An´ alise Matem´ atica II, turmas TP2 e TP3
Gil Bernardes
Atendimento:
I Esta semana:
ter¸ca, 17h30-19h30, gab. 2.1 (DEI) quinta, 17h30-18h30, gab. 2.1 (DEI) quarta, 15h00-18h00, gab. 6.9 (DMUC)
I No in´ıcio de cada semana (Domingo) o hor´ario de atendimento dessa semana estar´a no inforestudante
Controlo de presen¸cas:
I Para os alunos em1a inscri¸c˜ao, para fazer a disciplina por frequˆencia ´e necess´ario umm´ınimo de 30 presen¸cas(75%)
I A folha de presen¸cas ser´a recolhida a partir das 13h30(TP2)/15h30(TP4)
I Varia¸c˜oes nas assinaturas (ainda que detectadas a posteriori) equivalem a faltas
I Poder´a ser feita chamada a qualquer momento, em especial se as entradas e sa´ıdas na sala perturbarem a aula
Fun¸c˜ao: correspondˆencia que a cada elemento de um conjuntoD (“dom´ınio” da fun¸c˜ao) associa um ´unico elemento de outro conjunto (“conjunto de chegada”).
Paradefinir uma fun¸c˜ao precisamos assim de saber:
(1) qual ´e o seudom´ınioe
(2)como associara cada elemento do dom´ınio um ´unico elemento do conjunto de chegada.
Em An´alise I foi estudado o caso em queD⊆ReB =R.
Em An´alise II estudaremos os casos em queD⊆Rn (n= 2 ou 3) e B=R.
Pode definir-se uma fun¸c˜ao s´o com uma f´ormula, desde que se use a conven¸c˜ao: caso n˜ao se indique o dom´ınio, sup˜oe-se que ´e o “maior”
conjunto onde a f´ormula pode ser utilizada.
Exerc´ıcio:
C´ onicas:
Ax2+Bxy+Cy2+Dx+Ey+F = 0Qu´ adricas:
Ax2+Bxy+Cy2+Dxz+Eyz+Fz2+Gx+Hy +Iz+J= 0Para as fun¸c˜oes reais (as imagens est˜ao emR)de vari´avel real(o dom´ınio,D, ´e subconjunto deR) o gr´afico ´e uma curva plana que permite “ver” a fun¸c˜ao e algumas das suas propriedades.
Para as fun¸c˜oes reaisde duas vari´aveis reais(D⊆R2) o gr´afico ´e uma
“superf´ıcie” que em geral n˜ao ´e plana: precisamos de trˆes dimens˜oes.
A dificuldade na representa¸c˜ao destas superf´ıcies no quadro ou no papel pode ser evitada usandocurvas de n´ıvel: conjuntos de pontos do dom´ınio da fun¸c˜ao onde esta tem valor constante.
Exerc´ıcio:
Para fun¸c˜oes reais de trˆes vari´aveis reaisprecisar´ıamos de quatro dimens˜oes para representar o seu gr´afico. Mas trˆes dimens˜oes chegam para representar algumas das suas “superf´ıcies de n´ıvel”.
Exerc´ıcio:
Assim como a f´ormulaf(x) = 2017 define uma fun¸c˜ao (constante) em R, as f´ormulas
f(x,y) = 2017, f(x,y) =x, f(x,y) =y definem fun¸c˜oes deduasvari´aveis.
Como ser˜ao o gr´afico e as curvas n´ıvel de uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis que depende s´o dex? (Por exemplo,f(x,y) = 1−x2.)
O gr´afico ser´a uma uni˜ao de retas paralelas ao eixo dosyy; as curvas de n´ıvel ser˜ao sempre retas paralelas ao eixo dosyy.
Diz-se quef tende paraL quandoP tende paraP0(ou que L´e o limite def quandoP tende paraP0), e escreve-se lim
P→P0
f(P) =L, quando o valor def, f(P), se aproxima deLquandoP se aproxima deP0.
´E evidente (?) como se pode calcular o limite, em qualquer ponto, das fun¸c˜oes definidas por
f(x,y) = 2017 (ouf(x,y) =k, para outra qualquer constantek).
f(x,y) =x f(x,y) =y f(x,y,z) =x, etc.
Se lim
P→P0f(P) =a e lim
P→P0g(P) =b, pode provar-se que:
I lim
P→P0
f(P) +g(P)
=a+b
I lim
P→P0
f(P)g(P)
=ab
I lim
P→P0
f(P) g(P) = a
b (seb6= 0)
I lim
P→P0φ f(P)
=c quando lim
P→P0
f(P) =t0, lim
t→t0
φ(t) =c eφ´e cont´ınua emt0
S˜ao estes resultados que permitem calcular limites de fun¸c˜oes definidas (usando opera¸c˜oes e fun¸c˜oes de uma vari´avel elementares) a partir das fun¸c˜oesf(x,y) =x,f(x,y) =y e f(x,y) = constante
H´a propriedades de fun¸c˜oes reais de vari´avel real (ser crescente, o valor da fun¸c˜ao aumentarD unidades quandox aumenta 1 unidade) ques´o fazem sentido quando tanto o dom´ınio como o conjunto de chegada s˜ao conjuntos ordenados.
Embora seja poss´ıvel definir rela¸c˜oes de ordem emR2, estas tˆem
propriedades indesej´aveis que fazem com que n˜ao as utilizemos no estudo de fun¸c˜oes de duas vari´aveis.
Uma t´ecnica muito utilizada no estudo destas fun¸c˜oes ´eusar v´arias fun¸c˜oes de uma vari´avel para perceber o comportamento da nossa fun¸c˜ao.
