Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Proposta de um conjunto de soluções integradas baseadas em open-source para PME de construção civil
Dissertação de Mestrado em Engenharia Informática
Miguel José da Costa Carreira
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Proposta de um conjunto de soluções integradas baseadas em open-source para PME de construção civil
Dissertação de Mestrado em Engenharia Informática
Miguel José da Costa Carreira
Dissertação submetida à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Engenharia Informática, elaborada sob a orientação do Prof. Doutor António Jorge Gonçalves de Gouveia, Professor Auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Aos meus pais, irmãs e Ana. A motivação.
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Agradecimentos
Ao chegar a hora de concluir a presente dissertação apercebo-me que, embora seja um trabalho individual, só foi possível terminar com a ajuda e colaboração de diversas pessoas. Assim reservo este espaço para agradecer a todos os que me ajudaram, apoiaram e principalmente, incentivaram.
Sem nenhuma ordem em especial e, desde já, pedindo desculpa a todos os que não nomeio individualmente, aqui fica uma pequena lista de pessoas e entidades que muito me ajudaram.
Em primeiro lugar, à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro pela oportunidade que me deu de desenvolver e apresentar esta dissertação de mestrado.
Ao meu orientador, o Professor Doutor António Jorge Gonçalves de Gouveia, pelo apoio, incentivo, dedicação, colaboração, orientação e amizade que sempre me reservou no tempo necessário para concluir a dissertação.
Às empresas que me permitiram aceder aos seus dados a fim de realizar este estudo e pela facilidade com que conseguiram receber-me para as entrevistas.
Gostaria também de agradecer aos meus amigos pelo apoio e motivação prestados e pela forma como compreenderam as minhas ausências.
Obrigado à minha família, mas principalmente aos meus pais pela formação que me proporcionaram, não deixando que me faltasse algo e a quem tudo devo.
Por último, gostaria de agradecer à Ana, companheira, amiga e namorada, cujo apoio, confiança, persistência e encorajamento constantes foram inexcedíveis e incansáveis. A todos, mais uma vez, MUITO OBRIGADO.
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Resumo
Atualmente, as tecnologias estão presentes praticamente em todas as atividades do dia-a-dia do ser humano.
A indústria da construção civil, para além do constante desenvolvimento, atravessou, em tempos recentes, por momentos de grande dificuldade devido à crise pela qual o país passou, encontrando-se, neste momento, a recuperar financeiramente. Com esta recuperação e com a necessidade de se tornar mais eficiente, a necessidade de investir em software e repensar alguns processos de negócio foi mais evidente.
Apesar do custo das tecnologias, mais concretamente, software, as empresas de construção são incentivadas a utilizar várias ferramentas para reproduzirem as suas ideias, bem como efetuar outros tipos de atividades de calibre, também, elevado.
Num ato de reflexão identificou-se a necessidade de pesquisar, encontrar e estudar vários tipos de software que pudessem ajudar as pequenas empresas e médias empresas (PMEs) de construção civil a desenvolver os seus projetos. O Software Open-Source (SOS), ou mais concretamente, de código aberto, é uma ferramenta com bastante utilidade e como o próprio nome indica permite um design ou esquematização de uma forma livre oferecendo livre trânsito para que, quem o quiser consultar, testar ou realizar outras atividades, o possa fazer.
Dado o conhecimento e a proximidade com a área da construção civil e com algumas empresas do distrito, foram realizadas entrevistas de um modo informal a 3 pequenas e médias empresas com o objetivo de adquirir informação sobre as necessidades destas, tipos de software utilizados, orçamentos para as tecnologias da informação (TI) e motivação para mobilidade de software, caso necessária.
Identifica-se, portanto, a possibilidade de poder ser proposta, às empresas selecionadas para o estudo, uma variedade de software que possa ser mais barato, mais fácil de utilizar, ou mais oneroso, mas com mais e melhores funcionalidades. A resposta das empresas às propostas efetuadas apresenta uma importância relativa para o autor, mas a intencionalidade deste estudo prende-se com a procura e proposta de software e o estudo daqueles que as empresas utilizam avaliando se será necessária uma possível mudança.
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Abstract
Technologies are present in almost every activity of the days of the human being.
Being in constant development, the industry of the construction went through times of great difficulty with the crisis that the country suffered, but right now, is recovering financially. With this recovery and the need to become more efficient, the possibility of investing in software and rethinking some business processes was more evident.
Despite of the cost of the technologies, more concretely, software, construction companies are encouraged to use several tools to reproduce their ideas, as well as performing other types of activities of high caliber.
In an act of reflexion, it was identified the opportunity to research, find and study several types of software which could help small and medium sized (SME) construction companies developing their projects. Software open-source (SOS), or more specifically, of open code, is a tool with great utility and, as the proper name indicates, it allows a design or schematization in a free way offering free access for, anyone who wants to consult, test or perform other activities, it can be done.
Given the knowledge and proximity over the area of civil construction and from several companies with evidence given in the district, it was realized interviews in an informal way to 3 small and medium sized companies with the goal to acquire information of the necessity of them, types of software used, budgets for information technologies and motivation for mobility of software, if necessary.
It is identified, therefore, the possibility of providing to the selected companies for the study, a variety of software which can be cheaper, easier to use, more expensive but with more and better features. The response to the proposals made to the companies reveal a relative importance to the author, but the intentionality of this study holds with the search and proposal of software and the study of those who the companies use assessing if it will be necessary any change.
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“Não deseje que as coisas sejam mais fáceis… Deseje ser mais forte.”
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Índice
AGRADECIMENTOS ... IV RESUMO ... V ABSTRACT ... VI ÍNDICE ... VIII ÍNDICE DE FIGURAS ... X ÍNDICE DE TABELAS ... XI SIGLAS E ACRÓNIMOS ... XII1 INTRODUÇÃO ... 1
1.1 Motivação, objetivos e contributos ... 2
1.2 Processo de investigação ... 3 1.3 Estrutura da dissertação ... 4 2 ESTADO DE ARTE ... 8 2.1 Fork ... 8 2.2 Software livre ... 8 2.3 Software open-source ... 9 2.4 Software proprietário ... 9
3 A CONSTRUÇÃO CIVIL EM PORTUGAL ... 10
3.1 O setor da construção ... 10
3.2 Impacto da construção na economia e vice-versa ... 11
3.3 Engenharia civil ... 16
4 IMPORTÂNCIA DAS PME’S NO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL ... 19
5 DESAFIOS TECNOLÓGICOS COLOCADOS A UMA PME DE CONSTRUÇÃO CIVIL ... 21
5.1 Desafios internos ... 23
5.2 Desafios externos ... 25
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6.1 Tarefas e procedimentos ... 28
6.1.1 Caracterização da Empresa A ... 29
6.1.2 Caracterização da Empresa B ... 29
6.1.3 Caracterização da Empresa C ... 30
6.2 Descrição das entrevistas realizadas ... 30
7 PROPOSTA DE UM CONJUNTO DE SOLUÇÕES INTEGRADAS BASEADAS E OPEN-SOURCE PARA PME DE CONSTRUÇÃO CIVIL . 32 7.1 Áreas funcionais de uma empresa ... 32
7.1.1 Setor Administrativo ... 32
7.1.2 Setor Financeiro ... 33
7.1.3 Setor dos Recursos Humanos ... 33
7.1.4 Setor da Qualidade ... 34
7.1.5 Setor da Produção ... 34
7.2 Definição das necessidades ... 36
7.3 Estudo de aplicações de software proprietário, livre e de código aberto existentes no mercado ... 41
7.3.1 Softwares utilizados pelas empresas de construção civil visadas no estudo ... 41
7.4 Proposta de um conjunto de soluções integradas baseadas em open-source para PME de construção civil ... 46
7.4.1 GanttProject ... 48
7.4.2 Blender ... 50
7.4.3 Estimator Application ... 53
7.5 Síntese dos softwares propostos ... 55
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 58
8.1 Trabalho futuro ... 58
8.2 Conclusão ... 59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 60
x
Índice de Figuras
Figura 1 - Taxa de variação homóloga trimestral do PIB... 13
Figura 2 - Organograma não uniforme de uma empresa de construção civil. ... 35
Figura 3 - Organização Funcional de uma empresa de construção civil. ... 36
Figura 4 - Exemplo de uma página do GanttProject ... 49
Figura 5 - Exemplo de um projeto no Blender ... 51
Figura 6 - Exemplo de projeto final no Blender ... 52
Figura 7 - Exemplo de um projeto no Estimator ... 54
xi
Índice de Tabelas
Tabela 1 - Classificação Portuguesa das Construções. Fonte: INE (2005) ... 17
Tabela 2 - Softwares para empresas de construção civil ... 39
Tabela 3 - Divisão dos softwares por departamento ... 40
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Siglas e Acrónimos
AEC: Arquitetura, Engenharia e Construção. BI: Business Intelligence.
