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O cuidado do idoso no domicílio

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Academic year: 2017

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INTRODUÇÃO

A esperança de vida ao nascer tem aumentado em quase todo o mundo, superando a maioria das projeções anteriores sobre o tema. A longevidade atual dos brasileiros é uma realidade, principalmente da atual população bem idosa. Acompanhando esse crescimento, observa-se grandes transformações nas áreas econômica, social e política como verdadeira revolução no sistema de valor ético e dos novos arranjos familiares que estão acontecendo em quase todos os países do mundo.

Segundo Camarano (2004), parte-se do princípio de que o envelhecimento de uma pessoa associa-se a um processo biológico de redução das capacidades físicas, que tem a ver com fragilidades psicológicas e comportamentais. Estar e ser saudável não mais se relacionam à idade cronológica e passam a ser entendidos como a capacidade e a motivação física e psicológica para seguir em busca dos objetivos que proporcionem novas conquistas pessoais e familiares.

Saad (2004) coloca que o envelhecimento populacional traz mudanças nas famílias. As famílias também envelhecem, resultando no aumento da proporção das famílias com idosos residindo e na maior verticalização, ou seja, várias gerações convivendo na mesma residência. Ramos (2003) refere que, no Brasil estudo realizado demonstrou que 50% dos idosos residiam em domicílios multigeracionais, diferente do que se verifica em países desenvolvidos, onde menos de 5% dos idosos vivem em domicílios com os filhos e muito raramente com os netos. A maioria vive com o cônjuge ou mora só. Em São Paulo, somente 10% dos idosos vivem sós. Isto representa menos de um terço do que se espera em qualquer população européia.Esses dados confirmam aparentemente o que é observado no Brasil, assim como nos países latino-americanos, isto é, os idosos em nosso país, geralmente têm um suporte familiar mais intenso do que os idosos europeus. Tais resultados evidenciam traços culturais, que compensariam o desnível socioeconômico existente no Brasil.

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Saad (2004) informa que a família brasileira é a origem de apoio informal imediato para a população idosa. Em muitos países, surge como única alternativa de apoio. Verifica-se esta realidade, tanto pela co-residência, bem como pela transferência de bens, ajuda mútua dos membros para o bem - estar de todos, muitas vezes com conflitos, mas buscando respeitar as diferenças de gênero e intergeracionais e conviver dentre os arranjos familiares que resultarem.

Néri (2002) coloca que, em todo o mundo a família é a principal fonte de cuidados a idosos. E que tais cuidados proporcionados por alguns de seus membros, executam normas socioculturais, mas ao mesmo tempo seguem normas sociais de parentesco, gênero e idade e a dinâmica dos arranjos familiares. Em algumas cidades brasileiras, há iniciativas públicas formais de assistência aos idosos e suas famílias, como parte de um programa de atendimento ambulatorial e domiciliar.

Segundo Goldani (2004) a tarefa de cuidar tem custos crescentes, permeada por dificuldades econômicas, mudanças demográficas e contratos de gênero. As famílias brasileiras não poderão continuar como as únicas cuidadoras de seus dependentes sem o apoio do Estado. O pensamento hoje é de que as famílias provêm cuidados melhores e a custo menor do que o Estado. O observado, porém, é que ao se repassar recursos de proteção e tarefas do Estado para a sociedade civil, em especial para a família, benefícios importantes são negligenciados, haja vista o verificado no atendimento das necessidades do idoso e família. Caldas em (2003) afirma que 90% das famílias não recebem ajuda de serviços, organizações ou grupos voluntários e/ ou agências particulares. Outros 40% dos cuidadores também referiram necessitar de apoio que não receberam, tais como orientações, apoio pessoal, consultas mais freqüentes, auxílio em transporte entre outros. A autora ainda informa que, diante dos resultados de seu estudo, fica evidenciado que a tarefa de amparar os idosos está quase que exclusivamente sob a responsabilidade das famílias, uma vez que a organização comunitária se apresenta muito na fase inicial.

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indivíduo apresenta problema de saúde que o deixa temporariamente acamado, e que pode ser revertida ou não. Na velhice, a manutenção da autonomia é fator de qualidade de vida.

Segundo Karsch (1998), o envelhecimento com dependência e a figura do cuidador, exigem novas formas de assistência e novas concepções por parte das políticas públicas de saúde.

De acordo com Camarano (2004), a legislação brasileira referente aos cuidados da pessoa idosa é bem avançada, mas na realidade não atende satisfatoriamente ao segmento e a seus familiares. No contexto de baixa cobertura dos programas de cuidados institucionais em nosso país, a alternativa mais viável é o preparo da família para o cuidado do idoso, devido à grande falta de recursos financeiros.

A Política Nacional de Saúde do Idoso continua a autora, destaca a necessidade de que os cuidadores informais recebam treinamento básico referente a atividades como a higiene pessoal, medicação de rotina, entre outros e propõe a instalação de núcleos de apoio, que oportunizem a troca de experiência entre os cuidadores, colaborando para evitar o isolamento do idoso cuidado quanto do cuidador.

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JUSTIFICATIVA

No trabalho na Gerência de Valorização do Idoso, do Governo do Distrito Federal, observa-se as dificuldades dos familiares que cuidam de parentes idosos.Tais dificuldades se referem a consultas, exames, tratamentos, instrumentalização para o cuidado e à presença de cuidadores para ajudá-los nas tarefas do dia a dia.

Frente a esses fatos, pretendeu-se realizar este estudo, acreditando que a importância do mesmo é poder contribuir para dirimir as dificuldades do idoso e família, com sugestões para ações efetivas dos gestores públicos na área social e de saúde, principalmente na capacitação de recursos humanos e na promoção de melhores condições de atenção ao idoso e ao cuidador familiar.

No Brasil o processo de transição demográfica ocorreu em tempo muito rápido e não se fez acompanhar pelo desenvolvimento socioeconômico, trazendo conseqüências desastrosas para a sociedade que não está preparada para o atendimento desse contingente.O envelhecimento é um processo natural. O organismo passa por inúmeras transformações somatórias nos níveis biológico e psicológico. A velhice não é doença, mas há doenças mais freqüentes no envelhecimento. O idoso está mais suscetível ao meio que pode muitas vezes ser adverso, havendo dificuldade de adaptação por uma série de fatores,falta de apoio familiar,falta de esclarecimento do idoso quanto a seus direitos, vida solitária, difícil acesso aos serviços, entre tantos outros. Muitas vezes a situação se agrava pelo modo preconceituoso como é vista a velhice pela sociedade. Eis o que colocam Souza e Kalache:

Envelhecer com plenas funções físicas e mentais não representa problema maior para o indivíduo ou para a comunidade. As dificuldades se acentuam quando essas funções começam a se deteriorar, colocando em risco a capacidade de manter independência e autonomia. Um alto grau de deficiência física ou mental é incompatível com o viver só e obviamente requer atenção especial. Souza e Kalache (1987).

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acompanhada da elevação dos coeficientes de morbidade. Os custos advindos da dependência são elevados. As famílias não possuem preparo suficiente para cuidar do idoso com dependência. Falta instrumentalização, apoio de outros familiares ao cuidador principal, algumas vivenciam dificuldades financeiras e desgaste emocional.

Essas famílias procuram auxílio nos serviços de assistência social e saúde, esperando resolver o problema com internação hospitalar ou internação institucional. Na maioria das vezes, o suporte do Estado não supre as necessidades do idoso e da família.

Assiste-se na mídia todos os dias ao estado de calamidade no atendimento dos hospitais públicos, com material sucateado, falta de medicação e pessoal. A pressão e a omissão levam à exclusão social do idoso.

Ramos (1991), coloca que estudos populacionais demonstram que no Brasil, cerca de 40% dos indivíduos com mais de 65 anos necessitam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma atividade instrumental como fazer compras e preparar refeições; sendo que pelo menos 10% requerem ajuda para realizar atividades da vida diária, como tomar banho, vestir-se e alimentar-se.

Os países desenvolvidos cujas populações já viveram o processo de Envelhecimento nos fornecem exemplos de como utilizar, gerenciar e apoiar as famílias necessitadas, através de socialização de conhecimentos básicos de atenção por meio de um cuidador. Inglaterra, Holanda e França incluem regularmente o cuidador na atenção ao idoso. Portaria Interministerial - 5153/99 (2000).

