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Abordagem humana integrada a estudos de uma problemática ambiental no interior do estado do Rio Grande do Norte

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PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM PLANEJAMENTO E GESTÃO AMBIENTAL

Clarisse Vasconcellos Serra

ABORDAGEM HUMANA INTEGRADA A ESTUDOS DE UMA PROBLEMÁTICA AMBIENTAL NO INTERIOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

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Clarisse Vasconcellos Serra

ABORDAGEM HUMANA INTEGRADA A ESTUDOS DE UMA PROBLEMÁTICA AMBIENTAL NO INTERIOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação “Stricto Sensu” em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade Católica de Brasília como requisito para a obtenção do título de Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental.

Orientador: Prof. Dr. Luiz Fabricio Zara

Co-Orientadora: Profa. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas

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S487a Serra, Clarisse Vasconcellos

Abordagem humana integrada a estudos de uma problemática ambiental no interior do estado do Rio Grande do Norte / Clarisse Vasconcellos Serra. – 2006. 115f. : il. ; 30 cm.

Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2006. Orientação: Luiz Fabrício Zara.

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TERMO DE APROVAÇÃO

Dissertação defendida e aprovada como requisito parcial para a obtenção do Título de Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental, defendida e aprovada no dia 23 de junho de 2006, pela banca examinadora e constituída por:

____________________________________________________ Dr. Luiz Fabricio Zara

_____________________________________________________ Dr. Antônio José Andrade Rocha

_____________________________________________________ Dr. Julio Cesar Rocha

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DEDICATÓRIA

Ao Fabricio, meu amor, pela atenção, pelo zelo e

por conseguir com um olhar, um gesto, uma palavra,

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AGRADECIMENTOS

À Deus

À Profa. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas, pela companhia e ensinamentos, desde a elaboração do projeto até a utilização do Alceste. Obrigada pela sua amizade.

Ao Profº Antônio José Andrade Rocha, pelos ensinamentos sobre o cerrado e por fazer parte desta banca.

Ao Profº Dr. Julio Cesar Rocha, pela disponibilidade em participar como examinador externo deste trabalho.

À Valéria, pelos carinhos, afagos e tranqüilidade que só a companhia de uma grande mãe consegue oferecer.

Ao Junior, meu irmão querido, pela compreensão e apoio concedidos ao longo de toda a minha vida.

À Joana D’arc, Cíntia (Maria de Lourdes), Helen, Noêmia, amigas preciosas, pelos 59.266 favores concedidos durante todo o percurso.

À amiga Gleusa Gladys, pelos conselhos, pela disponibilidade e por me aceitar caminhar junto contigo. Foi lindo, amiga.

À amiga Mônica Dias, pela companhia nessa jornada ambiental e o enlace da nossa amizade. Vamos pregar a cara na leitoa.

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A todos os meus amigos e familiares que, diretamente ou indiretamente, ajudaram-me neste trabalho.

À Profª Sueli Corrêa, pela sua ética e profissionalismo exercidos sobre o saber ambiental.

Ás prefeituras de Almino Afonso, Frutuoso Gomes, Lucrécia e Martins, pela presteza em contribuir com esta pesquisa, desde os primeiros momentos.

Ao IDEMA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Norte, pela parceria com o Grupo de Saúde e Meio Ambiente da Universidade Católica de Brasília, favorecendo o desenvolvimento deste trabalho.

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RESUMO

As inter-relações das dimensões físicas, sociais, culturais, éticas e ambientais são dinâmicas, pois os indivíduos agem sobre o ambiente, mas esse ambiente, por seu turno, modifica e influencia as condutas humanas.O diagnóstico de câncer e seu tratamento afetam a condição social que envolve o doente, a família e a comunidade, devido às suas características de difícil detecção precoce na maioria das localizações no organismo humano e a exposição dos sintomas pelo paciente. Neste sentido, o presente estudo objetiva analisar as dinâmicas psicológicas de uma população diretamente exposta a uma problemática ambiental, caracterizada por um histórico de elevada incidência de câncer desde a década de 70, sendo popularmente associado à qualidade da água para o consumo humano. A fim de conhecer, compreender e investigar as influências dos fatores ambientais na vida psicossocial desta população dos municípios Almino Afonso, Frutuoso Gomes, Lucrécia e Martins localizados na região Oeste do Estado do Rio Grande do Norte; foi utilizada uma abordagem qualitativa e quantitativa. Pretende retratar o cotidiano das cidades do interior do nordeste brasileiro em toda a sua riqueza e gerar elementos importantes para melhor compreensão da relação do ser humano com o ambiente. Os resultados deste estudo vêm reforçar que a promoção de saúde com base na remodelagem de atitudes, no estilo de vida, na preservação do ambiente e na melhoria dos atendimentos da saúde pública constitui a esperança na prevenção e combate ao câncer. O conhecimento reunido neste trabalho contribui para o aprimoramento das estratégias de intervenção sistemática oferecida pelas equipes interdisciplinares na questão ambiental, contribuindo para uma atuação integrada e voltada para as necessidades das pessoas.

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ABSTRACT

The physical, social and environmental dimensions of relationships are dynamic, as individual react according to the environment, and the same environment modifies and influences the human acts. Cancer diagnostics and its treatment affects the social condition of the patient, its relatives and the community, due to its difficult early detection in the majority of the locations inside the human organism and symptoms expressed by the patient. So, the present study aims to analyze the psychological dynamics of a population directly exposed to an environmental crisis, with an high incidence rate of cancer since the 70´s, basically associated with the drinking water. In order to kow, understand and investigate the environmental factors influence over the psychosocial life of this population, located at the districts of Almino Afonso, Frutuoso Gomes, Lucrécia and Martins in the West region of the Rio Grande do Norte State, a qualitative and quantitative approach was used. It describes the daily life of the cities in the Brazilian northwest in its fullness, creating precious elements towards a better understanding of the relation between man and the environment. The results of this study strengths that health promotion based upon change of life style and habits, environment protection and improvement of public health remains the ultimate hope in the prevention and fight of cancer. The knowledge gathered in this work contributes to the improvement of the systematic intervention strategies offered by multidisciplinary teams in the environmental issue, contributing to a integrated action and aiming to the people´s need.

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SUMÁRIO

RESUMO ... VI ABSTRACT ... VII LISTA DE FIGURAS ... X LISTA DE TABELAS ... XII LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ... XIII

INTRODUÇÃO ... 15

JUSTIFICATIVA ... 18

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 21

CAPÍTULO I - UMA CRÍTICA AO AMBIENTE E O SER HUMANO COMO AGENTE PARTICIPANTE ... 21

CAPÍTULO II - CÂNCER: DOENÇA EMERGENTE, SAÚDE E AMBIENTE ... 28

DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 38

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 52

LUCRÉCIA ... 56

ALMINO AFONSO ... 58

MARTINS ... 58

FRUTUOSO GOMES ... 59

RESULTADOS E DISCUSSÕES PRÉVIAS ... 61

CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL E GEOLÓGICA ... 62

DISTRIBUIÇÃO DE ELEMENTOS TRAÇO NOS SEDIMENTOS DE CORRENTE ... 65

DISTRIBUIÇÃO DE ELEMENTOS TRAÇO NAS ÁGUAS DOS AÇUDES ... 68

DISTRIBUIÇÃO DE ELEMENTOS TRAÇO NA POPULAÇÃO ... 72

OBJETIVOS ... 73

OBJETIVO GERAL ... 73

OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 73

METODOLOGIA ... 74

PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS ... 74

POPULAÇÃO AMOSTRADA ... 77

RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 80

ESTUDO SÓCIO-HISTÓRICO ... 80

DINÂMICAS PSICOLÓGICAS ... 84

CLASSE 1: O FALAR DA DOENÇA ... 86

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CLASSE 3: O ENFRENTAMENTO PELA RELIGIÃO ... 88

CLASSE 4: ALTERAÇÕES BIOLÓGICAS E ALTERAÇÕES SÓCIO- AFETIVAS ... 89

CLASSE 5: ORIGEM - UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE ... 90

CLASSE 6: COMPOSIÇÃO FAMILIAR ... 91

CLASSE 7: EU COM O OUTRO ... 92

I - O PROCESSO DA DOENÇA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO ... 94

