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(1)

ANÁLISE DA POBREZA MULTIDIMENSIONAL NO BRASIL

NO PERÍODO DE 2009 A 2015

Analysis of multidimensional poverty in Brazil in the Period from 2009 to 2015

Andréa Ferreira da Silva

Economista. Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal da Paraíba - PPGE/UFPB, João Pessoa/PB, Brasil. [email protected]

Jair Andrade Araujo

Engenheiro de Pesca. Doutor em Economia. Professor do Curso de Mestrado em Economia Rural da Universidade Federal do Ceará - UFC. [email protected]

Wellington Ribeiro Justo

Economista. Prof. Associado do Curso de Economia da URCA. Prof. do PPGECON- UFPE (CAA). Doutor em Economia pelo PIMES-UFPE. [email protected]

Kilmer Coelho Campos

Administrador de Empresas. Prof. Curso de Mestrado em Economia Rural - MAER/UFC. [email protected]

Resumo:(VWHDUWLJRWHPSRUREMHWLYRDSUHVHQWDUDSR-breza multidimensional no Brasil, considerando os anos GHD3DUDWDQWRXWLOL]RXVHDPHWRGRORJLD GH%RXUJXLJQRQH&KDNUDYDUW\SRLVHVWDDSUH-senta uma forma alternativa de medir a multidimensio-nalidade da pobreza. Com dados retirados da Pesquisa 1DFLRQDOSRU$PRVWUDGH'RPLFtOLR31$'WRPRXVH particularmente como referência a chamada “Necessi-GDGHV%iVLFDV´HD7HRULDGDV&DSDFLWDo}HVTXHGH¿QH SREUH]DFRPRXPIHQ{PHQRPXOWLGLPHQVLRQDO2VUH-sultados das seis dimensões analisadas revelaram uma redução da proporção de pobres multidimensionais da SRSXODomREUDVLOHLUDGHHPSDUD em 2015. Para as análises isoladas das regiões metro-SROLWDQDXUEDQDHUXUDOYHUL¿FRXVHTXHDSREUH]DIRL PDLVLQWHQVDQDUHJLmRUXUDO(QWUHDVUHJL}HVEUDVLOHL-ras, as regiões Norte e Nordeste apresentam grave situ-ação de privsitu-ação.

Palavras - Chave: Pobreza multidimensional; Priva-ção; Gap.

Abstract: This paper aims to present the multidimen-VLRQDO SRYHUW\ LQ %UD]LO FRQVLGHULQJ WKH \HDUV to 2015. Por both, was utilized the methodology of %RXUJXLJQRQ DQG &KDNUDYDUW\ ZKLFK SUHVHQWV an alternative way to measure multidimensionality of SRYHUW\:LWKGDWDUHPRYHGIURPWKH1DWLRQDO6XUYH\ E\+RXVHKROG6DPSOLQJ31$'LWZDVWDNHQDVDFDOO reference approach of "Basic Needs" and the Theory of &DSDFLWDWLRQVZKLFKGH¿QHVSRYHUW\DVDPXOWLGLPHQ-VLRQDOSKHQRPHQRQ7KHUHVXOWVRIWKHVL[GLPHQVLRQV analyzed revealed a reduction in the proportion of mul-WLGLPHQVLRQDO SRRU RI %UD]LOV SRSXODWLRQ LQ WRLQ)RUWKHLVRODWHGDQDO\VLVRI metropolitan, urban and rural regions, it was found that poverty was more intense in the rural region. Among Brazilian regions, the North and Northeast regions have severe situation of deprivation.

(2)

1 Introdução

A economia brasileira registrou, em 2015, um

3URGXWR,QWHUQR%UXWR3,%GH5WULOK}HVH

um PIB per capitaQDRUGHPGH51R

entanto, a economia obteve fraco crescimento, na

YHUGDGHRSLRUGHVGHTXDQGRDFULVHHFR

-Q{PLFDPXQGLDODWLQJLXVHXSRQWRFUtWLFR'DGRV UHYHODPXPDTXHGDGHHPUHODomRDRDQRDQ -terior. Mesmo com fraco desempenho do PIB em 2015, a renda per capita média da família brasileira

FKHJRXD5YDULDQGRHQWUH5 GH%UDVtOLDH5GR0DUDQKmR&RQWXGR

o número de famílias com rendimento per capi-ta inferior a ¼ do salário mínimo voltou a crescer nesse ano, segundo a Síntese de Indicadores

So-FLDLV6,6GR,QVWLWXWR%UDVLOHLURGH*HRJUD¿DH (VWDWtVWLFD,%*(

'HVGH PHDGRV GD GpFDGD GH D SREUH]D pDSUHVHQWDGDFRPRXPIHQ{PHQRPXOWLGLPHQVLR

-QDORXVHMDSDUDGH¿QLUTXHPVmRRVSREUHVGHGH -terminada população ou região, além da análise de informações reveladas pela renda dessas pessoas, também se devem levar em conta características

VRFLDLV FXOWXUDLV H SROtWLFDV TXH LQÀXHQFLDP QR

bem-estar dos indivíduos. Daí, a necessidade de se ampliar o escopo das análises da pobreza no Bra-sil; que agora não mais se baseiam apenas pela óti-ca da renda, mas também, foóti-caliza no estudo das

QHFHVVLGDGHVEiVLFDVHVHLQFUHPHQWHjGH¿QLomR

de pobreza, um caráter multidimensional.

A necessidade de tal abordagem multidimensio-nal para a medição da desigualdade do bem-estar foi salientada entre diversos autores,

internacio-QDLV FRPR 6HQ %RXUJXLJQRQ H &KDNUDYDUW\ 5DYDOOLRQ 7KRUEHFNHHQDFLRQDLV+R൵PDQQ H.DJH\DPD6LOYDH%DUURV/DFHUGD &UHVSRH*XURYLW]GHQWUHRXWURV

$VVLPVHQGRRSUHVHQWHWUDEDOKRVHSURS}Hj

melhor compreensão da pobreza

multidimensio-QDOQRSDtVHPUHODomRDRVDQRVGHD

considerando outras dimensões além da renda. A

¿QDOLGDGHpDX[LOLDUSROtWLFDVS~EOLFDVFHQWUDGDVQD

diminuição da pobreza e a consequente aceleração no processo de desenvolvimento. Acredita-se

for-WHPHQWH TXH RV UHVXOWDGRV GR H[HUFtFLR HPStULFR

poderão servir para um avanço na discussão sobre o estudo da pobreza multidimensional no país.

([LVWHP YiULRV HVWXGRV DTXL QR %UDVLO VREUH SREUH]DPXOWLGLPHQVLRQDO(QWUHVHXVDXWRUHVHV

-WmR%RXUJXLJQRQH&KDNUYDUW+R൵PDQQH .DJH\DPDH/DFHUGD2GLIHUHQFLDO

desta pesquisa é que nela se consideram – além de diferentes indicadores que mensuram a pobreza multidimensional, os quais não foram utilizados em pesquisas anteriores1PDLVHVSHFL¿FDPHQWHQD

dimensão educação – as prerrogativas da Lei de

'LUHWUL]HVH%DVHVGD(GXFDomR/HL 2V WUDEDOKRV FLWDGRV DQWHULRUPHQWH QmR OHYDUDP

em conta as diretrizes dessa lei. Logo, esta

aná-OLVHSRGHVHUYLVWDFRPRFRPSOHPHQWRjVGHPDLV

A metodologia aqui apresentada pode ser original-mente encontrada em Bourguignon e Chakravarty

HGHWDOKDGDSRU0LGHURV2. Trata-se

de uma clara alternativa de medir a pobreza

espe-FL¿FDQGRXPDOLQKDGHSREUH]DDFDGDGLPHQVmR 2DUWLJRHVWiGLYLGLGRHPVHLVVHo}HVLQFOXLQGR

esta introdução. Inicialmente, na segunda seção, serão discutidas a pobreza multidimensional suas abordagens, determinação e as evidências no Bra-sil. Na terceira seção, estão a base de dados e a construção das dimensões utilizadas. Na quarta

se-omRHVSHFL¿FDVHDPHWRGRORJLD1DTXLQWDVHomR VmRDQDOLVDGRVRVUHVXOWDGRVGRPRGHOR1DVH[ -ta e última seção, são apresen-tadas as principais conclusões.

