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Cuidados à Saúde e Segurança

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Academic year: 2022

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O paciente e sua família têm papel fundamental

Cuidados à Saúde e Segurança

Ana Luísa Petersen Cogo

Organizadores:

Daiane Dal Pai

Guilherme Paim Medeiros Taiciana Chagas Camacho

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O paciente e sua família têm papel fundamental

Cuidados à Saúde e Segurança

Ana Luísa Petersen Cogo

Organizadores:

Daiane Dal Pai

Guilherme Paim Medeiros Taiciana Chagas Camacho

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© dos autores 1.ª edição: 2020

Direitos reservados desta edição:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Coordenação da Editoração: Cínthia Kulpa e Ely Petry Capa: Ely Petry

Editoração eletrônica: Jéssica Santos, Tábata Costa e Ely Petry

Ilustrações: Equipe NAPEAD (Milo Cardoso, William Brizola e Paulo Narcizo) A grafia desta obra foi atualizada conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 1º de janeiro de 2009.

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoa- mento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financia- mento 001.

C966

Cuidados à Saúde e Segurança : o paciente e sua família têm papel fundamental [e-book] / Ana Luísa Petersen Cogo ... [et al.] - Porto Alegre: UFRGS, 2020.

78 p. : il.

ISBN 978-65-86232-86-8 Inclui bibliografia

1. Segurança do Paciente. 2. Educação em Saúde. 3. Qualidade da Assistência à Saúde. I. Cogo, Ana Luísa Petersen. II. Dal Pai, Daiane. III. Medeiros, Guilherme Paim.

IV. Camacho, Taiciana Chagas.

CDU 614 DADOS INTERNACIONAIS PARA CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

CATALOGAÇÃO NA FONTE: AMANDA DE ABREU GULARTE CRB10/2500

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Janete Urbanetto, Amanda da Silva e Jéssica Vitt

1 A segurança do paciente

Janete de Souza Urbanetto Amanda Pestana da Silva

Jéssica de Borba Sparremberger Vitt

A segurança na atenção em saúde vem sendo um tema amplamente discutido em todo o mundo, de forma que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Minis- tério da Saúde (MS) do Brasil têm atuado em parceria com várias organizações com o objetivo de desenvolver e/ou qualificar as ações em prol da segurança dos pa- cientes/usuários dos serviços de saúde [Figura 1].

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MAS O QUE É SEGURANÇA NA ATENÇÃO À SAÚDE E PORQUE ESSE TEMA TEM TAMANHA IMPORTÂNCIA?

Figura 1: O que é segurança do paciente?

Legenda Descritiva: Um aperto de mãos ao centro com o símbolo da Organização Mundial da Saúde do lado direito e o logo do Ministério da Saúde do lado esquerdo.

A seguir, mostraremos como esse tema vem sendo abordado com base em alguns materiais norteadores.

Na Grécia Antiga, o médico e filósofo Hipócrates [Figura 2] já de- fendia o princípio da “não maleficência”, ou seja, durante o cuidado aos doentes, deve-se, “antes de tudo, não causar dano”. A enfermeira inglesa considerada a pioneira da enfermagem, Florence Nightingale [Figura 3], também defendia esse princípio, uma vez que afirmava que o principal dever de um hospital é não prejudicar o paciente (NIGHTIN- GALE, 1863).

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Janete Urbanetto, Amanda da Silva e Jéssica Vitt Figura 2: Hipócrates

Legenda Descritiva: Escultura busto de Hipócrates ao lado da frase “Antes de tudo, não causar dano!”.

Figura 3: Florence Nightingale

Legenda Descritiva: Florence Nightingale ao lado da frase “O principal dever de um hospital é não prejudicar o paciente.”

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O tema segurança do paciente ganhou maior visibilidade mundial no ano de 1999, com a publicação de um relatório do Institute of Medi- cine (IOM) chamado “Errar é humano”, que mostrou que 100 mil pessoas morriam por ano nos Estados Unidos em decorrência de eventos adver- sos, superando as mortes por HIV, câncer de mama ou atropelamentos (KOHN; CORRIGAN; DONALDSON, 2000).