DIAGNÓSTICO - A DESCOBERTA DA DOENÇA ... 94

CONSEQUÊNCIAS DA DOENÇA: ALTERAÇÕES BIOLÓGICAS ... 95

II - ASPECTOS PSICOLÓGICOS: MUDANÇAS, DEFESAS ENFRENTAMENTOS ... 96

O IMPACTO DO DIAGNÓSTICO: COMO ENCARAR O AMANHECER DE CADA DIA – ENFRENTAMENTOS ... 96

III - QUAL É A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DA FAMÍLIA? ... 100

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 103

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 109

ANEXOS ...116

ANEXO I ... 117

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - Mudança na incidência de vários cânceres com a migração do Japão

para os EUA ... 32

FIGURA 2 – Localização do Estado do Rio Grande do Norte... 37

FIGURA 3 – Mapa da distribuição do clima no Estado do Rio Grande do Norte.... 39

FIGURA 4 – Mapa das formações vegetais no Estado do Rio Grande do Norte.... 43

FIGURA 5 – Mapa da distribuição do relevo no Estado do Rio Grande do Norte... 45

FIGURA 6 – Diagrama da evolução da população no Estado do Rio Grande do Norte... 46

FIGURA 7 – Diagrama do deslocamento e concentração da população no Estado do Rio Grande do Norte ... 48

FIGURA 8 – Diagrama dos domicílios particulares, segundo o rendimento do chefe do domicílio no Estado do Rio Grande do Norte... 50

FIGURA 9 – Divisão do Estado do Rio Grande do Norte por microrregiões... 51

FIGURA 10 – Bacia hidrográfica do Apodi-Mossoró ... 54

FIGURA 11 - Foto aérea do Açude de Lucrécia ... 56

FIGURA 12 – – Imagem da região de estudo no oeste do Estado do Rio Grande do Norte ... 61

FIGURA 13 – Imagem do açude de Lucrécia no oeste do Estado do Rio Grande do Norte ... 63

FIGURA 14 – Imagem de uso e ocupação em 09/08/1989 e 02/08/2001 ... 64

FIGURA 15 - Separação dos principais grupos de drenagens da micro-bacia do açude de Lucrécia ... 66

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LISTA DE TABELAS

TABELA 01 - Palavras de maior associação da classe 1 referente ao “O falar da doença”... 84

TABELA 02 - Palavras de maior associação da classe 2 referente a “Dimensões biológicas da doença”... 85

TABELA 03 - Palavras de maior associação da classe 3 referente ao ”Enfrentamento pela religião” ... 86

TABELA 04 - Palavras de maior associação da classe 4 referente as “Alterações biológicas e alterações sócio-afetivas”... 87 TABELA 05 - Palavras de maior associação da classe 5 referente a “Origem – Uma questão de identidade” ... 88

TABELA 06 - Palavras de maior associação da classe 6 referente a “Composição familiar” ... 89

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

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Mo - Molibdênio Nb - Nióbio Pd - Paládio Sb - Antimônio Sc - Escândio Ti - Titânio Y - Ítrio V - Vanádio Zn - Zinco Zr - Zircônio

AAS - Espectrometria de Absorção Atômica

ALCESTE - Análise Quantitativa de Dados Textuais

CAERN – Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ICP-OES - Espectrômetro de Emissão Atômica por Plasma de Argônio induzido IDEMA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Norte

INCA - Instituto Nacional de Câncer

GSMA – Grupo de Saúde e Meio Ambiente RN – Rio Grande do Norte

SERHID - Secretaria de Estado dos Recursos Hídricos do Estado do Rio Grande do Norte

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INTRODUÇÃO

A problemática ambiental deve ser compreendida e estudada sem exageros emocionais que tanto prejudicam as resoluções adequadas. Importante ressaltar que o ser humano é, ao mesmo tempo, criatura e criador do ambiente. Esse lhe dá sustento físico e oferece oportunidade de desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente.

Segundo PAOLA et. al (1985), o ambiente é fundamental para a formação da cultura e do tipo de vida do grupo humano que nele se instala, é a base física da sociedade formada, na qual interage com os fenômenos climáticos que ocorrem nesse meio e com os recursos naturais disponíveis. Além disso, o ambiente tende a absorver os produtos da atividade humana, cada vez mais complexos e agressivos.

Entretanto, a contaminação dos ecossistemas por elementos químicos e metais/metalóides potencialmente tóxicos é um problema global que tem se agravado com o aumento da população e suas necessidades por fontes naturais. A problemática refere-se ao fato da ingestão de metais/metalóides oferecer riscos à saúde da população, principalmente pela contaminação via alimentos, água e respiração, cujos impactos, na maioria das vezes, são manifestados após longos períodos e de várias maneiras. Algumas das alterações causadas pelo desequilíbrio da concentração desses elementos no organismo podem ser exemplificadas como diminuições da acuidade mental, perda do controle motor, disfunção de órgãos, câncer, doenças crônicas, deficiências imunológicas, incapacidade e, finalmente, morte (SIEGEL, 2002).

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Os processos que produzem os ambientes são de natureza ecológica ou antrópica, e a contaminação do ambiente e dos seres vivos por elementos químicos pode se dar a partir de fontes naturais ou por meio de atividades antrópicas (PASCALICCHIO, 2002; DISSANAYAKE & CHANDRAJITH, 1999). Os ambientes que podem configurar situações de risco mais marcantes para a saúde e qualidade de vida do indivíduo são aqueles que foram modificados pelo ser humano (TAMBELLINI, 1996).

As dimensões físicas, sociais e ambientais estão presentes em cada pessoa, sendo a dinâmica, inter-relação desses fatores, pois os indivíduos agem sobre o ambiente, mas esse ambiente, também, modifica e influencia as condutas humanas. Logo, estão se estudando o ambiente e a pessoa e ambos têm a mesma relevância. Portanto, uma das especificidades de psicologia ambiental é a de analisar como o indivíduo avalia e percebe o ambiente e, ao mesmo tempo, como este está sendo influenciado por esse ambiente.

Uma das primeiras etapas para a prevenção primária do câncer dá-se pela observação e análise do ambiente, mas não se deve acreditar que seja essa uma operação simples. O câncer é caracterizado como um problema de saúde pública controlável por ações de saúde e educativas, nos aspectos biológicos, estilo de vida, psicológicos e ambientais. No entanto, é necessário despertar a vontade política, a consciência coletiva e definir prioridades para reorientar a política de saúde, intervindo na hegemonia existente da atenção curativa para a preventiva. O mais importante é sensibilizar os gestores da área de saúde a implantar uma política de promoção da saúde no atendimento das pessoas acometidas com câncer.

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comunidade, resultando em profissionais qualificados que promovam a saúde e previnam o câncer.

Toda pessoa, com o diagnóstico de câncer, tem prioridade nas instituições de saúde nos serviços oncológicos, junto aos profissionais qualificados. No entanto, se vive-se em um país onde as diferenças econômicas são visualmente detectadas. Assim, há muitas pessoas desfavorecidas economicamente no Brasil, e pouca qualificação dos profissionais da área de saúde atuando, principalmente nas regiões norte e nordeste do Brasil.

(20)

JUSTIFICATIVA

Considerando a dimensão social nas análises ecológicas, considerando o indivíduo é mais um ser vivo e um ator ativo chave, a natureza é classificada de meio biofísico (flora, fauna e outros), onde se desenvolve a vida humana. Contudo, para as pessoas, o meio construído é tão natural quanto o meio biofísico. Em relação ao próprio conceito de meio, podemos nos referir ao meio biofísico, fundamento da vida, como biosfera, chamando de sociosfera o meio habitado pelo ser humano.

Portanto, não é possível discorrer sobre o ambiente sem colocar o indivíduo como agente participante e modificador. Os fatores ambientais podem interferir diretamente na qualidade ambiental condicionando as composições mineralógicas e químicas dos solos e das águas, influenciando a distribuição geográfica de problemas patológicos e nutricionais que condicionam a saúde das pessoas e dos animais diretamente expostos.

Segundo CORTECCI (2002) algumas doenças ocorrem com maior intensidade em regiões específicas. A partir de estudos científicos de causa-e-efeito entre os fatores ambientais e a saúde, são confirmadas as suspeitas, originando uma nova ciência chamada geomedicina. A concentração de doenças geoquímicas pode estar relacionada ao grau de desenvolvimento do país ou a fatores ambientais. Populações de países em desenvolvimento padecem de uma série de patologias, entre elas o câncer, causadas pela maior presença de elementos e produtos químicos tóxicos ou pela escassez de elementos e compostos essenciais.

