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AUTOR: HUGO BARTOLOMEU FERREIRA

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Academic year: 2021

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PARASHÁ 21 – KI TISSÁ (QUANDO REALIZAR) (Êxodo 30:11 – 34:35 )

MINHAS PERCEPÇÕES

AUTOR: HUGO BARTOLOMEU FERREIRA

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2 1. GENERALIDADES

A Parashá Ki Tissá traz diversas interpretações, as quais mesmo os rabinos divergem. Porém, como livro de origem divina, a Torá nos apresenta campo fértil e amplo para as reflexões.

Em função dessa amplitude, destaquei três aspectos para abordar:

- a questão do shekel;

- a questão do bezerro de ouro; e - a constante conexão com D’us.

30:11

Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo:

30:12

Quando tomares a soma dos filhos de Israel, conforme à sua conta, cada um deles dará ao SENHOR o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os contares.

30:13

Isto dará todo aquele que passar ao arrolamento: A metade dum siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte óbolos): a metade dum siclo é a oferta ao SENHOR.

30:15

O rico não aumentará, e o pobre não diminuirá da metade do siclo, quando derem a oferta ao SENHOR, para fazer expiação por vossas almas.

O Shekel, até hoje unidade monetária israelense, era uma moeda cunhada em prata e única aceita para o templo, já que as demais traziam inscrições ou representações não aceitas pelos israelitas. Veremos à frente que bezerro de ouro foi o resultado de uma coleta expressiva em ouro, cujo valor é bem superior à prata.

Então, causa estranheza D’us determinar uma coleta em prata e ressalte-se que trata-se da metade da moeda e como isso era cumprido?

Segundo o artigo “Quanto vale meio shekel” (acessível em:

https://caferambam.com/2017/03/08/quanto-vale-o-meio-shekel/), o Shekel não era

uma moeda, mas sim o peso em prata correspondente ao peso de 320 grãos de

cevada (Rambam, Shekalim 1:2). Mas a questão continua. Por quê prata e não ouro?

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3 para a obtenção da prata, dispende-se muito mais trabalho, uma vez que é preciso aprofundar as escavações. Essa doação exigia mais dedicação.

Assim sendo, se o ouro traz a beleza exterior, é a prata que irá servir de instrumento para a expiação da alma.

O aspecto da metade do Shekel remete à igualdade, e desse modo, o Eterno passa a mensagem de que não faz distinções. Para ele todos são iguais e serão tratados com a mesma justiça diante dos acertos e dos erros.

31:18

E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte de Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de D’us.

32:1

Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Aarão, e disseram-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós: porque enquanto a este Moisés, a este homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu.

Nessa passagem, fica patente a tendência do ser humano ao pecado.

A narrativa nos dá conta de que o povo havia mergulhado no pecado da idolatria em torno de um Bezerro de Ouro.

Ciente do que ocorria, D’us determina a Moshê que desça e assevera que irá consumir esse povo, a despeito da sua obstinação.

32:7

Então disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido,

32:8

E depressa se tem desviado do caminho que eu lhes tinha ordenado: fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram, e sacrificaram- lhe, e disseram: Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.

32:9

Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo

obstinado.[duro de cerviz]

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4 32:10

Agora pois deixa-me, que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma: e eu farei de ti uma grande nação.

E aí, poucos se dão conta que o argumento de Moshê Rabeinu para que não se desencadeasse a punição, leva D’us a ARREPENDER-SE do que pretendia fazer.

32:11

Porém Moisés suplicou ao SENHOR seu D’us, e disse: Ó SENHOR, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tu tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?

32:12

Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te da ira do teu furor, e arrepende-te deste mal contra o teu povo.

32:13

Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa semente como as estrelas dos céus, e darei à vossa semente toda esta terra, de que tenho dito, para que a possuam por herança eternamente.

32:14

Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.

Mas o mal é parte do ser humano e foi instalado lá em Bereshit 3 3:3

Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse D’us: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.

3:4

Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.

3:5

Porque D’us sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.

3:6

E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.

A partir daí, o mal havia sido instalado no ser humano. E até hoje é a luta diária para suplantarmos o mal que habita em nós.

