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(1)

MICROECONOMIA 2 – GRADUAC

¸ ˜

AO

Departamento de Economia, Universidade de Bras´ılia

Notas de Aula 3 – Externalidades e Bens P´

ublicos

Prof. Jos´

e Guilherme de Lara Resende

1

Externalidades

1.1

Introdu¸

ao

Defini¸c˜ao: Externalidade. Dizemos que ocorre uma externalidade quando o bem-estar de um agente econˆomico (indiv´ıduo ou firma) ´e afetado diretamente pelas a¸c˜oes de outro agente econˆomico, que n˜ao por meio de mercados. A externalidade pode ser negativa (se piora o bem-estar do agente) ou positiva (se melhora o bem-estar do agente).

Uma externalidade de consumo ocorre quando a a¸c˜ao de um agente afeta a utilidade (ou utilidades) de outro agente (outros agentes). Uma externalidade de produ¸c˜ao ocorre quando a tecnologia de alguma ou algumas firmas afeta o bem-estar de outros agentes. Assim como a externalidade de consumo, a externalidade de produ¸c˜ao pode ser positiva ou negativa.

O ponto principal da externalidade em termos econˆomicos ´e a inexistˆencia do mercado para o bem ou servi¸co gerado pela atividade causadora da externalidade. Quando ocorre uma externali-dade, o custo (se a externalidade for negativa) ou o benef´ıcio (se a externalidade for positiva) social da a¸c˜ao do agente ser´a diferente do custo ou benef´ıcio privado. Esta discrepˆancia entre o custo ou benef´ıcio social e o custo ou benef´ıcio privado pode tornar a decis˜ao privada distinta da decis˜ao socialmente ´otima, mesmo em um mercado perfeitamente competitivo.

No caso de uma externalidade negativa, o n´ıvel de atividade estar´a acima de seu n´ıvel social-mente ´otimo. No caso de uma externalidade positiva, o n´ıvel de atividade estar´a abaixo de seu n´ıvel socialmente ´otimo. Isso ocorre porque o custo (ou benef´ıcio) associado `a externalidade n˜ao ´e levado em conta pelo agente causador da externalidade.

Nesse caso, o primeiro teorema do bem-estar n˜ao ´e mais v´alido em geral : na presen¸ca de externalidades, a aloca¸c˜ao de mercado pode ser ineficiente no sentido de Pareto.

Exemplos:

• Fumantes e n˜ao fumantes: dois colegas de quarto, um fumante e outro n˜ao fumante. Ao fumar, o fumante diminui o bem-estar do seu colega.

• Polui¸c˜ao: uma firma que polui um rio, sem considerar o dano que atinge o rio e a comunidade ribeirinha presente.

• Trens e fa´ıscas (Coase): a passagem de trens pelos trilhos gera fa´ıscas que podem causar incˆendios em planta¸c˜oes.

• Abelhas e poliniza¸c˜ao: exemplo cl´assico de externalidade positiva, em que abelhas ajudam a polinizar planta¸c˜oes.

(2)

Para ajudar o entendimento, vamos supor um modelo simples (Varian (2012), cap´ıtulo 34, “Externalidades”, e Nicholson and Snyder (2008), cap´ıtulo 19, “Externalities and Public Goods”) com duas firmas, A e B, onde a firma A, ao produzir o seu bem na quantidade yA, escolhe uma

quantidade xA de polui¸c˜ao, que afeta os custos de produ¸c˜ao da firma B, denotados por cB(yB; xA).

As duas firmas est˜ao inseridas em mercados competitivos, logo tomam os pre¸cos dos bens que produzem como dados e procuram maximizar os seus lucros. O problema de maximiza¸c˜ao de lucro da firma A ´e:

max

yA,xA

pAyA− cA(yA, xA) ,

onde pAdenota o pre¸co do bem que a firma A produz e a fun¸c˜ao custo da firma A satisfaz ∂cA/∂yA >

0, ∂2c

A/∂yA2 > 0, ∂cA/∂xA< 0. Note que estamos assumindo que quanto maior o n´ıvel de produ¸c˜ao

de polui¸c˜ao, menor ser´a o custo de produzir o bem yApela firma A. Podemos modificar essa hip´otese

de diversas formas, como, por exemplo, assumir que a produ¸c˜ao de yA gera diretamente um n´ıvel

´

unico de polui¸c˜ao xA, de tal modo que a decis˜ao da firma A ´e relativa apenas `a quantidade de yA

que ir´a produzir, que gera uma quantidade de polui¸c˜ao associada.

As condi¸c˜oes de primeira ordem do problema da firma A resultam em: (yA) : ∂cA(yA, xA) ∂yA = pA (xA) : ∂cA(yA, xA) ∂xA = 0

A primeira CPO ´e a condi¸c˜ao usual pre¸co igual a custo marginal, que determina a oferta ´otima de uma firma competitiva. A segunda CPO diz que a firma ir´a escolher a quantidade ´otima de polui¸c˜ao de modo a igualar o custo marginal de poluir a zero.

