C É L I A REGINA RANZOLIN
C L A R I C E
L I S P E C T O R
C R O N I S T A :
NO JO RN AL DO B R A S I L
(1967-1973)
DISSER TAÇ ÃO DE MESTRADO
DEPARTAMENTO DE LÍNGU A E L I T E R A T U R A VERNÁCULAS PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - LI T E R A T U R A B R A S I L E I R A ORIENTADOR: PROF. DR. RAÚL ANTE LO
UNr V ER SIDADE F E D E R A L DE SANTA CAT ARI NA
 Coordenação do Curso d e Pós-Graduação em L i t e r a t u r a B r a s i l e i r a .  Banca E xam inado ra.
Aos p r o f e s s o r e s : E d d a , G u i d a r i n i , J a n e t e , S a c h e t , T â n i a , T e r e z i-n h a , Z a h id é .
Aos dem ais p r o f e s s o r e s . Ã s e c r e t á r i a S a n d r a . Ao João I n á c i o .
p e l a d e d ic a ç ã o , i n c e n t iv o e p e r t i n ê n c i a d e suas v a ç õ e s .
Ao I v a n ,
p e la compreensão e com p anheirism o. Aos meus f i l h o s , D a n i e l e e J u l i a n o
que souberam com preender as a u s ê n c ia s . Ao R a u l ,
i
Ãs amigas J u r a c i , M ercedes e Y e d d a , com panheiras d e todas as h o r a s , com as q u a is d i v i d i as a l e g r i a s e
as d ecep ções d u r a n t e todo o tem po.
à B e t i , po r t e r cumprido uma t a r e f a que c a b e r ia a mim.
RESUMO
E s t e t r a b a lh o é o r esu lta d o d e uma p e s q u is a que o b j e t i vou o r e s g a t e d a produção i n t e g r a l d e c r ô n ic a s que C l a r i c e Lis- p ec to r r e a l i z o u p a r a o J o r n a l do Br a s i l , no período e n t re agos t o d e 1967 e dezem bro d e 1 9 7 3 . Sem p r e t e n d e r q u a lq u e r t ra b a lh o i n t e r p r e t a t iv o e d e a n á l is e dos te x t o s em q u e s t ã o , e le s e detém na c o l e t a , r a s t r e io e s eleçã o d e s s e m a t e r i a l .
Os rumos tomados p e l a p e s q u is a apôs a p u b lic a ç ã o do l i vro A D e s c o b e r t a do M u n d o , (Rio d e J a n e i r o , Nova F r o n t e i r a ,1984) c o le tâ n e a aparentem ente i n t e g r a l das c r ô n ica s d e C l a r i c e Lis- p e c t o r , perm itiram con statações capazes d e c o lo c a r em d i s c u s são os c r i t é r i o s d e edição d e s t a a n t o l o g i a . D a í , que e s t e t r a balho contêm , além d a t r a n s c r iç ã o i n t e g r a l dos t e x t o s o m itido s do l i v r o , alguns dados que brotaram do con fro nto e n t r e A D e s
c oberta do Mundo e o J o r n a l do B r a s i l , e ou tro s q u e surgiram d a l e i t u r a a t e n t a das crô n ica s d a e s c r i t o r a que buscam os, o r i g in a r ia m e n t e , nas p áginas do j o r n a l .
De um l a d o , estes dados dizem r e s p e it o ao s i g n i f i c a d o c r í t ic o - l it e r ã r io dos t e x t o s ex c lu íd o s d a a n t o l o g i a , e d e o u t r o , apontam p a ra o t r a b a lh o de elabo raçã o d a linguagem que C l a r ic e L i s p e c t o r d e s e n v o lv e u no J o r n a l do B r a s i l , atrav és do reaprov eitam ento i n t e r t e x t u a l d e s e u p ró p rio d i s c u r s o .
Mesmo a s s im , n o ss a p e s q u is a s e p r o p õ e , b a s ic a m e n t e , r e c u p e r a r uma produção q u e , p e la s im p lic a ç õ e s l i t e r á r i a s i n e r e n t e s , não d e v e f i c a r d i s p e r s a na p r e c a r ie d a d e das fo lh a s d e j o r n a l .
T h is work is the r e s u lt o f a rese a rch that o b j e c t i f i e d the ransom o f the in t e g r a l p ro d u ctio n o f c h r o n ic l e s that C l a r i c e L is p e c t o r r e a l i z e d to "J o r n a l do B r a s i l " , in the p e r io d betw een august 1967 and december 1 9 7 3 . W itho ut in t e n d in g any i n t e r p r e t a t iv e work or a work o f a n a l y s i s o f the te xts in t o p i c , it d e t a in s i t s e l f in the c o l l e c t i o n , search and selec t io n o f t h is m a t e r ia l .
The d ir e c t i o n s taken by the re sea rch a f t e r the p u b l ic a t io n o f the book t i t l e d " A D e sc o b e rta do Mundo" (R io de J a n e ir o , No va F r o n t e i r a , 1 9 8 4 ) , an a p p ar e n tly in t e g r a l c o l l e c t a n e a from the c h r o n ic l e s o f C l a r ic e L is p e c t o r , perm ited the c o n fir m a t io n s that were a b le to put in to d is c u s s io n the e d i t i o n c r i t e r i o n s o f t h is a n t h o lo g y . There from, t h is work c o n t a in s , b e s i d e s the in t e g r a l t r a n s c r i p t i o n o f the om itted te x ts o f the b o o k , some datums that arose from the c o n fr o n t a t io n between "A D e s c o b e r t a do Mundo" and "J o r n a l do B r a s i l " , and others that appeared from the c a r e fu l read ing o f the c h r o n ic le s w r it t e n by the author we s e arch ed for!, o r ig in a l y , in the newspaper p a g e s .
On one h a n d , these datums r e la t e to the c r i t i c a l l i t e r a r y s i g n i f i c a t i o n from the anthology e x c l u d e d • t e x t s an d , on the other h a n d , they p o in t out the work o f the language developm ent that C l a r i c e L i s p e c t o r worked out in "J o r n a l do B r a s i l " , through the i n t e r t e x t u a l r e u t i l i z a t i o n o f h er own s p e e c h .
Even s o , our r e se a r c h b a s i c a l l y in t e n d s to r e g a in a product ion t h a t , by the i n h e r i t l i t e r a r y im p l i c a t i o n s , must not remain d is p e r s e d in the p r e c a r io u s n e s s o f the new spaper p a g e s .
SUMÁRIO
P a g in a I - INTRODUÇÃO ... 13
I I - LEVANTAMENTO SISTEM ÁTICO DA PRODUÇÃO INTEGRAL DE
CLARICE LISPECTOR NO JORNAL DO BRA SIL ... 2 1
I I I - ALGUMAS CONSTATAÇÕES ... 215 . em relação aos t e x t o s ... 2 1 6 . em relação ao confronto J o r n a l do B r a s i l / A D e s c o -b e rta do Mundo ... 2 69 IV - À GUISA DE CONCLUSÃO ... 272 V - NOTAS EXPLICATIVAS ... ... 277 I V I - ANEXOS
. Anexo 1 : Ficham ento d e s c r i t i v o do corpus ... 2 83 . Anexo 2 : í n d i c e d e autores c ita d o s ... ' 398 . Anexo 3 : Reprodução f a c s i m i l a r ... 4 1 1
, R e s g a t a r o m a t e r ia l j o r n a l í s t i c o que C l a r i c e L is p e c t o r ela bo ro u p a ra d iv e r s o s p e r i ó d i c o s , v isan d o r e c o n s t i t u i r uma p a rt e d a o b r a d a e s c r it o r a que até então p erm an ecia e s q u e c id a sn jo r n a is am arelados e conhecidos põr alguns poucos p e s q u i s a d o r e s , foi o p r im e iro o b j e t i v o do t ra b a lh o ao q u a l nos propusem os. Pa ra t a n t o , por in d ic a ç ã o do p r o fe s s o r o r i e n t a d o r , estivem os pesq u isa n d o na B i b l i o t e c a N a c io n a l do Rio d e J a n e i r o , no p e r í o do m a r ç o /a b r i l d e 1 9 8 4 , d e onde recolhemos um m a t e r i a l j o r n a
l í s t ic o amplo.
Mesmo d e p o ss e d e um con jun to s i g n i f i c a t i v o d e p u b l i c a ções que nos p e r m it iu uma v is ã o g l o b a l i z a d a d a e s c r i t o r a en quanto j o r n a l i s t a , p referim o s nos d e t e r nas c r ô n ic a s do J o r n a l do B r a s i l , p o rq ue fo i a p a r t i r de 1 9 6 7 , m ais p r o p r ia m e n te com sua en tra d a na redação d e s t e p e r i ó d i c o , que C l a r i c e L is p e c t o r passou a d e se m p e n h a r , com r e g u l a r i d a d e , a função d e c r o n i s t a .
D etivem o - n o s, em c o n s e q ü ê n c ia , nas c r ó n ic a s i n s e r i d a s no caderno B do J o r n a l do B r a s i l , p u b lic a d a s sem analm ente no p e ríodo 1 9 6 7 / 1 9 7 3 . A p r im e ir a c r ô n ic a d a t a d e 19 d e agosto de 1967 , e d aí p a r a a f r e n t e , todos os s á b a d o s , a té 2 9 d e dezem bro
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d e 197 3 , o p ú b lic o l e i t o r do J o r n a l do B r a s i l t e r i a com a cro n i s t a um contato perm anente. Ê um t r a b a lh o d e f ô l e g o , que com p r e e n d e 329 c r ô n i c a s , nas q u a is C l a r i c e L i s p e c t o r t e n t a s u p e r a r a d e s c r iç ã o o b j e t i v a , para c o n v e r te r a té mesmo a referen- c i a l i d a d e em aspecto a r t is t ic a m e n t e n e c e s s á r i o , d e forma a com p o r uma linguagem p r im o r d ia l e in t e n c io n a lm e n t e l i t e r á r i a . A p u b lic a ç ã o é r e g u l a r , e só não aparecem c r ô n ic a s nos d i a s : 2 6 d e dezembro d e 197 0 , 2 d e j a n e ir o d e 1 9 7 1 , 31 d e dezembro d e
1972 e 9 d e outubro d e 1972 .
