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4 Carta para meu amor

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Academic year: 2022

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1 PENSAMENTOS EM FORMA DE

POESIA

Piracicaba, 12 de outubro 2020

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2 Sumario

Sou amante da natureza, busco vivenciar e

transmitir com palavras tudo o que aprendo com ela meus sentimentos e pensamentos. Posso dizer que sou romântico, então escrevo alguns pensamentos que vivem em minha memória, chamo de

"Pensamentos em forma de Poesia”, tudo que gostaria de viver ou que ainda pretendo vivenciar.

Hoje posso dizer que estou compartilhando um pouco do meu mundo escrevendo meu primeiro livro.

(3)

3

Sumário

PENSAMENTOS EM FORMA DE POESIA ... 1

Sumario ... 2

Quando a mascara do amor cai ... 4

Carta para meu amor ... 5

Domingo ... 6

Dois caminhos e um único destino ... 7

Cavalgada ... 8

Liberdade ... 9

Dia a dia do caboclo... 10

Eu quero ... 11

O mesmo sol ... 12

Tenho medo ... 13

Solidão ... 14

Saudades da infância ... 15

Guardo lembranças... 16

As barrancas do rio Piracicaba ... 17

O pescador ... 18

O pastar da boiada ... 19

Velho Peão ... 20

Minha vida de peão ... 21

Lamento de um berranteiro ... 22

Sina de peão ... 23

Em meio à boiada ... 24

(4)

4 Quando a mascara do amor cai

Atrás do espelho consegui ver sua imagem, te senti e te toquei, fiz pensar que eras seu maestro, sem mostrar meu rosto insano.

Sou aquele fantasma da ópera que assombrou seus pensamentos, fazendo com que você saísse do seu ritmo, para que eu regesse.

O sonho e os desejos eram sempre mágicos, idealizados pela música que tocava em seus ouvidos, dueto perfeito entre eu e você.

A minha máscara você tocou, fazendo com que saísse em suas mãos, com ela toda suas expectativas viraram desilusões.

Lindo anjo, hoje sei que te encantava apenas com minhas músicas, mas foi só assim que eu consegui viver em sua mente, hoje vivo somente em seu coração

(5)

5 Carta para meu amor

Quero te pegar num sábado à tarde sair de mãos dadas e ficar te admirado, o quando és bela Saborear seu beijo...te levar ao cinema, sentir sua mão em meu rosto, te olhar com sua blusa marrom Seus olhos e seus cabelos realçado pelo escuro, e, poder sem medo de falar que te amo, em seu ouvido Te levar embora, ficar te namorando no portão, até que nossas bocas adormeceram, te olhar fazendo graça

Parto, mas com um sorriso falo, quando chegar te ligo, e, ficaremos horas e horas nos falando no telefone,

Desliga você, não desliga você, tá, um beijo...

No outro dia comendo uma maçã, com roupinha de ginástica vai em casa, para nos amar, de baixo do cobertor....

(6)

6 Domingo

Quero te olhar dormindo, Me embebedar de teu sono,

Te acordar com um cheiro, de manhã.

Quero te ver de pijama na cozinha, de manhãzinha coando café, Com teu olhar me saciar de prazer Quero apreciá-la saindo do chuveiro, Com teus cabelos molhados,

Com a toalha enrolada no teu corpo.

Quero admirar teu sorriso, Desejar tua boca,

Saborear teu beijo no sofá.

Quero te despir lentamente, Acariciar teu corpo,

Te deixar ardente, Te fazer mulher.

(7)

7 Dois caminhos e um único destino

Ele...Sentado em uma sela, sobre as patas de um cavalo, levantando a poeira do estradão, corre em direção ao sol

Ela...montada em sua moto com luvas e jaqueta de couro deixa seu rastro no asfalto

Ele...No domínio das rédeas, com o berrante na mão, toca bem alto pro som chegar até o seu coração

Ela...Com o vento no rosto e cabelo voando sobre os ombros, faz o motor roncar, e som do choro do escapamento, seguir olhando o nascer do sol pelo retrovisor

Ambos...Correram por lugares diferentes...mas sempre em direção ao pôr sol

E onde repousa o sol, finalmente se encontraram.

