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DO TRABALHO
12.1 COMPETÊNCIA
A competência será designada da seguinte forma: em razão da matéria, das pessoas, da função ou do território.
12.2 COMPETÊNCIA MATERIAL E EM RAZÃO DA PESSOA
O art. 114 da CF define a competência material e em razão da pessoa da Justiça do Trabalho:
“Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I – as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indi-reta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II – as ações que envolvam exercício do direito de greve;
III – as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empre-gadores;
IV – os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quan-do o ato questionaquan-do envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V – os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição tra-balhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, ‘o’;
VI – as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, de-correntes da relação de trabalho;
VII – as ações relativas às penalidades administrativas impos-tas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das rela-ções de trabalho;
VIII – a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, ‘a’, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir;
IX – outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei”.
A Emenda Constitucional n.º 45/2004 foi responsável por uma signifi-cativa ampliação da competência da Justiça do Trabalho. O art. 114, inciso I, estabelece que é competência da Justiça do Trabalho processar e julgar
as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Contudo, o STF, na ADI n.º 3.395, repetindo o entendimento já exposto na ADI n.º 492, tornou defeso à Justiça do Trabalho a apreciação de causas instauradas entre o Poder Público e os servidores a ele vinculados por típica relação baseada no regime estatutário ou jurídico-administrativo.
Conclui-se pela incompetência da Justiça do Trabalho para julgar deman-das entre o Poder Público e seus servidores estatutários. Também não pode-rá demandar na Justiça do Trabalho o servidor contratado pelo ente público, temporariamente, por regime especial previsto em lei municipal ou estadual, à luz do art. 37, IX, da CF/1988, pois toda contratação temporária apresenta índole administrativa, se previsto regime especial em lei própria.
Assim, o processamento de litígios entre servidores temporários e a Ad-ministração Pública na Justiça do Trabalho afronta a autoridade da decisão exarada na ADI n.º 3.395-MC/DF, o que levou os ministros do Plenário do STF, no exame do Recurso Extraordinário n.º 573.202-9/AM, em 21.08.2008, a darem repercussão geral à referida decisão, implicando, nos termos dos arts. 1.035 e 1.036 do CPC (Lei 11.418/2006), a objetivação do julgamento emitido pelo STF, ou seja, os casos análogos serão decididos exatamente no mesmo sentido daquele deliberado pelo órgão pleno no RE n.º 573.202/AM.
Dessa forma, o TST cancelou a OJ 205 da SBDI-110, que estabelecia a competência da Justiça do Trabalho quando alegado o desvirtuamento em tal contratação, mediante a prestação de serviços à Administração para atendimento de necessidade permanente e não para acudir a situação tran-sitória e emergencial.
Sendo assim, é possível ajuizar Reclamatória Trabalhista contra adminis-tração pública direta ou indireta na Justiça do Trabalho apenas quando os servidores estiverem a ela vinculados por relação celetista.
Nos demais casos:
a) tratando-se de servidor público federal, a ação poderá ser ajuizada na Justiça Federal.
b) tratando-se de servidor público municipal ou estadual, a reclamatória poderá ser ajuizada na Justiça Estadual.
A Justiça do Trabalho é também competente para julgar:
• Dissídios em que se pleiteie dano moral e patrimonial decorrentes das rela-ções de trabalho (art. 114, inciso VI, CF);
• Ações que envolvam o exercício do direito de greve (inciso II);
• Mandado de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato
ques-tionado envolver matéria trabalhista (inciso IV);
• Dissídios decorrentes da representação sindical, entre sindicato x sindica-to; sindicato x trabalhador e sindicato e empregador (inciso III);
• Conflitos de competência entre seus órgãos, salvo nos casos de competên-cia do STJ e do STF (inciso V);
• Ações referentes a penalidades administrativas impostas aos empregado-res pelos órgãos de fiscalização do trabalho (inciso VII);
• Execução, de ofício, das contribuições sociais previstas nos art. 195, I, “a”, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. Ressalte-se que a Justiça do Trabalho poderá apenas reter as contribuições
fiscais (Súmula 368, TST), não podendo executá-las de ofício. A Justiça do
Trabalho é competente para a execução da contribuição referente ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) que tem natureza de contribuição para a
se-guridade social (arts. 114, VIII, e 195, I, “a”, ambos da CF), pois se destina
ao financiamento de benefícios relativos à incapacidade do empregado de-corrente de infortúnio no trabalho (súmula 454, TST).