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popularmente associado à qualidade da água para o consumo humano. Esta região apresenta prevalência de casos de câncer, cerca de duas vezes maior, quando comparada aos índices do município de Almino Afonso (região de controle) e do Estado do Rio Grande do Norte.

Os municípios de Lucrécia, Frutuoso Gomes e Martins, localizados na parte oeste do Estado do Rio Grande do Norte apresentam um histórico de casos de pacientes acometidos com câncer maior quando comparado à média do Estado. Esses três municípios estão distantes num raio de 30 km de Almino Afonso, que apresenta índices dentro da taxa média do Estado. A diferença é que, as três primeiras cidades são abastecidas pelo açude de Lucrécia, que comporta vinte e sete milhões de metros cúbicos de água e o município de Almino Afonso é abastecido por outro reservatório de água. Acredita-se que neste caso, os fatores ambientais estão tendo relações diretas nos altos índices de cânceres da região.

Estudos recentes do Grupo de Saúde e Meio Ambiente da Universidade Católica de Brasília indicam que o grande aporte de metais na água para o consumo humano procedente do açude de Lucrécia, que causa alteração nos níveis de elementos traço no organismo humano das populações dos municípios de Lucrécia, Frutuoso Gomes e Martins. Possivelmente isso esteja associado ao elevado risco de serem acometidas por câncer.

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cadeia alimentar humana (AL-SALEH & AL-DOUSH, 1996; AZIN et. al.,1998; CLARK et al., 1991).

Por ser uma doença complexa, o câncer, dificulta a elaboração dos sentimentos dolorosos que surgem, tais como, medo, raiva, negação, culpa, depressão e ansiedade, entre outras. A essas reações soma-se, ainda, a incerteza do desconhecido, vividas pela maior parte dos pacientes. Além da influência de fatores ambientais, as pessoas podem ter um gene que lhes da propensão para desenvolvê-la.

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REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

CAPÍTULO I

UMA CRÍTICA AO AMBIENTE E O SER HUMANO COMO AGENTE PARTICIPANTE

Para estudar a questão ambiental é necessária uma visão diferenciada orientada para a resolução de problemas, de acordo com os moldes da revolução científica moderna que propõe a quebra total de paradigmas nas pesquisas acadêmicas, mudando do convencional reducionismo e mecanicismo para uma abordagem sistêmica e organicísmica da totalidade, que considera a complexidade e a conectividade múltipla de fatores quando no estudo de um único assunto (NAVEH, 2000).

Não há como compartimentalizar as conseqüências sofridas pelos seres vivos originárias da pressão antrópica ao ambiente, nem como dissociar conservação ambiental de eficiência econômica e de eqüidade social (BUARQUE, 2002). É preciso considerar a ambigüidade que existe entre estas três vertentes e assumir que não se chegará a um nível de equilíbrio sustentável entre humanidade e natureza sem uma integração estrutural e funcional da atratividade e produtividade da biosfera e uma tecnosfera saudável e vivível para esta e futuras gerações (NAVEH, 2000).

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grandes males estruturais da sociedade brasileira, o chamado ‘patriarca da independência’ fez uma eloqüente defesa da necessidade de conservar os recursos naturais do país. A percepção crítica dos riscos da degradação ambiental costuma ser identificada, como um fenômeno do mundo contemporâneo, um reflexo das grandes transformações – tanto objetivas quanto subjetivas – causadas pela expansão planetária da civilização urbano-industrial. No caso do Brasil, essa percepção é considerada uma realidade não apenas recente como também importada, uma difusão do debate europeu ou norte-americano das últimas décadas (PÁDUA, 2002).

Os protestos contra essa postura descuidada e destrutiva em relação ao ambiente natural começaram a aparecer ainda no segundo século da colonização com o Frei Vicente Salvador (1564-1636), em sua História do Brasil, de 1627, que condenava os colonizadores que utilizavam as terras até o seu limite e as deixavam destruídas e inférteis.

Somente no século XX, a partir da década de 70, que a preocupação com o ambiente resultou, no Brasil, na elaboração e implementação de políticas públicas com caráter especificamente ambiental. Durante o processo de formulação de políticas ambientais, o Brasil foi fortemente influenciado pela repercussão do informe do Clube de Roma, The Limits of Growth, divulgado em 1971, e da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, ocorrida em Estocolmo em 1972. A crise do petróleo no início da década de 1970 ampliou o debate mundial sobre escassez absoluta e relativa dos recursos naturais (CUNHA & COELHO, 2003).

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A longa e difícil evolução da espécie humana no planeta levou a um estágio em que, com o rápido progresso da ciência e da tecnologia, conquistou o poder de transformar, de inúmeras maneiras, em escala sem precedente, o ambiente natural ou criado pelo ser humano, é o ambiente essencial para o bem-estar e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, até mesmo o direito à própria vida.

A compreensão tradicional das relações entre a sociedade e a natureza desenvolvidas até o século XIX, vinculadas ao processo de produção capitalista, considerava o indivíduo e a natureza como pólos excludentes, tendo subjacente a concepção de uma natureza objeto, fonte ilimitadas de recursos à disposição do ser humano BERNARDES & FERREIRA (apud CUNHA & COELHO (Orgs.), 2003).

Segundo Santos (2002), depois de um reformismo tecnológico e administrativo e principalmente depois da escravidão, acreditava-se que a devastação do ambiente iria chegar ao fim neste período abolicionista. A questão ambiental vem sendo discutida deste o século XIX tendo um enfoque político, cientificista, antropocêntrico e econômico, mas com o objetivo da construção nacional.

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grupo social e a produção se torna um mediador no processo do consumo e das necessidades humanas.

A sociedade de consumo intensifica suas despesas individuais e também despesas assumidas por terceiros. Sendo assim, um círculo vicioso de crescimento que constitui no fiasco de uma política social, no aumento exagerado de consumo das famílias, prejuízos no quadro coletivo (ruído, poluição do ar e da água, destruição de paisagens e lugares). Em toda parte há um crescimento com relação à produção e implícito à preocupação dos excluídos pela sobrevivência.

Entretanto, nos anos 60/70 percebeu-se que os recursos naturais são esgotáveis e que o crescimento sem limites começava a se revelar insustentável. Neste contexto, emerge a necessidade de se elegerem novos valores e paradigmas capazes de romper com a dicotomia sociedade/natureza.

Atualmente, o pensamento está voltado para a problemática ambiental e esta preocupação surgiu em meados do século XX, como afirma LEFF (2002). A história mostra que a ação do indivíduo tem sido agressiva e predatória, bem como atesta o desaparecimento das matas, assoreamento dos rios e a erosão das terras. Chegamos assim, aos tempos atuais, no qual existe a necessidade de modificar o saber ambiental da população, para assim construir um processo que visa mudanças socioambientais com objetivo de um desenvolvimento sustentável. A proteção e a melhoria do ambiente constituem desejos dos povos da Terra, por serem os aspectos relevantes que influem diretamente o seu modo de vida e o seu desenvolvimento.

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cada vez mais complexo, mais organizado e mais desenvolvido, os agentes das transformações e das novidades nem sempre tratam com a devida gratidão as bases conceituais e o conhecimento que lhes serviram de apoio ou trampolim para alcançarem posições conceituais mais elevadas, complexas e sofisticadas. Sendo assim, é necessário uma conscientização dos acontecimentos para conseguir adaptar-se com a nova forma de desenvolvimento da humanidade.

O indivíduo carece constantemente de suas experiências para descobrir, criar e progredir; em nossos dias, embora a capacidade de transformar o mundo que o cerca seja “limitada”, deve ser utilizada de modo adequado, pode dar à todos os benefícios do desenvolvimento e o ensejo de melhorias da qualidade de vida. Ressaltando que o conceito de qualidade de vida para LEFF (2002) visa um questionamento sobre a homogeneização de meios massificados para produzir e satisfazer as necessidades de diferentes culturas, bem como suas relações com o ambiente. Por isso, faz-se necessário um olhar do todo, uma visão sistêmica para aplicar esse conceito. Na nova etapa que está acontecendo, tem que se adaptar com a inteireza, deixando os conceitos de partes e focando no pensamento sistêmico, que refere a soma das partes mais o todo. Uma perspectiva que leva em conta o ser humano, a sociedade e a natureza.