J´a o problema de maximiza¸c˜ao de lucros da firma B ´e dado por: max

yB

pByB− cB(yB, xA) ,

que resulta na CPO pB = ∂cB(yB, xA)/∂yB. A quantidade de polui¸c˜ao gerada pela firma A afeta

os custos da firma B, mas a firma A n˜ao leva esse efeito em conta. Temos ent˜ao uma externalidade negativa gerada na produ¸c˜ao do bem yA. Vamos encontrar qual a quantidade de polui¸c˜ao socialmente

´

otima, levando em conta os efeitos sobre a firma B. Uma forma de encontrar esse valor ´e por meio de uma fus˜ao das duas firmas, que passa ent˜ao a maximizar o seu lucro produzindo os dois bens yA e yB:

max

yA,yB,x

pAyA+ pByB− cA(yA, x) − cB(yB, x) ,

As CPOs desse problema resultam em: (yA) : ∂cA(yA, x) ∂yA = pA (yB) : ∂cB(yB, x) ∂yB = pB (x) : ∂cA(yA, x) ∂x = − ∂cB(yB, x) ∂x

As duas primeiras CPOs mostram que a firma integrada continua a decidir a quantidade ´otima a ser produzida de cada bem igualando pre¸co ao custo marginal para cada um desses bens.

(3)

A terceira CPO mostra que a quantidade socialmente ´otima de x ´e determinada igualando o custo marginal em A de emiss˜ao de x ao negativo do custo marginal em B com a emiss˜ao ocorrida de x. Vemos ent˜ao que a firma integrada internalizou o custo da polui¸c˜ao sobre a firma B em seu processo decis´orio. Vamos supor que os custos marginais de produ¸c˜ao de A e de B em x s˜ao crescentes. Isso leva ao gr´afico abaixo, que mostra que a quantidade socialmente ´otima de polui¸c˜ao, denotada por x∗∗, ´e menor do que a quantidade privada, denotada por x∗. Portanto, a solu¸c˜ao privada leva a uma quantidade de polui¸c˜ao superior ao socialmente desej´avel.

6 -Pre¸co x                  ∂cB/∂x Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q QQ −∂cA/∂x  x∗ x∗∗ s x∗∗: ´Otimo Social x∗ : ´Otimo Privado x∗∗< x∗

De modo geral, se o mercado operar livremente numa situa¸c˜ao de externalidade negativa, a quantidade produzida pelo mercado ser´a maior que a quantidade ´otima do ponto de vista social (qM > qS, na figura abaixo). Portanto, a existˆencia de uma externalidade leva a uma ineficiˆencia,

pois o benef´ıcio marginal total de uma atividade n˜ao se iguala ao seu custo marginal total (custo marginal privado somado ao custo marginal social). Nesses casos, ´e poss´ıvel melhorar a aloca¸c˜ao de mercado (isto ´e, alcan¸car uma aloca¸c˜ao Pareto-´otima). Obviamente, isso n˜ao significa que toda interven¸c˜ao feita ser´a perfeita ou fact´ıvel de ser implementada na pr´atica. Diversos problemas, como assimetrias informacionais, podem dificultar esse processo de interven¸c˜ao.

6 -Pre¸co Quantidade               

Oferta (custo privado)

             Custo social Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q QQ Demanda qM

s Equil´ıbrio de Mercado

qS

s

´

(4)

1.2

Solu¸

oes

As solu¸c˜oes para o problema de externalidades consistem em: 1. Impostos, subs´ıdios, quotas (imposto de Pigou);

2. Aloca¸c˜ao de direitos de propriedade (Teorema de Coase); 3. Cria¸c˜ao de mercados.

As solu¸c˜oes para o problema de externalidades consistem em “internalizar” a externalidade, no sentido de que todos os custos (ou benef´ıcios, no caso de uma externalidade positiva) sociais sejam levados em conta na hora de decidir o n´ıvel ´otimo de externalidade a ser produzido. Trˆes solu¸c˜oes cl´assicas s˜ao relacionadas a: 1) impostos Pigouvianos, 2) Teorema de Coase, e 3) cria¸c˜ao de mercados.

Impostos de Pigou

Um outro mecanismo de corre¸c˜ao da ineficiˆencia gerada por uma externalidade ´e colocar um imposto sobre a produ¸c˜ao no valor do custo social da externalidade (Pigou, 1920). Neste caso, a curva de custo marginal privado se desloca para cima, coincidindo com a curva de custo social.

Esse tipo de imposto, chamado imposto de Pigou (ou subs´ıdio, no caso de uma externalidade positiva) tenta corrigir a ineficiˆencia causada pela externalidade. A taxa ´e escolhida de modo que o n´ıvel socialmente ´otimo da atividade geradora da externalidade seja alcan¸cado.

