Qualifique, justificando, os seguintes tributos:
a) Encargo de mais-valia devido pelo aumento de valor de prédios rústicos com virtude da realização de obras públicas de construção de infra-estruturas.
b) Emolumentos pagos em sede de registos de notariado.
c) Tributo devido pela aquisição gratuita de um automóvel de luxo.
GRUPO II (7,5 val.)
Das seguintes frases, identifique as que considera verdadeiras e comente apenas essas:
a) A delimitação do pressuposto de facto ou facto gerador de imposto compete essencialmente à Administração, porque faz parte do segundo momento da vida do imposto.
b) A substituição tributária, tal como está regulada na LGT, abrange tanto cobrança por retenção na fonte como os pagamentos por conta de imposto efectuado por terceiro.
c) A participação dos particulares no segundo momento da vida do imposto (aplicação, efectivação, administração ou gestão) é cada vez mais importante.
d) O IRS pode ser considerado um imposto tendencialmente único, nomeadamente devido à tributação de alguns rendimentos por taxas liberatórias.
e) Na substituição tributária, o subsídio fica sempre desonerado de responsabilidade em relação ao pagamento do imposto.
f) A existência de diversas categorias no IRS põe em causa a unicidade da tributação do rendimento pessoal.
GRUPO III (8,0 val.)
Imagine que, em virtude da grave crise económica que atravessamos, o novo Governo, depois de ser empossado, publica o Decreto-Lei n.º ϰ/2011, no qual decide acabar com as diversas categorias do IRS, estabelecendo uma taxa única de 45%.
Em face da seguinte situação, pergunta-se:
a) Obedecerá a publicação desse Decreto-Lei aos trâmites jurídico-constitucionais previstos, em termos procedimentais e formais, para a regulação dos impostos?
b) Violará o novo regime algum princípio jurídico-constitucional material? Qual? Por que razões?
DIREITO FISCAL • 1.ª TURMA
Doutor José Casalta Nabais Exame Final – 2.ª Fase (2011)
GRUPO I (5,0 val.)
Qualifique, justificando, as seguintes figuras tributárias:
a) Taxas por infra-estruturas urbanísticas.
b) Portagens de auto-estradas.
c) Taxas liberatórias.
GRUPO II (7,5 val.)
Das seguintes frases, identifique as que considera verdadeiras e comente apenas essas:
a) Tanto a criação dos impostos como a modificação da sua incidência, da taxa e dos benefícios fiscais necessitam de intervenção legislativa da Assembleia da República.
b) Do ponto de vista substancial ou material, o Direito Fiscal autonomiza-se do Direito Administrativo, designadamente em face do propósito garantístico do primeiro em contraposição à origem autoritária do segundo.
c) A Constituição da República Portuguesa apenas proíbe expressamente a chamada retroactividade autêntica.
d) No regime-regra da responsabilidade tributária, o credor do imposto pode exigir o cumprimento integral da dívida tributária tanto ao devedor como ao(s) responsável(eis).
e) A liquidação e a cobrança dos impostos estão sujeitos ao princípio da reserva de lei formal.
f) A auto-liquidação pode ser concebida como um acto tributário, apesar de ser o próprio contribuinte a determinar o montante de imposto em dívida e a pagá-la voluntariamente.
GRUPO III (7,5 val.)
André e Bernardo foram agentes da sociedade “Gessos Ortopédicos, Lda”, com sede em Lisboa, de 1 de Janeiro de 2009 a 31 de Dezembro de 2010. Durante esse período, a gerência foi exercida de modo irresponsável e negligente, provocando um sério desfalque no património da sociedade, para além de não terem sido cumpridas quaisquer obrigações fiscais (v.g. não foram entregues à Fazenda Pública as importâncias que foram retidas aos seus trabalhadores).
Tendo em conta essa realidade, esses gerentes foram substituídos por Carlota, passando esta a assumir a gerência da sociedade desde 1 de Janeiro de 2011.
No final de Março desse ano, terminou o prazo para o pagamento de uma dívida de
imposto da sociedade referente o exercício de 2010. Como a sociedade não pagou, a
Administração Fiscal instaurou um processo de execução fiscal contra a empresa.