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OBJETIVO GERAL

Identificar o prestador de cuidado domiciliário ao idoso residente na Região Administrativa do Guará - DF

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

™ Avaliar do ponto de vista do prestador de cuidado, os tipos de cuidados prestados;

™ Identificar o tipo de capacitação que os cuidadores receberam para prestar os cuidados;

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CAPÍTULO I

ENVELHECIMENTO

O fenômeno do envelhecimento mais acentuado é uma realidade que ocorre em todos os países do mundo. Iniciou-se nos países desenvolvidos e, na atualidade acontece nos países em desenvolvimento. O segmento da população, considerado idosos está crescendo em ritmo acelerado. Isto se deve ao aumento da longevidade, devido à redução da mortalidade e à queda da fecundidade. A baixa fecundidade hoje é considerada um fenômeno universal e responsável pelo aumento significativo do número de idosos na população, pela redução relativa do número de nascimentos.

De acordo com Elza Berquó (1996), essas transições afetaram diretamente e de forma significativa a estrutura etária da população brasileira :

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Tabela 1. População Total e de 65 e mais por Sexo - Brasil – 1940-1991 e Projeções 2000-2020

População Total População 65 anos e mais Prop. de pessoas de 65 e +

Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total 1940 20.568.449 20.564.435 41.132.884 445.289 534.550 979.839 2,16 2,60 2,38 1950 25.831.124 25.996.641 51.827.765 624.036 723.999 1.348.035 2,42 2,78 2,60 1960 35.000.610 34.957.255 69.957.865 926.474 988.531 1.915.005 2,65 2,83 2,74 1970 45.670.854 46.506.256 92.177.110 1.385.869 1.543.607 2.929.476 3,03 3,32 3,18 1980 59.058.186 59.816.479 118.874.665 2.225.606 2.544.826 4.770.432 3,77 4,25 4,01 1991 72.485.122 74.340.353 146.825.475 3.215.824 3.870.023 7.085.847 4,44 5,21 4,83 2000 83.399.700 85.689.100 169.088.800 3.634.800 5.023.200 8.658.000 4,36 5,86 5,12 2010 94.651.100 97.376.100 192.027.200 4.612.700 6.579.300 11.192.000 4,87 6,76 5,83 2020 104.682.400 107.800.000 212.482.400 6.672.800 9.551.200 16.224.000 6,37 8,86 7,64

Fonte: Fundação IBGE, Censos Demográficos de 1940 e 1991 e MACHADO, C.C., 1993

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Tabela 2. Taxas de Crescimento (% a.a.) da população Total e de 65 anos e mais por sexo – Brasil 1940-1991 e Projeções 2000-2020.

Taxas de Crescimento (% a.a.)

População Total População de 65 anos e mais Períodos

Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres

1940/1950 2,34 2,30 1,18 2,57 2,75 2,43

1950/1960 3,05 3,08 3,01 4,25 4,73 3,82

1960/1970 2,80 2,70 2,90 4,34 4,11 4,56

1970/1980 2,58 2,60 2,55 5,00 4,85 5,13

1980/1991 1,94 1,88 2,00 3,66 3,40 3,88

1991/2000 1,58 2,25

2000/2010 1,28 2,60

2010/2020 1,02 3,80

Fonte: Fundação IBGE, Censo Demográfico de 1940 a 1991 e MACHADO, C.C., 1993; apud CARVALHO, J.A.M., 1996

Segundo Veras et al.(1987), os movimentos migratórios e a crescente urbanização, fazem o idoso ser empurrado para a periferia dos grandes centros, contribuindo para que esse segmento fique à margem dos ganhos sociais da população como um todo.

As grandes metrópoles passaram por transformações significativas nas últimas décadas. De densa concentração urbana e área residencial, passaram a ser o centro nervoso de grandes transações comerciais, nacionais e internacionais ditando inovações tecnológicas, cultura e moda para todos os países. Novas zonas residenciais são criadas, captando a população mais jovem e com maior poder econômico atraída pela urbanização e pelo conforto de bens e serviços que uma cidade grande oferece. Essas transformações são bem colocadas por Veras et al.:

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Continuam os autores, é neste contexto que os pobres, os migrantes da área rural e entre eles os idosos, estão sendo empurrados para a periferia das cidades, ocupando locais em que se imagina impossível o acesso, formando verdadeiros aglomerados de residências (favelas), sem quase nenhuma infra-estrutura ou urbanização. Os idosos buscam os benefícios sociais “na cidade”, dependendo de transporte e de outras pessoas para acessar os bens que necessitam e têm direito.

A obtenção de mais anos de vida para a população idosa brasileira é uma conquista social, resultante do progresso tecnológico e das descobertas da medicina com cobertura mais ampla dos serviços de saúde. Entretanto o aumento do segmento idoso preocupa, porque as políticas públicas e os serviços não estão preparados para o atendimento, tornando-se um desafio para o Estado, a sociedade e a família. A conquista social traz consigo alguns ônus como observa Camarano (1999):

As demandas de saúde se modificam com o maior peso das doenças crônico - degenerativas e o tratamento implicam por outro lado, maior freqüência de internações hospitalares, consultas ambulatoriais, medicação etc. A pressão sobre o sistema previdenciário aumenta expressivamente. O envelhecimento traz também uma sobrecarga para a família, crescente com o avançar da idade. Camarano ( 1999).

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idoso e de como preservar e/ou melhorar a qualidade de vida com o envelhecimento.

1.1 HISTÓRICO

O estudo do processo do envelhecimento e da velhice não é uma preocupação recente, já que acompanha a evolução da humanidade desde seus primórdios. Papaléo Netto (2000) discorre sobre o histórico.

Segundo o autor, o século XX marcou grandes avanços na ciência do envelhecimento.

Os pioneiros Metchnikoff e Nascher, em 1903 e em 1909, respectivamente, estabeleceram os fundamentos da gerontologia e da geriatria. Acreditavam que estas ciências correlatas iriam se transformar em um futuro próximo, em campos profícuos de realizações científicas.

Em 1903, Elie Metchnikoff, sucessor de Pasteur, defendeu a idéia da criação de uma nova especialidade, a gerontologia, denominação obtida a partir das expressões, gero (velhice) e logia (estudo). Os conhecimentos a respeito da fisiologia do envelhecimento não sofreram grandes mudanças conceituais; houve apenas interesse em criar uma nova especialidade na medicina, para tratar das doenças dos idosos e da própria velhice. Em 1909, a especialidade passou a ser denominada geriatria ou o estudo clínico da velhice, como propôs Ignatz L. Nascher, que como médico estimulou pesquisas sociais e biológicas sobre o envelhecimento e foi considerado o pai da geriatria, fundando a Sociedade de Geriatria de Nova Iorque em 1912.

Papaleo Netto (2000) conseguiu evidenciar, enfatizando aspectos histórico, médico, literário, biológico, fisiológico e comportamental em sua obra, que as pessoas idosas tinham recursos até então não apreciados, contradizendo a crença de que a velhice é simplesmente o reverso da adolescência.

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Papaleo Netto (2000) observa ainda que, através de estudos realizados na área da pesquisa biofisiológica, foi possível estabelecer não só o limite entre senescência e senilidade, ou seja, entre o envelhecimento primário e o secundário e os processos patológicos freqüentes e comuns na idade mais avançada da vida, como também entre o envelhecimento saudável ou bem sucedido e o envelhecimento comum. Foi estabelecido também o motivo pelos quais a morbidade e a taxa de mortalidade são maiores nos idosos do que nas pessoas jovens, entre outros conhecimentos importantes para a caracterização dos fenômenos da velhice e do envelhecimento.

Sentimos a necessidade de definir a idade biológica e a cronológica para uma maior compreensão da definição do envelhecimento.

1.2 IDADES BIOLÓGICA E CRONOLÓGICA

Segundo Papaleo Netto (2000), o limite de idade entre o indivíduo adulto é 65 anos para os países em desenvolvimento, sendo esse critério cronológico seguido pela maior parte das instituições que procuram dar atenção à saúde física, psicológica e social do idoso. No Brasil, sob alguns aspectos legais, o limite também é de 65 anos.

O critério cronológico também é adotado nos trabalhos científicos, porque há dificuldade de se definir a idade biológica. Tal dificuldade tem como causa determinante a visão contraditória sobre o início do processo de envelhecimento. Há controvérsias quanto início do envelhecimento: se logo após a concepção, se no final da terceira década da vida ou próximo do final da existência do indivíduo.

