11 a 14 de dezembro de 2012 – Campus de Palmas
A IMAGEM DE PALMAS NO CINEMA TOCANTINENSE
Anderson de Souza Alves, estudante do curso de Comunicação Social – Jornalismo;
Sergio Ricardo Soares, orientador, professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo;
RESUMO
O presente relatório tem como objetivo apresentar as conclusões da pesquisa que teve como objetivo investigar a imagem de Palmas nos produtos audiovisuais e no jornalismo de turismo local. Nossa investigação partiu do levantamento dos materiais de análise, os filmes de realizadores tocantinenses e publicações de turismo, bem como a revisão bibliográfica acerca de variados temas, entre esses o urbanismo, pós-modernismo, cinema e documentário, turismo, entre outros assuntos que se mostraram necessários de acordo com o material coletado. Ao final de nossas investigações, notamos que, por um lado, a cinematografia tocantinense é composta de produtos muitas vezes questionadores do próprio lugar, embora em muitas situações a cidade só apareça enquanto cenário. Por outro lado, o jornalismo de turismo se mostra panfletário e aposta num marketing básico ao oferecer o Tocantins como passeios por lugares exóticos. Também sentimos que, para a conclusão de nossos objetivos propostos, houve a necessidade de aprofundar a interdisciplinaridade, o que não foi de todo possível, mas rendeu um extenso legado a ser pesquisado.
Palavras-chave: Audiovisual; turismo; modernidade tardia Tocantins; Palmas;
INTRODUÇÃO
Este relatório se refere a parte das atividades concluídas do projeto de pesquisa REPRESENTAÇÕES DE PALMAS NO JORNALISMO DE TURISMO E NO AUDIOVISUAL, apresentado ao PIVIC. Com a proposta de uma analise da configuração da imagem do Tocantins, especialmente da capital Palmas nas mídias jornalísticas e cinematográficas, a pesquisa originalmente visava duas frentes de investigação. A primeira, dedicada ao audiovisual, observaria a presença sígnica da cidade em obras cinematográficas e videográficas que tomassem Palmas como tema ou cenário. Neste caso, o objeto de estudo principal das atividades realizadas foi a produção cinematográfica local. A segunda frente se voltaria para a área de Turismo, por um lado levantando o pensamento do trade e do poder público
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a respeito da imagem da cidade (a que se tem e a que publicamente se quer) e por outro observando a presença de possíveis diretrizes desse setor nas manifestações de jornalismo de turismo locais.
Apresentamos, portanto, neste relatório, as metas cumpridas, tanto entre as inicialmente previstas quanto aquelas que, por força das alterações surgidas com a aproximação aos objetos de estudo e pelo acúmulo de coleta de dados, surgiram ao longo desses meses de vigência do projeto. Elencamos ainda o corpus levantado e selecionado, alguns procedimentos metodológicos utilizados e as conclusões principais surgidas das discussões e produção científica advinda de nossa pesquisa.
MATERIAL E MÉTODOS
Para a realização dos objetivos exposto, as seguintes atividades foram executadas:
a. Pesquisa e coleta da produção cinematográfica tocantinense que versasse sobre a cidade de Palmas ou que utilize a capital como cenário, a fim de formar uma coleção significativa do cinema local.
b. Organização das obras coletadas através de classificação e padronização de mídia. c. Estudos teóricos sobre a representação no cinema e sobre a História local, com participação nas leituras dirigidas e discussões programadas na pesquisa Representações de palmas no jornalismo de turismo e no audiovisual.
d. Análise dos materiais coletados de acordo com as fundamentações estudadas (Semiótica, representação no audiovisual, História de Palmas, identidade cultural no cinema).
e. Seleção de corpus representativo nestes materiais para elaboração de artigos científicos. f. Pesquisa e entrevista com pessoas ligadas ao fomento do Turismo local para averiguação das políticas de construção da imagem de Palmas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir do momento em que decidimos investigar a imagem da cidade de Palmas no audiovisual tocantinense, uma série de vertentes temáticas e teóricas se apresentou de maneira urgente.
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Em primeiro lugar, houve a necessidade de firmar um conceito de lugar, não só como localidade geográfica, mas, sobretudo, na sua dimensão cultural, resultado de vivências compartilhadas e que, portanto, repercute em todas as práticas daqueles que habitam tal lugar (FERRARA, 1988, 2001). Em seguida, delimitado esse lugar como Palmas, coube um embasamento sobre o urbanismo e a História local (CARVALHO, 2000, 2002; MORAES, 2006; REIS, 2011), o que cedo nos conduziu à urgência de superar a narrativa tradicional e oficial sobre a capital tocantinense e buscar a dialética de uma cidade jovem, mas conservadora em muitos aspectos; diversa, mas escassamente multicultural; urbanisticamente moderna, mas convivendo com práticas arcaicas e rurais.