A abordagem holística ou sistêmica é a integração de dois métodos, o analítico e o sintético. Ambos seguem diferenciados logo abaixo, segundo CREMA (1996):

Analítico

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•Fundamenta-se na razão e sensação; •Dirigido pelos 5 (cinco) sentidos; •Vocação é experimental;

•Produto gerado em laboratórios sofisticados com manipulação impecável das variáveis;

•Hemisfério esquerdo: racionalidade; •Objetiva explicar ativamente o Universo.

Sintético

•Focaliza a totalidade, a interconexão, a forma, a gestalt; •Tendência ampliadora e de integração;

•Orgânica;

•Fundamenta-se nas funções psíquicas e intuição; •Enfatiza a participação e a singularidade;

•Vocação experiencial;

•O produto típico é o fruto da vivência; •Hemisfério direito: emoção.

A visão holística enfatiza a conexão e a ligação entre as partes e o todo mediante a consciência humana das partes. Representando uma superação das vias analíticas e sintéticas e abrindo um novo caminho para a compreensão da realidade que articula o todo e as partes, facultando o exercício da transdisciplinaridade.

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lógica e simples, podem ser completamente invertidas: o sintoma era a solução ignorada. Esse raciocínio serve para mostrar que não devemos tirar conclusões precipitadas nem buscar respostas únicas, o que, por si só, contribui para desenvolver a intuição e a habilidade de enxergar por meio da realidade dos fatos, sendo essas habilidades instrumentos importantes para conseguir pensar de uma forma sistêmica ou holística.

A compreensão sistêmica pode indicar soluções aparentemente ilógicas, enquanto não se compreende a multidimensionalidade da experiência humana, ou seja, que a realidade é estruturada simultaneamente em diferentes níveis de motivações, intenções e ações.

O ambiente, como realidade global, só poder ser visto em multivisão, apesar de sermos dotados de visão binocular, nunca poderemos enxergar o mundo num ângulo de 360º graus. É a conjugação de olhares sobre o Universo que nos dará a visão de conjunto, o sentido cósmico da nossa realidade. Para tanto, é necessário que se produza um intercâmbio permanente entre as pessoas, e que essas sejam dispostas a ver com seus olhos e a tomarem emprestados os olhos de outrem, dispostas ainda a falar e ouvir. O método científico moderno da análise decompôs o mundo em tantos fragmentos, cada qual criando à sua volta uma esfera de conhecimentos, que acabamos por precisar uns dos outros até nas informações mais banais (COIMBRA, 2002).

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CAPÍTULO II

CÂNCER: DOENÇA EMERGENTE, SAÚDE E AMBIENTE.

As doenças se disseminam em diferentes momentos históricos e espaços geográficos, representando a realização manifesta dos processos geradores subjacentes. O estudo desses processos capta a dinâmica da estrutura epidemiológica, já que o perfil epidemiológico dos diferentes espaços é criado pela interação das relações sociais que caracterizam a sua organização. Essas relações são modificadas ao longo do tempo, conforme o momento histórico em que se encontre o estágio de desenvolvimento das forças econômicas e das relações sociais que são os fatores determinantes da organização do espaço (COSTA & TEIXEIRA, 1999).

As repercussões dos fatores ambientais na saúde humana são relatadas nos trabalhos do grego Hipócrates e outros escritores “helênicos”, do período clássico (2400 anos atrás), apresentando os primeiros indícios de que saúde e ambiente estão relacionados. No século III a.C, textos chineses tratavam dessas relações (SELINUS, 2004), enquanto Aristóteles noticiou envenenamento de mineradores por mercúrio (FINKELMAN, 2001).

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As alterações do ambiente causam direta ou indiretamente problemas à saúde humana, tendo como origem o modelo vigente e insustentável de produção e consumo.

CORTECCI (2002) salienta que a geomedicina surtiu efeito a partir de observações da ocorrência preferencial de algumas doenças em regiões específicas, porém somente se desenvolveu após a aquisição da base científica que permitiu estudos de causas e efeitos entre os fatores ambientais e problemas de saúde. A deficiência de iodo em solos e águas naturais pode ser associada ao aumento da tiróide em milhões de pessoas em países do terceiro mundo. Na China, milhões de pessoas sofrem de fluorose dental devido a excesso de flúor nas águas consumidas. A deficiência de selênio em solo apresenta correlação positiva com a incidência de neoplasia em diferentes regiões geográficas dos Estados Unidos da América.

Excesso de arsênio em águas para o consumo humano está associado ao desenvolvimento de feridas generalizadas e neoplasias em ilhas do Japão. Águas meteóricas associadas com sulfetos de ferro aumentam muito a acidez, possibilitando um maior ataque às rochas e aos minerais, causando o aumento da porcentagem de metais com potencial tóxico em solução, criando condições para o surgimento de solos e águas tóxicos.

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abrangendo a idéia de que as necessidades essenciais de saúde das pessoas deveriam ser urgentemente focalizadas. Ressalva que sejam dentro de um marco que articule suas relações com os fatores ambientais.

Entretanto, a saúde humana é influenciada não apenas por fatores específicos, mas pela interação entre eles, tais como: a qualidade de água e dos alimentos; ausência de saneamento; exposição a vetores e a doenças e condições insalubres de moradias.

Na área da saúde, as abordagens globais do ponto de vista ecológico tornaram-se mais efetivas a partir do final dos anos 70, quando ambientalistas, sanitaristas, investigadores e gestores começaram a perceber a necessidades de integrar suas ações e abordagens em favor da qualidade de vida de populações. De um lado, foi crescendo a convicção de que não pode haver desenvolvimento sustentável sem levar em conta os seres humanos e suas vidas no ecossistema. De outro, foi se firmando a certeza da relação entre componentes vivos e inertes do ecossistema que, além de ser extremamente complexa, tem repercussões reais e profundas no impacto da atividade humana sobre o ambiente e sobre a saúde, sendo necessário criar estratégias específicas que, a partir de conhecimentos disciplinares e práticas setoriais, caminhem para uma abordagem transdisciplinar (MINAYO, 2002).

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que fatores ambientais associados a estilo de vida contribuem entre 70-90% dos casos de câncer humanos. Os mais importantes fatores são o tabagismo (30-40%), a dieta alimentar (30-50%) e a poluição ambiental (1-3%) (AL-SALEH & AL-DOUSH, 1996).

Correlações de dados geográficos em diferentes regiões dos Estados Unidos da América indicaram uma inversa associação do nível de selênio em produtos agrícolas e dieta humana com a incidência da mortalidade por câncer (CLARK et al., 1991). Estudos epidemiológicos mostraram que populações humanas contendo baixo nível de selênio no sangue e no plasma apresentam maior incidência de câncer de pulmão, estômago, pâncreas, bexiga urinária, tireóide, esôfago, cabeça e pescoço, ovário, mama e melanoma (KNEKT et al., 1991; CLARK et al., 1996; BURNEY et al., 1997). Embora não se possa excluir as predisposições raciais, de modo geral acredita-se que essas diferenças geográficas são conseqüências de influências ambientais.

(35)

Figura 01 - Mudança na incidência de vários cânceres com a migração do Japão para os EUA, evidenciando que os cânceres são causados por componentes do ambiente que

diferem nos dois países. Adaptado de COTRAN et al., 1996.

(36)

pulmão desponta como a principal causa de morte por neoplasias entre os homens e tende a ocupar essa posição também entre as mulheres. No caso do câncer de localização pulmonar, há grande acúmulo de evidências epidemiológicas e experimentais apontando o hábito de fumar como o principal fator de risco envolvido.

Numerosos estudos epidemiológicos têm associado o aumento do risco de câncer a humanos expostos a metais similares ao crômio (câncer de pulmão) (SNOW & XU, 1991; SUGIYAMA et al, 1991; BJERRUM & BJERRUM, 1990); níquel (câncer de pulmão, cavidade nasal e esofágico) (AZIN et al., 1998; MISRA et al., 1993; TKESHELASHVILI et al., 1993); mercúrio orgânico (câncer de pulmão, rins e sistema nervoso) (BOFFETTA et al., 1993); cádmio (câncer na próstata e pulmão) (AL-SALEH & AL-DOUSH, 1996; SUDERMAN, 1990) e arsênio (câncer de pele, pulmão, fígado, rim, bexiga urinária e próstata) (CHEN & WANG, 1990; SHIH-MENG et al., 1999) entre outros. O mecanismo de indução de câncer por metais não está bem definido. Vários estudos indicam propriedades mutagênicas e carcinogênicas a alguns elementos traço (As, Cd, Ni, Be, Hg, Co, Pb e outros) devido à quebra da fita do DNA, diminuição da fidelidade da réplica do DNA, diminuição da atividade da RNA polimerase, interação com enzimas, produção de espécies oxidativas, ativação de espécies oxigenadas, etc. (SNOW, 1992; BARRETT et al., 1992; KLEIN et al., 1991; TKESHELASHVILI et al., 1980; AITIO et al., 1991; ASHBY et al., 1990).