Em ambos os tipos de externalidade, o efeito da taxa (ou subs´ıdio) ´e fazer com que o agente gera-dor da externalidade incorpore em sua tomada de decis˜ao o custo real de suas a¸c˜oes (“internalizar” a externalidade).

Voltando ao nosso exemplo acima das firmas A e B, caso o governo institua um imposto no valor t por unidade de polui¸c˜ao emitida, o problema da firma A se torna:

max

yA,xA

pAyA− cA(yA, xA) − txA,

As condi¸c˜oes de primeira ordem do problema da firma A resultam em: (yA) : ∂cA(yA, xA) ∂yA = pA (xA) : ∂cA(yA, xA) ∂xA = t Se o governo fixar t∗ = ∂cB(yB∗∗, x

∗∗)/∂x, ent˜ao observe que a firma A ir´a escolher a quantidade

socialmente ´otima x∗∗ e n˜ao mais a quantidade x∗. O imposto Pigouviano t∗ fez com que a firma A internalizasse em seu processo decis´orio o custo que emitir x gera sobre a firma B.

O governo poderia alternativamente fixar uma quota e limitar a emiss˜ao de x da firma A ao m´aximo de x∗∗. Ou poderia dar um subs´ıdio s = −t `a firma A para cada unidade de x emitida. Neste caso, o custo de oportunidade para A de emitir x n˜ao ´e mais zero e sim o valor do subs´ıdio, o que faz com que a firma A reduza a sua emiss˜ao de x para o n´ıvel socialmente ´otimo. As trˆes pol´ıticas alcan¸cam o objetivo de alcan¸car o n´ıvel socialmente ´otimo de emiss˜ao de x, mas possuem consequˆencias distributivas diferentes.

(5)

Observa¸c˜oes sobre Solu¸c˜ao via Impostos, Subs´ıdios, Quotas:

1. O governo deve taxar a atividade geradora da externalidade diretamente (por exemplo, taxar o lucro n˜ao diminuir´a o n´ıvel de externalidade).

2. O governo pode optar por um esquema de subs´ıdio para redu¸c˜ao da externalidade, ao inv´es de taxar a externalidade.

3. A solu¸c˜ao exige que o governo conhe¸ca os benefic´ıos e custos exatos que envolvem o problema de externalidade. Se esse ´e o caso, o governo poderia simplesmente impor quotas de produ¸c˜ao ou exigir diretamente que a firma produzisse a quantidade socialmente ´otima do bem.

Aloca¸c˜ao de Direitos de Propriedade

O problema de externalidade pode ser visto como um problema de aloca¸c˜ao incorreta ou de inexistˆencia de direitos de propriedade. No nosso exemplo, se firma B fosse dona dos direitos de propriedade de ambiente limpo, ela passaria levar em considera¸c˜ao a deteriora¸c˜ao do rio em sua decis˜ao de produ¸c˜ao. Logo, direitos de propriedade bem definidos podem fazer desaparecer a falha de mercado gerada pelo problema de externalidade.

Exemplo: Suponha que os direitos de propriedade da atividade geradora da externalidade sejam alocados ao agente X. Ou seja, o agente Y n˜ao pode incorrer na atividade geradora da externalidade sem a concordˆancia de X. Suponha que o agente Y faz uma oferta ao agente X de pagar T para poder produzir a externalidade. O agente Y escolher´a T de modo que a sua oferta seja aceita. Nesse caso, pode ser mostrado que o n´ıvel socialmente ´otimo da externalidade ´e alcan¸cado com a aloca¸c˜ao do direito de propriedade da atividade geradora da externalidade. Esse resultado ´e resumido pelo teorema de Coase.

Teorema de Coase. Se a externalidade puder ser transacionada e se n˜ao existirem custos de transa¸c˜ao nem efeito renda (no caso de externalidades de consumo), ent˜ao o resultado eficiente ser´a alcan¸cado pelo mercado, independentemente de quem possua os direitos de propriedade da atividade geradora da externalidade (Coase, 1960).

Do ponto de vista de eficiˆencia, ´e irrelevante quem ganha os direitos de propriedade. Por´em, a aloca¸c˜ao dos direitos influencia a distribui¸c˜ao de renda.

Em geral, a quantidade produzida de uma externalidade de consumo na aloca¸c˜ao eficiente depende da distribui¸c˜ao dos direitos de propriedade entre os consumidores. Por´em, se a utilidade for quaselinear, a quantidade produzida de externalidade independe da distribui¸c˜ao dos direitos de propriedade e ser´a, portanto, a mesma em toda aloca¸c˜ao Pareto ´otima.