CE: Comunidade Europeia.
CEE: Comunidade Económica Europeia.
CRM: Customer Relationship Management.
CPCI: Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário.
ERP: Enterprise Resource Planning.
FEPICOP: Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas.
InCI: Instituto da Construção e do Imobiliário. INE: Instituto Nacional de Estatística.
ME: Ministério da Economia. MW: Middleware.
PIB: Produto Interno Bruto. PME: Pequena e Média Empresa. PPM: Portfólios e Projetos da Microsoft. SOS: Software Open-Source.
TI: Tecnologias de Informação.
TIC: Tecnologias de Informação e Comunicação. UE: União Europeia.
VAB: Valor Acrescentado Bruto. WWW: World Wide Web.
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1 I
NTRODUÇÃO
O setor da construção é uma das áreas em constante evolução no mercado português. Possui um enorme impacto na realidade económica dos mercados e obtém implicações cíclicas fundamentais, desde as matérias-primas, mão-de-obra e maquinaria até aos setores comerciais e financeiros com a finalidade de implementar uma interação. A sua força e poder resultam, também, do volume e escala que apresenta a diversidade de atividades e ações que são desenvolvidas no meio em discussão. Esta conjuntura é traduzida, de uma maneira simples, numa correlação dependente, que valoriza a atividade da construção e questiona a variação dos efeitos em cadeia (Pinheiro, 2014).
A área da construção tem um peso extremamente elevado e significativo na economia nacional e apresenta-se como um setor bastante diferente de outras áreas de atividade devido ao seu modo de produção e, também, ao seu mercado de trabalho (Pinheiro, 2014).
Com o avanço do desenvolvimento económico, a importância da construção na economia apresenta uma tendência para diminuir devido à redução na procura desta atividade. De um modo genérico, pode afirmar-se que um elevado nível do desenvolvimento económico está em conformidade com um grau de satisfação considerável em termos de ambiente construído. A procura que este setor tem é afetada pela variação do grau de desenvolvimento da economia, da conjuntura económica e do crescimento da despesa púbica, ou seja, isto acontece de uma forma mais abundante neste setor do que em qualquer outro setor de atividade. A evolução deste setor está dependente do montante e da conjuntura do investimento noutros setores.
Com a crise que afetou o país e com a recuperação que ocorreu desse fenómeno, a partir de 2012, no primeiro semestre de 2015 verificou-se uma continuação dessa
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melhoria, e o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou taxas de crescimento positivas e sustentadas. Como resultado desta evolução, fortes indicadores como o investimento e as importações e exportações apresentaram sinais equivalentes (Pinto, 2016).
Um ponto importante é o facto de dois conceitos semelhantes serem confundidos pela generalidade das pessoas que não sabem que existe uma diferença entre engenharia civil e construção civil, até mesmo pessoas que têm formação nas áreas em discussão. Entende-se, assim, que o ramo da engenharia civil envolve a conceção, o projeto, construção e manutenção de qualquer tipo de infraestrutura que seja necessária para o desenvolvimento da sociedade. Já a construção civil, como o próprio nome pode indicar, é a execução de um projeto anteriormente elaborado (Sepúlveda, 2007).
O que é proposto nesta dissertação é um conjunto de soluções do tipo open-source a diversas Pequenas e Médias Empresas (PME) de construção civil do distrito de Vila Real para que possam assim, decidir se necessitam de efetuar a mobilidade de software identificando vantagens neste processo.
1.1 Motivação, objetivos e contributos
As inovações tecnológicas contribuem de inúmeras formas para a geração de vantagens competitivas nas empresas, através do aumento da rapidez da satisfação da procura, melhoria de desempenho, redução de custos e de um acréscimo na qualidade.
A criação de um conjunto de soluções baseadas em open-source para as empresas de construção apresenta um sentido lógico porque oferecem diversas vantagens como é o caso do baixo custo das licenças e realização de atualizações permanentes. O atraso em que o setor se encontra neste domínio, aliado às potencialidades deste
software, é uma das motivações para a elaboração deste trabalho: contribuir para o melhoramento do funcionamento da empresa e dos seus empregados.
Este tipo de software, que é uma das bases para as novas economias, pode ser criado com o intuito de controlar orçamentos, planear obras, verificar obras a nível financeiro, rever preços, faturar contas correntes, tesourarias e recebimentos.
3
Quando se pensa em propor algo para empresas de um setor industrial específico como o da construção, os processos que envolvem a identificação, análise, descrição, discussão e validação assumem uma importância relevante.
No decorrer deste projeto são estudadas e avaliadas as características específicas do setor da construção, as expectativas e público-alvo, assim como as tecnologias padrão que utilizam. São também apresentadas possíveis soluções para as empresas poderem implementar, caso seja essa a sua vontade.
O setor da construção em Portugal é um setor muito concorrencial e de grande exigência em termos da necessidade de cumprir requisitos legais, de qualidade, de certificação e de conformidade. Em relação à utilização das novas tecnologias, nomeadamente o software open-source, ainda não atingiu os níveis desejados. Com este trabalho pretende-se contribuir para a melhoria desta situação. Este contributo pode ser encarado sob diferentes perspetivas:
1. Caracterizaçãode um setor fundamental da nossa sociedade e economia; 2. Consciencialização para a utilização e para as vantagens da utilização das novas
tecnologias, particularmente do SOS, no setor;
3. Identificação e caracterização de um conjunto de softwares para o setor poder evoluir;
4. Apresentação de soluções open-source para as referidas empresas.
1.2 Processo de investigação
A primeira fase do presente trabalho consistiu na definição de uma área de estudo. A escolha da área de estudo resulta essencialmente de dois fatores: em primeiro lugar, a importância que o setor da construção civil apresenta no mercado e na economia portuguesa (como já anteriormente foi referido, este setor é um dos mais importantes no universo da indústria portuguesa); o outro fator que contribuiu para a escolha desta área de estudo foi a proximidade do autor a uma das PME’s envolvidas no estudo sendo constatado que seria interessante desenvolver este tipo de estudo, para ajudar a empresa a reposicionar-se tecnologicamente e, se possível, a evoluir.
Após a definição da área de estudo procedeu-se, nos capítulos 2, 3 e 4, a uma segunda fase que engloba três objetivos principais: conhecer o setor da construção
4
civil a nível geral e o estado do setor no país, estudar e explicar a importância das pequenas e médias empresas no setor da construção civil, e desenvolver um enquadramento concetual rigoroso que irá ser fundamental para a fase seguinte. Numa terceira fase, realizou-se a identificação dos desafios tecnológicos
colocados às PME’s do setor em estudo, bem como os desafios internos e externos destas com o objetivo de clarificar o tipo de gestão que devem seguir.
