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MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA

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Academic year: 2022

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M ORFOLOGIA D ISTRIBUÍDA

L

INGUÍSTICA

– USP FLL0435

N

OVEMBRO

, 2021

P

ROFA

A

NA

P

AULA

S

CHER

(3)

Retomada: Gerativismo III

Se as distinções entre flexão e derivação são reais:

a arquitetura da gramática contém lugares distintos para a aplicação desses mecanismos;

Hipótese lexicalista fraca: um morfologia lexical (derivacional) associada a RFPs e uma morfologia pós-sintática (flexional);

A arquitetura sugerida ao lado explica algumas das distinções entre flexão e derivação apontadas acima.

Haspelmath (2002):

Distinções entre flexão e derivação:

Flexão é relevante para a sintaxe – nome plural desencadeia concordância no adjetivo;

Flexão é obrigatória – verbos finitos concordam com sujeito;

Formas flexionais são semanticamente regulares ([-s sempre plural]; re- (?)redefinir,realçar);

Paradigmas flexionais devem ser completos;

Flexão está na periferia das palavras;

Flexões podem expressar conteúdos acumulados (formas verbais)

Dificuldades da proposta:

número obrigatório (critério 2) em nomes plurais, mas não cumulativa (critério 6);

Lind-a-mente: marca de gênero (flexão) antes de uma marca derivacional (-mente) (critério 5?);

Verbos defectivos: o paradigma flexional incompleto (critério 4?);

Bybee (1985), Gonçalves (2011) – contínuo;

Booij (1996): flexão contextual, flexão inerente, derivação;

Di Sciullo e Williams (1987);

Lieber (1992)

(4)

Retomada: Morfologia Distribuída

Três propriedades;

Inserção tardia: propriedades fonológicas não tem função na estrutura sintática – operações sintáticas trabalham em conjuntos de traços morfossintáticos sem som;

Subespecificação dos itens de vocabulário: os itens de vocabulário – as regras do Vocabulário – não precisam conter todas as propriedades formais dos nós terminais sintáticos em que serão inseridos;

Estrutura sintática hierárquica por toda a derivação: estrutura sintática alcança o nível da palavra..

Três listas distintas;

Lista 1: o léxico estrito – fornece traços morfossintáticos para a sintaxe (que os combinará por suas regras e operações sintáticas):

[fem], [pl], [presente], [passado], [voz passiva], [acusativo], [v], etc

Lista 2: o vocabulário – fornece regras de correspondência entre traços fonológicos e traços ou feixes de traços morfossintáticos;/-as/

↔ [2,sg]

Lista 3: a enciclopédia - listas os significados não gramaticais das raízes das palavras, que levam em conta contextos específicos.

GATO – animal felino; se humano, bonito; se objeto, emaranhado de fios

(5)

Morfologia Distribuída: Lista 2 - funcionamento

-a 1.sg

-as 2.sg

-a 3.sg

-amos 1.pl -eis 2.pl -am 3.pl

-a se associa à 1sg e 3sg – nas formas de pretérito imperfeito do indicativo das formas verbais do português:

am-a-v-a vend-Ø-i-a part-Ø-i-a

am-a-v-as vend-Ø-i-as part-Ø-i-as

am-a-v-a vend-Ø-i-a part-Ø-i-a

am-a-v-amos vend-Ø-i-amos part-Ø-i-amos

am-a-v-eis vend-Ø-i-eis part-Ø-i-eis

am-a-v-am vend-Ø-i-am part-Ø-i-am

• uma regra de inserção estabelece que determinados conjuntos de traços será pronunciado por –a.

 [1sg] e [3sg];

 A regra não precisa ter todas as especificações do elementos ao qual ela vai fornecer a pronúncia: -a cabe na 1ª e na 3ª pessoas – não é particularmente especificado para nenhuma das duas:

Item de vocabulário: /a/ ↔ [sg]

(6)

Morfologia Distribuída: Lista 2 - funcionamento

• Com apenas esse traço, -a fica apto a oferecer fonologia também para a [2sg]. Como impedir isso?

 Princípio do subconjunto:

a) Somente regras especificadas com todos ou com um subconjunto dos traços do nó que é seu alvo podem competir para se aplicar nele;

b) A regra que se aplica será aquela cuja especificação incluir um subconjunto maior dos traços do nó.

Nó sintático: [2.sg]

Itens de vocabulário: /as/ ↔ [2sg]

/a/ ↔ [sg]

-a 1.sg

-as 2.sg

-a 3.sg

-amos 1.pl

-eis 2.pl

-am 3.pl

(7)

Uma derivação em Morfologia Distribuída

Uma moça dançava uma valsa

• Pré-seleção de elementos da lista 1: v1, n2, D[Indef]2, T[prt, imperf]1, C1, MOÇ, VALS, DANÇ

• Operação concatenar para formar os nomes:

nP nP

3 3

n √MOÇ n √VALS

• Operação concatenar para formar os sintagmas nominais:

DP uma moça DP uma valsa

3 3

D nP D nP

3 3

n √MOÇ n √VALS

(8)

Uma derivação em Morfologia Distribuída

Uma moça dançava uma valsa

• Pré-seleção de elementos da lista 1: v1, n2, D[Indef]2, T[prt, imperf]1, C1, MOÇ, VALS, DANÇ

• Operação concatenar para formar o verbo:

v 3

v √DANÇ

• Operação concatenar para formar o sintagma verbal (este verbo tem dois argumentos):

vP

qo

DP v’

6 qo

Dindef √MOÇ-n v DP

3 6

v √DANÇ Dindef √VALS-n (dançar)

(9)

