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A construção de um Teste de Aptidão Criativa

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A CONSTRUÇÃO DE UM TESTE DE APTIDÃO CRIATIVA

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ARGENTINA ROSA~

yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

*

Trata-se da elaboração e construção do Teste deAptidão Criati-va - TAC, o qual se fundamenta no "modelo da estrutura do inte-lecto" de J.P. Guilford. A forma experimental foi aplicada a 258 alunos de 8.51 série que freqüentavam escolas públicas ou privadas, no Recife. Os dados coletados foram subroetidos à análisedI! itens,

ao cálculo do índice de fidedignidade e ao da validade de construto. Os resultados evidenciaram a propriedade de se reduzir o número de itens de 9 para os 6 que apresentaram maior sensibilidade. Os re-sultados também evidenciaram que o TAC éfidedigno e apresentou validade de construto, na amostra estudada. Procede-se, no momen-to, investigação empírica com fins de padronização dos escores.

A natureza da criatividade, sobretudo como função do intelecto, pouco foi

estudada antes de Guilford. De fato, a partir do catalítico discurso pronunciado

por Guilford, em 1950, na condição de presidente da APA, denunciando o que

considerava ser "uma espantosa negligência" dos psicólogos em relação ao estudo

da criatividade, é que sevêm multiplicando os trabalhos de psicólogos sobre o

te-ma. Trabalhos nem sempre redutl'veis à proposta guilfordiana mas, sem dúvida,

respondendo a seu provocante apelo.

Hoje, três décadas passadas, a' realidade é bem diferente. Fala-se de

criativi-dade na escola, na indústria, na televisão, na ciência, na tecnologia, e assim por

diante. As pesquisas proliferaram. Quer sejam ref1exos de uma "moda

cientffi-ca", quer resultem de pressões da dinâmica social ou decorram da revisão de

po-sições behaviorísticas rígidas, como pretende Franchi (1972), o certo é que

dife-renças radicais se fazem sentir no estudo da criatividade. De especulações

filosó-ficas, sem dúvida importantes e de também importantes considerações de

roman-cistas e poetas que buscavam a compreensão da imaginação criadora de génios e

artistas, a criatividade, hoje, é vista e examinada igualmente em termos

quantita-tivos, em obediência às recomendações da metodologia científica.

"Universidade Federal de Pernambuco

(2)

Também no Brasil observa-se um interesse crescente pelo tema. A título de

exemplos, sejam lembrados o "Seminário sobre Educação Criadora e l.azer ",

rea-lizado em 1975 no Rio de Janeiro, pela Escolinha de Arte do Brasil, e o "I Ciclo

de Estudos sobre o Imaginário", promovido em 1977, no Recife, pelo então

Ins-tituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Além de ensaios, focalizando a

psi-cologia da criatividade (Novaes, 1972), arte e educação (M arin, 1976; Ostrower,

1977; o número 130 da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, 1973),

criati-vidade e processos cognitivos (Cunha, 1977), a organização da criatividade

(lin-gales, 1978), implicações econômicas e administrativas da criatividade (Furtado,

1978; Hesketh, 1980).

Uma proposta de trabalho

o

interesse da autora pelo estudo da criatividade estruturou-se na prática da

orientação vocacional de adolescentes, no Instituto de Psicologia do Trabalho

(1965-1971) e de universitários, no Serviço de Orientação Pedagógica e

Vocacio-nal, da Universidade Federal de Pernambuco (1972-1973). Uma constante

inda-gação na época referia-se ã mensuração do comportamento humano para inferir

aptidões e, em particular, as relativas ã criatividade. Em que pese a consciência

das llmitações próprias desse tipo de medida, sentia-se o quanto a objetividade

dos testes psicológicos, embora relativa, ajudava na análise dos processos de

orientaçâo.

Estava, como está, convencida de que, seja qual for a abordagem teórica

adotada, enfatizando fatores emocionais ou motivacionais da personalidade, ou

aspectos cognitivos, o conhecimento objetivo do potencial de criatividade dos

in-divíduos é de importância considerável quando se trata de orientação vocacional.