(37)

opõe o inato ao adquirido mostra-se frágil. Da mesma forma que o indivíduo não existe fora do meio em que vive, o aparecimento da doença deve ser visto como resultando da relação do sujeito com o ambiente. A predisposição genética só se expressa fenotipicamente a partir da interação do indivíduo com fatores ambientais. Por isso, a vulnerabilidade intrínseca e o agravo extrínseco são dois lados da mesma moeda e é mais útil visualizar a interação dos dois fatores do que abstrair um ou outro componente (GOMES-CARNEIRO et al., 1997).

Nesta perspectiva, SIMONTON et al, citado por VELOSO (2001) partindo da premissa de que todo indivíduo influencia na evolução de seu estado de saúde por meio de reações psíquicas, crenças cognitivas e respostas comportamentais particulares, defendem que a percepção que o indivíduo elabora acerca de sua doença é fundamental para a obtenção de sua participação ativa, positiva e duradoura durante o processo de enfrentamento da doença. Esses autores desenvolveram um programa de intervenção psicológica que visava à alteração da auto-percepção do paciente e estimulava a geração de um clima de “esperança” no paciente. Essa percepção, registrada pelo sistema límbico, atuaria no sentido de favorecer o incremento da atividade imunológica e, conseqüentemente, maximizaria a resposta orgânica para o combate ao câncer.

(38)

sentir-se curado e livre da doença a partir da remoção cirúrgica do tumor (BETTS,1997).

Quando uma pessoa toma conhecimento da doença, câncer, certamente sente-se muito assustada e preocupada. O estigma de sofrimento e morte, ligado a essa doença, ainda é grande, mesmo que em muitos casos a situação seja perfeitamente controlável ou curável. A perspectiva de procedimentos invasivos e cirúrgicos, às vezes mutilante, como a mastectomia ou tratamentos menos agressivos, mas também desconfortáveis, como a quimioterapia ou a radioterapia, determinam no paciente sentimentos muito acentuados de tristeza, desespero até, desânimo, angústia, entre outros não menos desconfortáveis (LOPES,2001).

O Instituto Nacional de Câncer – INCA relata que a distribuição da incidência por câncer é de fundamental importância para o conhecimento epidemiológico da doença, desde seus aspectos etiológicos até os fatores prognósticos envolvidos em cada tipo específico de neoplasia maligna. Esse conhecimento possibilita gerar hipóteses causais e avaliar os avanços científicos em relação às possibilidades de prevenção e cura, bem como à resolutividade da atenção à saúde. O estabelecimento de medidas efetivas de controle também deve ser feito com base em informações de qualidade sobre a ocorrência dos tumores malignos nas diferentes regiões geográficas.

(39)

sexo feminino. Estima-se que o câncer de pele não melanoma (116 mil casos novos) será o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de mama feminina (49 mil), próstata (47 mil), pulmão (27 mil), cólon e reto (25 mil), estômago (23 mil) e colo do útero (19 mil). Os tumores mais incidentes para o sexo masculino serão devidos ao câncer de pele não melanoma (55 mil casos novos), próstata (47 mil), pulmão (18 mil), estômago (15 mil) e cólon e reto (11 mil). Para o sexo feminino, destacam-se os tumores de pele não melanoma (61 mil casos novos), mama (49 mil), colo do útero (19 mil), cólon e reto (14 mil) e pulmão (9 mil). (INCA, 2006)

(40)

DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O Estado do Rio Grande do Norte está situado entre os paralelos de 4°49’53’’ e 6°58’57” latitude sul, e os meridianos de 35°58’03” e 38°36’12” a oeste de Greenwich, tendo uma área de 52 796,79 km², correspondendo a 0,62% do território nacional. A distância entre os pontos extremos Norte-Sul é de 233 km e entre os pontos extremos Leste-Oeste, 403 km. Limita-se ao Norte e a Leste com o Oceano Atlântico; ao Sul com o Estado da Paraíba e a Oeste com o Estado do Ceará.

(41)

O clima no Estado Rio Grande do Norte (Figura 03) é caracterizado pelos tipos:

Clima árido - localizado na parte central e litoral setentrional, prolongando-se numa faixa estreita, quase contínua, até o extremo sul do Estado, abrangendo uma área total de 18% da superfície estadual. Não apresenta excedente de água durante todo o ano;

Clima semi-árido - domina, de forma quase contínua, todo o interior do Estado, onde a oeste se prolonga até o litoral setentrional, perfazendo uma área de 57% da superfície estadual. Apresenta um excedente de água inferior a 40mm durante os meses de março e abril;

Clima sub-úmido seco - localizado, em parte, no litoral oriental e nas áreas serranas do interior do Estado; este clima abrange 20% da superfície estadual. Possui um excedente de água que vai de 150 a 450mm durante os meses de março a junho aproximadamente;

(42)

Figura 03 – Mapa da distribuição do clima no Estado do Rio Grande do Norte. Fonte: IDEMA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado do Rio

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No Estado do Rio Grande do Norte são observadas as seguintes formações vegetais (Figura 04):

Floresta subperenifólia (incluindo cerrados e formações florestais secundárias) – Floresta ciliar sem carnaúba - presente ao longo dos rios do litoral oriental em uma faixa cuja largura não ultrapassa algumas dezenas de metros, mantém contato com as florestas semidecíduas e decíduas e com os manguezais. Acima do município de Extremoz, a Floresta Ciliar é o único tipo florestal presente ao longo dos rios que desembocam no litoral oriental e, algumas vezes, nas várzeas e margens de lagoas. Por ser uma floresta densa e exuberante, a duração do período chuvoso tem importância secundária, de vez que sua fonte de água está presente nos lençóis subterrâneos e na água dos rios e várzeas;

Floresta subcaducifólia (incluindo cerrados, formações florestais secundárias, caatinga hipoxerófila e floresta subcaducifólia) – Floresta decídua - ocupa uma estreita faixa entre a zona úmida e o sertão e, também, o topo e as encostas das serras do interior (Serra de Santana, Serra de João do Vale, Serra do Mel, Serra de Martins e Serra de São Miguel). É composta por espécies que indicam uma posição fitogeográfica intermediária entre os biomas da Floresta Atlântica e da Caatinga, no entanto a classificação dessa floresta nessa categoria é provisória, visto que a ausência de levantamentos florísticos nesses locais dificulta seu posicionamento fitogeográfico;

(44)

Caatinga hiperxerófila – Caatinga arbustivo-arbórea – apresenta-se principalmente na porção setentrional do Estado e caracteriza-se por ser uma vegetação densa e de estrutura irregular, muitas vezes formando moitas e descobrindo parcialmente o solo. Durante a maior parte do período seco permanece sem folhas;

Caatinga hipoxerófila e subdesértica “seridó” – Caatinga aberta do seridó – as áreas abrangidas por esta formação vegetal estão no Seridó oriental. O estrato herbáceo apresenta-se bastante desenvolvido, formando, em algumas áreas, um tapete bastante denso. No período seco as ervas morrem e os arbustos perdem suas folhas;

Caatinga hiperxerófila (incluindo floresta ciliar de carnaúba) – Floresta ciliar com carnaúba (carnaubal) - presente nas baixadas mais úmidas e várzeas dos rios da porção setentrional do Estado, têm como trechos de maior extensão àqueles situados ao longo dos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu. A carnaúba é a espécie que predomina sobre as demais. Caracteriza-se por possuir uma vegetação bastante compacta e de difícil penetração, tanto pelas condições do terreno, muitas vezes alagado, como também pela proximidade de palmeiras novas e de outras espécies vegetais de menor porte. Durante a estação de seca a principal fonte de água é o lençol freático;

(45)

composta por arvoretas e arbustos isolados ou por moitas entremeadas por um tapete onde predominam as gramíneas;

Floresta de várzea e campos de várzea – Campos de várzea – sua distribuição em terras potiguares é bastante restrita, ocorrendo somente nas áreas onde a água doce freqüentemente inunda o solo, que permanece úmido durante todo o ano, sendo mais comum ao longo do litoral, às margens de rios e lagoas;

