation Programme, entitled “The Scientific Initiation in Human Sciences at the Republic Museum”, under the supervision of the Department of History. Firstly, the authors underline the nature
of partnership that was established between Colégio Pedro II and the aforementioned museum. Secondly, they pinpoint how the project was developed and what its impacts were in the course of 2016 based on students’ reports. These reports concern both the various activities put into practice in the museum facilities and the fieldwork notes made by the team on their official mission and technical visits to Portuguese museums in October of that year.
Keywords: History –Teaching Practice – Research – Museum– Junior Scientific Initiation Programme.
Recebido em 19/05/2017 Aprovado em 19/06/2017