Percursos e Desafios de uma Estudante-Estagiária
Relatório de Estágio Profissional
Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro e Decreto-lei nº 79/2014 de 14 de maio).
Orientador: Professora Doutora Paula Maria Fazendeiro Batista
Helena Sofia Fonseca Leite
Porto, setembro de 2018
Ficha de Catalogação
Leite, H. (2018). Percursos e Desafios de uma Estudante-Estagiária. Relatório de Estágio profissional. Porto: H. Leite. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção de grau Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, SER
PROFESSOR, REFLEXÃO, MOTIVAÇÃO.
Agradecimentos
À minha Mãe, a minha sempre conselheira, pela compreensão e paciência nos
momentos de ausência, pelas palavras na hora certa e por tudo o que fez por mim. Por me incentivar a seguir o que está certo e por me motivar a querer ser melhor.
Ao meu Pai, o meu apoio, pelo carinho, ajuda e dedicação nos momentos mais
complicados, pela simplicidade, pelas chamadas de telefone a toda a hora, pelos jantares tardios, pelos almoços na praia, pela alegria e boa disposição. Por me ensinar a ver cada oportunidade, a dar a volta por cima e não ter medo de errar.
À minha Irmã, a minha parceira de sempre, pela ajuda e amizade, por todos os
momentos de felicidade e de discussão. Por me ensinar o significado de verdadeiro amor.
À Milu, por todos os beijinhos sempre que chego a casa.
À minha Família, os que estão sempre presentes, pela sabedoria, pelo alento e
pelo apoio, pelos abraços que acalmam. Por me ensinarem o verdadeiro valor do “Obrigada” e do “Desculpa”.
Ao Rui, o meu porto seguro, pelo apoio incondicional, pela paciência, pelo amor,
pela compreensão e pelos conselhos. Por me ensinar e ajudar a não desistir dos meus sonhos.
À Joana, amiga de sempre, companheira de todas as horas. Por todos os
pequenos-almoços, almoços e jantares, pelas dormidas fora, pelas viagens de carro, pelos cafés e papelarias, pelas massagens e pelo conforto, pelos insultos e dedicatórias de amor, pelos dias e pelas noites. Por me ensinar que sou mais forte do que penso.
À Marina, pela presença, pelos conselhos e por todos os desabafos.
À Inês, pela amizade e por sempre acreditar em mim.
Ao Colégio Internato dos Carvalhos, por ter sido a minha casa durante 8 anos
e por me provar que fiz a melhor escolha.
Ao Professor Edgar Cunha e ao Professor Rui Oliveira, pelo exemplo de
como ser um bom professor e por me fazerem querer ser como eles.
À Faculdade, por meu ajudar a concretizar um sonho.
Ao Professor Cooperante, Paulo Cunha, pelo profissionalismo e pelas
conversas, por ter sido um verdadeiro apoio e amigo.
À Professora Orientadora, Paula Batista, pela compreensão, pelas reflexões
conjuntas e por estar sempre disponível a ajudar.
Aos Professores da FADEUP, por todo o conhecimento que me transmitiram e
por serem excelentes profissionais.
Ao João, o meu colega de estágio, por todos os momentos, que é o único que
entende exatamente o que sinto e que me acompanhou nesta jornada inesquecível.
À Rita e à Raquel, as melhores pessoas que conheci na faculdade, por todos os
semestre, meses e dias, por todas as aulas e por todas as noitadas.
À Escola Secundária Almeida Garrett, pelos lanches e experiências que nunca
vou esquecer.
À D. Virgínia, por ser o meu apoio na escola, por todas as conversas e
telefonemas, por todos os confortos e abraços, por todas as preocupações e por todos os pedaços de algodão com álcool.
Aos meus alunos, pelo empenho e ajuda ao longo deste ano. Ao 10ºA, por
serem os meus primeiros alunos, pelas experiências partilhadas e por me ajudarem a ser professora. Ao 10ºD, pelo convívio e por me darem a conhecer o lado diferente do ensino. Ao 12ºE, por todas as perguntas nos corredores e por serem vocês mesmos. Ao 5ºA, por me fazerem relembrar os tempos de criança.
Ao Mozart, pelas torradas cheias de manteiga e pelas velas nos momentos em
que mais precisei.
Índice Geral
Agradecimentos ... III Índice Geral ... VI Índice de Figuras ... XI Índice de Gráficos ... XIII Índice de Quadros ... XV Índice de Anexos ... XVII Resumo ... XIX Abstract ... XXI Lista de Abreviaturas ... XXIII
1 Introdução ... 1
2 Enquadramento Pessoal ... 7
2.1 Quem sou eu?... 9
2.1.2 A escolha pela educação ... 12
2.2 Expectativas em relação ao estágio profissional... 14
2.3 Entendimento do estágio profissional ... 16
3 Enquadramento Institucional ... 19
3.1 A escola como instituição ... 21
3.2 A escola cooperante ... 22
3.3 O grupo de educação física ... 28
3.4 O núcleo de estágio ... 29
3.5 As turmas ... 31
4 Realização do Estágio Profissional ... 41
4.1 Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ... 43
4.1.1.1 Programa Nacional de Educação Física ... 45
4.1.1.2 Projeto Educativo da Escola ... 46
4.1.1.3 Regulamento Interno ... 47
4.1.1.4 Regimento do Conselho de Área Disciplinar de Educação física e Desporto ... 48
4.1.1.5 Plano Anual de Atividades ... 48
4.1.1.6 Planificação Anual e Critérios de Avaliação de Educação Física 49 4.1.2 Planeamento ... 50 4.1.2.2 Unidade didática ... 52 4.1.2.3 Plano de aula ... 54 4.1.3 Realização ... 56 4.1.3.1 Impacto inicial ... 56 4.1.3.2 O desenrolar da ação ... 57
4.1.3.2.1 O problema da falta de motivação ... 57
4.1.3.2.2 O impacto de estratégias da autonomia e da responsabilidade pessoal e social na melhoria dos níveis de motivação dos alunos ... 59
4.1.3.2.2.1 Resumo ... 59
4.1.3.2.2.2 Introdução ... 60
4.1.3.2.2.3 Enquadramento teórico ... 61
4.1.3.2.2.3.1 Uma introdução à Teoria da Autodeterminação ... 61
4.1.3.2.2.3.2 O estilo motivacional do professor e a motivação intrínseca do aluno ... 63 4.1.3.2.2.4 Objetivos ... 64 4.1.3.2.2.4.1 Objetivo geral ... 64 4.1.3.2.2.4.2 Objetivos específicos ... 64 4.1.3.2.2.5 Metodologia ... 65 4.1.3.2.2.5.1 Participantes ... 65 4.1.3.2.2.5.2 Contexto ... 65
4.1.3.2.2.5.3 Instrumentos ... 65
4.1.3.2.2.5.3.1 Conversa inicial e reuniões ... 66
4.1.3.2.2.5.3.2 Fichas de registo ... 67 4.1.3.2.2.5.3.3 Listas de verificação ... 67 4.1.3.2.2.5.3.4 Questionário ... 67 4.1.3.2.2.5.3.4.1 Procedimentos de análise ... 68 4.1.3.2.2.5.3.5 Entrevista ... 68 4.1.3.2.2.5.3.6 Calendarização da intervenção ... 69
4.1.3.2.2.6.1 Níveis motivacionais dos alunos ... 70
4.1.3.2.2.6.2 Perceção dos alunos e do professor cooperante ... 71
4.1.3.2.2.7 Considerações finais e recomendações para estudos futuros ... 75
4.1.3.2.2.8 Referências bibliográficas ... 79
4.1.3.2.4 O andebol e o Modelo de Ensino dos Jogos para a Compreensão ... 84
4.1.3.2.5 O voleibol, o badminton e o Modelo de Instrução Direta ... 86
4.1.3.2.6 A ginástica e a luta para aumentar o número de repetições 86 4.1.3.2.7 As meninas serão mesmo o “sexo fraco”? ... 87
4.1.3.2.9 Um caso particular ... 90
4.1.3.2.10 Instrução e a importância de dar significado aos exercícios ... 91
4.1.3.2.11 O poder do entusiasmo ... 92
4.1.3.2.12 Os “traquinas” do 5º ano ... 93
4.1.4 O processo avaliativo ... 95
4.2 Participação na escola e Relações com a comunidade ... 98
4.2.1 Reuniões ... 98
4.2.2 Corta-mato ... 100
4.2.4 Sarau gimnodesportivo ... 102
4.3 Área 3 Desenvolvimento Profissional ... 104