2 Referencial teórico

2.1 Pobreza multidimensional: abordagem das necessidades básicas e a aborda-gem das capacitações

A pobreza é um tema que vem ganhando espa-ço nas ciências sociais, em particular, na ciência

HFRQ{PLFD/LJDGDjTXHVWmRGRGHVHQYROYLPHQWR HFRQ{PLFRVHXHVWXGRWHPDYDQoDGRHPGLUHomR DXPDYLVmRPDLVFRPSOH[DGRFRQFHLWRHGRVPp

-WRGRVGHPHQVXUDomR7RGDVDVGH¿QLo}HVGHSR -breza contêm algum elemento subjetivo e

discri-FLRQiULR&RQFHLWRVGLIHUHQWHVH[LJHPPpWRGRVH

indicadores de mensuração diferentes e, portanto,

UHVXOWDPQDLGHQWL¿FDomRGHGLIHUHQWHVLQGLYtGXRV

como pobres. Parte-se do princípio de que a noção de pobreza se refere a algum tipo de privação, que

1 Para mais detalhes sobre os diferentes indicadores: Bourguignogn

H&KDNUYDUWH/DFHUGD

$SURSyVLWR0LGHURVQmRHVWiUHIHUHQFLDGRQRVGHPDLV

(3)

pode ser somente material ou incluir elementos de ordem cultural e social, mediante os recursos dis-poníveis de uma pessoa ou família.

&RPLVVRGHVGHDGpFDGDGHSUROLIHUD -ram as investigações acerca da adoção da perspec-tiva unidimensional no estudo da pobreza. A

par-WLUGHHQWmRDLGHLDHUDLQFRUSRUDUjSREUH]DHD

seus meios de medidas dimensões não monetárias

H SDUWLFXODUPHQWH VRFLDLV H SROtWLFDV 6$/$0$ '(675(0$8(VVHPRYLPHQWRVHLQWHQ

-VL¿FRXRTXHSHUPLWLXQDWXUDOPHQWHTXHRHQIRTXH

multidimensional da pobreza ganhasse espaço no debate, embora não fosse predominante.

%RXUJXLJQRQH&KDNUDYDUW\D¿UPDPTXH

o conceito de pobreza multidimensional passa a

H[LVWLUGHIDWRTXDQGRRVLQGLYtGXRVREVHUYDGRUHV

sociais e tomadores de decisões políticas pretendem

GH¿QLU XP OLPLWH GH SREUH]D HP FDGD GLPHQVmR FRPRUHQGDVD~GHHGXFDomRHQWUHRXWUDV(DV -sim, a pobreza pode ser considerada uma falha em alcançar um nível mínimo aceitável de diferentes atributos monetários e não monetários

imprescindí-YHLVjVXEVLVWrQFLDGHXPSDGUmRGHYLGD

No estudo multidimensional da pobreza, cabe ressaltar a importância de duas abordagens, a sa-ber: a abordagem das necessidades básicas e a das capacitações. A primeira passou a se destacar desde

PHWDGHGDGpFDGDGHDSUHVHQWDQGRFRQFHLWRV GLVWLQWRVQDVPDLVGLYHUVDViUHDVVLJQL¿FDQGRQmR

apenas a ideia de carência ou falta, mas também o que é indispensável ou inelutável.

1DFRQFHSomRGH*RXJKH'R\DODDERU -dagem das necessidades básicas se consolida na

RFRUUrQFLDGHVpULRVGDQRVjYLGDPDWHULDOGRVKR

-PHQV(QWHQGHVHSRU³VpULRVGDQRV´DSRVVLELOLGDGH GHH[LVWLUHPLPSHGLPHQWRVDRVVHUHVKXPDQRVWDQ -to na sua vida física quan-to nas condições sociais.

'DPHVPDIRUPDSDUD0D[1HHIHWDO

a necessidade básica é uma condição indispen-sável no funcionamento natural da vida e no que

DFRQWHFHDRVHXUHGRU2DXWRUD¿UPDTXHRVVHUHV

humanos dividem as mesmas necessidades, tanto materiais quanto imateriais, contudo, cada um em sua cultura ou período histórico distinto. Assim, faz-se necessário diferenciar as necessidades bá-sicas das estratégias utilizadas para satisfazê-las.

1HVVHVHQWLGR6DODPDH'HVWUHPDXGH -talharam a abordagem das necessidades básicas

QDGH¿QLomRGHSREUH]DDRFRQVLGHUDUHVVHQFLDOR

acesso a alguns bens, sem os quais os cidadãos não

seriam capazes de usufruir uma vida minimamente digna, como: água potável, rede de esgoto, coleta

GHOL[RDFHVVRDRWUDQVSRUWHS~EOLFRHHGXFDomR

que são bens imprescindíveis para que os indiví-duos possam levar vida saudável e tenham chances de inserção na sociedade.

5RFKDGHFODUDTXHHVVDDERUGDJHPVLJ

-QL¿FDLUDOpPGDTXHODVGH¿QLo}HVGHDOLPHQWDomR

ou nutrição para, assim, incorporar uma noção mais ampla das necessidades humanas, tais como

HGXFDomRVDQHDPHQWRKDELWDomR(VVDQRomRGH

pobreza abrange outros aspectos da vida cotidiana dos indivíduos, pelo simples fato de que eles não apenas se alimentam, mas se relacionam e traba-lham, tendo, portanto, uma vida social.

-iFRPUHODomRjDERUGDJHPGDVFDSDFLWDo}HV DGpFDGDGHPDUFDRLQtFLRGHVVDGLVFXVVmR /DFHUGDGHVWDFDRVWUDEDOKRVGRHFRQRPLV

-WD$PDUW\D6HQTXHVmRXPSRQWRGHLQÀH[mRQD IRUPXODomRGHVVDWHRULD6HQH[SORUDXPD

linha particular do bem-estar, demonstrando suas vantagens para que os seres humanos alcancem valiosas ações ou realizem adequados estados de

H[LVWrQFLD VHQGR QRWyULD D SUHRFXSDomR GHVVD DERUGDJHPQRFRPEDWHjSREUH]D(ODWUD]SRU -tanto, contribuições importantes para a teoria do bem-estar social e do desenvolvimento

socioeco-Q{PLFRIXQGDPHQWDGDQRVSULQFtSLRVGDOLEHUGDGH

e da igualdade.

Ao se destacar por ser uma abordagem não uti-litarista da pobreza, a abordagem das capacitações é uma vertente particular do desenvolvimento, se-gundo a qual a liberdade é um elemento

substanti-YREiVLFRQDYLGDGDVSHVVRDV(QWHQGHVHTXHRV

indivíduos têm o direito de praticar suas liberdades e fazer respeitar seus direitos e busca-se analisar as diferentes formas de acesso aos recursos priva-dos e coletivos, ou seja, ressaltam-se não apenas os direitos sociais, mas também os direitos civis e

SROtWLFRV6,/9$

&RQIRUPH.XNO\VDDERUGDJHPGDVFD

-SDFLWDo}HVRSHUDFODUDPHQWHHPGRLVQtYHLV2SUL

-PHLURGL]UHVSHLWRjUHDOL]DomRGREHPHVWDUTXH pPHQVXUDGRHPWHUPRVGH³IXQFLRQDPHQWRV´2V IXQFLRQDPHQWRV UHÀHWHP YiULRV DFRQWHFLPHQWRV

ou bens que um indivíduo pode considerar valioso

ID]HURXWHU2VHJXQGRGL]UHVSHLWRDRSRWHQFLDO

de bem-estar que é estimado em termos de

(4)

até certo nível minimamente adequados e também a satisfação das necessidades humanas para além

GDVGLIHUHQoDVFXOWXUDLVKLVWyULFDV6,/9$ &RQIRUPH %RXUJXLJQRQ H &KDNUDYDUW\ R

bem-estar é intrinsecamente multidimensional sob o ponto de vista das capacitações e funcionamen-tos. Isso porque os funcionamentos são minuncio-samente motivados por atributos como capacidade

GHOHUHHVFUHYHUH[SHFWDWLYDGHYLGDHQWUHRXWURV

e não apenas pela renda.

A abordagem das capacitações não é outra se-não aquela que diz respeito ao desenvolvimento, que transfere o foco de análise da acumulação de capital para a análise dos indivíduos e seu conjunto

GHFDSDFLWDo}HV(DUHQGDSDVVDDVHUDSHQDVXP GRVPHLRVHQmRR¿PGRGHVHQYROYLPHQWR

3RU¿PDDERUGDJHPGDVQHFHVVLGDGHVEiVLFDV SLRQHLUDQHVVDGLVFXVVmRHGDVFDSDFLWDo}HVGLV -cussão em torno das necessidades básicas,

funcio-QDPHQWRVHFDSDFLGDGHUHIRUoDUDPRHQIRTXHGR HVWXGRGDSREUH]DPXOWLGLPHQVLRQDO2XVHMDHQ -fatizam que as necessidades sociais vão além das condições monetárias e, assim, as políticas devem

VHUGHVWLQDGDVDH[SDQGLUDVOLEHUGDGHVLQGLYLGX -ais e, dessa maneira, fornecer melhor condição de

YLGDjSRSXODomR2HVFRSRGHVVDDERUGDJHPQmR VHUHVWULQJHjDQiOLVHGDSREUH]DPDVWDPEpPWUD] FRQWULEXLo}HV LPSRUWDQWHV j WHRULD GR EHPHVWDU VRFLDOHjWHRULDGRGHVHQYROYLPHQWRVRFLRHFRQ{ -mico, relacionando-se não apenas com as

variá-YHLVHFRQ{PLFDVPDVWDPEpPFRPDVYDULiYHLV

culturais e políticas.