Continua o autor, discorrendo sobre outro fator importante; ou seja; o conceito de idade funcional, com estreita relação com a idade biológica, pode ser definida como o grau de conservação do nível da capacidade adaptativa, em comparação com à idade cronológica.

Kalache; Veras e Ramos(1987) declaram que em decorrência das precárias condições de vida nos países subdesenvolvidos, o envelhecimento funcional precede o cronológico e muitas vezes é bastante precoce.

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essenciais que se mesclam com a idade cronológica para diferenciar os idosos entre 60 e 100 anos. Papaléo Netto (2000) e Kalache; Veras e Ramos (1987) referem-se a idade funcional, que possui relação bem próxima à idade biológica. Algumas pessoas trazem intacto um alto grau de conservação da capacidade de se adequar às condições ou às situações adversas, mantendo suas funções ou autonomia, o que significa um bem estar para a pessoa e a comunidade. A precária condição de vida da maioria dos idosos e de serviços, o envelhecimento funcional acontece precocemente para os idosos mais carentes.

1.3 DEFINIÇÃO DE ENVELHECIMENTO

O fato de o envelhecimento ser um fenômeno de inúmeras teorias, conceitos e definições, leva À reflexão de que, obviamente, há diferenças de fatores responsáveis por todo o processo. As transformações ocorridas no organismo humano com o envelhecimento são progressivas, inexoráveis e variam de um indivíduo para outro, de acordo com marcadores biofisiológicos, cronológicos, socioeconômicos entre outros. Pelo processo dinâmico que leva ao declínio do organismo com tantas variáveis de uma pessoa para outra, e que todos experimentarão, quando se alcança esta fase da vida. Neri (2001) ensina que, biologicamente, o organismo sofre transformação após a maturação sexual o que causaria diminuição gradual do tempo de vida para o funcionamento do mesmo. Mas, o organismo tem programação genética estabelecida para a longevidade com suas transformações. Finda tal programação o organismo perece. Atualmente, estima-se que o limite da longevidade humana esteja em torno de 120 anos. Simone de Beauvoir se refere com muita sabedoria a esse período da vida:

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ela traz salta aos olhos. Pois a espécie humana é aquela em que mudanças causadas pelos anos são as mais espetaculares. Simone de Beauvoir ( 1999).

1.4 O CONCEITO DE IDOSO

Conceituar o idoso não é tarefa fácil. Muitos fatores têm de ser levados em consideração; não só os fatores de idade cronológicos e biológicos, mas também os fatores socioeconômicos, culturais, ambientais e as diferenças individuais.

Conforme ensina Camarano (1999) diante das diferenças é utilizada uma infinidade de critérios para conceituação do idoso. O mais usual é o critério da idade, como preceitua a Política Nacional do Idoso (Lei 8.842, de 04 de janeiro de 1994, Cap. 1, art. 20). A Organização da Saúde (OMS) considera como idosas as pessoas de 65 anos e mais, se residem em países em desenvolvimento, é de 60 anos e mais, se residem em países desenvolvidos. As pessoas passariam a ser “velhas” quando iniciassem a apresentação dos sintomas da senilidade, com suas conseqüências, isto é, debilidade física e mental. A dificuldade para conceituar o idoso reside no fato de que não só a idade cronológica deve ser levada em consideração, mas também a capacidade funcional, aspectos culturais, as diferentes condições socioeconômicas às quais o idoso foi submetido no seu curso de vida.

1.5 DADOS DA EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA DO ENVELHECIMENTO

No Brasil, como tem ocorrido em todos os países do mundo, o perfil da sociedade, com o aumento da longevidade e a queda da fecundidade, tem se modificado, devido ao crescente aumento do segmento populacional de idosos. A redução das taxas de fecundidade traz como conseqüência uma diferenciação nas taxas de crescimento nos vários grupos etários.

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ano de 2000. Projeções recentes indicam que esse segmento poderá ser responsável por quase 15% da população brasileira no ano de 2020.

É o resultado da alta fecundidade observado nos anos 50 e 60 e à queda da mortalidade que beneficiou todos os grupos populacionais. A população de 80 anos ou mais está com aumento muito rápido. É o segmento populacional que mais cresce, embora apresente um contingente menor. De 166 mil pessoas em 1940, passou para quase 1,9 milhão em 2000. Da população idosa representava 12,6% e da população total 1,1%. Camarano (2000).

A longevidade da população idosa aumentou na década de 1980. Para esse grupo populacional, pelo menos, esta não foi uma década totalmente perdida, pois os homens ganharam mais 1,2 ano e as mulheres mais 1,5 ano. O grande desafio atual é que esse tempo que a população idosa ainda tem para viver .possa ser aproveitado de maneira saudável, independente e até produtivo para a sociedade, que só tem a se beneficiar com a experiência dos mais velhos. Monteiro e Alves (1995).

1.6 AS DIFERENÇAS REGIONAIS

As regiões de maior concentração de idosos são as regiões Sudeste e Sul; possuem as menores taxas de fecundidade e as maiores expectativas de vida ao nascer. Conforme Monteiro & Alves (1995), são 67,5 anos no Sudeste e 68,7 no Sul.

Na região Nordeste, houve uma diminuição da natalidade, mas apresentava em 1990 taxa de fecundidade elevada, a menor esperança de vida ao nascer e a maior taxa de mortalidade infantil (88,2 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos). O aumento da população idosa é motivado pela alta taxa de mortalidade infantil, que tem conseqüência parecida ao da queda da natalidade, com diminuição da população jovem. Outro fator determinante para a diminuição da natalidade é a migração de jovens adultos para o sul à procura de trabalho e de melhores condições de vida.

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1.7 COMPARAÇÕES INTERNACIONAIS

Ainda segundo Monteiro e Alves (1995) Brasil, México e Índia iniciaram a redução da taxa de fecundidade bem mais tarde que outros países, tendo a prerrogativa de ser num tempo bem mais rápido. Após 1950 é que a taxa de fecundidade total baixou para 5,0 filhos por mulher.

Na Inglaterra e na França, em 1950, essa taxa já estava abaixo de 5,0 por mulher. Embora a transição demográfica ocorresse em tempo mais lento, teve início bem anterior.

Finalizando, Monteiro e Alves (1995) colocam que a Bolívia integra o terceiro grupo, em que a fecundidade não diminuiu tanto a chamar a atenção. O Brasil tem um envelhecimento populacional ainda em fase inicial em comparação a países já desenvolvidos como Estados Unidos, França, e países Latino-Americanos como Argentina e Cuba. Se a população idosa no Brasil mantiver o ritmo constante de crescimento que apresenta atualmente, no futuro representará grande parcela da população, como já se observou na tabela 1, página 1 desta pesquisa.

1.8 FEMINIZAÇÃO DA VELHICE

Para Berquó (1996), o aumento demográfico da população idosa, acompanhado do aumento da expectativa de vida ocorre em todos os países, para ambos os sexos, mas não ocorrem uniformemente. Na verdade as mulheres foram beneficiadas com o prolongamento dos anos de vida. São várias as causas responsáveis pelo fenômeno. A feminização da velhice traz conseqüências para as políticas sociais, principalmente as de saúde.

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das idosas, inclusive porque muitas ficam sentadas ou dançam umas com as outras, quando há confraternização com música. O aumento dos anos de vida, teve como causa, as diferenças que ocorrem nos organismos do homem e da mulher,tais como o fator de proteção hormonal das mulheres que as protegeria da isquemia coronariana entre outros fatores,continua Veras et al. (1987):

¾ Maior cuidado das mulheres em se expor às causas de risco de trabalho, em relação aos homens.

¾ As diferenças no consumo do tabaco e álcool teve modificação no perfil; as mulheres querem competir com os homens e aumentaram o consumo, mas mesmo assim, este fator de risco é menor para as mulheres.

¾ As mulheres estão mais atentas ao aparecimento dos sinais das doenças, se cuidam melhor, tem mais conhecimento de prevenção e procuram os serviços de saúde, mais que os homens.

¾ A mortalidade materna estava entre as mais significativas causas de morte devido à deficiente assistência médico-obstétrica, o que não acontece atualmente.