Nos termos da Súmula 389, I, do TST, compete à Justiça do Trabalho
julgar as ações em que se postule indenização substitutiva pelo não forneci-mento das guias do seguro desemprego. Observe:
É competência da Justiça do Trabalho processar e julgar as ações de-correntes do não cadastramento do empregado no PIS. Nesse sentido, é a
Súmula 300 do TST.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu em 20/02/2013, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 586456, que cabe à Justiça Co-mum julgar processos decorrentes de contrato de previdência complementar privada. Como a matéria teve repercussão geral reconhecida, o entendimen-to passa a valer para entendimen-todos os processos semelhantes que tramitam nas diversas instâncias do Poder Judiciário – sobretudo na Justiça do Trabalho.
No mesmo julgamento, o STF decidiu também modular os efeitos da de-cisão e definiu que continuam na Justiça do Trabalho todos os processos que já tiverem sentença de mérito proferida até 20/02/2013. Os demais processos em tramitação que ainda não tenham sentença, a partir desta data, deverão ser remetidos à Justiça Comum.
O STF entendeu que o art. 202, § 2.º, da CF determina que a previdência complementar não integra o contrato de trabalho, tanto que é possível a portabilidade o direito acumulado pelo participante para outro plano, como autoriza o art. 14, II, da LC 109/01.
A competência da Justiça Comum julgar processos decorrentes de con-trato de previdência complementar privada abrange, naturalmente, a comple-mentação de pensão requerida por viúva, de modo que a OJ 26 do TST, que estabelece que “a Justiça do Trabalho é competente para julgar pedidos de complementação de pensão postulada por viúva de ex-empregado, por se tratar de pedido que deriva do contrato de trabalho”, dever ser cancelada.
A respeito da competência da Justiça do Trabalho, ressaltem-se as se-guintes súmulas vinculantes e matérias correlacionadas:
1) Súmula Vinculante 22 do STF:
Antes da Emenda Constitucional n.º 45/2004 havia dúvida quanto à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar o pedido de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes do acidente de trabalho. Assim, algumas ações foram ajuizadas na Justiça Comum e ou-tras na Justiça do Trabalho. Com a Emenda Constitucional n.º 45/2004, foi inserido o inciso VI no art. 114 da Constituição, determinando que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes das relações de emprego. Como o aci-dente de trabalho origina-se dessas relações, a Justiça do Trabalho seria competente para julgar também as ações indenizatórias oriundas desse tipo de acidente.
Apesar da inicial resistência do STF, consolidou-se o entendimento de que após a Emenda referida, as novas ações seriam ajuizadas na Justiça do Trabalho. Porém, o que fazer com as ações que antes de sua promul-gação haviam sido ajuizadas na Justiça Comum? Todas seriam remetidas à Justiça do Trabalho? Apenas as que já possuíam sentença de mérito ou somente aquelas que não possuíam sentença de mérito? O STF, com a
Súmula Vinculante 22, por razões de política judiciária, pacificou o enten-dimento de que somente as ações que tramitavam na Justiça Comum e que não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promul-gação da Emenda Constitucional n.º 45/2004 seriam deslocadas para a Justiça do Trabalho.
Verifique o seu teor:
“Súmula Vinculante 22 do STF. A Justiça do Trabalho é compe-tente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho pro-postas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional n.º 45/2004”.
No mesmo sentido é o entendimento do STJ, consubstanciado na Súmula 367, para as demais ações que se tornaram de competência da Justiça do Trabalho com a Emenda Constitucional n.º 45/2004. Nestas palavras:
“Súmula 367, STJ. A competência estabelecida pela EC n.º 45/2004 não alcança os processos já sentenciados”.
Ainda sobre o acidente de trabalho, vale destacar que a Justiça do Tra-balho é competente para processar e julgar tanto as ações indenizatórias ajuizadas pelo empregado contra o empregador como também as movidas pelos sucessores contra o empregador. Em sentido contrário era o
entendi-mento do STJ, consubstanciado na Súmula 366 do STJ, que foi cancelada.
Dessa maneira é inquestionável a competência da Justiça do Trabalho nos dois casos mencionados.