."Se quisermos sobreviver na competição internacional", escreve Taylor

(1971), "a mais promissora solução para o vital problema da mão-de-obra

consis-te em a nação estimular e apoiar a identificação e desenvolvimento das pessoas

criativas." (p. 23) Pode-se dizer, numa posição menos elitista, sem ranço de

euge-nia: para melhor orientá-Ias na atualização de seu potencial.

Ora, para estimular a atualização do potencial criativo que as pessoas

pos-suem, é necessário contar com suficiente conhecimento de sua personalidade,

in-clusive de suas aptidões e capacidades. Em se tratando do estudo da

personalida-de, assim como de certas capacidades específicas, conta-se no Brasil com

instru-mentos já bastante confiáveis e fidedignos. Entretanto, na área da criatrvidade,

pouco ou nada se tem feito, pelo menos em regiões como o Nordeste, onde

tra-balha a autora. Colocações como estas patenteiam a importância de estudos que

visem a melhor compreensão da criatividade e a mensuração de comportamentos

criativos. '

Assim motivada, a autora projetou e desenvolveu o Teste de Aptidão

Criati-va - T AC, cuja construção compreende a matéria deste trabalho.

(3)

Guilford: uma abordagem cognitiva da criatividade

Entre outros autores que estudaram a criatividade numa perspectiva

cogniti-va, será salientada aqui a contribuição de Guilford, uma vez que serviu de

funda-mento teórico para a construção do T AC.

A estrutura do intelecto: o modelo SI

Na tentativa de desenvolver um pensamento teórico suscetível de permitir

uma abordagem operacional da criatividade, J.P.Guilford (1950) propôs um

mo-delo das diferentes funções cognitivas: a estrutura do intelecto - "modelo SI"

(proposta retomada em 1959, 1967, 1968, 1971). Compreende o estudo de

Guilford "uma teoria unificada do intelecto humano", segundo a qual existe um

sistema singular ("estrutura do intelecto") que envolve a organização das

"apti-dões primárias". Essas "dimensões do intelecto" podem ser organizadas numa

"estrutura significativa" (1959) que responde pelas capacidades intelectuais e,

como conseqüência, também pelos processos que as mesmas implicam.

Guilford (1968) sustenta que cada fator ou componente da inteligência é

su-ficientemente distinto para ser detectado pela análise fatorial, e admite que essas

capacidades ou fatores da inteligência podem ser agrupadas em classes, uma yez

que em certos aspectos se parecem umas com as outras. E defende a existência

de três dimensões básicas ("parâmetros"), integrantes da estrutura do intelecto,

indicadores de como os indivíduos pensam:

NMLKJIHGFEDCBA

p a r â m e t r o o p e r a ç a õ (processos ou

operações básicos de pensamento realizados); p a r â m e t r o c o n t e ú d o (tipo de

mate-rial ou conteúdo a que as operações se aplicam); e p a r â m e t r o p r o d u t o (o que

po-de resultar po-dessa aplicação). Cada parâmetro inclui certo número de

"catego-rias". Assim:

Categorias

avaliação, produção convergente, produção

divergen-te, memória, cognição

Figural, simbólico, semântico, comportamental Unidades, classes, relações, sistemas, transformações,

implicações.

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Q modelo do intelecto é originariamente representado por Guilford pela

orma gráfica de um cubo (Figura 1).

Nesta apresentação serão salientadas as produções convergente e divergente,

por serem as duas que fundamentam teoricamente o T AC.

A categoria produção convergente compreende a elaboração de conclusões

lógicas, a partir e na direção única das informações dadas. Parece que a produção

é predeterminada pela informação e é considerada convencionalmente como a

melhor ou a única possivel. Encontra-se implicita ou explicitamente na natureza

da informação: nesta categoria situa-se a maior parte dos testes tradicionais que

se propõem medir comportamentos inteligentes.