Não fo i d e fa to e s t a a p r im e ir a e x p e r i ê n c i a d e C l a r i c e como c r o n i s t a . Cabe aqui r e s s a l t a r outros t r a b a lh o s j o r n a l í s t i cos q u e a e s c r i t o r a d e s e n v o lv e u p a r a le la m e n t e a s u a l i t e r a t u r a d e f i c ç ã o . S ab em o s, por inform ação d e Renard P e r e z , que a p r i m e ir a e x p e r i ê n c i a d a e s c r it o r a nas p áginas d e j o r n a l fo i um
conto en tre g u e a Á lvaro M oreyra na redação do Dom C asm urrro, em 19 4 1. Por inform ação do o r ie n t a d o r julgam os t r a t a r - s e d e "C a r tas a H e r m e n g a r d o ". (Dom Casm urro, Rio d e J a n e i r o , 30 d e agos to d e 1 9 4 1 ) .
Além d è s s a e x p e r i ê n c i a , C l a r i c e L i s p e c t o r c o l a b o r o u ,a i n d a , como j o r n a l i s t a , no jo r n a l A N o it e do Rio d e J a n e i r o , em
1942 , o n de f e z d e t u d o , menos as o c o r r ê n c ia s p o l i c i a i s e a nota s o c i a l ; no F l a n , suplem ento sem anal do j o r n a l Ú ltim a Hora do Rio d e J a n e i r o , onde a s s i n o u , com p se u d ô n im o , uma co lu n a d e v a r ie d a d e s e s o c i a i s . E s t e suplem ento co n sto u d e 7 5 núm eros, d i s t r i b u í d o s e n t r e 12 d e a b r i l d e 1953 e 5 d e setem bro d e 1 9 5 4 . NO D i á r i o da N o it e do Rio d e J a n e i r o , C l a r i c e e s c r e v e u uma coluna d i á r i a d e s t i n a d a ao p ú b lic o fartinino e que era;assinada por Ilkà Soa
res , no p erío do que v a i d e 1 d e j a n e i r o d e 1 96 0 a 22 d e fe v e r e ir o d e 1 9 6 1 . Ona m ostra d e s t a c o lu n a a p a r e c e em reprodução
f a c s i m i l a r em a n e x o . 1 Além do t r a b a l h o j o r n a l í s t i c o que a e s c r i t o r a p r e p a r o u p a ra a r e v i s t a M a n c h e t e , e q u e fo i r e c o lh id o por à lv aro Pacheco em De Corpo I n t e i r o , (Rio d e J a n e i r o ,
Arte-n o v a , 1 9 7 5 ) s e u últim o t r a b a lh o , Arte-n este s e Arte-n t id o , fo i Arte-na r e v i s t a se m anal Fatos e F o t o s , o n d e , e sp o rad ica m en te , no período e n t r e 26 d e dezembro d e 197 6 e 26 d e setembro d e 1977 , p u b l ic o u rep o r ta g e n s oom p e r s o n a l i d a d e s .2
Até o f i n a l d e 1 9 8 4 , o nosso o b je t iv o c o n tin u o u sendo o d e r e t i r a r d a o b s c u r id a d e dos jo r n a is um m a t e r i a l q u e , aos no s sos o l h o s , s e m ostrava a cada l e i t u r a mais r ic o e r e v e la d o r d e um novo p e r f i l d e C l a r i c e L is p e c t o r . A p u b lic a ç ã o do liv r o A D e s c o b e r t a do Mundo (Rio d e J a n e i r o , Nova F r o n t e i r a , 1 9 8 4 ) pro vocou novos rumos na p e s q u is a q u e , ao p e r d e r o c a r á t e r e x c l u s i vo d e r e s t i t u i ç ã o d e um acervo esq u e cido nas pá g inas de j o r n a i s , s e d ir e c i o n o u também pa ra o confronto e n t r e os t e x t o s i n s e r id o s na a n t o l o g ia e aq ueles que encontramos o r ig in a lm e n t e no J o r n a l do B r a s i l , ten ta n d o f i x a r vim c r i t é r i o d e e d iç ã o .
D e s t e co n fro n to n a sceu vima n e c e s s id a d e n o v a , c o n s id e r a n do a a u s ê n c i a , no l i v r o , d e um número s i g n i f i c a t i v o d e c r ô n i c a s. Embora mantendo a p ro p o sta i n i c i a l d e perm anecer no campo d a p e s q u is a e c o l e t a d e d a d o s , a n e c e s s i d a d e d e com preender o m otivo das a u s ê n c ia s levou-nos a vim exame m ais d e t a lh a d o das crô n ic a s e do ficham ento d e s c r i t i v o do c o r p u s , j á elabo rado a n te r io r m e n t e . 3
N e s t a t e n t a t i v a d e a p re e n d e r vim p o s s í v e l c r i t é r i o i m p l í c i t o d e ed içã o d a a n t o l o g ia capaz d e j u s t i f i c a r a a u s ê n c ia de 120 m ó d u lo s , passamos à a n á l i s e dos t e x t o s e x c l u í d o s . 1* E , m es mo c o n sid e r a n d o a n o t a i n t r o d u t ó r i a ao l i v r o , na q u a l Paulo
G u rg el V a l e n t e , e d i t o r e f i l h o d e C l a r i c e L i s p e c t o r , r e g i s t r a que "fo ra m s u b t r a í d a s anotações q ue nos parecem m uito c i r c u n s t a n c i a i s " , acabamos p or en c o n tra r e s p e c i f i c i d a d e s q ue nos p e r mitem q u e s t i o n a r s e A D e s c o b e r t a do Mundo fo r n e c e realm e n te vima
"v is ã o g e r a l " do t r a b a l h o j o r n a l í s t i c o d e C l a r i c e L is p e c t o r no J o r n a l do B r a s i l , e s e perm ite ao l e i t o r um conhecim ento ca ba l
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e e x a u s t iv o das c r ô n ica s em q u e s t ã o .5
Os t e x t o s que permaneceram d is p e r s o s na p r e c a r ie d a d e das fo lh a s do j o r n a l são tão s i g n i f i c a t i v o s e r ev ela d o res do p e r f i l l i t e r á r i o d a e s c r i t o r a , quanto aqueles que foram p u b lic a d o s na a n t o l o g ia . T a l c o n s t a t a ç ã o , ao lado d e ou tras q ue e s p e c i f i c a remos m ais a d i a n t e , nos levaram a a c r e d i t a r num c r i t é r i o d e e- d iç ã o e x c lu s iv a m e n te p e s s o a l , d e s in t e r e s s a d o p e la s conseqüên
cias e s t é t ic o - l it e r ã r ia s dos te x t o s d is c r i m i n a d o s .
Por s e t r a t a r d e um t r a b a lh o d e p e s q u i s a , e como t a l , e- x i g i r a m a io r p r e c is ã o p o s s í v e l d e d a d o s , e a i n d a , p a ra não i n co r r er na p o s s i b i l i d a d e d e equívocos que pudessem d e s t i t u i r o v a l o r d e s t e t r a b a l h o , é q u e escrevemos ao e d ito r d a c i n t ol o g ia
p a ra in d a g a r s o b r e os c r i t é r i o s d a e d iç ã o .
Em r e s p o s t a a a u to ra d e s t a p e s q u i s a , Paulo G u rg e l V a l e n t e resp o nd e as q uestõ es le v a n tad as com o t e x t o que trõinscreve- mos a s e g u i r :
"P r e z a d a S enho ra
"T e n d o re c e b id o s u a c a rta d e 2 3 / 9 / 8 5 , g o s t a r i a e s c l a r e c er q u e não s o u 'e d i t o r d a Nova F r o n t e i r a ' e sim f i l h o d a a u to ra d a 'D e s c o b e r t a do M u n d o ', (s ic )
" A s e le ç ã o d e c r ô n i c a s , conforme e x p lic o na nota d e i n t r o d u ç ã o , também o b e d e c e a um c r i t é r i o p e s s o a l meu.
"A s s im s e n d o , quando d a conclusão d e s e u t r a b a l h o , s e r i a d e meu i n t e r e s s e c o n h e ce r suas ob se rv a çõ es do con fro nto en tre a edição e as p u b lic a ç õ e s no J o r n a l do B r a s i l , p a ra t a l v e z , nu ma r e e d iç ã o r e v e r os c r i t é r i o s .
"D e s d e j â a g r a d e ç o ,
C ordi alment e" (segue sua a s s i n a t u r a ) 6
-n a l do B r a s i l / A D e s c o b e r t a do Mu-ndo e a r e s p o s t a o b t i d a d e Pau lo G. V a l e n t e , obtivem os a c e r t e z a d a p e r t i n ê n c i a d e s t e t r a b a lh o . E , po r considerarm os e s s e n c i a l r e s t i t u i r e s s e asp=cto d a produção j o r n a l í s t i c a d e C l a r i c e L i s p e c t o r , é que t r a n s c r e v e m os, na í n t e g r a , os t e x t o s o m itid o s pelo e d i t o r , cumprindo o o b je t iv o d e s t e nosso t r a b a l h o .
