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Rev. Bras. Psiquiatr. vol.24 número4

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Academic year: 2018

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Rev Bras Psiquiatr 2002;24(4):202

O artigo de Pechansky, Hirakata e Metzger “Adaptação e validação de um questionário sobre comportamentos de risco para AIDS em usuários de droga em Porto Alegre”, publicado neste periódico, merece elogios pelo seu rigor metodológico e o estímulo para o desenvolvimento de uma discussão impor-tante nesta área. Qual a melhor opção: desenvolver questioná-rios nacionais que respeitem mais a cultura e as características dos usuários de drogas de nosso país (e com isto perder a “comparabilidade” internacional) ou traduzir e validar questio-nários internacionais?

Por que os autores decidiram traduzir e validar o questioná-rio discutido no artigo em questão? Apresenta-se a justificati-va da ausência de similares em nosso país. Todavia, alguns estudos já utilizaram questionários para avaliar comportamen-tos de risco para HIV/AIDS em usuários de drogas injetáveis de nosso meio.1,2 Eles poderiam ser utilizados em nossas

pes-quisas. O primeiro questionário é resultado de um esforço in-ternacional, iniciado em 1989, para uniformizar as metodolo-gias visando comparabilidade entre estudos realizados em di-ferentes países. Esta iniciativa foi gerenciada pela Organiza-ção Mundial da Saúde (OMS), que desenvolveu um estudo multicêntrico em 13 cidades (duas no Brasil: Rio de Janeiro e Santos).3 Apesar de extenso (185 perguntas), já existe uma

experiência nacional com esse instrumento. O uso de questio-nários mais breves traz em si a facilidade e a economia de tem-po, mas pode diminuir a confiabilidade do relato.4

O segundo estudo,2 citado no artigo em questão, também

senvolveu um questionário para tal fim. É um questionário

de-senvolvido empiricamente, metodologicamente rigoroso e que, embora ainda sem a validação e avaliação de confiabilidade, tem o mérito de ter sido elaborado respeitando as particularidades e características do usuário de drogas de nosso país.

Há ainda uma outra discussão possível em relação à valida-ção de questionários para avaliavalida-ção de comportamentos de ris-co para HIV. Será que há a necessidade de validação? Estes questionários avaliam se determinado indivíduo apresenta ou não um determinado comportamento como, por exemplo, usar ou não preservativo e a freqüência desse comportamento (nun-ca, às vezes, sempre, etc). As entrevistas, como ressaltam Dunn & Laranjeira, não são usadas para se fazer diagnóstico nem medir um conceito, e, sendo assim, questiona-se a necessidade da validação.2

Talvez mais importante que a validação seja a testagem da confiabilidade do relato do usuário. A falta da avaliação quan-to à confiabilidade teste-reteste no artigo em questão impõe uma limitação importante ao estudo. A avaliação da confiabi-lidade do relato é considerada fundamental nesta área de pes-quisa, visando dar subsídios para a discussão com diversos pesquisadores/estudiosos da área, que põem em dúvida a confiabilidade das informações, inclusive quanto ao status sorológico, obtidas em relatos de usuários de álcool e drogas.5

André Malbergier

Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

carta aos editores

Qual a melhor opção: desenvolver questionários

nacionais ou traduzir e validar questionários

internacionais?

Referências

1. de Carvalho HB, Mesquita F, Massad E, Bueno RC, Lopes GT, Ruiz MA et al. HIV and infections of similar transmission patterns in a drug injectors community of Santos, Brazil. J Acquir Immune Defic Synd Hum Retrovirol 1996;12:84-92.

2. Dunn J, Laranjeira RR. Desenvolvimento de entrevista estruturada para avaliar consumo de cocaína e comportamentos de risco. Rev Bras Psiquiatr 2000;22(1):11-6.

3. World Health Organization (WHO). WHO collaborative study group on drug abuse: an international compartaive study of HIV prevalence and risk behavior among drug injectors in 13 cities. Bull Narc 1993;45:19-46. 4. Hunter GM, Stimson GV, Judd A, Jones S, Hickman M. Measuring injecting risk behaviour in the second decade of harm reduction: a survey of injecting drug users in England. Addict 2000;95(9):1351-61. 5. Lindan CP, Avins AL, Woods WJ, Hudes ES, Clark W, Hulley SB. Levls

Referências

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