Ele com a poeira do estradão.

Ela com a fuligem do asfalto.

E do pó num pôr do sol veio o beijo.

(8)

8 Cavalgada

Levanto de madrugada pego os cavalos no pasto, as traia pendurada no celeiro, arreio os petiço Eu e minha amada saímos trotando sem rumo e sem destino, com as rédeas na mão, andando lado a lado no estradão

Logo adiante, o céu resplandece uns tons vermelhos, são os primeiros raios do sol, iluminando nossos destinos

O trinar dos pássaros nos topos das árvores, saúdam nosso cavalgar,

Cavalos amarrados na árvore e nós uns aos outros por um beijo,

Passo a passo tomamos nosso rumo, em direção ao ribeirão de águas cristalinas, que fica atrás do morro

Com o sol escaldante, apeamos dos cavalos, despirmos nossas roupas, entramos para se refrescar, com toda a beleza aproveitamos nos amar

Como as águas contornam as pedras, assim era as minhas mãos em seu corpo, com minha boca na sua, saboreamos o sabor da natureza, o vento soprando, eu sussurrando em seu ouvido, te amo Tardinha com o sol já se pondo, fizemos o caminho de volta.

(9)

9 Liberdade

Cavalos selvagens,

Correm livremente, sem selas, sem arreios em direção ao sol.

Cavalos que se deixam dominar submetem a sela e arreios, galopam guiados por rédeas e freio.

Cavalos selvagens são indomáveis são livres como o vento.

Devemos ser como aos cavalos selvagens, viver sem selas e sem arreios, correr

livremente sem ser guiados por rédeas e freio, em direção ao sol.

(10)

10 Dia a dia do caboclo

Toda manhã ouço o gorjear solitário da corruíra, embaixo da minha janela, me anunciando mais um dia

Levanto ainda meio modorrento, jogo uns gravetos no fogo, pra aquecer meu café

O galo índio estufa seu peito, e canta, evidenciando que ainda è o dono do terreiro

Ordenho minha vaquinha, tiro seu leite para preparar o queijo, jogo milho pras galinhas, apanho os ovos nos ninhos

Debulho milho pros porcos, pico cana pro gado, jungir o arado ao lombo do burro, preparo a terra pra mais uma lavoura

Na hora do almoço, deito na rede em baixo das árvores, fico admirando o vai e vem dos pássaros nos pés de fruta, tiro meu cochilo.

Caminho até o ribeirão que fica lá no meio da mata, me banho nas suas águas cristalinas

O sol começa a se pôr no horizonte, è hora de irrigar a horta, as gotas caem, sinto o cheiro de terra molhada, cheiro de poeira, cheiro de saudade

Termina mais um dia, retorno pra minha casa, sento na varanda, observo o céu cheio de estrelas, pego minha viola e me ponho-a cantar

(11)

11 Eu quero

Uma espreguiçadeira na varanda, vasos pintados de branco, samambaias e orquídeas penduradas. Janelas de madeira

Um pergolado no quintal, rodeado de estrelícias e açucenas das mais variadas cores, repleto de amor e beija-flores

Lírios, primaveras e roseiras, onde, debaixo, canários e pardais banham-se nas poças deixadas pela mangueira

Observar as polpas das frutas maduras sendo picadas por bem-te-vis, sanhaços e sanhassiras

Ver, sumindo em meio as helicônias, a corruíra, com seu trinar choroso, saltitante pelo chão

Poder olhar empoleirada no galho de uma laranjeira, a sabiá, com seu canto saudando o alvorecer

(12)

12 O mesmo sol

Abri a janela do meu quarto hoje de manhã, olhei para o sol.

Corri para o outro lado do mundo.

Olhei novamente para o sol, foi quando percebi que se tratava do mesmo sol.