E disso Aarão sabia, a ponto de tentar justificar para Moshê a idolatria do bezerro de ouro, com base nas más inclinações do povo.

32:22

Então disse Aarão: Não se acenda a ira do meu senhor: tu sabes que este povo é inclinado ao mal;

E Moshê Rabeinu, com Kavaná (sinceridade do coração), trouxe para si a expiação do povo. Uma característica de um Machiach.

32:31

Assim tornou Moisés ao SENHOR, e disse: Ora, este povo pecou pecado

grande fazendo para si deuses de ouro.

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5 Agora pois perdoa o seu pecado, se não risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.

Foi exatamente o que ocorreu com Yeshua, que trouxe para si os pecados da humanidade e por isso foi imolado numa sequência de torturas que culminaram com sua crucificação. Mas isso já havia sido anunciado em João 1: 29

1:28

Estas coisas aconteceram em Bethabara,[ou, Bethania] da outra banda do Jordão, onde João estava batizando.

1:29

No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de D’us, que tira o pecado do mundo.

O resultado de todo o caos pecaminoso do Bezerro de Ouro foi a vergonha do povo diante de D’us. Constrangidos e envergonhados, baixaram as cabeças como qualquer um de nós que se sente envergonhado. Mas em sua infinita misericórdia, D’us estipula a expiação do povo ao mesmo tempo que lhe restaura a dignidade:

Ki tissá et rosh Bnei Yisrael ( Quando ergueres a cabeça dos filhos de Israel).

O pecado nos acompanha e não cessou de ocorrer. Tanto que vamos ler a em João 8

8:3

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério.

8:4

E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando

8:5

e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

8:6

Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra; (não tomando nota dalgum semblante.)

8:7

E, como insistissem,[perseverassem] perguntando-lhe, endireitou-se e disse- lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

8:10

E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-

lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

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6 8:11

E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno;

vai-te e não peques mais.

A constante conexão com D’us é o melhor preventivo para que possamos desviar do pecado. Não foi sem propósito que Yeshua nos recomendou: orai e vigiai.

Essa conexão é mantida não somente nas orações diárias como o modeh ani, feita ao acordar.

Mas é no Shabbat que a conexão com D’us se torna mais forte. E foi por conta disso que o próprio Eterno assim se referiu ao Shabbat:

31:13

Tu pois fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados: porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações;

para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica.

31:14

Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós: aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será extirpada do meio do seu povo.

31:15

Seis dias se fará obra, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer obra, certamente morrerá.

31:16

Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas

gerações por concerto perpétuo.

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7 É o momento em que reforçamos nossas almas com a luz divina. E é o momento em que podemos perceber todos os 13 atributos da divindade:

Os 13 atributos de misericórdia de D’us são os seguintes:

1. Hashem – D’us é misericordioso antes que uma pessoa peque! Mesmo sabendo que o mal está adormecido dentro dele.

2. Hashem – D’us é misericordioso depois que o pecador se desviou.

3. Elohim – “El” é um dos Nome do Eterno que denota o poder como governante sobre a natureza e a humanidade. Julga a cada pessoa autenticamente.

4. Rachum – Misericordioso com os pobres e oprimidos e os salva de seus opressores. Alivia o castigo dos culpados e ajuda as pessoas a evitar situações penosas.

5. VeChanun – Generoso mesmo com aqueles que não o merecem.

6. Erech appayim – D’us é paciente com os justos e com os iníquos. Demora a castigar, mesmo a um malvado. Concede tempo para se fazer teshuvá.

7. VeRav chesed – D’us é bondoso mesmo com os que não têm o mérito de praticar o bem. E se o comportamento de alguém se equilibra entre a virtude e o pecado, D’us inclina a balança do julgamento para o lado do bem.

8. VeEmet – D’us jamais volta atrás em Suas palavras de recompensar os que O merecem.

9. Notzer chesed laalafim – D’us preserva as boas ações das pessoas em benefício de seus descendentes. Por isso que invocamos os méritos dos patriarcas Abrahão, Itzhak e Jacob.