Camarano (1999) diz que o aumento da esperança de vida para a população feminina é confirmado internacionalmente, sendo mais elevado nos países desenvolvidos. Em quase todo o mundo as mulheres idosas têm inclinação a morarem sozinhas. Isto repercute como já se comentou, na maior atenção à demanda por políticas públicas, porque a maioria é viúva, não tem qualificação nem experiência para o mercado de trabalho formal, tem menos anos de estudo, e necessita maior atenção do Estado e da família para o cuidado domiciliário.

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no déficit público nas áreas de saúde e previdência social. Como Berquó (1996) observa:

Sendo as chefias idosas, familiares ou domiciliares, as mais pobres, principalmente as exercidas por mulheres, não cabe dúvida de que a feminização do envelhecimento precisa ser considerada na atenção que os idosos venham a merecer. Berquó (1996).

1.9 ESTADO CONJUGAL

Para o cuidado do idoso, o estado conjugal é um fator de suma importância tal qual se vê a seguir.

Para Veras et al. (1987) ,uma das características de maior longevidade da mulher é o aumento do número de viúvas e conseqüentemente uma velhice com um tempo de solidão mais extenso para as mulheres idosas do que para os homens na mesma faixa etária.

Outro fator resultante da viuvez é a idade; todas as mulheres ao casarem, geralmente casam bem mais novas do que os homens.

Conforme Camarano (1999), o número de viúvos idosos que se casam novamente é bem elevado, do que as viúvas com idade mais avançada. As mulheres são a maioria entre desquitadas, solteiras e separadas. No caso de separação, a chance de recasamento de mulheres idosas é bem menor do que para o homem.

Neri (2002) coloca resultados de dados internacionais relativos a estudos longitudinais e comparativos sobre as trocas familiares:

¾ A intensidade e a direção do fluxo de apoio entre pais idosos e filhos adultos estão fortemente associadas ao status conjugal de ambos; os homens idosos são os que mais recebem ajuda e os filhos casados os que mais dão ajuda; os filhos casados são os que recebem menos ajuda e as filhas divorciadas e separadas as que mais recebem.

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¾ Os filhos adultos recebem mais ajuda dos pais idosos quando têm filhos pequenos.

¾ As mulheres dão mais ajuda do que os homens, as filhas dão mais apoio do que os filhos e as mães idosas ajudam mais os filhos do que os pais idosos.

¾ Quanto menor a renda e pior a saúde dos idosos, maior a chance de receberem apoio informal e menor a chance de oferecerem apoio aos filhos adultos.

Se a mulher vive mais, recai sobre ela muitas vezes, não o prêmio de uma velhice bem mais tranqüila, mas o ônus, o peso de sofrer as conseqüências da desestrutura do sistema de saúde, previdência social e rede de serviços. Por ser sozinha na maioria das vezes, não terá quem dela cuide no momento que necessitar.

1.10 PROGRAMAS E SERVIÇOS DE PROTEÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL DOS IDOSOS

Segundo o Ministério da Previdência e Assistência Social (1998), o envelhecimento carrega consigo perdas e ganhos, quase sempre nossa sociedade acentua mais as perdas. Os ganhos, os obstáculos vencidos, a superação das próprias perdas, muitas vezes são omitidas ou negadas. De uma situação de valorizado no passado, o idoso passa por processo de exclusão em quase todo o século XX, como sujeito econômico, político e social. Somente agora, nesta última década, volta a ter o reconhecimento merecido, como integrante do segmento com direitos plenos assegurados e a participação efetiva na fruição de bens e riquezas culturais social.

As leis que garantem a proteção e a inclusão social do idoso, no Brasil, demonstram o interesse em efetivar e assegurar as condições de promoção de sua autonomia, integração, proteção e participação na sociedade:

™ Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8742, de 7 de dezembro de 1993).

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™ Estatuto do Idoso (Lei 10 741 de 1º de outubro de 2003)..

Com a publicação do Estatuto do Idoso, inclui-se a legislação brasileira entre as mais modernas e avançadas do mundo, quanto ao reconhecimento e as garantias dos direitos dos idosos.

Segundo o entendimento da autora deste estudo,há que se ressaltar alguns pontos do Estatuto do Idoso, que vieram reforçar e beneficiar a Política Nacional do Idoso, Lei 8842:

- A importância dos Conselhos do Idoso que, como guardiões do cumprimento do estatuto, definido no Art. 7º- Os Conselhos Nacional, Estaduais, do Distrito federal e Municipais do Idoso, previstos na Lei nº 8842, de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do idoso, definidos nesta Lei.

- No capítulo VI, da Profissionalização e do Trabalho. Todo o capítulo enfatiza o direito do idoso de retorno ao mercado de trabalho, de profissionalização, de capacitação, trata-se de preocupação antiga, pois o idoso quer trabalhar, mas não está preparado, e o mercado está cada dia mais competitivo. O estímulo às empresas privadas para admissão de idosos é importante, já que se abrirão muitas oportunidades para o segmento, tão privado das mesmas.

- A Política de Atendimento ao Idoso em todos os seus seis Capítulos não deixa dúvidas de que agora se a sociedade quiser, as Instituições de longa permanência não serão mais depósitos de idosos.

- O ponto alto do Estatuto está na aplicação de penalidade para ações que eram praticadas contra o idoso e não se computavam como crime, como por exemplo, o artigo 98 do CAPÍTULO II DOS CRIMES EM ESPÉCIE, Art. 98. Abandonar o idoso em hospital,casa de saúde, entidade de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado:

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Relatar todos os Programas e Serviços de Proteção Social dos Idosos seria extenuante e não é nosso objetivo. O quadro a seguir oferece uma visão geral das ações realizadas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social-MPAS (1997), através da Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome, apontada para definir e coordenar as diretrizes para o desenvolvimento das ações conjugadas das diversas políticas públicas, na oferta de bens e serviços.

Quadro 1- Ações de apoio à pessoa idosa

Pessoa Idosa Programa nacional

de vida ativa

Programa de preparação para a

aposentadoria Desenvolvimento de atividades culturais Atendimento domiciliar Oficinas abrigadas de trabalho Centros de cuidados diurnos

Programa de geração de emprego e renda Qualificação e

requalificação profissional

Universidade aberta à terceira idade

Festival de jogos tradicionais

Serviço de atenção à saúde do idoso

Benefício de

prestação continuada Jogos da terceira idade

Atendimento asilar Programa de

habitação Centro de convivência

para idosos

Casa-lar

Fonte: SAS, 1997.

1.11 POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE PARA O ENVELHECIMENTO .

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direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visam à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Uma política de saúde deve estar atenta aos anseios da sociedade, identificá-los e adequá-los para que traduzam as aspirações, os objetivos e os meios disponíveis para sua realização, não perdendo de vista a avaliação de cobertura populacional, para que o Estado distribua os recursos com mais eficácia e conforme os objetivos propostos anteriormente.

Continuam Sayeg e Mesquita (2000) afirmando que as políticas públicas devem ser formuladas, levando-se em conta as questões de gênero, as avaliações anteriores, as conseqüências dos problemas de grupos populacionais, as questões ambientais e territoriais, observação constante das características inerentes a cada uma e o modo diferente como se manifestam.

É na população menos favorecida, em situação de risco e estresse que recaem as desvantagens ou maiores problemas sociais e de saúde devido à falha na adoção de modelos políticos modernos e recursos públicos.

As condições precárias de vida,a violência na cidade e no meio rural, a agressão ao meio ambiente,a exclusão social,o desemprego,a falta de recursos individual e familiar,a falta de urbanização,as aposentadorias e pensões defasadas,a falta de informação,a educação para a saúde para formação de hábitos saudáveis e prevenção e o difícil acesso aos bens e serviços são condições que devem ser levadas em conta no processo de formulação de uma política, que visa à integração da população, diminuindo tais agravantes sociais.

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O idoso deve ser visto na sua especificidade, com sua bagagem de conhecimentos, valores culturais, na sua integralidade, um cidadão. As mudanças devem ser sociais, culturais e econômicas. As mudanças ocorridas nas famílias, com novos arranjos intergeracionais causam freqüentes recomposições dos núcleos familiares, impossibilitando a permanência dos ascendentes no seio da família e conseqüentemente os cuidados pessoais aos mesmos.

A Constituição de 1988 no artigo 229 diz: “Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade”.