Por fim, em razão do acidente de trabalho, três ações podem ser movidas: a) pelo empregado ou seus sucessores contra o empregador: de compe-tência da Justiça do Trabalho (art. 114, CF);
b) pelo empregado ou sucessores contra o INSS (denominada ação aci-dentária – postulando benefícios previdenciários): de competência da Jus-tiça Comum Estadual. O art. 109 da Constituição prevê a competência da Justiça Federal, sendo a competência da Justiça Comum Estadual residual. Em seu inciso I, determina que aos juízes federais competem processar e julgar: “as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou opo-nentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho.” Tendo o referido inciso ressalvado a competência da Justiça Federal para as ações decorrentes de acidente de trabalho, as ações movidas pelos empregados ou sucessores contra o INSS, decorrentes de acidente de trabalho, são de competência da Justiça Estadual;
c) pelo INSS contra o empregador (ação regressiva, objetivando o ressar-cimento dos valores referentes aos benefícios que desembolsou em caso de acidente de trabalho causado por negligência do empregador – art. 120,
Lei 8.213/1991): a competência é da Justiça Federal, uma vez que o litígio não tem por objeto a relação de trabalho em si, mas sim o direito regressivo da autarquia previdenciária, que é regido pela legislação civil.
2) Súmula Vinculante 23:
O art. 114, em seu inciso II, estabelece que: compete à Justiça do Traba-lho processar e julgar as ações decorrentes do exercício do direito de greve.
Com base no referido artigo, o STF, através da Súmula Vinculante 23, pacificou a competência da Justiça do Trabalho para julgar as ações posses-sórias ajuizadas em decorrência do exercício do direito de greve da iniciativa privada: ação de reintegração de posse, quando houver esbulho; ação de
manutenção de posse, na hipótese de justo receio de esbulho ou turbação.
Observe o inteiro teor da Súmula Vinculante 23 do STF:
“Súmula Vinculante 23. A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada”.
Cumpre destacar que a Justiça do Trabalho não tem competência para apreciar controvérsias decorrentes do exercício do direito de greve pelo ser-vidor público estatutário, uma vez que o STF, na ADI n.º 3.395, excluiu da competência da Justiça do Trabalho as ações que sejam instauradas entre o poder público e seus servidores estatutários, oriundas das relações de trabalho, tal como é a greve.
3) Súmula Vinculante 25 e ADI n.º 3.684
O inciso IV do art. 114 da CF confere à Justiça do Trabalho competência para processar e julgar os mandados de segurança, habeas corpus e habeas
data quando o ato questionado envolver matéria de sua jurisdição. Apesar de
a Justiça do Trabalho ser competente para julgar o habeas corpus, o STF, na ADI n.º 3.684, concedeu liminar com efeito ex tunc para declarar a incompe-tência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações penais.
Nos termos da Súmula Vinculante 25, é ilegal a prisão de depositário infiel: “Súmula Vinculante 25. É ilícita a prisão civil de depositário in-fiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”.
Assim, caso o juiz determine a sua prisão, o habeas corpus fundamen-tado na referida súmula poderá ser impetrado, sendo de competência do TRT o seu julgamento. Ressalte-se que a reclamação constitucional também poderá ser proposta perante o STF para a garantia da autoridade da súmula vinculante (art. 103-A, § 3.º, CF).
Confira o teor da Súmula Vinculante 25 do STF:
A incompetência em razão da matéria é absoluta. Pode ser declarada pelo Juízo, de ofício, ou mediante alegação das partes (art. 795, § 1.º, CLT).
A incompetência material da Justiça do Trabalho deve ser alegada em preliminar de contestação, nos termos do art. 337, II, do CPC.
12.3 COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA FUNÇÃO
A competência funcional ou em razão da função concerne à distribuição das atribuições cometidas aos diferentes órgãos da Justiça do Trabalho, de acordo com o que dispõem a Constituição, as leis processuais e os regimen-tos internos dos tribunais trabalhistas.
12.4 COMPETÊNCIA TERRITORIAL
A regra para a definição da competência territorial na Justiça do Trabalho é o local da prestação de serviço ou da contratação, consoante reza o caput do art. 651 e § 3.º da CLT.
12.5 COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR
Na Justiça do Trabalho esse critério não é utilizado para fixação da compe-tência. O valor dos pedidos apenas determina o rito processual.
À luz do art. 651, § 2.º, da CLT, quando for parte de dissídio agente ou via-jante comercial, a competência será da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado, e, na falta, será competente o juízo da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.
12.6 COMPETÊNCIA INTERNACIONAL
Empregado brasileiro contratado para trabalhar no estrangeiro poderá de-mandar no Brasil, salvo se houver convenção internacional dispondo em contrário (art. 651, § 2.º, CLT).
A grande questão é a seguinte: qual a legislação material aplicável quan-do o empregaquan-do brasileiro é contrataquan-do para trabalhar em outro país? São duas as situações:
• empregado brasileiro contratado para trabalhar no estrangeiro, quando não transferido: é regido pelo princípio da territorialidade, segundo o qual a legislação aplicável é a do país da prestação dos serviços.
• empregado transferido: aplica-se a legislação mais favorável (Lei 7.064/1982
– alterada em 2009).
As hipóteses de transferência estão previstas no art. 2.º da Lei 7.064/1982. Observe:
“Art. 2.º Para os efeitos desta Lei, considera-se transferido: I – o empregado removido para o exterior, cujo contrato estava sendo executado no território brasileiro;
II – o empregado cedido à empresa sediada no estrangeiro, para trabalhar no exterior, desde que mantido o vínculo trabalhista com o empregador brasileiro;
III – o empregado contratado por empresa sediada no Brasil para trabalhar a seu serviço no exterior”.
Para os empregados transferidos aplica-se a legislação material mais fa-vorável, nos termos do art. 3.º da Lei 7.064/1982, in verbis:
“Art. 3.º A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido assegurar-lhe-á, independentemente da observância da legislação do local da execução dos serviços: (...)
II – a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho, naquilo que não for incompatível com o disposto nesta Lei, quan-do mais favorável quan-do que a legislação territorial, no conjunto de normas e em relação a cada matéria”.
12.7 CONFLITO DE COMPETÊNCIA
Nos termos do art. 66 do CPC, o conflito de competência pode ser po-sitivo ou negativo. No primeiro caso, dois ou mais juízes se declaram com-petentes para julgar a causa. Já na segunda hipótese, dois ou mais juízes se declaram incompetentes para julgar o processo. Por fim, pode ocorrer conflito de competência quando houver divergência entre dois ou mais juízes acerca da reunião ou separação de processos.
O conflito de competência originado entre os órgãos da Justiça do Tra-balho será solucionado pelas normas contidas na própria CLT (arts. 803 e seguintes, que observam o critério de hierarquia) e pelos arts. 102, I, “o”, e 105, I, “d”, da CF.
Seguem abaixo os artigos mencionados:
“Art. 102, CF. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipua-mente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I – processar e julgar, originariamente: (...)
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Jus-tiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;
(...)”
“Art. 105, CF. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I – processar e julgar, originariamente:
(...)
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalva-do o disposto no art. 102, I, ‘o’, bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; (...)”
“Art. 803, CLT. Os conflitos de jurisdição podem ocorrer entre: a) Juntas de Conciliação e Julgamento e Juízos de Direito investi-dos na administração da Justiça do Trabalho;
b) Tribunais Regionais do Trabalho;
c) Juízos e Tribunais do Trabalho e órgãos da Justiça Ordinária; d) Revogada pelo Decreto-Lei n.º 8.737, de 19.01.1946”.
“Art. 808, CLT. Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos:
a) pelos Tribunais Regionais, os suscitados entre Juntas e entre Juízos de Direito, ou entre uma e outras, nas respectivas regiões; b) pelo Tribunal Superior do Trabalho, os suscitados entre Tri-bunais Regionais, ou entre Juntas e Juízos de Direito sujeitos à jurisdição de Tribunais Regionais diferentes;
c) Revogada pelo Decreto-Lei n.º 9.797, de 09.09.1946;
d) pelo Supremo Tribunal Federal, os suscitados entre as autori-dades da Justiça do Trabalho e as da Justiça Ordinária (esta alí-nea deve ser confrontada com o art. 105, I, ‘d’, da Constituição, conforme a seguir demonstrado)”.
Assim, os conflitos de competência serão resolvidos pelos TRT’s, TST, STJ e STF.
Caberá ao STJ apreciar o conflito quando ocorrer entre órgãos de justiças diferentes. Preceitua o art. 105, I, “d”, da CF que incumbe ao STJ resolver os conflitos entre quaisquer tribunais; entre tribunais e juízes a ele não vincula-dos e entre juízes vinculavincula-dos a tribunais diversos, ressalvada a competência do STF, prevista no art. 102, I, “o”, da CF.
Por sua vez, a competência será do STF quando o conflito envolver tri-bunal superior. Prevê o art. 102, I, “o”, da CF que compete o STF julgar os
conflitos entre o STJ e qualquer outro tribunal; entre tribunais superiores e entre tribunais superiores e qualquer outro tribunal.