C a b e , a n t e s , e x p l i c i t a r algumas convenções e a metodo lo g i a que ado tam o s, como forma d e f a c i l i t a r a l e i t u r a e a com preensão do cor p us.
Toda n o ss a p e s q u is a tem como ponto d e r e f e r ê n c i a as crô nica s t a i s como s e encontram nas páginas do J o r n a l do B r a s i l . A t r a n s c r iç ã o é f e i t a obedecendo ã c r o n o lo g ia do p e r ió d ic o , i s t o é : as d a t a s , a s e q ü ê n c ia das c r ô n i c a s , os t í t u l o s e a s e q ü ê n c ia dos módulos estão em s i n t o n i a com o j o r n a l (s in t o n ia que nem sempre s e dá na a n t o l o g i a ) . Mesmo a s s im , sem pre que houver d if e r e n ç a s e n t r e os t e x t o s do p e r ió d ic o e a q u eles i n s e rid o s em A D e s c o b e r t a do M u n do , es ta s d if e r e n ç a s aparecerão em n o t a s , logo após a c o n s t a ta ç ã o . S i r v a como exemplo a c r ô n ic a "Amor i m o r r e d o u r o ", d e 9 d e setembro d e 1967 , cujo t í t u l o apa rece com aspas no J o r n a l do B r a s i l , enquanto na a n t o l o g i a as aspas são s u p r im id a s . N e ste caso tra n s c r e v e r e m o s :
1967 19 s e t
"Amor im o rredo u ro "
(Nota da p e s q u i s a ( N P ) : em A D esco b e rt a do M undo, p . 2 0 , não ha a s p a s ) .
A ss im , só nos vo lta rem o s p a ra o liv r o em q uestã o quando dos c o n fr o n t o s , pa ra v e r i f i c a r a lt e r a ç õ e s e a u s ê n c i a s .
Convencionam os p a r a a p e s q u is a a forma DM quando nos r e ferirm os ao liv r o A D e s c o b e r t a do M undo, e J B quando tratam os com o J o r n a l do B r a s i l .
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P a r a a t r a n s c r iç ã o dos t e x t o s o m itido s d a a n t o l o g i a /o b e decerem os ã o r t o g r a f i a , pontuação e construção dos mesmos, t a i s
como s e encontram o r ig in a r ia m e n t e nos j o r n a i s . Os te x t o s i n s e rid o s na DM foram a t u a l i z a d o s , e não r e g istra re m o s as v a r ia ç õ e s n e s t e s e n t i d o .
Em relaçã o aos t í t u l o s das c r ô n i c a s , normalizamos apenas a l e t r a m a iú s c u la i n i c i a l . As aspas e q u a lq u e r outro s i n a l g rá fic o aparecerão quando estiverem também no j o r n a l .
. Todas âs v e z e s que os te x t o s do JB e s tiv er e m ausentes d a DM , colocarem os a d a t a d e sua p u b l ic a ç ã o , s e g u i d a do t í t u l o da c r ô n i c a , e s u a t r a n s c r iç ã o i n t e g r a l . 0 ano d e p u b lic a r ã o d a crô n i c a a p a r e c e r á apenas no i n í c i o d e cada p á g i n a , d e forma a f a c i l i t a r a l o c a l iz a ç ã o do t e x t o e , ao mesmo tem p o , e v i t a r a r e p e t i ção.
P a r a as c r ô n ica s in s e r id a s em DM , convencionamos a do tar apenas o c r i t é r i o d a d a t a d e p u b lic aç ã o no p e r i ó d i c o , seu t í t u l o , e a s i g l a DM i n d i c a t i v a de sua in s e r ç ã o no l i v r o . Para
e x e m p lo :
19 67 2 s et
T o r t u r a e g l ó r i a DM
I s t o q u e r d i z e r que o texto- "T o r t u r a e g l ó r i a ” fo i reu nido em A D e s c o b e r t a do Mundo com d a t a de 2 d e setem bro de 1 9 6 7 , in fo rm a çõ es q ue conferem com n o ss a p e s q u is a b i b l i o g r á f i ca.
P a r a e f e i t o s d e d e s c r iç ã o do c o r p u s , chamaremos bloco a co lu n a em s u a t o t a l i d a d e , com posta, v i a d e r e g r a , d e v á r ia s p artes o u s e ç õ e s . A cada um d e s t e s fragm entos convencionam os cha má-los d e m ó d u lo s , como j á alertam os a n te rio rm e n te em n o ta e x
p l i c a t i v a . Exanplifi carros com o bloco do d i a 14 d e agosto d e 1967 , q ue com preende os m ó d u lo s : As c r ia n ç a s chatas - A s u r p r e s a
-B r in c a r de p e n s a r - Cosmonauta na t e r r a .
É im portante e s c l a r e c e r q u e , além dos textos o m itid o s da DM, outros não aparecem na a n t o lo g ia porque são c r ô n ic a s que se repetem no jo r n a l em o c a s iõ e s d i f e r e n t e s . V a le d i z e r que a cro n i s t a r e a p r o v e it o u , nas p á g in a s do J B , os mesmos te x to s mais de uma v e z . No e n t a n t o , nem sempre o reaprov eitam ento é i n s e r id o na a n t o l o g i a . A ss im :
- ex istem c r ô n ic a s que foram p u b lic a d a s duas v e z e s no jo r n a l e , nas d u a s , não se encontram em A D e sco b e rta do M undo. N estes ca
s o s , faremos a t r a n s c r iç ã o in t e g r a l da c r ô n ic a quando do p r i m eira p u b l ic a ç ã o , e , p a ra a r e p u b lic a ç ã o , adotarem os o c r i t é r i o que a s e g u ir e x e m p lific a m o s :
1973 12 abr
Um enco ntro com o fu t u r o (V ide J B , 15 nov 1 9 6 9 )
(NP: Este modulo aparece r e p e t id o no JB_ e está ausente da DM nas duas p u b l i c a ç õ e s ) .
- ex iste m c r ô n ic a s que foram p u b lic a d a s duas v e zes no p e r ió d ic o e , em ambas as o c a s i õ e s , es tã o p r e s e n te s em A D e sc o b e rt a _______ do Mundo. P ara e s t e s casos ado tarem o s:
1972 3 jun
Por medo do d e sc o n h e c id o (trecho)
(Vide "Medo do d e s c o n h e c i d o ", J B e DM 7 o u t .1 9 6 7 )
(NP: E ste modulo aparece r e p e t i d o no JB_ e na DM) .
- e x is t e m , também, c r ô n ic a s que foram p u b lic a d a s duas v e zes no J o r n a l do B r a s i l e uma v ez apenas na a n t o l o g i a . É o ca so da maior p a r t e das r e p u b l i c a ç õ e s . P a r a e s t a s ocorréncicts a d o t a r e mos :
11 j u l
20
A c r is e
(V id e "A tão s e n s í v e l " , JB e DM, 1 mar 1 9 6 9 ) .
Como algumas d e sta s c r ô n ic a s aparecem em A D e sc o b e rt a do Mundo conform e a p r im e ir a p u b lic a ç ã o , e outras .crônicas são t r a n s c r i t a s apenas quando r e p u b lic a d a s no p e r i ó d i c o , a c r e s c e n t a mos, n e s t e s c a s o s , uma no ta que a l e r t a p a ra a q u e s tã o .
- f i n a l m e n t e , e x i s t e uma c r ô n ic a que f o i p u b l ic a d a t rê s v ezes no p e r ió d ic o e uma vez apenas em A D e sc o b e rt a do M undo, o que e s c la r e c e r e m o s , em n o ta im ediatam ente após a t r a n s c r i ç ã o .
C o n s id e r a n d o que hã c r ô n ic a s q u e , quando r e p u b l i c a d a s , so frem a l t e r a ç õ e s nos t í t u l o s , d ecidim o s i n d i c a r o t í t u l o a n t e r io r quando remeteremos o l e i t o r p a ra a p r im e ir a p u b lic a ç ã o da c r ô n i c a .
T ra n scre v ere m o s, a s e g u i r , o levantam ento s is t e m á t ic o de todo o t r a b a lh o j o r n a l í s t i c o de C l a r i c e L is p e c t o r no J o r n a l do B r a s i l , no p erío do ago sto 1 9 6 7 /d e ze m b ro 19 7 3 . E s t a t r a n s c r i ç ã o , alêm de corresp o n d e r ao o b j e t i v o m aior de no sso t r a b a l h o , p erm ite que o l e i t o r chegue às c o n st a ta ç õ e s que faremos p o s t e r io r m e n t e , as q u a i s , temos c e r t e z a , colocam em q u estã o os c r i t é r io s de e d iç ã o da a n t o lo g ia A D e s c o b e r t a do M undo.
22
19 ago As c r ia n ç a s chatas DM A s u r p r e s a DM B r in c a r d e p ensar DM Cosmonauta na t e r r a DM 2 6 ago V i t ó r i a n o ss a0 que temos f e i t o d e nós e a i s s o co n sid erad o v i t ó r i a no ssa d e cada d i a .