Na quarta fase, e fase crucial deste trabalho, realizou-se o estudo e identificação dos diferentes tipos de softwares e aplicações existentes no mercado para as empresas da área da construção civil e, mais tarde, indicadas as mais vantajosas para exploração. Foram também, no início desta fase, desenvolvidas várias entrevistas informais com representantes das empresas com o intuito de adquirir as necessidades destas, softwares e aplicações utilizadas e motivação para mudança de tecnologias. A abordagem de investigação seguida foi, deste modo, exploratória e
interpretativa.
1.3 Estrutura da dissertação
Esta secção apresenta sucintamente a organização e conteúdo do presente trabalho.
Os capítulos estão organizados de modo a permitir uma compreensão progressiva, seguindo um fio condutor, desde um conjunto de reflexões iniciais até uma série de expetativas futuras e considerações finais. De notar que, não obstante esta exposição progressiva, os capítulos são relativamente independentes entre si, podendo ser consultados sem afetar significativamente os seus objetivos de apresentação. Refletindo essa organização é possível identificar três grandes momentos. Num
primeiro momento, constituído pelos capítulos segundo e terceiro, é feito um enquadramento de todo trabalho e a caracterização do setor da construção civil em Portugal e da importância das PME’s neste setor. Num segundo momento, constituído pelo capítulo quarto, é feita a identificação e caracterização dos desafios tecnológicos, internos e externos, que são colocados às empresas de construção civil, mais concretamente às PME’s, fazendo a ponte de transição do primeiro momento para o terceiro momento. Neste último, constituído pelo capítulo sexto, são apresentados os conjuntos de soluções baseadas em open-source para as empresas
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enquadradas no estudo bem como a sua especificação, além das ferramentas já utilizadas por estas no quotidiano.
O presente capítulo, introdutório, procura sintetizar todo o projeto, salienta a importância das pequenas e médias empresas no desenvolvimento do setor da construção e alerta para a necessidade de uma possível mudança para softwares e tecnologias mais atualizadas. Numa segunda secção, apresentam-se os fatores motivadores do trabalho realizado, caracteriza-se o problema para cuja resolução se pretende contribuir, identificam-se as finalidades e os objetivos definidos e, genericamente sintetizados, os contributos do trabalho desenvolvido. A descrição da organização da dissertação, aqui a ser apresentada, encerra o capítulo inicial.
O capítulo segundo apresenta o estado de arte, ou seja, é realizada uma abordagem geral, sendo feita a referências aos diferentes tipos de softwares existentes e que são de relevância para o estudo.
No capítulo terceiro, faz-se a caracterização do setor da construção civil em Portugal e o enquadramento deste setor na economia e no mercado nacional, realçando a sua importância e crescimento, tanto no volume de produção como no volume de negócios e emprego. Dada a passada e atual situação portuguesa, fazia todo o sentido fornecer este tipo de informação para enquadrar e alertar os leitores das dificuldades que passaram as empresas da área em estudo.
O capítulo quarto conduziu a uma rigorosa definição e explicação dos diferentes tipos de empresas e da importância das PME’s na evolução do setor da construção civil.
O capítulo quinto é dedicado ao estudo e à explicação dos desafios enfrentados no dia-a-dia das PME’s na área da construção civil. Este capítulo foi dividido em dois sub-capítulos de forma a efetuar a melhor identificação e explicação dos desafios. É no capítulo sexto que são descritas as várias entrevistas efetuadas às empresas
deste estudo, com o intuito de perceber melhor como funcionam, que tipo de soluções utilizam e procuram e sobretudo, perceber a motivação para adotar novas tecnologias open-source.
No capítulo sétimo, é proposto um conjunto de soluções integradas baseadas em open-source para PME’s de construção civil. As necessidades das empresas são também descritas num dos sub-capítulos para poder enquadrar os softwares nas ideias essenciais das firmas. As soluções apresentadas neste capítulo reúnem
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características que permitem ajudar as empresas a enfrentar os desafios apresentados no capítulo quatro. O estudo de aplicações de software livre e de código aberto, os mais relevantes no presente estudo, é feito e explicado noutro sub-capítulo sendo apresentados os mais interessantes para serem aconselhados às empresas.
Por último, o capítulo oitavo fornece uma generalização de tudo o que foi desenvolvido, através da discussão dos resultados obtidos e dos principais contributos para o desenvolvimento das empresas entrevistadas. Este capítulo termina com algumas reflexões sobre a continuidade desejada deste projeto.
7
8
2 E
STADO DE
A
RTE
Os fundamentos teóricos utilizados e que sustentam o estudo são apresentados neste capítulo.
São abordados os diferentes tipos de software que podem ser utilizados pelas empresas onde se destaca o software open-source, por ser a tecnologia em foco neste estudo e o software proprietário, por ser o tipo de ferramenta utilizada pelas empresas visadas na presente dissertação.
2.1
Fork
Um dos conceitos passíveis de ser destacado é o Fork. Quando os desenvolvedores de software copiam código-fonte de um pacote de software e começam a desenvolver independemente, com o objetivo de criar o seu próprio software e separado daquele de onde tirou informação, esta ação é designada de forking (Ortiz et al., 2009).
2.2
Software
livreO software livre caracteriza-se por ser de código aberto e por poder ser editado por qualquer pessoa ou grupo. Por outras palavras, é um software que oferece ao utilizador o direito de usar, estudar, modificar e redistribuí-lo.
A construção de uma comunidade virtual não é, de forma alguma, tão simples como instalar, num portal, um fórum de discussão. É necessário juntar pessoas com vontade de contribuir para a comunidade, de modo a que todos beneficiem. É providencial conseguir uma massa crítica de modo a que o objetivo da presença de cada um no fórum seja aumentar a atividade do mesmo e assim contribuir para que todos obtenham as respostas às suas necessidades.
9
2.3
Software
open-source
O software open-source é o tipo de tecnologia com mais relevância neste estudo. Pode ser identificado como uma estratégia para implementar sistemas de software sustentáveis a longo-prazo. Qualquer projeto que envolva o SOS necessita de apresentar uma sustentabilidade para chegar ao sucesso.
Um dos conceitos explicados no sub-capítulo anterior, o forking, apresenta uma capacidade de servir como uma espécie de “mão invisível” de sustentabilidade ajudando os projetos open-source a ultrapassar eventos como as aquisições comerciais e garantindo aos utilizadores e developers as ferramentas necessárias para entrar num processo de mudança em vez de entrarem em queda (Ortiz et al., 2009). Os developers de software open-source, normalmente, desenvolvem software
como um hobby, mas ultimamente estão cada vez mais a ser pagos e a receber patrocínios por organizações públicas comerciais (Fitzgerald, 2006). De maneira a simplificar o processo de desenvolvimento e promover a adoção em geral, a aplicação e o seu código-fonte são disponibilizados num website para permitir o acesso de toda a informação e ferramentas necessárias para utilizar, adotar e melhorar o software para o público universal (Santos et al., 2013).
2.4
Software
proprietárioSoftware proprietário é conhecido também como software não livre e refere-se ao software que pertence a uma empresa privada que detém os seus direitos de uso, edição e redistribuição. Apresenta características que contrastem com o software livre. Além disso, não possui a característica de ser modificado pela comunidade ou pelo próprio utilizador. A redistribuição é proibida e no âmbito geral, o desenvolvimento deste software é realizado por corporações com enormes recursos económicos levando a um conhecimento preciso das necessidades do mercado em relação aos sistemas. Esta vantagem cumpre com as expetativas dos utilizadores, contudo, apresenta como desvantagem um custo económico que muitos preferem evitar.
