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Integração de funções vetoriais

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Academic year: 2021

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(1)Universidade Federal de Santa Catarina Curso de P´ os-Gradua¸ c˜ ao em Matem´ atica e Computa¸ c˜ ao Cient´ıfica. Integra¸ c˜ ao de Fun¸ c˜ oes Vetoriais. Patricia Hess Orientador: Prof. Dr. Ruy Exel. Florian´ opolis Fevereiro de 2003.

(2) Universidade Federal de Santa Catarina Curso de P´ os-Gradua¸ c˜ ao em Matem´ atica e Computa¸ c˜ ao Cient´ıfica. Integra¸ c˜ ao de Fun¸ c˜ oes Vetoriais. Disserta¸ c˜ ao apresentada ao Curso de P´ osGradua¸ c˜ ao em Matem´ atica e Computa¸ c˜ ao Cient´ıfica, do Centro de Ciˆ encias F´ısicas e Matem´ aticas da Universidade Federal de Santa Catarina, para a obten¸ c˜ ao do grau ´ de Mestre em Matem´ atica, com Area de Concentra¸ c˜ ao em An´ alise.. Patricia Hess Florian´ opolis Fevereiro de 2003.

(3) Integra¸ c˜ ao de Fun¸ c˜ oes Vetoriais por Patricia Hess Esta Disserta¸c˜ao foi julgada para a obten¸c˜ao do T´ıtulo de “Mestre”, ´ Area de Concentra¸ca˜o em An´alise, e aprovada em sua forma final pelo Curso de P´os-Gradua¸c˜ao em Matem´atica e Computa¸c˜ao Cient´ıfica.. Igor Mozolevski (Coordenador) Comiss˜ao Examinadora. Prof. Dr. Ruy Exel (UFSC-Orientador). Prof. Dr. Adalberto Panobianco Bergamasco (UFSCar). Prof. Dr. Antonio Carlos Gardel Leit˜ao (UFSC). Prof. Dr. Igor Mozolevski (UFSC). Florian´ opolis, Fevereiro de 2003.. ii.

(4) ` Deus A ` minha m˜ae, Marta A Ao meu pai, Anilson ` minha irm˜a, Dayse A. iii.

(5) Agradecimentos Agrade¸co aos meus pais e `a minha irm˜a, que s˜ao tudo o que eu mais amo. Ao meu namorado M´arcio, que me apoiou em todos os momentos e sempre estava pronto a me ajudar. Aos meus amigos Lucicl´eia, Danilo, Aline, Gilberto, Rafael, Edson e Divane pelos bons momentos de alegria e pelo apoio nas horas dif´ıceis. Ao professor Ruy Exel, que ´e um exemplo de pessoa e de profissional a ser seguido por todos. ` CAPES(Coordena¸c˜ao de Aperfei¸coamento de Pessoal de N´ıvel Superior) A pelo suporte financeiro.. iv.

(6) Abstract In this work, we consider a measure space (S, Σ, µ), a Banach space X and functions f : S −→ X. For these functions, we define the Bochner, Pettis and Dunford integrals. From this basis, we present the inconditional integrability theory, and prove that it can be seen as the Pettis integrability theory, thus establishing a clear link between them.. v.

(7) Resumo Neste trabalho consideraremos um espa¸co de medida (S, Σ, µ), X um espa¸co de Banach e fun¸c˜oes f : S −→ X. Para estas fun¸c˜oes vamos definir as integrais de Bochner, de Pettis e de Dunford. A partir do conhecimento destas integrais, vamos apresentar a teoria de integra¸c˜ao incondicional. Vamos demonstrar que esta teoria pode ser vista como a teoria de integra¸c˜ao de Pettis.. vi.

(8) Conte´ udo. Introdu¸ c˜ ao. 1. 1 Integral de Bochner. 2. 1.1. Teorema de Pettis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2. 1.2. Fun¸c˜oes Bochner integr´aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 8. 2 S´ eries. 16. 2.1. Convergˆencia incondicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16. 2.2. Teorema de Orlicz-Pettis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20. 3 Integrais de Pettis e Dunford. 25. 4 Integra¸ c˜ ao Incondicional. 30. vii.

(9) Introdu¸c˜ ao Iniciamos este trabalho apresentando o conceito e alguns resultados sobre a integral de Bochner. Para isso, vamos trabalhar com fun¸c˜oes simples, fraca e fortemente mensur´aveis num espa¸co de Banach, j´a que falar apenas em mensurabilidade n˜ao ´e suficiente. Em seguida, procuramos mostar alguns resultados sobre convergˆencia incondicional de s´eries e ent˜ao demonstrar o Teorema de Orlicz-Pettis. Al´em disso, vamos apresentar mais duas integrais vetoriais, a integral de Pettis e a de Dunford, e procurar saber quais as rela¸c˜oes entre estas integrais. Por u ´ltimo, com base no artigo Unconditional integrability for dual actions, Ruy Exel, apresentamos a teoria de integra¸c˜ao incondicional, a qual generaliza a teoria de Bochner. Com isso, alcan¸camos o nosso objetivo que ´e demonstrar a igualdade de duas no¸c˜oes de integra¸c˜ao, a integra¸c˜ao de Pettis e a integra¸c˜ao incondicional.. 1.

(10) Cap´ıtulo 1. Integral de Bochner Neste trabalho vamos considerar um espa¸co de medida (S, Σ, µ) com S completo1 e X um espa¸co de Banach. Vamos denotar por X ∗ o dual topol´ogico de X. Este cap´ıtulo d´a in´ıcio ao estudo de integra¸c˜ao de fun¸c˜oes vetoriais. Para isto, vamos definir alguns tipos de fun¸c˜oes e apresentar o Teorema de Pettis. A primeira integral vetorial que vamos definir ser´a a integral de Bochner. Apresentaremos tamb´em o Teorema de Bochner e o Teorema da Convergˆencia Dominada para fun¸c˜oes Bochner integr´aveis.. 1.1. Teorema de Pettis. Defini¸ c˜ ao 1.1 Dizemos que f : S −→ X ´e uma fun¸c˜ ao 1. fracamente mensur´ avel se para todo x∗ ∈ X ∗ , a fun¸c˜ ao x∗ ◦ f ´e mensur´ avel. 2. simples se existem vetores f1 , · · · , fn de X e conjuntos E1 , · · · , En de Σ, disjuntos n X dois a dois, com µ(Ei ) < ∞ quando fi 6= 0 tais que f (s) = fi χEi (s) para todo i=1. s ∈ S, sendo χE a fun¸c˜ ao caracter´ıstica do conjunto E ⊆ S. 3. fortemente mensur´ avel se existe uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜ oes simples que converge 1. S ´e completo se dado um conjunto A ⊆ S mensur´ avel de medida nula, qualquer que seja B ⊆ A temos. que B ´e mensur´ avel.. 2.

(11) pontualmente para f q.s.2 em S.. n [. que. Sem perda de generalidade, no caso em que f ´e simples podemos assumir n n X [ Ei = S. De fato, se f = fi χEi , ent˜ao f (s) = 0 para todo s ∈ S \ Ei , portanto. i=1. i=1 n [. chamando En+1 = S \. i=1. Ei e fn+1 = 0, temos S =. i=1. n+1 [. Ei e f =. i=1. n+1 X. fi χEi .. i=1. Para facilitar a prova do teorema de Pettis, vamos primeiro demonstrar os lemas seguintes. 0. Lema 1.2 Sejam f, f : S −→ R e Z ⊆ S um conjunto mensur´ avel de medida nula tal 0. 0. que f = f fora de Z. Se f ´e mensur´ avel, ent˜ ao f ´e mensur´ avel. Prova.. Sejam a ∈ R e Z o conjunto da hip´otese (que tem medida zero).. Ent˜ao, f. 0 −1. (a, ∞) = (f. Como (f. 0 −1. 0 −1. (a, ∞) ∩ Z) ∪ (f. 0 −1. (a, ∞) ∩ Z) ⊆ Z, ent˜ao (f. tamb´em ´e mensur´avel e f. 0 −1. (a, ∞) ∩ Z c ) = (f. 0 −1. 0 −1. (a, ∞) ∩ Z) ∪ (f −1 (a, ∞) ∩ Z c ).. (a, ∞) ∩ Z) ´e mensur´avel. Logo, (f −1 (a, ∞) ∩ Z c ). (a, ∞) ´e mensur´avel. . Lema 1.3 Seja X um espa¸co de Banach separ´ avel. Ent˜ ao existe {x∗n }n em X ∗ com kx∗n k = 1 tal que, para todo x ∈ X, kxk = sup |x∗n (x)|. n∈N. Prova.. Seja {xn }n denso em S(0, 1) = {x ∈ X : kxk = 1}. Pelo teorema. de Hahn-Banach ([6], pg 223, teorema 4.3-3), para cada n existe um x∗n ∈ X ∗ tal que |x∗n (xn )| = kxn k = 1 e kx∗n k = 1. Considere ent˜ao a seq¨ uˆencia {x∗n }n . Dado x ∈ X, ´e ´obvio que sup |x∗n (x)| ≤ kxk. n∈N. x. Seja  > 0. Ent˜ao existe um n ∈ N tal que kxk − xn < . Assim. 2. quase sempre ([9], pg 15). 3.

(12) |x∗n (x)| = |x∗n (x + kxkxn − kxkxn )| ≥ |x∗n (kxkxn )| − |x∗n (x − kxkxn )| ≥ kxk|x∗n (xn )| − kx∗n kkx − kxkxn k = kxk − kx − kxkxn k ≥ kxk − kxk = kxk(1 − ). Temos ent˜ao que kxk(1 − ) ≤ sup |x∗n (x)| ≤ kxk, o que implica sup |x∗n (x)| = kxk. n∈N. n∈N.  Lema 1.4 Seja G o conjunto das fun¸c˜ oes g =. ∞ X. xi χBi , com xi ∈ X, Bi ∈ Σ para todo. i=1. i e Bi ∩ Bj = ∅ para i 6= j. 1. Se g ∈ G ent˜ ao g ´e fortemente mensur´ avel. n→∞. 2. Suponha que existe uma seq¨ uˆencia {gn }n em G tal que gn −→ f uniformemente. Ent˜ ao, f ´e fortemente mensur´ avel. Prova. 1. Seja g =. ∞ X. xi χBi ∈ G. Fa¸ca, para cada k ∈ N,. i=1. xk (s) =.    xi ,   0,. se s ∈ Bi (i = 1, · · · , k) S se s 6∈ ki=1 Bi. Temos ent˜ao que {xk }k ´e uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples e que obviamente converge para g pontualmente. 2. Dado  > 0, sabemos que existe h ∈ G tal que kf − hk <  (notemos que esta ´e a norma do supremo). Em particular, tomando  = 1, existe h1 ∈ G tal que kf − h1 k < 1. Tomando  = processo, dado  =. 1 2n ,. 1 2. existe h2 ∈ G tal que kf − h2 k < 12 . Continuando este. n ∈ N, existe hn+1 tal que kf − hn+1 k <. 1 2n .. Sejam g1 = h1 e gn = hn − hn−1 para todo n ≥ 2 (podemos observar que G ´e um espa¸co vetorial e portanto gn ∈ G), ent˜ao kf − g1 − · · · − gn k < 4. 1 , 2n−1.