DIREITO FISCAL • 1.ª TURMA
Doutor José Casalta Nabais Exame Final – 1.ª Fase (2012)
GRUPO I (4,0 val.)
Distinga os seguintes conceitos:
a) Capacidade tributária activa e titularidade da receita fiscal.
b) Solidariedade tributária e responsabilidade tributária.
GRUPO II (7,5 val.)
Das seguintes frases, identifique as que considera falsas e comente apenas essas.
a) O princípio da legalidade fiscal, na dimensão de reserva de lei formal, não afasta em absoluto os poderes de criação de impostos, em sentido amplo, por parte do Governo.
b) Tanto a criação dos impostos como a modificação da sua incidência, da taxa ou dos benefícios fiscais necessitam de intervenção legislativa da Assembleia da República.
c) Apesar de o Direito Fiscal possuir autonomia cientifica e didáctica face ao Direito Administrativo, não se deve falar numa autonomia substancial ou material plena em relação a este direito.
d) Em face do regime-regra da execução fiscal, o acto tributário é um acto totalmente destituído de força executória.
e) A distinção entre impostos periódicos e impostos de obrigação é hoje a única distinção apenas com valor teorético, como tal sem qualquer relevo prático.
f) No sistema fiscal português não há retenções na fonte com natureza de pagamento por conta do imposto devido a final.
GRUPO III (8,5 val.)
O Governo aprovou, por intermédio do Decreto-Lei n.º ϰ/2012, de 15 de Junho, uma taxa
de segurança alimentar aplicada apenas às grandes superfícies (estabelecimentos decomércio alimentar com áreas superiores a 2000 m
2). O valor da taxa, a definir por portaria, vai situar-se entre os €5,00 e os €8,00 por metro quadrado e destina-se a financiar um Fundo Sanitário e de Segurança Alimentar a ser criado pelo Governo, incumbido de garantir a execução do programa de saúde animal e a segurança dos produtos de origem animal e vegetal. Em face destes elementos, pronuncie-se sobre as seguintes questões:
a) Natureza jurídica do tributo em questão. (4,0 val.)
b) Legitimidade do procedimento de criação da taxa de segurança alimentar do ponto de vista jurídico-constitucional. (4,5 val.)
“A tributação progressiva do rendimento das pessoas singulares é hoje contestada por alguns autores que questionam a sua justiça.”
Comente a afirmação, indicando os principais argumentos contra e a favor da progressividade do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, não se esquecendo de dar a noção de imposto progressivo e de fazer alusão à posição de SALDANHA SANCHES.
GRUPO II (6,0 val.)
Responda às questões de forma concisa e legalmente fundamentada.
Para face à crise económica e financeira, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, em Junho de 2013, um Decreto-Lei em que:
i.
aumentava a taxa normal do IVA em 2% e afecta essa receita ao Fundo da Segurança Social;
ii.
institui um novo imposto, cuja base tributável é o CO
2emitido por algumas indústrias em todo o ano de 2013, sendo o mesmo liquidado e cobrado em Dezembro de 2013.
a) Pronuncie-se sobre a conformidade jurídico-constitucional do diploma legal aprovado pelo Governo.
b) Comente o novo imposto e os problemas que o mesmo pode suscitar em matéria de aplicação da lei fiscal no tempo.
GRUPO III (5,0 val.)
Em processo de inspecção tributária, a Administração Fiscal considerou que os registos contabilísticos da empresa “X, Lda”, referentes ao ano de 2010, não eram fidedignos , não sendo possível quantificar a matéria tributável a partir da contabilidade. Assim, notificou a empresa de que iria proceder à correcção da quantificação da matéria tributável através da aplicação dos critérios do artigo 90.º LGT (Lei Geral de Tributação).
Após audição do gerente, notificou s empresa de que essa correcção correspondia a um
acréscimo da matéria tributável no valor de €3000. Inconformada, a empresa pretende
impugnar a decisão de correcção quantitativa da matéria colectável, por entender que não
se verificam os pressupostos da aplicação de métodos indirectos e que, além disso, a
quantificação é excessiva.