Utilidades quaselineares resultam em efeito renda nulo, condi¸c˜ao necess´aria para a validade do Teorema de Coase no caso de externalidades de consumo. Observe tamb´em que a distribui¸c˜ao de riqueza final depender´a da distribui¸c˜ao dos direitos de propriedade.

A solu¸c˜ao dada pelo teorema de Coase exige apenas que o governo aloque e garanta direitos de propriedade. Logo, n˜ao ´e necess´ario que o governo conhe¸ca os benef´ıcios e custos associados `

a externalidade. Sob esse ponto de vista informacional, a solu¸c˜ao de Coase ´e mais f´acil de ser implementada. A hip´otese de ausˆencia de custos (ou custos baixos) de transa¸c˜ao ´e crucial. Altos custos de transa¸c˜ao podem impedir que a solu¸c˜ao eficiente seja alcan¸cada.

(6)

Cria¸c˜ao de Mercado

A presen¸ca de externalidade pode ser associada `a ausˆencia de mercados competitivos para a externalidade. Para criar novos mercados, ´e necess´ario que os direitos de propriedade estejam bem definidos e que exista um mercado competitivo para a atividade que gera a externalidade. O mercado, nesse caso, age como um procedimento de barganha. Nessa solu¸c˜ao, um novo mercado ´e criado, de modo que a externalidade passa a ser negociada como um bem tradicional.

Exemplo: Mercado de Cr´edito de Carbono. O mercado de cr´edito de carbono ´e uma tentativa de solu¸c˜ao para o problema de polui¸c˜ao do ar por g´as carbˆonico (CO2). Cr´editos de carbono s˜ao

certificados concedidos que permitem a emiss˜ao de uma tonelada de di´oxido de carbono por cada unidade de cr´edito de carbono. Esses cr´editos podem ser negociados no mercado internacional. O mercado de cr´editos de carbono limita o n´ıvel de polui¸c˜ao, ao limitar o n´umero de cr´editos existentes. Al´em disso, permite que seja alcan¸cada uma aloca¸c˜ao eficiente, pois os cr´editos ser˜ao comprados pelas atividades produtivas que geram maior riqueza.

A solu¸c˜ao via “mercado de cr´editos” exige menos informa¸c˜ao do que uma solu¸c˜ao via “imposto de Pigou”, pois o governo deve conhecer apenas o n´ıvel agregado socialmente ´otimo de externalidade. A aloca¸c˜ao de direitos de propriedade n˜ao afeta o resultado de eficiˆencia, por´em tem consequˆencias distributivas. Esse tipo de solu¸c˜ao cria incentivos para as firmas adotarem tecnologias que diminuam a sua produ¸c˜ao de externalidade, j´a que a externalidade passa a ser um custo para a firma.

Voltando ao nosso exemplo inicial das duas firmas A e B, vamos supor que se cria um mercado para polui¸c˜ao e que x passe a ser transacionado a um pre¸co px. Vamos supor que a firma B possui

os direitos de propriedade sobre polui¸c˜ao, de modo que qualquer polui¸c˜ao emitida, a receita gerada vai para ela. O problema de maximi¸c˜ao de lucros da firma A se torna:

max

yA,xA

pAyA− cA(yA, xA) − pxxA,

As condi¸c˜oes de primeira ordem do problema da firma A resultam em: (yA) : ∂cA(yA, xA) ∂yA = pA (xA) : − ∂cA(yA, xA) ∂xA = px

J´a o problema de maximi¸c˜ao de lucros da firma B se torna: max

yA,xA

pByB+ pxxB− cB(yB, xB) ,

As condi¸c˜oes de primeira ordem do problema acima resultam em: (yB) : ∂cB(yB, xB) ∂yB = pB (xB) : ∂cB(yB, xB) ∂xB = px

Igualando as CPOs dos problemas das duas firmas em x, por meio de px, obtemos que:

∂cB(yB, xB)

∂xB

= −∂cA(yA, xA) ∂xA

(7)

ou seja, o n´ıvel ´otimo de x ser´a igual ao n´ıvel socialmente ´otimo. Por que isso ocorre? A firma A passa a ter um custo px para emitir x. Ela ir´a comprar x at´e que o custo marginal de emiss˜ao de

x se iguale ao pre¸co px. A firma B, que recebe a receita dessa venda de x por possuir os direitos

de propriedade de x, ir´a vender uma quantidade de x at´e que a receita marginal dessa venda, dado por px, se iguale ao seu custo marginal de arcar com x na sua atividade produtiva. Portanto, por

meio de um mercado para x, a quantidade socialmente ´otima de x ´e alcan¸cada via negocia¸c˜ao entre as duas firmas.