'HQWUR GHVVH FRQWH[WR H GD LPSRUWkQFLD GDV

abordagens das capacitações e das necessidades humanas básicas para a eliminação da pobreza, e para o processo de desenvolvimento, este artigo

DERUGDUiGLYHUVRVLQGLFDGRUHVQDGH¿QLomRGDSR -breza multidimensional no Brasil relativo ao

perí-RGRD

2.3 Pobreza multidimensional no Brasil, algumas evidências

De forma distante daqueles que têm caracteri-zado o unidimensional da pobreza no Brasil, sur-gem alguns novos trabalhos que adotam o enfoque multidimensional, sinalizando um novo direciona-mento nas análises e medições da pobreza no país.

(VVDQRYDDERUGDJHPUHIRUoDD¿QDOLGDGHGHDX

-[LOLDUDLQWHUYHQomRS~EOLFDSRUPHLRGHSROtWLFDV

VRFLDLVGRJRYHUQR9iULRVHVWXGLRVRVMiDSUHVHQWD -ram trabalhos sobre essa abordagem para o Brasil.

3RU H[HPSOR +R൵PDQQ H .DJH\DPD DQDOLVDP D SREUH]D QR %UDVLO QR SHUtRGR

2004 a partir do viés multidimensional. Para men-surar a pobreza, os autores combinam a medida tradicional de pobreza baseada na renda com ou-tros indicadores que medem o desenvolvimento

HFRQ{PLFR2VUHVXOWDGRVDSRQWDPTXHDSREUH]D PHQVXUDGD SHOD LQVX¿FLrQFLD GD UHQGD UHSUHVHQ

-WDGDSREUH]DWRWDOTXHKRXYHXPDUHGXomR GDSREUH]DPDLVVHYHUDH[WUHPDPHQWHSREUHH

que ocorreu uma piora na distribuição regional da pobreza. Mostra-se, ainda, que a região Nordeste

FRQFHQWUDYDGDSREUH]DH[WUHPDHP

É importante mencionar que a perspectiva multidimensional só é seguida pelos autores

VXSUDFLWDGRVQDIDVHGDPHQVXUDomR$LGHQWL¿FDomR

dos pobres é fundamentada na linha de pobreza monetária, não representando, portanto, uma análise muito distinta das que predominam no estudo da pobreza no Brasil.

%DUURV&DUYDOKRH)UDQFRLQRYDPHP

seu trabalho, uma vez que utilizaram a abordagem multidimensional tomando a conceituação de po-breza sob o enfoque das necessidades básicas e das capacitações, para estabelecer um índice escalar de pobreza familiar baseado nas informações da

31$'(ODERUDPXPËQGLFHGH'HVHQYROYLPHQWR )DPLOLDUHPHQVXUDPDSREUH]DSDUDJUXSRVGHPR

-JUi¿FRVGLVWLQWRV$VSULQFLSDLVFRQFOXV}HVDSRQ -tam que o grau de pobreza multidimensional no

%UDVLOUHGX]LXHPHQWUHH

%RXUJXLJQRQH&KDNUDYDUW\DQDOLVDUDP

a evolução da pobreza multidimensional no

Bra-VLOUXUDOGXUDQWHRVDQRVGH8WLOL]DUDPGXDV

dimensões: a renda de um lado, e níveis de esco-laridade do outro. As amostras foram provenientes

GD31$'SDUDRVDQRVGHH&RQFOXt

-UDPTXHDSREUH]DpHVVHQFLDOPHQWHXPIHQ{PHQR

multidimensional no Brasil.

Ainda com foco na área rural do Brasil,

Bu-DLQDLQHWDODSXG+R൵PDQQH.DJH\DPD ID]HPXPHVWXGRVREUHRGHVHQYROYLPHQ -to rural no Brasil. Combinam a carência de renda com a carência de infraestrutura e serviços básicos nos domicílios. Admitiram cinco tipos de serviços básicos: moradia, privacidade, educação das crian-ças, acesso sanitário e capacidade de obter uma

(5)

XWLOL]DQGRRVGDGRVGD31$'SDUDRDQRGH

concluíram que 12 milhões de domicílios, com 53 milhões de pessoas, não alcançavam o padrão de

VDWLVIDomRGDVQHFHVVLGDGHVEiVLFDVHP -i 6LOYD H 1HGHU XWLOL]DQGR GDGRV GD

31$'GHD¿]HUDPXPDDQiOLVHPXOWL

-GLPHQVLRQDOYHUVXVXQLGLPHQVLRQDLV2EVHUYDUDP

diversos indicadores para a pobreza multidimen-sional e consideraram a renda como único indi-cador unidimensional. Concluíram que, ao tratar a pobreza em uma única dimensão, pode-se evi-dentemente ocultar a real pobreza, haja vista que esses indicadores não foram condizentes nos anos de estudo para o Nordeste do Brasil.

0DFKDGR*ROJKHUH$QWLJRXVDQGRD

abordagem das capacidades como referência te-órica, utilizaram um índice de pobreza

multidi-PHQVLRQDO,30SDUDR%UDVLOXUEDQRHPH

2008. Com o índice baseado em quatro dimensões

FRQGLo}HVGHPRUDGLDVD~GHQtYHLVGHHGXFDomR HSDUWLFLSDomRQRPHUFDGRGHWUDEDOKRUHYHODUDP

que a população urbana brasileira aumentou de 132 para 152 milhões de habitantes, no período

GHUHIHUrQFLD(RQ~PHURGHSHVVRDVTXHYLYHP

em privação absoluta, de acordo com a abordagem

PXOWLGLPHQVLRQDO DXPHQWRX GH SDUD PL

-OK}HV,VVRUHSUHVHQWDXPDUHGXomRGHSDUD GDSREUH]DGDSRSXODomRXUEDQDGH

para 2008 no Brasil.

'LDQWH GH WRGD D H[SODQDomR p SUHFLVR HQWmR

que haja o redirecionamento do debate acerca da pobreza e desigualdade, e o ponto de partida para isso são as análises multidimensionais.

3 Base de dados e construção das

dimensões

A fonte de dados utilizada para a construção dos indicadores e dimensões composto na pobreza multidimensional foram as PNADs referentes aos

DQRVGHD,%*5D$OpPGDV

dimensões utilizadas na elaboração de um indica-dor de pobreza multidimensional, foram incluídas 22 variáveis derivadas a partir das variáveis

origi-QDLVUHWLUDGDVGDV31$'V(ODVIRUDPHVFROKLGDV

com base na revisão da literatura acerca da temá-tica da pobreza, tanto sob o enfoque da teoria das necessidades básicas quanto da teoria das capaci-dades 7DEHOD

Na Tabela 1 estão os indicadoresXl

i,k construí-dos para i={1,2,...,n} pessoas, l={1,2,...,h} indica-dores e , k={1,2,...,m} dimensões. Todos os

indi-FDGRUHVWrPXPYDORUPi[LPRGHQmRSULYDGR HXPPtQLPRGHSULYDomRWRWDO2VLQGLFDGRUHV VmRGH¿QLGRVHQWUHHSDUDUHGX]LURVSUREOHPDV

de descontinuidade, mas são limitados pela

infor-PDomRGLVSRQtYHO&RPR¿PGHREWHUGLIHUHQWHV

conjuntos de dados categóricos, se estabelecem

GLIHUHQWHVQtYHLVHTXLGLVWDQWHVRXVHMDRVLQGLFD

-GRUHVVmRRUGLQDLV

2V LQGLFDGRUHV VH DJUHJDP HP QtYHO GH FDGD

dimensão sobre a base da seguinte função: Xi,k= gk (X1

i,k ,…,X p

i,k ) para as variáveis l= {1, ..., p}, onde a função gk (.)pHVSHFt¿FDGHFDGDGLPHQVmRk. Para

LGHQWL¿FDURQtYHOGHSULYDomRGHFDGDGLPHQVmR

a reformulação dos índices se realiza utilizando a fórmula: i,k=1-Xi,k, onde o nível de privação i,k

é interpretado como sendo o Gap relativo entre o nível individual de Xk e o limiar da privação zk=1,

FRPXPYDORUPi[LPRGHSULYDomRWRWDOHXP PtQLPRGHVHPSULYDomR

A dimensão 1, alimentos e água, mede, por meio da variável água se há abastecimento de água apropriada na moradia. Já capacidade de compra de alimentos, captura por meio da condição mone-tária, fazendo uma relação da renda per capita do indivíduo com a linha de pobreza utilizada. As li-nhas de pobreza utilizadas foram retiradas do

Ins-WLWXWRGH(VWXGRGR7UDEDOKRH6RFLHGDGH,(76 HODERUDomRGH6RQLD5RFKDFRPEDVHQD32)3HV

-TXLVDGH2UoDPHQWR)DPLOLDU

A dimensão 2, comunicação e informação, também entra na análise; considera como indiví-duos privados os que não possuem meios de in-formação para a vivência na sociedade atual. As variáveis adotadas no estudo são: telefone, televi-são, computador e internet.