Parâmetros "Operação

"Conteúdo

"Produto

(4)

PARÃMETRO OPERAÇAO: CATEGORIAS

AVALlAÇAo

PRODUÇÃO CONVERGENTE

PRODUÇÃO DIVERGENTE

MEMÓRIA

COGNIÇÃO

PARÃMETROPRODUTO: CATEGORIAS

UNIDADES

CLASSES

RELAÇÕES

SISTEMAS

TRANSFORMAÇÕES

IMPLICAÇÕES

PARÃMETRO CONTEÚDO: CATEGORIAS

FIGURAL

SIMBÓLICO

SEMÃNTICO

COMPORTAMENTAL ---~

Modelo da Estrutura do Intelecto. Reproduzido de

NMLKJIHGFEDCBA

I n t e l l i g e n c e , C r e s t i v i t y a n d t h e i r E d u c a -t i o n a l l m p l i c a -t i o n s , (Guilford, New York, Mc Graw-Hill Book Co., 1968),

(5)

8CH-PE

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A categoria produção divergente representa a busca de material que se

NMLKJIHGFEDCBA

r e & /O L

cio na de uma maneira vaga com o que já se conhece. Caracteriza-se pela

produ-ção de informações múltiplas e variadas, pela formulação de uma multiplicidade

de saídas, a partir das informações dadas. Nesta categoria a ênfase recai na

quan-tidade, variedade e pertinência das respostas, sem preocupação com a

conformi-dade aos padrões convencionais. A produção divergente leva os indivíduos a um

maior interesse por tarefas abertas, desde que não há redução a um único

resulta-do, identificado como o melhor.

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o

modelo SI: uma abertura para o estudo da criatividade

Dentro do modelo SI, a categoria "produção divergente" é justamente o que

abre mais amplas perspectivas ao estudo da criatividade. O próprio Guilford o

afirma (1967): "é no pensamento divergente que encontramos as indicações mais

óbvias de criatividade." Indicações estas que são fortalecidas quando, através da

análise fatorial, são detectados fatores inerentes CJI construto.

Dimensões hipotéticas pertinentes ao processo criativo

A partir de estudos bibliográficos e autobiográficos, Guilford (1971) p.l25

formulou oito dimensões hipotéticas concernentes ao processo de criação;

sensi-bilidade para os problemas, fluência, flexisensi-bilidade, originalidade, análise, síntese,

redefinição e penetração.

Aqui serão tratadas três dessas dimensões (fluência, flexibilidade e

originali-dade), por serem focalizadas pelo TAC.

FEDCBA

F lu ê n c ia representa a facilidade com que o indivíduo lembra itens retirados

de seu estoque de informação, relativos a um determinado problema. O

impor-tante na fluência é a produção de respostas múltiplas e adequadas à informação

dada.

Quanto à fle x ib ilid a d e , diz respeito à "produção de idéias diversificadas

nu-ma situação relativamente pouco estruturada." (Guilford, 1971, p.6). O

desem-penho é visto em termos de número de categorias usadas pelos indivíduos.

Três interpretações são atribuídas ao termo o r ig in a lid a d e : a) a primeira

sus-tenta que o ato original é raro ou inusitado na população de que o indivíduo faz

parte; b) uma segunda interpretação confere à originalidade a idéia de associação

remota; assim, as pessoas mais originais "podem ver as mais sutis e menos óbvias

conexões entre coisas e entre idéias." (Cf. Guilford, 1971) (p. 127); c) a terceira

maneira de conceber a originalidade baseia-se na freqüência estatística - os

com-portamentos das pessoas mais originais são estatisticamente menos freqüentes.

Construção do T AC

Escolha do domínio do TAC

Desde que o T AC é fundamentado na teoria da criatividade de J.P. Guilford,

o domínio do teste foi definido tornando-se o modelo SI como referência.