O que ocorre se mudarmos o direito de propriedade de x para a firma A, de modo que agora a firma B ter´a que pagar para A reduzir x? Nada em termos da quantidade de externalidade x gerada, conforme prevˆe o Teorema de Coase. Para confirmarmos isso, vamos analisar o problema da firma A, que agora ´e dado por:

max

yA,xA

pAyA+ pxxA− cA(yA, xA)

As condi¸c˜oes de primeira ordem do problema da firma A resultam em: (yA) : ∂cA(yA, xA) ∂yA = pA (xA) : ∂cA(yA, xA) ∂xA = px

J´a o problema de maximi¸c˜ao de lucros da firma B se torna: max

yA,xA

pByB− cB(yB, xB) − pxxB,

As condi¸c˜oes de primeira ordem do problema acima resultam em: (yB) : ∂cB(yB, xB) ∂yB = pB (xB) : − ∂cB(yB, xB) ∂xB = px

Igualando as CPOs dos problemas das duas firmas em x, por meio de px, obtemos que:

∂cB(yB, xB)

∂xB

= −∂cA(yA, xA) ∂xA

,

ou seja, o n´ıvel ´otimo de x ser´a igual ao n´ıvel socialmente ´otimo. Como postulou Coase, ´e irrelevante para fins de alcan¸car a quantidade socialmente ´otima de x quem possui os direitos de propriedade sobre a atividade geradora da externalidade. Logicamente, em termos de bem-estar, essa aloca¸c˜ao dos direitos de propriedade possui consequˆencias: se for para a firma A, ela ter´a um lucro maior do que se fosse para firma B, e vice-versa. Al´em disso, Coase enfatizava que a hip´otese de ausˆencia de custos de transa¸c˜ao, impl´ıcita no nosso modelo, quase nunca seria satisfeita na pr´atica. Isso torna a solu¸c˜ao via cria¸c˜ao de mercados e aloca¸c˜ao de direitos de propriedade mais complicada de ser implementada.

(8)

1.3

Trag´

edia dos Comuns

A “trag´edia dos comuns” ocorre quando um bem comunit´ario sofre de um problema do bem escasso que n˜ao tem dono: cada agente tem incentivo a explor´a-lo mais que o ´otimo social, pois se ele n˜ao o fizer outro agente o far´a. Hardin (1968) popularizou esse termo em um artigo para a revista Science.

Uma solu¸c˜ao para este problema ´e a regulamenta¸c˜ao por uma autoridade, usualmente o governo ou uma associa¸c˜ao comunit´aria. Essa regulamenta¸c˜ao pode ser por meio de concess˜oes, limitando o montante do bem comum dispon´ıvel para uso por cada indiv´ıduo. Sistemas de concess˜ao para atividades econˆomicas extrativistas tais como minera¸c˜ao, pesca, ca¸ca, corte de ´arvores s˜ao exemplos desta solu¸c˜ao. O governo pode tamb´em impor limites de danos admiss´ıveis ao bem comum.

Outra solu¸c˜ao que pode ser usada para certos recursos ´e transformar o bem comum em propri-edade privada, fazendo com que o dono tenha incentivos para garantir a sustentabilidade do bem, preservando-o.

Suponha que em uma regi˜ao foi concedido livre acesso `a pastores de ovelhas. Suponha que o pre¸co do metro c´ubico de l˜a ´e R$ 1, e que a produ¸c˜ao total de l˜a pode ser expressa pela fun¸c˜ao f (n), em que n ´e o n´umero de ovelhas no pasto. Vamos assumir que todas as ovelhas geram o mesmo tanto de l˜a, de tal modo que f (n)/n representa a quantidade de l˜a gerada por uma ovelha. Suponha que o custo de cada pastor com uma ovelha seja R$ c.

O n´umero total de ovelhas ser´a determinado pela condi¸c˜ao de lucro zero, j´a que cada pastor ir´a introduzir mais uma ovelha no pasto at´e que a receita obtida com essa ovelha se iguale ao seu custo: π = p ×f (n ∗) n∗ − c = 0 ⇒ p f (n∗) n∗ = c

A quantidade socialmente ´otima de pastores pode ser determinada maximizando o lucro total da atividade de pastoreio:

max

n p × f (n) − cn

A CPO desse problema resulta em:

pf0(n∗∗) = c

Portanto, os dois casos levam a solu¸c˜oes diferentes. No primeiro caso, os pastores igualam o valor do produto m´edio, p × P M e(n) = pf (n)/n, ao custo marginal c. J´a no segundo caso, o valor do produto marginal, p × P M g(n) = pf0(n), ´e igualado ao custo marginal. Assumindo que mais uma ovelha diminui a produ¸c˜ao total de l˜a na m´edia, ent˜ao o produto m´edio ser´a decrescente. Isso implica que o produto marginal ser´a sempre menor do que o produto m´edio. A figura abaixo ilustra essa situa¸c˜ao.