A dimensão 3, educação, apresenta mais uma novidade para a mensuração da pobreza multidi-mensional no Brasil neste trabalho, pois leva em

FRQVLGHUDomRD/HLGH'LUHWUL]HVH%DVHVGD(GX

-FDomR/HLTXHHVWDEHOHFHDVGLUHWUL -zes e bases da educação nacional. Segundo essa dimensão, há um nível de escolaridade mínima

(6)

Tabela 1 – Dimensões e indicadores da pobreza multidimensional

Dimensões Variáveis Derivadas Indicadores

Alimentos e Água Água na Moradia X1

i,1=

{

1,se sim 0,se não

Capacidade de compra de alimentos X2

i,1= min 1,

{

renda per capita

ML׫-linha de pobreza

{

Comunicação e Informação Telefone X1

i,2=

{

1,se sim 0,se não

Televisão X2

i,2=

{

1,se sim 0,se não

Computador X3

i,2=

{

1,se sim 0,se não

Internet X4

i,2=

{

1,se sim 0,se não

(GXFDomR (QVLQR3ULPiULR X1

i,3=

{

1,se tiver 1 a 5 anos de estudo na idade adequada 0,se não

(QVLQR)XQGDPHQWDOLQFRPSOHWR X2

i,3=

{

1,se tiver 4 a 9 anos de estudo na idade adequada 0,se não

(QVLQR)XQGDPHQWDOFRPSOHWR X3

i,3=

{

1,se tiver 8 a 14 anos de estudo na idade adequada 0,se não

(QVLQR0pGLRLQFRPSOHWR X4

i,3=

{

1,se tiver 12 a 15 anos de estudo na idade adequada 0,se não

(QVLQR0pGLRFRPSOHWR X5

i,3=

{

1,se tiver acima de 15 anos de estudo na idade adequada 0, se não

Proporção de crianças na escola X6i,3=

{

1,se proporção>1 0,se não

Condições da Moradia Tipo de Moradia X1i,4=

1,se a casa é própria 0,5 se a casa própria pagando 0,se outros

Iluminação X2i,4=

{

1,se adequado 0,se não

Material da parede X3i,4=

{

1,se adequado 0,se não

Material do teto X4i,4=

{

1,se adequado 0,se não

Nº de pessoas por dormitório X5i,5=

{

1,se<3 0,se não

Saúde (VJRWDPHQWRVDQLWiULR X1i,5=

{

1,se adequado 0,se não

Condição Sanitária X2i,5=

{

1,se adequado 0,se não

(OLPLQDomRGROL[R X3

i,5=

{

1,se adequado 0,se não

7UDEDOKRH'HPRJUD¿D Trabalho precário X1i,6=

{

1,se não 0,se sim

5D]mRGHGHSHQGrQFLDSRUGRPLFtOLR X2

i,6=

{

1,se proporção<1 0,se não

)RQWHHODERUDGDSHORVDXWRUHVFRPEDVHQRVGDGRVGD31$'

Assim, o morador com nível de escolaridade maior do que o requerido na sua idade é considerado não pri-vado; caso contrário, privado. Consideram-se também os indivíduos de 18 anos ou mais que não tenham a

TXDQWLGDGHGHDQRVGHHVWXGRVUHIHUHQWHVjFRQFOXVmR

do ensino médio, sendo considerados carentes com relação aos anos de estudo, pois esses indivíduos não seriam capazes de conseguir um emprego digno.

Sendo assim, a dimensão educação está dividida em seis variáveis em análise, a idade adequada

referen-WHDFDGDHWDSDHVFRODU(QVLQRSULPiULRHQVLQRIXQGD -mental incompleto e completo, ensino médio

incom-SOHWRHFRPSOHWR$VHVSHFL¿FDo}HVGHVVDVFDWHJRULDV

levam em conta o número de anos de estudo

míni-PRVH[LJLGRVSDUDFRQFOXVmRGRVQtYHLVGHHQVLQR

Ao incluir essa variável no indicador, a intenção

foi captar não somente o ano de estudo médio por

LQGLYtGXRPDVWDPEpPR³FRQWH[WRHGXFDFLRQDO´

no qual o indivíduo está inserido. A proporção de crianças na escola diz respeito ao total de crianças

QRGRPLFtOLR'HDFRUGRFRPD/HLQž

art. 2º, considera-se criança a pessoa com até 12 anos de idade incompletos; e adolescente, aquela entre doze e dezoito anos de idade.

A dimensão 4, condições de moradia, utilizou em sua análise as seguintes variáveis: tipo de mo-radia, iluminação, material de parede, material do teto, e número de pessoas por dormitório. Ainda que essas variáveis possam ser discutidas quanto

jVXDXWLOLGDGHQDDQiOLVHGDSREUH]DSHUFHEHVH

que a ausência de condições adequadas de moradia

(7)

além de ser um abuso aos direitos sociais

garanti-GRVSHORWH[WRFRQVWLWXFLRQDOEUDVLOHLUR

2XWUR SURQWR UHOHYDQWH GR HVWXGR QHVWD VHomR pDGLPHQVmRVD~GH&RPRQmRH[LVWHPYDULi

-YHLVHVSHFt¿FDVTXHSRVVDPWUD]HULQIRUPDo}HVD

respeito dessa dimensão, serão utilizados proxies

para estudá-la. São elas: esgotamento sanitário,

FRQGLomRVDQLWiULDHHOLPLQDomRGROL[R$MXVWL¿ -cativa para essa escolha foi o entendimento de que a falta de acesso, ou o acesso inapropriado a qual-quer uma dessas variáveis pode ocasionar sérios

SUHMXt]RVjVD~GHGRLQGLYtGXRSULQFLSDOPHQWHQR TXHGL]UHVSHLWRjVD~GHEiVLFD

(SRU¿PDGLPHQVmRWUDEDOKRHGHPRJUD¿D

A ideia é analisar o trabalho precário e a razão de

GHSHQGrQFLD SRU GRPLFLOLR &ODVVL¿FRXVH FRPR

situação de trabalho precário aquela na qual o tra-balhador não era segurado da previdência social nem contribuinte de outro instituto de previdência e, por isso, não tinha proteção contra os chamados

ULVFRVVRFLDLVLQFDSDFLWDQWHVSDUDWUDEDOKR

A variável razão de dependência é um

indica-GRUGHPRJUi¿FRXWLOL]DGRQDVDQiOLVHVGHPHUFDGR

de trabalho, pois trata da relação entre pessoas em idade potencialmente inativa e pessoas em idade potencialmente ativa. As pessoas com idade

infe-ULRUDDQRVRXLJXDORXVXSHULRUDDQRVIRUDP GH¿QLGDV FRPR GHSHQGHQWHV$ HVSHFL¿FDomR GR OLPLWHQDLGDGHGHDQRVRXPDLVVHSDXWRXQR TXH IRL HVWDEHOHFLGR SHOR (VWDWXWR GR ,GRVR /HL TXHFRQVLGHUDLGRVRVRVLQGLYtGXRV TXHHVWmRQHVVDIDL[DHWiULD/$&(5'$

4 Metodologia

&RQIRUPH %RXUJXLJQRQ H &KDNUDYDUW\ XPDPDQHLUDVLPSOHVGHGH¿QLUDSREUH]DHDFRQWD -gem do número de pobres é levar em consideração a possibilidade de ser pobre em qualquer dimensão

GDSREUH]D8PDIRUPDGHID]HULVVRpGH¿QLUDYD

-ULiYHOLQGLFDGRUGHSREUH]D8PHQIRTXHPXOWLGL

-PHQVLRQDOGH¿QHDSREUH]DPHGLDQWHXPYHWRUGH FDUDFWHUtVWLFDVSDUWLFXODUHV768,

(PWHUPRVJHUDLVXPtQGLFHGHSREUH]DPXOWLGL -mensional pode ser apresentado como uma função:

3;]0î]ĺ5

em que ;׫0 é uma matriz de atributos, como

UHQGDHGXFDomRVD~GHn [ mSDUDi= {1,2,…,m}

pessoas e k= {1,2,….m} dimensões, ] ׫ = é um vetor de limites ou “níveis minimamente

aceitá-YHLV´SDUDGLIHUHQWHVDWULEXWRV%285*8,*121 H&+$.5$9$57<

8PtQGLFHSRGHVHUFRQVWUXtGRSRUPHLRGHSHOR

menos três diferentes abordagens metodológicas:

D DERUGDJHP D[LRPiWLFD D WHRULD GRV FRQMXQWRV IX]]\HDWHRULDGDVLQIRUPDo}HV0$$6280, /8*2

Com base em Bourguignon e Chakravarty

±XPtQGLFHPXOWLGLPHQVLRQDOJHUDO±SRGH VHUGHFRPSRVWRHFXPSUHRVD[LRPDVQHFHVViULRV SRGHVHUGH¿QLGRFRPR

P(X,z)=

™

n

f i=1

xi,1

zi xi,k zk

1

1

1

n

max 0;

,...,max 0;

3RUDERUGDJHPYLQFXODWLYDSDUDGH¿QLUf (·) e

XVDQGR XPD YDULDomR QR tQGLFH GH )RVWHU *UHHU H7KRUEHFNHSDUDFDSWXUDUDVHYHULGDGHGD

pobreza, a pobreza multidimensional pode ser me-dida da seguinte forma:

P(X,z)=

™

™

n n

xîk2 f

i=1 i=1

1 n

1

m

(PSUHVXPHVHTXHDVGLPHQV}HVQmRVmR

substituíveis, mas se inter-relacionam com o nível geral de pobreza, o que é consistente com uma abordagem baseada em dimensões de bem-estar.