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3 A
CONSTRUÇÃO CIVIL EM
P
ORTUGAL
Neste capítulo faz-se a caracterização do setor da construção civil e o enquadramento deste setor na economia nacional, realçando a sua importância e crescimento, tanto no volume de produção como no volume de negócios e emprego. Já referido anteriormente no presente estudo, as empresas do ramo da construção
têm estruturas distintas, porém os seus objetivos de entregarem algum produto ou serviço que seja necessária a intervenção a nível de processo produtivo da construção como um todo são comuns (ETCHALUS et al., 2006).
Sendo uma área bastante abrangente, a indústria da construção é o setor mais intensivo a nível de recursos da economia global (Jones et al., 2016).
3.1 O setor da construção
Para além de elevada, a procura deste setor apresenta várias dependências tais como o grau de desenvolvimento da economia, da conjuntura e do crescimento da despesa pública.
Com a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, Portugal começou a beneficiar de importantes fundos estruturais. Este benefício promove o desenvolvimento das suas infraestruturas sendo bastante comuns em projetos de câmaras municipais e juntas de freguesia. Através deste avanço, que foi um importante auxílio para as entidades, estas começaram a utilizar os fundos para poder elaborar projetos com custos que seriam impossíveis de suportar. Esta realidade originou um forte desenvolvimento do setor da construção civil e obras públicas, especialmente durante a década de 90, mantendo-se constante a evolução.
O setor da construção caracteriza-se por uma heterogeneidade de clientes, que vai desde o Estado e obras públicas, privadas e particulares; grandes empresas e multinacionais ou até mesmo pequenos promotores tradicionais; grande diversidade de projetos; até aos produtos ou ainda operações produtivas e tecnologias. Em Portugal, afirma-se que este setor assenta principalmente numa estrutura empresarial na qual imperam as empresas de pequena e média dimensão, predominantemente
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pouco especializadas, havendo a necessidade de recorrerem a sub-empreiteiros (Gestluz Consultores de Gestão, 2007).
Segundo Marcondes (2007), diferenciar a indústria da construção civil das diversas indústrias é relativamente simples pois esta apresenta características bastante específicas. Trata-se de um setor bastante heterogéneo que dispõe de uma grande variedade de especialidades e quando assim é, há uma enorme divergência em relação ao tamanho das empresas, aumentando a complexidade da integração dos seus sistemas (Méxas et al., 2013).
Como já fora referido, a construção desempenha um papel deveras importante na economia portuguesa, não só por causa da sua interferência a nível económico, mas também pela quantidade de emprego que gera. Em Portugal, pode-se destacar dois tipos de empresas, as grandes empresas e as pequenas empresas (FEPICOP, 2012). Do número total de empresas, apenas uma pequena percentagem representa as grandes empresas (Arantes et al., 2015).
3.2 Impacto da construção na economia e vice-versa
Movimentando vários setores a montante, como as empresas fornecedoras de materiais e produtos, e a jusante, como as empresas fornecedoras de mobiliário e serviços de energia, da sua cadeia de produção, a construção pode ser considerada como um dos setores que impulsiona a economia nacional devido ao seu peso peculiar na criação de riqueza e na criação de postos de trabalho. Como apresenta um distinto efeito multiplicador, considera-se uma atividade fundamental para o crescimento da economia (Gil, 2016). Pode-se afirmar ainda, de acordo com Baganha, Marques e Góis (2012), que a atividade da construção civil tem uma importância significativa no conjunto da economia nacional pois trata-se de um setor que apresenta uma extensa cadeia de valor, proporcionando o aparecimento de externalidades positivas às restantes atividades.
A diversidade de atividades da fileira da construção civil é de elevada relevância para o crescimento económico porque apresentam capacidade de fornecer infraestruturas e de criar mais empregos. Com a expansão das infraestruturas, tanto do setor público como do privado, as atividades do setor sofreram um impacto de um modo direto. No seguimento dessa ideia, afirma-se então que o setor da construção
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civil pode e deve ser considerado como estratégico para o crescimento de uma determinada economia, com fortes encadeamentos produtivos (Perobell et al., 2016). Apresentando um impacto significativo sobre o emprego, a atividade da construção civil criou uma estimativa de que cada emprego direto criado por este setor gerava três postos de trabalho no conjunto da economia (Gestluz Consultores de Gestão, 2007).
A construção civil em Portugal é um setor que nos últimos anos tem vindo a recuperar da recessão económica que o país sofreu em meados de 2005 até, sensivelmente 2012. Entre 2005 e 2010, esta área acumulou sucessivas perdas superiores a 24%, sendo o setor da engenharia civil o mais afetado com a queda de produção, que rondou os 7,5%. (Cardoso et al., 2015).
Outros indicadores económicos mostram que o setor da construção contabilizava cerca de 6% do PIB nacional e 9% do emprego total em 2008, mas desceu para 4% do PIB e 5% do emprego total em 2012 (Horta et al., 2016).
Não só a atividade da construção obteve resultados negativos, e como a atividade de engenharia civil apresentou, no volume de negócios, também alcançou taxas de crescimentos negativas a partir de 2010 (Venâncio, 2015).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), 2011, 2012 e 2013, foram os anos em que a atividade económica portuguesa registou uma contração significativa na maior parte dos indicadores macroeconómicos, sendo que em 2014, o PIB registou uma variação positiva, desde a chegada da Troika, marcando também o regresso ao crescimento do consumo privado. Em 2015, esta variação positiva manteve-se e consolidou-se, com uma taxa de crescimento de 1,5% e, continuando numa maré positiva, alguns indicadores indiciavam já uma possível recuperação após 13 anos consecutivos de quebras. Mesmo assim, o índice de produção registou uma variação uniforme de -2,5%, tendo no ano anterior registado cerca de -8,9%. O investimento neste setor demonstrou uma variação positiva de 4,1% e de 3,7% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas de construção, de acordo com dados disponibilizados pelo INE em 2015 (Gil, 2016).
Segundo Horta e Camacho (2014), a indústria da construção global representava cerca de 9% do PIB mundial com tendência para aumentar devido ao desenvolvimento dos países. Estes autores afirmaram ainda, que, este setor era o
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maior empregador industrial na globalidade dos países, contabilizando cerca de 7% do emprego total do mundo (Maia e Neto, 2016).
É, ainda, importante salientar a perda de cerca de 66 800 postos de trabalho na área da construção entre o ano de 2012 e 2013, o que corresponde a uma descida total de 18,8% na empregabilidade deste setor (Arantes et al., 2015).
Em 2015, cerca de 277,5 mil indivíduos foram empregados na construção, mais 1,7 mil que em 2014 sendo que o peso deste setor equivale a 6,1%. Este ano encerrou com uma evolução positiva invertendo a tendência dos já referidos 13 anos de quebras consecutivas registando ainda um aumento de cerca de 3% do VAB (Gil, 2016).
Ainda em relação a números, segundo dados do Euroconstruct, em Portugal a taxa de “crescimento” no setor da construção subiu para 3,5% após vários anos de número negativos. Um facto de ser referido, apesar de já dito, Portugal foi um dos países que mais sofreu com a recessão que aconteceu recentemente, chegando a atingir diminuições do PIB de -4% em 2012, segundo a “81.ª Conferência do Euroconstruct” em junho de 2016 (Gil, 2016).
A figura 1 mostra o crescimento do PIB desde o último trimestre de 2013 onde se pode notar que, entre variações constantes, o valor atingiu uma taxa homóloga superior a 1,8% no último trimestre de 2016.