(9)

6 -P M e, P M g n c H H H H H H H H H H H H H H H H H H H HH P M e @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @P M g s n∗∗ s n∗

A figura acima mostra que a quantidade socialmente ´otima n∗∗ ´e menor do que a quantidade determinada na solu¸c˜ao do bem de recurso comum, n∗. Um pastor, ao colocar mais uma ovelha no pasto, afeta todos os outros pastores, pois uma ovelha a mais diminui a quantidade total de pasto dispon´ıvel. Temos um problema de externalidade negativa.

A externalidade negativa neste caso ´e consequˆencia de o pasto ser um bem de recurso comum, o que leva a uma sobreutiliza¸c˜ao dele. Uma forma de resolver o problema seria transformar o pasto um bem privado. Deste modo, o criador de ovelhas, dono do pasto, ir´a levar em conta o efeito de cada ovelha sobre todas as outras e internalizar´a a externalidade.

Outras solu¸c˜oes s˜ao poss´ıveis. Uma seria estabelecer n∗∗ como o n´umero m´aximo de ovelhas permitidas. Pastores podem ter direito a um certo n´umero de ovelhas e transacionar esses direitos entre si, com o limite de manter o n´umero total de ovelhas igual a n∗∗.

Elinor Ostrom, ganhadora do prˆemio Nobel em Economia em 2009, conjuntamente com Oliver Williamson, fez importantes contribui¸c˜oes sobre problemas como a trag´edia dos comuns e outros semelhantes. O seu livro Governing the Commons se tornou uma referˆencia cl´assica sobre o assunto (Ostrom, 2015).

(10)

2

Bens P´

ublicos

2.1

Defini¸

oes

Samuelson (1954, 1955) definiu bem p´ublico (puro) como um bem com duas caracter´ısticas: 1. N˜ao-rival: O consumo do bem por uma pessoa n˜ao limita ou diminui a quantidade dispon´ıvel

para consumo por outras pessoas;

2. N˜ao-excludente: N˜ao ´e poss´ıvel (ou ´e muito custoso) excluir indiv´ıduos do seu consumo. Bens p´ublicos podem ser vistos como um problema de externalidade de consumo onde todas as pessoas s˜ao obrigadas a consumir a mesma quantidade do bem. Essa parte da nota de aula baseia-se em Varian (2012), cap´ıtulo 36 (“Bens P´ublicos”) e Nicholson and Snyder (2008), cap. 19 - “Externalities and Public Goods” .

Classificamos os tipos de bens com rela¸c˜ao `a rivalidade e `a possibilidade de exclus˜ao do consumo do seguinte modo (a tabela abaixo resume a terminologia descrita):

• Os bens privados s˜ao bens excludentes e rivais. Exemplos s˜ao bens de consumo, tais como laranja, sorvete, autom´ovel.

• Os bens p´ublicos s˜ao n˜ao-excludentes e n˜ao-rivais. Exemplos s˜ao seguran¸ca p´ublica, ilu-mina¸c˜ao p´ublica, defesa nacional, estradas sem ped´agio descongestionadas.

• Os bens de recursos comuns s˜ao n˜ao-excludentes e rivais. Exemplos s˜ao peixes no oceano ou em um rio, meio ambiente, estradas sem ped´agio congestionadas.

• Os bens de clube s˜ao excludentes, mas n˜ao rivais. Exemplos s˜ao TV a cabo, estradas com ped´agio n˜ao congestionadas, corpo de bombeiro.

Rival N˜ao Rival Excludentes Bens Privados Bens de Clube N˜ao excludente Recursos Comuns Bens P´ublicos

At´e agora lidamos sempre com bens privados: bens em que ´e poss´ıvel privar o consumo por alguma pessoa, bastando para isso n˜ao vender o bem, e rivais no consumo, ou seja, se o bem for consumido por algu´em, ele n˜ao tem como ser consumido por outro pessoa.

2.2

Aloca¸

ao Eficiente

Suponha que existam apenas dois indiv´ıduos, que podem consumir dois bens, um bem privado, denotado por x, e um bem p´ublico, denotado por G. Vamos supor que G ´e perfeitamente divis´ıvel e normalizar o pre¸co do bem privado em um (px = 1). Suponha que c(G) representa o custo de

prover G unidades do bem p´ublico.