Entre-tanto, como já foi visto antes, o TAC não abrange todos os indicadores

(6)

tos por Guilford, limitando o domínio deste teste ao da

FEDCBA

flu ê n c ia , fle x ib ilid a d e e o r ig in a lid a d e . Esta decisão se prende em primeiro lugar ao fato de serem estes os

que têm sido objeto de mais numerosos estudos, contando, portanto, com uma

bibliografia apreciável. Em segundo lugar, pela importância que Ihes é atribuida,

dentro do contexto da criatividade, pelo próprio G ui Iford (1968). além de

ou-tros autores, como Lowenfeld (1957). Torrance (1974) e M arin (1976).

Subteste de expressão figural

Partiu-se da suposição de que quanto mais variada a matéria empregada,

mais facilitadora será a expressão do pensamento criativo. De modo coerente

com este ponto de vista, projetou-se a utilização de três modalidades de materiais

com o fim de medir os comportamentos criativos: gráfico ou figural, verbal e de

execução, compreendendo, portanto, três subtestes. Esta comunicação incide

so-bre o subteste de expressão figural. Nesta forma todos os estímulos foram

gráfi-cos e as respostas solicitadas foram da mesma natureza: o único apelo

verballimi-teu-se ao título de cada desenho realizado. Sua forma piloto constou de nove

itens, os quais serão a seguir discriminados e descritos.

Itens do subteste de expressão figural

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o

p r im e ir o ite m foi uma adaptação de uma das tarefas incluídas

nos"Tor-rance Tests of Creative Thinking", de E. P. Torrance, e constante de trabalhos de

outros autores, entre os quais Alencar (1974) e M arin (1976). Em vez de

apre-sentar, como fizeram os autores citados, uma série de paralelas, e solicitar dos

examinandos a transformação de cada par de paralelas em desenhos, foi

apre-sentado apenas um par de paralelas (Figura 2). como modelo, e solicitado dos

examinandos que, com paralelas semelhantes às do modelo, executassem o maior

número possível de desenhos diferentes e inusitados. Com tal modificação

espe-rava-se obter dos sujeitos uma produção maior e mais diversificada, pois eram

li-vres de modificar inclusive a posição das paralelas e estimulados a realizar muitos

desenhos.

c

Figura 2 - Estímulo do primeiro

item

Figura 3 - Estímulo do segundo item

o

s e g u n d o ite m consistiu de um estímulo por sua vez adaptado de Guilford

(Figura 3). Solicitava-se dos sujeitos a elaboração de desenhos diferentes e novos,

produzidos pela combinação das linhas que constituiam o estímulo, as quais

po-deriam ser repetidas. Entretanto, não era permitido acrescentar detalhes.

(7)

o

NMLKJIHGFEDCBA

t e r c e i r o i t e m ,

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

um círculo, foi aproveitado de Torrance.

O s i t e n s s e g u i n t e s , quarto, quinto e sexto, compreendem formas

geométri-cas (retângulo, triângulo e trapézio) e foram propostos pela autora a partir das

idéias básicas de Guilford (FigUra 5).

o

060

Figura 4 - Estímulo do terceiro item

Figura 5 - Estímulos dos itens quarto, quinto e sexto

O s i t e n s s é t i m o e o i t a v o foram desenvolvidos pela autora e representam uma

ordem crescente de quantidade e complexidade de formas (Figuras 6 e 7).

O ú l t i m o i t e m , o nono, apóia-se em idéias originais de Kate e Franck e

fo-ram objeto anterior de estudos de Barron (1969)e Torrance (1976).

O . L

o

C.6

Figura 6 - Estímulo do item sétimo

Figura 7 - Estímulo do item oitavo

Em suma, os nove itens se reúnem em três agrupamentos: o primeiro,

consti-tuído de formas geométricas; o segundo, por combinações das figuras; e o

tercei-ro, por desenhos menos estruturados, incompletos. Esperava-se que a análise de

itens discriminasse nestes três agrupamentos quais os itens que contrlburram

significativamente para a explicação do escore total. Em todos os itens do T AC

objetivava-se a mensuração de comportamentos indicadores de fluência,

flexibili-dade e originaliflexibili-dade.