Formações das praias e dunas – Dunas e praias – ocupa uma estreita faixa ao longo de todo o litoral, com exceção das áreas ocupadas por manguezais, compondo a vegetação das dunas móveis e das praias, que aliada à vegetação das dunas fixas são conhecidas como vegetação de restinga. Sua característica principal é que, ocorrendo sobre areias de origem marinha, são diretamente influenciadas pela salinidade e pelos ventos intensos;

Formações halófilas e áreas desprovidas de vegetação (incluindo caatinga hiperxerófila e floresta ciliar de carnaúba) – Campos salinos – as formações halófilas são aquelas que estão adaptadas aos ambientes salinos e periodicamente inundados pela água do mar, estando presentes nas planícies flúvio-marinhas dos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu;

(46)

Figura 04 – Mapa das formações vegetais no Estado do Rio Grande do Norte. Fonte: IDEMA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado do Rio

(47)

As principais formas do relevo do Estado do Rio Grande do Norte podem ser resumidas em (Figura 05):

Planície costeira – estende-se por todo o litoral do Estado e é formada por praias que se limitam de um lado com o mar e do outro com os tabuleiros costeiros, apresentando, ainda, a formação de dunas. Em sua extensão encontram-se as principais praias de nosso litoral: Ponta Negra, Pirangi, Genipabu, Pipa, Galinhos etc.;

Planícies fluviais – terrenos baixos e planos, situados às margens dos rios. São conhecidos também por vales, como o Vale do Açu e o Vale do Rio Ceará-Mirim, e por várzea, inundados pela enchente dos rios Ceará-Mirim, Potengi, Trairi etc.;

Tabuleiros costeiros – também denominados de planaltos rebaixados, são formados basicamente por argila e possuem áreas planas e de baixa altitude. Estão localizados próximo ao litoral, às vezes chegando até o mar, como em Barra de Tabatinga e em Pipa;

Depressão sub-litorânea – são os terrenos rebaixados localizados entre os Tabuleiros Costeiros e o Planalto da Borborema;

Planalto da borborema – formações que se estende por terras potiguares, paraibanas e pernambucanas, aqui estão localizadas as serras e os picos mais altos do Estado;

(48)

planos, ligeiramente elevados e que são cortados pelos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu

Chapada da serra verde – formação que também apresenta terrenos planos e ligeiramente elevados, localiza-se entre os Tabuleiros Costeiros e o relevo residual do chamado “Sertão de Pedras”, estendendo-se pelos municípios de João Câmara, Jandaíra, Pedra Preta, Pedro Avelino e Parazinho.

Figura 05 – Mapa da distribuição do relevo no Estado do Rio Grande do Norte. Fonte: IDEMA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado do Rio

(49)

O Estado do Rio Grande do Norte possui 2.776.782 habitantes, concentrando 2.036.673 na área urbana, o que significa 73,35% de sua população total. Observa-se na figura abaixo que a população rural do Estado, que até a década de 70 era superior à urbana, atualmente equivale somente a 26,65% dessa população. Enquanto a população urbana quase triplicou nos últimos 30 anos, a rural foi reduzida de 812,9 a 740,1 mil habitantes no mesmo período. A série histórica revela uma migração crescente campo-cidade a partir de 1970, sendo que no período 1991-2000 esse fenômeno ocorreu de forma mais lenta, provavelmente em decorrência dos programas de assentamento rural, que incentivam e viabilizam a permanência do indivíduo no campo.

(50)

O ritmo de crescimento da população do Estado desacelerou-se na última década, baixando de 2,22% entre 1980 e 1991 para 1,58% na década seguinte. Essa queda vem ocorrendo menos pela emigração, que tem se reduzido mais pela queda da fecundidade das mulheres norte-rio-grandenses de vários extratos sociais. Os programas integrados de saúde da mulher, bem como a sua crescente inserção no mercado de trabalho, são responsáveis por essas mudanças. No que diz respeito à população urbana, observa-se que nas últimas décadas vem apresentando um ritmo de crescimento bem superior ao da população total, registrando-se, no período 1991/2000, uma taxa de 2,26%. Entretanto, a taxa de crescimento da população rural apresentou-se negativa nesse mesmo período. A densidade populacional do estado como um todo vem aumentando ao longo dos anos, em função do contínuo crescimento da população, como se pode observar na Figura 06.

(51)
(52)

A taxa de mortalidade infantil apresentou um significativo decréscimo nos últimos sete anos, chegando a 48,7 por mil nascidos vivos em 1999, representando a segunda maior redução dentre os estados do país. Apesar desse declínio, a taxa ainda supera a dos estados das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste que são inferiores a 30 por mil, refletindo, assim, as grandes desigualdades regionais e sócio-econômicas que continuam existindo no Brasil.

No Rio Grande do Norte, a taxa de alfabetização da população de 10 anos ou mais que era de 64,5% em 1991, passou para 76,3% em 2000, o que implica dizer que cerca de 23,7% da população dessa faixa etária permanece ainda analfabeta, embora se observe uma tendência constante de melhora no nível de instrução da população.

Como ilustra a Figura 08, o percentual de chefes de domicílio do Estado com renda de até 1 (um) salário mínimo atinge aproximadamente 40%. A maior concentração de chefes de domicílio está nas faixas de renda de até 2 (dois) salários mínimos, constituindo 58,6% dos chefes nessas faixas.

(53)
(54)

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

Os municípios de Lucrécia, Frutuoso Gomes, Martins e Almino Afonso localizam-se na bacia hidrográfica Apodi-Mossoró na microrregião de Umarizal do Rio Grande do Norte - RN entre as latitudes –5° e –6° e longitudes entre –38° e –37° das coordenadas geográficas. (Figura 09 a e b).

a)

b)

(55)

No extremo sudoeste da bacia, correspondendo às suas nascentes, é

caracterizado por um clima tropical chuvoso com verão seco e estação chuvosa se

adiantando para o outono.

Na maior parte da bacia do Apodi-Mossoró (Figura 10), as chuvas anuais médias

de longo período situam-se em torno de 700 mm, havendo pequena área, nas

proximidades da foz e na região a leste do trecho médio do rio do Carmo, onde descem

a 600 mm. Na parte alta, a montante da localidade de Tabuleiro Grande, há um

aumento até de cerca de 900 mm, com pequena área, na região alta de Martins, onde

chegam a 1.100 mm (SERHID, 2000).

A metade meridional desta bacia é composta pelas unidades Depressão

Sertaneja e Planaltos Residuais. A primeira caracteriza-se por um relevo

predominantemente tabular, algumas vezes com formas convexas e poucas áreas com

relevo aguçado (maciços e inselbergues). A segunda, que constitui as feições mais

elevadas da bacia, caracteriza-se por superfícies tabulares, limitadas por escarpas

erosivas, com topos planos de origem sedimentar (SERHID, 2000).

Segundo SERHID (2000), a porção centro-norte da bacia é constituída por uma

superfície cárstica, que se caracteriza por ampla superfície pediplanada e,

subordinadamente, por relevos tabulares pouco dissecados e pouco profundos. No

extremo norte, junto à foz do rio Apodi, ocorre a Faixa Litorânea, representada por uma

planície flúvio-marinha, ladeada pelos Tabuleiros Costeiros, superfície pediplanada,

contígua à superfície cárstica (SERHID, 2000).

Os sedimentos que caracterizam os topos dos Planaltos Residuais são

(56)

caulínicos, grosseiros e conglomeráticos na base, arenitos ferruginosos mal

estratificados e lateritas (SERHID, 2000).

O extenso platô que caracteriza a superfície cárstica é constituído por um pacote

sedimentar clástico (siltitos, arenitos e arenitos calcíferos) da Formação Açu, que se

sobrepõe ao embasamento cristalino e encontra-se recoberto pela Formação Jandaíra,

constituída por calcários bioclásticos, calcarenitos e calcários dolomíticos, com clásticos

como acessórios (SERHID, 2000). Nos tabuleiros costeiros expõem-se os sedimentos

do Grupo Barreiras, onde predominam rochas areno-argilosas, com colorações variadas

de esbranquiçadas a avermelhadas (SERHID, 2000).

Na faixa litorânea, ocorrem aluviões constituídos por sedimentos de origem

flúvio-marinha, e as dunas móveis, associadas com as areias inconsolidadas de praias

(SERHID-RN, 2000).