4.3.1 A importância de ser uma professora reflexiva ... 104
4.3.2 Observação de aulas e aulas de substituição ... 108
4.3.3 Direção de turma ... 109
5 Conclusões e Perspetivas Futuras ... 112
Referências bibliográficas ... 117 Anexos ... XXV
Índice de Figuras
Figura 1- Entrada da ESAG... 23
Figura 2- Campo de Jogos GN1 e GN2………24
Figura 3- Espaço Fitness ... 24
Figura 4- Campo de Jogos G1, G2 e G3………..25
Figura 5- Sala de professores ... 25
Figura 6- Campo de jogos exterior ... 25
Figura 7- Material ... 26
Figura 8- “Modelo hipotético de mediação total das relações entre variáveis relacionadas à mobilidade na educação física e no comportamento de atividade física” (Cox et al., 2008) ... 63
Figura 9- Modelo prático-reflexivo de desenvolvimento/formação profissional (Wallace, 1991) ... 107
Índice de Gráficos
Gráfico 1- Distribuição etária/género da TR ... 32
Gráfico 2- Preferência de modalidades da TR ... 34
Gráfico 3- Classificação da disciplina de EF no ano anterior ... 35
Gráfico 4- Motivação para as aulas de EF ... 36
Gráfico 5- Distribuição etária/género da TP ... 37
Gráfico 6- Distribuição etária/género da Turma do Ensino Básico ... 38
Gráfico 7- Contributo das estratégias para a motivação ... 72
Gráfico 8- Modo de contribuição das Estratégias ... 74
Índice de Quadros
Quadro 1- Modalidades lecionadas ... 51
Quadro 2- Especificidades das UD ... 53
Quadro 3- Cronograma 2º período ... 69
Quadro 4- Cronograma 3º período ... 69
Índice de Anexos
Anexo 1- Ficha de caracterização individual do aluno ... XXVII Anexo 2- Cartaz Corta-Mato... XXVII Anexo 3- Teste 1º período ... XXVIII Anexo 4- Teste 2º período ... XXVIII Anexo 5- Ficha de Registo de Ginástica ... XXIX Anexo 6- Ficha de Registo de Atletismo ... XXX Anexo 7- Lista de Verificação de Ginástica ... XXXI Anexo 8- Questionário ... XXXI Anexo 9- Entrevista ... XXXII Anexo 10- Dados A1 ... XXXIII Anexo 11- Resultados A1 ... XXXIII Anexo 12- Dados A2 ... XXXIV Anexo 13- Resultados A2 ... XXXIV Anexo 14- Dados A3 ... XXXV Anexo 15- Resultados A3 ... XXXV Anexo 16- Dados B1 ... XXXVI Anexo 17- Resultados B1 ... XXXVI Anexo 18- Dados B2 ... XXXVII Anexo 19- Resultados B2 ... XXXVII Anexo 20- Dados B3 ... XXXVIII Anexo 21- Resultados B3 ... XXXVIII Anexo 22- Dados C2 ... XXXIX Anexo 23- Resultados C2 ... XXXIX
Resumo
O Estágio Profissional é o fim de um ciclo de formação inicial de professores e o início da integração na vida profissional, onde o estudante-estagiário é confrontado com a realidade profissional. O presente Relatório de Estágio é o culminar de uma etapa e pretende documentar e refletir acerca de todo o percurso realizado de uma estudante-estagiária (a autora). O documento está dividido em cinco capítulos: (1) Introdução, onde é realizada uma contextualização de todo o documento; (2) Enquadramento Pessoal, que aborda questões pessoais e biográficas, assim como as expectativas iniciais e entendimento acerca do Estágio Profissional; (3) Enquadramento Institucional, onde é feita uma caracterização acerca da realização do estágio, tendo em conta a Escola Cooperante, o Grupo de Educação Física, o Núcleo de Estágio e as Turmas; (4) Realização do Estágio Profissional, que se encontra dividido em três áreas, sendo elas Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem, que engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação, assim como o estudo de investigação “O impacto de estratégias da autonomia e da responsabilidade pessoal e social na melhoria dos níveis de motivação dos alunos”, Participação na Escola e Relação com a Comunidade, engloba atividades não letivas e Desenvolvimento Profissional; (5) Conclusões, que incorpora uma reflexão acerca do estágio e do documento em questão.
PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, SER
PROFESSOR, REFLEXÃO, MOTIVAÇÃO.
Abstract
The school placement is the end of teacher´s initial training cycle and the beginning of the integration in working life, where the pre-service teacher is confronted the professional reality. The practicum report constitutes the climax of this stage and intends to document and to reflect about the entire journey as preservice teacher (the author). This document is subdivided in 7 chapters: (1) Introduction, where a contextualization of the entire document is performed; (2) Personal Background, which addresses personal and biographical issues, as well as the initial expectations and significance of the school placement ; (3) Institutional Framework, where a characterization about the practicum is made, taking into account the Cooperating School, the Physical Education-group , the practicum group as well as the Classes of students; (4) professional practice, which is divided in 3 major topics: Organization and Management of Teaching and Learning, including design, planning, practice and evaluation, as well as the research study “Impact of autonomy and personal and social responsibility on improvement of student’s motivation levels”, School Participation and Community Relationship, which contains information about extra-curricular activities and Professional Development; (5) Conclusions, summarizing the reflection regarding the school placement and the document.
KEY WORDS: SCHOOL PLACEMENT, PHYSICAL EDUCATION, BEING A
TEACHER, REFLECTION, MOTIVATION.
Lista de Abreviaturas
AD- Avaliação Diagnóstica
AF- Avaliação Final AS- Avaliação Sumativa CA- Critérios de Avaliação
CJAG- Clube Jovem Almeida Garrett DT- Diretor de Turma
E/A- Ensino-Aprendizagem EC- Escola Cooperante EE- Estudante-Estagiário EF- Educação Física EP- Estágio Profissional
ESAG- Escola Secundária Almeida Garrett
FADEUP- Faculdade de Desporto da Universidade do Porto MED- Modelo de Educação Desportiva
MID- Modelo de Instrução Direta NE- Núcleo de Estágio
PA- Panificação Anual
PAA- Plano Anual de Atividades PC- Professor Cooperante
PEE- Projeto Educativo da Escola PES- Prática de Ensino Supervisionada
PNEF- Programa Nacional de Educação Física PO- Professora Orientadora
RE- Relatório de Estágio
REF- Regimento de Educação Física REP- Relatório de Estágio Profissional RI- Regulamento Interno
TGfU- Modelo de Ensino dos Jogos para a compreensão TP- Turma Partilhada
TR- Turma Residente UD- Unidade Didática
1 Introdução
1 Introdução
O presente documento foi elaborado no âmbito da Unidade Curricular Estágio Profissional, do 2º ano do Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), que obedece ao ordenamento jurídico da formação de professores, apoiado no Decreto-lei nº 43/2007, de 22 de fevereiro, com alterações introduzidas pelo Decreto-lei nº 79/2014, de 14 de maio.
O Estágio Profissional (EP) é uma experiência fundamental no processo de formação do professor, sendo o iníco, mas também o fim de uma etapa essencial para o estudante-estagiário (EE), em que existe a passagem de aluno para professor. Segundo Batista e Queirós (2013, p. 33), o EP “oferece aos futuros professores a oportunidade de imergir na cultura escolar nas suas mais diversas componentes, desde as suas normas e valores, aos seus hábitos, costumes e práticas, que comprometem o sentir, o pensar e o agir daquela comunidade específica”.
