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ATIVIDADES, GESTÃO E CONTAS

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Academic year: 2021

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RELATÓRIO

DE

ATIVIDADES,

GESTÃO

E

CONTAS

(2)

PRIMEIRA PARTE – RELATÓRIO DE ATIVIDADES 4

I. - INTRODUÇÃO 4

1. SUMÁRIO EXECUTIVO ... 4

2. OBJETIVOS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS PARA 2018 ... 7

3. ESTRUTURA INTERNA ... 8

II. - ATIVIDADE EM 2018 10 4. INVESTIGAÇÃO E SANÇÃO DE PRÁTICAS ANTICONCORRENCIAIS ... 10

5. CONTROLO DE OPERAÇÕES DE CONCENTRAÇÃO ... 17

6. DEFESA JUDICIAL DE DECISÕES ... 25

7. ACOMPANHAMENTO DE MERCADOS E ESTUDOS ECONÓMICOS ... 33

8.AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS ... 44

9. COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL ... 56

10. RELAÇÕES INTERNACIONAIS ... 60

11. PROMOÇÃO DE UMA CULTURA DE CONCORRÊNCIA ... 64

SEGUNDA PARTE – RELATÓRIO DE GESTÃO E CONTAS 71 I . - R E C U R S O S H U M A N O S 71 1. ALINHAMENTO ESTRATÉGICO ... 71 2. DESENVOLVIMENTO ... 72 3. PROCESSOS DE RH ... 72 4. COMPROMETIMENTO ... 73 5. OS COLABORADORES DA ADC ... 73 I I . -T E C N O L O G I A S E S I S T E M A S D E I N F O R M A Ç Ã O 76 6. ATIVIDADES DE APOIO À INVESTIGAÇÃO ... 76

7. ATIVIDADES TRANSVERSAIS À ORGANIZAÇÃO ... 77

III. - ANÁLISE ECONÓMICA, FINANCEIRA E ORÇAMENTAL 78 8. ENQUADRAMENTO LEGAL ... 78

9. SITUAÇÃO ECONÓMICA ... 78

10. SITUAÇÃO FINANCEIRA ... 80

11. SITUAÇÃO ORÇAMENTAL ... 83

12. APLICAÇÃO DE RESULTADOS ... 87

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V. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 89

13. BALANÇO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2018 ... 89

14. DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS ... 90

15. DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA ... 91

16. DEMONSTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES NO PATRIMÓNIO LÍQUIDO ... 92

17. ANEXO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ... 93

VI. DEMONSTRAÇÕES ORÇAMENTAIS 116 1. DEMONSTRAÇÃO DE DESEMPENHO ORÇAMENTAL ... 116

2. DEMONSTRAÇÃO DE EXECUÇÃO ORÇAMENTAL DA RECEITA ... 117

3. DEMONSTRAÇÃO DE EXECUÇÃO ORÇAMENTAL DA DESPESA ... 118

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Primeira Parte – Relatório de Atividades

I . - I N T R O D U Ç Ã O

1. Sumário Executivo

A Autoridade da Concorrência (AdC) cumpriu 15 anos de existência em 2018, ano cuja atividade agora se reporta. Criada em 2003 com a missão de assegurar a aplicação das regras de promoção e defesa da concorrência em Portugal, tendo em vista o funcionamento eficiente dos mercados, a afetação ótima dos recursos e os interesses dos consumidores, a AdC orgulha-se de, em mais um ano de atividade, ter feito jus a esse desígnio.

Para 2018, a Presidente do Conselho de Administração, Margarida Matos Rosa, definiu como prioridade a atenção particular a sectores e casos em que o impacto é maior na sociedade, uma vez que a atividade da AdC é transversal a toda a economia. Assim, a AdC adotou duas decisões condenatórias, a primeira relativa a um cartel na manutenção ferroviária que teve origem numa denúncia recebida no âmbito da campanha Combate ao Conluio na Contratação Pública, a segunda no setor dos seguros, das quais resultou a aplicação de coimas num valor total de 12,37 milhões de euros. Tal montante colocou o ano de 2018 como o sétimo com o valor mais alto de coimas aplicadas, entre os 15 anos de existência da AdC.

A condenação de três empresas, bem como de titulares de órgãos de administração e direção, no âmbito desses dois processos, foi decidida em sede do procedimento de transação, previsto na Lei da Concorrência, e no âmbito do qual, as empresas acusadas reconhecem a culpa, abdicam da litigância judicial e, em contrapartida, obtêm uma redução da coima, com benefícios de eficiência e eficácia na atuação da AdC.

No âmbito da investigação e sanção de práticas restritivas de concorrência, a AdC adotou ainda uma decisão de aceitação de compromissos e imposição de condições no setor dos serviços postais. Os compromissos apresentados permitiram ultrapassar as preocupações jusconcorrenciais identificadas pela AdC no mercado de correio tradicional, relacionadas com o acesso à rede de distribuição postal dos CTT - Correios de Portugal, S.A. – Sociedade Aberta (CTT).

Nesta área, registaram-se durante o ano diligências de busca e apreensão em oito instalações de sete entidades relativas a quatro processos nos setores da publicidade, das telecomunicações e alimentar. Além disso, a AdC emitiu quatro notas de ilicitude (acusações) em processos que incidem sobre energia elétrica, seguros, grande distribuição e manutenção ferroviária, abrangendo cartéis, restrições verticais e abuso de posição dominante.

Cumulativamente à intensa atividade de sanção de práticas anticoncorrenciais, a AdC emitiu 48 decisões de controlo de operações de concentração, que deram origem a duas investigações aprofundadas. Uma operação de concentração vertical no mercado de media, a Altice/Media

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Capital, suscitou preocupações de exclusão de acesso de plataformas concorrentes de pay TV a conteúdos essenciais de media, o que, perante a iminente proibição, levou a notificante a desistir do procedimento.

Outras das investigações aprofundadas em controlo de concentrações conduziu a compromissos de desinvestimento pela Rubis II distribuição Portugal, o que permitiu a não oposição à aquisição do negócio de distribuição de gás de petróleo liquefeito (GPL) da Repsol Gás Portugal nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Para além daquelas decisões em sede de controlo de concentrações, a AdC conduziu cinco investigações a operações de concentração não notificadas (gun-jumping) e doze processos de avaliação prévia de operações.

No controlo judicial, observou-se em 2018 um acréscimo significativo de litigância em consequência do reforço da atividade de sanção de práticas anticoncorrenciais, mas com uma elevada taxa de sucesso para a AdC. Os processos judiciais referem-se principalmente a questões de natureza processual, incluindo aspetos relacionados com buscas e apreensão de prova, tratamento de prova, acesso ao processo, confidencialidades, desentranhamento, efeitos de recurso e direitos de defesa.

No âmbito dos seus poderes de supervisão, a AdC desenvolve estudos, análises económicas e inquéritos setoriais e emite pareceres e recomendações sobre matérias de concorrência em setores relevantes da atividade económica, com o objetivo de contribuir para o funcionamento eficiente da economia e promover a dinâmica concorrencial em benefício do bem-estar dos consumidores.

Durante o ano de 2018, a AdC publicou três estudos económicos onde analisou as condições de concorrência nos setores dos serviços financeiros, energia e transportes, emitindo recomendações dirigidas ao decisor público e aos reguladores setoriais.

Em particular, destaca-se a publicação de um Issues Paper sobre inovação tecnológica e concorrência no setor financeiro pelo seu caráter inédito em Portugal, que colocou a AdC na vanguarda da discussão pública sobre as condições de entrada no mercado para operadores cujos modelos de negócio se baseiam em tecnologias aplicadas ao setor financeiro – FinTech. O tema assume particular relevância pelas importantes oportunidades em termos do aumento da concorrência, inovação e bem-estar dos consumidores que representa para o setor. O Issues

Paper focou-se nos serviços de pagamento e no financiamento colaborativo (crowdfunding),

para os quais emite um conjunto de recomendações com vista a mitigar as barreiras à entrada e à expansão identificadas. O documento aborda ainda as tecnologias aplicadas ao setor segurador (InsurTech) e ao aconselhamento e gestão de ativos (robo-advisor). O Issues Paper analisa também regimes regulatórios (sandboxes) promotores de inovação no setor financeiro, recomendando a sua adoção.

