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Turma e Ano: Práxis – Como opor uma exceção de pré-executividade (2016) Matéria/Data: Exceção de Pré-Executividade (março/2016)
Professor: Thales Belchior Monitora: Márcia Beatriz
Aula 01
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE Introdução
Ao contrário da maioria das peças processuais, oposição da exceção de pré-executividade não possui um embasamento legal no Código de Processo Civil tampouco em lei específica.
Esta foi uma peça de criação doutrinária (Pontes de Miranda) haja vista a necessidade de uma defesa processual na qual poderia ser discutida a nulidade do título executivo pela ausência dos seus requisitos legais, sem que fosse preciso apresentar uma garantia à execução proposta – esta é a principal característica desta peça processual.
Os títulos executivos podem ser de duas espécies: judiciais e extrajudiciais. Aqueles são títulos formados com a participação do Poder Judiciário, ao passo que os extrajudiciais, são títulos particulares que, apesar de não derivarem de decisão judicial, detêm força executiva por expressa determinação legal. Desta feita, em virtude da força executiva de que são dotados, tais títulos dispensam a propositura de ação de conhecimento anterior que ateste sua certeza e liquidez – seu titular pode executá-lo diretamente.
Regra geral, diante de uma execução de título executivo judicial, a parte executada que discorda do pleito apresenta uma impugnação a ele – é sua principal forma de defesa. Por outro lado, se se tratar de título executivo extrajudicial, duas soluções se apresentam: embargos do devedor, se a execução se basear em um título comum e embargos à execução fiscal (Lei n. 6.830/80) se decorrer de um título tributário (certidão de dívida ativa).
No rito do antigo Código Processual (CPC/73), as três formas de defesa processual em execução exigiam a prestação de garantia pelo executado que desejasse questionar a legalidade do título – ex.: carta de fiança bancária, penhora, depósito integral da quantia pleiteada, etc.
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No entanto, havia casos em que o título executivo que lastreava a execução era manifestamente inexigível e a obrigatoriedade de prestação de garantia para possibilitar o questionamento da dívida demonstrava ser um injusto ônus à parte contrária.
Neste contexto surge então a exceção de pré-executividade (EPE) – peça processual específica para discutir matérias de conhecimento de ofício, para se arguir a nulidade incontestável do título que por ser extremamente aparente, não demande dilação probatória.
Assim, são arguíveis em EPE toda e qualquer matéria que macule a certeza, liquidez ou exigibilidade do título executado – ex.: prescrição, decadência, legitimidade ativa e passiva, competência do juízo, pagamento prévio, litispendência, coisa julgada, violação a ampla defesa etc.
Diante de provas e exames, o candidato saberá que deverá opor uma exceção de pré-executividade se o enunciado da questão trouxer a informação de que não houve prestação de garantia naquele caso hipotético.
Todavia, se naquele fato fictício for indispensável a discussão do mérito por questões de Direito, como por exemplo, a declaração de inconstitucionalidade do tributo, ou qualquer outro fundamento que não seja de conhecimento de ofício pelo juiz, o candidato deverá fazer o uso de uma das três vias de defesa comum (impugnação, embargos do devedor ou embargos à execução).
Minuta Mínima de Exceção de Pré-Executividade
1- Endereçamento da peça: deve-se utilizar o seguinte padrão:
EXMO SR. DR. JUIZ FEDERAL DA ___ª VARA FEDERAL DE EXECUÇÃO FISCAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE ___
ou
EXMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE ___
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2- Preâmbulo:
Como esta peça processual não possui uma tipificação própria no ordenamento jurídico, a base legal da oposição de exceção de pré-executividade encontra-se no direito geral de petição (art. 5º, XXXIV, a da CF/88).