I n v e s t i g a ç ã o e m p i r i c e

A amostra que serviu de subsídio à pesquisa com o T AC foi constituída de

258 alunos de oitava série do primeiro grau, sendo 127de escolas públicas e 131,

de escolas particulares. Do total, 110eram do sexo masculino e 148,do

femini-no; suas idades variavam entre 12 e 19 anos, com a média situada nos 14 anos e

meio.

(8)

Rev. de Psicologia, 2 (2): Pág. 1-14,juJ.jdez. 1984

(9)
(10)

Instrumentos

Além do T AC, com a finalidade de calcular sua validade de construto, foram

ilizados os seguintes testes: 048; e, da bateria OAT, Raciocínio Abstrato,

Ra-ciocmio Verbal e Relações Espaciais.

A aplicação dos testes foi realizada em duas sessões. Na primeira sessão os

sujeitos eram submetidos ao T AC (subteste de expressão figural) e ao 048. Na

segunda, aos testes da bateria OAT acima mencionados.

Para a aplicação do 048 e dos testes da bateria OAT foram obedecidas,

rigo-rosamente, as instruções contidas em seus respectivos M anuais, inclusive no que

se refere ao tempo determinado para as respostas. Quanto ao T AC, foram

obede-cidas as normas apresentadas em seu M anual Técnico.

Critério e modo de avaliação

Para a avaliação dos dados colhidos através do 048 e dos testes da bateria OAT foram seguidas as indicações de seus respectivos M anuais. Os resultados do

T AC, compreendendo os comportamentos expressos através dos desenhos

produ-zidos, foram avaliados em referência aos três índices referidos:

FEDCBA

flu ê n c ia (definido

operacionalmente como a quantidade de respostas dadas a cada um dos itens),

fle x ib ilid a d e (número total de diferentes categorias em que as respostas dadas a

cada item puderam ser classificadas) e o r ig in a lid a d e (definido operacionalmente

em termos de freqüência estaHstica).

Para a quantificação da fle x ib ilid a d e foi atrlburdo um ponto a cada

catego-ria usada nas diversas respostas a cada item do teste. Seu escore bruto foi o total

de pontos obtidos em todos os nove itens.

Na quantificação da o r ig in a lid a d e foi seguido o critério empregado pela

pro-fessora A.J. M arin (1976). O primeiro passo consistiu no arrolamento de todos

os desenhos por item, estabelecendo-se suas respectivas freqüências. O segundo,

em se calcularo valor relativo a cada desenho, o que se fez através da seguinte

equação:

yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

= (X - X~). K

I

onde: O

=

desenho, ao qual era atribuído o valor

X

=

maior freqüência encontrada no item

X~ =várias freqüências encontradas no item

K

=

constante da equação linear, por sua vez calculada através da seguinte

equação:

K

=

y.I

N

.X- X.

I

(11)

onde: K

=

constante da equação linear

Yi

=

10, valor máximo arbitrariamente atribufdo

X

=

maior freqüência no item

x7

=

as várias freqüências encontradas nos diversos itens.

A variação em X relaciona as freqüências máximas encontradas, que variam

para cada item.

Após o cálculo de cada desenho, realizado da maneira acima descrito, os

va-lores encontrados foram atriburdos aos 258 sujeitos e em seguida calculou-se a

média aritmética dos valores atrlburdos aos desenhos de cada sujeito, em cada

item. Os valores encontrados em todos os itens de um protocolo constituiu o

es-core bruto do examinando, em originalidade.

Resultados: Análise e Interpretação dos Dados

Validade de construto

Pretendeu-se com este estudo responder questões tangente â mensuração da

criatividade. Pode-se medir a criatividade, através do T AC? - é a questão básica.

Para se ter uma resposta que mereça credibilidade, calculou-se a validade de

cons-truto, empregando-se a an(lise fatorial (técnica dos componentes principais,

solu-ção Varimax). Trabalhou-se com os escores do TAC e dos outros testes antes

mencionados.