O setor da energia foi outro dos temas em destaque, com a publicação de uma nota de análise sobre combustíveis líquidos rodoviários que analisou o setor, assim como ao grau de implementação das recomendações anteriormente efetuadas para promover a concorrência no setor.

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A análise da AdC conclui que o setor dos combustíveis líquidos rodoviários em Portugal é bastante concentrado ao longo da cadeia de valor e apresenta barreiras à entrada e expansão de operadores, em particular nas atividades de refinação e armazenamento. Além disso, apresenta um grau substancial de integração vertical dos principais operadores, desde a saída da refinaria ao retalho. A AdC destaca que parte significativa das recomendações relativas às subconcessões dos postos nas autoestradas não foram implementadas, persistindo, assim, barreiras à entrada na venda a retalho nas autoestradas, pelo que concluiu com uma lista de recomendações para melhorar o funcionamento e as condições de concorrência do mercado. Finalmente, foi abordado o setor dos transportes, com a publicação de um estudo sobre a concorrência no setor portuário em Portugal, que gerou amplo debate entre os stakeholders. Nesse estudo, a AdC desenvolveu uma análise à evolução da concorrência no setor, com vista a contribuir com a perspetiva própria para os processos de atribuição e renegociação dos contratos de concessão, bem como para a otimização do contexto de governação dos portos e da prestação dos serviços portuários.

Este estudo contou com o contributo de um projeto concluído em 2018, o Impact 2020 - Projeto de Avaliação de Impacto Concorrencial de Políticas Públicas, realizado em colaboração com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), para a avaliação de políticas públicas no setor dos transportes e de um conjunto de profissões liberais.

Daqui resultaram mais de 700 recomendações e propostas de ação no seguimento a identificação de entraves à concorrência resultantes da legislação em vigor no setor dos transportes (marítimo e rodoviário) e em 13 profissões liberais, com benefícios estimados para a economia portuguesa de cerca de 380 milhões de euros anuais.

Deste projeto, resultaram ainda Linhas de Orientação sobre Avaliação de Impacto Concorrencial de Políticas Públicas para apoiar decisores políticos a mitigar efeitos negativos de políticas públicas na concorrência.

Além deste projeto específico, a AdC manteve igualmente expressiva atividade na emissão de pareceres de impacto concorrencial da intervenção pública em diferentes setores de atividade económica. Em concreto, a AdC emitiu 11 pareceres e duas recomendações. Os pareceres em apreço foram por iniciativa da AdC ou a pedido de outras entidades.

A AdC realizou em 2018 a V Conferência de Lisboa sobre o Direito e Economia da Concorrência sobre temas atuais de política de concorrência, que contou com cerca de 300 participantes provenientes de congéneres estrangeiras, organizações internacionais, empresas e academia. A par da V Conferência de Lisboa sobre o Direito e Economia da Concorrência, foi realizado um Encontro da Rede Lusófona de Concorrência, com representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde e Portugal, assim como da Comissão Europeia, OCDE e UNCTAD. Este encontro teve por objetivo dar continuidade à cooperação em matéria de concorrência entre os países de língua portuguesa, nomeadamente no que se refere à promoção e consolidação de uma política de concorrência robusta.

Para assinalar os 15 anos de existência, a AdC lançou o Prémio AdC Política de Concorrência, que estimula a investigação sobre direito e economia da concorrência. Na primeira edição, foi

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atribuído a um trabalho de índole económica sobre acordos pay-for-delay no setor farmacêutico.

Finalmente, 2018 marcou um reforço na cooperação institucional para a deteção de práticas restritivas, em particular com as entidades reguladoras setoriais e organismos públicos, através da realização de cinco seminários conjuntos em matéria de política de concorrência e da promoção do acesso da AdC a informação e dados, por meio de um protocolo firmado com o Infarmed e pelo acesso direto e integral a dados constantes do Portal Base, implementado através de protocolo de cooperação com o IMPIC e conforme previsto no novo Código dos Contratos Públicos.

A Campanha Combate ao Conluio na Contratação Pública, iniciada em 2016 com a intenção de pretende alertar para os sinais de conluio na contratação pública e de promover a concorrência nesta área chegou a um total de 1800 participantes de entidades públicas adjudicantes em 2018, proporcionando um aumento significativo, em quantidade e qualidade, das denúncias à AdC sobre contratação pública, tendo levado a uma decisão condenatória.

A AdC continuou a sensibilizar as associações empresariais para os benefícios e as regras de concorrência, através da divulgação do Guia para Associações de Empresas.

A AdC manteve em 2018 as portas abertas à comunidade, que teve a oportunidade de participar em oito seminários sobre temas de direito e economia de concorrência, com especialistas nacionais e internacionais de diversas áreas do conhecimento. Em 2018 e com o propósito de levar a um público mais alargado o conhecimento e debate sobre temas de política de concorrência, a AdC continuou a série de podcasts CompCast – Competition Talks, essencialmente com entrevistas a especialistas nacionais e internacionais de direito e economia da concorrência.

De modo a atingir um público cada vez mais vasto interessado nos benefícios e regras da concorrência, a AdC lançou em 2018 o podcast CompCast – 2 minutos de concorrência, sobre os fundamentos das regras de concorrência e destinado a audiências não especializadas.

2. Objetivos estratégicos e operacionais para 2018

Os objetivos operacionais para 2018 foram definidos no âmbito do Sistema de Controlo de Objetivos e Resultados (SCORE), documento estratégico que fixa, de forma articulada, os objetivos estratégicos anuais da AdC e os objetivos operacionais das diversas unidades orgânicas da AdC, que se encontra em versão completa no final deste Relatório. O SCORE enforma ainda os objetivos fixados para os colaboradores, no âmbito do processo de avaliação individual de desempenho.

OBJETIVOS ESTRATÉGICOS OBJETIVOS OPERACIONAIS

OE.1.Defender a concorrência na economia portuguesa (Enforcement)

OO.1.1. Potenciar a deteção, investigação e punição de práticas restritivas da concorrência

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OO.1.2. Assegurar um controlo eficaz e célere das operações de concentração

OO.1.3. Consolidar controlos internos no processo decisório para garantir rigor técnico das decisões

OO.1.4. Prestar serviços públicos de excelência

OE.2. Promover a concorrência na economia portuguesa (Advocacy)

OO.2.1. Reforçar a promoção de um ambiente regulatório pró-concorrencial

OO.2.2. Reforçar a comunicação dos benefícios e das regras da concorrência junto dos

stakeholders da AdC

OO.2.3. Promover a transparência na relação com os stakeholders

OE.3. Potenciar o papel internacional da AdC OO.3.1. Reforçar a cooperação multilateral e bilateral no âmbito da promoção da adoção das melhores práticas internacionais

3. Estrutura interna

Segundo os Estatutos, são órgãos da AdC:

Conselho de Administração da AdC

Composto por:

 Presidente – Margarida Matos Rosa  Vogal – Nuno Rocha de Carvalho  Vogal – Maria João Melícias

Fiscal Único

O Fiscal Único da AdC é a Sociedade de Revisores Oficiais de Contas CFA – Cravo, Fortes, Antão & Associados – SROC, Lda, representada pelo Dr. João Paulo Mendes Marques, Revisor Oficial de Contas n.º 1440.

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O mandato do Fiscal Único tem a duração de quatro anos, insuscetível de renovação. O Fiscal Único é o órgão responsável pelo controlo da legalidade, da regularidade e da boa gestão financeira da AdC, e de consulta do respetivo Conselho de administração.