Figura 1 - Taxa de variação homóloga trimestral do PIB. Fonte: INE (2016)
14
A descrição do Instituto da Construção e do Imobiliário (InCI) refere a situação vivida pelo setor da construção em 2014: “Segundo informação do Banco de Portugal, a economia portuguesa em 2013, apresentou um dos mais baixos crescimentos de União Europeia. O setor da construção, por ser um setor que funciona como um barómetro da economia nacional, sentiu fortemente os efeitos da recessão e tem visto a sua situação degradar-se, nomeadamente ao nível do volume de negócios e, consequentemente, do seu contributo para o investimento nacional. Acresce também, e em consequência do referido, a degradação da representatividade que este setor tem para o mercado nacional do emprego” (Venâncio, 2015).
Este fenómeno provocou uma redução elevada do número de empresas deste ramo de atividade porque não havendo dinheiro para investir, não há fundos para realizar projetos e construir novas infraestruturas.
Projeções efetuadas pelo Banco de Portugal, para o período de 2015 a 2017 apontaram para uma recuperação progressiva da economia portuguesa, mas para 2016 indicou um atraso de 1,5% enquanto no ano de 2015 foi de 1,1% (Gil, 2016). Isto indica que o setor não se desenvolveu nem recuperou tão favoravelmente como era de esperar com as sondagens feitas.
Contudo, e justificando com a pesquisa efetuada, nem tudo são más notícias. No primeiro trimestre do ano de 2017 foram criados 23 mil empregos e espera-se uma necessidade de 80 mil trabalhadores num prazo entre 2 e 3 anos. Mesmo com o colapso vivido nos últimos anos, a construção mostra indícios de ter dado a volta à crise e encontra-se com falta de mão-de-obra, colmatada com a empregabilidade já previamente referida. Com cerca de 200 mil empregos perdidos desde 2010, antes de a Troika ter chegado ao nosso país, o setor está a ser impulsionado com o crescimento do turismo e da reabilitação urbana, consequência da ligação ao alojamento local. Por exemplo, só no ano de 2016 foram licenciados cerca de 11 mil novos edifícios quando em 2014, ou seja, no pico da crise, apenas tinham sido licenciados cerca de 8 950 edifícios. As boas notícias continuaram quando se afirma que desde o início do ano de 2017, o índice de produção ainda não parou de subir, aumentando cerca de 1,6% só em abril desse ano.
Estudos, projeções e notícias já indicavam uma melhoria significativa no setor com diversas ideias a apontarem o mesmo caminho.
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Segundo a Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), 2016 foi um ano que começou mal, mas graças ao licenciamento de novas construções poderia entrar na rota certa. Já para 2017, a mesma entidade previu um crescimento de cerca de 2,6% ao nível da produção, tendo obtido resultados negativos em 2016, em que caiu 3,3%. A FEPICOP afirmou ainda que se esperava um crescimento de 3% na construção residencial e de 5,8% nos trabalhos de reabilitação.
Sendo uma opinião própria do autor, todos estes resultados positivos podem ser resultado de 2017 ter sido um ano de eleições autárquicas onde a maioria das autarquias “aproveitam” para poder desenvolver projetos ambiciosos para o presente e também para um futuro próximo.
Para finalizar, e segundo os números publicados pelo INE em fevereiro de 2017, a economia portuguesa no quarto trimestre de 2016 cresceu cerca de 2%, representando um aumento total de 1,4% no ano inteiro, superando as expetativas do governo e da Comunidade Europeia (CE).
Concluindo este ponto, mais recentemente foram divulgados novos dados sobre a indústria da construção, onde se afirma que deverá fechar o ano de 2017 com um crescimento de 5,9% e uma previsão de crescimento de 4,5% em 2018. O ano de 2018 deverá ser de consolidação, segundo afirma o presidente da CPCI (Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário) onde irão ser necessários cerca de 70 mil trabalhadores pois existem zonas do país, de forte impacto no turismo, que demonstram uma grave incapacidade de resposta às necessidades do mercado (Pinto, 2018).
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3.3 Engenharia civil
Sendo um ponto menos importante no estudo, mas como está relacionada com a construção civil, nunca é demais explicar e identificar a área da engenharia civil. A engenharia civil envolve a conceção, o projeto, construção e manutenção de qualquer tipo de infraestrutura que seja necessária para o desenvolvimento da sociedade. Além disso, apresenta características únicas que a diferencia das outras indústrias.
Isto deve-se ao facto de, quando se inicia um projeto, este é tido como praticamente novo não havendo lugar para repetições e mudanças das características das operações a efetuar.
O setor da construção engloba edificações, quer sejam elas para uso residencial ou outros quer sejam para obras de engenharia civil, como estradas, pontes, vias-férreas, barragens, entre outros. Além disso, neste processo estão envolvidas várias especificidades nomeadamente a diversidade dos procedimentos e métodos de construção, abundâncias e diversidade das regras de construção e como principal regulador está o Estado.
A tabela 1 demonstra as secções, divisões e grupos da engenharia civil, podendo-se concluir que abrange vários tipos de obras que a construção civil executa.
Como é uma área envolvida na construção, é importante mencionar que, mesmo com a melhoria desta última, a engenharia civil manteve-se como o segmento menos dinâmico apresentando mesmo assim um crescimento de 2% na produção.
Neste capítulo foi feita a caracterização do setor da construção bem como uma rigorosa referência à sua importância na economia e esta na construção. No capítulo seguinte será feita uma análise à importância das PME no setor da construção civil.
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Tabela 1 - Classificação Portuguesa das Construções. Fonte: INE (2005)
1ª SECÇÃO
EDIFÍCIOS
EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS Edifício com um fogo Edifício com dois fogos
Edifícios de alojamento coletivo
EDIFÍCIOS NÃO
RESIDENCIAIS
Edifícios de hotelaria e similares e edifícios de restauração e de bebidas Edifícios da administração, de
instituições financeiras, dos correios e serviços similares
Edifícios de comércio por grosso e a retalho
Edifícios e instalações para os transportes e comunicações
Edifícios industriais e de armazenagem
Edifícios para fins culturais, recreativos, educativos, de saúde e de ação social
Outros edifícios não residenciais
2ª SECÇÃO OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL INFRAESTRUTURAS DE TRANSPORTES, BARRAGENS E SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO
Autoestradas, estradas, ruas e caminhos
Caminho de ferro, vias férreas e infraestruturas para o seu funcionamento
Pistas de aviação e infraestruturas para o seu funcionamento
Pontes, viadutos e túneis (obras de arte)
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Obras portuárias, canais navegáveis, barragens e sistemas de irrigação CONDUTAS, LINHAS DE
COMUNICAÇÃO E DE
TRANSPORTE DE
ENERGIA
Condutas de longa distância, linhas de comunicação e de transporte de energia
Condutas e cabos urbanos locais
INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES EM ZONAS INDUSTRIAIS -OUTRAS OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL
Construções para fins desportivos ou recreativos
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4 I
MPORTÂNCIA DAS
PME’
S NO SETOR DA
CONSTRUÇÃO CIVIL
De uma forma introdutória a este capítulo, é primário identificar as diferenças existentes entre os vários tipos de empresas. Existem vários tipos de empresas, ou de um modo mais informal, vários tamanhos. Nesse contexto, e corroborando com a União Europeia (UE), existem as microempresas, pequenas e médias empresas e grandes empresas.