Do ponto de vista geológico, a bacia do Apodi-Mossoró está relacionada à

litologias Pré-Cambrianas dos complexos Caicó e Seridó, compreendendo migmatitos,

gnaisses migmatizados, granitóides, anfibolitos, quartzitos, metarcóseos, calcários

cristalinos e rochas calcossilicáticas, ocorrendo ainda intrusões de rochas plutonianas e

filonianas, principalmente granitos sintetônicos e pós-tectônicos (SERHID, 2000).

As cidades de Frutuoso Gomes, Lucrécia e Martins são abastecidas pelo açude

de Lucrécia, que comporta vinte e sete milhões de metros cúbicos de água. Segundo a

Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), o reservatório

abastece mais 10 mil pessoas das cidades citadas acima (SERHID, 2001). Na bacia,

foram cadastrados 618 açudes, totalizando um volume de acumulação de

469.714.600 m3 de água. Isso corresponde, respectivamente, a 27,4% e 10,7% dos

(57)
(58)

LUCRÉCIA

O município de Lucrécia, situada na latitude 06° 07’ 12’’ sul e longitude 37° 48’

56’’ oeste, abrange uma área de 27,5 km2, equivalente a 0,05% da superfície estadual e

tem densidade demográfica de 3065 habitantes.

A região caracteriza-se por clima sub-úmido com precipitações pluviométricas em

torno de 931,6 mm, período chuvoso de fevereiro a maio: umidade relativa média anual

de 66% e temperatura média anual de 28,1°C. A formação vegetal é do tipo caatinga

hiperxerófila que apresenta caráter mais seco com abundância de cactáceas e plantas

de porte baixo e espalhadas. O solo predominante é o podzólico vermelho amarelo,

equivalente eutrófico com alta fertilidade, textura média, acentuadamente drenado e

relevo suave e ondulado.

O município está situado em área de abrangência de rochas metamórficas que

compõem o embasamento cristalino, de Idade Pré-Cambriana Superior, variando entre

570 - 1.100 milhões de anos. O solo é composto essencialmente de gnaisses cinza,

com inúmeras lentes de calcário cristalino (mármore), epidoto (tactitos) e anfibolitos,

ocorrendo ainda migmatitos, xistos quartzitos, cortados localmente por veios de quartzo

e pegmatitos. A região apresenta aquífero cristalino que engloba todas as rochas

cristalinas, onde o armazenamento de água subterrânea somente torna-se possível

quando a geologia local apresenta fraturas associadas a uma cobertura de solos

residuais significativa. Os poços perfurados têm uma vazão média baixa de 3,05 m³/h e

profundidade de até 60 m, com água geralmente apresentando alto teor salino de 480 a

1.400 mg/L-1 com restrições para consumo humano e uso agrícola. O aqüífero Aluvião

(59)

terraços dos rios e riachos de maior porte. Esses depósitos caracterizam-se pela alta

permeabilidade, boas condições de realimentação e profundidade média em torno de

7,0 m.

O açude de Lucrécia está situado a 500 metros ao sul do município (Figura 11).

Foi construído com a finalidade de suprir as necessidades de abastecimento humano e

irrigação, e teve sua construção concluída no ano de 1934. É do tipo “terra

compactada”, possuindo área de 578,27ha, correspondendo a uma bacia hidráulica de

capacidade máxima em armazenamento de 27.270.000,00 m³, com volume morto de

1.483.125,00 m³ e sangradouro, do tipo Soleira Espessa, com cota de soleira de 98,50

m, lâmina máxima de 1,30m2 e volume de corte de 77.786,00 m³ (SERHID, 2001).

(60)

ALMINO AFONSO

O município Almino Afonso localiza-se na microrregião do IBGE de Umarizal e

possuindo coordenadas geográficas, latitude 06° 09’ 08” sul e longitude 37° 45’ 58”

oeste. Apresenta área de 132,4 km2 equivalente a 0,25% da superfície estadual e

densidade demográfica de 5.347 habitantes. O clima da região é do tipo sub-úmido,

apresentando precipitação pluviométrica anual média de 970,0 mm e período chuvoso

de fevereiro a maio. A temperatura e a umidade média anual são de 28,1° C e 66%

respectivamente. O município de Almino Afonso possui formação vegetal com tipo de

solo de aspectos geológicos e hidrogeologia semelhantes às características do

município de Lucrécia. Os principais rios e riachos são, Rio Piranhas, da Picada e

Tapuio.

MARTINS

O município de Martins tem área de 171,3 km2, densidade demográfica de 7.556

habitantes, 06° 05’ 16” de latitude sul e 37° 54’ 40” de longitude oeste. O clima é do tipo

sub-úmido: a precipitação pluviométrica média anual é de 1.091,5 mm; o período

chuvoso vai de janeiro a junho; a temperatura média anual é de 28,1° C e a umidade

relativa média anual é de 66%.

Os solos predominantes da região são: bruno não cálcico: fertilidade média a

alta; textura arenosa/argilosa e média/argilosa; fase pedregosa, bem drenado; relevo

ondulado; litólicos eutróficos: fertilidade alta, raso ou muito raso; textura média,

acentuadamente drenado; relevo ondulado e forte ondulado; latossolo vermelho

amarelo: fertilidade baixa, textura argilosa, bem ou acentuadamente drenado, relevo

(61)

A área do município abrange dois tipos de rochas diferentes caracterizando dois

períodos distintos na evolução geológica da região. O primeiro, representado pelo

embasamento cristalino, de idade pré-cambriana, 1.000 - 2.500 milhões de anos, com

granitos, migmatitos variados, gnaisses, xistos, anfibolitos, calcários matamórficos.

Como cobertura do embasamento cristalino, restrito ao topo da serra, encontram-se

rochas sedimentares da formação serra dos Martins (base do Grupo Barreiras), de

idade terciária inferior, 60 milhões de anos, com arenitos, arenitos caulínicos,

conglomerados e siltitos, que apresentam espessura em torno de 30 metros. Esses

sedimentos constituem, restos de uma cobertura sedimentar outrora muito mais extensa

que foi quase completamente erodida.

As características tanto hidrológicas quanto de formação vegetal são as mesmas

do município de Lucrécia. Os principais riachos são, dos Picos, da Forquilha, do

Comissário, do Corredor e do Sampaio.

FRUTUOSO GOMES

O município de Frutuoso Gomes situa-se na mesorregião Oeste Potiguar e na

microrregião Umarizal, limitando-se com os municípios de Lucrécia, Martins, Antonio

Martins e Almino Afonso, abrangendo uma área de 70 Km2, inseridos na folha Catolé do

Rocha. A sede do município tem uma altitude de 231 m e coordenadas 06º 09’ 28,8’’ de

latitude sul e 37º 50’ 24,0’’ de longitude oeste, distanciando da capital de 347 Km

(62)

O Clima predominante é o tropical chuvoso com verão seco e estação chuvosa

adiantando-se para o outono. A formação vegetal é a caatinga hiperxerófila, vegetação

de caráter mais seco, com abundância de cactáceas e plantas de porte mais baixo e

espalhadas. Entre outras espécies, destacam-se a jurema-preta, mufumbo, faveleiro,

marmeleiro, xique-xique e facheiro. Os solos predominantes da região são: podzólico

vermelho amarelo equivalente eutrófico: fertilidade alta, textura média, acentualmente

drenado, relevo suave ondulado. O município encontra-se totalmente iserido nos

domínios da bacia hidrográfica Apodi-Mossoró, sendo banhado apenas por cursos

(63)

RESULTADOS E DISCUSSÃO PRÉVIA

O Grupo de Saúde e Meio Ambiente – GSMA da Universidade Católica de

Brasília, desde 2003, desenvolve projetos de pesquisa e extensão nos municípios de

Almino Afonso, Lucrécia, Frutuoso Gomes e Martins localizados na região oeste do

Estado do Rio Grande do Norte (Figura 12), buscando compreender as relações entre

os fatores ambientais e a incidência de câncer. Alguns desses trabalhos servem como

base para o desenvolvimento desta dissertação.

Estudos epidemiológicos prévios, feitos pelo GSMA, utilizando as metodologias

recomendadas pelo Instituto Nacional de Câncer, nos municípios de Almino Afonso,

Lucrécia, Frutuoso Gomes e Martins, indicaram a prevalência de diversos tipos de

casos de cânceres durante o período de 2000-2004 nos municípios de Lucrécia,

Frutuoso Gomes e Martins, cerca de 2 (duas) a 3 (três) vezes maior quando comparado

ao município de Almino Afonso, em conformidade com os níveis do Estado do Rio

Grande do Norte.