Não temos am ado, acima d e tôdas as c o i s a s . Não temos a c e ito o q ue não s e en ten d e porque não queremos s e r t o l o s . Temos amontoado c o is a s e seguranças por não t e r m o s , nem
aos o u t r o s . Não temos nenhuma a l e g r i a que j á t e n h a s id o c a t a lo g a d a . Temos con stru íd o c a t e d r a is e fic a d o dó lado d e f o r a , p o is as c a t e d r a is que nós mesmos construím os tememos que sejam a r m a d ilh a s . Não nos temos e n tre g u e a nós mesmos pois i s s o s e r i a o começo d e uma v i d a la r g a e t a l v e z sem c o n s o lo . Temos e v it a d o c a i r de jo e lh o s d i a n t e do prim eiro que por amor d i g a : t e u mêdo. Temos o r g a n iz a d o a s s o c ia ç õ e s d e pavor s o r r i d e n t e , o n de s e s e r v e a b e b id a com s o d a . T e mos procurado s a lv a r - n o s , mas sem u s a r a p a la v r a salv a çã o
para não nos envergonharmos d e s e r i n o c e n t e s . Não temos usado a p a la v r a amor p a ra não têrmos d e r e co n h ecer s u a con t e x t u r a d e amor e d e ó d i o . Temos m antido em seg re d o a nos s a m o rte. Temos fei'to a r t e por não sabermos como ê a o u t r a c o i s a . Temos d is f a r ç a d o com amor n o ss a i n d i f e r e n ç a , d i s fa rça do n o s s a i n d i f e r e n ç a com a a n g ú s t i a , d is f a r ç a d o com o pequeno mêdo o grande mêdo m a io r . Não temos a d o r a d o , • por têrmos a s e n s a t a m esquinhez d e nos lembrarmos a tempo dos fa ls o s d e u s e s . Não temos s id o ingênuos pa ra não rirmos d e nós mesmos e p a ra q ue no fim do d i a possamos d i z e r "p e l o menos não fu i t o l o " , e assim não choramos antes dei ap ag a r a l u z . Temos t i d o a c e r t e z a d e que eu também e vocês todos também, e po r i s s o todo s sem s a b e r s e amam. Temos s o r r id o em p ú b lic o do que não sorrim os quando ficam os s o z i n h o s .T e mos chamado d e f r a q u e z a a n o s s a ca n d u ra . Temo-nos tem ido m
ao outro., acim a d e t u d o . E a tudo i s s o temos c o n sid e r a d o a v i t ó r i a n o ss a d e cada d i a .
Tanto e s fo r ç o DM
O p ro c esso DM
e g l ó r i a DM 9 s e t
"Amor im o rred o u ro " DM
(Nota da p e s q u i s a ( N P ) : Na DM, p. 2 0, não tem a s p a s )
16 s e t
P rece p o r um padre Não s e n t i r
I r para
Daqui a v i n t e e cinco anos 2 3 set
Prim av era ao c o r r e r d a m ãquina DM 30 set
Para os r ic o s que também são bons
P a r a a m inha h o n r a , r e c e b i um recado do D r . Abraão A kerm an, um dos m aiores n e u r o lo g is t a s do m undo: i l e q u e r i a f a z e r uso d e m inha co lu n a .
A n te r io r m e n te j ã t i n h a re c e b id o um recado d ê l e : g o s t a r i a d e me d a r uma e n t r e v i s t a cujo assunto s e r i a o homem e a m u lh e r , o que certam ente s i g n i f i c a amor. Quando r e c e b i o segundo recado p en sei que chegara a ho ra d a e n t r e v i s t a . P e r g u n t e i , i l e mandou d i z e r que não: q ue e s s a é le só d a r i a s e eu q u i s e s s e . C laro que q u e r o , mesmo que s e j a s ô b r e o homem e a m ulher so b o ponto- de- vista n e u r o l ó g ic o .
F u i , p o i s , v is it ã - lo numa t a r d e d e dom ing o. D r .A k e r man é um homem t o t a l : além d e s e r um m e s tr e no campo d a
n e u r o l o g i a , está a par do q ue m elhor e x i s t e em l i t e r a t u r a , mandando i n c l u s i v e b u s c a r l iv r o s na E u ro p a. E tem uma d i s
c o teca s e le c io n .a d ís s im a .
D e p o is d e conversarmos um pouco - e o q u e c o n v e r sa mos d a r i a uma e n t r e v i s t a i n t e r e s s a n t í s s i m a - d e p o is d e
conversarm os um p o u c o , passamos ao a ssunto q u e o cu p a a co luna d e h o j e . E q u e e nvo lve quem tem d i n h e i r o , envolve c i i n c i a , im posto d e r e n d a , p esso as d e coração bom e s o b r e tudo a t i v o . E s t o u e n ig m á t ic a ? Tudo s e e s c l a r e c e r á quando eu t r a n s m i t i r o q u e o p r ó p rio D r , Akerman me d i s s e :
- Eu e v á r i a s p esso as que tra ba lh a m is o la d a m e n t e ,p e s q u is a n d o e e n s in a n d o , n e c e s s it a m o s , p a r a p r o s s e g u i r nas
1967 (CONT. )
DM DM DM DM 2 s e t T o r t u r a24
p e s q u is a s e d e s c o r t in a r novos h o r i z o n t e s , d e uma a ju d a e f i c i e n t e q u e não s e j a o c a s io n a l a p e n a s. A c re d ita n d o nas p o s s i b i l i d a d e s i n f i n i t a s do B r a s i l e d e s u a nova g e ra ç ã o , eu g o s t a r i a q ue e s sa i n i c i a t i v a p a r t i s s e d e b r a s i l e i r o s , sem que s e p r e c is a s s e d e r e c o r r e r â a ju d a d e e s t r a n g e i r o s .
Novas l e i s dos últim os d o is anos f a c i l i t a m is s o aos grandes p o ss u id o re s de b e n s , j á q u e , como em inúmeros p a í ses e s t r a n g e i r o s , sobretudo nos E stad o s U n id o s , o imposto d e rend a é descontado d e s s a g e n e r o s id a d e . Essa mesma g en e
r o s id a d e poderá b e n e f i c i a r o u tr a s a t i v i d a d e s im portan tes pa ra o nosso p o v o , custeando o rq u es tr a s , museus e t c .
P r o s s e g u in d o , f i q u e i sabendo que f o i há pouco tempo d o a d a ao S e r v iç o d e N e u ro lo g ia d a S a n ta C asa d e M is e r i c ó r d i a , d i r i g i d o p elo D r . Akerman, uma aparelhagem a p erfei-
ço a d ís sim a d e e l e t r o e n c e f a l o g r a f i a , no v a l o r d e cin q ü e n ta m il c r u z e ir o s novos (cin q ü e n ta m ilhões d e c r u z e ir o s a n t i
g o s ) . Ê e v id e n t e q ue essa doação não fo i f e i t a sem uma a- v a l i a ç ã o c r i t e r i o s a do que o . a p arelho p o d e r i a r e n d e r .
As doações p a r t ic u la r e s são a tu a lm en te raras porque poucos são capazes de u t i l i z á - l a s , as d o a ç õ e s , i s t o é , a pleno ren d im e n to . Os grandes i n d u s t r i a i s e os p r o fe s so re s e s t r a n g e ir o s q ue nos v is it a m ficam s u r p r e e n d id o s com o ex c e s s iv o m a t e r i a l moderno e x is t e n t e nas o r g a n iz a ç õ e s p ú b l i cas - sem v is lu m b r e d e u t i l i z a ç ã o . S im plesm ente não sabem em pregar o m a t e r i a l . São s o l i c i t a ç õ e s d is p e n d io s í s s im a s f e i t a s em c o n c o r r ê n c ia p ú b l i c a , d e a p ar elh o s que não têm t é c n ic o s p a r a u t i l i z á - l o s .
No entanto o fr e q ü e n t e bom a pro veitam ento d e i n s t r u mentos c i e n t í f i c o s por o r g a n iza ç õ e s p a r t i c u l a r e s é d e t o dos c o n h e c id o .
I n f e l i z m e n t e o País é m uitas v ê ze s um patrão m uito a b s t r a t o , e , chegando o a p a r e l h o , ê s t e ê abandonado com d e sp r e zo , do s a c r i f í c i o p ú b l ic o .
D r . Akerman a c r e s c e n t o u :
- Façamos votos p ara que o estím ulo à a t i v i d a d e p r i v a d a , q ue em n ada fa z c o n c o r r ê n c ia ao e n s in o o f i c i a l , s e
r e p i t a fr e q ü e n t e m e n t e , d i g n i f i c a n d o os que d e sejam que o nosso P a ís a lc a n c e o n í v e l que m erece.
D r . Akerman c it o u M e l l o n , g rand e b a n q u e i r o , q ue doou enormes q u a n t ia s a museus no rte- a m erican o s. E d i s s e :
- Os r ic o s têm q ue s e acostum ar a d a r . E s t á na hora d e d a r .
7 out Medo do d e s c o n h e c id o DM Dos p a la v r õ e s no teatro DM C h a c r in h a ? ! DM 14 out D ie s i r a e DM 2 1 out P o t ê n c ia e f r a g i l i d a d e E d e rep en te a q u e la d o r i n t o l e r á v e l no olho e s q u e r d o , ê s t e l a c r im e ja n d o , e o mundo ç e t o rn a n d o t u r v o . E t o r t o : po is fechando um õ l h o , o ou tro autom àticam ente s e en- t r e f e c h a . Quatro v ê ze s no d e c o r r e r d e menos d e um ano um o b j e t o estran h o entro u no meu õ lh o e s q u e r d o : duas vêze s c i s c o s , uma vez um grão d e a r e i a , o u t r a um c í l i o . Das q u a tro v ê ze s t i v e que p ro curar um o f t a m o l o g is t à d e p la n t ã o . D a ú lt im a vez. p e r g u n te i ao D r . M u r ilo C a r v a lh o , c ir u r g iã o dos O c u l i s t a s A s s o c ia d o s , e também um a r t i s t a em p o t e n c ia l q ue r e a l i z a sua vocação atrav és d e cuid ar" por assim d i z e r d e n o s s a v is ã o do mundo:
- Por que sempre o Õ lho esq u erdo ? ê sim ples .c o i n c i d ê n c i a ?