Organograma da AdC

Organograma da Estrutura Interna a 31 de dezembro de 2018:

Conselho da Autoridade da Concorrência Fiscal Único GAB – Gabinete do Presidente UEAP – Unidade Especial de Avaliação de Políticas Públicas URI – Unidade de Relações Internacionais

DGI – Direção Geral de Investigação GEA - Gabinete de Estudos e Acompanhamento de Mercados DCC - Departamento de Controlo de Concentrações DPR- Departamento de Práticas Restritivas DJC – Departamento Jurídico e do Contencioso SG - Secretaria Geral URF - Unidade de Recursos Financeiros e de Património UAC – Unidade Anti-Cartel UOP – Unidade de Outras Práticas URH - Unidade de Recursos Humanos UTIC - Unidade de Tecnologia de Informação e Comunicação

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I I . - A T I V I D A D E E M 2 0 1 8

4. Investigação e Sanção de Práticas Anticoncorrenciais

Panorama geral

Em 2018, a AdC condenou três empresas, administradores e diretores, por práticas restritivas da concorrência, ao pagamento de coimas no valor de 12,4 milhões de euros, nos setores da manutenção ferroviária e dos seguros, entre as seis decisões finais que adotou durante o ano. A condenação das três empresas, no âmbito de dois processos diferentes, foi decidida em sede de procedimento de transação, previsto na Lei da Concorrência, e no âmbito do qual as empresas acusadas reconhecem a culpa, abdicam da litigância judicial e, em contrapartida, obtêm uma redução da coima.

Estas decisões de condenação referem-se a práticas restritivas da concorrência de natureza horizontal. A primeira decisão diz respeito à existência de acordos de fixação de preço e repartição de mercado entre empresas de fornecimento de serviços de manutenção de aparelhos de via para a rede ferroviária nacional no âmbito de concursos públicos lançados pela Infraestruturas de Portugal, S.A. (IP). A segunda decisão adotada pela AdC relaciona-se com a existência de um acordo entre empresas relativo à fixação de preços e repartição do mercado dos seguros contratados por grandes clientes empresariais, nos sub-ramos de acidentes de trabalho, saúde e automóvel.

A AdC adotou igualmente uma decisão de aceitação de compromissos e imposição de condições no setor dos serviços postais. Os compromissos apresentados permitiram ultrapassar as preocupações jusconcorrenciais identificadas pela AdC no mercado de correio tradicional, relacionadas com o acesso à rede de distribuição postal dos CTT - Correios de Portugal, S.A. – Sociedade Aberta (CTT).

A AdC encerrou ainda três processos relativos a dois acordos verticais e um acordo horizontal nos mercados de comercialização e distribuição dos direitos de transmissão televisiva e multimédia da Primeira e Segunda Ligas nacionais de futebol e nos mercados de serviços de comunicações eletrónicas, em simultâneo com o envio de uma Recomendação ao Governo. Para além das seis decisões finais referidas supra, a AdC adotou quatro Notas de Ilicitude durante o ano em apreço. Foram ainda realizadas diligências de busca e apreensão em oito instalações de sete entidades relacionadas com quatro processos.

Relativamente à capacidade de deteção oficiosa de práticas restritivas da concorrência, a AdC abriu dois processos ex officio em 2018, correspondendo a 40% das aberturas de inquérito realizadas neste ano.

A AdC continuou durante o ano de 2018 a publicar as decisões em processos por práticas restritivas da concorrência, em média, cerca de um mês após a sua adoção e a conceder acesso aos processos no prazo médio de três dias, assegurando transparência na sua relação com os

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stakeholders. Foram igualmente realizadas múltiplas reuniões de ponto de situação com as

partes interessadas, no contexto de exposições e denúncias ou de processos por práticas restritivas da concorrência.

Por último, e com o objetivo de consciencializar os stakeholders para os benefícios da concorrência, a AdC continuou a desenvolver ações de divulgação do “Guia para as Associações de Empresas – Com Concorrência Todos Ganhamos” publicado em 2016, bem como da campanha de “Combate ao Conluio na Contratação Pública”, e a promover o regime de dispensa ou redução de coima, enquanto instrumento fundamental na deteção de violações graves às regras da concorrência.

Coimas

A AdC adotou duas decisões de condenação por práticas restritivas da concorrência de natureza horizontal, em sede de procedimento de transação, tendo aplicado coimas no total de 12,4 milhões de euros, no quadro de uma política sancionatória que procura atender às exigências da prevenção geral e especial, garantindo a confiança dos agentes económicos e dissuadindo as empresas de praticar ilícitos jusconcorrenciais. Conforme se verifica no quadro abaixo, 2018 foi o ano com o sétimo valor mais elevado de coimas aplicadas, durante os 15 anos de existência da AdC.

Diligências de Busca e apreensão

Em linha com o objetivo de reforço da deteção e investigação de práticas restritivas da concorrência, a AdC realizou, ao longo do ano de 2018, diligências de busca e apreensão em oito instalações de sete entidades, com incidência nas regiões da Grande Lisboa e do Grande Porto. As diligências relacionam-se com quatro processos de contraordenação nos setores alimentar, publicitário e das telecomunicações. O número de processos que deram origem a diligências efetuadas durante o ano de 2018 foi superior à média anual da AdC, ainda que fique abaixo das realizadas no ano anterior, um período com resultados especialmente expressivos nessa matéria.

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Coimas aplicadas

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Evolução de processos

Em janeiro de 2018, a AdC tinha 20 investigações em curso por práticas restritivas da concorrência. Destas, duas referiam-se a eventuais abusos de posição dominante, em violação do disposto no artigo 11.º da Lei da Concorrência, e 18 eram relativas a indícios de acordos entre empresas, verticais e horizontais, práticas concertadas e a decisões de associações de empresas, enquadradas no artigo 9.º da mesma Lei.

Durante o ano de 2018, a AdC procedeu à abertura de inquérito em cinco processos por práticas restritivas da concorrência, sendo que dois destes processos tiveram origem oficiosa.

No mesmo período, a AdC encerrou quatro processos por práticas restritivas da concorrência, tendo sido proferidas seis decisões finais1.

No final do ano de 2018, a AdC tinha 21 investigações em curso, uma por indícios de abuso de posição dominante e 20 por indícios de acordos entre empresas, verticais e horizontais, práticas concertadas e decisões de associações de empresas.

1 Das seis decisões adotadas pela AdC em 2016 referidas na secção 4.1, duas delas respeitam a decisões em sede de

procedimento de transação relativas a algumas empresas envolvidas na infração, prosseguindo os processos relativamente às visadas que não reconheceram a sua responsabilidade nas infrações.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Diligências de busca e apreensão

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A evolução do número de processos relativos a práticas anticoncorrenciais em 2018 foi a seguinte:

Decisões condenatórias

A AdC adotou duas decisões condenatórias no ano de 2018, ambas referentes a cartéis – práticas de natureza horizontal –, em violação do artigo 9.º da Lei da Concorrência.

As duas decisões foram adotadas em dezembro de 2018 e enquadraram-se no âmbito do procedimento de transação previsto na Lei da Concorrência, sendo que a primeira diz respeito à existência de acordos de fixação de preço e repartição de mercado entre empresas de fornecimento de serviços de manutenção de aparelhos de via para a rede ferroviária nacional no âmbito de concursos públicos lançados pela Infraestruturas de Portugal, S.A. (IP) e a segunda relaciona-se com a existência de um acordo entre empresas seguradoras relativo à fixação de preços e repartição do mercado dos seguros contratados por grandes clientes empresariais, nos sub-ramos acidentes de trabalho, saúde e automóvel.

Decisões de aceitação de compromissos e imposição de condições

Em 2018, a AdC adotou uma decisão final de aceitação de compromissos num processo de contraordenação, tornando obrigatório para a visada (os CTT) o cumprimento de um conjunto de condições destinadas a melhorar a oferta de acesso à rede de distribuição de correio tradicional para os operadores postais concorrentes, permitindo alargar a escolha dos consumidores na utilização de serviços postais.