(13) e, portanto, X. n→∞. gk −→ f. k=1. uniformemente. ∞ X. Afirma¸c˜ao:. gn converge absolutamente.. n=2. Para n ≥ 2, kgn k = kf − g1 − · · · − gn − (f − g1 − · · · − gn−1 )k < =⇒. ∞ X. kgn k ≤. n=2. Sendo gi =. ∞ X. ∞ X n=2. 3. 1 2n−1. +. 1 2n−2. 3. =. =⇒. 2n−1. < ∞.. 2n−1. xi,j χB i para cada i, com Bji1 ∩ Bji2 6= ∅ para j1 6= j2 , vamos escrevˆej. j=1. la da forma gi =. ∞ X. gi,j com gi,j = xi,j χB i . Ent˜ao, para cada s ∈ S, j. j=1 ∞ X ∞ X. ∞ X. gi (s) =. i=2. gi,j (s) tamb´em ´e absolutamente convergente. Para concluir isso, observe que. i=2 j=1. para todo i ∞ X j=1. X. ∞. gi,j (s) kgi,j (s)k = = kgi (s)k, j=1. pois para cada s ∈ S, o conjunto {j : gi,j (s) 6= 0} tem no m´aximo um elemento. Desta forma, ∞ X ∞ X. kgi,j (s)k =. i=2 j=1. ∞ X i=2. kgi (s)k ≤. ∞ X. kgi k < ∞.. i=2. Sejam {An }n a seq¨ uˆencia de conjuntos definida por An = {1, · · · , n} × {1, · · · , n} X ´ f´acil ver que fn ´e uma fun¸c˜ao simples. para todo n e fn (s) = gi,j (s). E (i,j)∈An n→∞. Afirma¸c˜ao: fn (s) −→ f (s) para todo s. Sejam s ∈ S e  > 0. Ent˜ao existe um n0 tal que para todo n > n0 ,. ∞ X i=n.  kgi (s)k < . 2. Para i = 1, existe um u ´nico j1 tal que s ∈ Bj11 , para i = 2, existe um u ´nico j2 tal que s ∈ Bj22 , . . . , para i = n0 , existe um u ´nico jn0 tal que s ∈ Bjnn0 . Seja 0. m = max{n0 , j1 , · · · , jn0 }. Ent˜ao, para todo n > m,. 5.

(14) X X n ∞ X ∞ X X. n X. kfn (s) − f (s)k = gi,j (s) − gi,j (s) = gi,j (s) − gi,j (s). (i,j)∈An. i=1 j=1. (i,j). i=1 j=1. n0 n. n n ∞ X ∞ X X X X X. = gi,j (s) + gi,j (s) − gi,j (s). i=1 j=1. i=n0 +1 j=1. i=1 j=1. X. n ∞ ∞ X X n X. = gi,j (s) − gi,j (s). ≤. ≤. i=n0 +1 j=1 n n X X. i=n0 +1 j=1 ∞ ∞ X X. kgi,j (s)k +. i=n0 +1 j=1 n X. kgi (s)k +. i=n0 +1. kgi,j (s)k. i=n0 +1 j=1 ∞ X. kgi (s)k ≤ 2. i=n0 +1. ∞ X. kgi (s)k < .. i=n0 +1.  Teorema 1.5 (Pettis) Uma fun¸c˜ ao f : S −→ X ´e fortemente mensur´ avel se e somente se 1. f ´e fracamente mensur´ avel; 2. existe um conjunto mensur´ avel E em S, com µ(E) = 0, tal que f (S \ E) ´e um subconjunto separ´ avel de X. Prova.. Supondo que f ´e fortemente mensur´avel, ent˜ao existe uma n→∞. seq¨ uˆencia {fn }n de fun¸c˜oes simples tal que fn (s) −→ f (s) q.s. Seja x∗ ∈ X ∗ , ent˜ ao para todo n, x∗ ◦ fn ´e tamb´em uma fun¸c˜ao simples e, portanto, mensur´avel. Assim, fn ´e n→∞. fracamente mensur´avel para todo n. Como fn (s) −→ f (s) q.s. e x∗ ´e cont´ınuo, ent˜ ao n→∞. n→∞. x∗ (fn (s)) −→ x∗ (f (s)) q.s., isto ´e, existe um Z ⊆ S com µ(Z) = 0, tal que x∗ (fn (s)) −→ n→∞. x∗ (f (s)) para todo s ∈ S \ Z. Seja q = χS\Z , ent˜ao q(s)x∗ (fn (s)) −→ q(s)x∗ (f (s)) para todo s ∈ S. Como qx∗ ◦ fn ´e mensur´avel, qx∗ ◦ f tamb´em o ´e. Assim, x∗ ◦ f = qx∗ ◦ f q.s. e pelo Lema 1.2, x∗ ◦ f ´e mensur´avel e, portanto, f ´e fracamente mensur´avel. Sabemos que fn (S) ´e um conjunto finito para todo n, ent˜ao A =. ∞ [. fn (S). n=1. ´e um conjunto enumer´avel e, portanto, A ´e separ´avel. Como f (S \ Z) ⊆ A, ent˜ao f (S \ Z) ´e separ´avel.. 6.

(15) Vamos supor agora que f ´e fracamente mensur´avel. Sem perda de generalidade, podemos assumir que X ´e separ´avel. Pelo Lema 1.3, dado y ∈ X existe uma seq¨ uˆencia {x∗n }n ⊆ X ∗ , com kx∗n k = 1 para todo n, tal que kf (s) − yk = sup |x∗n (f (s) − y)|. n∈N. Como X ´e separ´avel, dado n ∈ N, X pode ser coberto por um conjunto enumer´avel de. conjunto Bj,n. 1 n.. Como kf (s) − xj,n k ´e mensur´avel, o ∞ [ = {s ∈ S : f (s) ∈ Dj,n } ´e mensur´avel e S = Bj,n . Definamos. bolas abertas Dj,n centradas em xj,n e de raio. j=1. gn (s) = xi,n. se. 0. s ∈ Bi,n = Bi,n −. i−1 [. Bj,n .. j=1. S∞ 0 Ent˜ao S = ˙ j=1 Bj,n e, portanto, kf (s) − gn (s)k < n1 para todo s ∈ S. Como ∞ X gn = xi,n χB 0 para todo n e f ´e limite uniforme da seq¨ uˆencia {gn }n , pelo Lema i=1. i,n. 1.4, f ´e fortemente mensur´avel.  Corol´ ario 1.6 Seja uma seq¨ uˆencia {fn }n de fun¸c˜ oes fortemente mensur´ aveis.. Se. n→∞. fn (s) −→ f (s) q.s., ent˜ ao f ´e fortemente mensur´ avel. Prova.. ´ f´acil ver que f ´e fracamente mensur´avel. Basta ent˜ao saber se E. sua imagem ´e separ´avel. Como cada fn ´e fortemente mensur´avel, vamos assumir sem perda de generalidade que a sua imagem ´e separ´avel. Seja Dn = {dn1 , dn2 , · · · , dnk , · · ·} um conjunto ∞ [ denso em fn (S) para todo n. De fato, D = Dn ´e enumer´avel pois π : N × N −→ D n=1. definida por π(n, m) = dm e uma sobreje¸c˜ao. Ent˜ao D ´e separ´avel. n ´ ∞ [ Afirma¸c˜ao: F = fn (S) ⊆ D. n=1. Seja y ∈ F ent˜ao existe um n0 tal que y ∈ fn0 (S). Dado  > 0, existe k tal que ky − dnk 0 k < . Portanto, y ∈ Dn0 donde y ∈ D. Ent˜ao F ´e separ´avel. Como f (S) ⊆ F , ent˜ao f (S) ´e separ´avel. . 7.

(16) 1.2. Fun¸ c˜ oes Bochner integr´ aveis. Seja f uma fun¸c˜ao simples, igual ao vetor yi 6= 0 em Bi ∈ Σ para todo n [ Bi . Definimos i = 1, 2, · · · , n, com Bi ∩ Bj = ∅ se i 6= j e µ(Bi ) < ∞, e f (s) = 0 em S \ i=1. a integral de Bochner de f sobre um conjunto mensur´avel E por Z f dµ =. n X. E. yi µ(Bi ∩ E).. i=1. Lema 1.7 Seja f : S −→ X uma fun¸c˜ ao simples. Ent˜ ao para todo E ∈ Σ Z Z. f dµ ≤ kf (s)kdµ(s).. E. E. Prova.. Seja f =. n X. yi χBi . Ent˜ao, para todo E ∈ Σ. i=1. n Z. X. f dµ = . y µ(E ∩ B ) i i. E. i=1. n X. ≤. kyi kµ(E ∩ Bi ) =. n Z X. i=1. i=1. kyi kχBi dµ =. Z X n. kyi kχBi dµ. E i=1. E. Z ≤. kf (s)kdµ(s). E.  Podemos observar que se f e g s˜ao fun¸c˜oes simples, f + g tamb´em ´e simples e Z. Z (f + g) dµ =. S. Z f dµ +. S. g dµ. S. Vamos ent˜ao verificar a igualdade acima j´a que ´e f´acil ver que f + g ´e simples. Sejam n m X X f= xi χBi e g = yj χDj , ent˜ao i=1. j=1. Z. Z X n. (f + g)dµ = S n X m X i=1 j=1. S. xi χBi +. i=1. (xi + yj )µ(Bi ∩ Dj ) =. m X.  yj χDj dµ =. (xi + yj )χBi ∩Dj dµ =. S i=1 j=1. j=1 n X. Z X n X m. xi µ(Bi ) +. i=1. m X j=1. Z. Z. g dµ.. f dµ +. yj µ(Dj ) = S. S. Agora, para as fun¸c˜oes que n˜ao s˜ao simples temos a seguinte defini¸c˜ao.. 8.

