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Andréa Mendes Sampaio Scherer*
As flores da Bahia
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Foto: Dendê Produções
O mercado de flores movimenta hoje algo em torno de US$ 64 bilhões por ano. Dois terços dele pertencem à Holanda. Apesar de crescente, a participação do Brasil no comércio de flores é incipiente. O Instituto de Economia Agrícola (IEA), de São Paulo, acompanha a evolução da floricultura nacional e seus dados apontam que, em 2005, o Brasil exportou US$ 25,8 milhões, um crescimento de 9,4% em relação a
2004, mas que representa apenas 0,04% do mercado global.
No Brasil, o gasto com flores per capita ao ano, é de US$ 6,00, ainda muito baixo se comparado ao dos países desenvolvidos. Mesmo assim, este valor chegou ao dobro do veri-ficado em 1994. A Noruega, um dos países de maior consumo de flores, gasta US$ 143,00 per capita ao ano. A diferença entre o consumo brasi-leiro e o de outros países desenvol-vidos permite inferir que há um imen-so potencial de mercado de flores ainda inexplorado no Brasil.
As exportações brasileiras de flo-res e plantas ornamentais somaram
pouco mais de US$ 15 milhões no período de janeiro a junho de 2006, valor 7,95% maior que o obtido no mesmo período do ano passado, quando foram exportados pelo país US$ 13,979 milhões. O resultado positivo deveu-se, essencialmente, a notável recuperação nos valores em-barcados no último mês de junho, de US$ 4,779, os quais superaram em 39,6% as vendas realizadas no mesmo mês de 2005. Note-se que, em relação ao ano anterior, o Brasil vinha, até então, apresentando de-sempenhos mensais negativos ou com índices de crescimento muito modestos.
O
mercado
de flores
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Como decorrência, a balança comercial da floricultura mostrou, no mesmo período, saldo positivo de US$ 9,825 milhões, com concen-tração dos seus melhores resultados também no último mês de junho. As importações totais, no semestre, fecharam em US$ 5,265 milhões, com valor equivalente a 34,89% do total dos valores exportados. Esse indicador é relevante, pois sinaliza para a retomada dos investimentos setoriais. Ao passo que, para produzir e exportar flores e plantas orna-mentais, o Brasil necessita impor-tar insumos básicos para a ativi-dade, especialmente bulbos, mudas, matrizes e sementes de plantas
destacando, a partir de 2001, como importante alternativa de trabalho e renda para as mais diversas classes da população, tornando-se o mais novo setor econômico e produtivo na agricultura baiana.
A produção de flores e plantas ornamentais se desenvolve em di-versas regiões da Bahia, e é grande a diversidade de espécies cultivadas, tanto de clima tropical, como subtro-pical ou temperada.
A cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais passa por um processo de consolidação, onde produtores, fornecedores de insumos, atacadistas e consumidores viven-ciam o desenvolvimento do setor de maneira rápida e progressiva, alavan-cando o mercado interno e caracteri-zando-se como importante diferen-cial estratégico e mercadológico para o Estado.
Estima-se que a Bahia produz cerca de 300 mil dúzias de flores tropicais e subtropicais por ano, movimentando, no mercado ataca-dista, mais de R$3 milhões/ano, além de plantas ornamentais e folhagens produzidas em aproximadamente 50 municípios baianos. Portanto, o volume comercializado na Bahia ultrapassa a casa dos R$ 15 milhões/ ano no atacado, que equivale dizer que deste montante, a participação dos produtos baianos no mercado gira em torno de 20%.
Um dos passos decisivos para incentivar a atividade no Estado foi o surgimento do Programa Flores da Bahia, que tem contribuído de forma significativa para a expansão de áreas de produção, nas diferentes e favoráveis condições de clima, alti-tude e solo que o Estado oferece.
Criar uma base produtiva para o desenvolvimento e sustentabilidade da atividade floricultura foi um desafio para o Programa Flores da Bahia, por se tratar de um segmento relativamente novo, onde a tecno-logia encontrava-se ainda distan-te da realidade praticada no mer-cado nacional, o material genéti-co utilizado estava ultrapassado e a especialização de técnicos era incipiente.
Numa iniciativa das Secretarias da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária - SEAGRI e de Combate à
Foto: Dendê Produções
geneticamente melhoradas, protegi-das e exportaprotegi-das por países onde a floricultura já é uma atividade mais tradicional e desenvolvida, como a Holanda, Alemanha, Japão, EUA e outros.
O Brasil contabilizou 30 desti-nos compradores, especialmente na Europa (14 diferentes países, incluindo os do Leste Europeu), América do Norte (EUA e Canadá) e Ásia (Japão, China, Hong Kong e Tailândia), além das Américas Cen-tral e do Sul e África. Portanto, os principais importadores das flo-res e plantas ornamentais brasilei-ras continuaram sendo a Holanda (50,09%), EUA (21,29%), Itália (9,63%), Japão (4,94%) e Bélgica (4,41%).