De acordo com a Lei da Concorrência, a AdC pode aceitar os compromissos propostos pelos visados em processos de contraordenação, que sejam aptos a eliminar os potenciais efeitos nocivos sobre a concorrência provocados pelas práticas em causa.

Decisões de arquivamento

Em 2018 a AdC adotou decisões de arquivamento em três processos contraordenacionais relativos a dois acordos verticais e um acordo horizontal nos mercados de comercialização e

Em curso em 01/01/2018 Abertos entre 01/01/2018 e 31/12/2018 Encerrados entre 01/01/2018 e 31/12/2018 Em curso em 31/12/2018

Número de processos

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distribuição dos direitos de transmissão televisiva e multimédia da Primeira e Segunda Ligas nacionais de futebol e nos mercados de serviços de comunicações eletrónicas.

Estas decisões de arquivamento foram adotadas em simultâneo com o envio pela AdC ao Governo de uma Recomendação, propondo alterações ao modelo de comercialização dos direitos de transmissão televisiva e multimédia da Primeira e Segunda Ligas de futebol, nomeadamente a realização de leilões trianuais.

Entendeu a AdC que uma intervenção de cariz legislativo era a opção que melhor servia os interesses de uma livre concorrência entre empresas, em benefício do consumidor, sendo o modelo de comercialização proposto baseado nas melhores práticas internacionais.

Decisões em Destaque

No âmbito das decisões adotadas pela AdC em 2018, são de destacar as condenações nos processos referentes a cartéis, restrições de natureza horizontal, no mercado da manutenção ferroviária (PRC/2016/6) e do setor segurador (PRC/2017/10), bem como os compromissos e condições impostos no processo referente à oferta de acesso à rede de distribuição de correio tradicional dos CTT (PRC/2015/4).

4.8.1. Cartel na contratação pública de manutenção ferroviária (PRC/2016/6)

A AdC condenou a Sacyr Neopul, S.A. e o seu diretor geral de produção ao pagamento de coimas no valor total de 365.400 euros por práticas restritivas da concorrência no setor da manutenção ferroviária, no âmbito de processo contraordenacional aberto contra cinco empresas de manutenção ferroviária dos grupos Mota-Engil, Comsa, Somague, Teixeira Duarte e Vossloh, e respetivos titulares dos órgãos de administração e/ou direção, por suspeita de terem celebrado acordos de natureza horizontal (cartel), na forma de fixação de preços e repartição de mercado em concursos públicos lançados pela Infraestruturas de Portugal, em 2014 e 2015.

O processo foi aberto pela AdC em outubro de 2016, na sequência de uma denúncia apresentada no âmbito da campanha de “Combate ao Conluio na Contratação Pública” que a AdC tem levado a cabo junto de entidades adjudicantes e das entidades com funções de fiscalização e monitorização dos procedimentos de contratação pública.

No âmbito do inquérito, a AdC realizou diligências de busca e apreensão em instalações das empresas visadas e terceiras empresas, localizadas nas áreas de Grande Lisboa e Porto, tendo adotado em setembro de 2018 adotado uma Nota de Ilicitude contra as empresas identificadas, bem como seis titulares de órgãos de administração ou direção das mesmas.

A investigação da AdC revelou que tais empresas manipularam as propostas apresentadas nos concursos lançados pela Infraestruturas de Portugal. Para o efeito, as empresas celebraram dois acordos restritivos da concorrência visando a fixação dos preços da prestação dos serviços e a repartição dos lotes constantes de um dos concursos.

Os concursos em causa destinavam-se à prestação de serviços de manutenção de equipamentos de via da rede ferroviária nacional, em Portugal continental, durante o período 2015-17.

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A conclusão antecipada do processo relativamente à Sacyr Neopul, S.A. e ao seu diretor geral de produção foi possível dada a colaboração prestada por esta empresa, através do recurso ao procedimento de transação.

No procedimento de transação, as empresas, confessando os factos e reconhecendo a sua responsabilidade nas infrações, abdicam da litigância judicial, beneficiando por isso de uma redução no total da coima aplicada.

Relativamente às restantes quatro empresas investigadas, bem como aos cinco titulares de órgãos de administração e direção das mesmas, contra os quais foi adotada pela AdC uma Nota de Ilicitude (comunicação de acusações) em 13 de setembro de 2018, o processo prossegue.

4.8.2. Cartel nos seguros contratados por grandes clientes empresariais (PRC/2017/10)

A AdC condenou a Fidelidade – Companhia de Seguros, S.A. e a Multicare – Seguros de Saúde, S.A., ao pagamento de coimas no total de 12 milhões de euros por práticas restritivas da concorrência de repartição de mercados através da alocação de clientes e fixação dos preços (cartel), no segmento dos seguros contratados por grandes clientes empresariais nos sub-ramos acidentes de trabalho, saúde e automóvel, no âmbito de processo de contraordenação aberto contra as duas seguradoras referidas e ainda a Lusitania – Companhia de Seguros, S.A., a Seguradoras Unidas, S.A. e a Zurich Insurance PLC – Sucursal Portugal.

O processo foi aberto pela AdC em maio de 2017, na sequência de denúncia apresentada à AdC no âmbito do Programa de Clemência, por parte de empresas que participaram nas práticas restritivas. O Programa de Clemência prevê um regime especial de dispensa ou redução da coima em processos de cartel investigados pela AdC, podendo a primeira empresa a denunciar um cartel em que participe beneficiar da dispensa da coima, e as seguintes de uma redução da coima progressivamente menor.

No âmbito do inquérito, em junho e julho de 2017, a AdC realizou diligências de busca e apreensão em instalações das empresas visadas, localizadas na Grande Lisboa, tendo adotado em agosto de 2018 uma Nota de Ilicitude contra as identificadas empresas seguradoras, bem como 14 titulares de órgãos de administração ou direção das mesmas.

A investigação da AdC revelou que as práticas em causa se iniciaram em 2010, tendo durado cerca de sete anos e tido impacto no custo dos seguros contratados por grandes clientes empresariais das empresas seguradoras envolvidas, as quais, em conjunto, representam cerca de 50% do mercado, nos sub-ramos acidentes de trabalho, saúde e automóvel.

A conclusão antecipada do processo relativamente à Fidelidade e à Multicare e aos titulares dos seus órgãos de administração e direção ocorreu no âmbito de um procedimento de transação, na sequência da apresentação de uma proposta pelas duas seguradoras com referência aos factos admitidos e à responsabilidade assumida pelas mesmas. As duas seguradoras beneficiaram ainda de uma redução da coima no âmbito do Programa de Clemência.

Já em fevereiro de 2019, a AdC condenou uma outra empresa seguradora, a Seguradoras Unidas, pelas mesmas práticas, também com recurso ao procedimento de transação, ficando a mesma

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dispensada do pagamento da coima por ter sido a primeira empresa, no âmbito do Programa de Clemência, a trazer ao conhecimento da AdC e apresentar provas da participação no cartel. Relativamente às restantes duas empresas (Lusitania e Zurich) e respetivos titulares de órgãos de administração ou direção acusados, o processo prossegue.

4.8.3. Acesso à rede de distribuição postal CTT (PRC/2015/4)

Em 2018, a AdC adotou uma decisão final de aceitação de compromissos num processo de contraordenação, tornando obrigatório para a visada, os CTT, o cumprimento de um conjunto de condições destinadas a melhorar a oferta de acesso à rede de distribuição de correio tradicional para os operadores postais concorrentes, permitindo alargar a escolha dos consumidores na utilização de serviços postais.