(17) Defini¸ c˜ ao 1.8 Uma fun¸c˜ ao f definida num espa¸co de medida (S, Σ, µ) com valores num espa¸co de Banach X ´e Bochner integr´ avel se existe uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜ oes simples {fn }n tal que lim kfn (s) − f (s)k = 0 q.s. e n→∞. Z lim. n→∞ S. kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0.. (1.1). Para qualquer conjunto B ∈ Σ, a integral de Bochner de f sobre B ´e definida por Z. Z f dµ = lim. n→∞ B. B. fn dµ.. (1.2). Observa¸c˜ ao: Devemos justificar tal defini¸c˜ao. Primeiro, podemos notar que a integral de Bochner s´o est´a definida para fun¸c˜oes fortemente mensur´aveis. Pelo Teorema de Pettis 1.5, a fun¸c˜ao kfn (s)−f (s)k ´e mensur´avel, por isso a integral na condi¸c˜ao (1.1) faz sentido. Para justificar a igualdade (1.2), dada uma seq¨ uˆencia {fn }n de fun¸c˜oes simples que satisfaz as Z  condi¸c˜oes da defini¸c˜ao, considere a seq¨ uˆencia fn dµ . Sejam n, k n´ umeros inteiros, B. n. ent˜ao Z Z Z Z. . fk dµ −. fn dµ = fk − fn dµ kfk (s) − fn (s)kdµ(s) ≤. ≤ B. B. B. B. Z ≤. Z kfk (s) − f (s)kdµ(s) +. B. kf (s) − fn (s)kdµ(s). B. Como esta u ´ltima soma converge para zero quando n e k s˜ao suficientemente grandes, Z  ent˜ao a seq¨ uˆencia fn dµ ´e de Cauchy e, portanto, convergente em X. Desta forma, B n Z existe o lim fn dµ. n→∞ B. Al´em disso, temos que mostrar que este limite independe da seq¨ uˆencia escolhida, ou seja, qualquer que seja a seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples que satisfa¸ca (1.1), o limite ser´a o mesmo. Sejam {fn }n e {gn }n seq¨ uˆencias de fun¸c˜oes simples tais que n→∞. n→∞. 1. kfn (s) − f (s)k −→ 0 e kgn (s) − f (s)k −→ 0 q.s., Z. Z 2. lim. n→∞ S. kf (s) − fn (s)kdµ(s) = lim. n→∞ S. kf (s) − gn (s)kdµ(s) = 0.. 9.

(18) Seja n um n´ umero natural qualquer. Z Z. Z. . fn dµ −. gn dµ. ≤ (fn − gn ) dµ ≤ B. B. B. Z. Z. ≤. kfn (s) − f (s)kdµ(s) +. kf (s) − gn (s)kdµ(s). B. B. Esta u ´ltima soma converge para zero quando n → ∞, portanto Z lim. n→∞ B. Z fn dµ = lim. n→∞ B. gn dµ.. Teorema 1.9 (Bochner) Uma fun¸c˜ ao f fortemente mensur´ avel ´e Bochner integr´ avel se e somente se, kf (s)k ´e integr´ avel. Prova. Suponha que f ´e Bochner integr´avel. Ent˜ao existe uma seq¨ uˆencia Z n→∞ {fn }n de fun¸c˜oes simples tal que fn (s) −→ f (s) q.s. e lim kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0. n→∞ S. Como kf (s)k ≤ kfn (s)k + kf (s) − fn (s)k, basta mostrar que kfn (s)k e kf (s) − fn (s)k s˜ ao mn mn X X integr´ aveis. De fato, kfn (s)k ´e integr´avel pois se fn = fi χBi , ent˜ao kfi kµ(Bi ) < ∞. i=1 i=1 Z Al´em disso, kf (s) − fn (s)k tamb´em ´e integr´avel. Claro, se lim kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0 n→∞ S Z kf (s) − fn (s)kdµ(s) < ∞. Ent˜ao, kf (s)k ent˜ao existe um n0 tal que para todo n > n0 , S. ´e integr´avel. Por outro lado, seja {fn }n uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples tal que n→∞. fn (s) −→ f (s) q.s. Fa¸ca. gn (s) =.    fn (s), se kfn (s)k ≤ 3 kf (s)k 2  . Ent˜ao,. 0, se kfn (s)k > 32 kf (s)k. a seq¨ uˆencia {gn }n de fun¸c˜oes simples satisfaz kgn (s)k. ≤. 3 2 kf (s)k. e. lim kf (s) − gn (s)k = 0 q.s. Al´em disso, kf (s) − gn (s)k ´e integr´avel. De fato,. n→∞. 3 5 kf (s) − gn (s)k ≤ kf (s)k + kgn (s)k ≤ kf (s)k + kf (s)k = kf (s)k 2 2 e como kf (s)k ´e integr´avel, ent˜ ao kf (s) − gn (s)k ´e integr´avel. Pelo Teorema da Convergˆencia Dominada de Lebesgue ([7], pg 321, teorema 11.32) Z lim. n→∞ S. Z kf (s) − gn (s)kdµ(s) =. lim kf (s) − gn (s)kdµ(s) = 0.. S n→∞. 10.

(19) Portanto, f ´e Bochner integr´avel.  Vamos considerar agora, uma fun¸c˜ao f : N −→ X e µ a medida de contagem ∞ X em N. Neste caso f ´e Bochner integr´avel se e somente se f (n) converge absolutamente. n=1. Usando o Teorema de Bochner, a demostra¸c˜ao ´e imediata. Primeiro, ´e f´acil ver que f ´e fortemente mensur´avel. Ent˜ao, Z f ´e Bochner integr´avel ⇐⇒. kf (n)kdµ < ∞. N. Como. ∞ X. Z kf (n)k =. kf (n)kdµ < ∞, ent˜ao vale a afirma¸c˜ao. N. n=1. Corol´ ario 1.10 Se f : S −→ X ´e Bochner integr´ avel, ent˜ ao para todo B ∈ Σ Z Z. i. kf (s)kdµ(s); f dµ ≤ B. B. Z ii. F : Σ −→ X, dada por F (B) =. f dµ, ´e σ-aditiva. B. Prova. n→∞. i. Seja {gn }n uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples tal que gn (s) −→ f (s) q.s. e, assim como no Teorema de Bochner 1.9, podemos assumir que kgn (s)k ≤ 32 kf (s)k. Ent˜ ao n→∞. kgn (s)k −→ kf (s)k q.s. Pelo teorema da convergˆencia dominada de Lebesgue, para todo B ∈ Σ, Z lim. n→∞ B. Z kgn (s)kdµ(s) =. kf (s)kdµ(s). B. Da´ı Z . Z. Z. . f dµ = lim. gn dµ = lim gn dµ. n→∞ ≤ n→∞ B B B Z Z ≤ lim kgn (s)kdµ(s) = kf (s)kdµ(s). n→∞ B. B. ii. Note que F ´e aditiva. De fato, sejam B =. m [. Bi tal que Bi ∈ Σ para todo. i=1. i = 1, · · · , m e Bi ∩ Bj = ∅ para i 6= j, e ainda {fn }n uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜ oes Z n→∞ simples tal que fn (s) −→ f (s) q.s. e lim kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0. Ent˜ao, n→∞ S. Z. Z. Z. f dµ = lim Sm. i=1. Bi. n→∞ Sm B i=1 i. 11. fn dµ = lim. n→∞ S. fn χSm dµ = i=1 Bi.

(20) Z lim. n→∞ S. fn. X m.  m Z X χBi dµ = lim fn χBi dµ = n→∞. i=1. m X. Z lim. fn χBi dµ =. n→∞ S i=1. S. i=1. m Z X. f dµ.. Bi. i=1. Como f ´e Bochner integr´avel, ent˜ao kf (s)k ´e integr´avel. Dados k ∈ N e B =. ∞ [. Bi ,. i=1. com Bi ∈ Σ disjuntos dois a dois, temos Z. Z S∞. i=1. f dµ + Sk. Bi. k Z X. Z. f dµ = i=1. Bi. S∞. Bi. i=k+1. ∞ [. Considerando Ek =. f dµ =. i=1. Z f dµ +. S∞. Bi. i=k+1. f dµ. Bi. Bi , temos que. i=k+1. Z. Ek. Z. f dµ ≤. k→∞. kf (s)kdµ(s) −→ 0. Ek. (ver [5],teorema 10.5). Portanto, k Z X. Z S∞. i=1. f dµ = lim. k→∞. Bi. lim. i=1. k Z X. k→∞. i=1. !. Z f dµ +. Bi. S∞. i=k+1. f dµ =. Bi. ∞ Z X i=1. f dµ. =. Bi. f dµ.. Bi.  Corol´ ario 1.11 Sejam X e Y espa¸cos de Banach e T : X −→ Y um operador linear limitado. Se f ´e uma fun¸c˜ ao Bochner integr´ avel com valores em X, ent˜ ao T ◦ f ´e uma fun¸c˜ ao Bochner integr´ avel com valores em Y e Z. Z T ◦ f dµ = T. f dµ B. B. para todo B ∈ Σ. n→∞. Prova. Seja {fn }n uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples tal que fn (s) −→ Z f (s) q.s. e lim kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0. Aplicando T em cada elemento da seq¨ uˆencia, n→∞ S. a nova seq¨ uˆencia {T ◦ fn }n tamb´em ´e uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples e, portanto, integr´aveis.. 12.