(13)

13 Tenho medo

Tenho medo

Quando vejo o suor cansado da noite caindo sobre a minha cabeça

Tenho medo

Quando sinto o cheiro da noite impregnando meus pensamentos

Tenho medo

Quando sinto o gosto amargo da noite escorrendo na minha boca

Tenho medo

Quando ouço o silêncio da noite, que nunca acaba, gritando em meu ouvido

Tenho medo

Quando o vento frio da noite acaricia o meu rosto nas noites de insónia

(14)

14 Solidão

Por mais que eu tente esquecer o passado, uma música, um cheiro traz toda a lembrança à tona novamente.

(15)

15 Saudades da infância

Passando por este estradão, vejo lá adiante, uma casinha

sendo consumida pelo tempo.

Um mata burrão na entrada, e a velha porteira, que me traz à memória

toda a minha história.

Minha mãe, debulhando o milho pras galinhas no terreiro, e seu

fogareiro a aquecer o café.

Meu pai, com sua enxada nas mãos, remexendo a terra pra fazer a plantação.

Meu irmão chegando em seu cavalo todo traiado, que, atrás de gado, vivia a tocar.

Pegava a sua viola e conosco vinha cantarolar.

Ainda vejo o meu balanço amarrado naquela mangueira, onde todas as tardes eu ia brincar.

Armar arapuca no mato, pular no ribeirão, ouvir o grito da galinha, quando termina de botar.

A casinha do joão-de-barro, e o grito da seriema em cima do mourão a gritar.

Hoje, toda em ruínas, e tomada por parasitas e pelo mato, só o que me resta é a saudades da minha infância.

(16)

16 Guardo lembranças

Guardo lembranças

de ficar olhando da varanda, o cavalo pastando na chuva, nas tardes de verão.

Guardo lembranças

de quando brincava com meus carrinhos, e meu avô, fumando seu cigarrinho,

me olhava da janela.

Guardo lembranças

do abraço apertado da minha avó e de como era vaidosa.

Guardo lembranças

das tardes ensolaradas em que brincávamos de bola, e de pega-pega com os colegas.

Que hoje estão apenas na lembrança.

Guardo lembranças do cheiro do bolo que minha avó fazia para comer com café, à tarde.

Guardo lembranças

de tudo que me aconteceu de bom e até mesmo o que me aconteceu de ruim.

Pois hoje, o que me resta é apenas lembrança.

(17)

17 As barrancas do rio Piracicaba

O sol ainda entre as nuvens, a neblina do amanhecer cobre com seu véu, as águas que escoam entre as pedras do rio, e, como um coro, a sua melodia regida por um maestro, se espalhando como gotículas d´água.

Tempo de piracema, piavas, piaparas, lambaris, dourados e outros, num incansável bailado, nadam contra a correnteza até as cabeceiras para se reproduzirem.

Equilibrando-se sobre seus pés finos e compridos, com seu pescoço no formato de “s”, a garça esmiúça um peixe com seu bico pontiagudo.

Na ponta de seu barco, o pescador ereto joga aberta a sua rede de pesca, olho embaçado pelo sol puxando da água mandis e cascudos.

Nos troncos caídos em meio ao rio,

um bando de biguás com asas abertas, seca suas penas com o bico aberto, e, num mergulho rápido, traz um mandi, fazendo malabarismos até o engolir.

Amamentando seus filhotes, uma família de capivaras

descansa em um banco de areia com um capinzal a sua volta, da noite que passou pastando.

Se camuflando entre as pedras roliças de águas

barrentas, estão os cágados que respiram as espumas do rio ficam com sua cabeça pra fora d' água e, nas margens, esticam seus pés para se aquecer do frio.

Beirando a beirada do rio, com a lua e o surubim a clarear, arma nas mãos, o pescador acerta a pobre da cutia, que para dentro do barco vai colocar.

Grande ninho feito de graveto no topo de uma árvore seca às margens do rio, com aparência desajeitada, pernas compridas com cabeça e pescoço pelados, um casal de cabeça seca tratando de seus filhotes.

Com o sol se pondo, ouve-se um cantar melodioso em meio à mata, dono de uma plumagem esverdeada que se confunde com as folhas das árvores, o coró-coró, por uns instantes, cala a mata.

Anzol de galho que outro dia o pescador com seu barco a remo, amarrou para pescar, o pintado que se debate para escapar.