Ref.: Processo nº ___
EMPRESA X, pessoa jurídica de direito privado com sede na ___, nº ___, Município, Cidade, Estado, CEP ___ e inscrita no CNPJ/MF sob nº ___ (doc. 01), doravante denominada apenas “Excipiente”, vem, respeitosamente, à presença de V. Exa., por seus advogados que a presente subscrevem (doc. 02), com fundamento no artigo 5°, incisos XXXIV, alínea “a” e LV da Constituição Federal de 1988 (e na Sumula nº 393 do Superior Tribunal de Justiça)1 opor a presente
E X C E Ç Ã O D E P R É – E X E C U T I V I D A D E
nos autos da [Execução Fiscal] / [Execução] em referência, ajuizada pelo NOME DA EXEQUENTE, uma vez que [Fundamentar brevemente as razões de nulidade do título executivo], de modo que os títulos executivos que fundamentam a presente pretensão executiva não preenchem os requisitos do artigo 586 do Código de Processo Civil (CPC), pelas razões adiante demonstradas.
3- Preliminar de Cabimento:
Antes de adentrar no mérito da discussão é necessário que a parte comprove que seu direito de petição encontra-se numa das hipóteses de cabimento da EPE (matérias versando sobre a nulidade do título ou que não demandem dilação probatória) – deve-se evidenciar que não se trata de matérias de Direito.
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1. DO CABIMENTO DA EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE
Preliminarmente, é imperioso destacar o pleno cabimento da presente Exceção de Pré-Executividade, eis que a doutrina e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em especial após a edição da Súmula STJ nº 393, estão pacificadas no sentido de a mesma ser admissível nos casos de nítida nulidade do título executivo, verificáveis de plano, sem a necessidade de dilação probatória, exatamente como sucede in casu.
Vale mencionar a lição de Pontes de Miranda no tocante à Exceção de Pré-Executividade, segundo a qual a parte executada não pode ser compelida a sofrer uma violenta constrição patrimonial para que possa opor-se a título que, por não preencher os requisitos necessários, não é executivo:
“Todavia, condicionou-se esta modalidade de resposta à segurança do
juízo, sem que o executado possua outros meios de demonstrar vícios e irregularidades do título ou da relação processual, contestáveis ou até declaráveis de ofício pelo Juiz. Vale dizer, deverá o executado submeter seu patrimônio à penhora para apontar vícios que irão extinguir por completo a relação executória. Pior, acaso inexistente patrimônio suficiente ao indigitado executado, não teria acesso ao judiciário, condicionado à segurança do juízo que está o exercício da ação incidental.
O direito não pode conduzir a situações desarrazoadas ou ilógicas, ao contrário, deve pautar-se por coerência, bom senso e sentimento de justiça.
A penhora ou depósito somente é de exigir-se para a oposição de embargos do executado; não para a oposição de exceções e de preliminares concernentes à falta de eficácia do título executivo ou da sentença.” (MIRANDA, “Dez Anos de Pareceres”, vol. 4, p. 139, n° 95)
Nesse sentido, é de se mencionar o seguinte posicionamento do STJ, especificamente acerca da viabilidade de apresentação de Exceção de Pré-Executividade como forma de defesa do executado, sempre que desnecessária dilação probatória:
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE (OBJEÇÃO DE NÃO EXECUTIVIDADE). PAGAMENTO. SUPERVENIENTE AUSÊNCIA DE CONDIÇÃO DA AÇÃO EXECUTIVA. INTERESSE DE AGIR. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS APTOS A INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. A exceção de pré-executividade (objeção de não executividade) é cabível em qualquer tempo e grau de jurisdição, quando a matéria nela invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz e a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. Precedentes da Primeira e Segunda Seções.
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2. Admite-se a exceção de pré-executividade (objeção de não executividade) nas hipóteses em que é apresentada para alegar fato que caracteriza superveniente ausência de condição da ação executiva, como o interesse de agir. Nessas hipóteses, não se rediscute questão preclusa pela imutabilidade da coisa julgada material, mas se examina matéria de ordem pública.
3. Se o agravante não traz argumentos aptos a infirmar os fundamentos da decisão agravada, deve-se negar provimento ao agravo regimental. Precedente.
4. Agravo regimental a que se nega provimento (Agravo
Regimental no Agravo em Recurso Especial nº 647.896/SP, Ministro Relator Marco Aurélio Belizze, 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, DJ 17.08.2015)
Logo, a Exceção de Pré-Executividade em tela é instrumento hábil para demonstrar a nulidade da do título executivo que fundamenta a presente pretensão do [Nome da Exequente], na medida em que [Fundamentar brevemente o mérito], o que, consequentemente, acarreta a extinção da presente Execução.