O histórico popular de elevada incidência de casos de câncer associado à

qualidade da água para consumo humano do açude de Lucrécia, que abastece os

municípios de Lucrécia, Frutuoso Gomes e Martins são relatados desde a década de

60. Neste sentido, o GSMA desenvolveu estudos no que diz respeito à análise

geoquímica e espacialização da ocorrência dos elementos maiores, menores e traço

nas águas e nos sedimentos de corrente dos principais córregos que deságuam nos

açudes de Lucrécia (Região de Estudo) e Almino Afonso (Região Controle). A

população diretamente exposta foi investigada por análise de elementos traço nas

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(65)
(66)

CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL E GEOLÓGICA

Estudos de caracterização ambiental e geológica utilizando mapas, cartas e

amostragens em campo ao redor dos açudes de Lucrécia e Almino Afonso indicaram a

não existência de fontes de irradiação ionizantes, tais como o minério urânio, além de

comprovarem que as formações rochosas da região não possibilitam a existência de

petróleo; ou seja, possível foco de contaminação orgânica das águas dos açudes.

Entretanto, a região é passível de fendas geológicas, as quais podem permitir a

migração de elementos traço para a área de drenagem da micro bacia hidrográfica que

compõe o açude de Lucrécia.

Os estudos utilizando sensoriamento remoto na região mostraram a não

existência de grandes áreas de cultivo intensivo a montante, minimizando possíveis

contaminações das águas dos açudes por agrotóxicos. Entretanto, indicaram a

diminuição de 58% da lâmina d’água do açude de Lucrécia entre os anos de 1989 a

2001 (Figura 13), possivelmente devido à construção desordenada de pequenas

barreiras a montante do açude. Esse fato, associado a invernos com pouca precipitação

pluviométrica, propiciou a diminuição da vazão, causando o não transbordamento do

açude de Lucrécia durante 17 anos consecutivos, possibilitando um processo natural de

pré-concentração de compostos inorgânicos na água do açude de Lucrécia.

O açude de Almino Afonso, localizado em outra área de drenagem, acumula

grande volume de água possibilitando o transbordamento anualmente no final do

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BAPTISTA et al. (2003) caracterizaram a vegetação por meio de sensoriamento remoto em dois períodos distintos, em 1989 e de 2001. Os resultados mostraram que a vegetação do tipo lenhosa diminuiu gradativamente no decorrer dos anos, dando espaço às áreas urbanas, vegetação não lenhosa e solo exposto (Figuras 14). Tal vegetação, trocada pela não lenhosa, pode acarretar, futuramente, o aparecimento de solo exposto e, com isso, focos de erosão, podendo, por fim, lixiviar o material erodido aos leitos de água.

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DISTRIBUIÇÃO DE ELEMENTOS TRAÇO NOS SEDIMENTOS DE CORRENTE A avaliação da distribuição dos elementos Ag, As, B, Ba, Be, Ca, Cd, Co, Cr, Cu, Fe, Hg, K, Li, Mg, Mn, Mo, Na, Nb, Ni, Pb, Pd, Sb, Sc, Se, Sn, Sr, Te, Ti, V, Y, Zn e Zr nos sedimentos de corrente da bacia dos açudes de Lucrécia e Almino Afonso possibilitam a geração das superfícies da região para cada elemento químico analisado a partir da interpolação dos valores das concentrações. As superfícies geradas não demonstram de maneira inequívoca a correlação entre metais nas diferentes drenagens, pois entre as drenagens existem elevações rochosas interrompendo a interconexão dos sedimentos de corrente. Porém para melhor visualização da variação elementar entre os pontos, as espacializações foram elaboradas para permitir essa visualização e comparação dos teores (JUNIOR, 2005).

A micro-bacia do açude de Lucrécia foi dividida em 05 (cinco) principais grupos de drenagens, com o intuito de identificar quais as que mais contribuem para o aporte de metais (Figura 15), seguindo a ordem:

Grupo 1: compreendido por 5 drenagens – pontos 1 e 2; 3, 4; 5,6 e 7;

Grupo 2: compreendido por várias pequenas drenagens que deságuam em uma principal – pontos 8, 9, 10, 11 e 12;

Grupo 3: compreendida por várias drenagens que se juntam a uma principal – pontos 13, 15 e 19;

Grupo 4: compreendida por várias pequenas drenagens e por duas drenagens principais que se unem antes do deságüe no açude – pontos 16, 17, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26 e 27;

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A partir dos dados dos teores dos elementos em cada ponto, pode-se identificar quais são os elementos provenientes das drenagens que possivelmente contribuem para um maior aporte de metais para o açude de Lucrécia. Adotou-se uma metodologia que os separa por meio de suas concentrações. Por exemplo, se um dado metal estiver presente em uma das drenagens com teores medianos a elevados em pelo menos 51%, caracteriza-se como um elemento representativo para a drenagem analisada, fazendo parte do grupo dos metais com teores significativos.

Grupo 1 – Os elementos identificados nesta drenagem, cujos teores são significativos: Cu, Cd, Y, B, Sc, Te, Cr, Zn, Na, Zr, Ni, Li, Be, Ca, Sr, Sn, Ag, V, Ba, Nb, Ti, Pb, Fe e Mn.

Grupo 2 – Os elementos identificados nesta drenagem, cujos teores são significativos: Sn e Pb.

Grupo 3 – Os elementos identificados nesta drenagem, cujos teores são significativos: Nb, Ba, V, Ag, Co, Li, Be, Cd, Ni, Zr, Na, Zn, Sb, Ti, Cr, Te, Sc, Y, B, Sn, Pb, Fe, Mn, Cu, Hg e Mo.

Grupo 4 – Os elementos identificados nesta drenagem, cujos teores são significativos: Pb, B, Y, Sc, Te, Cr, Ti, Zn, Na, Zr, Ni, Cd, Be, Li, Co, Ag, V, Ba, Nb, Sr, Fe, Mn, Hg e Cu.

Grupo 5 – Os elementos identificados nesta drenagem, cujos teores são significativos: Sn, Sb, Mg, Ag, V, Ba, Vb, Sr, Ca, Be, Li, Ni, Zr, Na, Zn, Ti, Cr, Te, Sc, B, Pb, Fe, Mn, Cu e Hg.

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DISTRIBUIÇÃO DE ELEMENTOS TRAÇO NAS ÁGUAS DOS AÇUDES

Os dados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Recursos Hídricos - SERHID mostram que as chuvas na região de Lucrécia possuem seu regime concentrado em uma única estação com cerca de 90% dos totais anuais ocorrendo em cinco meses, conforme observado no gráfico da Figura 16.

Figura 16 – Comportamento pluviométrico da região no ano de 2003. Adaptada de MONTEIRO, 2005.

Os estudos referentes ao comportamento dos níveis de elementos traço nas águas dos açudes de Lucrécia e Almino Afonso tiveram início com as coletas das amostras de água superficial em julho e dezembro de 2003 correspondendo, aos períodos de cheia e seca dos açudes respectivamente.

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Espectrômetria de Emissão Atômica por Plasma de Argônio induzido (ICP OES) e Espectrometria de Absorção Atômica (AAS).

Alguns elementos apresentam-se em concentrações acima dos recomendados pela resolução CONAMA 357/05 e portaria 518/04 do Ministério da Saúde, o que compromete a qualidade das águas dos reservatórios e influencia diretamente nos vários usos em que esse recurso é utilizado.

As concentrações de alumínio (Al) apresentaram valores médios elevadas nos dois açudes na época da seca, porém, no período da cheia, apenas o açude de Lucrécia apresentou níveis elevados. Quanto ao elemento boro (B), o estudo mostrou que os dois açudes apresentaram valores médios acima do recomendado independentemente do período da coleta. Os elementos ferro (Fe) e manganês (Mn) apresentaram concentrações elevadas apenas no açude de Lucrécia no período de seca (MONTEIRO, 2005).

Estudos estatísticos considerando todas as amostragens independentemente do período, ou seja, 24 amostras coletadas no açude de Almino Afonso e 31 coletadas no açude de Lucrécia indicaram que os açudes diferem-se significativamente em relação aos valores máximos permitidos de metais (Figura 17), sendo que o açude de Lucrécia apresenta concentrações mais elevadas dos elementos traço quando comparado ao açude de Almino Afonso.

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