Um bando de garcinha-branca faz sua revoada, pousando uma a uma no topo da árvore, exibindo suas caldas com longas penugens egretas

Pernalta, com plumagem negra, e seu casaco de cor castanha, saltam entre os lírios d' água, os pequenos jaçanãs que enfeitam as poças com seu bico amarelo e vermelho.

Exibindo pose de alerta em uma paineira, um solitário socó-boi, com seu pescoço esticado e penas estufadas, solta seu esturro forte que ecoa na tarde fria.

Nos barrancos dos rios, onde fazem seus ninhos, dono de uma mira certeira, um pássaro pequeno de bico longo, o martim pescador mergulha para fazer seu almoço.

Levado pela correnteza num galho empoleirado, o savacu pega uma carona pra fazer sua refeição, com o vento frio da madrugada batendo nas suas penas, saúda com seus gritos o luar daquela noite fria

(18)

18 O pescador

Levanto cedo, com o sol clarinho tomo meu cafezinho e os apetrechos vou arrumar.

Pego a enxada e meu chapéu de palha pra me proteger do sol e as minhocas

vou arrancar.

Sentado debaixo da árvore admirando a paisagem garças, biguá e socós,

vêm me saudar.

Pulando na beira do rio lambaris e piabas debaixo dos seixos, mandis e cascudos, minha rede vou armar.

Jogo o anzol no rio acendo meu cigarrinho e fico ali a meditar.

Uma fisgada na vara, é um lambari que fora d´água vai ficar.

Um a um, no covo vou guardar.

(19)

19 O pastar da boiada

De manhãzinha, debruçado nesta velha porteira, fiquei aqui calado só a observar

Os passos longos da garça-boiadeira, que, seguindo o pisotear do gado,

sacia sua fome com os insetos que revoam do capim.

O bando de anu-preto aguarda o momento de pousar sobre o dorso dos bois, para livrá-los de seus parasitas.

E como é grande a coragem do anambé-de-capuz, que, empoleirado na orelha do gado, retira com cuidado seu alimento.

Houve-se um gritar, é o gavião-carrapateiro, que no lombo do gado vai se banquetear.

(20)

20 Velho Peão

De chapéu de aba larga calça de couro com margaridas, presa com uma guaiaca e sua faca atrás na cintura.

Sob as patas de seu cavalo e no comando das rédeas, entra em meio à mata atrás de uma novilha.

Com marcas de telegramas nas mãos, feitas pelo laço que carrega na sela,

um peão de aparência encanecida e olhar austero,

Ainda com o gosto amargo do tereré na garganta segue à frente da boiada, tocando seu berrante dando continuidade à marcha, em meio ao estradão.

Barulhos de cascos, roçar de chifres, gritos de peões, o balançar de sinos dos polaqueiros, segue a comitiva.

Entre uma parada e outra, continua o trabalho em seu laço, trançando seus tentos, ajeita o arreio no seu cavalo, volta pra lida.

Velho peão não se aguacha de sair à frente de comitiva, enfrentar o pó do estradão.

Velho guapa cheio de experiência, despreza o perigo e a dor, velho peão...velho rústico.

(21)

21 Minha vida de peão

Minha vida de peão é viver na solidão cavalgando solitário pelo estradão.

Com o berrante na mão toco bem alto para que o vento leve até seu coração

meu pedido de perdão.

Com Nossa Senhora no coração faço minha oração, para que me abençoe nesta cavalgada.

Olho para o horizonte, o sol está se pondo, sinto o vento frio do inverno massagear meu rosto e percebo que é hora de parar.

Apeio do meu cavalo, tiro seus arreios, pego minha viola.

Sento junto à fogueira e começo a tocar...tocar!!!

Só o que expresso é angústia e saudades, daquela garota trigueira.

Então paro, fecho meus olhos, ouço à minha volta o barulho da noite tentando me consolar.

Deitado em cima de uma lona velha com a cabeça na sela, olho para o céu iluminado pelas estrelas, caio no sono.

Com o murmurar dos pássaros, desperto, agradecendo a Deus por mais um dia.

Então arreio o meu cavalo, calço as minhas botas com as esporas, e sigo meu caminho.