1RQtYHOLQGLYLGXDOPDLVSHVRpGDGRjVGLPHQ -sões que apresentam um maior Gap de privação e, em seguida, mais peso é atribuído a pessoas com maiores níveis de privação. Isto faz com que o índice seja sensível para a distribuição de

pobre-]D$SREUH]DHPQtYHOLQGLYLGXDOVHGH¿QHSRU

Pi 1

m ™ni=1xîk2FRPXPYDORUPi[LPRGHSREUH]D

WRWDOHXPPtQLPRGHVHPSREUH]D

Para cada dimensão, pode ser estimado os

índi-FHVGHLQFLGrQFLDSURSRUomRGHSREUHVHRVQtYHLV

de privação para diferentes regiões e grupos

demo-JUi¿FRV3DUDRtQGLFHGHLQFLGrQFLDpFRQVLGHUD

-GRTXHWRGDVDVSHVVRDVTXHHVWmRDEDL[RGROLPLWH HPSHORPHQRVXPDYDULiYHOVRIUHPSULYDomRHQ

-IRUTXHGHXQLmRFRPEDVHQDVHJXLQWHUHJUD

Sofre Privação =

{

Sim;se XvըN>0

Não;se XvըN=0

2QtYHOGHSULYDomRSDUDFDGDSHVVRDHPFDGD

indicador se mede diretamente por Xըl

(8)

o nível privação individual em cada dimensão é determinado pela função de agregação gkFRPR

segue:

1

p

™

p

l=1 Xi,k= Xl

i,k

2VLQGLFDGRUHVVHDJUHJDPHPQtYHOSDUDFDGD

dimensão sobre a base da seguinte função: Xi,k=gk (xl

i,k ,…, x p

i,k ) para as variáveis l = {1, ..., p}, tal que a função gkpHVSHFt¿FDGHFDGDGLPHQVmRk.

7RGRVRVLQGLFDGRUHVWrPRYDORUPi[LPRGHQt

-YHODOFDQoDGRHXPYDORUPtQLPRVGHSULYDomR WRWDOVHQGRHVVDGH¿QLomRXWLOL]DGDSDUDUHGX]LU

os problemas de descontinuidade.

)LQDOPHQWH R QtYHO GH SULYDomR JOREDO TXH

pode ser decomposto para cada dimensão é:

1

n

™

n

i=1

Xk^= Xî,k

2QtYHOGHSULYDomRJOREDOXLըNVHPHGHXVDQGR

HPFDGDGLPHQVmRHVHGH¿QHFRPRRQtYHOGH SULYDomRPpGLRHQWUHDVYDULiYHLV3DUDLGHQWL¿FDUR

nível de privação de cada dimensão, a reformulação dos índices é feita usando a fórmula: XLըN=1- Xi,k, em que o nível de privação XLըN é interpretado como a diferença relativa entre o nível individual de XLըN e o limite da privação Zk FRPXPYDORUPi[LPRGH

SULYDomRWRWDOHXPPtQLPRGHVHPSULYDomR

5 Resultados e discussão

Inicialmente, analisam-se os resultados dos graus de privação em cada um dos indicadores e nas

respec-WLYDVGLPHQV}HVGHD2VGaps, que são a distância dos indivíduos pobres a um limite de po-breza, também serão apresentados para cada dimensão

GLIHUHQFLDQGRVHHQWUHiUHDVPHWURSROLWDQDXUEDQDH UXUDOHJUXSRVVH[RIDL[DHWiULDHUDoD(PXPVHJXQ -do momento, a pobreza multidimensional é analisada entre as regiões brasileiras e os grupos. Apresenta-se, ainda, a diferença da intensidade da pobreza multidi-mensional entre as áreas urbanas e rurais em nível na-cional, e entre as regiões brasileiras.

5.1 Incidência de provação no Brasil: indicado-res e suas dimensões

A Tabela 2 apresenta a incidência de privação no

%UDVLOGHDHQWUHRVLQGLFDGRUHVHGLPHQ

-V}HV$GLPHQVmRiJXDHDOLPHQWRVpGH¿QLGDSRUGXDV

varáveis: água na moradia e capacidade de compra de

DOLPHQWRVÈJXDQDPRUDGLDpGH¿QLGDFRPREHPGH

necessidade básica para a sobrevivência humana, e sua proveniência nos domicílios mede a privação ou não da população. Se o abastecimento for da rede geral de distribuição, o domicílio é considerado não privado. Contudo, se for proveniente de poço ou nascente, ou outra providência, é denominado privado do bem. A percentagem de pessoas que não têm abastecimento de água potável, proveniente da rede geral de

distribui-omRHPVHXVGRPLFtOLRVFDLXGHHPSDUD HP

Por outro lado, a variável capacidade de compra de

DOLPHQWRVPHGHDSULYDomRPRQHWiULDRXVHMDDUHQ

-GDFRPRXPVXEVWLWXWRSDUDDSULYDomRGHDOLPHQWRV 2VGRPLFtOLRVFRPUHQGDper capitaLQIHULRUjOLQKD

de pobreza são considerados privados, por não serem capazes de consumir as necessidades nutricionais mí-nimas. Assim, o percentual de pessoas com privação

PRQHWiULD DSUHVHQWRX XPD UHGXomR GH SDUD QRPHVPRSHUtRGR,PSRUWDQWHREVHUYDUTXH

na dimensão como um todo, o impacto da redução foi maior em conjunto do que quando os indicadores são analisados separadamente. Houve uma redução de

HPSDUDHPGLPLQXLomR GHGDSREUH]DPXOWLGLPHQVLRQDOQR%UDVLOQD

dimensão água e alimentos.

(PVHJXLGDpREVHUYDGDDSULYDomRQDGLPHQVmR

da comunicação e informação, a qual é medida por cinco variáveis em nível domiciliar: a posse de

te-OHIRQH LQFOXLQGR ¿[R RX FHOXODU GH XPD WHOHYLVmR SUHWREUDQFRRXFRORULGDGHFRPSXWDGRUHDFHVVR j LQWHUQHW 'HVWDFDVH TXH D IDOWD GD PDLRULD GHVVDV WHFQRORJLDVGHDFHVVRjLQIRUPDomRQmRVLJQL¿FDXPD

verdadeira privação, e também não traz nada sobre a qualidade da informação que os domicílios acessam. É necessária uma análise completa desses critérios, mas isso está além do escopo dessa investigação.

$7DEHODPRVWUDTXHHQWUHHDLQFL

-GrQFLDIRLUHGX]LGDHPWRGRVRVLQGLFDGRUHV(P

os maiores índices de privação foram registrados para

DFHVVRjLQWHUQHWHFRPSXWDGRU (QTXDQWRRVQtYHLVPDLVEDL[RVGHSULYDomRVmRGH WHOHIRQHHWHOHYLVmR2VLQGLFDGRUHV

que apresentaram os maiores impactos de redução da

(9)

com-putadores, embora os graus de ambos tenham apre-sentado queda no período, ainda assim permanecem consideravelmente elevados. Desse modo, é possível

que a redução da privação se encontre correlacionada com a propagação tecnológica ocorrida nos últimos anos, que proporcionou uma maior facilidade ao

DFHVVRjVQRYDVWHFQRORJLDVGHFRPXQLFDomR 7DEHOD±,QFLGrQFLDGHSULYDomRQR%UDVLO

Dimensões/Variáveis 2009 2011 2012 2013 2014 2015

Dimensão 1: Água e Alimentos 13,42 13,09 11.80 12,53 11,24 11,79

Água na Moradia 8,82

Capacidade de compra de alimentos 4,24 3,70 4,34

Dimensão 2: Comunicação e Informação 71,35 61,47 57.35 54,94 55,11 56,92

Telefone 5,24 4,30 4,57

Televisão 2,01 2,02 2,00 2,01

Computador 50,13 50,23

Internet

Dimensão 3: Educação 92,39 91,82 91,43 90,88 90,35 89,85

(QVLQR3ULPiULR 80,88 80,01

(QVLQR)XQGDPHQWDOLQFRPSOHWR 88,03

(QVLQR)XQGDPHQWDOFRPSOHWR

(QVLQR0pGLRLQFRPSOHWR

(QVLQR0pGLR&RPSOHWR

Proporção de crianças na escola 2,27 2,10 1,70

Dimensão 4: Condições da Moradia 40,09 39,19 38,76 39,13 39,23 37,56

Tipo de Moradia 30,03 30,78

Iluminação 0,52 0,41 0,24 0,15 0,14

Material da Parede 8,37 7,85 7,12

Material do Teto 2,28 2,20 2,11

Nº de pessoas por dormitório 7,00 5,73 5,40 5,04

Dimensão 5: Saúde 41,91 38,81 38,38 37,94 37,67 36,02

(VJRWDPHQWR6DQLWiULR 41,40 38,12 37,37 37,17

Condição Sanitária 10,25

(OLPLQDomRGROL[R 0,78 0,70 0,51 0,51 0,42

'LPHQVmR7UDEDOKRH'HPRJUD¿D 62,59 59,12 58,61 57,44 57,32 57,51

Trabalho Precário 53,07 52,53 51,15

5D]mRGHGHSHQGrQFLDSRUGRPLFLOLR 17,10 17,45 17,28 17,35

)RQWHHODERUDGDSHORVDXWRUHVFRPEDVHQRVGDGRVGD31$'