Após a rotação dos eixos, três fatores se fizeram evidentes. O primeiro, aqui

denominado

FEDCBA

fa to r C, de produção convergente, é saturado em ordem decrescente

por cargas fatoriais do Teste de

yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Haciocínio Abstrato (0,83), 0 4 8 (0,79).

Haciocr-nio Verbal (0,78) e Relações Espaciais (0,73). O TAC, pouco contribuindo para

este fator, não atingiu 30% em nenhum dos três índices. À luz do modelo SI,

po-de-se interpretar este fator como parãrnetro operação - categoria produção

con-vergente. Corresponde ao fator G, na perspectiva de Thurstone.

M ais dois fatores são ainda registrados, os quais serão aqui designados como

F e O . Asvariãveis fluência e flexibilidade apresentam, ambas, cargas fatoriais de

94% no fa to r F ,enquanto as outras variáveis atingem, no máximo, a 31% ,

poden-do ser consideradas irrelevantes em face de contribuição das duas primeiras.

A originalidade contribuiu com uma carga de 90% para o fa to r O ,aliás, o

único fator para o qual a contribuição de variável originalidade foi relevante.

As outras variáveis apresentam contribuição discreta para este fator, salvo

Relações Espaciais, cuja carga é de 0,70. Este resultado no teste de Relações

Es-paciais era esperado, desde que as respostas ao T AC (subteste de expressão

figu-rall, sendo desenhos, forçosamente teriam de estar impregnadas da capacidade de

conceber as formas no espaço. Entretanto, tal não quer dizer que um resultado

elevado no Teste de Relações Espaciais possa ser interpretado necessariamente

como alto nível de originalidade.

Pelo exposto quanto aos resultados de análise fatorial, pode-se concluir

con-firmando-se a hipótese de que o T AC apresentou para a amostra estudada

valida-de valida-de construto significativa.

(12)

F ided ign idade

A fidedignidade do TAC foi calculada pelo "alta de Cronbach", para cada

um dos três índices (fluência, flexibilidade, originalidade) separadamente. Os

re-sultados encontrados foram: 0,90 quanto à fluência; 0,89 quanto à flexibilidade;

e 0,72 quanto à originalidade.

Tais valores podem ser considerados bastante altos pois, como assinala H.M .

Vianna (1973). um índice de fidedignidade acima de 0,50 já é significativo.

Por-tanto, pode-se concluir com base nos resultados expostos que para a amostra em

apreço o TAC apresentou fidedignidade significativa em relação a todos os seus

três índices.

Análise de itens

Para uma melhor escolha da composição final dos itens do TAC,

empregou-se a técnica da regressão múltipla passo a passo, para cada uma das possíveis

ca-racterísticas aqui estudadas: fluência, flexibilidade, originalidade.

Os resultados da regressão múltipla passo a passo, no que se refere à

fluên-cia, sugere o conjunto dos itens I, 111, V, VII e IX, como o que melhor discrimina

(a nível de 98% ).

Quanto à flexibilidade, a este mesmo nível (98% ) destacam-se os itens I, 11,

111, V, VI e IX.

Finalmente, no que concerne à originalidade, para atingir idêntica

propor-ção, necessário se faz o concurso dos sete itens seguintes: 11, 111, IV, V, VI, VII e VIII.

Na decisão dos itens que deverão compor a forma definitivà do TAC, foi

adotado o seguinte critério: aceitar aqueles itens que foram comuns pelo menos

em duas das características estudadas, ao nível de 98% de explicação e cujas

cor-relações alcançaram 0,50. O item IX, apesar de ser significante ao

yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

nrvel indicado

para fluência e flexibilidade, sua correlação simples com a originalidade

limitou-se a 30% . Foi, então, substituído pelo item VIII, altamente significativo para a

originalidade, e que apresenta coeficiente de correlação acima de 0,50 em relação

a todas as três variáveis.

Desta maneira, a forma definitiva do TAC será integrada pelos itens: I, 11, V, VI, VII e VIII.

Referências B ibl iográficas

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Imagem

Figura 4 - Estímulo do terceiro item

Referências

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