Uma derivação em Morfologia Distribuída

Uma moça dançava uma valsa

• Pré-seleção de elementos da lista 1: v1, n2, D[Indef]2, T[prt, imperf]1, C1, MOÇ, VALS, DANÇ

• Operação concatenar para formar o sintagma flexional:

qoTP

DP T’

6 qo

Dindef √MOÇ-n T vP

[Pret.Imperf] qo

DP v’

t qo

v = (dançar) DP 3 6

v √DANÇ Dindef √VALS-n

(10)

Uma derivação em Morfologia Distribuída

Uma moça dançava uma valsa

• Pré-seleção de elementos da lista 1: v1, n2, D[Indef]2, T[prt, imperf]1, C1, MOÇ, VALS, DANÇ

• Operação concatenar para formar o sintagma CP, que fecha a oração:

3CP

C TP

qo

DP T’

6 qo

Dindef √MOÇ-n T vP

[Pret.Imperf] qo

DP v’

t qo

v = (dançar) DP 3 6

v √DANÇ Dindef √VALS-n

(11)

Uma derivação em Morfologia Distribuída

Uma moça dançava uma valsa

• Inserção de concordância

• Operações pós-sintáticas para inserir concordância na oração:

3CP

C TP

q

DP T’

qo qo

D nP T vP

qo 2 qy qo

D Agr n √MOÇ T Agr DP v’

[fem., sg] [Pret.Imperf] [3, sg] t qo

v = dançar DP

3 qo

v √DANÇ D nP

qo 2

D Agr n √VALS

[fem., sg]

(12)

Palavra em Morfologia Distribuída

• Em Morfologia Distribuída, a distinção entre processos que formam palavras e processos que formam sentenças não existe:

 Marantz (1997): dificuldades para se sustentar a noção de palavra pressuposta em modelos lexiclaistas. A noção de palavra pressupõe convergência entre critérios fonológicos, semânticos e estruturais – isso não ocorre:

 Palavra fonológica não corresponde à um item lexical (unidade sintática) – regras fonológicas lexicais não se aplicam comportadamente a itens lexicais:

 elas podem se aplicar a coisas maiores que os itens lexicais:

Língua hausa: verbos de uma determinada classe (propriedade lexical) tem sua vogal /a/ alterada para /i/ na presença de um complemento não pronominal:

na: sàyá (eu comprei) na: sàyí àbinci (eu comprei comida)

 Significados especiais não se restringem ao domínio de itens lexicais: léxico não é o lugar das idiossincrasias entre som e significado:

 Expressões idiomáticas: chutar o balde, entrar pelo cano, etc – significado especial resulta da relação particular entre os itens dessas construções.

(13)

Palavra em Morfologia Distribuída

 Jackendoff: expande o léxico para manter a ideia de que o léxico é o lugar das idiossincrasias Problema: qualquer construção poderá ser incluída no léxico, o que não é verdade.

 Marantz: na estrutura sintática de uma sentença, o elemento que introduz o agente cria um domínio de significados especiais:

3vP

Agente v’

3

v DP

3

v √P

v é um núcleo que projeta um agente:

 A linha curva estabelece a fronteira de significado especial;

 Não existem expressões idiomáticas com agentes fixos;

 Os domínios de significados especiais não são definidos

apenas por itens lexicais

(14)

Palavra em Morfologia Distribuída

 Relação entre estrutura e significado:

 Não existe correspondência especial entre significado e estrutura em nenhum lugar, no léxico oufora dele;

 Não há idiomatização (interpretação arbitrária) de uma estrutura, que não seja derivada das partes componentes: só raízes têm significados especiais;

 Se a estrutura morfológica de um item é complexa, com vários afixos, deve existir uma estrutura equivalentemente complexa de nós terminais sintáticos daquele item – composicionalidade:

Glob-al-iz-a-ção

 Cada afixo contribui de maneira regular para o significado final do item:

-al – cria adjetivo que define uma propriedade de uma entidade qualquer;

-iz- cria um verbo com semântica causativa – a propriedade definida pelo adjetivo será atribuída ao referente;

-ção nominaliza o verbo.

 Discutir: pisante e perder a cabeça

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Palavra em Morfologia Distribuída

Pisante

 verbo + nominalizador – pisar + nte

 Define uma propriedade do sujeito do verbo;

 MAS: denota um tipo de calçado – isso não seria evidência de que existe uma correspondência especial entre estrutura e significado nessa palavra?

 Marantz (1997): a palavra carrega implicações semânticas de sua estrutura – o referente de formas em –nte é o instrumento com que se realiza a atividade definida pelo verbo (em pisante, desinfetante, também): essas implicações semântica n]ao seria observáveis, se a palavra fosse listada no léxico.

Perder a cabeça

 Evento pontual, sem duração (?João está perdendo a cabeça agora; ?João perdeu a cabeça por horas);

 Outros eventos denotados por perder também são pontuais (perder o relógio - ?João está perdendo o relógio agora; ?João perdeu o relógio por horas);

 A leitura idiomática preserva as propriedades aspectuais de expressões não idiomáticas com o mesmo verbo: se fossem armazenadas no léxico não manteriam, necessariamente, essas propriedades.

(16)

Referências

• FIGUEIREDO SILVA, M. C.; MEDEIROS, A. B.. Para Conhecer Morfologia. São Paulo: Contexto, 2016.

(17)

Obrigada!!!

(18)

Uma derivação em Morfologia Distribuída

3

T vP

[pret. imp] 3

[1pl] v’

3 v – visitar DP

3 minha mãe /a

v √VISIT

/a/ ↔ [sg]

/as/ ↔ [2.sg]

/mos/ ↔ [1.pl]

Referências

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