2V PDLRUHV LQGLFDGRUHV GH SULYDomR VH FRQ -centram na dimensão educação. Precisamente por conta de a pesquisa levar em consideração a

ado-omRGD/HLGH'LUHWUL]HVH%DVHVGD(GXFDomR/HL TXHHVWDEHOHFHDVGLUHWUL]HVHEDVHVGD

educação nacional, no ensino primário, de acordo com a Lei, crianças com até 5 anos de idade podem

WHUQRPi[LPRDQRVGHHVFRODULGDGHGHQRPLQDGR

ensino pré-escolar. No ensino fundamental

incom-SOHWRFULDQoDVGHDQRVDDQRVGHLGDGHSDUD

não serem consideradas privadas, devem ter de 4 a

DQRVGHHVWXGR1RHQVLQRIXQGDPHQWDOFRPSOH -to, estariam inseridas as crianças de 11 a 14 anos, que estariam terminando o ensino fundamental em torno de 8 a 14 anos de escolaridade. Já no ensino

médio incompleto, os pré-adolescentes em torno dos 15 a 17 anos, estariam completando o ensino

PpGLRFRPDDQRVGHHVWXGR(SRU¿PQR

ensino médio completo, estariam os jovens acima de 18 anos, que devem ter no mínimo 15 anos de escolaridade para poderem ter uma boa formação educacional e capacidade para entrar no mercado de trabalho e não serem considerados privados de edu-cação. A proporção de crianças na escola refere-se ao total de crianças no domicílio que estão frequen-tando o ensino escolar.

Na dimensão educação, na Tabela 2, observa-se

XPDSHTXHQDUHGXomRQDSULYDomRTXHHP HUDGHSDVVDQGRSDUDHP2

(10)

redu-omRQDSULYDomRGHSDUD/RJR

em seguida, o ensino fundamental completo e o

HQVLQRPpGLRFRPSOHWRFRPHUHV

-SHFWLYDPHQWH7DEHOD

Tais evidências corroboram as análises de Silva

TXHHVWXGDDSREUH]DPXOWLGLPHQVLRQDOQR 1RUGHVWH3DUDtEDH%UDVLOUHVSHFWLYDPHQWH2UH -ferido estudo observou que a educação é uma das dimensões que mais contribuem para a propensão

GDSREUH]D3RLVVHJXQGR6HQDVSHVVRDV

necessitam de funcionamentos relevantes e estes não se dão apenas pelo nível de renda, mas, sim, por meio do acesso a saúde, educação, condições de moradia, entre outros aspectos relevantes.

Para medir a privação de habitação, são leva-dos em conta cinco indicadores. A Tabela 2 mos-tra a percentagem de população com privação na

PRUDGLD$SUR[LPDGDPHQWHPDLVGHXPWHUoRGD

população não possui uma moradia própria já qui-tada. Houve uma pequena redução no índice de

SULYDomRKDMDYLVWDTXHHPHUDGH

SDVVDQGRSDUDHP1RTXHGL]UHV

-SHLWRjLOXPLQDomRTXDOLGDGHGDSDUHGHTXDOLGDGH

do teto e número de pessoas por dormitório, houve

XPDUHGXomRQmRPXLWRVLJQL¿FDWLYDQRVtQGLFHVGH

incidência, embora esses índices já apresentassem

XPDEDL[DSULYDomR7DEHOD(PDSHQDV

5% da população vivia em casa com mais de três pessoas por quarto. Apenas 0,14% da população

YLYLDFRPSULYDomRGHLOXPLQDomRH

não apresentam os materiais, respectivamente, da parede e do teto adequados em suas moradias. Houve assim uma redução na privação nacional da

GLPHQVmRHPWRUQRGHGHSDUD

Na dimensão saúde foram utilizadas as

condi-o}HVGHVDQHDPHQWREiVLFRFRPRSUR[\SDUDDQD -lisar as condições da população brasileira. Como

MXVWL¿FDWLYDjIDOWDGHDFHVVRRXRDFHVVRLQDSUR -priado, a qualquer uma dessas variáveis de

sane-DPHQWR SRGH RFDVLRQDU VpULRV SUHMXt]RV j VD~GH

do indivíduo, principalmente no que diz respeito

jVD~GHEiVLFD$7DEHODPRVWUDTXHQDGLPHQ -são saúde, houve uma redução da sua privação,

GH HP SDUD HP RX VHMDTXHGDGHQRSHUtRGRDQDOLVDGR(VVD UHGXomRSRGHVHUH[SOLFDGDSHODUHGXomRRFRUULGD

em todos os indicadores da dimensão. No esgota-mento sanitário, indicador com maior impacto na

UHGXomRGDSULYDomRKRXYHXPDTXHGDGH

Houve redução também na condição sanitária e na

HOLPLQDomRGROL[RGHHUHVSHFWLYD

-PHQWHGHSDUD

3RU ¿P QD GLPHQVmR WUDEDOKR H GHPRJUD¿D

trabalho precário foi denominado aquele no qual o trabalhador não era segurado da previdência social nem contribuinte de outro instituto de previdência.

(GHPRJUD¿DDUD]mRGHSHVVRDVGHSHQGHQWHVSRU

domicílio, sendo elas as menores de 14 anos e

maio-UHVGH$7DEHODPRVWUDDLQFLGrQFLDGHSULYD -ção para cada indicador. Mais de 50% da popula-ção

VRIUHSULYDomRGHWUDEDOKRGLJQR(P

ocupam-se em situação de trabalho precário.

Mes-PRWHQGRRFRUULGRXPDUHGXomRGHGH SDUDDLQGDSHUPDQHFHXPDWD[DGHSULYDomR

bastante elevada. Por outro lado, a razão de

depen-GrQFLDDSUHVHQWDXPDWD[DGHSULYDomRFRQVLGHUDGD HOHYDGD(PGDSRSXODomRDSUHVHQWD -va alguma relação de dependência.

5.2 Os Gaps de Privação

2 Gap de privação é apresentado nas Tabelas 3

HSRUGLPHQV}HVHJUXSRVGHPRJUi¿FRV2VQ~ -meros mostram a diferença média para diferentes áreas e grupos populacionais. Como discutido na seção 4, que trata da metodologia, os gaps ou la-cuna de privação representam a distância entre os indivíduos pobres e um determinado limite de po-breza total, variando entre 0 e 1 e calculados para cada dimensão.

2EVHUYDVH TXH D SREUH]D QD GLPHQVmR $OL -mentos e Água, é um problema, especialmente nas

iUHDVUXUDLV(PSRUH[HPSORDSUHVHQWDVH XPDODFXQDGHSULYDomRGHHQTXDQWRTXH

nas regiões metropolitanas e urbanas há uma la-cuna de registros de privação menor quando com-paradas com a área rural do Brasil, com valores, respectivamente, de 3,81% e 4,85%, no mesmo

SHUtRGR7DEHOD1RWRFDQWHjDQiOLVHHQWUHRV

grupos populacionais, não há uma lacuna tão

sig-QL¿FDQWHFRPUHODomRjSREUH]D&RQWXGRKRXYH

uma redução em todos os grupos em estudo, de

D

Na dimensão Comunicação e Informação, na Tabela 3 o Gap foi reduzido em todas as áreas e

JUXSRVHQWUHH1RSHUtRGRDQDOLVDGRR

Gap de privação da população rural brasileira foi bem mais elevado do que o das regiões

metropo-OLWDQDHXUEDQD(PDiUHDUXUDODSUHVHQWRX XPDODFXQDGHSULYDomRGHHQTXDQWRDV

(11)

res-SHFWLYDPHQWHH2EVHUYDVHDLQ

-GDTXHDSULYDomRHQWUHDVSHVVRDVGRVH[RPDVFX

-OLQRpPDLRUGRTXHHQWUHDVGRVH[RIHPLQLQRFRP UHODomRDHVWDGLPHQVmR$QDOLVDQGRDIDL[DHWiULD

a privação é maior entre crianças e adolescentes, 31,20% e 27,78%, respectivamente. Com relação ao grupo raça, a lacuna de privação é maior para as raças não brancas, 33,37% em 2015.