No momento, os exportadores brasileiros acompanham esperan-çosos o desenrolar da reforma cam-bial prometida pelo governo. Há grandes expectativas de que se apro-ve o fim da cobertura cambial obri-gatória, mecanismo pelo qual os exportadores se veriam desobri-gados de vender no Brasil, num prazo determinado, a moeda estrangeira obtida como resultado de suas ven-das. Assim, esses valores poderiam ser mantidos em depósitos no exterior, servindo, por exemplo, como fonte de pagamento de futuras importa-ções de insumos. Acredita-se que esta mudança poderá trazer maior racionalidade às operações de co-mércio exterior, através da sim-plificação dos processos e proce-dimentos burocráticos, da elimi-nação dos custos da intermediação financeira, com conseqüente au-mento da competitividade externa brasileira.
As flores da
Bahia
A atividade floricultura na Bahia não está muito distante da realidade encontrada nos centros produtivos do resto do país, onde se caracteriza como um agronegócio promissor, consta na relação de prioridades em importantes órgãos de apoio e desenvolvimento do setor. Vem se
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Pobreza e às Desigualdades Sociais – SECOMP, o Programa lançou, em 2003, uma ação estratégica denominada “Projetos Comunitá-rios”, com a finalidade de fortalecer os pólos de produção de flores e estimular a expansão da floricultura no Estado.
Com o objetivo de aumentar a área de cultivo, introduzir material genético de alto padrão de qualidade, melhorar a qualidade de vida de famílias carentes e aumentar o nível tecnológico da floricultura nos solos baianos, foram selecionados pela SEAGRI, para fazerem parte dos chamados Projetos Comunitários do Programa Flores da Bahia, os mu-nicípios-pólos de Barra do Choça, Bonito, Cruz das Almas, Ibicoara, Maracás, Miguel Calmon, Mucugê, Paulo Afonso e Vitória da Conquista. Os municípios contemplados firmaram convênios com as Secre-tarias, através das Prefeituras, que participaram financeiramente com 30% do valor total do projeto, além da disponibilização de área de terra própria com infra-estrutura básica, como água, energia e acesso fácil, facilitando a criação de uma forte alternativa de trabalho, renda e divisas para as suas comunidades.
As metas programadas para os nove projetos comunitários con-sistiram em alcançar 40 hectares cultivados com flores, folhagens e plantas ornamentais tropicais e subtropicais, instalar 65 mil m² de estufas agrícolas, seis câmaras frias, nove sistemas de irrigação, adquirir nove caminhões baú isotérmicos refrigerados e inserir 500 jovens carentes no promissor mercado de trabalho.
Até junho de 2006, os projetos tiveram um alcance de cerca de 90% das metas programadas nos sete pólos já implantados e inaugurados, e dois por serem concluídos, conforme demonstrado nos Quadros 1 e 2.
Cada Projeto conta com a ins-talação de estufa agrícola e câmara fria, para o cultivo de 1,5 hectare de flores subtropicais, áreas de telados para o cultivo de 15 hectares de flores e plantas ornamentais tropicais, caminhão baú isotérmico refrigerado, sistema de irrigação automatizado, casa de beneficiamento de flores e
cursos de capacitação em produção, gestão, comercialização, marketing e cooperativismo.
Os Projetos Comunitários con-templam a qualificação profissional de jovens de famílias carentes, a inovação e difusão tecnológica e a produção em escala de flores e plantas ornamentais, com foco no desenvolvimento desse segmento no Estado e na modernização das atividades produtivas.
Inéditos no Brasil, os Projetos Comunitários dão estímulo aos jovens que se incorporam aos trabalhos de produção de flores e plantas ornamentais e isso tem se caracterizado como um forte apelo sobre o trabalho social. Já foram incorporados mais de 300 jovens que estão sendo orientados para a formação e constituição de coo-perativas singulares que no futuro próximo, serão integradas à Coo-perativa Central, para distribuição em Salvador, de toda a produção de flores, folhagens e plantas orna-mentais do Estado da Bahia.
O monitoramento técnico é composto por engenheiros agrô-nomos e técnicos agrícolas cedi-dos por cada Prefeitura Municipal, com regime de tempo integral e o apoio pontual de técnicos locais da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA, além de consultores em capacitação tecnológica nas áreas de fitopatologia, nutrição mineral, comercialização e marketing, con-tratados através de parceria com o SEBRAE/BA.
Atualmente, a gestão dos Projetos está diretamente relacionada ao sucesso do empreendimento, pois a demanda do mercado local e regional ainda não é consolidada e os jovens produtores precisam ter uma visão muito bem definida da oferta de produtos em determinadas épocas do ano. Para tanto, faz-se necessário um apoio muito grande por parte dos envolvidos em cada Projeto.
Nos municípios de Maracás, Barra do Choça, Mucugê e Vitória da Conquista está sendo aplic ada a metodologia GEOR (Gestão Estra-tégica Orientada para Resultados) acompanhada pelo SEBRAE, que monitora ações de esforço coletivo e
Foto: Dendê Produções
demonstra resultados positivos entre os produtores.