Após a publicação desse relatório, e com indicação da Organiza- ção Mundial da Saúde, países do mundo inteiro passaram a analisar sua atenção à saúde, principalmente hospitalar, buscando conhecer a reali- dade e criando mudanças voltadas para a segurança dos pacientes.

Nos anos de 2015 e 2016, foram lançados novos relatórios mos- trando progressos na área de segurança do paciente. Porém ainda havia muito a ser feito, havendo recomendações para a melhoria dessa área até o ano de 2030, como o estabelecimento de um clima organizacional voltado à segurança do paciente, incluindo os pacientes nesse processo de criação de uma saúde mais segura (FUNDAÇÃO NACIONAL DE SE- GURANÇA DO PACIENTE, 2015; YU et al., 2016).

Existem ainda muitas barreiras a serem superadas para que o pa- ciente e a sua família sejam incluídos no processo de atenção à saúde.

Pesquisas comprovam que uma maior atuação do paciente durante os seus cuidados de saúde diminui a ocorrência de eventos adversos, assim como profissionais de saúde engajados com a segurança do paciente tendem a ter seus cuidados melhor avaliados por este [Figura 4] (NA- TIONAL PATIENT SAFETY FOUNDATION, 2014).

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Janete Urbanetto, Amanda da Silva e Jéssica Vitt Figura 4: Atuação conjunta de pacientes, familiares e profissionais no cuidado à saúde.

Legenda Descritiva: No lado esquerdo, uma profissional de saúde realizando uma apresentação para uma platéia. No lado direito, uma senhora sentada em uma cadeira de rodas com uma familiar às suas costas. Ao centro, um sinal matemático de soma.

Um cuidado à saúde inseguro pode trazer consequências negati- vas graves para os usuários do sistema de saúde, podendo causar até mesmo a morte do paciente, o que já foi reafirmado por uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. Essa pesquisa mostrou que, no ano de 2013, cerca de 4 mil pessoas morreram devido a consequências de um cuidado inseguro (MAKARY; DANIEL, 2016).

E NO BRASIL, O QUE VEM SENDO FEITO PARA EVITAR TAIS CONSEQUÊNCIAS?

No ano de 2013, através da Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013, o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Segurança do Pa- ciente (PNSP), que tem como objetivo contribuir para a qualificação

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do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do ter- ritório nacional. Após a criação desse programa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) também publicou ações para a promo- ção da segurança do paciente e a melhoria da qualidade dos serviços de saúde (BRASIL, 2013a, 2013b; MS; FIOCRUZ; ANVISA, 2014). Para mais informações acerca do PNSP, pode ser conferido o “Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente” (MS;

FIOCRUZ; ANVISA, 2014).

MAS, AFINAL, O QUE É SEGURANÇA DO PACIENTE?

[FIGURA 5]

Figura 5: O que é segurança do paciente?

Legenda Descritiva: Mulher com uma expressão de dúvida ao lado da pergunta: o que é segurança do paciente?

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Janete Urbanetto, Amanda da Silva e Jéssica Vitt

A segurança do paciente é a redução a um mínimo possível do risco de dano ao paciente durante a realização de cuidados em saúde. Dano é o comprometimento de uma estrutura ou função do corpo, como doença, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico (BRASIL, 2013b).

Uma das estratégias para saber a situação real do Brasil acerca da segurança dos pacientes foi desenvolvida pela ANVISA. Ela recomenda que os profissionais das instituições de saúde e os pacientes e seus fa- miliares notifiquem os incidentes relacionados à assistência à saúde ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) através do Notivisa, um sistema informatizado desenvolvido pela ANVISA para registrar as situações ocorridas, o qual você pode acessar no seguinte endereço:

https://www8.anvisa.gov.br/notivisa/frmLogin.asp. Esses dados são importantes para que possam ser determinadas ações em prol da se- gurança do paciente, prevenindo ocorrências futuras (ANVISA, 2014;

BRASIL, 2013b, 2015).