Veja quadro com resumo dos conflitos de competência:
Conflito Observações Órgão Julgador • Conflito entre dois juízes do
tra-balho
• Conflito entre juiz do trabalho e juiz de direito investido da jurisdi-ção trabalhista
Ambos subordina-dos ao mesmo TRT
TRT
(art. 808, “a”, CLT)
• Conflito entre dois juízes do tra-balho
• Conflito entre juiz do trabalho e juiz de direito investido da jurisdi-ção trabalhista
Subordinados a TRTs diversos
TST
(art. 808, “b”, CLT)
• Conflito entre dois TRTs TST
(art. 808, “b”, CLT) • Conflito entre órgãos de justiças
diferentes como, por exemplo: a) conflito entre juiz do trabalho e juiz de direito;
b) conflito entre juiz do trabalho e juiz federal;
c) conflito entre TRT e juiz federal; d) conflito entre TRT e juiz de direito.
STJ
(art. 105, I, “d”, CF)
• Conflito envolvendo Tribunal Su-perior.
STF
(art. 102, I, “o”, CLT)
Em razão do princípio hierárquico, não se configura conflito de competên-cia entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do trabalho a ele vinculada,
sendo nesse caso aplicada a Súmula 420 do TST:
“Súmula 420, TST. Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada”.
Da mesma forma, não há conflito de competência entre um TRT e o TST. É vedado à parte interessada suscitar conflitos de jurisdição quando já houver oposto na causa exceção de incompetência (art. 806, CLT).
E, por fim, no ato de suscitar o conflito deverá a parte interessada produ-zir a prova de existência dele (art. 807, CLT).
12.8 QUESTÕES
1. (OAB VIII – FGV) Se for instalado conflito de competência positivo entre dois juízes
do Trabalho de Pernambuco, qual será o órgão competente para julgá-lo?
(A) O TST. (B) O STJ.
(C) O TRT de Pernambuco. (D) O STF.
2. (OAB V – FGV) Com relação à competência material da Justiça do Trabalho, é
correto afirmar que:
(A) não compete à Justiça do Trabalho, mas à Justiça Federal, o julgamento de ação anulatória de auto de infração lavrado por auditor fiscal do trabalho.
(B) é da competência da Justiça do Trabalho o julgamento das ações ajuizadas em face da Previdência Social que versem sobre litígios ou medidas cautelares relativos a acidentes do trabalho.
(C) de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é da competência da Justiça do Trabalho processar e julgar a ação de cobrança ajuizada por profissional liberal contra cliente.
(D) a Justiça do Trabalho é competente para julgar ação ajuizada por sindicato de cate-goria profissional em face de determinada empresa para que esta seja condenada a repassar-lhe as contribuições assistenciais descontadas dos salários dos empre-gados sindicalizados.
3. (OAB XIII – FGV) Pedro, estivador, logo trabalhador avulso, está insatisfeito com
os repasses que lhe são feitos pelos trabalhos no Porto de Tubarão. Pretende ajuizar ação em face do operador portuário e do Órgão Gestor de Mão de Obra – OGMO. Como advogado de Pedro, indique a Justiça competente para o processamento e julgamento da demanda a ser proposta.
(A) Justiça Comum Federal, dado que o avulso não tem vínculo de emprego com os réus e a matéria portuária é de âmbito nacional.
(B) Justiça do Trabalho.
(C) Justiça Comum Estadual, pela ausência de relação empregatícia, sendo o avulso uma espécie de trabalhador autônomo.
(D) Poderá optar pela Justiça Comum Estadual ou Justiça do Trabalho, caso pretenda o reconhecimento de vínculo de emprego.
4. (OAB XIX – FGV) Hudson ajuizou ação na Justiça do Trabalho na qual postula
exclusivamente diferenças na complementação de sua aposentadoria. Hudson explica que, durante 35 anos, foi empregado de uma empresa estatal e contribuiu para
o ente de previdência privada fechada, da qual a ex-empregadora é instituidora e patrocinadora. Ocorre que, ao longo do tempo, os empregados da ativa tiveram re-ajustes salariais que não foram observados na complementação da aposentadoria de Hudson, gerando diferenças, que agora o autor cobra tanto da ex-empregadora quanto do ente de previdência privada. Considerando o caso e de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta.
(A) O processo deverá ser remetido pelo Juiz do Trabalho para a justiça estadual. (B) A reclamação trabalhista deverá ser extinta sem resolução do mérito por falta de
competência.
(C) A ação trabalhista deverá ter curso normal, com citação e designação de audiência para produção de provas.
(D) O destino do feito dependerá dos termos da contestação, pois pode haver prorro-gação de competência.