Pronuncie-se sobre a pretensão da empresa, esclarecendo o sócio gerente sobre o procedimento a adoptar para poder efectuar a impugnação, bem como o momento processual em que a mesma deve ocorrer.
GRUPO IV (5,0 val.)
Joaquim liquidou o IVA referente ao quarto trimestre do ano de 2011 no valor de €20.000.
Todavia, em Janeiro de 2013, verificou que a referida liquidação não estava correcta (erro na auto-liquidação) e pretende reagir.
a) Indique a via procedimental/processual adequada para o efeito. Estará em prazo?
b) Imagine que em sede de reclamação graciosa, a Administração Tributária indeferiu o pedido sem realizar a audição prévia do reclamante. Qual o meio processual adequado para reagir contra esta decisão e qual o prazo?
Justificando, diga se os factos a seguir apresentados constituem factos tributários e, em caso afirmativo, diga qual o imposto a que se encontram sujeitos, indicando ainda o sujeito passivo do mesmo.
a) Compra de um terreno de macieiras.
b) Abono de família recebido por um funcionário público.
GRUPO II (5,0 val.)
Comente as seguintes frases:
a) Devido à sujeição de alguns rendimentos pessoais a taxas liberatórias, o IRA apenas pode ser considerado um imposto tendencialmente único.
b) O imposto é uma prestação unilateral, não lhe correspondendo qualquer contra-prestação específica.
GRUPO II (5,0 val.)
O Governo decidiu alterar o regime do IMT, através do Decreto-Lei n.º ϰ/2013, de 15 de Junho, remetendo a fixação das taxas para os municípios, que a poderão fixar sem quaisquer limites pré-estabelecidos.
Analise os problemas jurídico-constitucionais que este diploma suscita, tanto do ponto de vista formal como do ponto de vista material.
GRUPO IV (5,0 val.)
Suponha que a Sociedade “Lençóis do Mondego”, com sede em Coimbra, reteve mensalmente parte do vencimento aos seus trabalhadores, não tendo no entanto entregue nos cofres da Fazenda Pública qualquer importância correspondente às retenções efectuadas.
Caracterize a posição da sociedade e dos trabalhadores no contexto da relação jurídica tributária e diga quem pode, e em que termos, ser considerado responsável pelo imposto não pago.
DIREITO FISCAL • 1.ª TURMA
Doutor José Casalta Nabais Exame Final – 2.ª Fase (2013)
GRUPO I (5,0 val.)
Justificando, diga se os factos a seguir apresentados constituem factos tributários e, em caso afirmativo, diga qual o imposto a que se encontram sujeitos, indicando ainda o sujeito passivo do mesmo.
a) Doação de um automóvel por Joana ao seu filho Miguel.
b) Distribuição de lucros pelos associados de uma sociedade de profissionais.
GRUPO II (5,0 val.)
Comente as seguintes frases:
a) A distinção entre impostos de quota fixa e impostos de quota variável não tem hoje qualquer expressão no direito fiscal português.
b) A proibição expressa de impostos retroactivos, consagrada na Constituição da República, afasta o relevo do princípio da segurança jurídica na análise d questão da legitimidade ou não dos impostos retroactivos.
GRUPO III (4,0 val.)
O Banco X liquidou a António um imposto relativo aos juros do depósito a prazo à taxa de 45%, alegando que esta é a taxa correspondente ao escalão de rendimento de António.
Surpreendido com a situação, António pretende reaver a diferença correspondente ao imposto que julga ter-lhe sido liquidado a mais do que o exigido por lei.
Esclareça António sobre qual a taxa aplicável e como se processa a liquidação e o pagamento do imposto neste tipo de rendimentos.
GRUPO IV (6,0 val.)
A sociedade comercial que gere a empresa de confecção “Vestir Jovem”, que tem Francisco e Inês como seus únicos administradores, não pagou o IRC relativo ao ano de 2012, tendo já sido ultrapassados todos os prazos para pagamento voluntário.
O que deverá a Administração Fiscal fazer para resolver o problema? Será necessária a intervenção dos tribunais tributários? Francisco e Inês poderão ser responsabilizados? Se sim, em que termos?