Sabíamos previamente da precariedade dos meios de produção e divulgação do cinema local, apesar da relativa fartura de obras produzidas ao longo dos anos. A partir disto, nossa discussão se voltou para a caracterização das cinematografias periféricas e a inserção do Tocantins nesse cenário (incluindo aí a busca pelas suas peculiaridades). Suportes importantes nesse momento foram dados por Gomes (2001), Gutierrez Alea (1984), Nazario (2005) e Shohat & Stan (2006). As pesquisas apontaram para um cinema nascido – assim como o estado – numa época já de popularização dos meios de produção, com diminuição dos custos de equipamentos, universalização dos celulares com câmera e simplificação dos programas de edição, o que condicionou o Tocantins a produzir amplamente obras, muitas vezes de forma caseira (os incentivos e verbas não acompanham esse boom). Duas características da cinematografia local se destacam: um grande número de produtos que questionam a História oficial propagada, investindo na crítica da existência palmense e tocantinense; e a importância dos diversos festivais locais como principal janela (às vezes única) para divulgação desses produtos.
Por fim, a pesquisa adentrou na materialidade das obras, no seu plano da linguagem, para analisar a imagem da cidade propagada pela cinematografia tocantinense. A principal ferramenta metodológica nesse momento foram os conceitos semióticos de objeto imediato e dinâmico de Peirce (SANTAELLA, 2002), que possibilitaram apontar em cada obra o recorte de Palmas empreendido pelo autor, o que variou entre a dissolução total da presença da cidade (em produtos com cenas exclusivamente internas e sem referências ao lugar), o uso do espaço
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filmagem, mas não é identificada na diegese) e a utilização da cidade como personagem (quando sua presença é revelada e muitas vezes discutida).
Uma das principais discussões levantadas a respeito das produções do projeto Telinha de Cinema não dizia respeito aos nossos objetivos específicos, mas se mostrou importante ao revelar um contexto próprio de produção audiovisual em Palmas. Como o Telinha é um projeto educativo, as questões pedagógicas precisaram ser abordadas de maneira ao menos introdutória. Por isso trouxemos a discussão a respeito da qualidade da educação no Brasil através de uma crítica ao modelo educacional vigente (MORAES, 2004) para identificar o projeto Telinha de Cinema como um novo paradigma educacional emergente. Nossa discussão, neste caso, se centrou nos fatores que tornaram possíveis e necessários o uso das tecnologias digitais – no caso o vídeo digital – num modelo educacional mais adequado ao contexto atual do aluno. Se o acesso à tecnologia se popularizou e as classes sociais mais economicamente inferiores têm oportunidades de fazer uso delas, um projeto educativo se mostra importante. O desenvolvimento dessa estética audiovisual tem espaço cada vez maior nas chamadas novas mídia e em festivais independentes ou não.
A tecnologia de produção e divulgação do vídeo digital é, portanto, um novo mecanismo de produção de discursos. Esses produtos, que falam de assuntos tão diversos, dificilmente excluirão a cidade – e, no caso, a periferia. No discurso periférico feito pela e para a periferia encontramos uma voz paralela, em conflito, com o oficial. Ao qualificar e equiparar este embate entre voz periférica e voz central – ou oficial – temos algo positivo: uma diversidade de narrativas sobre um mesmo lugar.
LITERATURA CITADA
CARVALHO, Luiz de. Vozes da consolidação – a comunicação social no Tocantins. Palmas: Ed. do autor, 2000.
____________. Testemunho da História de Vila Boa (Goyaz) a Palmas (Tocantins). Palmas: Ed. do autor, 2002
FERRARA, Lucrécia D´Aléssio. Ver/a/cidade: cidade, imagem, leitura. São Paulo: Nobel, 1988. ___________. Leitura sem palavras. São Paulo: Ática, 2001.
GOMES, Paulo Emilio Sales. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
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GUTIERREZ ALEA, Tomás. Dialética do espectador: seis ensaios do mais laureado cineasta cubano. São Paulo: Summus, 1984.
MORAES, Lúcia Maria. A segregação planejada - Goiânia, Brasília e Palmas. Goiânia: UCG, 2006.
MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. São Paulo: Papirus, 2004. NAZARIO, Luiz (org.). A cidade imaginária. São Paulo: Perspaectiva, 2005.
REIS, Patrícia Ofila Barros dos. Modernidades tardias no cerrado: discursos e práticas na história de Palmas- TO (1990-2010). 2009. 227f. Tese (Doutorado) – Instituto de Filosofia e Ciências, UFRJ, Rio de Janeiro, 2011.
SANTAELLA, Lucia. Semiótica aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
SHOHAT, Elia; STAM, Robert. Crítica da imagem eurocêntrica: multiculturalismo e representação. São Paulo: Cosac & Naify, 2006.
AGRADECIMENTOS
A realização desta pesquisa não teria sido possível sem a disposição do Profº Sergio Ricardo Soares, orientador da pesquisa, que de boa vontade atendeu a todas as solicitações e participou ativamente dos momentos mais difíceis da coleta. A Patrícia Orfila Reis, que fez questão de ceder sua tese até então recém escrita sobre a História de Palmas e do Tocantins. A Agência de Desenvolvimento Turístico do Estado do Tocantins, por ter cedido material para análise e à Inaê Lara Ribeiro e a Fernanda Veloso, do Projeto Telinha de Cinema, que cederam materiais importantes para análise.