(21) Pela linearidade e continuidade de T, Z Z T ◦ fn dµ = T fn dµ e lim T (fn (s)) = T lim fn (s) = T (f (s)) q.s. B. n→∞. B. n→∞. e, portanto, T ◦ f ´e uma fun¸c˜ao fortemente mensur´avel. Como kf (s)k ´e integr´avel e T ´e limitada, kT (f (s))k tamb´em ´e integr´avel. Pelo Teorema de Bochner 1.9, T ◦ f ´e Bochner integr´avel. Al´em disso, Z Z lim kT (f (s)) − T (fn (s))kdµ(s) ≤ lim kT kkf (s) − fn (s)kdµ(s) =. n→∞ S. n→∞ S. Z kT k lim. n→∞ S. kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0.. Ent˜ao, Z. Z T ◦ f dµ = lim. n→∞ B. B. Z. Z. T ◦ fn dµ = lim T. fn dµ = T. n→∞. B. f dµ. B.  Com este corol´ario, fica f´acil mostrar que se f e g s˜ao Bochner integr´aveis, ent˜ao f + g tamb´em o ´e e Z. Z (f + g)dµ =. S. Z f dµ +. S. g dµ. S. ´ f´acil ver que f + g ´e Bochner integr´avel. Dado x∗ ∈ X ∗ , E Z Z Z Z Z ∗ ∗ ∗ ∗ ∗ x (f + g)dµ = x ◦ (f + g)dµ = (x ◦ f + x ◦ g)dµ = x ◦ f dµ + x∗ ◦ gdµ = S. S. S. x∗. Z S. f dµ + x∗. Z. S. g dµ = x∗. S. Z. Z f dµ +. S. S.  g dµ. S. Defini¸ c˜ ao 1.12 Dizemos que µ : Σ −→ X ´e uma medida vetorial se → − i. µ(∅) = 0 ∈ X; ii. µ ´e σ-aditiva. Defini¸ c˜ ao 1.13 Seja µ : Σ −→ X uma medida vetorial. Dizemos que µ ´e de varia¸c˜ ao limitada sobre E ∈ Σ se X  n n [ |µ|(E) = sup kµ(Ei )k : E = Ei , Ei ∩ Ej = ∅ para i 6= j, n ∈ N < ∞. i=1. i=1. |µ|(E) ´e chamada varia¸c˜ ao total de µ sobre E. 13.

(22) Teorema 1.14 Sejam f uma fun¸c˜ ao Bochner integr´ avel e F : Σ −→ X dada por Z Z kf kdµ para todo E ∈ Σ. F (E) = f dµ. Ent˜ ao F ´e de varia¸c˜ ao limitada e |F |(E) = E. E. Prova.. Seja E =. n [. Ei com Ei ∈ Σ disjuntos dois a dois, ent˜ao. i=1 n X i=1. n Z X. kF (Ei )k =. n Z X. f dµ ≤. Ei. i=1. Z kf kdµ =. Ei. i=1. kf kdµ < ∞. E. Z Portanto F ´e de varia¸c˜ao limitada e |F |(E) ≤. kf kdµ. E. Seja  > 0. Como f ´e Bochner integr´avel, considere {fn }n uma seq¨ uˆencia Z n→∞ de fun¸c˜oes simples tal que fn (s) −→ f (s) q.s. e lim kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0. Fixe n0 n→∞ S Z 0 tal que kf (s) − fn0 (s)kdµ(s) <  e escolha uma parti¸c˜ao {Ej } para E tal que S. Z. Z. fn0 dµ =. 0. Ej. 0. kfn0 kdµ.. Ej. De fato, esta parti¸c˜ao existe. Sendo fn0 =. m X. 0. yj χFj , tome cada conjunto Ej como sendo. j=1. Fj ∩ E para cada j = 1, · · · , m. Portanto, m Z X. j=1. 0. Ej. Z. fn0 dµ kfn0 kdµ. = E. Escolha agora uma parti¸c˜ao E =. p [. Bj que ´e um refinamento da anterior,. j=1. tal que |F |(E) −. p Z X. j=1. Bj. f dµ < .. Z p Z X. = Mesmo com esta nova parti¸c˜ao, podemos notar que f dµ kfn0 kdµ. n 0. B E j j=1

(23)

(24)

(25)

(26) Usando a desigualdade

(27) kxk − kyk

(28) ≤ kx − yk, temos

(29) p

(30) Z X

(31)

(32)

(33) j=1. Bj.

(34)

(35). Z p Z p Z

(36) X. X. fn0 dµ

(37) ≤ f dµ − fn0 dµ ≤ kf − fn0 kdµ =.

(38) Bj Bj Bj Bj. Z . f dµ −. j=1. j=1.

(39)

(40)

(41) Z Z p Z

(42)

(43)

(44) X

(45).

(46)

(47)

(48). fn0 dµ kfn0 kdµ

(49) =

(50) |F |(E) − kf − fn0 kdµ <  =⇒

(51) |F |(E) −

(52)

(53) < 2 =⇒.

(54) Bj E E j=1 Z Z kf kdµ. kfn kdµ = |F |(E) = lim n→∞ E. E.  14.

(55) Z Corol´ ario 1.15 Se f e g s˜ ao fun¸c˜ oes Bochner integr´ aveis e. Z f dµ =. E. g dµ para cada E. E ∈ Σ, ent˜ ao f = g q.s. Z Prova.. Seja F : Σ −→ X dada por F (E) =. (f − g) dµ. Ent˜ao, E. F (E) = 0 para todo E ∈ Σ. Portanto, |F |(E) = 0 para todo E ∈ Σ. Mas ent˜ ao Z 0 = |F |(S) = kf − gk dµ ⇒ kf − gk = 0 q.s. Isto acontece somente se f = g S. q.s.  Teorema 1.16 (Teorema da Convergˆ encia Dominada) Sejam (S, Σ, µ) um espa¸co de medida finita e {fn }n uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜ oes Bochner integr´ aveis definidas em S com valores num espa¸co de Banach X. Se lim fn (s) = f (s) q.s. e existe uma fun¸c˜ ao g n→∞. integr´ avel com valores reais definida em S tal que kfn (s)k ≤ g(s) q.s., ent˜ ao f ´e Bochner Z Z integr´ avel e lim fn dµ = f dµ para todo E ∈ Σ. n→∞ E. Prova.. E. Como fn ´e fortemente mensur´avel para todo n, ent˜ao f tamb´em. ´e fortemente mensur´avel pelo Corol´ario 1.6. Para mostrar que f ´e Bochner integr´avel, basta mostrar que kf k ´e integr´avel. n→∞. n→∞. Sabemos que fn (s) −→ f (s) q.s., ent˜ao kfn (s)k −→ kf (s)k q.s., o que implica kf (s)k ≤ g(s) q.s. Portanto, kf (s)k tamb´em ´e integr´avel, o que implica que f ´e Bochner integr´avel. Al´em disso, kf (s)−fn (s)k ≤ kf (s)k+kfn (s)k ≤ 2 g(s), isto ´e, kf (s)−fn (s)k ´e integr´avel. Usando o Teorema da Convergˆencia Dominada de Lebesgue, temos Z. Z lim. n→∞ E. kf (s) − fn (s)kdµ(s) =. lim kf (s) − fn (s)kdµ(s) = 0, ∀ E ∈ Σ.. E n→∞. Portanto, para todo E ∈ Σ, Z. Z f dµ = lim E. n→∞ E. fn dµ. . 15.

(56) Cap´ıtulo 2. S´ eries Neste cap´ıtulo vamos relembrar de algumas defini¸c˜oes que nos ser˜ao u ´teis. Vamos apresentar o conceito de “net”e sua condi¸c˜ao de convergˆencia e, estudar a convergˆencia incondicional de s´eries. Al´em disso, vamos demonstrar o Teorema de Orlicz-Pettis, o qual ser´a de grande importˆancia, usando os teoremas de Pettis e o de Bochner vistos no cap´ıtulo 1.. 2.1. Convergˆ encia incondicional Antes de falarmos em convergˆencia incondicional, vamos apresentar algu-. mas defini¸c˜oes. Defini¸ c˜ ao 2.1 Um conjunto dirigido I ´e um conjunto com uma rela¸c˜ ao de ordem “≤” tal que, dados i, j ∈ I, existe k ∈ I tal que i, j ≤ k. Defini¸ c˜ ao 2.2 Dizemos que um net em X ´e uma fam´ılia {xi }i∈I de elementos de X indexada por um conjunto dirigido I. Defini¸ c˜ ao 2.3 Dado I um conjunto dirigido, dizemos que o net {xn }n∈I em X converge se existe y ∈ X tal que, dado  > 0 existe i0 tal que para todo i ≥ i0 , kxi − yk < . Defini¸ c˜ ao 2.4 Dizemos que um net {xn }n∈I , em X ´e de Cauchy se dado  > 0 existe i0 ∈ I tal que para todos i > j > i0 , tem-se kxi − xj k < . 16.

(57) Podemos notar que todo net convergente ´e de Cauchy. Considere o conjunto F = {F ⊆ N : F ´e finito}. Notemos que F ´e um conjunto dirigido por inclus˜ao de conjuntos pois, dados E, H ∈ F, podemos encontrar F ∈ F tal que F ⊇ E, H. ∞ X Defini¸ c˜ ao 2.5 Dizemos que uma s´erie xn em X converge incondicionalmente para n=1 X  y ∈ X se o net xn converge para y. F ∈F. n∈F. Proposi¸ c˜ ao 2.6 Todo net de Cauchy converge em X. Sejam I um conjunto dirigido e {xn }n∈I um net de Cauchy em. Prova.. X. Seja  = 1, ent˜ao existe n1 tal que, para todo n, m ≥ n1 , kxn − xm k < 1. Chame 0. 0. y1 = xn1 . Seja  = 21 , ent˜ao existe n2 tal que, para todo n, m ≥ n2 , kxn − xm k < 12 . Seja 0. n2 ≥ n2 , n1 e chame y2 = xn2 . Continuando esse processo, dado  = 0. 1 k. 0. vai existir nk tal. 0. que para todo n, m ≥ nk , kxn − xm k < k1 . Seja nk ≥ nk , nk−1 e chame yk = xnk . Desta forma, construimos a seq¨ uˆencia {yk }k . Afirma¸c˜ao: {yk }k ´e de Cauchy. Sejam  > 0 e k0 ∈ N tal que. 1 k0. < . Para todos k, l ≥ k0 , temos que. nk , nl ≥ k0 . Logo, kyk − yl k = kxnk − xnl k <. 1 < . k0. Portanto {yk }k converge em X. Seja y = lim yk . Dados  > 0 e k0 tal que k→∞. 2 k0. < , se n ≥ nk0 , ent˜ao kxn − yk ≤ kxn − xnk0 k + kxnk0 − yk <. 1 1 2 + = < . k0 k0 k0 . Teorema 2.7 (Condi¸ c˜ ao de Cauchy) A s´erie. ∞ X. xn converge incondicionalmente se. n=1. e somente se dado  > 0 existe F ∈ F tal que, para todo H ∈ F disjunto de F, temos. X . xn . < . n∈H. 17.