Ê le respondeu não; q u e , po r m ais normal que s e j a uma v i s t a , um dos olhos v ê m ais que o ou tro e por is s o ê mais s e n s í v e l . Chamou-o d e ô lho d i r e t o r . E , p o r s e r mais s e n s í v e l , d i s s e ê l e , p ren d e o corpo e s t r a n h o , não o e x p u l s a .
Q uer diz-er que o m elho r ôlho é a q u ê le que m ais s o f r e a um tempo mais poderoso e m ais f r á g i l , a t r a i problemas q u e , lo n ge d e serem im a g in á rio s não poderiam s e r mais re a is q ue a d o r in s u p o r t á v e l d e um c is c o f e r in d o e a r r a n h a n do vima das partes m ais d e l ic a d a s do co rp o .
F iq u e i p e n s a t iv a .
S e r á que é só com os olh o s q u e i s s o a c o n t e c e ? Será que a p e s s o a que m ais v ê , p o rta n to a mais p o t e n t e , é a que m ais s e n t e e s o f r e . E a q ue m ais s e e s t r a ç a l h a com dores
tão r e a is quanto vim c is c o no ô l h o . F iq u e i p e n s a t iv a .
O l i v r o d e meu v i z i n h o
Mandaram-me um liv r o contendo uma c a r t a . O l i v r o é de contos, chana-se Jornada an Círculos, e o a u t o r é J o s é Luís Ja-n o t . P e l a c a r t a vim a s a b e r q u e ê l e mora q u a s e d e f r o n t e
26
d e mim: d e meu pequeno t e r r a ç o pude v e r , s e g u in d o sua d e s c r iç ã o , o fundo d e s e u ap arta m en to : "p a r e d e s b r a n c a s , es- c a d in h a , p o r t a e ja n e la s a z u i s " . Diz. q u e , na n o it e do i n cêndio na m inha c a s a , v i u " a fumaça a b u n d a n t e , a d iv in h e i q u e er a o s e u apartamento e d e s c i correndo as es c a d a s". Mais a d i a n t e : "n a q u e l a n o it e h o r r í v e l , quando menos e sp erava - in s t in t iv a m e n t e - rogava a um deus q u a l q u e r p a ra q ue nada d e ir r e m e d iá v e l lh e a c o n t e c e s s e ". O b r i g a d a , meu v i z i n h o , p e l a p rec e e pelo l i v r o .
L i os c o n to s. E são b o n s. A o r e l h a do liv r o inform a que s e t r a t a d e uma p r im e ir a p u b l i c a ç ã o . Não p a r e c e . S e n te-se uma s e g u r a n ç a que não i d e p r i n c i p i a n t e . A l i ã s , a o r e l h a d i z que o a u t o r , embora e s t r e a n t e , não é a b s o lu t a m ente um n e ó f i t o . "S o f r e u todo um p ro cesso d e am adureci mento i n t e r i o r antes q ue s e s e n t i s s e apto a e n fr e n t a r o p ú b l i c o " . T i v e s s e eu a c a p a c id a d e d e f a z e r c r í t i c a , e n t r a r i a p rovavelm ente em d e t a l h e s . Mas não s o u c r í t i c a . SÓ posso d i z e r que J o r n a d a em C írcu lo é bom e que g o s te i de lê- lo .
Sim DM
Um fa to in u s i t a d o e um p ed ido
R ecebi uma c a r t a bem d a c t i l o g r a f a d a (s i c ) , sem erros d e p o r t u g u ê s , sem f l o r e a d o s , embora e x c e ss iv a m e n t e r e s p e i t o s a : so u o tempo todo chamada d e V o s s a S e n h o r i a .
A c a r t a ê d<= Fernando Bernardes que me pede d e s c u l pas po r "o c u p a r v o s s a i l u s t r e p e s s o a " . D i z : "S o u homem mo d e s t o ocupando o cargo d e v i g i a d e o b r a s , em período no t u r n o , e faço d a l e i t u r a dos l iv r o s os com panheiros para a t r a v e s s a r in s o n e as horas do meu t r a b a l h o " . C o n tin u a n d o , d i z q u e um amigo em prestou- lhe um l i v r o m e u , " e x c e l e n t e " , embora não m encio ne q u a l d ê l e s . E po r i s s o lembrou-se de me p e r g u n t a r s e eu não p o d e r ia e n v ia r - lh e alguns; liv r o s usados p o is "p e r c e b o pequeno s a l ã r i o , e o meu ganho não dã p a r a a compra dos m esm os".
A c a r t a me s u r p r e e n d e e comove. Po r que ê s se homem ê v i g i a d e o b r a s ?
F a l e i pelo t e l e f o n e com o e s c r i t o r Umberto P e r e g r i n o , D ir e t o r do I n s t i t u t o N a c io n a l do L i v r o , c o n te i- lh e o c a s o , e ê l e prontam ente mandou e n v ia r uma s e le ç ã o d e l i v ro s ao v i g i a d e o b r a s .
Posso f a z e r um p e d id o aos l e i t o r e s ? Que téimbêm
1967
( C O N T . ) dem l iv r o s usados p a ra Fernando B e r n a r d e s, dando- lhe umaa l e g r i a . S eu endereço i : Rua I m a r a í , 1 2 4 , Bangu. O b r i g a d a . 28 out S u í t e d a prim avera s u í ç a DM 4 nov As grandes p u n iç õ es DM 11 nov A fa v o r do mêdo DM 18 nov Um encontro p e r f e i t o DM 25 nov Quando c h o ra r DM A m i n e i r a c a la d a DM A v i d e n t e DM A gradecim ento? DM "A c o i s a " DM 2 dez Por d e t r ã s d a devoção DM 9 dez Uma c o i s a DM Lição d e p iano DM B o lin h a s DM 16 d ez Das d o ç u r a s d e Deus DM
De ou tras d oçuras d e Deus DM
2 3 d ez
0 caso d a c a n e t a d e ouro DM
3 0 dez
28
1968
6 j an S a n T ia g o DM 13 j a n C alo r humano DM 20 j a n I n s ô n i a i n f e l i z e f e l i z DM G ratid ã o à m aquina DM A i r r e a l i d a d e do realism o DM 27 j anComo uma corça DM
3 f ev
Que me ensinem DM
Um te le fo n e m a DM
Chico Buarque d e H o la n da DM
Ao l i n o t i p i s t a DM
(NP: Na DM, p. 8 7 , a d ata e 4 fev 19 6 8 , d i a em que não ha cr ô n ic a de C la r ic e L i s p e c t o r no J B ) 10 fev Um p e d i d o • DM Deus DM Um sonho DM Um p in t in h o DM Anonimato DM
Chico Buarque d e Holanda^ DM
17 fev C a r ta ao M in is t r o d a Educação DM 2 4 fev S e n t ir - s e ú t i l DM O u t r a c a r t a DM H erm ética? DM 2 mar Perso n a • DM 9 mar O g r it o DM O m a io r e lo g io que j á r e c e b i DM
1968 (CONT.)
0 v e s t id o branco DM 16 mar Restos do c a r n a v a l DM 2 3 mar 01 , Chi co ! DM Ana L u í s a , L u c ia n a e um polvo DM M a r ia chorando ao t e l e f o n e DM O u tra M a r i a , e s s a in g ê n u a e C a r l o t a DM (NP: Na DM, p. 1 1 3 , o t-Ctulo é : O utra M a r i a , es sa i n g ê nua , e C a r lo t a ) 30 mar Armando N o g u e ir a , futebol- e e u , c o it a d a DM 6 abr Estado d e g ra ç a - T recho DM 2 0 abr A d e u s , vou-me embora! DM 27 abr Escândalo i n ú t i l DM 4 maio A a l e g r i a mansa - trecho DM A v o l t a ao n a t u r a l - t re c h o DM 11 maio D e c la r a ç ã o de. amor DM As t r ê s e x p e r iê n c ia s DM 18 maioA m atança d e s ê re s hum anos: os ín d io s DM
Enquanto vocês dormem DM
25 maio
E s t r it a m e n t e fem inin o DM
"R o s a s s i l v e s t r e s " DM O ca rin h o d e um l e i t o r
R ecebi ao mesmo tempo e d a mesma p e s s o a ro sas l i n d a s , um l i v r o e uma c a r t a . A ntes d e m a is n ada arrum ei as
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l iv r o s e chamava S o is todos S a n p a k a , por Sak u razaw a Nyoi- t i, versã o o c i d e n t a l a t u a l i z a d a d a M a c r o b ió t ic a Z e n , por W il l ia m D u f t y .
A bri a c a r t a : "S e eu não c o n f ia s s e na su a c u r i o s i d a d e f i c a r i a com mêdo d e q u e v o c ê r a s g a s s e e s t a c a r t a sem a
l e r . É o q ue todo o mundo f a z , i n c l u s i v e e u , com c a r t a a- nô nim a, com a d i f e r e n ç a q u e eu nunca r e ce b i c a r t a anónim a. Ê ste liv r o e n s in a um regime ja p o n ê s que acaba com q u a lq u e r d o e n ç a . Do câncer ao r e s f r i a d o , passando p elas doenças men t a is ou n e r v o s a s , atê m io p ia e q u ed a d e c a b e lo , o regime cura tudo . P a r e c e que não cura amor, mas não c r e io que e s t a d o e n ç a a a f l i j a t a n t o . V o c ê tem d ep re s s õ es e i n s ó n i a , o regim e cura i s t o em d e z d i a s ; pena que assim esses seus o lh in h o s d e lu a nova fic a r ã o aberto s menos tempo.