A UE define o tamanho das empresas baseando-se no número de empregados e receitas operacionais (Kapelko et al., 2015). Assim, define como microempresa aquela que emprega menos de 10 trabalhadores e que não exceda um retorno anual superior a 2 milhões de euros. Se empregar entre 10 e 250 trabalhadores e retornar entre 10 e 50 milhões de euros anualmente é declarada como pequena e média empresa. Por fim, empresas que tenham pelo menos 250 empregados e que retornem pelo menos 50 milhões de euros anuais são classificadas como grandes empresas (Kapelko et al., 2015).
Como a presente dissertação foca as pequenas e médias empresas, é de salientar que para resistirem às constantes alterações do mercado, espera-se que as PME’s contem com empréstimos de bancos e que tenham menos acesso a fontes externas de financiamento (Farinha e Félix, 2015).
Sendo uma força propulsora no setor da construção, as PME lideram o caminho ao fornecer oportunidades de aprendizagem dentro da indústria dada a percentagem de emprego que estas criam. De um modo geral, o setor das PME é dos principais motores do crescimento do país e da criação de emprego.
Mesmo com números significativos, o cenário das PME no setor da construção civil é sempre desafiador. Para ultrapassar as dificuldades, a aquisição de melhores práticas e uso de estruturas permite às PME uma maior visibilidade dos projetos e a oportunidade de se tornar uma parte essencial da cadeia de fornecimentos, da qual fazem parte os clientes, consultores profissionais, empreiteiros, fornecedores de materiais, entre outros. Além disso, a colaboração dentro da cadeia de fornecimentos
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promove o desenvolvimento de relacionamentos e isto terá um impacto positivo a longo prazo nos negócios das pequenas e médias empresas (Robinson, 2017). Estando inseridas num meio em constante expansão, apesar da crise passada, as
PME criaram cerca de 85% de todos os novos empregos entre 2002 e 2010 na UE. (Lejárraga et al., 2014).
Em conformidade com o Ministério da Economia (ME) (Site ME Portugal, 2010), as pequenas e médias empresas portuguesas eram responsáveis por 99,5% dos negócios nacionais provocando 59,8% de vendas em todo o país e gerando 74,7% de emprego (Santos et al., 2015).
Um ponto bastante relevante de ser mencionado é o facto das empresas de construção obterem certificados. Santos et al. (2013) apresentaram um estudo com o objetivo de caracterizar a situação das pequenas e médias empresas em Portugal e para classificar o sistema implementado realizaram vários questionários. Os resultados obtidos do estudo revelaram que as principais razões para as PME terem optado pela certificação prendiam-se com a eliminação ou minimização dos riscos dos trabalhadores enquanto no sentido oposto, os custos de implementação eram o maior entrave. Com a conquista da certificação, as empresas beneficiam de uma melhoria de condições de trabalho - garantindo conformidade com a lei – e também melhores comunicações internas de riscos ocupacionais (Giacomello et al., 2014). A atividade das PME é significativa, não apenas por si só, mas também pelo papel
relevante que desempenha nas ações das grandes empresas. Os projetos de construção, normalmente, envolvem um número considerável de diversas empresas de pequeno e grande calibre, com várias colaborações, ou seja, na grande maioria dos projetos de construção civil, as PME estão envolvidas, direta ou indiretamente. Quanto maior forem as necessidades e maior for a complexidade dos projetos, o
desenvolvimento das PME irá ser maior, contribuindo para a progressão da construção civil.
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5 D
ESAFIOS TECNOLÓGICOS COLOCADOS
A UMA
PME
DE CONSTRUÇÃO CIVIL
Nos últimos anos, a Internet e, muito particularmente, a World Wide Web (WWW), tem-se expandido continuamente, em termos de tecnologia utilizada e em termos de dimensão, tornando-se um meio essencial de negócios. Simultaneamente, aumentou a necessidade de orientação dentro de um universo em crescimento de possibilidades multidimensionais relacionadas com a forma e a função. Dum ponto de vista técnico, isto leva a um esforço de integração, que nos dias de hoje, é realizado através de sistemas de informação. Identifica-se, então, a necessidade das empresas acompanharem e implementarem sistemas de informação para manterem os seus negócios ativos e competitivos.
Estando o mercado sempre em expansão a todos os níveis, é perfeitamente normal que os empresários, construtores civis e empresas construtoras procurem alternativas para poderem manter as suas rotas de lucro.
Segundo TORTATO (2007), desde 1990, as empresas começaram a estudar alternativas para facilitar e aumentar as suas margens de lucro como por exemplo com a redução de custos, o aumento da produtividade e especialmente a introdução da utilização de soluções tecnológicas e gerenciais.
Para Vieira (2006), a introdução de novos conceitos, procedimentos, técnicas, métodos e processos provocaram alterações, sobretudo ao nível do pensamento estratégico e na visão sistémica das organizações construtoras, o que levou ao início da implementação das Tecnologias de Informação (TI), que por sua vez, desencadeiam um ambiente integrado e produtivo.
No decorrer do século XX, surgiram as primeiras tecnologias para o ramo da construção civil. Em 2003, Nascimento e Santos anunciavam o início de uma era
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tecnológica neste ramo, mais propriamente ao nível de ferramentas modeladoras de informações e geradoras de empreendimentos. Estas novas opções permitiram uma melhor tomada de decisão e criação de novo conhecimento, aliando todas as fases a partilhando informações entre os agentes dos processos em todos os ciclos.
As ferramentas que se pode afirmar como sendo tecnologicamente avançadas como é o caso das ferramentas de perfuração e demolição, ferramentas sem fios, medidores ou sistemas diamantados, servem como apoio para os profissionais da área da construção para escalar os desafios que lhes são propostos. As empresas podem ainda usufruir de softwares e soluções de engenharia que se adaptam às necessidades dos clientes. Alguns dos softwares que estão a dispor das empresas são explicados no capítulo seguinte porque são os que as empresas entrevistadas utilizam. Outras ferramentas, que não utilizadas pelas empresas alvo deste estudo, são também apresentadas.
A forma como os responsáveis gerem e controlam as suas empresas tem vindo a ser alterada pelo avanço da tecnologia. Cada vez mais vão surgindo ferramentas que permitem diminuir as perdas, gerir os funcionários e os recursos disponíveis, controlar os projetos e muito mais.
As empresas precisam de ter os seus processos bem integrados, de início ao fim, e devido às suas necessidades, os softwares que utilizam vão evoluindo. A forma de realizar obras/projetos é alterada pela forma como é integrada a tecnologia e inovação.
Tal como a indústria da construção, a indústria do software está em permanente evolução. Com o passar do tempo, a fasquia aumenta, tal como as expetativas dos consumidores, e os developers de software criam novos produtos e serviços inovadores.
O desenvolvimento tecnológico é constantemente beneficiado pelos rápidos avanços e pelas pesquisas criando um efeito em cadeia. Com softwares mais evoluídos há uma maior produtividade de atividades, sendo possível obter mais lucro e consequentemente gerar mais postos de trabalho. Para isso, as empresas fornecedoras de software precisam de estar em constante atualização de processos e comunicar com os clientes para que estes possuam sempre os softwares atualizados.
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5.1 Desafios internos
Antes das empresas pensarem sequer no exterior, primariamente é necessário efetuar uma revisão interna para poder identificar possíveis lacunas e processos a melhorar para poderem vingar no mundo da construção.
Com o claro objetivo do sucesso, as empresas, sejam elas de que ramo forem, devem estar providenciadas de uma conjugação de dois fatores vitais para levar os seus processos a bom porto, nomeadamente a eficácia e eficiência. No funcionamento de uma organização, estes dois fatores estão diretamente influenciados pelas estruturas organizacionais. Pode-se, assim, afirmar que a eficácia está implicada nas estratégias adotadas e a eficiência no funcionamento das empresas (Maia e Neto, 2016).