(58) ∞ X Prova. Suponha que a s´erie xn convirja incondicionalmente, ent˜ ao n=1 X  converge e portanto ´e de Cauchy. Seja  > 0, ent˜ao existe F ∈ F o net xn F ∈F n∈F. X X. tal que para todos E, G ⊇ F em F, xn − xn < . Seja H ∈ F disjunto de F. n∈E. n∈G. Considerando os conjuntos E = H ∪ F e G = F que s˜ao finitos e contˆem F,. . X X X. xn = xn − xn . < . n∈H. n∈E. n∈G. Provando a rec´ıproca, seja  > 0. Ent˜ao existe F ∈ F tal que para todo. X . H ∈ F disjunto de F tem-se xn < 2 . Sejam E, G ⊇ F em F. Considere os conjuntos 0. n∈H. 0. E = E \ E ∩ G e G = G \ E ∩ G que est˜ao em F e al´em disso, disjuntos de F. Ent˜ao. . X X X X X X. x − x = x − x ≤ x + x n n n n n n < .. n∈E. Assim o net. n∈E 0. n∈G. X. n∈G0. n∈E 0. n∈G0.  xn. ´e de Cauchy e portanto convergente. Logo, a s´erie F ∈F. n∈F. ∞ X. xn. n=1. converge incondicionalmente.  Proposi¸ c˜ ao 2.8 Se uma s´erie. ∞ X. xn em X ´e absolutamente convergente, ent˜ ao. n=1. ∞ X. xn. n=1. converge incondicionalmente. Prova.. Como X ´e de Banach, a s´erie. ∞ X. xn converge. Seja  > 0, ent˜ ao. n=1. existe k0 tal que para todo k > k0 ,. ∞ X n=k. k. X  kxn k < . Se y = lim xn , ent˜ao para todo k→∞ 2 n=1. k > k0 , k ∞. ∞ X X X. . xn − y = xn ≤ kxn k < .. 2 n=1. n=k+1. n=k+1. X X. k0. . Seja F = {1, · · · , k0 }. Ent˜ao, xn − y = xn − y < 2 . Considere n∈F. n=1. G ⊇ F finito, ent˜ao X X. X X. X . X . xn − y ≤ xn − xn + xn − y = xn + xn − y . < n∈G. n∈G. X n∈G\F. n∈F. kxn k +. n∈F. n∈G\F. ∞ X     < kxn k + < + < . 2 2 2 2 n=k0 +1. 18. n∈F.

(59) Portanto,. ∞ X. xn converge incondicionalmente para y ∈ X.. n=1.  A rec´ıproca desta proposi¸c˜ao n˜ao ´e verdadeira, por isso vamos dar um exemplo de uma s´erie que converge incondicionalmente mas n˜ao converge absolutamente. Exemplo 1 : Seja xn ∈ l2 tal que na coordenada n tem valor. 1 n. e zero em. todas as outras. ∞ X. A s´erie. kxn k =. n=1. converge. Portanto, a s´erie. ∞ X. ∞ X 1 ´e a s´erie harmˆonica que j´a sabemos que n˜ ao n. n=1. xn n˜ao converge absolutamente.. n=1. Afirma¸c˜ao:. ∞ X.  xn converge incondicionalmente para y =. . 1,. 1 1 2, · · · , n, · · ·. .. n=1. X ∞  2  1 ∞ X 2 1 1 Primeiro, y ∈ l2 pois < ∞. Seja  > 0. Como conn n2 n=1 n=1 ∞ X 1 2 verge, ent˜ao existe n0 tal que <  . Seja F = {1, 2, · · · , n0 } e considere G ⊇ F n2 n=n0 +1. finito. Ent˜ao, 2. X 1 X 1 X. = x − y ≤ = n. n2 n2 n6∈G. n∈G. Proposi¸ c˜ ao 2.9 A s´erie se e somente se. ∞ X. ∞ X. n6∈F. ∞ X n=n0 +1. 1 < 2 . n2. xπ(n) converge em X para toda fun¸c˜ ao π : N −→ N bijetora. n=1. xn converge incondicionalmente.. n=1. Prova.. Suponha que. ∞ X. xn n˜ao convirja incondicionalmente. Ent˜ao,. X . xn existe  > 0 tal que, para todo F ∈ F , existe G ∈ F disjunto de F tal que ≥ . n∈G. X . Seja F0 = {n1 = 1}, ent˜ao existe F1 = {n2 , · · · , nk } disjunto de F tal que xn ≥ . n=1. n∈F1. Seja F2 = {nk+1 = min{n ∈ N \ (F ∪ F1 )}}. Ent˜ao, existe F3 = {nk+2 , · · · , nl } disjunto. X S3. de F0 ∪ F1 ∪ F2 tal que xn ≥ . Seja agora F4 = {nl+1 = min{n ∈ N \ i=0 Fi }}. n∈F3. Ent˜ao, existe F5 = {nl+2 , · · · , np } disjunto de. 4 [ i=0. esse processo, ´e f´acil ver que N =. ∞ [. Fn .. n=1. 19. X . Fi tal que xn ≥ . Continuando n∈F5.

(60) Seja π : N −→ N definida por π(p) = np . Pela hip´otese,. ∞ X. xnp converge,. p=1. X. i. ent˜ao existe um N tal que, para todos i > j > N, tem-se xnp < . Seja k ∈ N tal p=j. X. que nN ∈ Fk e seja Fm um conjunto tal que xn ≥  e m ≥ mim{n ∈ N : n > k}. n∈Fm. i. X. Escolha j = min{p ∈ N : np ∈ Fm } e i = max{p ∈ N : np ∈ Fm }. Ent˜ao, xnp = p=j. X. xnp . ≥ , o que ´e um absurdo. Ent˜ao a s´erie converge incondicionalmente. np ∈Fm. X Sejam  > 0 e y = lim xn . Ent˜ao, existe F ∈ F tal que, para todo F ∈F n∈F. X. 0. G ⊇ F em F, xn − y < . Seja π : N −→ N bijetora, ent˜ao existe F ∈ F n∈G. X 0 0 0. xπ(n) − y tal que π(F ) = F e < . Seja m0 = max{n : n ∈ F } e considere G = n∈F 0. m0. X X. {1, 2, · · · , m0 }. Ent˜ao, G = π(G ) ⊇ F ´e finito e, portanto, xn −y = xπ(n) −y < n=1 n∈G X. m. . Logo, para todo m > m0 , xπ(n) − y < . 0. n=1. . 2.2. Teorema de Orlicz-Pettis Antes de demonstrar o Teorema de Orlicz-Pettis, vamos apresentar os. seguintes lemas. Lema 2.10 Seja. ∞ X. xn uma s´erie em X. A s´erie. ∞ X. xn converge incondicionalmente. n=1. n=1. se e somente se para cada seq¨ uˆencia crescente de inteiros positivos {kj }j , a seq¨ uˆencia X  n xkj converge em norma. j=1. n. Prova. Seja. ∞ X. xn incondicionalmente convergente, ent˜ao vale a condi¸c˜ ao. n=1. de Cauchy. Seja  > 0, ent˜ao existe F ∈ F tal que para todo E ∈ F disjunto de F,. X . xn uˆencia crescente de inteiros positivos. Seja. < . Seja {kn }n uma seq¨ n∈E. m =. max{n ∈ N : kn ∈ F }, ent˜ao para todos p > q > m podemos definir. 20.

(61) p. X. X . E = {kq , kq+1 , · · · , kp }, que ´e finito e disjunto de F. Ent˜ao xkn = xn < . n=q. Logo. ∞ X. n∈E. xkn ´e de Cauchy em X e portanto convergente.. n=1. Suponha que. ∞ X. xn n˜ao converge incondicionalmente, ent˜ao existe n=1. X  > 0 tal que para todo F ∈ F, existe E ∈ F disjunto de F tal que xn . ≥ . n∈E. X. 1 1 1. Ent˜ao existe E1 = {n1 < n2 < · · · < nk1 } tal que xn ≥ . Agora, fazendo n∈E1. F = {n ∈ N : n ≤. n1k1 },. {n21. existe E2 =. <. n22. < ··· <. n2k2 }. X. xn tal que ≥ . n∈E2. Continuando esse processo, constru´ımos uma seq¨ uˆencia crescente de inteiros positivos ∞ ∞ X X m , · · ·}. Ent˜ m {n11 , · · · , n1k1 , · · · , nm , · · · , n a o a s´ e rie x converge. A s´ e rie ym , com nk 1 km m. m=1. ym =. km X. m=1. xnm , tamb´em converge pois a sua seq¨ uˆencia de somas parciais ´e uma subseq¨ uˆencia j. j=1. da seq¨ uˆencia das somas parciais de. ∞ X. . Portanto a seq¨ uˆencia {ym }m converge para xnm k m. m=1. 0. Isto ´e um absurdo, pois kym k ≥  > 0 para todo m.  Z Lema 2.11 Se f : S −→ X ´e Bochner integr´ avel, ent˜ ao.  f dµ : E ∈ Σ. ´e relativa-. E. mente compacto em X. Prova.. Suponha primeiro que f ´e uma fun¸c˜ao simples, isto ´e, Z f= f dµ : fi χBi com fi ∈ X, Bi mensur´avel e Bi ∩ Bj = ∅ para i 6= j. O conjunto E i=1.  Z Z. ≤ E ∈ Σ ´e limitado pois f dµ kf kdµ < ∞ e, ainda, o span{f1 , f2 , · · · , fn } tem. n X. E. S. dimens˜ao finita. Como Z.  f dµ : E ∈ Σ. ⊆ span{f1 , f2 , · · · , fn } ⊆ X,. E. Z.  f dµ : E ∈ Σ. ent˜ao. ´e compacto em X.. E. Sejam  > 0 e f uma fun¸c˜ao Bochner integr´avel qualquer. Escolha uma Z  Z  fun¸c˜ao simples g tal que kf (s) − g(s)kdµ(s) < . Ent˜ao, dado x ∈ f dµ : E ∈ Σ , 2 S E Z Z  f dµ para existe um y ∈ g dµ : E ∈ Σ tal que kx − yk < 2 . Claro, se x = E. E. 21.