Com o objetivo de responder às preocupações jusconcorrenciais identificadas pela AdC durante a investigação, os CTT apresentaram, em dezembro de 2017, um conjunto de compromissos que consistem no alargamento do âmbito da Oferta de Acesso à Rede Postal dos CTT, disponibilizada para os operadores postais concorrentes, nos seguintes termos:

1. Alargamento dos serviços de correio abrangidos na Oferta de Acesso, nomeadamente o Serviço Editorial Nacional, o Serviço Prioritário Nacional e o Serviço Registado Nacional;

2. Introdução de novos pontos de acesso à rede postal dos CTT, mais a jusante na cadeia de distribuição postal, nomeadamente Centros de Produção e Logística de Destino e um conjunto alargado de lojas CTT (com exceção do Serviço Base Nacional com peso até 50 g);

3. Introdução de prazo de entrega mais rápido no caso do acesso através das lojas CTT para o Serviço de Base Nacional com peso superior a 50 g e Serviço Editorial Nacional;

4. Possibilidade de um operador concorrente poder realizar tarefas de tratamento adicionais, nomeadamente a separação do correio por zona de distribuição do Centro de Distribuição Postal e por artéria; e

5. Tarifário de acesso à rede inferior ao praticado aos clientes finais, com preços diferenciados consoante o ponto de acesso, serviço de correio e tarefas de tratamento realizadas pelo operador concorrente.

Findo o prazo de consulta pública, que deu a todos os interessados a oportunidade de se pronunciarem, e após pequenas adaptações aos compromissos que vieram melhorar a Oferta de Acesso para os operadores postais concorrentes, a AdC considerou que os compromissos são suscetíveis de eliminar as preocupações jusconcorrenciais identificadas e de preservar os interesses dos consumidores.

Neste sentido, a AdC aprovou uma decisão de encerramento do processo mediante a aceitação de compromissos e a imposição de condições em 5 de julho de 2018.

(17)

5. Controlo de Operações de Concentração

Panorama geral

No âmbito da atividade de controlo de operações de concentração de empresas, a AdC adotou, durante o ano de 2018, um total de 48 decisões finais, tendo sido notificadas, nesse mesmo período, um total de 46 operações de concentração.

Note-se que se encontravam em análise, no início do ano de 2018, quatro operações de concentração que transitaram do ano anterior e que, no final do ano de 2018, se encontravam em análise duas operações de concentração, as quais transitaram para o ano seguinte.

Realce-se que uma das 48 decisões adotadas durante o ano de 2018 resultou na desistência do procedimento e retirada da operação de concentração pela respetiva empresa notificante, em fase de investigação aprofundada.

Durante o ano de 2018, 73% das operações de concentração notificadas à AdC foram apresentadas através do Sistema de Notificação Eletrónica de Operações de Concentração (SNEOC), uma ferramenta essencial na prestação de serviços públicos de excelência.

Notificações e Decisões de Controlo de Operações de Concentração em 2018, por trimestre:

I TRIM. II TRIM. III TRIM. IV TRIM.

14 16

11

5

13 14 13

8 Notificações e Decisões em 2018, por trimestre

(18)

Em 2018 verificou-se, face ao ano anterior, um decréscimo de 8% no número de operações de concentração notificadas, tendo-se passado de 50 para 46 notificações.

Notificações e Decisões de Controlo de Operações de Concentração entre 2003 e 2018:

Os setores de atividade que envolveram maior número de operações analisadas pela AdC, durante o ano de 2018, dizem respeito aos setores do Comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos; Indústrias transformadoras; Atividades de informação e de comunicação; e Transportes e armazenagem.

Setores de atividade analisados nas operações decididas em 2018: 53 48 82 67 81 67 52 62 48 61 40 43 60 64 50 46 44 46 79 65 91 68 50 59 50 59 44 39 63 63 54 48 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Notificações e Decisões, entre 2003 e 2018

(19)

Em termos mais gerais, 56% das operações de concentração decididas pela AdC envolveram mercados de bens transacionáveis, que compara com 59% em 2017.

Peso das Decisões que envolveram mercados de bens transacionáveis:

Verificou-se ainda que 25% dos processos concluídos durante o ano de 2018 envolveram notificações em, pelo menos, outro Estado-Membro da União Europeia, o que representa um decréscimo face ao ano anterior, em que as operações notificadas em pelo menos outro Estado-Membro representaram 44% do total.

Peso das Decisões que envolveram notificações em pelo menos outro Estado-Membro da União Europeia: 55% 57% 56% 49% 65% 56% 72% 59% 76% 54% 57% 64% 59% 67% 59% 56% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 11% 39% 25% 31% 36% 26% 30% 39% 42% 32% 20% 38% 25% 51% 44% 25% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

(20)

Tipologia das decisões adotadas

Para permitir uma análise mais detalhada das 48 operações de concentração objeto de decisão final durante o ano de 2018, discrimina-se abaixo a informação relativa à distribuição das operações de concentração segundo um conjunto de critérios.

As operações de concentração que envolveram a aquisição de controlo exclusivo, por via da aquisição da maioria do capital social das empresas, correspondem a 73% do total das decisões adotadas durante o ano de 2018, enquanto as operações envolvendo a aquisição de controlo conjunto representam 15% do total decisões.

 Natureza das operações decididas em 2018:

Aquisição maioritária de capital social (controlo exclusivo) 35 73%

Controlo conjunto 7 15%

Aquisição de ativos 4 8%

Concessão 1 2%

Outros 1 2%

As operações de concentração envolvendo empresas com atividade nos mesmos mercados (i.e., operações de concentração de natureza horizontal) correspondem a 65% do total das decisões adotadas durante o ano de 2018, o que representa um aumento face aos 50% verificados no ano anterior. Realça-se ainda que as operações de concentração de natureza conglomeral correspondem a 21% do total das decisões, o que representa uma redução face aos 39% verificados no ano anterior.

 Tipo de sobreposição entre as empresas envolvidas nas operações:

Horizontal 31 64,6%

Vertical 7 14,6%

Conglomeral 10 20,8%

As operações de concentração que apresentam um âmbito geográfico doméstico, i.e., que envolvem empresas nacionais, correspondem a 38% do total das decisões adotadas durante o ano de 2018, o que representa um aumento face aos 28% verificados no ano anterior.

(21)

 Distribuição geográfica das empresas envolvidas nas operações

Completamente doméstico 18 38%

Doméstico c/empresas noutros países dentro do EEE2 16 33%

Doméstico c/empresas noutros países fora do EEE 5 10% Transfronteiriço c/ empresas só dentro do EEE 6 13% Transfronteiriço c/empresas fora do EEE 3 6%

No que se refere ao volume de negócios realizado em território nacional pelas empresas adquiridas, as categorias mais representativas dizem respeito a volumes de negócios inferiores a 5 milhões de euros e a volumes de negócios situados no intervalo entre 10 e 25 milhões de euros. De realçar que, no ano anterior, 56% das operações analisadas envolveram empresas adquiridas que realizaram, em Portugal, volumes de negócios inferiores a 10 milhões de euros. Em 2018 este valor correspondeu apenas a 35,4%.

 Distribuição das decisões segundo o volume de negócios das empresas adquiridas, em

território nacional < 5 10 20,8% ≤ 10 7 14,6% 10 ≤ 25 10 20,8% 25 ≤ 50 9 18,8% 50 ≤ 100 2 4,2% 100 ≤ 150 4 8,3% ≥ 150 6 12,5%

No que se refere aos critérios de notificação das operações que foram decididas durante o ano de 2018, de realçar que 50% das operações foram notificadas exclusivamente pelo critério do volume de negócios.

 Distribuição das decisões segundo os critérios de notificação:

Quota de Mercado 21 44%

Volume de Negócios 24 50%

Quota de Mercado e Volume de Negócios 3 6%

Quanto ao tipo de decisões adotadas, realçam-se dois processos, um que envolveu a desistência do procedimento e a consequente retirada da operação pela empresa notificante e um que

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envolveu a adoção de compromissos pela empresa notificante, ambos em fase de investigação aprofundada.

 Tipo de decisões finais adotadas

Não oposição 44 92%

Não abrangida 2 4%

Retirada pela Notificante 1 2%

Não oposição com compromissos 1 2%

Avaliações prévias

Ao longo do ano de 2018 a AdC analisou 12 pedidos de avaliação prévia de operações de concentração3.