É durante este período que o EE coloca em prática o que aprendeu ao longo do percurso académico e também algumas conceções adquiridas durante o ensino secundário. É um ano de vivências e aprendizagens, que visa a integração progressiva e orientada, na vida profissional, com uma abordagem crítica e reflexiva, em que o EE se depara com a realidade, de acordo com Lima et al. (2014), a fase inicial de formação de professores é essencial para a futura profissão, sem esquecer a dificuldade que a ela está inerente.
Se para aprender a andar de bicicleta é necessário cair várias vezes, para aprender a ser professor é preciso ultrapassar vários obstáculos. Tal como o aprender a andar de bicicleta, o EP é o principal elemento de uma prática futura e as quedas são elementos necessários a uma boa aprendizagem.
Segundo Pacheco (cit. por Lima et al., 2014, p. 79), “a passagem a estagiário significa uma descontinuidade tripartida da instituição de formação para a escola, de aluno para professor, da teoria para a prática, destacando-se como fortes e
marcantes fatores de socialização o contexto prático em que se passa a atuar e os elementos que têm a responsabilidade de o avaliar.” Essa passagem tem como palco o EP, que não se trata apenas de uma obrigação curricular, mas também uma oportunidade de desenvolvimento, como sugerem Batista e Queirós (2013, p. 35), “(…) a existência do tempo e do espaço para pensar, analisar, produzir, construir e (re)construir o pensamento, o conhecimento e as conceções é realmente crucial”. É necessário criar rotinas de reflexão, que perdurem na vida futura, segundo as mesmas autoras, “Reconhece-se, portanto, a necessidade de confrontar os estudantes com perspetivas que não apenas as da razão instrumental e utilitária, procurando fornecer ferramentas para uma postura crítica, de reflexão, para que seja duradoura e não fique apenas circunscrita ao contexto de formação inicial”. O EP, ainda para as mesmas autoras, “é considerado um espaço privilegiado de socialização na profissão (…)” (p. 36).
Para a realização da Prática de Ensino Supervisionada (PES), “a FADEUP estabelece protocolos com uma rede de escolas cooperantes, que inclui a escolha de um professor cooperante, um professor de educação física experiente e da confiança da FADEUP para acolher e orientar um grupo de 3 ou 4 estudantes-estagiários (núcleo de estágio), durante um ano letivo, cada qual assumindo uma das turmas do professor cooperante para concretização da sua prática de ensino supervisionada“ (Batista e Queirós, 2013, p. 37-38). Durante o EP, o EE deve assumir a “condução do processo de ensino/aprendizagem e tudo aquilo que o envolve, desde a conceção, planeamento, realização e avaliação, não obstante a turma ser da responsabilidade do professor cooperante.” (p. 43). Durante este ano letivo estive responsável por uma turma e uma turma partilhada, ambas do Ensino Secundário e lecionei uma Unidade Didática (UD) a uma turma do 2º ciclo do Ensino Básico.
A Escola Cooperante (EC) é o cenário da realização da PES, que no meu caso concreto, decorreu num Núcleo de Estágio (NE), constituído por mais um EE, o Professor Cooperante (PC) e a Professora Orientadora (PO), que segundo as mesmas autoras, “(…) coordena a sua ação de supervisão com o professor cooperante e orienta a elaboração do relatório final dos respetivos estagiários”
(p. 41). Com o término da PES, chega o momento de fazer uma reflexão acerca do percurso percorrido e das conquistas alcançadas, através do Relatório de Estágio Profissional (REP).
Em suma, este relatório reflete acerca de todo o percurso relativo ao EP, abordando todos os momentos cruciais, os desafios, os obstáculos, as adaptações e as vitórias e conquistas.
2 Enquadramento Pessoal
2 Enquadramento Pessoal
2.1 Quem sou eu?
Quando nasci, há 23 anos, era a única filha dos meus pais e a única neta dos meus avós e, portanto, o centro de todas as atenções. Nada como começar desde logo a aprender a dominar o “medo do palco”.
Nasci no dia do padroeiro da minha cidade, o dia de São João. Por isso, por muito pouco, não vi alterado o nome que me estava reservado há meses para “Joana” ou “Maria João”. Também, por esse motivo, tenho tido o privilégio de poder celebrar os meus aniversários em grande estilo, com fogo de artifício logo à meia-noite.
Vivo um dia de cada vez e desfruto as singularidades de cada um. Sou impulsiva e vivo com intensidade cada momento que enfrento. Sou sensível e, por vezes, as lágrimas são difíceis de conter, mas também são essas lágrimas que me impulsionam a querer ser sempre mais e melhor. Sou uma líder e sei que, por vezes não sou fácil de lidar, mas só o faço porque apenas me contento com o melhor e espero o mesmo dos outros. Sou sonhadora, não desisto do que quero, insisto e persisto e sinto-me verdadeiramente realizada quando sei que fiz o meu melhor.
Tive uma infância rodeada de amigos e família, elementos fundamentais para o meu crescimento enquanto pessoa. Conheci, viajei, brinquei, fiz birras, cresci, amei e fui amada.
Durante o meu percurso escolar frequentei vários estabelecimentos de ensino, tendo, cada um deles, contribuído para a minha formação educativa e pessoal. Esta vivência como aluna permitiu-me perceber o que é a escola como instituição. Com efeito, cada escola que frequentei era diferente e especial, com culturas distintas, mas em todas encontrei o meu lugar e um espaço para crescer. Em 2001 entrei para o primeiro ano, no Colégio do Sardão, em Vila Nova de Gaia, onde era evidente o foco na educação e transmissão de valores aos alunos. Foi aqui que aprendi a ler e a escrever, dei os meus primeiros passos no
inglês, na música e na dança, nomeadamente no ballet. Foi neste estabelecimento de ensino que iniciei o meu percurso religioso, frequentando a catequese, onde aprendi a importância da obediência, compaixão, prudência e honestidade. O facto de passar lá a maior parte do meu tempo, fez-me perceber o verdadeiro significado de comunidade escolar e até compreender a importância de um bom relacionamento entre todos os elementos da comunidade educativa. A boa relação entre os alunos, professores, funcionários e sem esquecer os pais e encarregados de educação, que eram sempre incluídos nas várias atividades, fazia da escola uma verdadeira casa.
Após dois anos, por motivos de não adaptação da minha irmã ao Colégio, fui obrigada a mudar de escola e no 3º ano ingressei na turma B da escola EB1 Joaquim Nicolau de Almeida, em Vila Nova de Gaia, a dois minutos da casa onde morava na altura. Um mundo diferente, uma pequena escola pública, com poucos alunos, um campo de jogos pequeno e menos espaços de recreio, mas consegui adaptar-me rapidamente à turma e à professora, fazendo logo novos amigos. Com esta mudança, mudou também a atividade desportiva. Assim, passei do ballet à ginástica artística. Aqui conheci realidades diferentes da minha, crianças de diversas classes sociais, culturas e etnias, aprendi valores como partilha, solidariedade, aceitação e altruísmo que ajudaram a construir a pessoa que sou hoje. Percebi que o simples pode ser maravilhoso.
No quinto ano fui para aquela que, ainda hoje, considero que foi a minha segunda casa, muitas vezes a primeira, o Colégio Internato dos Carvalhos. Esta escola marcou-me e ainda hoje sinto saudades por tudo o que lá vivi e aprendi, durante 8 anos. Frequentei o Colégio até ao décimo segundo ano e aqui percebi o que queria ser realmente, tanto profissional como pessoalmente. Aqui adquiri ferramentas, como a resiliência, a confiança e a ambição. Nos últimos três anos optei pelo curso de Animação Sócio Desportiva. Neste curso aprendi tanto, diverti-me, estudei, desafiei-me, dei-me a conhecer, conheci os outros, e foi quando percebi que um dia gostava de ser para alguém o que aqueles professores eram para mim.
Sendo, nesta altura, atleta federada de andebol, já há cinco anos, entendi que tinha de conciliar os dois mundos e trabalhar a dobrar. Com a ajuda de todos os que me rodeavam e compreensão dos mais próximos, com alguma disciplina e dedicação, consegui sempre compatibilizar os treinos, as aulas, os jogos, os testes, os estudos, etc.
Tendo as bases necessárias, consegui o que sempre desejei, entrar na FADEUP. Sítio onde todo o processo de adaptação recomeçou, um lugar novo, com novas pessoas, professores diferentes e um estudo intensivo.
Finda a licenciatura ingressei no Mestrado de Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, altura em que pude, finalmente, dedicar-me, quase em exclusivo, ao que realmente me fascina e que considero ser a minha vocação. A entrada para o mestrado foi atribulada, um misto de emoções, por um lado a felicidade de estar a aprender com os melhores e cada vez mais perto do meu objetivo, mas por outro a perceção de que não ia ser tao fácil como imaginava. Aqui, a cooperação, a imprevisibilidade, o trabalho de equipa, a frustração e a recompensação mostraram o seu verdadeiro significado.
Uma nova realidade que me fez perceber que o meu livro ainda estava nas primeiras páginas e havia um longo percurso a cursar, muitas páginas em branco, que aos poucos vou preenchendo, rabiscando e apagando, voltando a escrever e a escolher o género, o título e a história deste capítulo do livro.
2.1.1 Eu e o desporto
Como já referi, ao longo do meu percurso escolar fui praticando várias modalidades, como o Ballet, a Ginástica e o Andebol, mas a minha lista de modalidades praticadas está longe de estar completa. Ainda antes de iniciar a vida de estudante, entrei para a Natação, nunca tive vontade de competir, apenas aprender o essencial e imprescindível para saber nadar. Entre o Ballet, com 5 anos e a Ginástica, com 8 anos, ainda houve espaço para experimentar Equitação, durante umas férias de verão. Mas foi no Andebol, aos 12 anos, que
tudo começou a ser a sério, isto é: aprendi o que é ganhar e perder, aprendi o valor da cooperação, aprendi a fazer parte de uma equipa. Pratiquei Andebol, durante 8 anos e sempre fui atleta no Clube Jovem Almeida Garrett (CJAG). Sem grandes títulos a nomear, o que realmente trago destes anos é a amizade e o espírito de equipa, a responsabilidade e o respeito, a dedicação e a disciplina, a vitória e a derrota, o verdadeiro prémio e significado do desporto.
Para além de atleta no CJAG, fui treinadora, durante dois anos, de uma equipa dos escalões de formação, as Infantis Femininas. Foi neste momento que o clube me deu a oportunidade de realizar um Curso de Treinadores de Andebol Grau 1. Do feminino para o masculino, tive a oportunidade de treinar uma equipa do Futebol Clube de Gaia, durante dois anos, de infantis a iniciados.
O facto de ter sido treinadora durante 4 anos, antecipou e resolveu alguns problemas que poderia vir a sentir no EP, trouxe alguns benefícios e facilidades na altura de encarar uma turma, lecionar conteúdos e resolver imprevistos.
2.1.2 A escolha pela educação
Desde sempre soube o que queria ser. Desde que entrei para a escola que a Educação Física (EF) foi a minha disciplina favorita e era nessas aulas que me sentia eu. Quando via as minhas amigas a arranjar desculpas para faltar às aulas, fingir doenças ou desprezar a disciplina não entendia e pensava como seria possível não aproveitar aqueles momentos. Momentos esses que nos possibilitavam sair de uma sala de aula e que não nos prendia a uma cadeira e a uma secretária.
Mas foi no ensino básico que conheci o melhor exemplo que tive até hoje, um professor que me fez dizer “Um dia, quero ser como ele”.
O professor do século XXI é aquele que tem a consciência de que mais importante do que o desenvolvimento cognitivo é o desenvolvimento humano. A função do bom professor não é apenas a de ensinar, mas de formar. Segundo Bento (2003, p. 39), o “ensino não é simplesmente a transmissão e apropriação
simples da matéria programática (…) forja o seu pensamento, influencia enormemente a sua vontade, os seus sentimentos e atuação, e sua disponibilidade para o empenho nas tarefas do dia-a-dia”.
Esse professor conseguiu, para além de lecionar os conteúdos necessários, despertar em mim o gosto pela educação física e os privilégios de ser professor. Esse professor é o exemplo que quero ser para os meus alunos.
Foi no ensino secundário, onde já pude optar pelo curso de desporto (Animação Sócio Desportiva), que começou o meu percurso, o caminho para me tornar professora de educação física. Desde essa altura, que a minha motivação aumentou e me ajudou a ultrapassar os obstáculos, até aqui encontrados. Quando chegou a altura de me candidatar ao ensino superior, todos sabiam a resposta, era óbvio “FADEUP”. Uma nova etapa, esta mais difícil e com obstáculos que me “apanharam” um pouco desprevenida.
Ser professor é uma das profissões mais ingratas no mundo do trabalho, pois nem sempre a nossa mensagem é aceite e recebida da forma pretendida, mas por outro lado, é também das profissões mais gratificantes.
Ser professor é ser aluno durante toda a vida, é adquirir um conhecimento contínuo e evoluir conforme evolui a sociedade. Por vezes, não é fácil a adaptação a tantos alunos/turmas. Uma das maiores motivações de ser professor é, realmente, ser difícil.
Ser professor é também, muitas vezes, ser um psicólogo, gerir egos e possíveis problemas.
O professor é um exemplo e carece de muito respeito, pois só assim os seus alunos irão confiar na nossa palavra, a profissão de professor é uma negociação com os nossos alunos, é preciso seduzi-los.
Durante a minha infância sempre fui uma “pulga saltitante”, era uma criança ativa e muito feliz. É essa felicidade que quero que os meus alunos sintam ao praticar desporto. Quero acabar/diminuir a dependência tecnológica que se está a apoderar das “nossas” crianças e jovens.
O exercício físico e o desporto fazem parte da minha vida desde que me lembro, o que é um facto bastante estranho e que, inicialmente, não foi aceite por toda a minha família. Com pais e irmã economistas, dizer que queria seguir desporto e
tornar-me professora de educação física causou, em alguns familiares, uma certa deceção.
Houve alturas em que me senti “o patinho feio” da família e apenas a minha vontade, dedicação e convicção, os fez perceber o que me fazia feliz e qual era o caminho certo a percorrer.
Ser professor não é uma tarefa fácil, é uma profissão complexa, mas não impossível, é uma tarefa louvável, que merece toda a consideração. Na sociedade atual, ser professor de educação física exige uma preparação exigente por parte do profissional.
É necessário possuir um conhecimento específico daquilo que se ensina e transmite aos alunos.
(Vou ser professora e agora? Uma grande etapa da minha vida pessoal e profissional está prestes a começar, e só penso em aproveitá-la ao máximo. Vou ser professora e agora? Chegou a altura de colocar em prática o conhecimento de toda uma vida académica. Vou ser professora e agora? Os medos e dúvidas são muitos, mas espero ultrapassá-los com a ajuda dos que me rodeiam. Vou ser professora e agora? Tenho de trabalhar para atingir os melhores resultados e dar o meu melhor. Vou ser professora e agora?
Diário de Bordo 1, 8 de setembro 2017)
2.2 Expectativas em relação ao estágio profissional
Este ano letivo, com a realização do EP, tinha como objetivo aprender, mas principalmente aprender a ensinar. Esperava adquirir as ferramentas necessárias para consolidar o meu conhecimento teórico, de forma a poder aplicá-lo na prática. Esperava também retirar o melhor proveito possível da primeira experiência daquilo que será o meu futuro profissional. Ao pensar na lecionação durante o ano de estágio, não tinha expectativas mas sim pensamentos e ideias, pensava como seria o primeiro contacto com a escola, o PC, a turma e os alunos, como iriam correr as aulas, as atividades lecionadas e a resolução de problemas.
Algumas das qualidades que considero ter melhorado, durante o EP, foram a capacidade de liderança, agir de acordo com uma perspetiva estratégica clara e inovadora, comunicar de forma a inspirar e motivar, perseguir os objetivos de forma determinada e fomentar um espírito empreendedor e focado no futuro. “A identidade do professor é, pois, um constructo formado por fatores cognitivos e relacionais, interligados por valores pessoais e profissionais, que por sua vez expressam a motivação, a atitude e o compromisso com que os professores enfrentam o seu trabalho” (Teixeira et al., 2018, p. 6).
Segundo Bolivar (cit. por Teixeira et al., 2018, p. 7), a identidade do professor é resultado de uma série de etapas no sentido de construir um processo complexo na construção de uma visão própria de ser professor.
Desde uma fase precoce que tentei saber o que estudantes que já passaram pelo EP sentiam e as suas opiniões e experiências, claro que cada um deles me descreveu diferentes cenários, mas todos concluíam dizendo “recompensador”, “enriquecedor” ou “gratificante”. Neste entendimento, Cunha (cit. por Lima et al., 2014, p. 80), refere que “O professor constrói a sua performance a partir de inúmeras referências. Entre elas estão a sua história familiar, a sua trajetória escolar e académica, a sua convivência com o ambiente de trabalho, a sua inserção cultural no tempo e no espaço”. Ainda segundo Teixeira et al. (2018, p. 8), “Aquilo que o professor faz é influenciado pelo conhecimento que constrói e reconstrói em interação, através da autorreflexão e da reflexão partilhada com os seus pares, o que promove a reconstrução do conhecimento prático”.
As minhas expectativas em relação à escola eram, inicialmente, encontrar um ambiente semelhante ao que já encontrara ao longo da minha vida escolar, sabendo, no entanto, que cada escola, cada local e cada pessoa tem as suas singularidades.
Ao entrar pela primeira vez na escola, como professora estagiária, fui bem-recebida por todos, quer professores, operacionais, funcionários. Penso, que ao longo do ano letivo, consegui manter uma boa relação com toda a comunidade
escolar, sendo esta uma relação também de aprendizagem e partilha de conhecimentos.
O EP é um processo de aprendizagem e integração, onde descobri a minha identidade como professora de educação física. Foi um ano de descoberta, onde tive a oportunidade de vivenciar as mais diversas experiências profissionais e pessoais.
2.3 Entendimento do estágio profissional
“Paralelamente existe a crença generalizada que é nos contextos de ensino reais, em contacto diário com professores experientes, que os futuros professores apreendem a generalidade dos elementos que perfazem a atividade do professor” (Keay cit. por Batista e Queirós, 2013, p. 33).
O EP rege-se pelos princípios resultantes das orientações legais contempladas no Decreto-lei nº 344/89 de 11 de outubro e o Decreto-lei nº 79/2014 de 14 de maio. O EP tem ainda em atenção o Regulamento Geral1 dos segundos ciclos
da Universidade do Porto e da FADEUP.
Segundo as Normas Orientadoras do Estágio Profissional2, é dever dos
estudantes a realização do EP, com PES, devendo cumprir com três áreas de desempenho, sendo elas: Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, Participação na Escola e Relações com a Comunidade e a Área de Desenvolvimento Profissional e ainda a realização do REP.
A PES é realizada numa Escola/Agrupamento de Escolas e na presença de um PC, de acordo com o protocolo estabelecido entre a Escola e a FADEUP, com a orientação de um professor da faculdade.
1 Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao
grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP. Ano letivo 2017/18.
2 Normas orientadoras do Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP. Ano letivo 2017/18.
Segundo Nóvoa (cit. por Batista e Queirós, 2013, p. 34), “é necessário construir uma formação de professores dentro da profissão; e, por isso, o estágio profissional deve ser avocado como terreno privilegiado de início dessa construção.”
Segundo o Perfil Global do Estudante-Estagiário 3 , este deve possuir
conhecimentos em todas as áreas e necessários para a prática, deve ser capaz de o relacionar com a prática, esta de forma interativa, criativa e inovadora. A capacidade de ser gestor de relações humanas, que englobam os alunos, família e escola, surge no sentido do sucesso educativo.
No que diz respeito à sua atuação, para além de ser capaz de ultrapassar os obstáculos inerentes à prática, deve criar um clima motivacional nos alunos e relação saudável com a comunidade escolar. O professor estagiário deve conseguir evitar os problemas de maneira a antevê-los e agir da melhor forma de evitá-los. O professor estagiário deve ser reflexivo e investigar sobre a própria ação. Por fim, deve ainda manter um comportamento social de forma a integrar-se de forma responsável na equipa educativa.
3 Perfil Global do Estudante-Estagiário, do 2º Ciclo de Ensino de Educação Física nos Ensinos
Básico e Secundário da FADEUP, Unidade Curricular de Estágio Profissional, ano letivo 2017/18.
3 Enquadramento Institucional
3 Enquadramento Institucional
3.1 A escola como instituição
No entendimento de Brito (2008, p. 48), “Uma escola não é uma simples instituição pública ou privada que tem por função ensinar, colectivamente, matérias de carácter geral ou especializado. Nem um aglomerado de edifícios, alunos, professores, funcionários, livros, e restantes materiais didácticos. Uma escola é algo dinâmico que contém um “espírito” que a define”. O mesmo autor refere ainda que “Não é por acaso que recordamos umas escolas com mais agrado do que outras, nos orgulhamos mesmo de ter frequentado, pertencido, a uma determinada escola (...) mesmo que ela esteja cheia de defeitos, vamos sempre recordá-la mais tarde como uma parte importante da nossa identidade” pp. 48-49).
Cada escola tem o seu próprio conjunto de valores, dinâmicas, crenças, problemas e qualidades. Cada escola faz com que não sejam as suas 4 paredes a defini-la, mas sim todas as suas vozes, tal como atesta Brito (2008, p. 49), “A escola passou da fase “centrada no mestre” e no conhecimento quase imutável, para uma “escola nova”, “centrada no aluno” (...)”.
O paradigma dos alunos sentados nas suas mesas durante horas, olhando numa só direção e muitas vezes com má postura e um professor, por vezes num patamar mais elevado a tentar passar o seu conhecimento para as “mentes” dos alunos, sem a preocupação do seu entendimento, está agora em processo de mudança. Vários autores apoiam as “escolas do futuro”, teorias que apoiam que a organização do espaço de forma a permitir a circulação dos alunos e em espaços diferenciados podem estimular o interesse e a aprendizagem dos alunos. Mesmo os pais e encarregados de educação apoiam a rotura da ideia da escola mais clássica e automatizada. Segundo Lima (2017), estes discordam de um ensino formatado, apoiando um ensino individualizado, com menos alunos por turma, mais trabalho em aula e menos em casa e um ensino mais apelativo, construtivo e adequado à evolução “do mundo em que vivem”. Este sentimento, é ainda, partilhado pelos professores, que também desejam mudança. Numa
época de mudança, a educação mostra-se determinante para a criação de uma identidade pessoal e consciencialização da importância do “Saber Ser”. Olhar para a escola nesta perspetiva é salientar o seu papel na vida de todos os cidadãos.
Segundo Mota (2017), diretor da ESAG4, “A Escola procura ser uma instituição
de referência na comunidade para o prosseguimento de estudos, apostando na construção de um ambiente de qualidade, assente em relações humanas baseadas no respeito por si e pelo outro, na assunção de uma cultura de rigor, de responsabilização e valorização do trabalho, do conhecimento, para o desenvolvimento de capacidades propiciadoras do sucesso pessoal e escolar de todos os alunos. A Escola pretende ser reconhecida na comunidade.” A mensagem de que toda a comunidade escolar deve preocupar-se com o desenvolvimento pessoal, social e profissional de todos os membros, respeitando as regras de conduta apropriadas à convivência escolar e educativa, ficou bem patente.
3.2 A escola cooperante
A Escola Secundária Almeida Garrett (ESAG), localizada na Praceta Dr. José Sampaio, em Vila Nova de Gaia, situada no centro, está rodeada de edifícios de habitação e localiza-se em frente à Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia e ao Auditório Municipal.
É uma escola que completou, no ano passado, 50 anos e tem como diretor o professor Paulo Mota.
A ESAG é uma escola que trabalha para a formação intelectual, moral e cívica do aluno, valorizando o papel da educação, da formação e da responsabilidade pessoal e social. Esta escola preocupa-se em integrar o aluno na comunidade escolar, incutindo valores de cidadania e respeito pelo próximo. É neste sentido
que a ESAG implementa projetos escolares como o Desporto Escolar, Projeto Eco Escolas, Projeto Jornal da Escola, Projeto de Educação para a Saúde e o Projeto de Voluntariado-Garrett Solidário.
O acesso à ESAG é realizado por uma entrada principal, onde os alunos são obrigados a validar o cartão de estudante, junto à portaria (conforme Figura 1).
Figura 1- Entrada da ESAG
Ao entrar no edifício principal, encontra-se um balcão de atendimento e um átrio recheado de trabalhos que os alunos vão realizando nas várias aulas.
A ESAG está organizada em quatro setores de salas de aula, com cerca de 20 salas cada um, as salas de aula estão todas equipadas com projetor multimédia e computadores com acesso à Internet, sendo que o setor de Artes possui salas específicas do curso, sendo as salas maiores, com mesas individuais e apropriadas para uso de tintas e realização de trabalhos manuais. A ESAG tem ainda três laboratórios de informática, quatro laboratórios de biologia, quatro de física e ainda dois laboratórios de geologia.
A escola tem nas suas instalações um auditório com 120 lugares, uma biblioteca dividia em setores e bastante organizada, uma loja do aluno, uma secretaria, um gabinete de psicologia, o gabinete da direção, o gabinete de psicologia e orientação, uma sala destinada aos diretores de turma e uma sala de
professores, um gabinete de atendimento aos alunos e aos encarregados de educação, o refeitório e o bar.
No que à EF diz respeito, a ESAG possui dois pavilhões gimnodesportivos e um campo exterior.
O pavilhão junto à entrada (GN1 e GN2), onde podem ser lecionadas duas aulas em simultâneo é constituído por um campo de jogos (conforme Figura 2), quatro balneários, duas salas de arrumação de material e, no piso de cima, ainda conta com um espaço de fitness (conforme Figura 3), onde existem algumas máquinas e aparelhos de musculação. Em relação ao pavilhão, há a salientar a qualidade do piso, a excelente acústica que permitiu sempre a lecionação simultânea de aulas sem interferências, assim como a limpeza do espaço.
Figura 2- Campo de Jogos GN1 e GN2 Figura 3- Espaço Fitness
O pavilhão nas traseiras da escola (G1, G2 e G3) é maior e mais recente, permite a lecionação de aulas a três turmas diferentes. Este espaço é constituído por um campo de jogos (conforme Figura 4), um posto médico, dez balneários para os alunos e ainda um balneário para os professores, dois espaços de arrumação de material e, no piso superior, existe ainda uma sala para os professores de Educação Física (conforme Figura 5), equipada com computadores e projetor, onde são realizadas as reuniões desta área disciplinar. Ao contrário do pavilhão anterior, as condições deste eram um pouco mais precárias, salientando-se o piso, que ficava muito escorregadio, por vezes impraticável, devido às condições
climatéricas e de humidade; também a acústica tornava os momentos de instrução um pouco difíceis, pelo facto de ocorrerem 3 aulas em simultâneo. Ainda assim, tal como o pavilhão GN1 e GN2, este também se encontrava sempre extremamente limpo.
Figura 4- Campo de Jogos G1, G2 e G3 Figura 5- Sala de professores
No espaço exterior, existem dois campos de jogos, sendo que um está equipado com três tabelas de basquetebol (conforme Figura 6), tendo dimensões mais reduzidas, outro é um campo de jogos, onde podem ser lecionadas variadas modalidades, como andebol e futebol (conforme Figura 6). Como em todos os espaços exteriores, existe a condicionante das condições atmosféricas, o que fez com que, por vezes, a turma tivesse de abandonar o espaço a meio da aula.
Figura 6- Campo de jogos exterior
No que diz respeito ao material, como foi referido, ambos os pavilhões dispunham de, pelo menos, uma sala de arrumação para o material. Por outro lado, os pavilhões exteriores careciam de material, pelo facto de apenas se poder utilizar limitados equipamentos disponíveis nas salas interiores. Considero ter sido um constrangimento para a realização das aulas exteriores, tendo até levado a uma alteração do planeamento das aulas. Para além disso, o material do pavilhão G1, G2 e G3 não podia ser utlizado no pavilhão GN1 e GN2 e vice-versa. Tal fez com que, exemplificando, os pesos utilizados nos lançamentos do peso na modalidade de Atletismo apenas pudessem ser utilizados num dos pavilhões, o que fez com que todas as aulas onde fosse lecionado este conteúdo tivessem de ocorrer obrigatoriamente à quinta-feira, dia em que a turma tinha aula no pavilhão G1, G2, G3, ou seja, o pavilhão que continha este material em específico. Na globalidade, o material satisfez as necessidades (conforme Figura 7), uma vez que se encontrava em muito bom estado e em quantidade suficiente para a lecionação das aulas. Durante o ano, apenas existiu um caso de falta de material por não se encontrar em condições ideais para a realização das aulas, mas que rapidamente foi reposto, assim que se abordou a professora responsável pela gestão do material.
Quanto ao pessoal docente, a escola contém 118 professores, divididos por 5 departamentos: o departamento de Línguas, com as disciplinas de Português, Francês, Espanhol e Inglês; o departamento de Ciências Sociais que engloba as disciplinas de História, Filosofia, Geografia, Economia e Contabilidade, Educação Especial e EMRC; o departamento de Matemática e Informática, constituído pelas duas disciplinas indicadas; o departamento de Ciências Experimentais, composto pela disciplina de Física e Química e Biologia e Geologia; e por último o departamento de Expressões que engloba as disciplinas de Educação Tecnológica, Artes Visuais e Educação Física.
No que diz respeito ao pessoal não docente a escola conta com 32 assistentes técnicos e operacionais, um coordenador técnico e uma psicóloga.
A ESAG é composta por 1420 alunos, divididos por 51 turmas, sendo que existem 7 turmas de 7º, 8º e 9º anos, 11 turmas de 10º e 11º anos e 10 turmas de 12º ano. No ensino secundário as turmas estão organizadas por cursos, existindo uma turma de Artes Visuais, uma turma de Ciências Socioeconómicas, duas turmas de Línguas e Humanidades e as restantes turmas pertencem ao curso de Ciências e Tecnologias.
A ESAG tem um sistema de aulas de 45 minutos, com um total de seis blocos durante a manhã, sendo que as aulas iniciam às 8h15 e terminam à 13h15, em dias específicos as turmas têm algumas aulas na parte da tarde, tendo, pelo menos, duas tardes livres.
Relativamente à dinâmica e ao ambiente escolar, considero que existia uma boa relação entre todos os membros da comunidade escolar, nomeadamente entre alunos e funcionários e entre os professores das diferentes áreas disciplinares. Verifiquei uma grande heterogeneidade entre os diversos alunos da escola, o que poderia constituir um problema, mas que, na minha ótica, contribui para enriquecer a experiência de estudar na ESAG.
3.3 O grupo de educação física
Ao longo deste ano, para além do PC, tive a oportunidade de contactar e aprender com pessoas maravilhosas. Mas como num jardim existem flores mais e menos bonitas, também na escola existem personalidades com as quais não me identifiquei, atitudes com que não concordei e pessoas menos interessantes.
(Dentro do grupo de professores da escola e do grupo de EF em específico, existem aqueles professores que nos abordam, questionam sobre o desenvolvimento do estágio, que nos dão sugestões ou apenas uma palavra de conforto. Existem professores que olham para nós e simplesmente ignoram. Às vezes sinto-me invisível. (…)
Diário de bordo 4, 29 de setembro 2017) Ao longo do ano, consegui perceber quem realmente estava disposto a ajudar, conversar e partilhar experiências.
((…) também não posso censurar aqueles que, tal como eu, queriam dar o seu melhor e por vezes não tinham muito tempo a “perder com os estagiários”
Diário de bordo 4, 29 de setembro 2017) Não obstante este quadro, nos momentos de reunião, de partilha de opiniões, de conversas acerca de determinadas situações, nos lanches e partilha de experiências, percebi que éramos um grupo e trabalhávamos todos com um objetivo comum: melhorar a qualidade da disciplina de EF.
(O melhor do Grupo de Educação Física: sem dúvida, os momentos de convívio. Após cada reunião, ou em qualquer situação em que encontrássemos mais alguém na sala, havia sempre lugar para conversas ou troca de experiências, muitas vezes com direito a petiscos, levados pelos professores e, quando havia tempo, as conversas prolongavam-se, por vezes durante horas.
Diário de bordo 18, 19 de janeiro 2018)
3.4 O núcleo de estágio
O NE era composto por dois EE, o PC e a PO.
“(…) entende-se que o núcleo de estágio, constituído pelos estudantesestagiários, professor cooperante e orientador da faculdade, devem funcionar como comunidades práticas, levando os estagiários a gerar novo conhecimento e novas competências” (Batista e Queirós, 2013, p. 43). Ainda segundo Rolim
(2013, p. 65), um NE é visto como “uma célula jovem, em pleno crescimento e transformação, composta por um núcleo e um citoplasma”, sendo que o núcleo é composto pelos EE, PC e PO e o citoplasma é toda a comunidade escolar e envolvimento do EP.
Ao meu colega do NE posso chamar de amigo, desde há muitos anos, especificamente 7 anos. Não posso dizer que a adaptação à personalidade, o choque de opiniões ou a forma de trabalhar foram complicadas, porque esse procedimento já tinha ocorrido previamente, o que facilitou muito o trabalho de grupo nos primeiros tempos, existindo uma relação de entreajuda e companheirismo.
(Quando descobri que o meu colega de estágio ia ser o João, pessoa que já conheço há mais de 7 anos, não pude deixar de sentir um alívio e a sensação de que tudo iria correr bem.
Diário de bordo 1, 8 de setembro 2017)
(Fazendo um ponto de situação sobre o trabalho conjunto dos estagiários, posso afirmar que tudo tem corrido bem, eu e o João temos os mesmos pontos de vista e conseguimos tirar proveito um do outro.
Diário de bordo 13, 1 de dezembro 2017) O PC, pessoa de conhecimento imenso e forte personalidade, com bastante experiência, transmitiu-nos ensinamentos que não vêm nos livros e esteve
sempre disponível para ajudar. Uma lição de vida importante foi aprender a ouvir. Escutar é o começo para a aprendizagem, mas o mais importante é aprender a saber escolher a quem dar ouvidos e sem dúvida eu estava perante um exemplo de sabedoria. De acordo com Reina (cit. por Batista et al., 2013, p. 87) “ser professor cooperante, é uma responsabilidade e um desafio e requer ter-se perfil. O professor cooperante tem muita responsabilidade na imagem que dá da educação física aos futuros professores” e ainda segundo Seghers (cit. por Teixeira et al., 2018, p. 9), “(…) o professor cooperante tem um papel significativo no desenvolvimento das conceções e na reinvenção das práticas, estando também em excelente posição para ajudar os estagiários a criarem bases firmes para um futuro profissional bem-sucedido”.
(Hoje conheci o PC, aquele que me vai acompanhar durante todo o ano, aquele que me vai ajudar a ultrapassar dificuldades, aquele que me vai corrigir, aquele que me vai ensinar a ensinar e aquele com quem mais vou aprender. (…) Nos primeiros minutos, estava nervosa e um pouco receosa, sentimentos estes que rapidamente passaram, pois, o professor pôs-me logo à vontade.
Primeiro contacto com o PC, 4 de setembro 2017) Todos os dias aprendi com o PC, este teve a capacidade de me colocar a pensar, a pesquisar e a procurar respostas para as coisas mais comuns, mas acerca das quais nunca me questionei. Como refere Amaral et al. (1996, p. 91), “(…) o supervisor/orientador de estágio será encarado como o produtor de estratégias que irão desenvolver nos futuros professores o desejo de reflectirem e, através da reflexão, a vontade de se desenvolverem em continuum”. Já Teixeira et al. (2018, p. 9), mencionam que “(…) no caso dos formandos, durante a experiência de estágio, são simultaneamente professores e alunos, situação que provoca fragilidades resultantes da tensão entre a teoria e a prática, e neste caso, o papel dos formadores ganha especial relevo, sobretudo no sentido de os ajudar a integrar a teoria na prática para que resulte em conhecimento prático”.
Das maiores certezas que senti, no EP, foi que o PC me iria ensinar tudo o que conseguisse e eu estivesse disposta a aprender.
(Sinto que não podia estar mais agradecida pela sorte que tive com o PC. O professor era exigente, mas, ao mesmo tempo, descontraído. Era profissional, mas divertido. Era de ideias fixas, mas compreensivo. Era professor, mas também amigo. Penso que não consigo arranjar palavras que resumam tudo o que ele me ensinou, por isso deixo este excerto “Os estagiários sentem que o professor cooperante deve estar disponível, sobretudo para os guiar no percurso desse novo papel, o de professor (Teixeira et al., 2018, p. 32)”.
Diário de bordo 35, 15 de junho 2018) Para além do PC, o NE contou ainda com a ajuda da PO, “(…) um docente da FADEUP que coordena e orienta a elaboração do relatório final dos respetivos estagiários” (Batista e Queirós, 2013, p. 41).
A PO sempre se mostrou disponível para nos esclarecer e acompanhar neste percurso, tendo sido também um pilar essencial para a aprendizagem.
(A minha PO está responsável por mais de dez estagiários, pelo que entendo que a gestão de tempo possa ser difícil. Apesar disso, a professora sempre se mostrou disponível para mim.
Diário de bordo 12, 24 de novembro) Posso mesmo afirmar que o veiculado por Rolim (2013, p. 59), aconteceu no meu EP “(…) o estagiário deve olhar os PC e PO como profissionais que estão ali, não em atitudes esfíngicas, mas apenas e só para o ajudar”.
3.5 As turmas
Mesmo com todos os conhecimentos adquiridos e por adquirir, mesmo com as instalações desportivas e mesmo com os professores, nada poderia ter sido posto em prática sem as turmas que acompanhei. Em momentos e locais distintos fui responsável por três turmas: a Turma Residente (TR) do 10º ano de escolaridade, a Turma Partilhada (TP) do 12º ano de escolaridade e uma turma do 2º ciclo do ensino básico, nomeadamente do 5º ano.
Turma Residente
A TR era uma turma do 10º ano do curso cientifico-humanístico de Artes Visuais. A turma era constituída por 22 alunos, sendo 19 do sexo feminino e 3 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos. No Gráfico 1 pode observar-se a distribuição etária/género.