A utilidade do agente i, i = 1, 2, ´e ui(xi, G). Vamos representar por wi a riqueza do indiv´ıduo

i, i = 1, 2. O problema de maximiza¸c˜ao que determina as aloca¸c˜oes Pareto eficientes ´e: max

x1,x2,G

u1(x1, G) s.a. i) u2(x2, G) = ¯u2,

(11)

O Lagrangeano do problema acima ´e:

L = u1(x1, G) + λ(¯u2− u2(x2, G)) + µ(w1+ w2− x1− x2− c(G))

As CPOs resultam em:

(x1) : ∂u1(x1, G) ∂x1 = µ (x2) : − λ ∂u2(x2, G) ∂x2 = µ (G) : ∂u1(x1, G) ∂G − λ ∂u2(x2, G) ∂G = µ ∂c(G) ∂G

Se dividirmos a terceira CPO por µ e substituirmos nela os valores de µ e λ/µ dados pela primeira e segunda CPOs, obtemos:

∂u1(x1,G) ∂G ∂u1(x1,G) ∂x1 + ∂u2(x2,G) ∂G ∂u2(x2,G) ∂x2 = ∂c(G) ∂G

Em termos da TMS entre o bem privado e o bem p´ublico, temos que: |T M S1(G, x1)| + |T M S2(G, x2)| = CM g(G)

Ou seja, em uma aloca¸c˜ao Pareto eficiente, a soma do valor absoluto das taxas marginais de substitui¸c˜ao entre os bens p´ublico e privado dos dois consumidores deve ser igual ao custo marginal de provis˜ao do bem p´ublico (a soma da propens˜ao marginal a pagar tem que ser igual ao custo marginal). Esse resultado se mant´em v´alido para o caso geral de I indiv´ıduos:

I

X

i=1

|T M Si(G, xi)| = CM g(G) (1)

Vamos supor que a utilidade de cada indiv´ıduo seja quaselinear na quantidade consumida do bem p´ublico G: ui(G, xi) = Ui(G) + xi, onde xi representa a quantidade consumida do bem

privado, cujo pre¸co ´e normalizado em 1, e Ui(G) ´e uma fun¸c˜ao estritamente cˆoncava (por exemplo,

U (G) = ln(G) ou U (G) =√G). Vamos denotar a renda do indiv´ıduo i por mi e o custo de provis˜ao

de G unidades do bem p´ublico por c(G). Logo, a equa¸c˜ao (1), que define a quantidade socialmente ´

otima de bem p´ublico, encontrada para o caso geral, neste caso se torna:

I

X

i=1

Ui0(G∗) = c0(G∗)

A hip´otese de quaselinearidade da utilidade permite analisar o mercado do bem p´ublico isolada-mente. Al´em disso, ela tem como consequˆencia a existˆencia de um ´unico n´ıvel eficiente de provis˜ao do bem p´ublico. Logo, agora teremos uma ´unica solu¸c˜ao para o n´ıvel ´otimo do bem p´ublico, in-dependente da distribui¸c˜ao do bem privado entre os consumidores. Esse resultado ´e consequˆencia da hip´otese de utilidades quaselineares e n˜ao necessariamente ocorre no caso geral, em que podem existir diversos n´ıveis ´otimos para G, que se relacionam com a divis˜ao considerada do bem privado entre os consumidores.

(12)

2.3

Provis˜

ao Privada de um Bem P´

ublico

Suponha o mesmo arcabou¸co descrito na subse¸c˜ao anterior, com utilidades quaselineares, e que exista agora um mercado privado para a provis˜ao do bem p´ublico. Cada indiv´ıduo i deve escolher a quantidade gi para comprar ao pre¸co p. O problema do consumidor i ´e dado por:

max gi,xi Ui gi+ X k6=i ¯ gk ! + xi s.a. xi+ pgi = mi.

onde ¯gk denota a quantidade ´otima consumida pelo indiv´ıduo k, ∀k 6= i. Esse problema pode ser

escrito de modo simplificado como:

max gi Ui gi+ X k6=i ¯ gk ! + (mi− pgi) ,

A CPO do problema do consumidor i resulta em:

Ui0 g¯i+ X k6=i ¯ gk ! = p ⇒ Ui0( ¯G) = p , onde ¯G =X k ¯ gk

Do lado da oferta, suponha uma firma competitiva que toma o pre¸co p do bem p´ublico como dado e possui uma fun¸c˜ao custo denotada por c(Q), onde Q representa a quantidade de bem p´ublico. A oferta ´otima do bem p´ublico ´e encontrada resolvendo o problema de maximiza¸c˜ao de lucro abaixo:

max

Q≥0 pQ − c(Q)

A CPO do problema acima resulta na conhecida condi¸c˜ao pre¸co igual a custo marginal: p = c0( ¯Q)

No equil´ıbrio devemos ter que a quantidade demandada de bem p´ublico ´e igual a quantidade ofertada, ou seja, ¯G = ¯Q. Observe que utilizando os resultados acima, obtemos:

c0( ¯G) = p = Ui0( ¯G) <

I

X

k=1

Uk0( ¯G) = c0(G∗)

Como o custo marginal de provis˜ao do bem p´ublico ´e crescente (c00 > 0), obtemos: ¯

G < G∗,

ou seja, no caso de provis˜ao privada de um bem p´ublico, o n´ıvel de produ¸c˜ao de mercado ´e inferior ao n´ıvel socialmente ´otimo. O gr´afico a seguir ilustra essa situa¸c˜ao.