(62) Z. Z algum E, basta tomar y =.  g dµ : E ∈ Σ. g dµ com o mesmo E. O conjunto E. ´e. E. totalmente limitado em X pois ´e relativamente compacto. Ent˜ao, existe uma 2 -rede finita Z  g dµ : E ∈ Σ . Seja E ∈ Σ. Ent˜ao, existe x1 ∈ M tal que ([6], pg 412) M para E Z. g dµ − x1 <  . Ent˜ao,. 2 E Z Z. Z Z.   f dµ − x1 ≤ f dµ −. g dµ. + g dµ − x1 < 2 + 2 = . E E E E Z  Z  Portanto, M ´e uma -rede finita para f dµ : E ∈ Σ . Ent˜ao, f dµ : E ∈ Σ ´e E. E. totalmente limitado e, como X ´e Banach, ´e relativamente compacto.  Teorema 2.12 (Orlicz-Pettis) Seja. ∞ X. xn uma s´erie em X. Suponha que para cada. n=1. seq¨ uˆencia crescente de inteiros positivos {ki }i , a seq¨ uˆencia mente. Ent˜ ao a s´erie. ∞ X. X n i=1.  xki. convirja fracan. xi converge.. i=1. Prova.. Suponha que exista uma seq¨ uˆencia crescente de inteiros positivos X  n {ki }i tal que a seq¨ uˆencia xki n˜ao ´e de Cauchy em X. Ent˜ao, existe  > 0 tal que n. i=1. X. p. para todo n ∈ N existem p > q > n tal que x uˆencias crescentes ki ≥ . Sejam duas seq¨. i=q. ln. X. xki de inteiros positivos {jn }n e {ln }n , com j1 < l1 < j2 < l2 < · · · , satisfazendo ≥ i=jn. para todo n. A s´erie. ∞ X. yn , formada por yn =. n=1. ln X. xki , converge fracamente em X. De. i=jn. fato, considere a seq¨ uˆencia crescente de inteiros positivos {kj1 , · · · , kl1 , · · · , kjn , · · · , kln , · · ·} e seja {sp }p a seq¨ uˆencia das somas parciais dos elementos xki , i = jn , · · · , ln , n ∈ N, que X  m converge fracamente. Como ym ´e uma subseq¨ uˆencia da seq¨ uˆencia {sp }p , ent˜ ao n=1. m. esta tamb´em converge fracamente. Portanto, a seq¨ uˆencia {yn }n converge fracamente para zero e ainda, kyn k ≥  para todo n.. 22.

(63) Seja Ω = {−1, 1}N o espa¸co m´etrico1 compacto das seq¨ uˆencias  = (n )n com n = ±1. Seja Σ a σ-´algebra de Borel ([8], pg 13) e µ a medida produto2 em Ω. n X Seja f : Ω −→ X uma fun¸c˜ao dada por f ((n )) = weak lim k yk . Para n→∞. cada i ∈ N, ´e f´acil ver que a fun¸c˜ao fi : Ω −→ X dada por fi ((n )) =. i X. k=1. k yk , ´e simples,. k=1 i→∞. portanto x∗ ◦ fi ´e mensur´avel para todo x∗ ∈ X ∗ . Como x∗ ◦ fi −→ x∗ ◦ f pontualmente para todo x∗ ∈ X ∗ , ent˜ao x∗ ◦ f ´e mensur´avel e, portanto, f ´e fracamente mensur´avel em Ω. A imagem de f est´a contida no fecho do span{y1 , y2 , · · ·}. De fato, seja y ∈ f (Ω) e suponha que y 6∈ span{y1 , y2 , · · ·}. Ent˜ao, por Hahn-Banach existe um x∗ ∈ X ∗ tal que x∗ (y) = 1 e x∗ (z) = 0 para todo z ∈ span{y1 , y2 , · · ·}. Como y ∈ f (Ω), ent˜ao existe n n X X ∗ ∗ (n ) ∈ Ω tal que lim k x (yk ) = x (y), mas k x∗ (yk ) = 0 para todo n e x∗ (y) = 1. n→∞. k=1. k=1. Ent˜ao, y ∈ span{y1 , y2 , · · ·} e, portanto, f (Ω) ´e separ´avel. Pelo Teorema de Pettis, f ´e fortemente mensur´avel.. B =. X. Al´em disso, a imagem de f est´a contida no fecho fraco do conjunto  k yk : ∆ ⊆ N ´e finito , k = ±1 para k ∈ ∆ . Se y ∈ f (Ω), ent˜ao existe. k∈∆. (n ) ∈ Ω tal que para todo x∗ ∈ X ∗ , x∗ (y) = lim. n→∞. ent˜ao x∗ (y) = lim. n→∞. X. n X. k x∗ (yk ). Fazendo ∆n = {1, · · · , n},. k=1. k x∗ (yk ) e, portanto, y pertence ao fecho fraco de B.. k∈∆n. Seja x∗ ∈ X ∗ . Fa¸ca para cada k ∈ N,. k =.   . 1,.   −1, Ent˜ao,. ∞ X k=1. k x∗ (yk ) =. ∞ X. se x∗ (yk ) ≥ 0 se. x∗ (y. k). .. <0. |x∗ (yk )|. Como existe weak lim. n→∞. k=1. n X. k yk , ent˜ao. k=1. ∞ X. |x∗ (yk )| <. k=1. ∞. Assim, para todo ∆ ⊆ N finito,

(64)

(65) ∞ X

(66) X

(67) X ∗ ∗

(68)

(69)  x (y ) ≤ | x (y )| ≤ |x∗ (yk )| < ∞, k k

(70) k k

(71) k∈∆. 1 2. k∈∆. k=1. 0. Podemos considerar aqui a m´etrica d((n ), (n )) =. P∞. n=1. 0. |n − n | 21n. µ(Ω) = 1 e dados Fn ⊆ N com n elementos e En = {(n )n : j = xj ∀ j ∈ Fn }, com xj ∈ {±1},. µ(En ) =. 1 2n. 23.

(72) isto ´e, B ´e fracamente limitado. Ent˜ao, f (Ω) ´e fracamente limitada e, portanto, limitada. Como a medida µ(Ω) ´e finita, ent˜ao f ´e Bochner integr´avel. Z yn Afirma¸c˜ao: f dµ = para En = { ∈ Ω : n = 1}. 2 En Dados 1 , · · · , k ∈ {−1, 1}, seja Ω1 ···k = {x ∈ Ω : x1 = 1 , · · · , xk = k }. [ ˙ Note que µ(Ω1 ···k ) = 21k e Ω = Ω1 ···k . Ent˜ao, para todo x∗ ∈ X ∗ , 1 ···k ∗. Z. x. Z. ∗. lim x. k→∞. k→∞. En. ∗. k X X 1 ···k. Z. x ◦ f dµ = lim x. f dµ = En. ∗. ∗. fk dµ = lim x k→∞. En. . i yi µ(En ∩ Ω1 ···k ) = lim x k→∞. ∗. lim x. k→∞. . k−1. 2. 1 yn k 2. . i :n =1 ∗. =x. 1 ···k. k X X. ∗. i=1. X Z. . fk dµ =. En ∩Ω1 ···k.  i yi µ(Ω1 ···k ) =. i=1.  yn . 2. A seq¨ uˆencia {yn }n converge fracamente para zero e pertence ao conjunto  Z  f dµ : E ∈ Σ , que ´e relativamente compacto pelo Lema 2.10. Segue que existe 2 E  Z  uma subseq¨ uˆencia {ynk }k convergente para zero em norma em 2 f dµ : E ∈ Σ , mas E. isso contradiz o fato de que kyn k ≥  para todo n. . 24.

(73) Cap´ıtulo 3. Integrais de Pettis e Dunford Como vimos no primeiro cap´ıtulo, a integral de Bochner est´a definida apenas para fun¸c˜oes fortemente mensur´aveis, e al´em disso, se a sua norma n˜ao for integr´avel, n˜ao podemos falar na integral de Bochner desta fun¸c˜ao. Agora, vamos definir para fun¸c˜oes fracamente mensur´aveis mais duas integrais. Lema 3.1 (Dunford) Suponha que f : S −→ X ´e uma fun¸c˜ ao fracamente mensur´ avel ∗∗ e que x∗ ◦ f ´e integr´ avel para cada x∗ ∈ X ∗ . Ent˜ ao, para cada E ∈ Σ, existe x∗∗ E ∈ X. satisfazendo ∗ x∗∗ E (x ). Z =. x∗ ◦ f dµ,. E. para todo x∗ ∈ X ∗ . Prova.. Seja E ∈ Σ. Defina T : X ∗ −→ L1 (E). 1. por T (x∗ ) = x∗ ◦ (χE f ). n→∞. Ent˜ao, T ´e fechado. De fato, sejam {x∗n }n uma seq¨ uˆencia em X ∗ tal que x∗n −→ x∗ n→∞. em X ∗ e T (x∗n ) −→ g, com g ∈ L1 (E). Ent˜ao, existe uma subseq¨ uˆencia {T (x∗nk ) = k→∞. n→∞. x∗nk ◦ (χE f )}k tal que T (x∗nk ) −→ g q.s. ([1], pg 58, teorema IV.9). Como x∗n −→ x∗ , n→∞. ent˜ao x∗n ◦ (χE f ) −→ x∗ ◦ (χE f ) pontualmente. Logo, g = x∗ ◦ (χE f ) = T (x∗ ). 1. L1 (S) =.   Z φ : S −→ R : φ mensur´ avel , |φ| dµ < ∞ S. 25.

(74) Pelo teorema do gr´afico fechado, T ´e cont´ınuo. Ent˜ao, ∗. kx (χE f )kL1 (E).