Exemplo: n˜ao podemos aplicar a Regra de Cauchy para estudar lim
(x,y)→(0,0)
x2−y2
x2+y2, mas, fixando um vector~u, podemos estudar os limites de fun¸c˜oes do tipo lim
t→0
(tu1)2−(tu2)2 (tu1)2+ (tu2)2.
Exerc´ıcio:
Uma fun¸c˜ao diz-secont´ınua num ponto,P0, do seu dom´ıniose ambas as seguintes condi¸c˜oes se verificarem:
(1) Existe lim
P→P0
f(P).
(2) lim
P→P0
f(P) =f(P0).
Os teoremas sobre limites d˜ao origem a teoremas sobre continuidade de somas, produtos, quocientes e compostas de fun¸c˜oes cont´ınuas.
Exerc´ıcio:
Dada uma fun¸c˜aof(x,y) e um ponto (a,b) do seu dom´ınio, podemos falar nataxa varia¸c˜ao def quandox variaa partir de a ey se mant´em constante, y=b. Isso ´e o mesmo que falar na taxa de varia¸c˜ao da fun¸c˜aoφb(t) =f(t,b) nas vizinhan¸cas det=a.
Aφ0b(a) chama-se derivada parcial (em ordem ax) def em (a,b).
Nota¸c˜ao: ∂f
∂x(a,b), ou fx(a,b), ou D1f(a,b).
Assim ∂f
∂x(a,b) = lim
h→0
f(a+h,b)−f(a,b)
h .
Para calcular ∂f
∂x(x,y) ´e assim suficiente derivarφy(x), ou seja, derivarf(x,y) tratandoy como constante.
A` taxa varia¸c˜ao def quandoy variaa partir deb ex se mant´em constantee igual a achama-se derivada parcial (em ordem ay) def em (a,b).
Nota¸c˜ao: ∂f
∂y(a,b), ou fy(a,b), ou D2f(a,b).
Tem-se ∂f
∂y(a,b) = lim
h→0
f(a,b+h)−f(a,b)
h .
Para calcular ∂f
∂y(x,y) ´e suficiente derivarψx(y) =f(x,y), ou seja, derivarf(x,y) tratandox como constante ey como ´unica vari´avel.
Para uma fun¸c˜ao de duas (resp. trˆes) vari´aveis h´a duas (resp. trˆes) derivadas parciais de primeira ordem. Cada uma destas fun¸c˜oes tem duas (resp. trˆes) derivadas parciais, logo h´a quatro (resp. nove) derivadas parciais de segunda ordem.
Exerc´ıcio:
Teorema de Clairaut(ou de Schwartz): sef ´e uma fun¸c˜ao com derivadas parciais de segunda ordem cont´ınuas, ent˜ao
∂2f
∂x∂y = ∂2f
∂y∂x
“Gradiente” (de uma fun¸c˜ao num ponto): ´e umvector, constru´ıdo com as derivadas parciais de primeira ordem (da fun¸c˜ao nesse ponto).
Esse vector, fx(a,b),fy(a,b)
ou ∂f∂x(a,b),∂f∂y(a,b)
no caso de duas vari´aveis, representa-se porgradf(a,b)ou∇f(a,b).
Exerc´ıcio:
Para um vectorunit´ariouˆ= (u1,u2), define-sederivada direccional na direc¸c˜ao(e sentido) de ˆu (de uma fun¸c˜aof no ponto (a,b)) como
Duˆf(a,b) = lim
t→0
f(a+tu1,b+tu2)−f(a,b) t
Definindoφ(t) =f(a+tu1,b+tu2), podemos escrever Duˆf(a,b) = lim
t→0
φ(t)−φ(0)
t−0 , pelo queDuˆf(a,b) =φ0(0) Quando ˆu= (1,0) tem-seDuˆf(a,b) = ∂f∂x(a,b)
Exerc´ıcio:
Teorema: se f tem derivadas de 1a ordem cont´ınuas numa bola aberta contendoP0, ent˜ao Duˆf(P0) =∇f(P0)·uˆ
(Umabola abertade centroP0∈Rn(n= 2 oun= 3) e raioδ´e um conjunto do tipo {P∈Rn: kP−P0k< δ})
Exerc´ıcio:
Para resolver (b), (c) e (d) observe-se que
∇f(P0)·uˆ=k∇f(P0)k kˆuk
|{z}1
cos](∇f(P0),u)ˆ
Exerc´ıcio:
“Aproxima¸c˜ao linear” def no ponto (a,b) ´e a fun¸c˜ao que tem por gr´afico o plano tangente ao gr´afico def no ponto a,b,f(a,b)
.
A equa¸c˜ao desse plano ´e:
z−f(a,b) = (x−a)fx(a,b) + (y−b)fy(a,b)
Fun¸c˜oes de trˆes vari´aveis
I Em cada ponto h´a trˆes derivadas parciais de 1a ordem:
h→0lim
f(a+h,b,c)−f(a,b,c)
h lim
h→0
f(a,b+h,c)−f(a,b,c) h
h→0lim
f(a,b,c+h)−f(a,b,c) h
I Nas condi¸c˜oes do Teorema de Clairaut h´a igualdade entre trˆes pares das 9 derivadas parciais de segunda ordem
I O gradiente ´e um vetor com trˆes coordenadas
I Nas derivadas direccionais o vetor unit´ario ˆu tem trˆes coordenadas
I Ainda se verificaDuˆf(P0) =∇f(P0)·uˆse as derivadas de 1a ordem forem todas cont´ınuas emP0
I N˜ao faz sentido falar de plano tangente ao gr´afico, mas continua a fazer sentido falar de aproxima¸c˜ao linear
Exerc´ıcio:
Exerc´ıcio: