MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
IMAGEM CORPORAL E QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES DE MEIA IDADE E IDOSAS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
MARIA SOCORRO MEDEIROS DE MORAIS
IMAGEM CORPORAL E QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES DE MEIA IDADE E IDOSAS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do Título de Doutora em Ciências da Saúde.
Orientadora: Profa. Dra. Maria das Graças Almeida
Natal - RN 2018
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde:
MARIA DO SOCORRO MEDEIROS DE MORAIS
IMAGEM CORPORAL E QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES DE MEIA IDADE E IDOSAS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Aprovada em / /
BANCA EXAMINADORA
Presidente: Professora Doutora Maria das Graças Almeida - UFRN
Membros Titulares:
Professor Doutor Ricardo Oliveira Guerra– UFRN
Professor Doutor Rand Randal Martins - UFRN
Professora Doutora Deyse de Souza Dantas - UFAP
“A verdadeira coragem é ir atrás do seu sonho,
mesmo quando todos dizem que ele é impossível”
DEDICATÓRIA
À minha mãe, Terezinha Barros
de Medeiros, sertaneja valente, mulher
virtuosa, determinada, exemplo de superação, minha referência maior de amor, moral, ética, dignidade e perseverança.
Aos meus filhos, Bruno Miguel
Morais e Arcoverde e Bruna Letícia Morais e Arcoverde que, com amor e
renúncia aceitam minhas escolhas, abrindo mão da minha companhia, cujas compreensões me confortam, suas cumplicidades iluminam meus dias e fortalecem a minha alma.
As Mulheres Parnamirinenses, anônimas, despojadas, confiantes, eivadas de esperança, as quais sirvo há 24 anos, que acreditam no meu trabalho e impulsionam-me a buscar fazer sempre mais.
AGRADECIMENTOS
À Deus
Minha fonte inesgotável de amor e fé, sempre iluminando meu caminho, dando-me forças e direção para seguir e tornando possível o impossível.
A minha mãe, Terezinha Barros de Medeiros (in memorian)
À quem devo tudo! Uma caicoense movida pela fé e coragem que me disse, no dia em que saí de Caicó para estudar em Natal: “Você vai para lutar, para ficar e para vencer”! E assim foi. Teve a alegria de ver-me graduada em enfermagem e medicina, especialista em Ginecologia e Obstetrícia e mestre em ciências da saúde. Viverá para sempre nas minhas melhores lembranças e no meu coração. Neste momento tão importante, sinto sua presença e seu regozijo por mais essa vitória.
Aos meus filhos, Bruno Miguel e Bruna Letícia e minha prima-irmã Elisânia Barros de Medeiros
Vocês são minha base, meu alicerce, minha fortaleza. São vocês quem aguentam minhas reclamações, minhas ausências, meu estresse com a falta de tempo e pressa de querer fazer sempre mais. Amparam-me nos momentos de tristezas, vibram com minha alegria e se orgulham das minhas conquistas. À vocês meu mais puro e devotado amor, o meu sorriso, o meu obrigada. Sem vocês minha vida perderia todo o sentido.
À Prof.ª Dr.ª Maria das Graças Almeida
Minha orientadora, minha mestra, minha amiga, sempre acreditando em mim, com paciência e com a certeza que eu iria concluir esse doutorado, mesmo quando tudo parecia que não. Essa vitória também é sua, minha orientadora.
Ào Prof° Dr. Álvaro Campos Cavalcanti Maciel
Meu co-orientador, meu instrutor, meu mestre, amigo, guia, meu mentoring, o qual tive a sorte de conhecê-lo no final do mestrado, quando fez o tratamento estatístico dos nossos dados, em um momento difícil onde eu
enfrentava uma grave doença de minha mãe. Você pegou-me pela mão e incentivou-me a terminar o mestrado. Assumiu a continuidade do Projeto Menopausa Saudável com suas alunas, e fez dos meus sonhos seus sonhos, estimulando-me a continuar minha formação plena, em busca do doutorado. Minha eterna gratidão por gestos tão altruístas, pela paciência, pela parceria, orientações, entusiasmo e por tantos ensinamentos. Esse título de doutora pertence-lhe, meu mestre! Nossa parceria esta selada desde o primeiro encontro e tenho certeza que será por toda a vida.
As alunas da Pós-Graduação em Fisioterapia
Faço este agradecimento nas pessoas da Profa. Dra. Saionare Maria Aires da Câmara, Gabrielle Matos, Rafaela Andrade do Nascimento, Mariana Carmem Apolinário Vieira e Rafaela Silva dos Santos, pelo apoio, suporte e incentivo, extensivo a todas do grupo.
À Fabio William da Silva
Funcionário do NIPEC – Núcleo Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Potiguar, grande e prestimoso colaborador, entusiasta de nossas causas, e fundamental em todas as fases do Projeto Menopausa Saudável.
Às mulheres voluntárias participantes
As parnamirinenses e as santa-cruzenses, participantes desse estudo, pela altruísmo e confiança no nosso trabalho ao longo desses anos em que as servimos.
À Prefeitura Municipal de Parnamirim
Em particular ao colega médico Dr. Júnior Azevedo, Coordenador da Atenção Básica, aos trabalhadores da Estratégia de Saúde da Família, aos servidores da Maternidade do Divino Amor e a todos aqueles que fazem a Unidade Docente Assistencial – UDA pelo apoio incansável ao Projeto Menopausa Saudável.
Ao LABMULT – Laboratório Multidisciplinar – Faculdade de Farmácia
Com destaque para a Prof.ª Dr.ª Adriana Augusto de Rezende pela valiosa colaboração desde o nascedouro do Projeto de Pesquisa Clínica.
Á UnP – Universidade Potiguar
Em especial a equipe do Núcleo Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão – NIPEC - e ao Curso de Medicina pelo apoio ao projeto.
Ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde
Em especial a Profª Ivonete Batista de Araújo pelos excelentes ensinamentos nos Seminários de Integração; às secretarias do PPGCSA, Kalyene de Lima Moreno e Alana Cruz Bezerra, pela presteza em servir e me atender sempre que precisei.
Aos Professores da Banca de Qualificação
Profa. Dra. Elizabel de Souza Ramalho Viana, ao Pof° Dr. Álvaro Campos Maciel gratidão pelas contribuições, sugestões e correções, que certamente deixará essa tese e os artigos produzidos melhores.
Aos Professores da Banca de Defesa
Profª Dra. Deyse de Souza Dantas, Profº Dr. Ricardo Ney Cobucci, Profº Dr. Ricardo Oliveira Guerra e o Profº Dr. Rand Randal Martins pelas brilhantes contribuições e correções para tornar essa tese digna do título a qual destina-se.
RESUMO
INTRODUÇÃO: O aumento sucessivo da expectativa de vida feminina fomentou um interesse gradativo pelas questões relativas ao envelhecimento das mulheres. Dentre elas, a percepção da imagem corporal pode ocasionar importantes consequências sobre a saúde e qualidade de vida, estando relacionada a condições como depressão, distúrbios alimentares, baixa auto- estima e autoconfiança. Dessa forma, conhecer a relação na qual a mulher em processo de envelhecimento mantém com seu corpo e as possíveis implicações na sua qualidade de vida são fundamentais para que os profissionais da saúde considerem, em suas rotinas, o impacto que isto pode causar nas dimensões físicas, psicológicas, emocionais e mentais, objetivando sempre o melhor cuidado de saúde às mulheres no processo do envelhecimento. OBJETIVOS: 1) Analisar a relação entre a imagem corporal e a qualidade de vida em mulheres de meia idade 2) Investigar a relação entre ganho de peso e a percepção da imagem corporal em mulheres na menopausa e idosas. METODOLOGIA: Foi realizado um estudo transversal, com uma amostra de mulheres com idades entre 40 e 80 anos, residentes nos municípios de Parnamirim/RN e Santa Cruz/RN. Foram coletados dados sociodemográficos, medidas antropométricas e de composição corporal, dosagem hormonal e bioquímica, hipertensão, depressão, história reprodutiva, atividade física, qualidade de vida e percepção da imagem corporal. Para a análise estatística foi realizada a Análise de Regressão Linear Múltipla para os domínios do UQoL e o escore total, ajustado pelas covariáveis que apresentaram p<0,20 na análise bivariada. Além disso, a identificação dos possíveis fatores associados a má percepção da imagem corporal foi realizada mediante análise de regressão logística binária, com cálculo da respectiva odds ratio (OR). Foi considerado p<0.05 em todas as etapas da análise estatística. RESULTADOS: A percepção imagem corporal se relacionou a todos os domínios da qualidade de vida, inclusive com o escore total, com exceção apenas do domínio ocupacional. As mulheres que eram insatisfeitas devido ao baixo peso, quando comparadas àquelas satisfeitas com sua imagem corporal, apresentaram pontuações significativamente menores nos
domínios saúde, emocional e escore total do Uqol. Aquelas que eram insatisfeitas por excesso de peso apresentaram escores menores de Uqol para os domínios saúde, emocional, sexual, bem como para o escore total, em comparação com aquelas satisfeitas com a imagem corporal. Em relação as variáveis que se relacionam a uma má percepção da imagem corporal, destacam-se: IMC, colesterol total, atividade física e paridade, todas com p valor menor que 0,05. Os resultados mostram que, a cada acréscimo de IMC, as mulheres tiveram 1,27 vezes mais chances de estarem insatisfeitas quanto à sua imagem corporal, bem como as mulheres que apresentam colesterol limítrofe e alto (OR = 2,48). Além disso, as mulheres que não praticam atividade física regularmente apresentaram 2,35 vezes mais chances de serem insatisfeitas quanto à sua imagem corporal, enquanto que o maior número de filho foi fator de proteção em relação a má percepção da imagem corporal OR= 0,83. CONCLUSÃO: A insatisfação com a imagem corporal está relacionada a pior qualidade de vida nas mulheres de meia idade e idosas. Além disso, aquelas que possuem maior IMC, colesterol limítrofe e alto e que não praticam atividade física, apresentam maiores chances de serem insatisfeitas com sua imagem corporal.
Descritores: Imagem Corporal, Qualidade de Vida, Envelhecimento, Menopausa.
ABSTRACT
INTRODUCTION: The successive increase in female life expectancy has fostered a gradual interest in issues related to female aging. Among them, the perception of body image can have important consequences on health and quality of life, being related to conditions such as depression, eating disorders, low self-esteem and self-confidence. Thus, knowing the relationship in which the women’s aging maintains with her body and its possible implications on her quality of life are fundamental for health professionals to consider, in their routines, the impact that this can cause on the physical, psychological, emotional and mental, dimensions aiming, always, the best health carefor women in the aging process. OBJECTIVES: 1) To analyze the relationship between body image and quality of life in middle-aged women; 2) To investigate the relationship between weight gain and body image perception in menopausal and elderly women. METHODS: A cross-sectional study was carried out with a sample of women aged between 40 to 80 years old, living in Parnamirim/RN and Santa Cruz/RN. Sociodemographic data, anthropometric and body composition measurements, hormonal and biochemical measurements, hypertension, depression, reproductive history, physical activity, quality of life and body image perception were collected. For the statistical analysis, Multiple Linear Regression Analysis was performed for the UQoL domains and the total score was adjusted by the covariables who presented p <0.20 in the bivariate analysis. In addition, the identification of possible factors associated with poor perception of body image was performed by binary logistic regression analysis, with a corresponding odds ratio (OR) calculation. It was considered p <0.05 at all stages of the statistical analysis. RESULTS: Body image perception was related to all domains of quality of life, including total score, except for the occupational domain. Women who were dissatisfied due to the low weight, when compared to those satisfied with their body image, presented significantly lower scores in the health, emotional and total Uqol scores. Those who were unsatisfied with excess weight had lower Uqol scores for the health, emotional, sexual domains as well as the total score compared to those satisfied with body image. Regarding the variables
that relate to poor perception of body image, we have: BMI, total cholesterol, physical activity and parity, all with p values lower than 0.05. The results show that with each increase in BMI, women were 1.27 times more likely to be dissatisfied with their body image, as well as women with borderline and high cholesterol (OR = 2.48). In addition, women who do not regularly exercise were 2.35 times more likely to be dissatisfied with their body image, while the highest number of children was a protection factor in relation to poor body image perception OR = 0,83. CONCLUSION: The dissatisfaction with body image is related to poorer quality of life in middle-aged and elderly women. In addition, those women with higher BMI, borderline and high cholesterol and those who do not practice physical activity are more likely to be dissatisfied with their body image.
LISTA DE ABREVIATURAS
OMS- Organização Mundial da Saúde
CAMS- The Council of Affiliated Menopause Societies SWAN- The Study of Women Health Across the Nation STRAW- The Stages of Reproductive Aging Workshop TM- Transição Menopausal
FMP- Antecedem o Período Menstrual Final FSH- Hormônio Folículo Estimulante
SC- Síndrome Climatérica AVD- Atividades da Vida Diária SUS- Sistema Único de Saúde NAMS- North American Menopause MW- Minimum Wage
UQol- Utian Quality of Life Questionnaire
SPSS- Statistical Package for the Social Sciences ANOVA- Análise de Variância
IPAQ- International Physical Activity Questionnaire IMC- Índice de Massa Corporal
OR- Odds Ratio
AVC- Acidente Vascular Cerebral
TCLE- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido SM- Salário Mínimo
LISTA DE TABELAS
Artigo 01
Table 1– Characterization of the sample, Parnamirim, RN, Brasil,
2017... 43 Table 2– Relationship between independent variables and the quality of
life domains, Parnamirim, RN, Brazil, 2017……….... 44 Table 3 – Multiple linear regression analysis for the UQoL domains and
total score, Parnamirim, RN, Brazil, 2017………... 45
Artigo 02
Tabela 1 – Caracterização da amostra e análise das covariáveis quanto à imagem corporal (n=453), Parnamirim e Santa Cruz, Brasil, 2017... 59 Tabela 2 - Características da amostra e análises das variáveis antropométricas, de composição corporal, bioquímicas e paridade quanto à imagem corporal. Parnamirim e Santa Cruz, RN,
2017... 61 Tabela 3 - Modelo final de análise de regressão logística para o desfecho
insatisfação com a imagem corporal, Parnamirim, Santa Cruz, RN, Brasil, 2017... 63
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Estágios da Vida Reprodutiva e envelhecimento da Mulher
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 19
1.1 Envelhecimento populacional: A feminização do envelhecimento 19 1.2 Alterações corporais relacionadas a Menopausa e ao envelhecimento 20 1.3 A imagem corporal e qualidade de vida em mulheres na meia-idade e
menopausa 22 2. JUSTIFICATIVA 24 3. OBJETIVOS 26 3.1 Objetivo Geral 26 3.2 Objetivos Específicos 26 4. MÉTODOS 27 4.1 Caracterização da pesquisa 27 4.2 Local da pesquisa 27 4.3 População e amostra 27
4.4 Critérios de inclusão e exclusão 28
4.5 Variáveis do estudo 29
4.6 Intrumentos e Coleta dos dados 30
4.7 Análise Estatística 35
4.8 Aspectos éticos 36
5. RESULTADOS 37
5.1 Artigo 01: Does body image perception relate to quality of life in middle-
aged women? 38
5.2 Artigo 02: Insatisfação com imagem corporal em mulheres de meia idade
e idosas: um estudo transversal 51
6. CONCLUSÃO 72
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 73
8. REFERÊNCIAS 80
9. APÊNDICES 84
1. INTRODUÇÃO
1.1 Envelhecimento Populacional: A feminização do envelhecimento
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua – em 20171
a população idosa brasileira é de 30,2 milhões de pessoas, ou seja, 15,2% da população total. Este número já ultrapassa o percentual de crianças com menos de 10 anos (10,4%)1. Esse envelhecimento acelerado vem produzindo necessidades e demandas que requerem respostas emergenciais, com especial atenção ao envelhecimento das mulheres, a maioria da população de pessoas idosas e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde 1,2.
As mulheres com mais de 50 anos representavam em 2016 17,2% da população global2. No Brasil, em 2017 na faixa etária entre 60 e 70 anos, 56,6% são mulheres, e naquelas com 80 ou mais anos esse percentual cresce para 66,6%1. As mulheres vivem em média cerca de 7,2 anos a mais que os homens e é essa diferença que determina o fenômeno da “feminização do envelhecimento”3
. Assim, pode-se afirmar que o mundo das pessoas idosas é cada vez mais um mundo de mulheres2,4.
Esse aumento progressivo da expectativa de vida das mulheres, a partir da segunda metade do século XX2, desencadeou um interesse crescente pelas questões relacionadas ao envelhecer feminino e ressaltam o fato de que os aspectos conceituais do envelhecimento diferem entre os gêneros5. Dentre os fatores que concorrem para esse fenômeno, destacam-se as diferenças biológicas, as mortes violentas (assassinatos e acidentes), cujas vítimas, quando jovens e adultas, são homens em mais de 90% dos casos, o que incide diretamente na expectativa de vida ao nascer da população masculina. Além disso, o acompanhamento médico contínuo maior entre as mulheres do que entre os homens ao longo de suas vidas parece também ser um fator influenciador4,6.
Assim, é premente a reformulação de políticas públicas intersetoriais pensando o envelhecimento ativo, saudável na perspectiva de gênero, contemplando sobretudo a autonomia, a mobilidade, o acesso a informação e
1.2 Alterações Corporais relacionadas à Menopausa e ao Envelhecimento
Na vida reprodutiva das mulheres existem marcos concretos e definitivos que sinalizam diferentes fases ou passagens de suas vidas. Pode-se afirmar que a chegada dos 50 anos é um desses marcos imbuído de significantes implicações biopsicossociais3.
Este marco do envelhecimento da mulher é a menopausa, que corresponde à parada definitiva da menstruação por 12 ou mais meses, marcando o fim dos períodos ou ciclos menstruais, devido a senescência do eixo reprodutivo, saindo da fase reprodutiva para não reprodutiva3,6. Nessa pesquisa utilizou-se a classificação recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a nomenclatura do The Study of Women Health Across the Nation (SWAN) e The Stages of Reproductive Aging Workshop (STRAW), a primeira nomenclatura que descreve os estágios da vida reprodutiva da mulher, da menarca à pós- menopausa7 (Figura 1).
*FPM – FIM DOS PERÍODOS MENSTRUAIS
Figura 1 – Estágios da Vida Reprodutiva e Envelhecimento da Mulher (Stages of Reproductive Aging Workshop – STRAW). Imagem adaptada de Harlow et al7 2012.
O período que antecede a parada definitiva da menstruação é denominado de Perimenopausa ou Transição Menopausal(TM) com duração bastante variável7. A terminologia dessa fase é diversificada nas publicações, com denominações que se sobrepõe, tais como: perimenopausa, premenopausa, meia-idade, climatério ou transição menopausal1,6. Aqui convencionou-se classificar de meia-idade àquelas mulheres na TM com idade até 60 anos, e idosas, as pós menopausadas, com 60 ou mais anos.
Nessa fase ocorrem alterações bioquímicas e endócrinas, com destaque para as mudanças nos níveis de estrógeno, que não estabiliza até o final da TM, baixos níveis de progesterona e aumento progressivo do Hormônio Folículo Estimulante (FSH) 3,7 .Clinicamente, essa variabilidade hormonal da transição menopausal e da pós menopausa está intimamente relacionada a mudanças no estado de saúde das mulheres, com implicações negativas na qualidade de vida, diminuição da libido, labilidade emocional, interferência no humor e sono, tendência à depressão e dificuldades cognitivas, somando-se os sintomas clínicos da Síndrome Climatérica (SC), tais como, fogachos, suores noturnos, secura vaginal, dispareunia, artralgias, dentre outros. A SC é referida por 60 a 80% das mulheres e tem duração média de 5,5 anos8,9.
Além da SC, a redução dos hormônios sexuais femininos, particularmente a redução dos níveis de estrógeno, também tem sido associada a alterações musculares e de composição corporal com mudanças significativas na distribuição da gordura corporal, com um rápido aumento da massa gorda e à redistribuição da gordura para o abdome 10 e que o tecido muscular não-contrátil, como a gordura muscular, é significativamente maior após a menopausa11. Acredita-se que o estrógeno tenha um efeito protetor sobre o acúmulo de gordura intra-abdominal, aumentando o estoque de gordura na área glúteo-femural e inibindo o estoque na região abdominal10,11. A queda desse hormônio durante a menopausa parece promover um efeito negativo sobre o metabolismo das gorduras, resultando na transição de um padrão ginecóide para um padrão andróide de distribuição de gordura10,11,12,13 com aumento da deposição adiposa principalmente a nível abdominal, comumente identificadas em mulheres na TM e pós-menopausa e que tem um impacto sobremaneira na imagem corporal14.
1.3 A imagem corporal e qualidade de vida em mulheres de meia idade e menopausa
A Imagem Corporal foi definida por Cash e Pruzinsky (2002), como sendo uma construção multifacetada baseada em componentes perceptivos: percepção da aparência física, pensamentos, sentimentos e atitudes sobre o corpo15. É como as pessoas encaram sua própria encarnação, sendo, portanto, uma parte complexa do senso de identidade pessoal16, com determinações multidimensionais, tais como condições econômicas, culturais, influência da mídia e determinantes sociais15,16,17.
A necessidade criada socialmente de um corpo “padrão” que se diferencia entre os gêneros, associado as percepções intrínsecas de cada pessoa sobre o que considera apropriado17, assim como as alterações corporais próprias do envelhecimento16, estão entre as principais causas de mudanças da percepção corporal, que podem ocasionar uma diferença entre a imagem desejada e a imagem real18, gerando a insatisfação com a imagem corporal 19,20 .
A insatisfação com a imagem corporal pode acarretar importantes consequências sobre a saúde e qualidade de vida, estando associada a condições como depressão, distúrbios alimentares, baixa autoestima e auto- confiança19 pode influenciar negativamente a interação social, oportunidades de trabalho, produtividade, status socioeconômico e desempenho psicossocial20,21. Pesquisas correlacionais sugerem uma associação negativa entre Índice de Massa Corporal, Gordura Corporal Total e imagem corporal em mulheres mais idosas16.
No que se refere ao envelhecimento parece provável que as mudanças dele decorrente, somada as alterações climatéricas vivenciadas nessa fase, teriam um efeito deletério sobre a autopercepção corporal da maioria das mulheres22,23, que percebem seus corpos se distanciarem do ideal fino, magro preconizados socialmente como sinais de beleza e juventude23,24. Essa insatisfação com a imagem corporal é um fator preditor da saúde futura bem como da qualidade de vida22,25.
A avaliação da qualidade de vida tem sido cada vez mais utilizada na área da saúde, como medida quantitativa capaz de possibilitar a comparação entre
populações e grupos de pessoas com características diferentes e comorbidades diversas. Especificamente no processo de envelhecimento, a sua importância passou também a ser reconhecida, principalmente, pelo fato de que o profissional da saúde passou a valorar os sentimentos e percepções do paciente sobre as suas doenças, bem como monitorar seu bem-estar frente às medidas terapêuticas voltadas para prolongar a sua vida, aliviar a dor, restaurar funções e prevenir incapacidades26.
Não obstante, a qualidade de vida está relacionada à autoestima e ao bem- estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos, o estilo de vida, a satisfação com atividades da vida diárias (AVD) e o ambiente em que se vive27.
Considerando toda a complexidade inerente ao envelhecimento e de seus possíveis desdobramentos na qualidade de vida da mulher, tem sido proposta esta nova abordagem, na qual se enfatiza a escuta qualificada associada às intervenções clínicas, de forma a possibilitar uma melhor compreensão do processo, onde os aspectos relacionados ao envelhecer se confundem com aqueles resultantes da falência do sistema hormonal feminino28.
Neste sentido, quando as pessoas idosas têm o conhecimento do que acontece em seu corpo, partindo do pressuposto que o conhecimento permite a categorização, controle da atenção, e aquisição de informações visuais, eles conseguem de maneira harmônica buscar alternativas que possam mudar sua realidade. Assim, buscam uma vida saudável e de qualidade em todos os aspectos, tais como: nutricional, físico e mental29.
Neste sentido, buscar compreender a relação entre a autopercepção corporal da mulher no seu processo de envelhecimento e as possíveis implicações disto na sua qualidade de vida são fundamentais para a promoção da saúde. Por isso, não é demais afirmar que os profissionais da saúde, em especial aquelas da atenção básica, necessitam ter esse olhar diferenciado em suas rotinas, seja de avaliação ou intervenção, assim como compreender o impacto que isto pode causar nas dimensões físicas, psicológicas, emocionais e mentais, objetivando, sempre, o melhor cuidado de saúde à mulher idosa.
2. JUSTIFICATIVA
Com o rápido avanço do envelhecimento populacional no Brasil, tem-se a necessidade de entender melhor esse fenômeno para auxiliar a população, os profissionais da saúde, as instituições e os governos na definição e implementação de políticas públicas que favoreçam a qualidade de vida das pessoas idosas, voltados para a promoção da autonomia, mobilidade e preservação da independência física e mental.
Nesse contexto destaca-se o “processo de feminização” do envelhecer, com um número crescente de mulheres idosas, que se sobrepõe ao dos homens. Embora vivam mais, as mulheres idosas têm piores resultados de saúde, de desempenho físico que podem comprometer sua qualidade de vida, e estes começam a acontecer em idades mais precoce em relação aos homens, por volta da transição menopausal.
As mulheres atravessam ao longo de sua história reprodutiva muitas mudanças hormonais, desde o menacme, passando pela gravidez, menopausa à velhice, com diferentes desfechos sobre sua composição corporal e aparência física. A maioria dos estudos, sejam eles internacionais ou nacionais, estão focados em mulheres jovens e/ou na idade reprodutiva 21,30,31,32, com poucos estudos voltados para pessoas com 50 ou mais anos33,34.
Outrossim, um grande corpo de evidência suporta a hipótese de que o declínio nos níveis de estrógeno com a menopausa deve desempenhar um papel no surgimento das alterações na distribuição da gordura corporal, que somadas ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares culminam com alterações na forma e no peso corporal que impactam negativamente na imagem corporal e na qualidade de vida dessas mulheres.
Por outro lado, além de ser a maioria da população brasileira, as mulheres são também as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) e o entendimento sobre fatores sociais e comportamentais que influenciam a saúde na meia-idade pode fornecer dados importantes sobre a incapacidade em idades mais avançadas já que a insatisfação com a imagem corporal parece ter graves consequências para a saúde e para a qualidade de vida dessas mulheres. Por isso, mais estudos são necessários objetivando investigar melhor tais relações,
para que se possam traçar estratégias preventivas que reduzam os prejuízos funcionais decorrentes dessas alterações.
Neste sentido, estudos que avaliem, simultaneamente, a qualidade de vida e a imagem corporal, dois importantes marcadores globais do envelhecimento feminino, podem contribuir para o melhor entendimento deste fenômeno, marcado por inquietações na mulher, bem como muitas vezes negligenciado pelos profissionais da saúde, particularmente em zonas menos favorecidas, como o Nordeste brasileiro.
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Analisar a relação entre a imagem corporal, qualidade vida e fatores associados em mulheres de meia idade e idosas no Nordeste Brasileiro.
3.2 Objetivos Específicos
Artigo 01: Analisar a relação entre a imagem corporal e a qualidade de vida em mulheres de meia idade.
Artigo 02: Avaliar a insatisfação com a imagem corporal e fatores associados em mulheres de meia idade e idosas.
4. MÉTODOS
4.1 Caracterização da pesquisa
Os resultados apresentados nessa tese abrangem dados de um estudo observacional, analítico de caráter transversal, coletado entre 2015 e 2016.
4.2 Local da pesquisa
O estudo foi desenvolvido nos municípios de Parnamirim/RN e Santa Cruz/RN, duas cidades localizados no Nordeste do Brasil, uma na região metropolitana de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, e outra no agreste potiguar, respectivamente. Os dados do presente estudo foram coletados no Núcleo Integrado de Ensino, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária da Universidade Potiguar (NIPEC/UNP), com participantes de meia-idade do Projeto Menopausa Saudável35. Outro grupo de participantes são usuárias de meia-idade e idosas, do ambulatório da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairí (UFRN), localizado na cidade de Santa Cruz (RN). Estes dois locais fazem parte de um estudo observacional, longitudinal em andamento, denominado estudo de base, que tem como objetivo analisar a influência dos estágios menopausais na força muscular, funcionalidade e composição corporal em mulheres de meia-idade e idosas37.
4.3 População e amostra
A população do estudo foi formada por mulheres residentes nos municípios de Parnamirim/RN e Santa Cruz/RN. As participantes residentes no município de Parnamirim, possuíam entre 40 e 65 anos e participavam do Projeto Menopausa Saudável, em andamento no NIPEC/UnP, desde 2007. Segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Parnamirim, havia 18.420 mulheres na faixa etária entre 40 e 65 anos, cadastradas no serviço de atenção básica do município em dezembro de 2015. Enquanto que no município de Santa Cruz as mulheres tinham entre 61 e 80 anos, onde nesta faixa etária havia 2.104 mulheres, segundo dados do IBGE. Neste sentido, para o cálculo do tamanho da amostra total para a pesquisa foram considerados os seguintes parâmetros
estatísticos: prevalência de insatisfação com a imagem corporal de 35%, tamanho da população de 20.524 mulheres, probabilidades de erro tipo I de 5% e de 20% para o tipo II, 10% de perdas, resultando em um valor de 537 participantes. Entretanto, considerando o objetivo de cada estudo, ajustes foram feitos para atender a cada um destes, de forma adequar a metodologia ao tamanho da amostra.
A amostra foi composta por conveniência, após divulgação do projeto nas Unidades Básicas de Saúde dos Municípios participantes e, a partir dos critérios de elegibilidade abaixo descritos, foram selecionadas, inicialmente, 402 mulheres em Parnamirim, mas somente 381 concordaram em participar desse estudo com foco na imagem corporal e qualidade de vida; Em Santa Cruz foram selecionadas 412, com 208 participantes, totalizando as 537 mulheres participantes do estudo total.
4.4 Critérios de inclusão e exclusão
Os critérios de inclusão estabelecidos para o estudo foram: idade entre 40 a 80 anos, irregularidade menstrual nos últimos seis meses e/ou amenorreia por 1 ano ou mais, presença de útero sem anomalias na avaliação ultrassonográfica inicial e ausência de medicação hormonal nos primeiros 90 dias do estudo. Além disso, as que ainda estavam menstruando foram submetidas a dosagem dos níveis plasmáticos de hormônio folículo-estimulante (FSH)> 30 mIU / ml35,36.
Quanto aos critérios de exclusão, foram excluídas mulheres com história clínica de doenças cerebrovasculares e neurológicas como Parkinson, acidente vascular cerebral ou condições similares que pudessem comprometer a força, o equlibrio, a coordenação e a marcha. Também foram excluídas aquelas com doenças mentais graves, com perda de senso da realidade, diabetes mellitus descompensadas e sem tratamento e doença neoplásica. Outros fatores que excluíram a participação foi: fumo, medicamentos que pudessem interferir no perfil lipídico-glicêmico dentro de até 90 dias da entrada no estudo, cirurgias prévias de ooforectomia e/ou histerectomia, as que se recusaram a completar a
coleta de dados, as que não conseguiam compreender o que lhe era perguntado, ou aquelas que desejaram não participar do estudo mesmo quando selecionada 35,36,37.
A participação foi voluntária, sem nenhum incentivo, e ou pagamento.
4.5 Variáveis do estudo
Quadro 01: Lista das variáveis do estudo
Nome Descrição
Tipo
Idade Idade da voluntária em anos Quantitativa
contínua
Escolaridade
Avaliada pelo histórico escolar: Menor que o ensino fundamental (até sete anos), entre fundamental e médio (mais de sete
anos e menos de 11 anos) e ensino médio ou mais (11 anos e mais)
Categórica ordinal
Estado civil União estável: sim ou não Categórica
nominal Etnia Autorrelato de cor: branca, parda ou negra Categórica nominal Renda
Familiar < 3 SM e 3 SM ou mais
Categórica ordinal Peso Medida padronizada do peso, em quilogramas
(Kg)
Quantitativa contínua Altura Medida padronizada da altura, em metros (m) Quantitativa
contínua
IMC Relação entre massa/altura² Quantitativa
ordinal Idade da
menarca
Idade em que ocorreu a primeira menstruação, categorizada em: antes dos 13 anos, aos 13
anos e após os 13 anos
Categórica nominal Número de
partos Quantidade de partos até o presente momento
Quantitativa contínua Paridade Quantidade de partos até o presente momento,
categorizada em: 0 a 2 filhos, 3 filhos ou mais
Categórica nominal Idade materna
no 1º filho
Idade em que a mulher teve o primeiro filho,
dicotomizada em: < 18 anos e ≥ 18 anos Categórica nominal
Estágio menopausal
Avaliado pelo histórico menstrual Classificados em: pré-menopausa (ciclos
menstruais regulares), perimenopausa (irregularidades dos ciclos superior a 7 dias de
atraso até 1 ano de amenorreia), pós- menopausa (ausência de ciclos menstruais há
mais de 1 ano)
Categórica ordinal
Exames bioquímicos
Glicose, Colesterol Total, HDL, LDL, Triglicerídeos, Estradiol
Quantitativa contínua
Diabetes Sim ou Não Categórica nominal Colesterol Categorizado em: normal ou limítrofe e alto Categórica
ordinal
Hipertensão
Sim ou Não
Hipertensão era considerada se a pressão arterial sistólica fosse ≥ a 140 e/ou a pressão arterial diastólica fosse ≥ a 90
Categórica nominal
Depressão Sim ou Não Categórica
nominal Prática de
atividade física regular
Sim ou não Categórica
nominal
Composição corpórea
- % massa gorda e massa magra (avaliadas por meio de bioimpedância);
- Circunferência da cintura; - Circunferência de quadril; - Relação Cintura-Quadril Quantitativa contínua Qualidade de Vida
Avaliado por meio do questionário qualidade de vida Utian Quality of Life (versão adaptada e
Traduzida)
Quantitativa contínua
Imagem Corporal
Avaliada por meio do questionário de Stunkard, categorizada em: insatisfeita por excesso de peso, insatisfeita por magreza ou satisfeita
Categórica ordinal
4.6 Instrumentos e Coleta dos dados
O teste piloto foi realizado com 12 mulheres de Parnamirim e de Santa Cruz, com idade entre 40 e 78 anos para avaliar a aplicabilidade dos instrumentos, a compreensão por parte das entrevistadas e para que os entrevistadores participantes fossem treinados para se familiarizarem com os instrumentos utilizados durante as avaliações e garantir a uniformização da metodologia.
Em seguida, houve a divulgação do projeto nas Unidades Básicas de Saúde dos municípios de Parnamirim/RN e Santa Cruz/RN com o intuito de convidar as mulheres a participarem da pesquisa.
As mulheres que demonstraram interesse foram agendadas para dar início
a avaliação no Núcleo Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão da
Universidade Potiguar (NIPEC – UNP), na cidade de Parnamirim/RN e na Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA - UFRN), na cidade de Santa
. Cruz/RN. Foram esclarecidos os objetivos e procedimentos da pesquisa e aquelas que aceitaram e atendiam aos critérios de inclusão, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Apêndice 1).
4.6.1 – Dados sociodemográficos
Inicialmente foram coletados os dados com relação a idade, escolaridade, renda familiar, estado civil e etnia das participantes.
A variável escolaridade foi categorizada em: até ensino fundamental (0 a 7 anos), entre ensino fundamental e médio (8 a 11 anos) e ensino médio ou mais (12 anos ou mais)37. O estado civil foi dicotomizado em: sim ou não. A etnia autorrelada de acordo com o que a participante relatava ser: branca, parda ou negra. Além disso, a variável renda familiar foi categorizada usando como referência o salário mínimo brasileiro (SM), o qual era fixado em um valor de R$ 788,00, sendo essa variável dicotomizada em menos de 3 SM e 3 SM ou mais37
4.6.2 - Medidas antropométricas e de composição corporal
Os dados de altura e peso foram coletados utilizando-se uma balança digital antropométrica da marca Welmy®, W200 dotada de e estadiômetro para registro da altura. Com as informações de Peso e altura foi calculado o Índice de Massa Corporal (IMC), representado em quilos por metro quadrado(kg/m2), critério utilizado para diferenciar Sobrepeso de Obesidade. Os parâmetros utilizados para essa classificação conforme o IMC foram os do Vigitel e recomendados pelo Ministério da Saúde do Brasil,38 que por sua vez estão de acordo com aqueles preconizados pela OMS 39, que são: 18,5 a 24,99 kg/m2 (normal); 25 a 29,99 kg/m2 (sobrepeso) e >30 kg/m2(obesidade)38,39.
Foram coletados dados referentes à circunferência da cintura e do quadril das voluntárias, os quais foram medidos por meio de uma fita métrica de “fiber glass” com divisões de 1 mm. Para a circunferência da cintura, a participante foi solicitada a permanecer na posição ortostática, com os pés unidos, braços cruzados sobre o tórax e era instruída a relaxar. A medida foi realizada acima das cristas ilíacas, ao final de uma expiração normal. Para a medida da circunferência
de quadril, foi utilizada como referência a maior protuberância glútea. As duas medições foram de acordo com o proposto pelo documento Waist circumference
and waist-hip ratio: report of a WHO expert consulation 35,39.
Além disso, a composição corporal foi avaliada por meio da bioimpedância elétrica In Body R20, o qual calcula automaticamente a massa muscular baseada nas equações de predição do fabricante do equipamento. O aparelho é composto por oito eletrodos, dois em cada pé e dois em cada mão e realiza medições de forma segmentada e em duas frequências, 20 kHz e 100kHz, por meio de uma corrente aplicada de 250 μA. A avaliação de bioimpedância se correlaciona bem com as predições feitas por meio da absorciometria radiológica de dupla energia (DXA)26, sendo considerada uma alternativa confiável e útil para avaliação da massa muscular esquelética40,41. A impendaciometria com o equipamento escolhido fornece Peso, peso de massa muscular, peso de massa gorda, IMC, Percentual de gordura corporal e TMB em kcal , o qual calcula automaticamente baseada nas equações de predição do fabricante do equipamento
Outra forma utilizada para o cálculo dos valores de porcentagem da massa magra e gordura corporal, foi a divisão dos valores da massa magra e gordura corporal pelo total do peso e os resultados foram multiplicados por 100.
4.6.3 – Dosagem hormonal e bioquímica
Os exames hormonais realizados foram as dosagens do Hormônio Folículo Estimulante (FSH) e do estradiol e dos parâmetros bioquímicos (glicemia, colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos). Para a análise bioquímica foram coletados 3 ml de sangue, após jejum noturno de 12 horas, em vacutainer, sem anticoagulante. Em seguida as amostras foram centrifugadas a 3.500 rpm durante 5 minutos para a obtenção do soro e analisados utilizando o kit LabTest®, através do equipamento Labquest - LabTest®. A coleta de sangue para a dosagem do FSH e Estradiol foi realizada nos mesmos tempos daquela para avaliação bioquímica e somente em mulheres com ciclos menstruais. A avaliação hormonal foi realizada pela técnica de quimioluminescência, no equipamento DPC, mod. Immulite 1000, considerando como parâmetro para inclusão dosagens de FSH >30mUi/ml.
(até 199mg/dl), limítrofe e alto (acima de 200mg/dl)42. Quanto aos valores de glicemia o limite foi de 99 mg/dl. Entre 100 e 125 mg/dl foram classificadas como portadoras de Resistência periférica a insulina. Já para serem consideradas com diabetes, as mulheres precisavam ter valores de glicemia em jejum maiores ou iguais a 126mg/dl43. Também eram consideradas como previamente diagnosticas aquelas que estavam cadastradas no Programa HIPERDIA, as quais eram solicitadas a apresentar as carteiras de registro no referido Programa e as receitas dos medicamentos utilizados (anti-hipertensivos e antidiabéticos).
4.6.4 – Avaliação de hipertensão e depressão
Todas tinham suas pressões arteriais mensuradas, com a seguinte técnica: a pressão arterial era mensurada no membro superior direito das voluntárias por um monitor de pressão arterial automático de braço, Omron®, validado clinicamente pela BHS (British Hypertension Society) e a AAMI (Association for the Advancement of Medical Instrumentation). O resultado final para classificação foi a média de três medidas tomada por 3 pessoas (pesquisadores) diferentes. Naquelas que não tinham diagnóstico prévia, a classificação como hipertensa foi naquelas cujas médias da pressão sistólica foi de 140 mmHg ou maior e/ou a média da pressão diastólica igual ou superior a 90 mmHg.42
Foram consideradas como previamente diagnosticadas aquelas que estavam cadastradas no Programa HIPERDIA, como já referido no item anterior.
Em relação à depressão, as participantes foram questionadas a respeito de terem sido diagnosticadas com depressão por profissional da psicologia e/ou psiquiatria com apresentação da receita dos medicamentos que estivessem fazendo uso para averiguação se se tratava de medicamento antidepressivo. Em caso positivo eram alocadas no grupo “sim”, em caso negativo no grupo “não”.
4.6.5 – Atividade física
O questionário utilizado para determinar o nível de atividade física foi a versão curta do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) – Apêndice
2- , validado em uma amostra da população brasileira45. Foi realizada em abordagem de entrevista, tendo como referência a última semana, contendo perguntas em relação à frequência e duração da realização de atividades físicas moderadas, vigorosas e da caminhada. Foram consideradas ativas as participantes que relataram alguma atividade física regular (caminhada, corrida, bicicleta) por pelo menos 30 minutos, três vezes por semana, somando no mínimo 90 minutos. As que não preencheram essa condição foram consideradas sedentárias46.
4.6.6 – História reprodutiva
Com relação a história reprodutiva, foram realizadas as coletas da idade da menarca, idade materna no primeiro filho, paridade e estágio menopausal.
A idade da menarca foi categorizada em: antes dos 13 anos, aos 13 anos e após os 13 anos, porque mais de um quarto das mulheres relataram suas menarcas aos 13 anos.
A idade materna do primeiro filho foi dicotomizada em: antes dos 18 anos e após os 18 anos, com o intuito de separar as mulheres que tiveram filhos na adolescência das outras44.
A paridade foi coletada por meio do autorrelato e foi categorizada em: menos de 3 filhos e 3 filhos ou mais44. Ainda, a variável também foi utilizada em sua forma quantitativa.
O estágio menopausal foi determinado utilizando a classificação de STRAW47, sendo classificado a partir do autorrelato do padrão menstrual das participantes. A transição menopáusica foi subclassificada em 2 fases: pré- menopausa e perimenopausa. Desse modo, as mulheres foram alocadas em um dos seguintes grupos: pré-menopausa (com menstruações irregulares, mas com amenorreia de até 60 dias), perimenopausa (menstruações irregulares, com atrasos maiores que 60 dias e menores que 1 ano) e pós-menopausa (ausência de menstruação 1 ou mais anos)44,47.
Para avaliação da qualidade de vida foi utilizado o The Utian Quality of Life Questionnaire (UQol). Esse instrumento foi adaptado para uso em mulheres brasileiras com alta confiabilidade (α de Cronbach = 0,82) e boa validade48
. Esse questionário contem 23 questões relacionadas a quatro domínios: ocupacional, saúde, sexual e emocional, no qual a participante deve escolher entre cinco alternativas, as quais variam de: “1 – não é verdadeiro para mim” e “5- muito verdadeiro para mim” para cada questão. O escore dos domínios e o escore total foram calculados a partir das respostas das participantes, sendo o maior resultado sendo indicativo de melhor qualidade de vida48.
4.6.8 – Percepção da Imagem corporal
Entre os diversos instrumentos que são utilizados para avaliar a imagem corporal, a escala de Stunkard vem sendo largamente utilizada por estudos epidemiológicos por ser prática, rápida e fácil de ser aplicada49, e apresenta validação para mulheres brasileiras50. Essa escala consiste de desenhos com diferentes formas humanas, numerados de 1 a 9, sendo a primeira silhueta a mais magra e a nona a mais obesa. O conjunto de silhuetas foi apresentado às mulheres, que escolheram duas delas: a que melhor representava a sua aparência física atual e aquela que gostariam de ter. A pontuação da escala foi dada pelo resultado da diferença do número obtido entre a silhueta corporal atual e a silhueta desejada. Assim, um sujeito cujo escore é igual à zero é considerado satisfeito com a sua imagem corporal, enquanto que qualquer outro escore indica insatisfação com a imagem corporal. Quando a diferença se apresenta positiva, significa insatisfação por excesso de peso, e quando negativa, refere-se à insatisfação por magreza.
4.7 Análise Estatística
Os artigos foram analisados utilizando o software SPSS, versão 20.0 (SPSS, Chicago, IL, USA). Inicialmente, foi verificada a normalidade dos dados por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov. Além disso, em todos os testes foi utilizado um nível de significância ou p valor < 0,05 e intervalos de confiança de 95%.
As especificidades das análises de cada um dos artigos serão apresentadas a seguir.
Artigo 1: Foi realizada a análise descritva da amostra, utilizando médias e desvios-padrão para as variáveis quantitativas e frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas. A relação entre a qualidade de vida (domínios e total) e as variáveis categóricas, de acordo com o número de suas categorias, foram avaliados pelo Teste T de Student ou pela ANOVA, utilizando o Post Hoc de Tukey. Por fim, foi realizada a Análise de Regressão Linear Múltipla para os domínios do UQoL e o escore total, ajustado pelas covariavéis que apresentaram p<0,20 na análise bivariada.
Artigo 2: De acordo com as categorias da percepção corporal, foi realizada a análise descritiva da amostra, por meio de médias e desvios-padrão para as variáveis quantitativas e frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas. Foi utilizado o Test T de Student para verificar a relação entre as categorias da percepção corporal e as demais covariáveis. Em seguida, foi realizada Análise de Regressão Logística, sendo ajustadas pelas covariáveis, que apresentaram p<0,20 na análise bivariada, permanecendo nos modelos finais apenas as variáveis com significância estatística, com cálculo das respectivas odds ratio (OR).
4.8 Aspectos éticos
Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com o parecer nº 1.875.802 (Anexo 1). Todas as participantes foram esclarecidas sobre as finalidades da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice 1), em concordância com a Resolução 10/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
5. RESULTADOS
Os resultados e discussões do presente trabalho são apresentados na forma de dois estudos elaborados com os dados coletados, conforme abaixo.
ARTIGO 01: Does body image perception relate to quality of life in middle- aged women?
REVISTA: Submetido e publicado no periódico P l o s O n e, fator de impacto 3.54, qualis A2 da CAPES, na área de Medicina II.
ARTIGO 02: Insatisfação com imagem corporal em mulheres de meia idade e idosas: um estudo transversal
REVISTA: Será submetido no Journal of Aging and Health, fator de impacto 2.16, qualis B1 da CAPES na área de Medicina II.
b. Artigo 02:
INSATISFAÇÃO COM IMAGEM CORPORAL E AUMENTO DE PESO EM MULHERES DE MEIA IDADE E IDOSAS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Maria Socorro Medeiros de Morais¹, Álvaro Campos Cavalcanti Maciel2, Rafaela Andrade do Nascimento2*, Mariana Carmem Apolinário Vieira2, Mayle Andrade Moreira³, Saionara Maria Aires da Câmara4, José Brandão Neto5, Adriana Augusto de Rezende6, Maria das Graças Almeida 6.
1
Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
2
Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
3
Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.
4
Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Santa Cruz, RN, Brasil.
5
Departamento de Medicina Interna da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
6
Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
RESUMO:
Objetivo: O aumento de peso na menopausa parece determinar insatisfação com a imagem corporal em mulheres de meia idade, ambos podem melhorar com a mudança no estilo de vida. Metodologia: Para investigar essa hipótese desenvolvemos esse estudo transversal, analítico com 453 mulheres, com idade 40 a 80 anos nos municípios de Parnamirim e Santa Cruz, Estado do Rio Grande do Norte, nordeste do Brasil. Foram coletados dados sociodemográficos, medidas antropométricas e de composição corporal, exames bioquímicos e dosagem hormonal, atividade física, história reprodutiva e percepção
ratio (OR), considerando um nível de significância de 5,0% e um intervalo de confiança de 95%. Resultados: A média de idade foi de 55,7 (±9,6) anos, das quais apenas 19,2% referiram satisfação quanto imagem corporal e 80,8% insatisfeitas, sendo 44,6% com sobrepeso e 37,1% obesidade em graus variados com 63,2% da amostra sedentárias. Quanto à composição corporal, as mulheres que afirmaram estar satisfeitas com sua imagem corporal apresentaram menores valores de porcentagem de gordura corporal (p < 0,001) e maiores valores de porcentagem de massa magra (p < 0,001). No que se refere aos níveis hormonais, as com maiores concentrações de estradiol estavam mais insatisfeitas por excesso de peso. A análise de regressão logística mostrou que mulheres apresentando maior IMC tiveram 1,27 vezes mais chances de estarem insatisfeitas quanto à sua imagem corporal, bem como as mulheres que apresentam colesterol limítrofe e alto (OR = 2,48; IC: 1,39 – 4,41). Além disso, as mulheres que não praticam atividade física regularmente tiveram 2,35 vezes mais chances de serem insatisfeitas quanto à sua imagem corporal, enquanto que menos filhos agiu como fator de proteção para a má percepção da imagem corporal. Conclusão: Diante do exposto, conclui-se que, a prevalência de insatisfação com a imagem corporal é elevada em mulheres de meia idade e idosas, de uma amostra do Nordeste brasileiro, demonstrando a importância dessa temática dentro do estudo do processo de envelhecimento feminino.
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas observou-se um aumento no número de pessoas idosas na população global, particularmente no gênero feminino. Esta característica se relaciona com o fato de que as mulheres vivem em média cerca de 7,2 anos a mais que os homens e é essa diferença que determina o fenômeno da “feminização do envelhecimento”. Atualmente, as mulheres com mais de 50 anos são 17,2% da população global e essa porcentagem deverá aumentar nos próximos anos1,2.
O marco do envelhecimento da mulher é a menopausa, que corresponde a parada definitiva da menstruação por doze ou mais meses consecutivos, marcando o fim dos ciclos menstruais3. É o resultado da redução da função ovariana, com diminuição na população de folículos e alterações hormonais variadas, sendo a queda do estradiol a mais marcante e importante para a sintomatologia que caracteriza a Síndrome Climatérica e as mudanças corporais, com aumento da deposição de tecido adiposo na região abdominal central4. A menopausa geralmente é causa de muitas preocupações e um dos mais importantes é o medo de ganho de peso, determinando o sobrepeso/obesidade e suas consequências à saúde das mulheres. Ademais, observa-se que a ocorrência de obesidade e síndrome metabólica é três vezes maior na menopausa do que antes dela5,6.
O conceito de sobrepeso e obesidade preconizado e utilizado pelo Ministério da Saúde do Brasil baseia-se nos valores do Índice de Massa Corporal (IMC) - peso dividido por altura7. Assim, para o sobrepeso o Índice de Massa Corporal é > 25 kg/m2, enquanto que para a obesidade implica em IMC igual ou superior a 30 kg/m2. Em 2016, mais da metade da população adulta brasileira (53,8%) com idade acima de 18 anos, tinha sobrepeso/obesidade. Adicionalmente, o ganho de peso, considerado patológico, que evolui para um corpo que não se enquadra nos padrões de beleza impostos pela sociedade pode afetar negativamente a percepção da imagem corporal8.
