• Nenhum resultado encontrado

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.28 número1

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. Bras. Psiquiatr. vol.28 número1"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

Rev Bras Psiquiatr. 2006;28(1):86-7 87 Livros

Psicofarmacologia da criança - Um guia

para crianças, pais e profissionais

Mercadante MT, Scahill L. Psicofarmacologia da criança - Um guia para crianças, pais e profissionais. São Paulo: Memnon Edições Científicas, 2005.

Nos últimos anos, os estudos brasileiros sobre saúde mental e transtornos psiquiátricos na infância têm aumentado. Um estu-do epidemiológico recente identificou a prevalência geral de transtornos psiquiátricos de 12,5%. Os transtornos de conduta foram os mais prevalentes, com estimativas em torno dos 7%, seguidos pelos transtornos emocionais (predominantemente trans-tornos ansiosos), com índices de aproximadamente 6%. O gru-po de transtornos hipercinéticos estava presente em 1,5% da amostra total. No Brasil, considerando estes dados e extrapolando para a população total de jovens entre 7 e 14 anos no país, 3,4 milhões de indivíduos têm um ou mais transtornos psiquiátricos, incluindo 1,9 milhões com transtornos de conduta e 1,6 mi-lhões com transtornos ansiosos. Estas taxas talvez sejam conser-vadoras, uma vez que crianças de rua e não registradas na es-cola, provavelmente as mais expostas a fatores de risco, não foram incluídas neste estudo por razões metodológicas. A pro-porção de meninos (13,1%) com pelo menos um diagnóstico psiquiátrico foi maior do que a de meninas (10,2%). A prevalência entre os diferentes grupos socioeconômicos pesquisados foi de 13,7% para as crianças que habitavam regiões urbanas mais pobres, 11,4% para as de áreas rurais pobres e 5,9% para as de classe média urbana.

Dados como os apresentados acima indicam a eminente ne-cessidade de informação acessível a pais, familiares e professo-res, para que possam saber identificar e encaminhar crianças que necessitem de ajuda. Os problemas de saúde mental na infância são de grande importância, pois afetam não só a famí-lia, mas toda a sociedade. Além de causarem sofrimento imediato, estes problemas podem agravar o consumo de drogas e álcool e levar ao abandono escolar. Consequentemente, levam ainda à dificuldade de encontrar empregos, à prática de atos criminosos e vida nas ruas e ao aumento do risco de suicídio. Na vida adulta, as conseqüências podem ser a desestruturação familiar, problemas psiquiátricos e dificuldades para criar filhos em gera-ções subsequentes. A prevenção e intervenção precoce podem reduzir os sofrimentos e os custos em longo prazo.

Os custos gerados pelos transtornos psiquiátricos na infância têm contribuído para o aumento do interesse em aprimorar a identificação e o tratamento precoce dos mesmos. Há estudos, por exemplo, investigando o custo cumulativo para os cofres pú-blicos de adultos que tiveram transtorno de conduta na infância, comparado a adultos com outros problemas. Um estudo realizado na Inglaterra concluiu que a presença de transtorno de conduta na infância que acomete cerca de 7% dos jovens brasileiros -eleva significativamente o custo de serviços públicos.

Tendo em vista este cenário, já há no Brasil livros que discor-rem sobre quadro clínico, tratamento e dados relevantes de pes-quisa para auxiliar familiares e professores de crianças com trans-tornos psiquiátricos. Entretanto, ainda há lacunas como, por exemplo, a falta de informação objetiva, resumida e acessível sobre os tratamentos medicamentosos. "Psicofarmacologia da criança - Um guia para crianças, pais e professores" vem não apenas completar esta lacuna, mas também favorece a desmistificação do tema com informações como as contidas no

capítulo 2 ("Pequeno dicionário para entender este livro"). O re-sumo com as características de cada um dos principais transtor-nos auxilia na compreensão da indicação do tratamento.

A partir da leitura deste livro, conseguimos ter uma visão clara e resumida dos principais tratamentos para os transtornos psiquiátri-cos na infância. As ilustrações são simpáticas e diminuem a ari-dez do tema. As tabelas sobre interação medicamentosa são úteis para os leigos, mas também para o trabalho interdisciplinar dos pediatras, psicólogos, fonaudiologistas e psiquiatras.

É claro que novas iniciativas ainda são necessárias, como materiais mais específicos e aprofundados sobre cada um dos transtornos, abordando as outras formas de tratamento, que não o medicamentoso, e fornecendo informações de como lidar me-lhor com estas crianças que apresentam dificuldades. Também necessitamos de informações que enfoquem planejamento e implantação de programas de tratamento e campanhas preventi-vas na área de saúde mental infantil. Que a iniciativa dos Drs. Marcos Tomanik Mercadante e Lawrence Scahill seja um estí-mulo para novas publicações que tornem as informações sobre os transtornos psiquiátricos da infância e seus tratamentos cada vez mais acessíveis.

Bacy Fleitlich-Bilyk

Projeto de Atendimento, Ensino e Pesquisa em Transtornos Alimentares na Infância e Adolescência (PROTAD), Ambulatório de Transtornos Alimentares (AMBULIM), Instituto de Psiquiatria, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo (SP), Brasil

Referências

Documentos relacionados

In response to these capacity issues, in 2003 the World Psychiatric Association (WPA) Presidential Program on Child Mental Health was created to identify action steps that could

In this paper we describe the process used to develop treatment manuals for internalizing and externalizing disorders in children and adolescents. These manuals were developed to

The World Psychiatric Association (WPA) Presidential Glo- bal Programme on Child Mental Health is the first international collaboration to develop and disseminate

This site is embedded within Alexandria University and its Child Mental Health Clinic. This Clinic is dedicated to training of local pediatricians and psychiatrists, who go on to

Here we report discrepant results found when we looked for the behavioral effects of microinjections of different doses of muscimol, a GABA A re- ceptor agonist, into the DPAG of

1 O grande marco na história do lítio ocorreu em 1954, quando o pesquisador dinamarquês Mogens Schou e colegas publicaram seu primeiro estudo duplo-cego do lítio na mania, iniciando

2 O uso do lítio no transtorno bipolar (TB) causou uma revolução na psicofarmacologia, pois forçou os psiquiatras a pensarem em termos de diagnóstico, pois a uti- lidade do lítio

Neste caso, optou-se por não suspender a medicação devido ao grande período de estabilização da esquizofrenia de difícil controle e por estas alterações hematológicas terem