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Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.26 número3

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RBGO - v. 26, nº3, 2004

Editorial

ATO MÉDICO / CASAS DE PARTO

A profissão de médico, misto de carreira técnica, arte e atividade científica, existe des-de tempos imemoriais. Nunca houve polêmica sobre a atividades-de específica dos médicos, pois sempre foi evidente a ação e a sua importância social e primordial na área da saúde.

Há no Brasil, hoje, mais de 280 mil médicos. É carreira concorrida haja vista a enorme procura nos exames vestibulares, com grande relação candidato/vaga. Disso sabedores, os oportunistas sempre presentes procuram criar novas Escolas Médicas malgrado a saturação existente destes estabelecimentos no Brasil.

A formação do médico é longa e exige considerável soma de sacrifício, abnegação e dedicação integral. Diremos que, no mínimo, são necessários 10 ou mais anos para que o médico inicie, com autonomia, suas atividades profissionais. O constante aprimoramento é

efetivado por toda a vida. Já foi dito com muita propriedade que “médicos nunca se formam”.

Logicamente escolas específicas deverão existir para adequada formação desses profissio-nais. Somente, e unicamente, os egressos destes estabelecimentos, reconhecidos e gabaritados, poderão legalmente exercer a Medicina.

Igualmente, normas deverão existir para regulamentar as atividades ligadas à saúde. A sociedade exige atendimento de qualidade e excelência, não podendo ser enganada na assis-tência que lhe é devida por profissionais inabilitados e aventureiros.

Com a subdivisão de atribuições e o surgimento de inúmeras profissões, surgem outros profissionais que desejam realizar atividades que sempre e de direito foram atribuições dos médicos.

Várias são as profissões que atuam na área da saúde. Há profissionais que elaboram diagnósticos ditos fisiológicos estudando o adequado funcionamento de determinadas estru-turas ou funções somáticas. Há os que elaboram os diagnósticos ditos psicológicos estudando traços da personalidade ou características de conduta. Há também os profissionais da Enfer-magem, que atuam em íntima participação e coadjuvância nas atividades médicas.

As atividades de diagnóstico poderão ser compartilhadas com algumas outras profissões

da área da saúde. Quando, porém, surgirem desvios de função, cabe exclusivamente aos

médicos o diagnóstico da origem dos desvios e a recomendação da terapêutica adequada.

Por que dissemos exclusivamente aos médicos? Porque somente eles são aptos, tecni-camente capacitados e legalmente habilitados para atuarem como agentes específicos para estes casos. É profissão aliando técnica e humanismo, lidando com a doença e o sofrimento físico e psíquico dos semelhantes.

Como definir o médico? É ele o profissional habilitado a “Diagnosticar e Tratar

ade-quadamente os doentes que lhe são confiados. Nenhuma outra profissão, ou atividade, poderá reivindicar tais atributos.

O projeto do “Ato Médico” não subordina nenhuma outra profissão aos médicos nem retira de nenhuma outra categoria profissional as prerrogativas de que são possuidoras. O projeto 25/2002 não abole direitos adquiridos, não é arrogante e não é prepotente em relação aos demais membros da equipe de saúde. Ninguém trabalha pela saúde da população

isolada-mente, mas a presença do médico é indispensável. O médico jamais poderá prescindir da

colaboração dos integrantes da “Equipe de Saúde”. Sem o trabalho coletivo não poderá o médico

exercer boa Medicina. O que diríamos de chefe do governo que não delegasse aos seus minis-tros atuações específicas nas diversas áreas de atuação? Evidentemente os serviços serão monitorados e controlados pelo chefe do governo.

Referências

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