A avaliação prévia constitui um procedimento de natureza voluntária e de caráter informal e confidencial, que concede às empresas a possibilidade de apresentação e de discussão, com a AdC, de aspetos legais, substantivos ou processuais relacionados com uma operação de concentração, em momento prévio à sua notificação. Este procedimento contribui para o aumento da transparência, da eficiência, da celeridade e da segurança jurídica na relação entre a AdC e as empresas, tendo, por esses motivos, vindo a ser promovido junto das empresas.

Decisões a destacar

 Altice / Media Capital (Ccent. 35/2017)

A Autoridade da Concorrência declarou, em 19 de junho de 2018, extinto o procedimento referente à operação de concentração que envolvia a aquisição, pela MEO (Grupo Altice), do controlo exclusivo sobre o Grupo Media Capital, na sequência do pedido de desistência, por parte da MEO, do procedimento relativo à notificação da operação em causa.

Entre outros aspetos, da análise efetuada pela AdC resultou que a Altice passaria a deter, em resultado do controlo do Grupo Media Capital, um nível de poder económico que lhe daria a capacidade e o incentivo para implementar diversas estratégias de encerramento dos mercados à concorrência, de que resultariam aumentos de custos muito significativos para os seus concorrentes, ao nível dos mercados de televisão por subscrição e de serviços multiple play. Estes aumentos de custos — que a AdC estimou poderem ultrapassar, em determinados cenários, os 100 milhões de euros por ano — provocariam uma diminuição das pressões

3 Para mais informação, consultar as Linhas de Orientação relativas à avaliação prévia em controlo de concentrações

disponíveis no sítio internet da AdC, em:

http://www.concorrencia.pt/vPT/A_AdC/legislacao/Documents/Nacional/Linhas%20de%20Orientacao%20Relativas %20a%20Avaliacao%20Previa.pdf

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concorrenciais nos mercados, refletindo-se, em última análise, nos preços finais cobrados aos consumidores.

Recorda-se que a concentração envolvia a integração vertical entre, por um lado, um dos principais operadores no setor das telecomunicações e na oferta de televisão por subscrição e de serviços multiple play e, por outro, o líder na oferta grossista de conteúdos audiovisuais e de canais de televisão em língua portuguesa, incluindo o principal canal em termos de audiências – a TVI.

Em particular, a AdC concluiu que a Altice passaria a deter a capacidade e um claro incentivo para impedir o acesso ou para cobrar preços mais elevados a outras plataformas concorrentes de telecomunicações pelos conteúdos e canais de televisão da Media Capital, aumentando assim os custos destas plataformas e, consequentemente, criando entraves à concorrência nos mercados de telecomunicações e de media que se refletiriam sobre as famílias.

De facto, tal estratégia seria lucrativa para a Altice/Media Capital face à enorme desproporção entre as receitas geradas no negócio de televisão e as receitas geradas no negócio de telecomunicações (muito superiores), e atenta a importância que os conteúdos e canais TVI têm para os consumidores, o que foi confirmado através de um inquérito ao consumidor promovido pela AdC.

A ameaça de perda de acesso aos canais TVI habilitaria a Altice/Media Capital a cobrar preços mais elevados aos seus concorrentes. Assim, ficou demonstrado que a Altice/Media Capital, enquanto operador verticalmente integrado, passaria a poder utilizar o negócio de televisão de forma instrumental para reforço da sua quota e respetivos lucros nos mercados de televisão por subscrição e de serviços multiple play, com prejuízo para os consumidores.

Adicionalmente, seria previsível que o acesso às plataformas de distribuição da MEO, por parte dos canais concorrentes aos canais da TVI, viesse a ser feito em piores condições de preços, qualidade de serviços e posicionamento na grelha, sendo que, por essa via, se assistiria a um risco de enfraquecimento concorrencial destes canais e, consequentemente, uma menor capacidade dos mesmos para apostar na oferta de conteúdos de qualidade.

Em 30 de abril de 2018, a Altice, numa tentativa de dar resposta às preocupações de concorrência identificadas, apresentou junto da AdC um conjunto de Compromissos de natureza comportamental, por um período de tempo limitado, nomeadamente quanto à disponibilização dos canais TVI aos concorrentes da MEO.

Após a análise dos Compromissos apresentados pela Altice, a AdC concluiu que os mesmos se revelavam insuficientes e desadequados para assegurar a manutenção de uma concorrência efetiva nos mercados de telecomunicações e de media e, dessa forma, não permitiriam afastar os impactos nefastos da operação de concentração sobre a concorrência nos mercados e sobre os utilizadores finais dos serviços em causa.

Perante a iminente adoção de Projeto de Decisão de Proibição, a Altice veio desistir do procedimento em causa, o que levou a AdC a emitir uma Decisão de Extinção do Procedimento, não podendo, consequentemente, ser concretizada a operação de concentração notificada.

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 RUBIS / Ativos Repsol (Ccent. 39/2017)

A Autoridade da Concorrência aceitou o compromisso de desinvestimento apresentado pela Rubis II Distribuição Portugal, tendo emitido uma decisão de não oposição à aquisição pela empresa do negócio de distribuição de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) da Repsol Gás Portugal, nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

A AdC manifestara preocupações com a operação de concentração, decorrentes do facto dos mercados em causa apresentarem estruturas de oferta muito concentradas, cenário que seria agravado com a operação de concentração (resultando na passagem de três para dois operadores na maior parte das ilhas dos arquipélagos da Madeira e dos Açores).

Tal cenário seria prejudicial para os consumidores das Regiões Autónomas por ser suscetível de agravar os preços, a qualidade ou nível do serviço prestado no fornecimento de GPL naquelas regiões.

Na decisão de passagem a investigação aprofundada, a AdC identificara fortes barreiras à entrada de novos operadores nestes mercados, ao nível das infraestruturas de armazenagem e do transporte de GPL do Continente para os arquipélagos, dos contratos de distribuição existentes, dos custos de entrada e de mudança, da reduzida dimensão dos mercados considerados.

A investigação levada a cabo pela AdC concluiu que estas barreiras inviabilizariam a entrada de novos operadores nos referidos arquipélagos, a menos que a entrada fosse concretizada através da aquisição de outros operadores.

Neste contexto, a Rubis apresentou um conjunto de compromissos para obviar às preocupações de concorrência identificadas, os quais preveem, nomeadamente, um desinvestimento a favor de um terceiro operador de parte dos negócios em causa na operação, permitindo, dessa forma, a manutenção de uma estrutura de oferta sensivelmente semelhante à atualmente existente. Os compromissos apresentados pela Rubis, ao permitirem a entrada no mercado de um novo fornecedor de GPL e, dessa forma, contribuírem para a manutenção de uma estrutura de oferta sensivelmente semelhante à que existe atualmente, foram considerados suficientes, proporcionais e adequados à resolução dos problemas de concorrência identificados pela AdC.

Processos de averiguação de possíveis concentrações não notificadas (ex officio e denúncias)

Durante o ano de 2018 a AdC continuou a desenvolver esforços no sentido da deteção de operações de concentração não notificadas, através de investigações ex officio e na sequência de denúncias apresentadas por terceiros.

Nesse sentido, procedeu-se à abertura de 5 processos de averiguação de eventuais operações de concentração não notificadas. Destes, dois deram origem a notificações à AdC.

(25)

6. Defesa Judicial de Decisões

Panorama geral

A atividade na área da defesa judicial de decisões durante o ano de 2018 refletiu o reforço da atividade de investigação desenvolvida pela AdC em 2017 e 2018, verificando-se um acréscimo significativo da litigância.

Entre 2017 e 2018 foram realizadas 19 diligências de busca e apreensão e abertos 18 processos contraordenacionais, facto que determinou um aumento do número de recursos de decisão interlocutória em cerca de 75% relativamente ao ano de 2017 e em mais de 100% por referência ao ano de 2016.

Este acréscimo de litigância ao nível de decisões interlocutórias respeitou maioritariamente a questões híbridas, de natureza processual mas com impacto substantivo, relacionadas com as diligências de busca e apreensão, com o tratamento de confidencialidades e ainda com procedimentos no âmbito das diligências complementares de prova na fase de instrução. Por outro lado, em 2018 a AdC consolidou e aperfeiçoou o seu sistema de controlo interno (checks and balances) a todas as fases dos processos contraordenacionais, assegurando um envolvimento interdepartamental efetivo desde a abertura de inquérito até ao trânsito em julgado de uma decisão.

Neste sentido, importa dar nota de que o Departamento Jurídico e do Contencioso manteve o acompanhamento da atividade de investigação desenvolvida pela AdC, em particular nas diligências de busca e apreensão realizadas, assegurando os contactos institucionais com as entidades judiciárias competentes para efeitos de emissão de mandados, e monitorizando, de forma integrada com o Departamento de Práticas Restritivas, o tratamento de diversas questões jurídicas suscitadas no decurso das referidas diligências, bem como na identificação e acompanhamento de matérias suscitadas nas interações com as empresas visadas nas fases de inquérito e instrução que apresentaram um maior risco de litigância.

No que respeita a decisões judiciais em 2018, os tribunais foram chamados a sindicar maioritariamente decisões da AdC de natureza interlocutória. O sentido decisório dos tribunais, num total de 55 decisões judiciais, permitiu consolidar tecnicamente a atuação da AdC em matérias relativamente a buscas, apreensão e tratamento de prova, prova e processo digital, pedidos de elementos, acesso ao processo, confidencialidades, desentranhamento e direitos de defesa.

Em 2018, os tribunais também se pronunciaram sobre o arquivamento, quer de denúncias, quer de processos contraordenacionais, designadamente quanto aos termos em que tal arquivamento deve ocorrer. Destaca-se a este propósito o processo MEO/GDA, no qual o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão validou a decisão de arquivamento do processo de contraordenação aberto na sequência de denúncia da MEO contra a GDA – Cooperativa de Gestão de Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes, C.R.L., por alegado abuso de posição dominante. No âmbito deste processo foi formulado um pedido de reenvio

(26)

prejudicial ao TJUE para se apurar se a alínea c) do artigo 102.º do TFUE era conforme com a interpretação e alcance do conceito de desvantagem na concorrência ou de distorção da concorrência tal como veiculados pela AdC na sua decisão de arquivamento.

No plano substantivo, destaca-se a confirmação pelo Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão de uma decisão de não oposição da operação de concentração relativamente à aquisição pela MIDSID – Sociedade Portuguesa de Distribuição, S.A do controlo exclusivo de um conjunto de ativos detidos pela Sociedade 3D – Distribuição, S.A. respeitantes às atividades grossistas de produtos de tabaco e venda retalhista de cigarros em máquinas de venda automática de tabaco.

Num total de 55 decisões judiciais adotadas, 48 decisões foram favoráveis à AdC, e apenas 7 desfavoráveis ou parcialmente desfavoráveis, o que representa uma taxa de sucesso próxima dos 90%.

Durante o ano de 2018, a AdC teve intervenção num total de 79 processos judiciais, assegurou a representação em 10 sessões de audiência de julgamento e elaborou 98 articulados (alegações, contra-alegações, oposições e contestações). À data de 31.12.2018 totaliza-se um conjunto de 46 processos judiciais pendentes.

Atividade processual judicial em 2018

Apresenta-se seguidamente informação estatística referente à atividade processual judicial em 2018 e à situação dos processos a 31 de dezembro de 2018:

Processos judiciais relativos à aplicação da Lei n.º 18/2003 e da Lei n.º 19/2012 no ano de 2018:

39 49 52 40 0 10 20 30 40 50 60 Transitados ano anterior (2017)

(27)

Taxa de sucesso relativa à aplicação da Lei n.º 18/2003 e da Lei n.º 19/2012 (todos os processos, incluindo contraordenações e ações administrativas):

A figura seguinte permite observar o número e tipo de processos pendentes em 31 de dezembro de 2018 (50 processos):

Processos judiciais pendentes envolvendo a AdC, a 31.12.2018, por tipo de processo:

Legenda: PRC – Práticas Restritivas da Concorrência; PCR – Práticas Comerciais Restritivas; AA – Ações

Administrativas; AE – Ações Executivas; IDI – Impugnação de decisão interlocutória; AI – Ação de Intimação; PC – Providências Cautelares; DJCDIV – Processos diversos

36 17 48 6 2 7 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 2016 2017 2018 Ganhos Perdas 5 7 25 0 4 7 2 0 5 10 15 20 25 30 PRC AA IDI AI PC PCR DIV

(28)

Apresenta-se de seguida a atividade judicial da AdC desagregada por tipo de processo e tribunal:

Informação sobre tipo de processos e sua distribuição pelos diferentes Tribunais, à data de 31.12.2018:

TPI TR TC Outros Total

Práticas Restritivas da Concorrência (PRC) 2 1 2 0 5

Ações Administrativas 1 1 1 1 4

Ações Executivas 3 0 0 0 3

Impugnações de Decisões Interlocutórias 16 8 1 0 25

Ações de Intimação 0 0 0 0 0

Providências Cautelares 3 1 0 0 4

Práticas Individuais Restritivas do Comércio

(PCR) 7 0 0 0 7

DJCDIV – Processos diversos 0 0 0 2 2

Total 32 11 4 3 50

Legenda: TPI – Tribunais de Primeira Instância (v.g., Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão; Tribunal de

Comércio de Lisboa); TR – Tribunais da Relação; TC – Tribunal Constitucional; Outros – (v.g., Tribunal Administrativo, etc.).

 Recebimentos pendentes

No que respeita a coimas devidas no decurso de processos judiciais pendentes de recebimento, verifica-se que, no final de 2018, encontravam-se pendentes 2 processos já transitados em julgado:

Processos com conta efetuada no triénio 2016 a 2018, pendentes de recebimento:

6 7 2

0 50

(29)

Montante pendente de recebimento:

2016 2017 2018

3.188.517,65 € 2.706.830,64 € 1.179.052,88 €

O pagamento das coimas aplicadas vem ocorrendo de forma mais imediata, permitindo reduzir o montante anual que fica a aguardar recebimento a favor da AdC (faz-se apenas notar que o pagamento pode ter tido lugar, ainda que a verba não seja imediatamente disponibilizada pelo IGFEJ à AdC).

Decisões Judiciais

Apresentam-se, de seguida, breves sumários das mais relevantes decisões judiciais produzidas em processos em que a AdC interveio e do respetivo enquadramento.

Decisões judiciais em processos contraordenacionais:

 Sentença do TCRS sobre decisão de arquivamento de processo de contraordenação na

sequência de denúncia da MEO contra a GDA – Cooperativa de Gestão de Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes, C.R.L. (GDA)

Em 9 de junho de 2018, o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS) confirmou a decisão de arquivamento da AdC de 3 de março de 2016 que concluiu que os factos referentes ao objeto do processo não constituíam indícios suficientes de práticas proibidas por parte da GDA, designadamente, de abuso de posição dominante ocorrido no domínio dos direitos conexos (ao direito de autor) dos artistas intérpretes ou executantes.

O TCRS determinou a formulação de pedido de reenvio prejudicial para o TJUE para se apurar se a alínea c) do artigo 102.º do TFUE seria conforme com a interpretação e alcance do conceito de desvantagem na concorrência ou de distorção na concorrência veiculados pela AdC na decisão de arquivamento proferida no processo contraordenacional.

O TJUE proferiu acórdão em 19 de abril de 2018, e com base no entendimento ali refletido, o TCRS secundou a decisão da AdC, confirmando judicialmente a decisão de arquivamento e concluindo que a diferenciação dos tarifários aplicados pela GDA era, com base na sua importância, insuscetível de falsear, limitar ou restringir a posição concorrencial da MEO e, consequentemente, de criar uma desvantagem na concorrência juridicamente relevante para o preenchimento de um comportamento ilícito de discriminação abusiva pelo preço.