Brophey e Brown (2009) afirmaram que os empresários das PME’s da área da construção não tinham as métricas necessárias para avaliar uma performance irreverente e apenas se focam nos lucros e aumento de vendas como resultado das suas ações (Freitas et al, 2014).
Para que as empresas possam estar em alta, é extremamente vital estas possuírem informação sobre todo o tipo de atualizações dos diferentes ramos em que operam, sobretudo no ramo das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). É, então, necessário que as construtoras sejam ativas e que providenciem esforços para adquirir e aglomerar capacidades tecnológicas (Freitas et al., 2014).
O ramo da construção civil, como referido no capítulo 2, é de grande importância para a economia nacional, mas com o passar dos anos, era expectável que evoluísse e se modernizasse de um modo mais rápido e intenso tendo em conta os restantes segmentos industriais (Maia e Neto, 2016).
Apesar de as tecnologias para a fileira da construção já estarem a um nível avançado, um grande número de empresas não são muito recetivas à sua adoção, apenas o básico. A perceção que se tem deste setor ao nível de tecnologia é média-baixa, onde a inovação é difícil de implementar porque os funcionários, normalmente, tendem a utilizar métodos antigos que os acompanharam em toda a sua carreira sendo difícil implementar quaisquer mudanças. Para que a competitividade se mantenha, é favorável e encorajada a construção inovadora (Vladimir et al., 2011). As TIC são consideradas meios técnicos para tratar de informação e providenciar auxílio na comunicação. As TIC oferecem, também, uma vasta gama de software,
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hardware, telecomunicações e técnicas de gestão de informação, aplicações e dispositivos. Quando se utilizam todas estas técnicas em conjunto é possível produzir, analisar, processar, distribuir, receber, recuperar, armazenar e transformar informação. Estas tecnologias estão a ser integradas na maioria das atividades, facilitando a computação ubíqua (Taylor, 2015). Contudo, e apesar de estarem na vanguarda, a maioria das PME’s ou pequenas empresas insistem em não aderir a estas ideias, alegando dificuldades na adaptação aos novos métodos.
Já em 1993, Henderson e Venkatraman assinalaram que as TIC desempenham um papel importante a nível estratégico suportando as estratégias de negócio e criando novas.
As TIC podem desenvolver outro tipo de funções importantes que suportam o desenvolvimento das PME como é o caso da simplificação da integração dos processos de negócio, transações e comunicações mais baratas entre empresas e ainda a tomada de decisões mais eficientes (Taylor, 2015).
Uma ideia interessante era a de Sachs, que tendo em consideração as tecnologias que envolvem as empresas, acreditava que o desenvolvimento sustentável iria ser o grande desafio do século atual e para corroborar essa ideia, Volenbroek confirmou que o desenvolvimento sustentável trata do equilíbrio entre as tecnologias disponíveis, as estratégias de inovação e políticas de governação e todas juntas podem catapultar uma empresa em direção ao sucesso (Ortiz et al., 2009).
Outro ponto, não tanto necessário, mas importante de ser referido em termos de desafios internos de uma pequena-média empresa envolve um outro tipo de ligação à tecnologia, mais concretamente a rede social. As redes sociais online permitem que a informação seja “semeada” de várias maneiras e também possibilita que uma empresa possa seguir novas direções. Uma das vantagens deste meio para as empresas é o custo relativamente baixo permitindo a conexão aos atuais e possíveis futuros consumidores (Nobre, e Silva, 2014).
Assim, pode-se afirmar que, como desafios tecnológicos internos, está a necessidade de ter ferramentas capazes de controlar o modo de acesso às informações da obra, a organização na gestão de documentos, a segurança das informações, a produtividade, a deteção de falhas, otimização da comunicação e cumprimento de prazos (Ribeiro, 2018).
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O uso de softwares é uma tendência em todo o mundo e em todos os setores, permitindo que as empresas alcancem melhores resultados e reduzam custos operacionais.
Com o uso da tecnologia e de um sistema de gestão, os responsáveis podem manter todos os detalhes de uma obra apenas num local, facilitando o acesso a todas as informações da construção, otimizando os processos e o fluxo de dados.
A organização na gestão de documentos e eliminação de hipóteses de perda de informações, permitindo aos empreendedores manterem os seus documentos, orçamentos, relatórios, entre outros, é um processo bastante importante que pode e deve ser realizado com recurso a tecnologias.
Outros desafios internos, como a segurança das informações, a produtividade dos funcionários, a deteção de falhas no planeamento de obras, a comunicação entre elementos das empresas e ainda o cumprimento de prazos, podem ser contrariados com a diversidade de tecnologia existente no mercado.
Existem, claro, outros desafios que ocorrem no dia-a-dia que são solucionados com ou sem recurso a tecnologia, dependendo da necessidade e importância destes, mas está saliente que as ferramentas de TIC melhoram a eficiência e os processos internos de uma empresa.
5.2 Desafios externos
As empresas podem ser consideradas como uma entidade administrativa e um conjunto de recursos, estando estes dois aspetos na base para uma estratégia de diversificação e crescimento das organizações.
Para as empresas poderem evoluir progressivamente, é importante haver o conhecido fenómeno chamado concorrência, que oferece coisas boas, mas também aspetos menos saudáveis. A competitividade é uma característica importante que as empresas devem possuir e pode ser descrita como a capacidade que uma firma tem de criar e pôr em prática as estratégias necessárias para manter o crescimento e manter-se em posições seguras nos mercados em que atuam (Rutzen, et al., 2016). A globalização e internacionalização de uma empresa são, também, dois pontos
bastante importantes para serem mencionados pois existem cada vez mais firmas a optarem por estas experiências.
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O processo de internacionalização pode ser visto como uma aprendizagem contínua perante os desafios propostos pela concorrência. Com as rápidas e constantes mudanças impostas pelo ambiente externo a que as organizações estão expostas, estas procuram melhorar o seu ambiente organizacional com o objetivo de o equilibrar para enfrentar os desafios a que são expostas (Rutzen et al., 2016). Sendo uma razão para as empresas necessitarem de olhar para dentro e fora, a
globalização económica provoca uma melhoria e ponderação das atividades devido à competitividade da concorrência. Resume-se, então, que a globalização é um processo em movimento e irreversível com alicerces bem definidos enquadrados em padrões de responsabilidade e moralidade.
A diversificação é um dos aspetos chave que é frequentemente considerada pelas empresas de construção europeias no que toca ao design de planos estratégicos. Para ganharem vantagem competitiva, as empresas precisam de ter diferentes
abordagens estratégicas, mas com a noção dos benefícios e riscos que estas envolvem para que possam selecionar as melhores rotas a tomar com a finalidade de evidenciar a performance.
Já salientado anteriormente, as empresas têm vindo a evoluir nos últimos anos e com isso, os empreiteiros progridem para um mercado mais global e consequentemente, mais competitivo, aproveitando para capitalizar o seu envolvimento em estratégias de diversificação e internacionalização. Uma das razões que motivaram as empresas a optar por novas estratégias a fim de garantir viabilidade financeira foi, claro está, a crise financeira que afetou todo o país (Horta et al., 2016). Segundo a bibliografia, as PME’s utilizam canais indiretos para efetuarem as comercializações de exportações sendo que o tamanho tem influência direta na escolha do canal de exportação. No caso das empresas de construção, estas participam de uma maneira diferente nas exportações de serviços profissionais, TIC, serviços financeiros e transportes. Um dos meios que ajudam as PME’s a entrar nos mercados internacionais de uma maneira simplista e a custos menores é o desenvolvimento tecnológico e económico. As aventuras internacionais retornam às PME’s uma ajuda benéfica em relação à performance nos negócios oferecendo a hipótese de procurar entradas variadas e baratas que permitam diminuir os custos das operações. As PME’s têm-se empenhado no comércio internacional através de
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importações ou investimentos estrangeiros diretos, o que permite um crescimento maior, gerar emprego e aumentar taxas de inovação (Lejárraga et al., 2014).