A imagem corporal foi definida por Cash e Pruzinsk9, como sendo uma construção multifacetada baseada em componentes perceptivos: percepção da
ou saúde e uma avaliação negativa em pessoas insatisfeitas, depressivas e solitárias. A insatisfação da imagem corporal ocorre quando a imagem do corpo percebida difere da imagem corporal ideal ou desejada. Essa insatisfação com a imagem corporal é um fator preditor da saúde futura de mulheres e necessita de intervenções que passam pela mudança no estilo de vida.
Apesar de muitas especulações sobre o tema, ainda pairam muitos mitos e existem poucos estudos que investigam, simultaneamente, se a insatisfação com a imagem corporal e o ganho de peso em mulheres de meia idade são condições associadas as mudanças hormonais do envelhecimento feminino e, portanto, é um evento inevitável, ou é resultado de negligência com o autocuidado, estilo de vida sedentário e/ou baixa autoestima. Ademais, embora exista uma ampla literatura sobre essas duas temáticas, a grande maioria foca em grupos específicos, como adolescentes, jovens e grávidas. Enquanto que, poucos estudos, são conduzidos em mulheres entre 45 e 80 anos, cujo momento de vida é cercado de mudanças sociais, profissionais, sexuais dentre outras.
Neste sentido, a obesidade e imagem corporal parecem ser problemas muito importantes relacionados a menopausa, sendo não só um problema médico, mas econômico e social pelas repercussões já conhecidas na qualidade de vida, na saúde e no próprio envelhecimento das mulheres. Elucidar os fatores determinantes da insatisfação corporal neste período da vida feminina pode melhorar o entendimento e definições de "envelhecimento bem-sucedido" e auxiliar na proposição de intervenções destinadas a melhorar o bem-estar das mulheres maduras10,11.
Diante do exposto, o objetivo do estudo é investigar a relação entre ganho de peso e a percepção da imagem corporal em mulheres em diferentes fases da menopausa, desde a transição até a pós menopausa tardia, em cidades do Nordeste brasileiro, com vistas a estudar e compreender melhor o envelhecimento feminino, visando contribuir com estratégias de prevenção e promoção para o envelhecimento ativo e bem-sucedido.
METODOLOGIA
Desenho do Estudo
Trata-se de um estudo observacional analítico, interdisciplinar, de caráter transversal. Os dados foram coletados entre abril e maio de 2016.
População e amostra
A população foi composta por mulheres com idade entre 40 a 80 anos, residentes nas zonas urbanas das cidades de Parnamirim/RN e Santa Cruz/RN. A partir de avisos de divulgação da pesquisa em centros comunitários e unidades básicas de saúde, 453 mulheres foram recrutadas por amostragem de conveniência, a partir do atendimento aos critérios de elegibilidade a seguir: Ausência de doenças neurológicas, como Parkinson, Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou condições similares que pudessem comprometer, de alguma forma, a coleta dos dados; não ser fumante; ou não ter passado por cirurgia de dupla ooforectomia.
Aspectos éticos
O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com parecer n. 1.875.802 e todas as voluntárias assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), estando de acordo com a resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
Procedimentos
Todas as mulheres foram avaliadas por entrevistadores treinados utilizando um questionário padronizado, o qual era composto por: dados sociodemográficos, medidas antropométricas, atividade física, exames bioquímicos e dosagem hormonal, história reprodutiva e percepção da imagem corporal.
Foram coletados os dados da idade, escolaridade, renda familiar, união estável e etnia das participantes.
A escolaridade foi categorizada em: até ensino fundamental (0 a 7 anos), entre ensino fundamental (8 a 11 anos) e médio e ensino médio ou mais (12 anos ou mais). A renda familiar foi categorizada usando como referência o salário mínimo brasileiro (SM), o qual, no momento da entrevista, era fixado em um valor de R$ 788,00, aproximadamente 250 dólares, sendo essa variável dicotomizada em menos de 3 SM e 3 SM ou mais12.
Medidas antropométricas e de composição corporal
Foram coletados dados de altura e peso para posterior cálculo do IMC. Para diferenciar Sobrepeso de Obesidade, foram utilizados os parâmetros do Vigitel e recomendados pelo Ministério da Saúde do Brasil, ou seja, para o sobrepeso o lMC é > 25 quilos por metro quadrado (kg/m2). Já a obesidade implica em IMC igual ou superior a 30 (kg/m2)7. Adicionalmente, foram coletados dados referentes à circunferência dacintura e do quadril, os quais foram coletados por meio de uma fita métrica.
A composição corporal foi avaliada pela bioimpedância elétrica InBody R20, o qual calcula automaticamente a massa muscular baseada nas equações de predição do fabricante do equipamento. O aparelho utiliza oito eletrodos, dois em cada pé e dois em cada mão e realiza medições de forma segmentada e em duas frequências, 20 kHz e 100kHz, por meio de uma corrente aplicada de 250 μA. A avaliação de bioimpedância se correlaciona bem com as predições feitas por meio da absorciometria radiológica de dupla energia (DXA)13, sendo considerada uma alternativa confiável e útil para avaliação da massa muscular esquelética14.
Para calcular os valores de porcentagem da massa magra e gordural corporal, foram realizadas a divisão dos valores da massa magra e gordura corporal pelo total do peso e os resultados foram multiplicados por 100.
Para avaliar a atividade física, as voluntárias foram questionadas sobre a prática regular de atividade física. Foram consideradas praticantes de atividade física regular quem realizava 3 vezes ou mais por semana por pelo menos 30 minutos12.
Exames bioquímicos e dosagem hormonal
A dosagem do FSH, estradiol e dos parâmetros bioquímicos (glicose, colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos) foram realizados por meio de coleta de sangue por técnicos de laboratórios. Após coletaas amostras foram centrifugadas a 3.500 rpm durante 5 minutos para a obtenção do soro e analisados utilizando o kit LabTest®, através do equipamento Labquest - LabTest®. A avaliação hormonal foi realizada pela técnica de quimioluminescência, no equipamento DPC, mod. Immulite 1000, considerando como parâmetro para inclusão dosagens de FSH >30mUi/ml. Para as análises estatísticas foram considerados os valores brutos e/ou definidas categorias, segundo os pontos de corte estabelecidos na literatura15,16.
História reprodutiva
Em relação à história reprodutiva, quatro variáveis foram consideradas: idade da menarca, idade no primeiro parto, paridade e estágio menopausal. Quanto à idade da menarca, as mulheres foram classificadas de acordo com o autorrelato, em antes dos 13 anos, aos 13 anos e depois dos 13 anos. A idade materna ao primeiro filho foi dicotomizada em antes dos 18 anos e após os 18 anos, com o intuito de separar aquelas com primiparidade na adolescência12. A paridade foi coletada através do autorrelato das participantes, a qual foi categorizada em menos de 3 filhos e 3 filhos ou mais12.
Quanto à idade da menarca, as mulheres foram classificadas de acordo com o autorrelato, em antes dos 13 anos, aos 13 anos e depois dos 13 anos. A idade materna ao primeiro filho foi dicotomizada em antes dos 18 anos e após os 18 anos, com o intuito de separar aquelas com primiparidade na adolescência12. A paridade foi coletada através do autorrelato das participantes, a qual foi