(13)

6 -G $ c0(G) P ig 0(G) UI0(G) s G∗ s ¯ G

A caracter´ıstica de n˜ao ser poss´ıvel excluir uma pessoa do consumo do bem p´ublico, ou seja, o fato de que o bem p´ublico comprado por um consumidor fica dispon´ıvel para todos os outros consumidores, torna o mercado ineficiente na provis˜ao de bens p´ublicos. Isto justifica a a¸c˜ao do Estado para corrigir a aloca¸c˜ao de mercado. No caso de provis˜ao privada de um bem p´ublico, o n´ıvel de produ¸c˜ao de mercado ´e inferior ao n´ıvel socialmente ´otimo.

Observe que a ineficiˆencia ´e resultado da caracter´ıstica de n˜ao ser poss´ıvel excluir nenhum indiv´ıduo do consumo do bem p´ublico. Isso cria a situa¸c˜ao onde cada consumidor deseja pegar carona no consumo do bem p´ublico pago pelos outros (free-riding problem). O carona ´e o agente econˆomico que se beneficia do bem sem pagar por ele.

Suponha que U10(G) < U20(G) < · · · < UI0(G), para todo G ≥ 0. Nesse caso, ´e poss´ıvel mostrar que o n´ıvel de equil´ıbrio ¯G de provis˜ao privada do bem p´ublico satisfaz UI0( ¯G) = c0( ¯G), ou seja, quem tem o maior benef´ıcio marginal com o bem p´ublico ´e quem define a quantidade provida desse bem.

Essa ineficiˆencia da quantidade privada ´otima ser menor do que a quantidade socialmente ´otima pode ser corrigida por meio de um imposto compuls´orio, que obriga todos a contribu´ırem para o provimento do bem p´ublico. Por´em, h´a um outro problema: cada indiv´ıduo poder´a n˜ao revelar corretamente o benef´ıcio que obt´em com o bem p´ublico, o que impossibilitaria calcular a quantidade socialmente ´otima de bem p´ublico que deve ser provida. A quest˜ao ent˜ao ´e se existe alguma forma de induzir cada indiv´ıduo a revelar o seu verdadeiro benef´ıcio com o bem p´ublico. Este ´e um problema t´ıpico de desenho de mecanismos.

(14)

Referˆ

encias

Coase, R. H. (1960). The problem of social cost. Journal of Law and Economics, 3 , 1-44. Hardin, G. (1968). The tragedy of the commons. Science, 162 , 1243-1248.

Nicholson, W., & Snyder, C. (2008). Microeconomic theory - basic principles and extensions (10th edition). Mason, OH: South-Western Cengage Learning.

Ostrom, E. (2015). Governing the commons. the evolution of institutions for collective action. New York: Cambridge University Press.

Pigou, A. C. (1920). The economics of welfare. London: Macmillan and Co.

Samuelson, P. A. (1954). The pure theory of public expenditure. The Review of Economics and Statistics, 36:4 , 387-389.

Samuelson, P. A. (1955). Diagrammatic exposition of a theory of public expenditure. The Review of Economics and Statistics, 37:4 , 350-356.

Varian, H. (2012). Microeconomia – uma abordagem moderna (8a edi¸c˜ao). Elsevier/Editora Campus.

Exerc´ıcios

1. (P1-1/19) Suponha um grupo de 5 indiv´ıduos, que consomem um bem p´ublico e um bem privado. A utilidade do indiv´ıduo i ´e:

ui(xi, G) = i × ln G + xi,

onde xi denota a quantidade do bem privado consumido por i e G a quantidade de bem

p´ublico. Suponha que o pre¸co do bem privado ´e normalizado em 1 e que cada indiv´ıduo tem a mesma dota¸c˜ao desse bem privado, ei

x = 10, para todo i = 1, . . . , 5. O bem p´ublico possui

um custo de provimento igual a C(G) = 5G.

(a) Calcule a quantidade socialmente ´otima de bem p´ublico.

(b) Suponha que cada indiv´ıduo contribui com o mesmo valor para prover a quantidade socialmente ´otima do bem p´ublico. Qual ser´a o valor da contribui¸c˜ao individual e da total?

(c) Suponha que os indiv´ıduos 2, 3, 4 e 5 contribuem cada um com 3 u.m. para a provis˜ao do bem p´ublico. Qual ser´a o valor de bem p´ublico que o indiv´ıduo 1 ir´a adquirir, caso o bem p´ublico seja provido em um mercado privado, em que o seu pre¸co ´e igual ao seu custo marginal de provimento? (dica: lembre-se que o consumo de um bem ´e sempre maior ou igual a zero).

(d) Interprete intuitivamente o resultado encontrado no item (c) e discuta qual seria a solu¸c˜ao no caso de provis˜ao privada do bem p´ublico.

Referências

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