1RTXHVHUHIHUHjGLPHQVmR(GXFDomRFRQIRU

-PHH[SRVWRQD7DEHODKiXPGap de 81,54% de

SULYDomRHP&RPUHODomRjViUHDVREVHUYDVH

um maior Gap na área rural, quando comparadas com a metropolitana e urbana, não diferente do que foi ressaltado nas outras dimensões. Contrapondo--se a todos os resultados apresentados nas outras

dimensões, a zona rural foi a única área na qual

KRXYHXPDXPHQWRGDSULYDomRHP SDUDHP2TXHQmRDFRQWHFHFRPDV

áreas metropolitanas e urbanas, pois foi observa-do uma redução da privação em educação. Houve também uma redução na privação entre homens e mulheres: mulheres apresentam uma privação

me-QRUGHHPTXDQGRFRPSDUDGDVDRV KRPHQV1RWDVHTXHRKLDWRPpGLRGHSUL -vação na educação é 2,78 vezes maior para homens

GRTXHSDUDPXOKHUHV1RJUXSRIDL[DHWiULDWRGRV

apresentaram redução na privação. Sendo o grupo

DGXOWRVFRPPDLRUUHGXomRGHD

No grupo raça, entre os brancos, a privação é de

HHQWUHRVQmREUDQFRVGH

Tabela 3 – Brasil: GapGDSULYDomRSRUGLPHQVmRH

Região/Grupo Água e Alimentos Comunicação e Informação Educação

2009 2015 2009 2015 2009 2015

Nacional 5,43 37,45 28,32 83,02 81,54

Metropolitano 4,37 3,81 21,58 78,52

8UEDQR 5,51 4,85 27,41 83,08

5XUDO 14,78 58,83 88,01

Homens 28,72

Mulheres 5,37 37,04 82,20

Crianças 8,77 7,41 31,20 77,54 77,51

Adolescentes 7,42 37,44 27,78 83,77 83,07

Jovens 85,75

Adultos 5,31 82,10

Idosos 3,83 45,38

Branca 4,30 3,71 22,32 80,14 77,55

Não Branca 8,35 43,73 33,37 85,82

)RQWHHODERUDGDSHORVDXWRUHVFRPEDVHQRVGDGRVGD31$'

Quanto aos Gaps relacionados com a dimen-sões de condições de moraria, na Tabela 4, obser-va-se que nas áreas rurais houve uma maior redu-ção do Gap de privação na dimensão moradia, de

HP SDUD HP HPERUD

ainda haja maior lacuna de privação entre as áreas

PHWURSROLWDQDHXUEDQDHP 1RJUXSRVH[RDVPXOKHUHVDSUHVHQWDPSULYD -ção menor que os homens, sendo essa diferença de

(12)

Tabela 4 – Brasil: GapGDSULYDomRSRUGLPHQVmRH

Região/Grupo Condições da Moradia Saúde 7UDEDOKRH'HPRJUD¿D

2009 2015 2009 2015 2009 2015

Nacional 8,05 17,38 37,05

Metropolitano 8,15 7,10 7,33 5,34 31,58

8UEDQR 8,28 35,11

5XUDO 37,82

Homens 8,15 34,04

Mulheres 8,85 14,57 35,17

Crianças 12,28 11,20 42,01 37,48

Adolescentes 8,71 17,74 32,37

Jovens 14,77 31,01 28,15

Adultos 7,74 7,08 14,10

Idosos 4,27 14,54

Branca 8,25 7,48 11,30 34,10 32,13

Não Branca 8,52 18,41

)RQWHHODERUDGDSHORVDXWRUHVFRPEDVHQRVGDGRVGD31$'

'HQWURGDGLPHQVmR6D~GH7DEHODDPDLRU

diferença da privação entre as regiões está

locali-]DGDQDiUHDUXUDO(PDODFXQDGHSULYDomR p GH REWHQGR XPD SHTXHQD UHGXomR HP

SDUD,VVRLQGLFDTXHPDLVGDPHWD

-de da população rural apresenta privação -de

sane-DPHQWREiVLFR(HPGHFRUUrQFLDGHVVHUHVXOWDGR DiUHDUXUDOpROXJDUPDLVVHQVtYHOHPUHODomRj VD~GH-iDViUHDVPHWURSROLWDQDHXUEDQD DSUHVHQWDPHPPHQRUSULYDomR

Com relação aos homens e mulheres, houve uma

UHGXomRGHSDUDDVPXOKHUHVDSUHVHQ -tam uma menor privação, em 2015, de 14,57%,

TXDQGRFRPSDUDGDVDRVKRPHQVTXHWrP

de privação no mesmo período. No grupo etário,

TXHPSRVVXLPDLRUGp¿FLWQDVD~GHpRJUXSRGDV FULDQoDVHP(RPHQRUpRJUXSR GRVDGXOWRV(PWRGRVRVJUXSRVIRLRE -servada uma redução da privação. As populações de raça não brancas têm lacunas de privação mais

HOHYDGRVHPTXDQGRFRPSDUDGDVjV

de raça branca, apenas 11,30%.

$ iUHD UXUDO 7DEHOD WDPEpP VH GHVWDFRX

dentre as outras, por apresentar um aumento da

ODFXQD QD GLPHQVmR 7UDEDOKR H 'HPRJUD¿D GH

HPSDUDHPVHQGRDV

-VLPXPDXPHQWRGHQRSHUtRGR(QWUHWDQWR

ocorreu uma redução nas outras áreas em estudo. Na área metropolitana houve um maior impacto

HQWUHHXPDUHGXomRGHQRSH

-ríodo analisado. Houve redução também na área

XUEDQDGHHPSDUDHP

Contrapondo-se a todas as outras dimensões, na

GLPHQVmRWUDEDOKRHGHPRJUD¿DDVPXOKHUHVDSUH -sentam, dessa vez, um Gap privação maior que os

KRPHQV (YLGHQFLDVH PDLV DLQGD D GLIHUHQoD QR PHUFDGRGHWUDEDOKRHQWUHKRPHQVHPXOKHUHV(P

2015, houve uma lacuna de privação de 35,17% para mulheres e de 34,04% para homens. No

gru-SRGDIDL[DHWiULDRFRUUHUDPUHVXOWDGRVHVSHUDGRV

isto é, maior privação para crianças e idosos, pois esses indivíduos são dependentes e não trabalham.

(PFULDQoDVVRIUHPSULYDomRGHH LGRVRVGH&RPRPHQRUGap está o

gru-SRGRVMRYHQVFRPHP3RU¿PD

população branca possui uma lacuna de privação menor quando comparada com a não branca. Na

TXDODSUHVHQWDXPKLDWRGHPHQRUPHVPR

ambos os grupos obtendo uma redução no período

GHD

5.3 A pobreza multidimensional

'HPDQHLUDJHUDODVLQIRUPDo}HVH[WUDtGDVGDV

PNADs sinalizam uma melhora, entre os anos de

QDV FRQGLo}HV GH YLGD GD SRSXODomR EUDVLOHLUD(VVDPHOKRUDQRHQWDQWRQmRRFRUUHX

de forma homogênea entre as regiões brasileiras,

QHPHQWUHRVJUXSRVVH[RIDL[DHWiULDHUDoD

A Tabela 5 mostra a pobreza multidimensional

SRUUHJLmRHSRUJUXSRVQR%UDVLO2VUHVXOWDGRV

sugerem uma redução na pobreza

multidimensio-QDOGHHPSDUDHPVH

-gundo a metodologia adotada, com uma variação

(13)

-EUH]DPXOWLGLPHQVLRQDOGHFOLQRXDXPDWD[DPpGLD

anual de 1,21 %.