Gráfico 1- Distribuição etária/género da TR
É de referir que no início do ano uma aluna foi transferida para outra turma, no entanto uma outra aluna ingressou na TR, mantendo assim o número de alunos. Ainda assim, é de notar que uma aluna apenas ingressou na turma no começo do 2º período, pelo que, no 1º período a turma era composta por 21 pessoas. No início do ano letivo deparei-me com uma situação incomum: uma aluna com atestado médico, que atestava impossibilidade de realizar atividade física. Contudo, a aluna esteve presente nas aulas, tendo por isso um planeamento específico e tarefas individuais distintas, que teve de realizar ao longo do ano letivo. À exceção desta aluna, os outros estavam aptos para a prática de EF, havendo apenas um caso de hiperatividade com défice de atenção, que não necessitou de cuidados distintos, e dois casos de problemas de costas, que os impossibilitava de realizar determinados tipos de exercícios. Estes últimos casos foram considerados, aquando do planeamento das aulas, existindo sempre
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exercícios alternativos para eles, nomeadamente nos exercícios de força, como os abdominais, em que os alunos apresentavam dificuldades na sua execução. Com o objetivo de saber mais sobre os alunos e obter informações importantes para a lecionação, optei por realizar uma “Ficha de Caracterização Individual do aluno” (Anexo 1), onde para além de alguns dados pessoais, foram abordadas questões relativas à disciplina de EF.
Quanto à escola que frequentaram no ano anterior, 12 alunos já frequentavam a ESAG e 10 alunos estudavam noutro estabelecimento de ensino.
Estes dados provam que aproximadamente metade da turma vivenciou um processo de adaptação à escola, às aulas e às novas regras de funcionamento, aspeto que era de atender, visto que nas aulas de EF havia vários aspetos novos para a maior parte dos alunos, como por exemplo o equipamento obrigatório. Passando agora para as questões relativas à disciplina de EF, foi questionado aos alunos o que esperavam desta disciplina, ao que 5 alunos responderam que o principal objetivo era ter boa nota, pelo que percebi que estes alunos não estavam motivados pelas melhores razões; 6 alunos responderam que gostavam de melhorar as suas capacidades mantendo o corpo e a mente saudáveis. Um aspeto que me chamou atenção e posso dizer que até me preocupou um pouco, foi o facto de, para 5 alunas, ser o primeiro ano a frequentar a disciplina de EF, o que podia ser um problema, visto que não tinham quaisquer bases.
Quando questionados acerca das modalidades preferidas nas aulas de EF, ao que podiam referir até 3 modalidades, as respostas foram as seguintes (conforme Gráfico 2):
Gráfico 2- Preferência de modalidades da TR
Analisando as modalidades selecionadas pelos alunos da TR, a modalidade de badminton foi escolhida por 13 alunos, o voleibol por 8 alunos, o andebol e a ginástica com 7 votos e o atletismo com 5.
Relativamente à prática desportiva federada, 4 alunos disseram praticar uma modalidade semanalmente, sendo que 1 aluna praticava voleibol, 2 alunas praticavam andebol e 1 aluno praticava esgrima. Três alunos referiram ainda que frequentavam o Desporto Escolar, nas modalidades de voleibol (1 aluno) e ginástica acrobática (2 alunos). Por vezes a prática de uma modalidade desportiva é impossibilitada pelo facto de existirem motivos externos, como por exemplo os pais e encarregados de educação, a falta de tempo, as deslocações ou mensalidades. Segundo Adelino et al. (2005, p.15), “(…) tem sido difícil contrariar a tendência de generalizar para o desporto juvenil os princípios e os valores que acompanham o desporto praticado pelos adultos e, muito em particular, aquilo que caracteriza o desporto de alta competição”. Ainda segundo os mesmos autores, “(…) Os jovens que desejam praticar uma modalidade desportiva, deparam com um conjunto de obstáculos que nem sempre conseguem transpor e que condicionam fortemente os efeitos que essa participação lhes provoca”.
Outro elemento que considerei pertinente foi questionar acerca da classificação à disciplina no ano anterior, sendo que 5 alunos não frequentaram a disciplina no ano anterior, 2 alunas estão a repetir o ano, tendo terminado o ano com a classificação de 17 valores, apenas 1 aluno terminou com a classificação de 5, 11 alunos terminaram com a classificação de 4, 3 alunos com 3. Os dados são apresentados no Gráfico 3.
Gráfico 3- Classificação da disciplina de EF no ano anterior
Por último, questionei os alunos sobre a motivação para as aulas de EF (conforme Gráfico 4).
Gráfico 4- Motivação para as aulas de EF
Além destes dados caraterizadores, foi essencial conhecer os alunos à medida que as aulas iam passando. O contacto que mantive com cada um, as atitudes e personalidade que tinham, ajudou-me a ajustar à turma e a criar uma boa relação de professor-aluno.
(Após os primeiros contactos com os alunos, consigo identificar as principais dificuldades e aspetos positivos da TR. Penso que é uma turma com um desempenho satisfatório, porém com falta de motivação e por isso, pouco empenho nas aulas de EF. Com as aulas de avaliação diagnóstica pude perceber especificamente as dificuldades e espero conseguir trabalhá-las e melhorá-las ao longo do ano letivo.
Diário de Bordo 5, 6 de outubro 2017)
Turma Partilhada
A TP era uma turma do 12º ano do curso cientifico-humanístico de Ciências e Tecnologias. Inicialmente uma turma que era constituída por 24 alunos, mas após algumas semanas foi reduzida a 18 alunos, devido a uma transferência para uma turma onde a disciplina opcional era biologia ao invés de química,
sendo constituída por 3 alunos do sexo feminino e 15 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 16 e os 17 anos, como podemos verificar no Gráfico 5:
Gráfico 5- Distribuição etária/género da TP
Pelo facto de se tratar de uma TP, importa explicar a dinâmica de lecionação das aulas ao longo do ano letivo. Foi acordado pelo NE que as aulas seriam lecionadas em semanas alternadas por mim e pelo meu colega do NE. Acredito que esta estratégia foi útil, na medida em que me foi possível acompanhar a evolução dos alunos, algo que não seria possível se o espaçamento entre as aulas lecionadas por mim e as lecionadas pelo meu colega fosse maior; para além disso, também me permitiu lecionar aulas de todas as UD, algo que também não seria possível se o método de distribuição das aulas não tivesse sido este. O facto de ser uma TP, permitiu uma melhor partilha de tomada de decisões, de critérios de avaliação, de estratégias e métodos a utilizar, assim como de opiniões pessoais, o que tornou possível o enriquecimento do processo ensino-aprendizagem.
Acresce ainda o facto de esta turma ter como Diretor de Turma (DT) o PC, algo que contribuiu para aumentar a minha perceção das funções do DT e fez com que fosse, em várias aulas, despendido algum tempo com ações não exclusivas
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da EF, nomeadamente marcações de reuniões com Encarregados de Educação, pontos de situação relativos a outras disciplinas, entre outros.
Tal como mencionado, a turma sofreu uma redução do número de alunos no início do ano, o que obrigou a uma adaptação do NE, em termos de logística, planeamento de aulas e dinâmica de exercícios.
Turma do 2º ciclo
A turma do 5º ano, era da Escola EB 2/3 Teixeira Lopes. Uma turma constituída por 29 alunos, mas apenas 21 alunos realizaram a UD de ginástica, lecionada por mim. A turma era constituída por 7 alunos do sexo feminino e 14 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 9 e os 11 anos, como podemos verificar no Gráfico 6.
Gráfico 6- Distribuição etária/género da Turma do Ensino Básico
Era uma turma bastante heterogénea, onde existiam alunos que adoravam a disciplina de EF, que chegavam à aula antes da hora prevista, que queriam ajudar na montagem do material, que no fim da aula continuavam a fazer os exercícios até à hora da próxima aula, por outro lado, existiam alunos que não
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realizavam as atividades propostas, que perturbavam os outros alunos, que dificultavam a montagem do material e ainda desrespeitavam os colegas e os professores. O facto de existir esta heterogeneidade, os níveis da turma variavam bastante, e no que à modalidade de ginástica diz respeito, os níveis iam do Introdutório ao Avançado, aspeto que dificultou a realização da UD, dos planos de aula e dos próprios exercícios.