A d i e t a não d e v e s e r começada bruscam ente e em caso d e d o r d e cabeça chupar uma o u duas ameixas s a lg a d a s japo- n ê s a s , q ue p a s s a .
As rosas são p ara f i c a r lh e dando remorso enquanto v o c ê não l e r o l i v r o .
Menos vima que o fe r e ç o p o r am or".
O pseudónimo e S a y o n a r a , e a c r e s c e n t a um P . S . : "Sã- bado v o c ê es tê v e d i v i n a , l i s u a co lu n a q u a se trêm ulo s e g u rando o j o r n a l com as duas m ã o s ".
O b r i g a d a , S a y o n a r a . Se v o c e não q u is a s s i n a r s e u no m e, d e v e t e r seus m otivos e p e r d ô o . Porque a c a r t a ê d e
c a r in h o . As r o s a s , como eu d i s s e , e n fe ita ra m m inha v i d a . Uma das r o s a s , a que v o c ê o f e r e c e por amor, a c e i t o . E vo u
l e r o l i v r o . Não só i s s o : quando o t i v e r lid o - v a i demo r a r p orque ando m uito o cu p ad a - quando eu o t i v e r l i d o , t r a n s m i t i r e i as partes m a is i n t e r e s s a n t e s aos l e i t o r e s d e m inh a c o lu n a . E p r o c u r a r e i s e g u i r o r e g im e . Meus; "o lh in h o s d e lu a no va" bem g ostarã o -de s e fecharem e eu dorm ir como
todo o mundo. O b r ig a d a .
(N P: Trans crev e-s e na DM, ã p . .144, a crônica"Saudade" com d a ta ( f a l s a ) de 27 maio 1 9 6 8 . Na r e a l i d a d e , " S a u d a d e " fo i estampada no JB_ a 27 maio 1 9 7 2 ) . 1 j u n F r a s e m i s t e r i o s a , sonho e s tran h o DM
1968 (CÒNT.)
8 j u n M u lh e r dem ais DM1968 (CONT.)
I d e a l burguês E amanhã ê domingo
(N P : No DM_, p. 1 4 8 , hã inversão na ordem dos m ó d u lo s : M ulher demais E amanhã é domingo I d e a l b u r g u ê s ) DM DM 15 j u n P e r t e n c e r DM 22 j un A in d a sem r e s p o s t a Uma e x p e r iê n c ia S e r c r o n is t a DM DM DM 2 9 j u n C o r re s p o n d ê n c ia
D escu lp em todos vocês aos q u a is não re sp o n d i porque não s e i onde g u a r d e i as c a r t a s : v iv o perdendo c o isa s d e n t r o d e c asa mesmo. Mas um d i a acho e resp o nd o .
- F .N .M . , vo cê ê uma r ap o sa a s t u c i o s a , mas d e i x o u o rabo a p a r e c e r mesmo p ara uma pesso a d i s t r a í d a como e u .S u a s
i n i c i a i s devem s e r f a l s a s também; a c r e d it o que v o c ê s e j a m u lh er d e d ip l o m a t a , pelo número d e d ip lo m a ta s que v o cê c i t a . Você toma ura a r d e f a l s a p ie d a d e e me d i z que soube que a d e p r e s s ã o em que a n de i fo i causada pelo casamento d e meu ex-m arido. G u a r d e , m inha s e n h o r a , a p ie d a d e para s i p r ó p r i a , que não tem o que f a z e r . E s e q u e r a v e r d a d e ,c o i s a p e l a q u a l a s e n h o r a não e s p e r a v a , e i- la : quando me s e p a r e i d e meu m a r id o , e l e esp ero u p é la m inha v o l t a m ais de s e t e a n o s . Quando ê le s e c a s o u , e bem c a s a d of fo i um g ra n
d e a l í v i o p a ra mim , s e ê que a sen h o ra compreende essas c o i s a s : fo i um a l í v i o e uma a l e g r i a porque eu o Scibia. bem acompanhado e não m ais s o z i n h o , e , p o r t a n t o , eu não me s e n t i a m ais c u lp a d a . Continuo amiga d a f a m í l i a d e meu ex- m a r id o , fa lo com ê l e e com s u a nova espõsa m uito c o r d i a l m en te. P e r d o e , M adade F . N .M . , eu d e s t r u i r o romance que a s e n h o r a c o n s t r u iu . Mas eu lh e d o u o m a t e r ia l p a ra a s e n h o
ra i n v e n t a r o u t r o : realm en te p a s s e i por um período- d e d e pressão e , não só não me i n t e r e s s a con tar- lhe o m o t iv o , como não q u e r o . E stá bem , meu b e n zin h o ? * * * M a r ia E s t e r M u s s o i: v o c ê dem onstra t a l e n t o ao e s c r e v e r (por fa v o r não
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me mandem m a n u scrito s porque não gosto d e l ê - l o s ), d e Ma r i a E s t e r : " 0 t e u fim s o o u , quando m a ta s t e K e n n ed y , o m a i o r C ésar q ue t i v e s t e ; quando teus l e g io n á r io s fizieram d e um V ietnam e um campo d e san gue e d e m o r t e ; mas p r i n c i p a l m ente a g o r a , f a l s a c i v i l i z a d a , quando t i r a s t e a um p a c í f i co n e g r o , o d i r e i t o d e v i v e r e d i z e r " . S u a c r ô n ic a também é b o a . Mas eu q u e r i a d i z e r a v o c ê e a todos os que estão começando a e s c r e v e r q u e , pa ra não r e s p e i t a r as regras gra m a t i c a i s , ê e s s e n c i a l conhecê-las - senão é sim ples êrro
e ig n o r â n c i a . Ê , s im , c r i a r é co m p lic ad o . Mas v a l e a p e n a . * * * Fundação Casa do E s tu d a n te do B r a s i l : perdoem e u não t e r id o ao r e c i t a l do C oral e d a O r q u e s t r a d e Câmara d a E s c o la d a A e r o n á u t ic a : r eceb i o c o n v it e a trasa d o e j á t i nha passado a d a t a . * * * J o s é A n t ô n io : " . . . a in d a não sou puro pa ra com preender as pessoas puras como v o c ê " . Não sou tão pura a s s im , Jo sé A n t ô n io , s o u uma p e s s o a como as o u t r a s . V o c ê c o n t in u a : "- O que eu q u e r i a e r a d i z e r o que ê
C l a r i c e . Claro q ue é uma C l a r i c e P e s s o a l , mas o que é mais v á l i d o . . . " Não p ro cure a d iv in h a r quem eu s o u : eu mesma até h o je não a d i v i n h e i . * * * Padre Armindo T r e v i s a n , d e S a n ta M a r i a , Rio Grande do S u l : "D i a s a t r á s , l i um d iá lo g o po s s í v e l , com C l a r i c e L i s p e c t o r , que M anchete e s tá p u b l ic a n d o . . . a c e i t e meus p a r a b é n s . Por f a v o r , c o n t i n u e !" C o n t i n u a r e i , mas essas rep ortagens não dependem sõ d e mim, d e pendem do dono e do D i r e t o r d a r e v i s t a . * * * Não p D s s o , i n f e l i z m e n t e , j a n t a r com v o c ê , F .M . S e r i a o comêço d e um mau h á b it o . Mas agradeço o c o n v it e . * * * "L e n d o o J o r n a l do Bra s i l , j á em d a t a p a s s a d a , po is r e c o r to suas c r ô n i c a s , t e n t e i a n a l i s a r uma d e l a s , 0 g r i t o . G ò s t e i d e s e u g r i t o , é um
g r i t o tão f o r t e que d e s p e r t e i . Não s e i s e o e n t e n d i com p le t a m e n t e , mas d e s p e r t e i . Senti-me le v e em suas e x p r e s sões tão hum anas, parecendo tão l i v r e s . T a l v e z s e j a o g r i to d e q u e a ju v e n t u d e p r e c i s a , um g r i t o d e l i b e r d a d e " (Êl- cio F e r r e i r a dos S a n t o s ) . Os e s tu d a n te s estã o g rit a n d o em tô da s as p a rtes do mundo, Ê l c i o . E eu g r i t o com ê l e s . * * * H i l c a , s e u t e l e f o n e não r e s p o n d e , não posso assim ajudá- la na g r a v e c r i s e p e l a q u a l v o c ê está p a s s a n d o . T e l e f o n e para mim. * * * De L im a , P e r u , d atad o d e 2 4 d e maio ú l t i m o , mas a a s s i n a t u r a ê i l e g í v e l . F iq u e i c o n te n te d e v e r v o c ê f a z e r um poema baseado numa c r ô n ic a m in h a . É a s s im : A q u i/n ã o é c a fé e t ê / não tem a ç ú c a r , tem ja s m im / E lã f o r a não há
a g a r r a . . . / E i também d entro d e s t a e s c u r i d ã o ,/ que me s i n t o t r i s t e , / sem r e m é d io / "m e d io c r id a d e d e v i v e r " / S e o u t r a s in te n ç õ e s não t i n h a , p ara alguém s e r v i u / s e u e s c r it o . G r a to " * * * De C é lio A v a n c i n i , C am p inas, Estado d e São Pau l o . " D i a d e m uito s o l e uma v o n ta d e f o r t e , m uito f o r t e , d e amar e c o n v e r s a r , d e s e r am igo , am an te, amado d e pessoas como v o c ê , C l a r i c e . Amparo d e minhas n o i t e s , C l a r i c e : Foi m a io r a a n s i e d a d e , s in t o m u ito . Im agino a q u a n t id a d e d e pesso as qué s e socorrem em s e u r e g a ç o , d e n tr o d e suas pa l a v r a s , no fundo d e suas m ãos, e im agino a in d a a p a c iê n c ia que d e v e t e r p a r a s u p o r t a r t a n t o pêso em seus om bros, pois que tudo i s s o , é c e r t o , p e s a m ais "q u e a mão d e uma c r i a n ç a " . M a s , eu j ã d i s s e , a a n s ie d a d e f o i m a io r , e eis-me lan çado a p rò v ã v el p o nte c o n s t r u íd a bem d e n tr o d e mim, na t r a v e s s i a das m a d r u g a d a s , quando o c a lo r n a s c i a d e seus li v r o s , d e s u a compreensão do m undo, das m a ra v ilh a s d e que
é c a p a z . M uito o b r i g a d a , C l a r i c e , p e la s c o is a s que co n se gue e s c r e v e r . H o je eu r e p r e s e n t o o p a p e l m uito conhecido do jovem e s c r i t o r que p ro cu ra o grand e p a ra m o strar suas e x p e r i ê n c i a s , seus t r a b a lh o s abandonados no fundo das g a v e t a s , s u a t r i s t e z a d e não po der d a r à luz as c o isa s p a r i das em s i l ê n c i o , no mutismo das n o it e s s o l i t á r i a s . É i s t o
também C l a r i c e : quero que v o c ê l e i a os meus t r a b a l h o s , t e nho n e c e s s id a d e d i s s o , v o c ê f o i e l e i t a e n t r e todos p ara s u p o r t a r m inha i n v e s t i d a e o c h e ir o d e meu co raçã o . S e r i a p e d ir d em a is ? S in c e r a m e n t e , acho q u e t a lv e z s e j a (é m ais p r o v á v e l ), mas j á s e t o r n o u i n e v i t á v e l o p e d i d o , a c a rta n a s c e u , m inha r e s p o n s a b i l i d a d e é q u a s e n u l a , vo cè é vim g i g an te e eu não tenho c u lp a . - " A v a n c i n i , por Deus que não s e i p o r que vo u f a z e r uma e x c e ç ã o : mande-me algum t r a b a lh o seu e v e r e i s e posso encaminhá-lo a alguma e d i t ô r a ."