Reafirmando, o setor da construção utiliza a tecnologia, mas com um baixo nível de inovação e as empresas necessitam de criar estratégias de gestão inovadoras como a criação, desenvolvimento, testes e implementação de algo que possa ser tomada como uma inovação (Vladimir et al., 2011).
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6
METODOLOGIA
Este capítulo terá como finalidade a apresentação e especificação da metodologia utilizada para recolher os dados para estudo.
Como já foi referido no início desta dissertação, a proximidade do autor a uma das empresas permitiu o desenvolvimento desta ideia, conseguindo assim chegar a outras duas empresas através dos conhecimentos da primeira.
O contacto com as empresas foi efetuado presencialmente pelo autor no edifício destas, tendo marcado uma data para poder conversar com o responsável pela área da tecnologia, e que estivesse a par de todos os processos e projetos já feitos pelas empresas. Depois de marcada a data, o autor escreveu algumas linhas de orientação para poder guiar-se durante as entrevistas. As entrevistas foram feitas de um modo mais informal que o esperado devido à forma de ser das pessoas entrevistadas. No capítulo 6.1, estão descritos o tipo de perguntas feitas pelo autor e o tipo de
respostas dadas bem como alguns conselhos dados pelos entrevistados.
Um guião de entrevista encontra-se em anexo a este trabalho, de forma que o autor tivesse umas perguntas-tipo para poder enquadrar a sua entrevista de uma forma uniforme, mas informal.
6.1 Tarefas e procedimentos
Foram feitas três visitas a três empresas distintas do distrito de Vila Real, uma do concelho de Vila Real, uma do concelho de Ribeira de Pena e uma do concelho de Chaves. De forma a facilitar a perceção e escrita, considera-se como empresa A, a empresa da vila de Ribeira de Pena, a empresa B, da cidade de Chaves e a empresa C, da cidade de Vila Real. Todas elas pediram a confidencialidade dos seus nomes e concordaram com a informação que o autor irá dispor em baixo.
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As perguntas mais relevantes efetuadas às três empresas foram: • Mercado de atuação;
• Confirmação do tipo de empresa; • Especialidades onde atua;
• Tipos de problemas que enfrenta; • Tipos de software que utiliza; • Custo dos softwares que utiliza;
• Como efetua a manutenção do software; • Motivação para mobilidade de software;
De forma a organizar a informação e para simplificar a identificação, as respostas dadas e as explicações a fazer sobre cada empresa são demonstradas nos próximos subcapítulos.
6.1.1 Caracterização da Empresa A
A empresa A é uma empresa que atua no ramo da construção civil e obras públicas, estando já expandida e com obras até ao distrito do Algarve. Esta empresa é a mais próxima do autor e a que teve forte impacto para a escolha do tema em estudo. Foi a primeira a ser entrevistada e no seguimento disso, indicou duas empresas com quem mantém relações e partilha de conhecimentos, para o autor poder entrevistar.
A empresa A utiliza o software PHC para efetuar todo o tipo de processos. Tem um contrato com a empresa PHC que fornece uma variedade de soluções para os diferentes departamentos, e quando é necessário fazer alterações ao software é chamado um técnico à empresa. As diversas soluções deste software já foram descritas anteriormente.
6.1.2 Caracterização da Empresa B
A empresa B é, também, uma empresa que atua no ramo da construção civil, obras públicas, reabilitação urbana, betão, betuminoso e imobiliária nas cidades de Chaves e Porto e com experiências vividas em Angola. Foi indicada através da empresa A
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por ser uma das empresas com maior volume de faturação da área no distrito de Vila Real.
A empresa B utiliza o software Primavera para efetuar a faturação da mesma e desenvolver projetos conjugando com o Candy para fazer propostas de orçamentos e para finalizar as propostas para concursos usa o Microsoft Project.
6.1.3 Caracterização da Empresa C
A empresa C é uma empresa orientada para o empreendedorismo atuando maioritariamente em obras públicas, no ramo da construção civil. Atua na cidade de Vila Real, mas também se está a alastrar um pouco por todo o país.
Na sua operação, esta empresa para realizar a contabilidade recorre ao software SAP, a nível de recursos humanos utiliza um dos softwares disponibilizados pelo PHC. Para efetuar orçamentos para projetos usa o software Primavera e para fazer a faturação e realizar faturas utiliza o software MW (middleware).
6.2 Descrição das entrevistas realizadas
Numa primeira fase, a pessoa entrevistada na empresa A preferiu não induzir o entrevistador em erro, não revelando o custo da licença, manutenção, utilização e atualização do software. Depois de várias insistências por parte do autor e já numa fase avançada deste estudo, a resposta obtida foi um valor a rondar os 4 mil euros anuais.
Em relação ao orçamento gasto, o responsável pelo fornecimento de dados da empresa B não soube dizer ao certo quanto justificando que o investimento já tinha sido feito há algum tempo. Contudo, havendo custos anuais, custos de manutenção além das atualizações e de apoios técnicos afirmou que os valores variam entre os 6 e 7 mil euros anuais.
Já na empresa C, os valores que envolvem os softwares, desde a sua licença até à sua manutenção, podem resultar num valor a rondar os 6 mil euros anuais, podendo sofrer alterações, dependendo das modificações feitas ao longo dos anos.
Com a conclusão das entrevistas, foi possível identificar que grande parte das PME do ramo da construção civil opta por utilizar ERP, ou seja, software de gestão.
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Cada ERP apresenta funcionalidades para os diferentes departamentos, descrito no próximo capítulo.
No geral, pode-se concluir que todas as empresas envolvidas no estudo recorrem ao mesmo tipo de ferramentas para realizar os mais diversos processos.
Todas utilizam o Microsoft Office no que toca ao processamento de informação recorrendo aos conhecidos programas Word, Excel, Outlook. Para a realização e desenho de projetos, juntamente com os softwares que cada uma utiliza, o AutoCAD é uma ferramenta, também, presente nas três empresas abordadas. Foi também dito que existem softwares que são utilizados apenas para situações esporádicas e prontamente desinstalados.
É evidente a inexistência de tecnologias relevantes open-source em todas as empresas visadas porque existe um clima de “desconfiança” sobre estas, principalmente por serem livres.
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ROPOSTA DE UM CONJUNTO DE
SOLUÇÕES INTEGRADAS BASEADAS E
OPEN
-
SOURCE
PARA
PME
DE
CONSTRUÇÃO CIVIL
Neste capítulo é feita a referência às áreas funcionais de uma empresa, mais especificamente de uma empresa de construção civil e de seguida, é especificada a diversidade de software existente para a área da construção civil, diferenciando e explicando aqueles de importância para o estudo.
Os sistemas de gestão têm influência na redução de perdas no setor da construção, daí serem considerados um alicerce bastante forte das empresas no panorama geral (Giacomello, et al., 2014).
7.1 Áreas funcionais de uma empresa
As empresas devem estar devidamente organizadas para poderem almejar o sucesso, e a divisão de tarefas é a solução para alcançar os objetivos. Os setores de uma empresa variam de empresa para empresa de acordo com o tamanho e o tipo de atividade que esta executa, no entanto podemos chegar a uma estrutura básica e comum a todas elas.
7.1.1 Setor Administrativo
Setor que também pode ser chamado de “Gerência”. Pode-se afirmar como sendo o núcleo de uma empresa.