Várias estratégias envolvendo o cuidado seguro em saúde têm sido implementadas no mundo todo, o que demonstra uma inquietação e um comprometimento de profissionais e gestores em saúde com essa temá- tica. No entanto, em função da grande complexidade do tema relacio- nado à cultura de segurança do paciente, a implementação de diretrizes e protocolos não garantem uma assistência segura. Percepções melho- res da equipe [Figura 6] sobre a cultura de segurança estão associadas a uma melhor segurança geral, medida por uma combinação de danos re- latados, e à satisfação do paciente (URBANETTO; MAGNAGO, 2014).

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Figura 6: Engajamento da equipe de saúde com a segurança do paciente.

Legenda Descritiva: Oito profissionais de saúde juntos em uma sala de espera de um ambiente hospitalar.

REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Boletim segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde: incidentes

relacionados à assistência à saúde – 2014. Brasília, DF: ANVISA, 2015. (Boletim informativo: segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde, ano VI, n. 10). Disponível em: <https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/

images/documentos/boletim_seguranca_paciente_10.pdf>. Acesso em: 1 set.

2018.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária – Notivisa. Módulo Assistência à Saúde.

Brasília, DF: ANVISA, 2014. Disponível em: <https://www8.anvisa.gov.br/

notivisa/frmlogin.asp>. Acesso em: 1 set. 2018.

BRASIL. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013a.

Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/

prt0529_01_04_2013.html>. Acesso em: 1 set. 2018.

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Janete Urbanetto, Amanda da Silva e Jéssica Vitt BRASIL. RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013b. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/

anvisa/2013/rdc0036_25_07_2013.html>. Acesso em: 1 set. 2018.

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE. Livres de danos:

acelerar a melhoria da segurança do paciente quinze anos depois de To Err Is Human. Boston: Fundação Nacional de Segurança do Paciente, 2015. Disponível em: <https://www.saude.sc.gov.br/index.php/informacoes-gerais-documentos/

conselhos-e-comissoes/cosep-comite-de-seguranca-do-paciente/sugestoes-de- leitura/11385-15-anos-depois-do-erar-e-humano-nspf-2015/file>. Acesso em:

10 dez. 2020.

KOHN, L. T.; CORRIGAN, J. M.; DONALDSON, M. S. (ed.). To err is human:

building a safer health system. Washington: National Academy Press, 2000.

Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK225182/pdf/

Bookshelf_NBK225182.pdf>. Acesso em: 1 set. 2018.

MAKARY, M. A.; DANIEL, M. Medical error: the third leading cause of death in the US. BMJ, United Kingdom, v. 353, n. 8056, p. i2139, 2016. Disponível em:

<https://www.bmj.com/content/353/bmj.i2139>. Acesso em: 1 set. 2018.

MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS); FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ);

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Brasília, DF:

Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/

publicacoes/documento_referencia_programa_nacional_seguranca.pdf>. Acesso em: 1 set. 2018.

NATIONAL PATIENT SAFETY FOUNDATION. Safety is personal: partnering with patients and families for the safest care. Boston: National Patient Safety Foundation, 2014. Disponível em: <https://cdn.ymaws.com/www.npsf.org/

resource/resmgr/LLI/Safety_Is_Personal.pdf>. Acesso em: 1 set. 2018.

NIGHTINGALE, F. Notes on hospitals. 3. ed. London: Longman, Green, Longman, Roberts, and Green, 1863. Disponível em: <https://play.google.com/books/

reader?id=FJhN-SqxUawC&hl=pt_BR&pg=GBS.PP1>. Acesso em: 1 set. 2018.

URBANETTO, J. S.; MAGNAGO, T. S. B. S. Segurança do paciente: algumas reflexões. Revista de Enfermagem da UFSM, Santa Maria, v. 4, n. 3, n. p., 2014.

Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/reufsm/article/view/16202/pdf>.

Acesso em: 1 set. 2018.

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YU, A.; FLOTT, K.; CHAINANI, N.; FONTANA, G.; DARZI, A. Patient safety 2030. London: National Institute for Health Research, 2016. Disponível em:

<https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/institute-of-global-health- innovation/centre-for-health-policy/Patient-Safety-2030-Report-VFinal.pdf>.

Acesso em: 1 set. 2018.

Referências

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