Vocês todos que não tiv e r a m o p o r t u n id a d e d e p a r t i c i p a r d a p a s s e a t a d e q u a r t a - f e i r a , d i a 2 6 , não sabem o que perderam oomo e s p e tá c u lo d e am or, f é e s o l i d a r i e d a d e huma n a , e p r o t e s t o p r o fu n d o . N ó s , q ue fizem o s p a r t e d a a l a dos i n t e l e c t u a i s , estávamos u n id o s à dos a r t i s t a s e sobretudo à dos e s t u d a n t e s . E honramos a p a l a v r a que demos ao G over nador Negrão d e L im a : f o i vima p a s s e a t a p a c í f i c a que clam a v a pelo s d i r e i t o s do povo mas r e s p e it o s a m e n t e . E s p e c i a l pa
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o o isa s lin d a s e me manda as co isas lin d a s q ue v o c ê e n s in a . S e i a go ra o que ê b r o m ê lia , e e s t á , como v o c ê m ando u, mer g u lh a d a na á g u a , à esp era que a f l o r s e a b r a . As e s t r e lit - . z i a s o u e s t r e l i c i a s q ue v o c ê me mandou parecem unia m is tu r a d e g a l o , f l o r , p a s s a r in h o e e s t r e l in h a s d e São J o ã o . Cus t e i t a n t o a me s e p a r a r d e l a s q u e , m o r t a s , continuavam com . s e u d e p o is f r á g i l g r it o d e g a lo . Até que a em pregada j o
gou-as fo r a . E v o cê prometeu p r ím u la : p la n t a o u tu b é r c u lo tão bem e n sin a d o por Deus q ue f i c a q u i e t a o ano i n t e i r o
e no exato p rim eiro d i a d a prim avera s e a bre em f l o r . No d i a 22 d e setembro f i c a r e i d e v i g i a . No próximo sábado con t i n u a r e i a c o r r e sp o n d ê n c ia .
6 j u l
A d e s c o b e r t a do mundo DM
13 j u l
Cérebro e l e t r ô n i c o : o que s e i é que ê tão pouco DM
O meu p ró p rio m is t é r io DM A o p in iã o d e um a n a l i s t a so b re mim DM 20 j u l O a r r a n jo DM De uma c o n f e r ê n c ia no Texas DM Em b u sc a do ou tro DM 27 j u l " R i t u a l " - t re c h o DM 3 ago
Como t r a t a r o que s e tem DM
D e s a f i o aos a n a l i s t a s DM
P a la v ra s d e uma am iga DM
M ig u e l Ângelo DM
O s u ê t e r DM
O em baixador e s c r i t o r
Quem e s p e r a r que o Em baixador H e n r iq u e V a l e te n h a e s c r it o um liv r o d e e x p e r iê n c ia s como Em baixador do B r a s i l na R ú s s ia o u em o u tr o s p a ís e s e s ta r á com pletam ente e n g a nado . T ra ta - se d e um em baixador m uito c a r i o c a , com quem s e pode também f a l a r na g í r i a , embora não a u s e p a r a e s
c r e v e r , a menos que s e j a o c a s o . H e n r iq u e V a l e no s e u l i vro S e t e e s t ó r ia s c u rta s e uma não t a n t o - t í t u l o j á por
s i uma am ostra das h i s t ó r i a s - tem uma s e n s i b i l i d a d e para cada t ip o d e personagem . São contos q u e s e lêem <x»m gôsto porque são não apenas bem e s c r it o s como têm , p ara quem co nhece H e n r i q u e , a v iv a c id a d e p e s s o a l do a u t o r : Segunda G u erra M u n d i a l , Conto contado pra v i z i n h a , M in ha mão d o e n t e , M orceau C h o i s i , N o it e sem c ê u , O a s s a s s in a t o do s u i c í d i o , A mão d e Deus e o medo do D i a b o , Conversa de: b o a te - são todo s d e boa q u a l id a d e e continuo a não e n t e n d e r por que H e n r iq u e só ago ra r e s o lv e u p u b lic á - lo s . Tem contos a l i que p r e f i r o mas não vo u d i z e r q u a is p a ra não i n f l u e n c i a r o
l e i t o r . 10 ago Uma h i s t ó r i a d e t a n t o amor DM 17 ago Morte d e uma b a l e i a DM 2 4 ago N o it e na m ontanha DM 31 ago A p e r s e g u id a f e l i z DM I 7 set Os perfum es d a t e r r a DM F a m i l i a r i d a d e DM Dorm ir DM M is t é r i o DM
Uma t a r d e f e l i z como em bandeirada
. . . Que f e l i c i d a d e pura e s u a v e . Tudo n e s ta t a r d e e s ta v a ameno e l e v e como b r i s a p ara p re p ara r m inha i d a â c a s a d e G raub en. E n f e i t e i -me um po uco: q u e r i a e s t a r b o n i t a , im it a n do d e lo n g e a n a t u r e z a d e s t a t a r d e . E lã f u i eu com d o is
liv r o s na mão p a r a d e d i c a r ã d e l i c a d í s s i m a p i n t o r a . D e p õ is en te n d i q ue d e v e r i a t e r levado p a p o u l a s , as m a is lin d a s e v a r i a d a s , e s e p u d e s s e com praria uma b o r b o le t a v i v a pa ra
c h e i r a r as f l õ r e s .
E G rauben? E l a é a e s p e ra n ç a dos que temem a v e l h i ce. E o s e g r e d o e d e s c o b r i r em s i mesma a p o s s i b i l i d a d e d e uma ação c r i a t i v a . G rauben tem 78 an o s. E l a é e n x u t i n h a , e tão b o n i t i n h a , e mexe-se com g estos h á b e is e á g e i s , anda com m ais l e v e z a do q u e m u it a jovem . E s e u r o s tô ? É l i n d o :
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ima p e le sem m ancha, a saú de s e r e l f e t i n d o naqueles o lh os a l e g r e s , o rosto cõr-de-rosa. Se e s t a é s u a c ó r , ótim o. S e era um pouco d e r ü g e , m elhor a in d a . Eu q u e , mesmo sem mo t i v o , s o u um pouco m e l a n c ó l i c a , v i q ue es ta v a rindo e s o r rindo e era a mais lím p id a homenagem à p in t o r a . E s c o lh i um quadro que tem tudo d e G rau b e n : um grande pássaro a z u l e n t r e á g u ia e p a v a o , uma enorme b o r b o l e t a , uma f l o r t ó d a a b e r t a , p la n t a s e todos p o n t ilh a d o s que e l a usa como fundo do quadro e q ue dão a im pressão d e uma m o ita d e a l e g r i a . Nós duas queríamos nos con hecer m utuam ente. Lamento - a p e nas t e r p rovavelm ente ar d e b ô b a , s o r r in d o â t o a . S u a f i - . lh a E u n ic e Catunda i c o n c e r t i s t a . Passamos p ara o s e u a- partam ento ao lado e e l a to c o u p a ra mim. Tóda eu era um batendo d e emoção. Os sons que saíam d e seus dedos eram tão puros e sonoros e lím p id o s . Eu e s t a v a s é r i a d e p r a z e r .