(75) Z

(76)

(77)

(78)

(79) =

(80) x (f )dµ

(81)

(82) ≤ kT kkx∗ k. E. Portanto, dado E ∈ Σ, ´e f´acil ver que a fun¸c˜ao. X∗. 3. x∗. Z 7−→. x∗ (f )dµ ∈ R. E ∗∗ ´e um funcional linear cont´ınuo, isto ´e, define x∗∗ E ∈X ..  Com a ajuda deste lema, podemos definir a integral de Dunford. Defini¸ c˜ ao 3.2 Se f : S −→ X ´e uma fun¸c˜ ao fracamente mensur´ avel tal que x∗ ◦ f ´e integr´ avel para todo x∗ ∈ X ∗ , dizemos que f ´e Dunford integr´ avel. A integral de Dunford Z ∗∗ tal que x∗∗ (x∗ ) = de f sobre E ∈ Σ ´e definida pelo elemento x∗∗ ∈ X x∗ ◦ f dµ para E E E Z ∗∗ ∗ ∗ todo x ∈ X . Escrevemos (D)f dµ = xE . E. Defini¸ c˜ ao 3.3 Seja f : S −→ X uma fun¸c˜ ao fracamente mensur´ avel tal que x∗ ◦ f ´e integr´ avel para todo x∗ ∈ X ∗ . Dizemos que f ´e Pettis integr´ avel se, para cada E ∈ Σ, Z existe um y ∈ X tal que x∗ (y) = x∗ ◦ f dµ para todo x∗ ∈ X ∗ , e a integral de Pettis de EZ f sobre E ∈ Σ ´e denotada por (P)f dµ = y. E. Notemos que, pelo Corol´ario 1.11, toda fun¸c˜ao Bochner integr´avel ´e Pettis integr´avel e que as duas integrais coincidem. Podemos ainda definir uma fun¸c˜ao Pettis integr´avel como sendo uma fun¸c˜ ao Dunford integr´avel tal que a integral de Dunford da fun¸c˜ao perten¸ca a X e neste caso, a integral de Pettis ´e a pr´opria integral de Dunford. Como vimos, toda fun¸c˜ao Pettis integr´avel ´e Dunford integr´avel, mas a rec´ıproca n˜ao ´e verdadeira. Vamos ent˜ao dar um exemplo de uma fun¸c˜ao Dunford integr´avel que n˜ao ´e Pettis integr´avel. Exemplo 2 : Defina f : [0, 1] −→ c0 por f (t) = (χ(0,1] (t), 2χ(0, 1 ] (t), · · · , nχ(0, 1 ] (t), · · ·) 2. 26. n.

(83) para t ∈ [0, 1]. Se x∗ = (α1 , · · · , αn , · · ·) ∈ c∗0 = l1 , ent˜ao x∗ ◦f =. ∞ X. αn nχ(0, 1 ] ´e integr´avel. n. n=1. De fato, Z Z ∗ |x ◦ f (s)|dµ(s) =.

(84) X

(85) Z

(86)

(87)

(88)

(89) αn nχ(0, 1 ] (s)

(90) dµ(s) ≤

(91) n. [0,1] n=1. [0,1]. ∞ Z X n=1 [0,1]. ∞ X. [0,1] n=1. |αn nχ(0, 1 ] (s)|dµ(s) = n. ∞ X. |αn nχ(0, 1 ] (s)|dµ(s) = n. |αn | < ∞. n=1. (a pen´ ultima igualdade pode ser encontrada em [7], pg 320, teorema 11.30). Portanto, f ´e Dunford integr´avel. Vamos agora calcular a sua integral. Primeiro vamos mostrar Z que dada f (t) = (f1 (t), f2 (t), · · ·), ent˜ao para todo E mensur´avel em [0, 1], (D)f dµ = E Z  Z f1 dµ, f2 dµ, · · · . E E Z Sejam e∗n = (0, · · · , |{z} 1 , 0, · · ·) ∈ l1 e (D)f dµ = (a1 , a2 , · · ·) ∈ l∞ . E. n. Ent˜ao . . Z. Z. ∗. (D)f dµ (x ) = x∗ ◦ f dµ =⇒ E E   Z Z an = (D)f dµ (e∗n ) = e∗n ◦ f dµ. E E Z Como e∗n ◦ f = fn , ent˜ao fn dµ = an . E Z Ent˜ao, (D)f dµ = (1, 1, 1, · · ·) que pertence a l∞ \ c0 . [0,1]. Vamos agora apresentar alguns resultados para estas fun¸c˜oes. Lema 3.4 Se uma medida υ : Σ −→ X ´e fracamente σ-aditiva, ent˜ ao υ ´e σ-aditiva. Prova.. Seja {En }n uma seq¨ uˆencia de conjuntos em Σ disjuntos dois a. dois. Ent˜ao, para todo x∗ ∈ X ∗ ∗. x. υ. [ ∞. ∞ X. ! En. =. n=1. Ent˜ao. ∞ X.   x∗ υ(En ) .. n=1. υ(En ) ´e uma s´erie fracamente convergente e, para toda seq¨ uˆencia {kn }n de. n=1. inteiros positivos,. ∞ X. υ(Ekn ) tamb´em ´e fracamente convergente pelo mesmo argumento.. n=1. Pelo Teorema de Orlicz-Pettis 2.11, a s´erie. ∞ X. υ(En ) converge. Portanto,. n=1. υ. [ ∞.  En. =. ∞ X n=1. n=1. 27. υ(En ),.

(92) ou seja, υ ´e σ-aditiva.  Teorema 3.5 (Pettis) Se f : S −→ X ´e Pettis integr´ avel, ent˜ ao F : Σ −→ X dada por Z F (E) = (P)f dµ ´e uma medida σ-aditiva. E. Seja {En }n uma seq¨ uˆencia de conjuntos mensur´aveis em S dis-. Prova.. juntos dois a dois. Ent˜ao, ∗. x. .  Z f dµ = S. Z (P)-. S∞. n=1. En. ∗. ∞ n=1. x (f )dµ = En. ∞ Z X. ∗. x (f )dµ =. n=1 En. ∞ X. ∗. x. . . Z (P)-. f dµ . En. n=1. Portanto, F ´e fracamente σ-aditiva. Pelo lema (3.4), F ´e σ-aditiva.  Para uma fun¸c˜ao Dunford integr´avel, pode n˜ao valer a σ-aditividade da medida F. Vamos ver um exemplo disto. Exemplo 3 : Seja f : [0, 1] −→ c0 a fun¸c˜ao definida no Exemplo 2. Como j´ a Z  Z Z mostramos, para todo E ∈ Σ, (D)f dµ = f1 dµ, f2 dµ, · · · . Ent˜ao, para todo E. E. E. n ∈ N, Z. Z (D)-. f dµ = 1 (0, n ].    1 2 n n+1 f1 dµ, · · · , fn dµ, · · · = , ,···, , ,··· . n n n n+1 (0, 1 ] (0, 1 ] Z. n. Z. Portanto, (D)-. 1 (0, n ]. f dµ. n. = 1 para todo n ∈ N.. l∞ (0, n1 ]. para todo n ∈ N. Suponha que F : Σ −→ X ∗∗ dada por ∞ \ n→∞ F (E) = (D)f dµ ´e σ-aditiva. Como En+1 ⊆ En e En = ∅, ent˜ao F (En ) −→ 0, E n=1. Z. mas isso contradiz o fato de que f dµ (D) = 1. Seja En =. Z. 1 (0, n ]. l∞. Corol´ ario 3.6 Seja (S, Σ, µ) um espa¸co de medida σ-finito, ou seja, existe uma seq¨ uˆencia ∞ [ {Sn }n de conjuntos mensur´ aveis com µ(Sn ) < ∞ para todo n, tal que S = Sn . Seja f n=1. uma fun¸c˜ ao fortemente mensur´ avel e Dunford integr´ avel. Ent˜ ao f ´e Pettis integr´ avel se e Z somente se F : Σ −→ X ∗∗ dada por F (E) = (D)f dµ ´e σ-aditiva. E. 28.

(93) Z Prova.. Se f ´e Pettis integr´avel, ent˜ao (P)-. Z f dµ = (D)-. E. f dµ para E. todo E ∈ Σ. Pelo Teorema 3.5, F ´e σ-aditiva. Para provarmos a rec´ıproca, escolha uma seq¨ uˆencia {En }n crescente em ∞ [ Σ tal que S = En e cada χEn f ´e limitada. Podemos escolher para cada n ∈ N, n=1. En = {s ∈ S : kf (s)k ≤ n}. De fato En ´e mensur´avel, pois f ´e fortemente mensur´avel e como demonstramos no Teorema de Pettis 1.5, kf (s)k ´e mensur´avel.. S =. ∞ [. Seja {Sn }n uma seq¨ uˆencia crescente em Σ, com µ(Sn ) < ∞, tal que ∞ [ Sn . Ent˜ao, S = (En ∩ Sn ). De fato, se s ∈ S, ent˜ao existe um n tal que. n=1. n=1. s ∈ Sn e existe um m tal que s ∈ Em . Tomando k =max{n, m}, ent˜ao s ∈ Sk e s ∈ Ek e, portanto, s ∈ Ek ∩ Sk . Chamemos Ln := En ∩ Sn para n ∈ N. Z Se E ∈ Σ, ent˜ao a integral de Bochner f dµ existe para cada n. De E∩Ln. fato, seja n ∈ N. Logo, Z. Z kf (s)kdµ(s) ≤. E∩Ln. Z Z. Como Z f dµ = (P)-. kf (s)kdµ(s) ≤ nµ(Ln ) < ∞. Ln. ∗. ∗. Z. f dµ para todo x∗ ∈ X ∗ , ent˜ ao. x ◦ f dµ = x. E∩Ln. E∩Ln. f dµ e, portanto, as integrais de Dunford, Pettis e Bochner. E∩Ln. E∩Ln. coincidem. Z Como F ´e σ-aditiva, ent˜ao lim (D)f dµ existe em X. Para todo n→∞ E∩LZn Z Z Z ∗ ∗ ∗ ∗ x ∈ X , lim x ◦f dµ = x ◦f dµ. Ent˜ao, (D)f dµ = lim f dµ ∈ X n→∞ E∩L n. E. E. n→∞ E∩L n. para todo E ∈ Σ. Portanto, f ´e Pettis integr´avel. . 29.