A atenção às demandas dos idosos não fica só no nível de Estado, na maioria são providas por instituições não-governamentais, sem fins lucrativos ou pelo setor privado. A maioria dos encargos deveria ser para as famílias participantes das ações de atenção, incluindo os idosos mais frágeis e dependentes.Mas, nem sempre as famílias possuem recursos e informações para prestarem cuidados a esses idosos, quase sempre dependentes de cuidados por longo período e alto custo.Cabe, portanto, ao Estado e à sociedade prover ações que ofertem condições de assistência domiciliária. Sayeg e Mesquita (2000) colocam com propriedade:

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1.12 O TRABALHO COM IDOSOS NO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

No Distrito Federal-DF, segundo dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios-PDAD-2004, existem no Distrito Federal, (população urbana)- 154.280 idosos a partir dos 60 anos, que residem nas 28 Regiões Administrativas em que foi dividido o DF (dados da PDAD 2004). Todas as Secretarias de Estado estão envolvidas no trabalho com idosos, algumas mais diretamente, outras quando solicitadas. Destacam-se a seguir as que atuam mais diretamente ligadas ao trabalho para o idoso:

• Secretaria de Estado de Saúde

• Secretaria de Estado de Esporte e Lazer

• Secretaria de Estado de Solidariedade

• Secretaria de Estado de Cultura

• Secretaria de Estado de Segurança Pública

• Secretaria de Estado de Ação Social - SEAS

Nesta última estão instalados o Conselho dos Direitos do Idoso do Distrito Federal e a Diretoria de Valorização e Promoção Humana e nesta a Gerência de Valorização do Idoso-GVI. Abordar-se-á Gerência por ser o local de trabalho da pesquisadora. A Gerência de Valorização do Idoso-GVI foi criada em 1987, com o nome de Assessoria para Assuntos da Terceira Idade –AETI; passou para Subsecretaria para Assuntos do Idoso -SAI, e atualmente é a GVI.

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terapias de grupos, atividade física, recreação dinâmica, passeios, artesanato, canto coral entre outros.

A GVI tem como um dos objetivos intermediar entre a comunidade idosa e os vários órgãos do governo e órgãos não governamentais, os anseios, reivindicações e as possíveis soluções.

A Central de Valorização do Idoso-CVI, criada dentro da GVI, em março de 1993, com o objetivo de informar e orientar os idosos, marcou o início de um trabalho novo para o idoso em Brasília. A Central mantém uma equipe de técnicos ao alcance para esclarecimentos de questões mais específicas como por exemplo: aposentadoria, pensões, legislação etc O atendimento é feito pelo telefone 0800 644 1401, ligação gratuita, atendendo a todo o Brasil.

SOS Idoso-criado em 27 de setembro de 2003 pelo Secretário de Estado de Ação Social, é um serviço para proteção ao idoso.Por seu intermédio podem ser feitas denúncias de maus tratos e de violência contra o idoso pelo telefone 346 1407. A denúncia que chega ao SOS é repassada eletronicamente para a Central de Valorização do Idoso e para GEPROS (Gerência de Projetos Sociais). Na Gerência de Valorização do Idoso GVI, a denúncia é analisada e encaminhada para a rede de serviços de referência e contra referência para resolução. A denúncia é acompanhada por funcionários responsáveis em todo seu percurso visando à maior agilidade para resolvê-la.

1.12.1 Fórum Permanente da Política Nacional do Idoso-FPPNI

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CAPÍTULO II

Ao iniciar este capítulo das definições de cuidado, de família, de contexto domiciliar, de cuidadores, houve-se por bem contextualizar autonomia, envelhecimento e dependência, para obter-se um embasamento maior para as questões referidas anteriormente.

2.1 AUTONOMIA, ENVELHECIMENTO E DEPENDÊNCIA

Segundo Papaléo Netto et al(1996), os conceitos de autonomia e independência são dois indicadores de saúde e qualidade de vida para a população idosa e conseqüentemente para o envelhecimento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1947, redefiniu saúde como estado de completo bem-estar físico, psíquico e social e não meramente ausência de doença ou enfermidade. Significando que uma pessoa mesmo portadora de uma enfermidade, poderá exercer todas as suas funções e atividades, sentindo-se saudável, no âmbito familiar e social, interagindo com o meio e as pessoas.

à medida que se envelhece, surgem as deficiências próprias do envelhecimento e as doenças crônico-degenerativas. O envelhecimento populacional mundial está mudando o quadro de morbimortalidade antes era devido às doenças infecciosas. Hoje foi substituído pelas doenças crônicas, que podem ocasionar a deterioração da habilidade de manter-se independente.

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pessoa idosa de 80 anos, capaz de determinar sua própria vida e decidir onde e como se darão as atividades de lazer e convívio social, trabalho (se ainda desenvolver alguma atividade), certamente será considerada uma pessoa saudável, com autonomia. Kalache; Veras e Ramos (1987) coloca que, mesmo com problema de saúde, por exemplo, acidente vascular cerebral (que tenha deixado seqüelas moderadas) ou um grau severo de artrite, se a essas pessoas forem oferecidas condições de apoio, auxílio para conviver com o seu problema, elas podem continuar dependentes, mas com recuperação de autonomia. Na velhice, a manutenção da autonomia está intimamente ligada à qualidade de vida.

Pavarini e Néri (2000) explicam que, ao discutir a questão da autonomia no campo da Bioética, Children (1990), apud Kane, (1991) afirma que é mais importante pensar na autonomia de pessoas idosas e enfermas no sentido da preservação do grau em que sua liberdade de escolha é respeitada, do que no sentido do grau em que são capazes de tomar decisões. Portanto, autonomia é um princípio ético e uma forma de liberdade pessoal embasada no respeito pelas pessoas. Todos têm o direito de decidir o curso de suas vidas, desde que tais direitos de autodeterminação não prejudiquem a autonomia dos seus iguais.

Para Caldas (2003),o termo dependência está relacionado a um conceito fundamental na prática geriátrica: a fragilidade. Essa condição é característica de pessoas com mais de 85 anos, ou em idosos mais jovens que apresentam um combinado de doenças e limitações funcionais, que diminuem a capacidade de adaptação ao estresse ocasionado por situações agravantes como doenças agudas, hospitalização e outros. As doenças crônicas podem ser incapacitantes ou não.

Para determinar a utilização de recursos para os idosos dependentes é necessário avaliar o grau de dependência. O método bastante utilizado na prática geriátrica é o da avaliação funcional. Essa função objetiva definir a capacidade do indivíduo de se adaptar a situações do cotidiano, inclusive como participante da sociedade como cidadão, mesmo que apresente alguma limitação de ordem física, mental ou social.

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incapacidade, mas desta junto com necessidade. A dependência pode ser por um período temporário, por exemplo, a fratura de uma perna, a dependência pode ser modificada, prevenida, reduzida, se houver a colaboração de todos: família, Estado e sociedade, para se criar um ambiente adequado e uma assistência satisfatória.

Para Néri (2000), o significado mais simples para autonomia é autogoverno. Autonomia e independência são sinônimas e independência é a capacidade de fazer as tarefas da vida diária sem ajuda. Embora algumas pessoas estejam funcionais e fisicamente impedidas, conseguem exercer suas capacidades de escolha e de controle sobre parte do seu ambiente.Embora dependam de outros para realizar o seu autocuidado, reconhecem a situação por seu ponto de vista e a auto-eficácia nos domínios preservados. Isto pode contribuir para melhora da qualidade de vida.

O principal desafio para o envelhecimento é a preservação da qualidade de vida; muitas são as ameaças para restrição da independência e autonomia como as causadas pela perda da saúde, empobrecimento da vida social, educação, solidão, viuvez entre outros. A capacidade que o idoso tem de resolver e gerir sua própria vida são fundamentais para que ele possa tomar as decisões certas no momento de realizar ações instrumentais, compreender seus direitos, possibilidades e necessidades. O comprometimento derivado de problemas físicos e mentais pode afetar a competência do idoso, assim como a capacidade de decisão e os motivos que o levaram à necessidade de cuidadores.

Ainda para Neri (2000), pensar sobre independência e autonomia implica levar em conta as condições especiais, como, por exemplo, submeter-se a uma intervenção cirúrgica de alto risco; operações mais complicadas de compra, venda e doação de móveis; mudança para a casa dos filhos ou contrair núpcias com mulher mais jovem. Ainda deve ser levado em conta o evento do cotidiano, do mais simples ao que demanda maior esforço de persuasão como a troca de um objeto com defeito.

