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Rev. adm. empres. vol.21 número4

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Academic year: 2018

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Gnaccarini, José César. Latifún -dio e proletariado - formação da empresa e relações de traba-lho

no

Brasil rural . Tese apre-sentada em 1966

à

cadeira de Sociologia I, da Faculdade de Filosofia , Ciências

e

Letras da

USP.

Neste trabalho, o autor tem como preocupação fundamental analisar as transformações qualitativas na estru-tura econômico-socia l da sociedade escravocrata, que resultaram na intro-dução do "trabalho livre assalariado" na economia brasileira.

Para tanto, ele identifica dois pe-ríodos, considerados qualitativamen-te diferenqualitativamen-tes. O primeiro inicia-se com a vinda da família real, até os primeiros anos do li Reinado, com a política de modernização urbana, a nova política financeira do Império, a implantação das vias férreas e o começo da imigração européia; o se-gundo, que se inicia nas últimas dé ca-das do século XI X, é marcado pela recomposição da ati vidade estatal , por mudanças nas relações de produ-ção e reordenaprodu-ção das relações com o exterior.

-No início de sua an ál ise, Gnaccari-ni levant a duas questões:

1. Por que motivos a classe dos senhores de escravos cindi u-se co m relação à questão da escravi dão, uma fração se ndo f avo rável e out ra con-trária à aboli ção ?

2. Quais os interesses que estavam exigindo a expansão do regi me assala-ri ado, preservando, contudo, fo rmas " arcaicas" de produção ?

Apes ar de o trabalho assalari ado ter-se desenvolvido na at ivida de de mineração, em meados do sécu lo XVIII, o primeiro grande momento do processo de transformação na es-tr utura sócio-econômica ocorre em seguida à muda nça da corte portu-guesa para o Brasi l, em 1808, por for-ça de uma t ransferência maciça de capitais. O fato, porém, de neste pe-ríodo (fins do século XV II I e in ício do século XI X) as cidades estarem deixando de ser me ras extensões do dom í n i o r ur ai patri mon i alist a

escra-Revista de Administração d e Empresas

vista não alterou drasticamente as bases desse tipo de civilização.

A "grande imigração" de 1880, planejada por um grupo de fazendei· ros paulistas, com o respaldo do go-verno imperial e ーイゥョ」ゥーセャュ・ョエ・@ do governo de São Paulo, marca uma nova era para a sociedade brasileira, alerando o ritmo de abertura da nova 'frente pioneira da cafeicultura. Com a expansão do sistema de crédito e a implantação da ferrovia, os grandes proprietários tinham nas mãos os ins-trumentos que permitiriam o acesso a te rras de alta fertilidade.

Segundo o autor, o surgi menta da nova oi igarqui a cafeeira do "oeste" paulista só pode ser compreendido dentro de um amplo quadro de trans-formações históricas envolvendo toda a economia mundial.

Se por um lado, diz ele, essa " bur -guesia cafeei r a" representa uma nova era para o Brasil, por outro a sua atuação histórica manteve o desen-volvimento das "forças produtivas" sob o mai s completo domínio exter-no, resultando na manutenção de re-lações sociais conflitantes.

Para o autor , esse processo é de-corrente da especifici dade hi stórica do desenvolvimen to capi ta lista bras i-leiro, que contou com a importação de mão-de -o bra assal ariada de pa íses em estágios mais avançados de ind us-trialização. Poré m, o que esses não podiam exportar eram as " correspon-dentes forças produtivas" .

A solução encont rada pe los gran-des proprietários foi o col onato, que consistia numa com binação de parce-ria co m o エイ 。「 。セィッ@ assalariado. Essa modalidade de colonato cri ava um mercado pa ra a força de trabal ho, ajustado às exigências de reprodução do capital na cafeicultura.

Quando analisa a questão da dife· renciação do prol etariado rural, Gnacca rini se interessa sobretudo em mostrar os efeitos que essa combina-ção de rel ações novas e "arcaicas" teve sobre a "composição e di feren-ciação da população e sobre a polari -. zação dos comporta ment os e a for-mação de consciência soci al, no meio rural" .

Ele explora det idament e alguns trabalhos emp íricos sobre a parceria no Brasil , ·tenta ndo mostrar que a estrutura interna específica dos par-ceiros e m cada caso estudado é f un-damental para explicar o caráte r diferenci ado que as reações coletivas assumem em cada grupo, quando

sentem sua estabilidade interna amea-çada.

Enfim, Gnaccariní mostra o cará-ter híbrido e complexo das relações sociais e econômicas prevalescentes. Apesar de este estudo ter sido apresentado em 1966, vindo a públ i· co somente 14 anos depois, não per-deu o seu mérito. É relevante neste trabalho a maneira como o autor ana-lisa a agricultura brasileira, tentando apresentar suas características, inse-rindo-as no contexto mais amplo da formação histórica do Brasil.

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