4- Dos Fatos:
Demonstrado o cabimento da EPE, passe-se à breve descrição fática do caso, narrando a origem do débito bem como o histórico da execução.
2. DO BREVE CENÁRIO FÁTICO DA PRETENSÃO EXECUTIVA
Antes de adentrar ao mérito da presente Exceção de Pré Executividade, cabe à Excipiente delimitar os contornos do crédito ora exequendo, sobretudo esclarecendo o histórico do assunto, de modo que V. Exa. possa facilmente visualizar a total improcedência da pretensão executiva da Excepta.
Cumpre destacar, desde já, que a presente cobrança teve origem na [Descrever a origem do débito, bem como o histórico processual do Processo]
No entanto, a pretensão executiva da Excepta é manifestamente improcedente, visto que os supostos débitos [fundamentar brevemente o mérito], o que evidencia a patente nulidade dos títulos executivos, na forma dos artigos 586 c/c 618, I, do CPC, conforme será pormenorizadamente evidenciado adiante.
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5- Do Mérito:
Passo seguinte, devem ser expostas as razões que fundamentam a ilegalidade da execução daquele título executivo.
3. DA NULIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL – [FUNDAMENTO]
De plano, é imperioso ressaltar que a constatação da completa improcedência da presente pretensão executiva demanda grandes ilações por parte da Excipiente, independentemente do prisma pelo qual se observe a presente demanda.
[Fundamentar o mérito da nulidade do título Executivo]
Com efeito, é patente a nulidade da presente Execução, na forma dos artigos 586 c/c 618, inciso I, ambos do Código de Processo Civil, na medida em que a execução não se funda em título de obrigação certa, líquida e exigível, veja-se:
“Art. 586. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível.”
“Art. 618. É nula a execução:
I - se o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível (art. 586);”
Por todo o exposto, é de rigor a extinção da presente ação executiva, por força da nulidade dos títulos executivos, na forma dos artigos 586 c/c 618, I, do CPC.
6- Do Pedido:
Apesar de a exceção de pré-executividade não deter poderes para suspender a execução, é interessante que se faça esse pedido preliminar, já que tal consequência decorre da lógica desta peça processual.
Diante do exposto, a Excipiente requer a V. Exa. que:
(i) determine, liminarmente, nos termos do artigo 798 do CPC, o cancelamento de quaisquer atos de penhora ou constrição do patrimônio da Excepta, determinando, inclusive, o recolhimento de Mandado de Penhora e Avaliação porventura expedido;
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(ii) determine a intimação da Excepta para, querendo, se manifestar sobre a presente Exceção de Pré-Executividade; e
(iii) ao final, julgue procedente a presente Exceção para julgar extinta a Execução a teor dos artigos 586 c/c 618, inciso I, do CPC, ante o [fundamentar brevemente a nulidade do título executivo].
Por derradeiro, a Embargante informa para os fins do artigo 39 do CPC que poderá receber intimações no endereço profissional dos patronos, localizado na Logradouro, nº ___, Bairro, Cidade, Estado, CEP ___, e requer, ainda, que todas as intimações pertinentes ao presente feito sejam exclusivamente realizadas em nome do advogado ___, OAB/___ n° ___, sob pena de nulidade, a teor do disposto no artigo 236, § 1º do CPC.
7- Fechamento: Termos em que, Pede deferimento. Município, ___ de ___de ___. Advogado OAB/___ nº ___ Observações Finais
Uma vez oposta a EPE, o juiz ordena a citação da outra parte e decide o mérito da discussão.
Por ser uma petição intercorrente, a EPE fará coisa julgada apenas nos casos em que a sentença for procedente ou ainda quando improcedente e decida o mérito – nas demais hipóteses, a parte pode tentar uma das três vias ordinárias de defesa contra a execução.
Contra a sentença que dá provimento à EPE (decisão terminativa) é cabível a interposição de apelação, visto que a execução fiscal foi extinta. Se a sentença for de improcedência é cabível agravo de instrumento.