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populações, dependerá muito do grau de sensibilização do problema, por parte da sociedade como um todo e de seus profissionais e políticos em particular.

2.2 CUIDANDO NO DOMICÍLIO

Como determinam a Portaria Interministerial 5153/99, Karsch (1998) e Veras et al (1987), a assistência domiciliária vem sendo preconizada nas recomendações das políticas públicas. No entanto o cuidado do idoso no seio familiar, nos dias contemporâneos das grandes metrópoles, vem acompanhado de muitas dificuldades devido às transformações por que passa a família. Citam-se os novos contratos intergeracionais, as separações, as novas uniões, o menor tamanho da família, no pouco espaço físico, todos os adultos fora de casa devido ao trabalho e a falta de tempo para reflexão acerca do apoio solidário dentro da família. O fato é que a família de uma hora para outra, passa a ser cuidadora, com ou sem condições para prestar o cuidado, o que torna a tarefa muitas vezes penosa. É sobre o papel da família, o cuidar em casa, e principalmente sobre quem cuida, que será iniciada esta fascinante caminhada, neste estudo.

2.3 O CONTEXTO DOMICILIAR

De acordo com Diogo e Duarte (2000), o contexto domiciliar é o local onde estão inseridos a família e o idoso. É um mundo particular, construído ao longo do tempo no qual a cultura, a tradição, os arranjos familiares e o ambiente contam a história. Cada objeto cada cômodo da casa ou móvel encerram um significado pessoal.

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família acontece uma série de trocas em suas estrutura emocional, psicológica e social. Alguém da família passará a ser cuidador com todos os encargos que a atividade requer. Se a família não tiver uma base familiar bem estruturada, com o apoio do atendimento ao idoso pelo Estado e pela comunidade, o contexto domiciliar estará ameaçado na sua estrutura porque ficará exposto e fragilizado.

2.4 A FAMÍLIA

Há tempos a família era tida como um grupo de pessoas que moravam sob o mesmo teto e que mantinham estreita afinidade ou parentesco. Conforme Veras et al (1987) a solidão dos idosos atualmente relaciona-se às mudanças que estão ocorrendo no seio das famílias. Nas grandes metrópoles do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, vem crescendo o número de famílias menores (nucleares) em vez de famílias extensas, que ainda podem ser observadas em zonas rurais e cidades menores. Trata-se de um reflexo das sociedades tradicionais cujo ponto central é a solidariedade sociocultural e o desempenho da família exercendo, papel principal na vida dos indivíduos. Viver sozinho não é uma experiência negativa. Muitas vezes as pessoas o fazem por opção própria, mas viver assim muito tempo só inclina ao isolamento.

Segundo Papaléo Neto et al (1996), o idoso necessita de atenção, de cuidados e traz consigo costumes ou “manias” cuja referência é o seu passado. É na família, na convivência intergeracional que acontecem as trocas, e a abertura para convivência harmoniosa, aproveitando –se a experiência do idoso. A família tem muito a ver com a saúde de seu idoso. Para poder tratá-lo quando, doente, ou para elaborar a frágil definição do idoso doente e sadio, deve - se levar em conta a sua caracterização familiar, imprescindível para o diagnóstico quanto para o tratamento. Apesar de muitas vezes a família não ter estrutura física (espaço), econômica e social para cuidar do idoso, mas oferece carinho e atenção, além da boa vontade e solidariedade dos membros, contribuindo grandemente para a melhora do paciente.

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ƒ Síndrome da insuficiência familiar – A importância da família para os apoios materiais, psíquicos, sociais e de saúde é evidente. A falta da família poderá levar o idoso a situações de risco, falta de apoio material e todas as implicações inerentes ao fato com grande potencial de morbidade.

• Síndrome do filho único – quando o idoso tem um único filho que, l mesmo querendo cuidar, não pode ficar o tempo todo lhe dando atenção devida à necessidade de trabalhar. A circunstância pode resultar na institucionalização do idoso que, apesar de estar em boas condições clínicas, é levado a sofrer todas as complicações resultantes desse procedimento.

• Síndrome dos maus tratos ao idoso. O autor refere que o estudo da síndrome dos maus tratos ao idoso é atual e menos desenvolvido que o da síndrome de maus tratos da criança. Observa -se que depois da lei 10 741 de 1º de outubro de 2003, do Estatuto do Idoso, já referido anteriormente, deu-se maior ênfase à questão.Os maus tratos sempre existiram, mas não havia visibilidade. Porém, com a edição e a divulgação da lei, mais pessoas passaram a ter coragem de denunciar. Sabe -se que ainda falta muita orientação sobre o que é mau tratos e como denunciar. Há uma explosão de denúncias, algumas das quais sem nenhum critério da verdade. A maioria das agressões, segundo o autor, acontece no seio da família; são agressões físicas (tapas, beliscões, ferimentos outros) agressões psicológicas ou emocionais (gritos, humilhações entre outros) exploração material (apropriação indevida de bens, pensões, testamentos entre outros), acrescida da falta de cuidados.

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Segundo Karsch (1998), a estrutura da família está sofrendo modificações em nível mundial devido a vários motivos como: separações, divórcios e novas uniões; mercado de trabalho instável, forçando a migração dos jovens adultos à procura de melhores condições de vida, fora e dentro do país; aumento dos anos de vida das gerações; número crescente de viúvas morando sozinhas; maior número de idosos exercendo a chefia nas famílias, a ausência das mulheres na família devido à sua maior participação no mercado de trabalho. A par de tudo isso, ainda se observa no Brasil, nos últimos anos, o aumento do número de separações, divórcios entre casais com maior tempo de casados tão freqüentes como os de convívio conjugal mais recente. Na estrutura familiar mais complexa devido às novas uniões e recasamento, os filhos destas novas uniões moram na mesma casa, podendo abalar as relações familiares.O resultado dessas novas relações pode refletir no futuro, sobre a identificação e a organização do cuidador ,e portanto, nos cuidados aos idosos que moram em família assim constituídas.

2.5 O CUIDADO

O cuidado sempre existiu. É uma característica do ser humano além de cuidar a si mesmo, receber e dar ajuda a outrem. Ao mesmo tempo em que desvenda sua fragilidade, o homem sempre necessita de cuidados. Desde recém -nascido, ao passar por todas as idades, o ser humano é carente de cuidados, sem os quais perde sua condição humana, se fragiliza e pode chegar à morte. Já se ouviu falar de pessoas que morrem de fome, frio, sede ou falta de cuidados higiênicos. Isto nos remete ao fato de que cuidar do outro tem de ter significado para a pessoa que cuida, tem de ter envolvimento, participação, empatia, estar ao¨lado¨.

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mas não pode deixá-las de lado, porque se correrá o risco de divagar no “empirismo” embora elas, as teorias, auxiliem na conceituação do cuidado. De acordo com Neri (2004), Waldow, afirma que, independentemente das razões que movam as pessoas para a ação de cuidar, os indivíduos cuidam porque são seres humanos. A autora cita Leininger, que identifica e destaca o cuidado genérico e o profissional. O primeiro distingue as práticas encontradas em todas as culturas para oferecer proteção e amparo a quem necessita de cuidado. O segundo destaca o cuidado que os profissionais de saúde, nos sistemas institucionalizados de saúde dispensam às pessoas sujeitas à internação hospitalar duradoura ou / eventual. De acordo com Orem, continua a autora, as demandas de autocuidado podem ser entendidas como resultado de ações a serem desenvolvidas por ou para indivíduos, com o objetivo de controlar os fatores humanos e ambientais que prejudicam o funcionamento e desenvolvimento humano. Quando o indivíduo não pode suprir suas necessidades de autocuidado, surge o déficit, que será suprido pelo profissional de saúde particular ou institucionalizado. Gonçalves; Santos e Alvarez (1998) definem o autocuidado:

O cuidado humano ou o cuidar de si é a essência do viver humano. Assim, o autocuidar-se é a condição humana. Deste modo o cuidar do outro sempre representa uma condição temporária e circunstancial, a medida que o outro se encontra impossibilitado de autocuidar-se. Gonçalves; Santos e Alvarez (1998).

2.6 CUIDADO DOMICILIÁRIO

A assistência ou o atendimento domiciliário vem se tornando como a revolução do cuidado ao paciente. Segundo Domim (2003), o cuidado domiciliário sempre existiu e sua referência é milenar, nos testamentos da Bíblia, nos escritos judaicos e outros documentos da antigüidade, tendo sempre o caráter de solidariedade e caridade.