No trotar do cavalo, meus pensamentos vagos me fazem recordar daqueles lindos olhos verdes

Vou apressar o passo, estralo meu chicote, cincho a espora no vazio do macho, saio a galope de longe avisto o vilarejo, toco meu berrante, Vejo lá adiante uma janela se abrindo rapidamente, estendo minha mão,

agarrei-a em meus braços, um forte beijo lhe roubei.

Dois estrondos;

Com o peito manchado de sangue, declarei naquele instante todo o meu amor.

Em meu último suspiro de vida, pedi um beijo à moça que tanto amava.

Ela me segurou, chorando, me deu o beijo, sussurrou ao meu ouvido:

“Estou esperando uma nova vida em meu ventre”.

Mas já era tarde, nesse momento, eu já tinha partido.

(22)

22 Lamento de um berranteiro

Oooô, eiiii, boi, reia, hei, boi, aiii.. eai.. ei!!

Com o céu ainda com estrelas, a peonada se reúne pra mais uma empreitada.

Montados em seus cavalos, aguardam a ordem do ponteiro pra seguir a viagem.

O ponteiro parte na frente, repicando seu berrante, dando a ordem de saída.

Logo a porteira se abre pra mais um dia de lida.

O capataz da fazenda com o olhar atento confere as cabeças de gado.

Perfilar-se pouco a pouco, formando um corredor branco, o ponteiro repica no berrante o toque do estradão.

Seguindo a viagem lá adiante uma encruzilhada

No repique do berrante o som do rebatedouro, sinal de perigo, a peonada corre, evitando o estouro da boiada Sob o sol escaldante, vêm o sinal do berrante, toque da queima do alho,

O cozinheiro segue a galope, calabrear o repasto

Depois de muitas horas de estrada, chegando ao destino o toque do floreio, comunicando o fim da viagem.

Hoje, sentado em frente de minha casa, fumando meu cigarrinho de paia, neste vilarejo, não se vê mais boiada no estradão, nem o som do repicar manhoso de um berrante.

(23)

23 Sina de peão

Vendo da janela, lá adiante passa uma boiada no estradão,

Fico ouvindo o toque do berrante, o bramar do gado e os gritos dos peões.

Me bate uma saudade....

de quando eu ajuntava minhas traia e peiava meu cavalo e saia pro mundão de meu Deus.

Tocava o gado com meus parceiros cercava o gado quando estourava,

Corria atrás de garrote até laçava boi em meio a boiada.

Moço!!!

Naquela tarde de janeiro, ao laçar o trigueiro, minha mão se prendeu, arrastado e pisoteado, sem poder fazer nada, me restou esperar.

Com os olhos embaçados, sem poder fazer nada, só ouvia lá longe, o ponteiro tocando o berrante,

avisando do acontecido pra peonada.

Hoje aqui preso à esta cadeira de rodas, só o que me resta é a saudade do tempo que eu era peão de boiadeiro.

(24)

24 Em meio à boiada

De longe ouve-se o som do berrante, os gritos dos peões, e avista-se a poeira que levanta com o pisoteado da boiada.

É a comitiva que vem chegando.

O berranteiro, tocando seu berrante, vem lado a lado com os ponteiros,

a tropa de polaqueiros e os sinuelos que conduzem a boiada à frente.

Bois, novilhas e garrotes, muitas já estão cheias.

Os meeiros, estalando seu piraim, vêm pelas laterais, evitando que a boiada

se esparrame.

Acontece um furar, o meeiro joga seu laço evitando sua perda.

Em eventuais ocasiões, abrem as porteiras para o gado passar.

O capataz, peão de muita vivência e muita sabedoria, fica atrás da comitiva,

delegando tarefas aos peões.

Junto, seguem os culateiros que tocam o gado atrasado.

Em direção ao curral, um a um vão entrando na encerra.

O capataz entrega a boiada com a sensação de dever cumprido.

O dono da fazenda o dinheiro vem contando, vai pagando

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25 a peonada,

pelo serviço que fora destinado.

Tirando suas traia dos cavalos e tomando seu tereré, esperam o caminhão,

Referências

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