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Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.26 número3

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RBGO - v. 26, nº 3, 2004

Análise Multivariada dos Métodos de Avaliação Antenatal na Predição da

Morbidade Neonatal

Seizo Miyadahira, Rossana Pulcineli Vieira Francisco, Roseli Mieko Yamamoto Nomura, Kathia Sakamoto, Eduardo Hideki Miyadahira.

Co-Autores: Sakamoto K; Miyadahira EH.

Clínica Obstétrica do HC-FMUSP - Serviço do Prof. Dr. Marcelo Zugaib

Introdução: a propedêutica obstétrica contemporânea atingiu níveis altamente sofisticados,

consentâneos com as expectativas da clientela moderna, muito diferente de um passado recen-te. Nada a obstar a eficácia na consecução de diagnósticos, aumentou demasiadamente o cus-to per capita do atendimencus-to pré-natal, causado, muitas vezes, pelo uso inadequado de exa-mes. Essa postura, inadvertida e mal equacionada tem suas origens na pretensa intenção do obstetra ‘inserir-se na modernidade’ à busca de atender as angústias da grávida. Certamente, as inseguranças geradas pela disposição de um grande rol de testes têm a sua nascente na falha da mídia científica e dos centros de pesquisa para os quais recaem toda a responsabilida-de responsabilida-de difundir, com muita clareza e objetividaresponsabilida-de, a responsabilida-destinação precisa responsabilida-de cada exame.

Objetivos: submeter os testes de avaliação antenatal (fetal e placentária) à análise

simul-tânea quanto à predição dos indicadores da morbidade neonatal.

Metodologia: para este estudo, foram selecioandas 1387 gestantes. Todas eram portadores

de doenças de base ou apresentavam intercorrências mórbidas as quais foram classificadas em alto risco (728 casos) e baixo risco (659 casos) para a gênese da insuficiência placentária. Os exames considerados foram: classificação das doenças (CPATOL), Doppler umbilical (AU), Doppler da artéria cerebral média (ACM), Doppler do ducto venoso (DV), cardiotocografia (CTG) e perfil biofísico fetal (PBF). Os parâmetros indicadores da morbidade neonatal foram: prematuridade, recém nascido pequeno para a idade gestacional (RN PIG), Apgar e 1 e 5 minutos <7 e acidemia (pH<7,20 no nascimento). O estudo estatístico foi realizado por meio da análise multivariada, utilizando-se a Regressão Logística. Cada parâmetro pós-natal foi analisado isoladamente.

Resultados: para a prematuridade demonstraram melhor predição: o Doppler AU alterado (OR

4,787 - IC 2,43; 9,44); Doppler AU com diástole zero ou reversa (DZ/DR) (OR 6,890 - IC 3,23; 15,75); a CTG alterada (OR 17,42 - IC 2,20; 24,51) e a CTG suspeita (OR2,92 -IC 1,49; 5,73). Para o RN PIG: CPATOL (OR 2,253 - IC 1,166; 4,353); DOPPLER AU alterada (OR 3,675 - IC 2,019; 6,685); Doppler AU com DZ/DR (OR 8,015 - IC 3,901; 16,472). Para o Apgar de 1 minuto <7: Doppler com DZ/DR (OR 9,072 - IC 4,28; 19,22); CTG alterado (OR 4,042 - IC 1,80; 9,05). Para o Apgar de 5 minutos <7: Doppler AU com DZ/DR (OR 8,54 - IC 2,21; 33,06); Doppler DV (OR 5,11 - IC 1,50; 17,37); PBF alterado (OR 3,89 - IC 1,36; 11,12). Finalmente, para a predição da acidemia apenas o Doppler AU alterado (OR 3,62 - IC 1,72; 7,59).

Conclusões: a dopplervelocimetria umbilical figura como o mais importante método de

predi-ção da morbidade neonatal, pois foi selecionada entre os melhores em todos os parâmetros neonatais analisados. A dopplervelocimetria da ACM, ao revés, não figurou para a predição de nenhuma morbidade. A dopplervelocimetria do DV e o PBF surgiram como bons métodos apenas para a predição de Apgar de 5 minutos <7, uma alteração tardia. Para a predição da acidemia, a dopplervelocimetria AU foi a única selecionada. A classificação da doença foi importante para a predição do RN PIG.

PALAVRAS-CHAVE: Diagnóstico pré-natal. Complicações da gravidez. Cardiotocografia.

Dopplerfluxometria.

Multivariate Analysis of Prenatal Evaluation Methods in the Prediction of Neonatal Morbidity

MELHOR PÔSTER – OBSTETRÍCIA

Resumos dos Trabalhos Premiados no 50º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

26 (3): 254, 2004

Referências

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