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idoso com algum nível de dependência. É um cuidado domiciliário prestado habitualmente por um longo tempo.

Nos dias de hoje, o cuidado domiciliário é uma realidade praticada com solidariedade está presente e graças a esta verdadeira rede “particular” muito idosos são cuidados. Ouve -se há bastante tempo, que o idoso deve ser cuidado na família, mas, é preciso saber que família é essa? É o Estado transferindo para a família toda a responsabilidade do cuidado e ela muitas vezes, não está preparada para realizar a tarefa devido aos vários fatores já referidos anteriormente.Então, cuidar no domicílio torna-se oneroso, desgastante, inesperado e só traz pontos negativos? É tudo isso, mas por outro lado, existem pontos positivos no cuidado domiciliário. O sentimento arraigado em nossas mentes e nos corações, e o valor moral e espiritual sempre cultivado de não se negar ajuda a nenhum ser humano, em muitas famílias são os fatores que possibilitam esse cuidado no domicílio. São também vizinhos e amigos e grupos religiosos que oferecem apoio informal com soluções criativas a idosos carentes do cuidado domiciliário, mas que estão à margem dos cuidados devidos pelo sistema público. Poe outro lado, esse desobriga os órgãos públicos do seu papel fundamental de gerador de políticas públicas e recursos para o cuidado no domicílio, garantindo melhor qualidade de vida para o idoso e o cuidador familiar.

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sempre que ele recebe o apoio de que necessita, tanto por ser o recurso insuficiente, quanto pelas dificuldades enfrentadas pela família para prestar o cuidado como despreparo e falta de rede de apoio. Nesses casos o cuidado se apresenta inadequado, deficiente e pode até não existir, podendo ocorrer os abusos e maus tratos”.

Segundo Karsch (1998), as políticas de proteção social ao idoso, apesar das mudanças ocorridas no país, estão muito restritas à oferta de serviços e programas de Saúde Pública, no âmbito de sua intervenção.

O Estado pontua sua participação, reduzindo responsabilidades e atribui à família a maior participação nos cuidados domicilíares prestados.Inexiste uma política mais eficaz no que se refere aos papéis atribuídos às famílias e ao suporte que deveriam receber de uma rede de serviços para o idoso dependente e seus familiares.

Para Hagestad (1990) existe abundante literatura sobre a instituição a manutenção e a avaliação de serviços de apoio familiar, dirigidas à famílias que cuidam de idosos. Em vários países da Europa e nos estados Unidos, há mais de duas décadas ocorrem manutenção de redes de suporte ao idoso, quer atendendo –o diretamente, quer mantendo apoio aos familiares, voluntários e profissionais encarregados de ampará-los.

Continua Karsch (1998): cuidar do idoso no domicílio, com certeza, é uma situação que deve ser estimulada, porém, cuidar de uma pessoa idosa e incapacitada durante 24 horas sem interrupção não é serviço para uma mulher sozinha quase sempre com mais de 50 anos, sem suporte, nem serviços que atendam às suas necessidades, pela ausência políticas de proteção para o desempenho da tarefa.

É necessário também lembrar aos profissionais de saúde que indicam cuidados no domicílio a idosos dependentes, que sejam observadas as mudanças sociais e econômicas modificadoras da estrutura familiar no país e como elas podem alterar a posição e o papel do cuidador de idosos fragilizados e dependentes.

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2.7 O CUIDADOR FAMILIAR

Todas as pessoas são cuidadoras em potencial, basta que se apresente a situação.Como mãe cuida de filhos; como esposas cuida de companheiros. São cuidados diferentes do cuidar de uma pessoa idosa, com dependência ou não. Cuidar, portanto, é uma situação que muitas pessoas experimentarão no decorrer da vida. A experiência de cada cuidador é única, porque são muitos os aspectos que fazem com que a experiência seja diferente caso a caso.Conforme Neri (2002), a conseqüência do envelhecimento populacional que aumenta rápido em todos os países do mundo, inclusive no Brasil, e das trocas observadas no padrão de morbidade dos idosos, tem ampliado o cuidado domiciliar nas famílias e, no meio delas, as mulheres idosas e de meia-idade, mostram-se mais propensas ao cuidado. São elas que cuidarão do cônjuge, pais, sogros e até de outros parentes idosos e, concomitantemente exercerão papéis familiares. Muitas ainda terão dupla jornada de trabalho como profissional e como dona-de-casa.

Para Karsch (1998),no Brasil, a transição demográfica e epidemiológica demonstra com maior freqüência o aumento da sobrevida de idosos na dependência de uma ou mais pessoas, que atendam a suas necessidades para a realização de atividades da vida diária.Como citam Karsch (1998), Caldas (2003) e Néri (2001), a maior parte dos cuidadores são mulheres esposas, filhas e noras. Muitas vezes, a que ficou viúva, a que não casou, a que mora mais próximo. A idade da cuidadora também está se alterando. Segundo Caldas (2003), a faixa etária dos cuidadores é da mesma geração do idoso cuidado: “São idosos jovens independentes, cuidando de idosos dependentes”.Segundo Karsch (1998),não é só no Brasil que as mulheres são as “grandes” cuidadoras, todos os autores,segundo os dados coletados pelo mundo,citam que,salvo por razão de cultura muito específica de algum país, a mulher é a cuidadora tradicional. Néri (1993) relata que, em nossa cultura, a atribuição de cuidar é da mulher.

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originam o tipo de cuidado de cada caso de idoso com dependência é bastante discutida.O Ministério da Previdência e Assistência Social e Combate à Fome, MPA CF, classifica os cuidadores:

• Cuidador secundário: divide, de alguma forma, a responsabilidade do cuidado com um cuidador principal, auxiliando-o, substituindo-o;

• Cuidador remunerado: aufere rendimento pelo exercício da atividade de cuidar;

• Cuidador voluntário: não é remunerado;

• Cuidador leigo: não recebeu qualificação para o exercício profissional da atividade;

• Cuidador principal: tem a responsabilidade permanente sobre a pessoa sob seu cuidado;

• Cuidador profissional: possui qualificação específica para o exercício da atividade como enfermeiro, terapeuta, etc;

• Cuidador familiar: tem algum parentesco com a pessoa cuidada;

• Cuidador terceiro: não possui qualquer grau de parentesco com a pessoa cuidada.

Gonçalves, Santos e Alvarez (1998) informam que o cuidador é uma pessoa envolvida com o processo de cuidar do outro, e que a experiência é um contínuo aprendizado de vida junto à pessoa cuidada, tendo como resultado a descoberta para ambos de possuírem habilidades positivas. Na relação de cuidar e ser cuidado, que é íntima e humana, revelam no dia a dia potencialidades que estavam adormecidas.O idoso descobrirá que é capaz de se autocuidar, e o cuidador observará a real situação do idoso cuidado.

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Elegeu-se o modelo de Gonçalves; Santos e Alvarez (1998) para a definição de cuidadores leigos na área gerontológica. Há dois tipos de cuidadores:os profissionais e os não profissionais ou leigos.

Os profissionais que mais desempenham as atividades de cuidado humano são:

™ Enfermeiros

™ Fisioterapeutas

™ Terapeutas Ocupacionais

™ Assistentes Sociais

™ Médicos

™ Psicólogos, entre outros.

Os cuidadores não profissionais ou leigos têm sido freqüentemente observados em nossa cultura como sendo: Familiares (esposa, mãe, filha, neta, nora, cunhada, esposo, filhos, netos, irmãos, etc).

Cuidar do idoso na família não é tarefa fácil, porque a dependência da pessoa idosa, que gerou o cuidado mexe com toda estrutura familiar.E se o cuidado recair somente para uma pessoa da família, ou se a família não tiver o suporte necessário para o cuidado; haverá a conseqüência do estresse, da estafa, de doenças no cuidador ou em toda família.

Izal; Losada e Andrés (2002) remetem aos motivos por que as pessoas cuidam do idoso. A maioria das pessoas que cuidam de seu familiar idoso está de acordo que se trata de um dever moral e de responsabilidade social familiar a que se deve obedecer. Estes, porém não são motivaçôes para o cuidado, há outros referidos pelos cuidadores:

• Por motivo altruístico - para manter o bem - estar da pessoa cuidada. O cuidador se põe no lugar do outro, sente suas necessidades, interesses e emoções;

• Por reciprocidade - porque a pessoa cuidada já cuidou dele antes;

• Por gratidão e estima - a pessoa cuidada demonstra esses sentimentos;

• Por sentimento de culpa do passado - cuida como uma forma de redimir-se, para superar o sentimento de que seu comportamento não foi o esperado no passado;

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• Para obter aprovação social, da família, dos amigos, dos conhecidos e da sociedade por estar prestando o cuidado.