E u n ic e j á to co u como s o l i s t a no C a r n e g ie H a ll e em setem bro i r á d e novo s e a p r e s e n t a r na mesma s a l a d e concertos onde só os grandes entram . "E u me d i v i r t o com meus f i l h o s : são tão i n t e l i g e n t e s e c a p a z e s . E u n i c e , por exem plo, além dos concertos por t a n to s lu g ares do m undo, tem j e i t o p ara t u d o : s e f a z p i n t u r a , f a z ó t im a , s e c o z in h a a comida ê p e r f e i t a , e l a s ab e f a z e r t u d o ." Grauben não p erde nada des t e mundo. E l a ê pra f r e n t e . S u a ca sa d e s ú b it o p ara mim pa rec e um bosque en c a n t a d o , ú m ico , d e n s o , rico com tô das as i n v i s í v e i s fô lh a s v erd es e t r a n s p a r e n t e s . E eis-me agora com uma G rauben em c a s a . Quem não tem jam ais sa b e rá o que p e r d e . E o preço dos quadros ê p e r fe it a m e n t e a c e s s í v e l a um anorme número d e p e s s o a s . G rauben me d e u uma f o t o g r a f i a s u a segurando exatam ente o meu q u a d r o . E atrás d a f o t o g r a
f i a - d e s c u lp e m , mas a a l e g r i a me fa z p e r d e r por um i n s t a n t e a m o d é s tia o b j e t i v a com q ue v iv o - atrás d a fo t o g r a f i a e s c r e v e u : "Ã g ra n d e C l a r i c e , o b r i g a d a po r c o n h ecê - la , a d e s d e j á grand e a m i g a ." A s s in a d o o nome m ais d e l e i t o s o e n t r e nossas p i n t o r a s : G rau b e n .
1968 (CONT.)
14 set E s c r e v e r DM F a r t u r a e c a r ê n c ia DM Conversas DM 21 set Fernando P e s s o a me ajud an do DMOs p r a z e r e s d e uma v i d a normal DM É p r e c is o também não p e rdo ar DM
Lição d e f i l h o d m
28 s e t
Lem brança d e f i l h o pequeno DM
A fome DM
M is t é r io s d e um sono DM
S e g u ir a fo r ç a m aior DM
Só como p rocesso DM
(NP: Na DJ£, p. 2 01^ consta a in d a n e s t a d a t a o modulo: "As dores da s o b r e v i v ê n c i a : S érg io P o r t o " , que fo i p u b lic a d o no J_B_ no d i a 5 out 19 68)
5 out
As d ores d a s o b r e v i v ê n c i a : S é r g io Porto DM
Eu s e i o que é prim avera DM
0 t e r r o r DM 12 out T a l v e z assim s e j a DM F id e li.d a d e DM E s t i l o DM D e l i c a d e z a DM Amor a êle DM Mãe-gente DM
(N P : Nà ã p. 20 5 3 título é M aê- Gentil)
19 out Faz d e con ta DM "P r e c i s a - s e " DM São Paulo DM 2 6 out A b r a v a t a DM 2 nov S e n s i b i l i d a d e i n t e l i g e n t e DM I n t e l e c t u a l ? Não. DM 0 que eu q u e r i a t e r s id o DM 9 nov T recho DM
1968 (CONT.)
38
O sonho DM
Um oonto s e fa z ao la rg o DM
Uma r e v o l t a DM
16 nov
Aprofundam ento das horas DM
Comer, comer DM
Dor d e m useu DM
M ário Q u in t a n a e s u a adm iradora DM 23 nov
0 r i t u a l DM
0 terrem oto DM
A p e r fe iç ã o DM
0 nascim ento do p r a z e r - (trecho) DM 3 0 nov
A n g in a " P e c t o r i s " d a alma DM
(NP-: No DM_y p. 22 8 , eli-minam-s e as aspas-)
Se eu f o s s e eu DM Como é q u e s e esc re v e ? DM Um d iá lo g o DM C onversa t e l e f ô n i c a DM 7 d ez De uma c o n f e r ê n c ia no T exas
1968 (CONT.)
Copio um t r e c h o d e uma c o n fe r ê n c ia que p r o n u n c ie i no T e x a s , a c o n v it e d e s u a U n iv e r s id a d e :
” . . . N essa m inha e x p e r iê n c ia f u i d e i n í c i o le v a d a a p e n s a r , p e l a p r im e ir a v e z com atenção na p a la v r a v a n g u a r d a , e , por uma q u estã o d e a u t o c l a r i f i c a ç ã o e auto- honesti- d a d e , p r e c i s e i também t e n t a r a co n fig u r a ç ã o do que p a r a mim s i g n i f i c a v a uma v a n g u a r d a l i t e r á r i a . V a n g u a rd a s e r i a , tam bém p a ra m im , ê c l a r o , e x p e r i m e n t a ç ã o ... O que me c o n fu n d i u um pouco a r e s p e it o d e v a n g u a r d a como experim en tação é que t ô d a v e r d a d e i r a a r t e ê experim entação e , lamento mui t o , t ô d a . v e r d a d e i r a v i d a ê e x p e rim e n ta çã o . Po r q u e então uma exp erim en taçã o e r a v a n g u a r d a a o u t r a não? V a n g u a rd a s e r i a a q u e la q u e r e v e r t e s s e v a l o r e s form ais e t e n t a s s e por assim d i z e r , um o p ô s to ao q u e e s t i v e s s e no momento sendo form alm ente f e i t o ? S e r i a s im p ló r io d e m a is , além d e que tão raso q uanto as m od as. Quem s a b e , v a n g u a r d a s e r i a p a r a mim
a forma sendo usada como nôvo elemento e s t é t ic o ? Mas à e x p ressão elemento e s t é t ic o não s e entend e bem comigo. Ou v a n g u a r d a s e r i a a nova form a, usad a p a r a r e b e n ta r a v is ã o e s t r a t i f i c a d a e f o r ç a r , p e la a r r e b e n t a ç ã o , a v is ã o d e uma r e a l i d a d e o u tr a - o u , em sum a, d a r e a l i d a d e ? Is s o j ã e s t a v a m e lh o r. Q u a lq u e r v e r d a d e ir a experim entação l e v a r i a a m a io r auto conhe c im e n t o , o que s i g n i f i c a r i a : conhecim ento. V an g u a rd a s e r i a , p o i s , em ú ltim a a n á l i s e , um dos i n s t r u mentos d e conhecim ento, vim instrum ento avançado d e p e s q u i s a . Ê sse modo d e experim entação p a r t i r i a d e renovações for m a i s , suponham os, que leva ria m ao reexame d e c o n c e it o s , mesmo d e co n ceito s não fo r m u la d o s, só s u b e n t e n d id o s . Mas p o d e r ia também p a r t ir d a c o n s c i ê n c i a , mesmo não fo rm u la d a , d e c o n c eito s n o v o s, e r e v e s t ir - s e i n c l u s i v e de uma forma c l á s s i c a - e is s o j ã c o n t r a r ia v a o c o n c e ito d e v a n g u a r d a , em e s t r i t o s e n s o , como é geralm ente c o n fig u r a d a ?
Foi então q ue p e r c e b i q ue m inha d i f i c u l d a d e sô b re a m a t é r ia era m uito m ais fu n d a . Ê que eu e s t a v a lid a n d o com um a ss u n to afim a duas p a lav r a s cujo s e n t id o nunca t i v e r a m uito s e n t id o p ara mim: refiro- m e ã expressão forma e fu n d o . São p a lav r a s usadas em co n tra p o siç ã o ou em j u s t a p o s i çã o , não im p o r t a , mas s i g n i f i c a n d o d e q u a l q u e r m a n e ira d i v i s ã o . E e s s a expressão forma-fundo sempre me d e s a g r a d o u v it a l m e n t e - assim como me incom oda a d iv i s ã o corpo-alma , m a t é r ia - e n e r g ia , e t c . Sem nunca me d e t e r m uito no a s s u n t o , eu r e p e l i a q u a se d e i n s t i n t o e s s e modo d e , po r s e t e r co r tado v e r t ic a l m e n t e um f io d e c a b e l o , p a s s a r por i s s o a j u l g a r que o fio d e cabelo compõe-se d e duas m e ta d e s. O r a , um f i o d e cabelo não tem m e t a d e s , a menos que sejam f e i t a s . Bem s e i que u s a r d iv is ã o d e fundo e forma t a lv e s s e j a
às v ê ze s h ip ó t e s e d e t r a b a l h o , instrum ento p a ra e s tu d o . Se também eu u s a s s e êsse in s t r u m e n t o , v a n g u a r d a então s e r i a ino vaçã o d e forma? Mas inovação, d e forma p o d ia então im p l i c a r conteúdo ou fundo a n tig o ? Mas q u e conteúdo é esse que não p o d e r ia e x i s t i r sem a chamada forma? Que f io d e cabelo é ê s se que e x i s t i r i a a n te r io r m e n t e ao prõpario fio d e c a b e lo ? Q u al ê a e x i s t ê n c i a que é a n t e r i o r a e x i s t ê n
c i a . Vendo me tão c o n f u s a , então eu me p r o p u s , apenas para me f a c i l i t a r e também apenas p a r a h i p ó t e s e d e avanço m eu, que p a r a mim a p a la v r a tema s e r i a a q u e la que s u b s t i t u i r i a
a u n id a d e i n d i v i s í v e l que é fundo- form a. Um t e m a , s im , po