Para atender as exigências do mercado, os Projetos Comunitários tiveram que compor um “mix” de produtos bem variado, resultando em um número expressivo de espécies e variedades de flores e folhagens, tanto para corte como para vasos, atingindo um leque de opções para consu-midores, atacadistas e decoradores. Algumas são bem conhecidas, como as rosas, os crisântemos, as gérberas, os lírios, os kalanchoês, as helicônias, e outras nem tanto, a exemplo dos ciclamens, abacaxis ornamentais, amarylis, etc.
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A participação intensiva de Pro-jetos Comunitários e ProPro-jetos Em-presarias de floricultura nos eventos promocionais como feiras e expo-sições, tem se revelado como um im-portante mecanismo para a divul-gação das flores e plantas ornamen-tais produzidas no Estado, além da integração entre produtores, comer-ciantes, fornecedores de insumos e consumidores.
A produção de flores oriundas desses projetos já expressa o impac-to no mercado interno, onde as aqui-sições de produtos vindos princi-palmente do Estado de São Paulo, caíram em média 10%, mantendo-se em uma trajetória crescente.
O desempenho evidencia uma posição de aperfeiçoamento e ama-durecimento, de modo a torná-los capazes de se adaptar, com flexibi-lidade, às novas condições dos mer-cados, possibilitando, também, a compreensão dos fundamentos tec-nológicos do processo produtivo, por parte dos produtores, e na interface com a comercialização de seus pro-dutos.
No Programa Flores da Bahia, todos os projetos empresariais, produtores independentes e asso-ciações contam com o apoio da SEAGRI, no âmbito do agronegócio floricultura, através dos incentivos e serviços estabelecidos.
Considerações
finais
Em virtude da implantação dos nove pólos de produção de flores tropicais e subtropicais citados, a
na área de turismo, pois em Mucugê, por exemplo, o Projeto foi incorpo-rado ao roteiro turístico da região.
Para outros Estados, a implan-tação desses Projetos Comunitários vislumbrou um potencial nunca visto para trabalho com jovens de comuni-dades carentes, fato que propor-cionou intercâmbios entre produtores baianos e produtores das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país, além de visitas constantes de produto-res de outros locais do Estado e de profissionais ligados ao setor.
“Esta é a Bahia das flores. Essas são as flores da Bahia” (Zax Propaganda).
REFERÊNCIAS
BAHIA. Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária. Programa de Desenvol-vimento da Floricultura do Estado da Bahia. Salvador: EBDA, 1996.
BAHIA. Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária. EBAL. Pesquisa de mercado de flores e plantas ornamentais. Salvador, Jun. 1996.
GRUSZYNSKI, C. Produção comercial de crisântemos: vaso, corte e jardim. Guaíba, 2001.
JUNQUEIRA, A. H.; PEETZ, M. S. Floricultura: Brasil retoma o ritmo de crescimento das exportações. Newsleter Cultivar, n.87, jul. 2006.
SILVEIRA, R. B. de A. Situação da floricultura no Brasil. Disponível em: <http:www.uesb.br/ flower/florbrasil.htlm> Acesso em: 20 jul. 2006.
SEBRAE. Agronegócios: jardim de oportuni-dades: Brasília, 2005. (Boletim, nº 1). PARÁ. SECTAM. Floricultura paraense: estudo de mercado. Belém, 2005.
produção baiana está se conso-lidando e se tornando rentável do ponto de vista comercial e no que se refere ao suprimento do déficit de flores e plantas ornamentais no Estado da Bahia. Com vistas a apoiar o setor de flores na Bahia, desde a concep-ção, foi destinado um montante superior a R$ 6,5 milhões para a implantação dos Projetos Comuni-tários, com a participação efetiva das Prefeituras Municipais que, por sua vez, destinaram R$ 1,5 milhão.
Empresários europeus têm de-monstrado interesse em importar as flores tropicais baianas, o que ocorrerá através da Central de Comercialização Flores da Bahia, onde será comercializada no mer-cado atacadista toda a produção de flores, folhagens e plantas orna-mentais do Estado da Bahia. A instalação da Central de Comer-cialização de Flores da Bahia consiste numa obra arrojada, com concepção moderna e capaz de unir todos os elos da cadeia produtiva, devendo ser concluída ainda neste ano, cabendo ao Estado investir mais de R$ 1,2 milhão na sua construção.
No que diz respeito ao mercado local e regional, a grande maioria dos projetos consegue facilmente escoar a produção de flores e plan-tas ornamentais, tanto no municí-pio produtor, como nos municímunicí-pios circunvizinhos e região, fato que demonstra o grande potencial do mercado interno. A rápida integração a esses mercados permite que cada projeto possa expandir a sua área de produção, para atender e consolidar outros mercados, inclusive fortale-cendo o abastecimento para o mercado de Salvador.
O impacto dos Projetos Comu-nitários em alguns municípios criou uma expectativa de negócios também
Foto: SEAGRI / Programa Flores da Bahia