(94) Cap´ıtulo 4. Integra¸c˜ ao Incondicional Neste u ´ltimo cap´ıtulo, vamos apresentar uma nova teoria de integra¸c˜ao. Baseado no artigo Unconditional integrability for dual actions, a teoria de integra¸c˜ao incondicional se assemelha a teoria de convergˆencia incondicional vista em s´eries. Devemos ent˜ao definir um net, agora trabalhando com integrais e n˜ao mais com somat´orios, e discutir a sua convergˆencia. Depois deste estudo, vamos demonstrar a equivalˆencia entre esta teoria e a integral de Pettis, vista no Cap´ıtulo 3. Defini¸ c˜ ao 4.1 Dado um espa¸co de medida (S, Σ, µ), dizemos que um subconjunto L ⊆ Σ ´e uma fam´ılia local se i. L ´e fechado por uni˜ oes finitas, ii. dado L ∈ L e B um subconjunto mensur´ avel de L, ent˜ ao B ∈ L. Al´em disso, chamamos de conjunto local a todo conjunto que pertence a uma fam´ılia local. Dado o espa¸co (S, Σ, µ), fixemos uma fam´ılia local L. Defini¸ c˜ ao 4.2 Dizemos que um espa¸co de medida (S, Σ, µ) com uma fam´ılia local L fi∞ [ xada ´e σ-local se existe uma seq¨ uˆencia {Ln }n de conjuntos locais tal que S = Ln . n=1. Denotemos este espa¸co por (S, L).. 30.

(95) Defini¸ c˜ ao 4.3 Uma fun¸ca ˜o f : S −→ X ´e dita localmente integr´ avel (com respeito a L) se f ´e Bochner integr´ avel sobre todo conjunto local. Podemos perceber que uma fam´ılia local L ´e um conjunto dirigido, ordenado pela inclus˜ao de conjuntos. Ent˜ao, dada uma fun¸c˜ao f localmente integr´avel, Z  podemos formar o net f dµ . L. L∈L. Defini¸ c˜ ao 4.4 Uma fun¸ca ˜o f : S −→ X localmente integr´ avel ´e dita incondicionalmente integr´ avel (com respeito a L) se o net acima converge na topologia da norma em X. Neste caso, escrevemos Z (U ). Z f dµ := lim. L∈L L. S. f dµ.. Proposi¸ c˜ ao 4.5 (Condi¸ c˜ ao de Cauchy) A fun¸c˜ ao f : S −→ X ´e incondicionalmente integr´ avel se e somente se, para todo  > 0, existe um L0 em L tal que, dado qualquer D Z. em L disjunto de L0 , tem-se f dµ < . D. A prova desta proposi¸c˜ao ´e an´aloga a prova da Condi¸c˜ao de Cauchy vista no Cap´ıtulo 2. Proposi¸ c˜ ao 4.6 Sejam X e Y espa¸cos de Banach e T : X −→ Y um operador linear limitado. Se f : S −→ X ´e incondicionalmente integr´ avel, ent˜ ao T ◦f ´e incondicionalmente integr´ avel e Z. Z T ◦ f dµ = T (U ). (U ) S. f dµ. S. Prova. Z.  f dµ. L. Seja f uma fun¸c˜ao incondicionalmente integr´avel. Ent˜ao, o net Z  converge. Como T ´e cont´ınuo, o net T ◦ f dµ tamb´em converge. L. L∈L. L∈L. Portanto, T ◦ f ´e incondicionalmente integr´avel e Z. Z T ◦ f dµ = lim. (U ) S. L∈L L. Z. Z T ◦ f dµ = lim T L∈L. f dµ = T lim L. L∈L L. Z f dµ = T (U ). f dµ. S. . 31.

(96) Defini¸ c˜ ao 4.7 Dizemos que uma fun¸c˜ ao f : S −→ X localmente integr´ avel ´e pseudo integr´ avel se Z. sup f dµ < ∞.. L∈L. L. Notemos que toda fun¸c˜ao f incondicionalmente integr´avel ´e pseudo inZ tegr´avel. De fato, sejam  = 1 e (U ) f dµ =: I. Ent˜ao existe L0 ∈ L tal que, para todo S Z. L ⊇ L0 em L, f dµ − I < 1. Seja E ∈ L. Ent˜ao, L. Z Z Z . f dµ = f dµ + . Z. L0 ∪E. f dµ −. L0 \E. E. E. Z. Z . f dµ − I +. L0 \E. L0 \E. Z. f dµ + kIk < 1 +. f dµ + I − I ≤. kf (s)kdµ(s) + kIk < ∞. L0. Z. =⇒ sup f dµ < ∞. E∈L. E. A rec´ıproca n˜ao ´e verdadeira. Vamos ent˜ao dar o seguinte exemplo. Exemplo 4 : Sejam X = c0 e (N, Σ, µ) o espa¸co de medida com µ a medida de contagem em N e L = {E ⊆ N : E finito}. Considere a fun¸c˜ao f : N −→ X definida por f (n) = en 1 . Seja E ∈ L, . Z X X. f dµ = en f (n) = ≤ 1 =⇒ . E. n∈E. n∈E. Z. sup f dµ < ∞.. E∈L. E. Portanto f ´e pseudo integr´avel. Suponha que f ´e incondicionalmente integr´avel. Ent˜ao vale a condi¸c˜ao de Cauchy para f. Dado  > 0, existe E0 ∈ L tal que para todo E ∈ L disjunto de E0 , Z X . . f dµ = < . e n. . E. n∈E. X . Mas, para E 6= ∅, en = 1. Ent˜ao, f n˜ao ´e incondicionalmente integr´avel. n∈E. No caso de fun¸c˜oes pseudo integr´aveis com valores escalares temos o seguinte lema. Lema 4.8 Se f : S −→ R ´e pseudo integr´ avel, ent˜ ao Z sup. |f (s)|dµ(s) < ∞.. L∈L L 1. vetor de ordem n da base canˆ onica. 32.

(97) Prova..

(98) Z

(99)

(100)

(101)

(102) Seja M = sup

(103) f dµ

(104)

(105) . Dado L ∈ L, sejam L+ = {s ∈ L : L∈L. L. f (s) ≥ 0} e L− = {s ∈ L : f (s) < 0}. Como f ´e localmente integr´avel, em particular f ´e mensur´avel quando restrita a conjuntos locais. Da´ı, tanto L+ quanto L− s˜ao conjuntos mensur´aveis contidos em L e, portanto, s˜ao conjuntos locais. Ent˜ao,

(106) Z

(107)

(108) Z

(109) Z Z Z

(110)

(111)

(112)

(113)

(114)

(115)

(116) |f (s)|dµ(s) = f dµ − f dµ =

(117) f dµ

(118) +

(119) f dµ

(120)

(121) ≤ 2M. L L+ L− L+ L− Z Portanto, sup |f (s)|dµ(s) < ∞. L∈L L.  Ainda para fun¸c˜oes escalares, temos o seguinte teorema. Teorema 4.9 Sejam (S, L) um espa¸co σ-local e f : S −→ R uma fun¸c˜ ao. S˜ ao equivalentes as seguintes afirma¸c˜ oes: a. f ´e pseudo integr´ avel; b. f ´e incondicionalmente integr´ avel; c. f ´e integr´ avel.2 Z Z Neste caso, (U ) f dµ = f dµ. S. S. Prova.. Primeiramente vamos mostrar que a afirma¸c˜ao a implica c. Seja ∞ [ {En }n uma seq¨ uˆencia crescente de conjuntos locais tal que En = S. Para todo n ∈ n=1 Z N, |f (s)|dµ(s) < ∞, pois f ´e pseudo integr´avel. Defina para cada n, yn := |χEn f |. En. Ent˜ao, yn ≤ yn+1 e Z. Z. Z |f (s)|dµ(s) < ∞.. |χEn (s)f (s)|dµ(s) =. yn dµ =. En. S. S. Al´em disso, para cada s ∈ S, existe k ∈ N tal que s ∈ Ek e, portanto, n→∞. yn (s) = |χEn f (s)| −→ |f (s)|. Pelo Teorema da Convergˆencia Mon´otona ([7], pg 318, Z Z Z n→∞ |f (s)|dµ(s) < ∞, ent˜ao |f (s)|dµ(s). Como sup yn dµ −→ teorema 11.28), S. E∈L E. S. Z |f (s)|dµ(s) < ∞. S 2. Enfatizando aqui que ao usarmos a palavra integr´ avel, estamos nos referindo a Lebesgue integr´ avel.. 33.

(122) Vamos agora demonstrar que c implica b. Seja f integr´avel. Como f ´e uma fun¸c˜ao real, existe uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes simples que converge pontualmente para f ([7], pg 313, teorema 10.20). Ent˜ao, f ´e uma fun¸c˜ao fortemente mensur´avel. Pelo Teorema de Bochner, f ´e Bochner integr´avel e, portanto, f ´e incondicionalmente integr´avel. A demonstra¸c˜ao de que b implica a j´a foi feita anteriormente. Basta Z Z mostrarmos ent˜ao que (U ) f dµ = f dµ. Dada uma seq¨ uˆencia {En }n como acima, SZ S Z notemos que f dµ = lim f dµ. Dado  > 0, tome n tal que n→∞ E n. S.

(123) Z Z

(124)

(125) f dµ −

(126) S.

(127) Z

(128) f dµ

(129)

(130) ≤. |f (s)|dµ(s) < .. S\En. En. Seja E ∈ L tal que E ⊇ En . Ent˜ao,

(131) Z

(132) Z Z

(133)

(134)

(135) f dµ − f dµ

(136)

(137)

(138) S. E. Z |f (s)|dµ(s) ≤. S\E. |f (s)|dµ(s) < . S\En. Portanto Z. Z f dµ = lim. S. E∈L E. Z f dµ = (U ). f dµ. S.  A partir da pr´oxima proposi¸c˜ao, ser´a citado o espa¸co L∞ (S), que ´e o espa¸co das fun¸c˜oes mensur´aveis e limitadas em S com valores escalares, equipado com a norma do supremo essencial3 . Proposi¸ c˜ ao 4.10 Seja f : S −→ X uma fun¸c˜ ao pseudo integr´ avel. Ent˜ ao existe uma constante positiva N tal que, para todo φ em L∞ (S) e para todo L em L,. Z. φf dµ ≤ N kφk.. L. Prova.. Seja x∗ um funcional linear cont´ınuo em X. Ent˜ao x∗ ◦ f ´e uma. fun¸c˜ao pseudo integr´avel em S com valores escalares. De fato, como f ´e pseudo integr´avel,. Z. ent˜ao sup f dµ < ∞. L∈L. 3. kf k =. L. inf. E∈Σ µ(E)=0. sup |f (s)| s6∈E. 34.

(139)

(140) Z

(141)

(142) Z

(143) Z.

(144)

(145)

(146)

(147). ∗

(148) x∗ ◦ f dµ

(149) =

(150) x∗

(151) =⇒ f dµ ≤ kx k f dµ

(152)

(153)

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