Tantos “motivos” para cuidar do familiar idoso levam a crer que haverá influência na qualidade, na quantidade e no tipo de ajuda que se proporcionarão, assim como no grau de satisfação obtido pelo cuidador.

Conclui-se com Karsch (1998), o cuidador familiar de idosos com dependência necessita de apoio e orientação de como agir nas situações mais difíceis e receber em casa a visita de profissionais da saúde, de supervisor, de capacitação.O apoio da equipe interdisciplinar é fundamental, quando se trata de um casal de idosos em que o menos incapacitado assume o cuidado do outro, acometido por súbita e grave doença.Julgamos ser necessário e prioritário criar uma rede permanente de apoio ao cuidador familiar, tal qual a que foi freqüentada durante o período em que houve a pesquisa, no ambulatório de Geriatria do Hospital Regional do Guará – Distrito Federal. Em toda primeira quarta-feira do mês,o cuidador é orientado e apoiado em suas necessidades e principalmente nas dúvidas quanto ao cuidado,por uma equipe interdisciplinar, promovendo-se trocas de experiência entre os cuidadores.

2.8 TAREFAS DO CUIDADOR

Antes de comentarse as tarefas do cuidador, propriamente ditas, comentar –se -á o resultado de cuidados a idosos com grande parcela de dependência. A literatura reconhece alguns elementos críticos à avaliação das dificuldades inerentes às tarefas de cuidar de idosos de alta dependência.Eles aparecem freqüentemente na literatura sobre estresse do cuidador e foram resumidas por Pavarini e Néri (2002):

As tarefas têm como resultado ônus físico e financeiro, que se agravam com a evolução da doença.

Os cuidadores não possuem orientações suficientes para exercer o cuidado. São poucos os recursos sociais e humanos, assim como o apoio emocional, com poucas pessoas capacitadas para orientar o cuidador.

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pode manifestar sentimentos negativos que estavam adormecidos e a situação pode ficar de difícil resolução.

O cuidado é exercido geralmente por só um membro da família, sem auxílio ou reconhecimento dos outros familiares.

A situação do cuidado tem conseqüências no âmbito de vida pessoal do cuidador, que atinge o idoso, a família e as outras instituições sociais.Na falta de apoio informais e formais, o cuidador sofre as conseqüências, ficando exposto à depressão, a desestrutura emocional e pessoal. A família sofre devido a conseqüências negativas na parte material e social que gera conflitos.O idoso é o mais atingido e sofre a conseqüência de cuidados inadequados e insuficientes que podem levar ao abandono e maus tratos. Muitas vezes o desgaste individual e familiar do cuidador é dividido com a rede de amigos e colegas de trabalho.

O cuidado raramente é prestado pela rede formal de assistência, por intermédio de ambulatórios médicos, hospitais e asilos, estes para o caso do cuidado familiar se tornar impossível, por algum motivo.

Quanto a tarefas do cuidador, Gonçalves;Santos e Alvarez (1998) colocam que são funções exercidas pelo cuidador para o atendimento do idoso doente ou fragilizado, para auxiliá-lo nas atividades da vida diária (AVD) e nas atividades instrumentais da vida diária (AIVD).

As atividades da vida diária são tarefas mais simples como: sair da cama; higienização, acompanhamento em consultas etc.

Já as tarefas instrumentais da vida diária exigem mais preparo e confiança mútua. São as relações existentes com o meio social que pela fragilidade ou doença do idoso, não podem ser interrompidas. Por exemplo, acompanhamento em viagem longa para visita, negócio, tratamento, pagar contas, fazer compras etc.

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CAPÍTULO III

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa de caráter descritivo. Minayo (1994) destaca a importância da abordagem qualitativa:

...Por ser esta capaz de incorporar a questão do Significado e da Intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, às estruturas sociais, sendo suas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas. Minayo (1994)

A pesquisa é Descritiva, segundo Gil (2002), quando tem como objetivo primeiro a descrição das características de uma determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. As pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as que são realizadas pelos pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática.

Conforme Minayo (1994) a fase exploratória da pesquisa é muito importante e compreende as etapas: a escolha do tema de investigação; a delimitação do problema; a definição do objeto e objetivos; a construção do marco teórico conceitual, os instrumentos de coleta de dados e de exploração do campo. A fase exploratória acaba formalmente com o início do trabalho em campo.

Para Gil (2002), a Pesquisa Exploratória objetiva proporcionar uma familiaridade mais próxima com o problema, para torná-lo mais explícito. O planejamento da pesquisa é bem flexível, possibilitando -se a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.

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3.1 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS

A técnica de coleta mais adequada para este estudo é a entrevista semi estruturada.

Segundo Minayo (1994):

O que torna a entrevista instrumento privilegiado da coleta de informações para as ciências sociais é a possibilidade de a fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores normas e símbolos.

Minayo (1994) diz que a entrevista ao lado da observação participante é a técnica mais usada no processo do trabalho de campo. Segundo a autora, as diferentes formas de entrevistas podem ser resumidas em “estruturadas” e “não estruturadas” das quais há várias modalidades que se diferenciam em menor ou maior grau pelo motivo de serem mais ou menos dirigidas.

Para Moreira (2002), a entrevista pode ser definida como uma conversa entre duas ou mais pessoas com um propósito específico em mente. O pesquisador entende que obterá informações que o respondente supostamente terá.

Nesta pesquisa utilizamos a entrevista semi-estruturada que conforme Minayo (1994) é a que combina perguntas fechadas (ou estruturadas) e abertas, para que o entrevistado tenha a possibilidade de discorrer o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador.

A entrevista desenvolve-se pela pesquisadora com aplicação de roteiro pré - estabelecido (anexo A) com anuência do entrevistado.

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3.2 AMOSTRA

A amostra será composta de 20 pessoas, que cuidem do idoso no domicílio, residentes na região Administrativa do Guará, selecionadas aleatoriamente entre os cuidadores que freqüentam o grupo de apoio do Ambulatório de Geriatria do Hospital Regional do Guará e de cuidadores que cuidam de idosos que são assistidos pela Pastoral da Saúde da Paróquia Maria Imaculada do Guará II.

Segundo Duarte (2002), na pesquisa qualitativa o número de pessoas entrevistadas (a prática tem indicado um mínimo de 20, mas há uma variação, de acordo com o objeto e do universo da investigação), o material obtido deve permitir uma análise mais ou menos densa das relações estabelecidas naquele meio e a compreensão de “significados, sistemas simbólicos e de classificação, códigos, práticas, valores, atitudes, idéias e sentimentos” (Dauster,1999).

Minayo (1994), coloca que a pesquisa qualitativa se preocupa menos com a generalização e mais com o aprofundamento e abrangência da compreensão seja de um grupo social, organização, instituição política ou de uma representação. A norma, portanto não é numérica. Considera-se que uma boa amostra a que é capaz de refletir a totalidade em todas as suas dimensões.

Eventualmente poderá ser necessário um retorno ao campo para esclarecer dúvidas, recolher documentos ou coletar novas informações sobre acontecimentos e circunstâncias relevantes que foram pouco explorados nas entrevistas.

3.3 CAMPO DE ESTUDO

Imagem

Tabela 1. População Total e de 65 e mais por Sexo - Brasil – 1940-1991 e Projeções  2000-2020
Tabela 2. Taxas de Crescimento (% a.a.) da população Total e de 65 anos e mais  por sexo – Brasil 1940-1991 e Projeções 2000-2020
Tabela 6. Identificação do cuidador quanto ao grau de  parentesco com o idoso.
Tabela 7. Identificação do cuidador  quanto ao tempo que cuida  do idoso.  TEMPO CUIDA  CUIDADO FREQÜÊNCIA %  1 mês a 1 ano  4  20  1ª e meio a 2 anos  6  30  03 a 04 anos  2  10  05 a 06 anos  2  10  07 a 08 anos  2  10  09 a 10 anos  1  5  10 a 11 anos
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Referências

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