(30)

Entendeu o TCRS que a análise jusconcorrencial efetuada pela AdC dos factos indiciados era conforme à inexistência de probabilidade de condenação da GDA por abuso de posição dominante.

A sentença já transitou em julgado.

 Sentença do TCRS sobre decisão interlocutória da AdC que conheceu da arguição de

nulidades apresentada pela Super Bock, S.A., relativamente a diligências de busca e apreensão

O TCRS, por sentença de 19 de novembro de 2018, julgou totalmente improcedente o recurso de decisão interlocutória interposto pela Super Bock, confirmando a legalidade da decisão impugnada da AdC.

Esta decisão integra um conjunto de sentenças proferidas pelo TCRS que apreciou decisões da AdC sobre arguições de nulidades sobre diligências de busca e apreensão, validando, invariavelmente, as decisões adotadas pela AdC.

Perante os requerimentos de arguição de nulidades relativas a diligência de busca e apreensão, a AdC sempre defendeu que tinha competência para conhecer de atos praticados pelos seus técnicos no decurso de tais diligências, não se estendendo, no entanto, tal competência a atos praticados pelo Ministério Público, designadamente, no que respeita ao teor dos mandados emitidos por aquele órgão.

O TCRS reitera o entendimento da AdC declarando a sua incompetência material e hierárquica para conhecer de atos praticados por magistrados do Ministério Público.

A sentença em causa ainda não transitou em julgado, em razão da interposição de recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa.

 Sentença do TCRS sobre ação administrativa para adoção de um comportamento

intentada pela Modelo Continente Hipermercados, S.A. e pela Continente Hipermercados, S.A. (Continente)

Por sentença de 17 de outubro 2018, o TCRS julgou verificada a exceção dilatória de erro na forma de processo, absolvendo a AdC da instância.

No âmbito de um processo contraordenacional por violação das normas da concorrência, a Continente intentou uma ação administrativa tendente à adoção de um comportamento, materializado na prestação de facto ou de coisas, peticionando, em concreto, a condenação da AdC a devolver um conjunto de mensagens de correio eletrónico apreendido no âmbito de diligências de busca e apreensão.

(31)

O TCRS foi perentório em concluir que, estando em causa um procedimento sancionatório, envolto num quadro jurídico próprio, com normas especificamente orientadas para a vertente sancionatória, não é admissível o recurso a ações de natureza administrativa com a finalidade de serem obtidas pretensões devidamente acauteladas no âmbito desse procedimento sancionatório.

A Continente interpôs recurso desta sentença diretamente para o Supremo Tribunal de Justiça.

 Sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto sobre providência cautelar

intentada pela Modelo Continente Hipermercados, S.A. (Continente) contra a AdC no âmbito de um processo contraordenacional

O Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, por sentença de 28 de novembro de 2018, julgou-se incompetente em razão da matéria para conhecer do procedimento cautelar intentado pela Continente contra a AdC.

A Continente pretendia evitar que, no âmbito do processo de classificação de confidencialidades, a AdC disponibilizasse a terceiros informação que, na sua ótica, continha segredo de negócio, intentando providência cautelar para o efeito.

O Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, à semelhança de outras sentenças que veio a proferir no mesmo sentido, quer no âmbito de procedimentos cautelares, quer no âmbito de ações administrativas que visavam a anulação de decisão da AdC adotada em processo contraordenacional, concluiu que, estando em causa um processo sancionatório contraordenacional, os Tribunais Administrativos não são competentes para conhecer matérias que não lhes estão especificamente deferidas nos termos da Lei.

Nesse sentido, e sendo manifesto que o legislador consagrou a competência do TCRS para conhecer de toda e qualquer decisão da AdC, não se pode permitir que algum interessado, co-visado, terceiro ou arguido no processo de contraordenação possa deduzir fora desse mesmo processo qualquer outro meio processual, sob pena de se permitir que fosse impedida a investigação ou a instrução em curso no contexto sancionatório.

A referida sentença já transitou em julgado.

Decisões judiciais em processos administrativos:

 Sentença do TCRS sobre a operação de concentração de empresas MIDSID – Sociedade

Portuguesa de Distribuição, S.A e da Sociedade 3D – Distribuição, S.A. respeitantes às atividades grossistas de produtos de tabaco e venda retalhista de cigarros em máquinas de venda automática de tabaco.

Em 12 de julho de 2018, o TCRS julgou totalmente improcedente a ação administrativa intentada pela Federação Portuguesa de Grossistas de Tabaco, confirmando a decisão da AdC de não oposição da operação de concentração relativamente à aquisição pela MIDSID – Sociedade

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Portuguesa de Distribuição, S.A do controlo exclusivo de um conjunto de ativos detidos pela Sociedade 3D – Distribuição, S.A. respeitantes às atividades grossistas de produtos de tabaco e venda retalhista de cigarros em máquinas de venda automática de tabaco.

A Federação Portuguesa de Grossistas de Tabaco apontava à decisão de não oposição da AdC de 28 de setembro de 2017 um conjunto de vícios, tais como violação de lei e ainda vícios de forma.

Em 12 de junho foi realizada audiência prévia. Na sua sentença de 12 de julho de 2018, o TCRS conclui não se verificar nenhum dos vícios apontados, designadamente o vício de violação de lei por falta de pressuposto procedimental (por alegada utilização indevida do formulário simplificado), por violação do princípio do inquisitório e do princípio da imparcialidade, por erro sobre os pressupostos de facto, e o vício de forma por falta de fundamentação.

Foi interposto recurso da sentença em causa para o Tribunal da Relação de Lisboa.

 Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa sobre sentença que manteve a decisão de

arquivamento de denúncia Supermercado Nilo, Lda.

Em 22.02.2018 o Tribunal da Relação de Lisboa julgou totalmente improcedente o recurso da Supermercado Nilo, Lda. (Supermercado Nilo) da sentença do TCRS, mantendo-a na íntegra e confirmando a decisão da AdC no sentido de que a prova indiciária dos autos não seria suficiente para revelar uma possibilidade razoável da abertura de um procedimento contraordenacional. Concluiu ainda que o Tribunal da Concorrência procedeu a todas as diligências de prova que entendeu necessárias que culminaram com uma análise da factualidade apurada na perspetiva do direito e que resultou clara em toda a sentença.

Em 19 de julho de 2017 o Tribunal da Concorrência julgou improcedente o pedido de declaração de nulidade da decisão da AdC de arquivamento de denúncia e o pedido de condenação à abertura de um processo de contraordenação, na medida em que a AdC não violou o princípio da legalidade ao determinar o arquivamento por inexistência de violação às regras da concorrência, nomeadamente, por abuso de posição dominante e/ou abuso de dependência económica.

Em 12 de dezembro de 2013, a Supermercado Nilo apresentou uma denúncia junto da AdC relativamente a uma alegada prática de abuso de posição dominante (por discriminação de preços) e abuso de dependência económica contra o Grupo “Os Mosqueteiros”, que integra as empresas ITMP Alimentar, S.A., e ITMP Portugal, S.A. (em conjunto IMPT) com quem a Supermercado Nilo celebrou um contrato de franquia, sob a insígnia INTERMARCHÉ.

Em 13 de outubro de 2016 por decisão do conselho de administração da AdC, e após análise da denúncia e realização de diligências preliminares, foi determinado arquivar a denúncia e não proceder à abertura de um processo de contraordenação na medida em que as alegadas condutas da IMPT não se revelaram suscetíveis de integrar práticas proibidas na aceção dos artigos 9.º, 11.º e 12.º do Lei n.º 19/2012, declarando-se a denúncia sem fundamento relevante, de acordo com o disposto nos números 4 a 6 do artigo 8.º do mesmo regime.

Referências

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