10. Noseh avon – Perdoa até uma pessoa que pecou porque seu instinto mau o persuadiu a fazer o mal (pecado intencional), se faz teshuvá.

11. VaFeshah – Perdoa até mesmo àqueles que cometem um pecado com a intenção maliciosa de se rebelar contra ele e irritá-Lo. Mesmo uma transgressão tão séria é perdoada quando há arrependimento.

12. VeChata’ah – (v’hata’ah) – Este é o pecado cometido pela apatia e pela insensibilidade, também perdoado por D’us mediante o arrependimento.

13. VeNake – Limpa os pecados daqueles que verdadeiramente faz teshuva,

fazendo desaparecer o efeito do mesmo.

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8 Fonte:https://saberjudaico.wordpress.com/2019/12/03/os-13-atributos-de- misericordia-de-dus/( acesso em 6 de março de 2021).

Aqui nos são fornecidos atributos da misericórdia de D’us, que é perfeito.

Seres que ainda trilham no caminho da imperfeição, como a maioria de nós, pode, pelo menos, esforçar-se para praticar esses atributos.

2. MINHAS PERCEPÇÕES

Do estudo dessa Parashá, nota-se que D’us se manifesta evidenciando que tem pelas suas criaturas o mesmo zelo, tratando a todos de forma indistinta e justa. Dá a todos a mesma oportunidade, a mesma liberdade. A questão é o cada um de nós faz com essa liberdade. Aqueles que aproveitam para a prática do bem, tem o bem como retorno. O contrário de quem cede à prática do mal. Terá a colheita no campo do mal.

A metade do Shekel foi a forma de mostrar que há necessidade de empenho e dedicação para merecer a misericórdia divina, já que a obtenção da prata é mais trabalhosa do que a obtenção do ouro.

Minas de prata em Potosi - Bolívia

O Bezerro de ouro nos mostra a facilidade com a qual esquecemos toda graça recebida do Eterno e como isso ocorre rapidamente, caímos em tentação. A força espiritual demanda a conexão constante com D’us. Isso se dá pelo nosso pensamento. Tudo se inicia no campo das ideias, do pensar. O Bezerro nos remete à vergonha do pecado, porém, o Ki tissá et rosh Bnei Yisrael (Quando ergueres a cabeça dos filhos de Israel).nos lembra que, na sua infinita bondade e misericórdia, D’us nos concede a oportunidade do refazimento e da reconciliação com ele de sorte que possamos novamente erguer nossa cabeça e continuar com firmeza de propósito nessa caminhada terrena.

Por fim, a guarda do Shabbat é mitzvá essencial para que seja reforçada a

conexão com o Eterno. E sua importância decorre da determinação do próprio D’us em

31:13-16.

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9 Concluindo, essa Parashat mostrou-me que:

- o Eterno é justo e aplica sua justiça de forma indistinta, o que ficou claro com a imposição da doação da metade de um Shekel.

- o Bezerro de Ouro é uma evidência da rapidez com a qual nos afastamos do Eterno, pelo mal que temos instalado dentro de nós, a ponto de Aarão ter dito a Moshê

32:22

Então disse Aarão: Não se acenda a ira do meu senhor: tu sabes que este povo é inclinado ao mal;

De outro lado, o episódio do Bezerro demonstra que até D’us se arrependeu.

32:14

Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.

Logo, o arrependimento (Teshuvá) é o primeiro passo para o perdão diante de D’us e o retorno à sua luz.

- o Shabbat é o momento mais propício para que reforcemos nossa conexão

com o Eterno. É quando podemos perceber todos os 13 atributos da misericórdia de

D’us. É quando pedimos perdão pelas nossas falhas da semana e sentindo junto a

D’us e podemos nos recompor, bem como, erguer nossas cabeças, que é um sentido

do KI TISSÁ.

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10

Shemá Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad.

Ouve Israel, Adonai é nosso D’us, Adonai é um.

םכילע םולש

Campinas, 06 de MARÇO de 2021 / 22 de Adar de 5781

Hugo B Ferreira

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