Ainda de acordo com a Tabela 5, em média,

QmRKiGLIHUHQoDVLJQL¿FDWLYDQDSREUH]DHQWUHRV JUXSRV VH[R H IDL[D HWiULD &RQWXGR KRXYH XPD

redução em todos os grupos. A pobreza multidi-mensional entre os homens em 2015 é de 21,14%, enquanto que entre as mulheres é de 20,70%, ha-vendo uma variação maior entre as pessoas do

VH[R IHPLQLQR 'LIHUHQoD SRXFR QRWDGD

também entre crianças, adolescentes, jovens e

DGXOWRV8PLPSDFWRPDLRUQDUHGXomRRFRUUHXQR JUXSRFULDQoDVXPDTXHGDGHGHD

2015. Já no grupo idosos, houve pouca redução na proporção, 3,35%, sendo esse o grupo com maior pobreza multidimensional, 30,05% em 2015. As populações de raça não branca têm os mais altos

níveis de pobreza multidimensional, 22,50%,

mes-PRDSUHVHQWDQGRDPDLRUWD[DGHYDULDomR GHD

-iD7DEHODDSUHVHQWDDSURSRUomRGHSREUHV SRUUHJL}HVGR%UDVLOHQWUHUXUDOHXU -bana. As áreas rurais de todas as regiões apresen-tam uma proporção de pobres bem maior quando

FRPSDUDGDV jV iUHDV PHWURSROLWDQDV H XUEDQDV FRUURERUDQGR 6LOYD H 1HGHU TXH HVWXGD -ram a pobreza multidimensional nas áreas rurais

GR%UDVLO2VDXWRUHVGHVWDFDPDLPSRUWkQFLDGH

se mensurar a pobreza levando em consideração, além da renda, a habitação, o abastecimento de água, o saneamento básico, a educação e o mer-cado de trabalho. Nacionalmente, a proporção de

SREUHVQD]RQDUXUDOHPHUDGHHQ

-TXDQWRTXHQD]RQDXUEDQDHUDGH

7DEHOD±3REUH]DPXOWLGLPHQVLRQDOSRUUHJLmRHSRUJUXSRQR%UDVLO

Pobreza Multidimensional

Variação

2009 2011 2012 2013 2014 2015

Nacional 21,54 21,23 -7,31%

5HJLmR1RUWH 27,74 27,01 25,38

5HJLmR1RUGHVWH 24,18 23,80 23,53 23,78

5HJLmR6XO 20,27 20,01 -7,25%

5HJLmR6XGHVWH 20,22 18,73 18,80 -7,02%

5HJLmR&HQWUR2HVWH 22,25 20,50 20,31 20,11 20,00 -10,11%

Homens 22,71 21,73 21,42 21,13 21,14

Mulheres 22,42 20,74 20,58 20,70

Crianças 20,30 -10,50%

Adolescentes 22,08 20,73 20,50 20,14 20,18

Jovens 22,18 21,11 20,77 20,45 20,40 -8,03%

Adultos 21,48 20,17

Idosos 30,44 30,41 30,03 30,05 -3,35%

Branca 20,57

Não Branca 24,50 22,50

)RQWHHODERUDGDSHORVDXWRUHVFRPEDVHQRVGDGRVGD31$'

As regiões com maior percentual de pobres multidimensionais são as regiões Norte e Nordes-te, em todos os anos em estudo, corroborando os

GDGRVDSUHVHQWDGRVSRU/DFHUGDTXHD¿U -ma ter a pobreza no Brasil um forte componente regional e sua incidência, quaisquer que sejam os indicadores utilizados, é mais elevada no Norte e no Nordeste.

(PDUHJLmR1RUWHWLQKDGDVXD

população em estado de pobreza

multidimensio-QDOPHVPRDSUHVHQWDQGRXPDUHGXomRGH DSUHVHQWDGRQD7DEHOD$iUHDFRPPDLRULQFL

-dência de pobreza é a área rural, 33,17% em 2015.

8PDGLIHUHQoDGHPDLVGHTXDQGRFRPSDUDGD

com a área urbana da região.

A região Nordeste apresenta a segunda maior proporção de pobreza multidimensional em to-dos os anos em estudo, mesmo com uma queda

QDYDULDomRGHHQWUHH$UHJLmR

Nordeste ainda apresenta, em 2015, 23,78% da sua população em estado de pobreza. Com um impacto

(14)

7DEHOD±3URSRUomRGHSREUHVSRUUHJL}HVGR%UDVLO

Pobreza Multidimensional

Variação

2009 2011 2012 2013 2014 2015

Nacional 21,54 21,23 -7,31%

8UEDQR 21,22 20,20

5XUDO 30,83 30,45 30,00 28,74 -5,77%

Região Norte 27,74 27,01 25,38

8UEDQR 25,45 24,54 23,81 23,35 23,37 -8,17%

5XUDO 35,35 34,77 33,01 33,17

Região Nordeste 24,18 23,80 23,53 23,78

8UEDQR 23,78 22,38 22,00 21,55

5XUDO 33,27 32,14 31,74 31,04 30,21 30,81

Região Sul 20,27 20,01 -7,25%

8UEDQR 18,72 18,58

5XUDO 25,14 25,12

Região Sudeste 20,22 18,73 18,80 -7,02%

8UEDQR 18,43 18,30

5XUDO 27,38 27,37

Região Centro-Oeste 22,25 20,50 20,31 20,11 20,00 -10,11%

8UEDQR 21,25

5XUDO 28,77 27,73 27,73

)RQWHHODERUDGDSHORVDXWRUHVFRPEDVHQRVGDGRVGD31$'

$VUHJL}HVFRPDVPHQRUHVWD[DVGDSREUH]D

multidimensional são as regiões Sudeste, Sul e

&HQWUR2HVWH $ UHJLmR 6XGHVWH WHP D SRSXOD

-omRFRPPHQRUSURSRUomRGHSREUHVGRSDtV(P

2015, a proporção de pobres multidimensionais era de 18,80%. A área rural, como em todas as outras regiões, também apresenta uma maior

po-SXODomR SREUH GR TXH D iUHD XUEDQD H

18,30%, respectivamente.

(P HUDP SREUHV GD SRSXODomR GDUHJLmR6XOVLPLODUPHQWHjUHJLmR&HQWUR2HVWH

com 20% de pobres. Ambas as regiões obtiveram

GLIHUHQoDVVLJQL¿FDWLYDVHQWUHDViUHDVXUEDQDVHUX

-UDLV1DViUHDVXUEDQDVHUHVSHFWL

-YDPHQWHUHJL}HV6XOH&HQWUR2HVWH1DViUHDVUX -rais, os impactos foram bem mais severos, 25,12%

QDUHJLmR6XOHQDUHJLmR&HQWUR2HVWH

KJOE@AN=¾ËAOłJ=EO

2 SUHVHQWH HVWXGR VH SURS{V FRPSUHHQGHU H

apresentar a pobreza multidimensional no Brasil ao considerar outras dimensões além da renda. Ao ana-lisar a pobreza no Brasil pela ótica das seis dimen-sões estudadas, constatou-se que a pobreza multi-dimensional apresentou uma trajetória decrescente.

2VUHVXOWDGRVGRWUDEDOKRVXJHUHPXPDUHGXomRGH HPSDUDHP

Para as análises separadas das áreas metropo-litana, urbana e rural, o nível de pobreza foi mais intenso na região rural, em que as intensidades de

SREUH]DIRUDPVHQVLYHOPHQWHPDLRUHV(VVDVLWX -ação é menos grave na área metropolitana brasi-leira. Na análise da pobreza entre os grupos quase

QmRH[LVWHPGLIHUHQoDVHQWUHKRPHQVHPXOKHUHV

mas vale salientar que a persistente privação está mais concentrada nos homens.

-i HQWUH DV IDL[DV HWiULDV WDPEpP VH REVHUYD

uma pequena privação. Crianças, adolescentes, jovens e adultos se encontram com a mesma

pro-SRUomRHPPpGLDGHSREUHVPXOWLGLPHQVLRQDLV2

impacto maior na pobreza seria sobre o grupo dos idosos, considerados mais privados em relação aos outros grupos etários. As desigualdades persistem, sobretudo, entre a população da raça branca e a

QmR EUDQFD KDYHQGR XPD VLJQL¿FDWLYD GLIHUHQoD

na pobreza multidimensional quando comparadas.

Apesar de ter ocorrido a redução da pobreza

PXOWLGLPHQVLRQDO HQWUH H GH DFRUGR

com as seis dimensões, a situação da pobreza é

PDLVJUDYHQDVUHJL}HV1RUWHH1RUGHVWH(VWmRHP

melhor situação as regiões Sudeste, Sul e

Centro-2HVWH$V]RQDVUXUDLVFRQWLQXDPDVHUPDLVSR

-EUHVHPUHODomRjViUHDVXUEDQDVPHVPRKDYHQGR

(15)

GHYLGRjKHWHURJHQHLGDGHGLVSHUVmRHIDOWDGHLQ -fraestrutura básica.

Conclui-se que, para reduzir a pobreza multi-dimensional, devem-se adotar políticas públicas

GLUHFLRQDGDV HVSHFL¿FDPHQWH SDUD DV GLPHQV}HV

que mais impactam a pobreza, a saber: educação,

WUDEDOKRHGHPRJUD¿DFRPXQLFDomRHLQIRUPDomR

e saúde.

&RPRVXJHVWmRGHIXWXUDVSHVTXLVDVVHULDH[ -tremamente importante investigar as relações entre

SURWHomRVRFLDOFUHVFLPHQWRHFRQ{PLFRHUHGXomR

da pobreza multidimensional. É também impor-tante contar com dimensões adicionais para uma análise mais completa. Portanto, deve ser contínua a procura de novos dados que visem a melhorar os indicadores utilizados para medir cada uma das di-mensões, e assim mensurar qual tem mais impacto na pobreza multidimensional no Brasil.

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Imagem

Tabela 1 – Dimensões e indicadores da pobreza multidimensional
Tabela 4 – Brasil: Gap GDSULYDomRSRUGLPHQVmRH

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