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Implementação do programa Compliance nas estatais e a Lei 13.303/2016

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IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA COMPLIANCE NAS ESTATAIS E A LEI

13.303/2016 1

Kenia Santos Sabaliauskas*

Resumo: O presente artigo tem por finalidade analisar brevemente a implementação do Programa Compliance nas Estatais, tão necessário diante de diversos cenários de escândalos de corrupções. Todo o artigo fora baseado em pesquisa pura e bibliográfica. A implementação do Programa Compliance é possível através de aplicações de normas internas e das leis vigentes do país agindo em conformidade. A Lei 13.303/2016 surgiu como um marco para sua implementação em uma Estatal garantindo processos mais eficientes e confiáveis, tendo como base um controle interno voltado não apenas para correção, mas principalmente para prevenção através de conscientização de todos, sem distinção de função.

Palavras-chave: Compliance, Lei 13.303/2016, Estatais.

1. INTRODUÇÃO

O presente artigo propõe uma pesquisa tema apresentado, Implementação do Programa Compliance nas Estatais e a Lei 13.303/2016.

A pesquisa foi realizada através de levantamento de artigos na internet de profissionais renomados que abordaram o tema compliance relacionando-o à lei 13.303/2016, conhecida como Lei das Estatais.

A pertinência do tema escolhido se deu pelo real e atual cenário de nosso país pelo seu notável índice de corrupção – seja de forma simples até ao nível que é necessário aplicação de leis para combatê-las. Com a necessidade de maior controle

1 Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Gestão de

Finanças Públicas, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Gestão de Finanças Públicas.

* Acadêmico (a) do curso Especialização em Gestão de Finanças Públicas da Universidade do

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surgiu a Lei da Anticorrupção, Lei 12.846 criada em agosto de 2013. Todavia, ainda existiam lacunas a serem preenchidas.

Em 2016 ainda com a visão de combater de uma vez por todas a corrupção foi criada a Lei 13.303 conhecida como Lei das Estatais que possibilitou assim a obrigatoriedade da implementação do Programa Compliance.

O Programa Compliance surgiu com total destaque nas empresas e apesar de ser uma palavra nova no vocabulário do dia a dia, é de relevância o seu aprofundamento, principalmente no mundo empresarial.

Compliance vem do verbo inglês “to comply” que traduzido significa estar de acordo. Logo, o Programa Compliance basicamente significa agir em conformidade com as leis vigentes de nosso país bem como agir de acordo com as normas internas da empresa, voltado para conscientização e prevenção de fraude e corrupção.

Apesar de não já ser uma palavra inserida no mundo empresarial, nas empresas estatais sua aplicabilidade só se tornou obrigatória com a publicação da Lei 13.303/2016, conhecida como Lei das Estatais.

O artigo apresenta o tema principal que é a Implementação do Programa Compliance nas Estatais e a Lei 13.303/2016 e conta com 3 subtemas para que a compreensão seja de forma clara e simples.

O primeiro subtema descreve a origem da corrupção no Brasil que é um problema histórico e arraigado desde o descobrimento do Brasil, com a colonização. É apresentado também que com o ato que já dura séculos em nossa cultura tornou-se necessários medidas legais mais duras para que seja os envolvidos sejam penalizados e sua prática seja coibida.

No segundo subtema do artigo, foi apresentado um dos mecanismos fundamentais para que a implementação do Programa Compliance seja um ato obrigatório nas empresas estatais, possibilitando assim maior imparcialidade e observância de preceitos éticos nas Estatais, indicando alguns dispositivos encontrados na Lei 13.303/2016 para assegurar que haja a transparência e governança.

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No subtema seguinte apresenta que o Programa Compliance é muito mais que o cumprimento de normas. É destacado que apenas a aplicação deste não é suficiente para que haja eficiência e eficácia, mas é possível se for associado ao Programa de Integridade e Transparência que se baseia nos três pilares: prevenção, detecção e correção e com o intuito de auxiliar as empresas estatais a CGU criou o Guia de Implantação de Programa de Integridade nas Empresas Estatais.

O artigo tem como objetivo analisar sucintamente a Implementação do Programa Compliance nas Empresas Estatais, através de uma pesquisa pura e bibliográfica sobre o tema, relatando desde a origem da corrupção do Brasil até a necessidade de criação de dispositivos de controle, entre esses a Lei 13303/2016 que é um mecanismo necessário para obrigatoriedade da implementação do programa nas Estatais.

2. IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA COMPLIANCE NAS ESTATAIS E A LEI 13.303/2016

2.1 Necessidade de controle da corrupção no Brasil

2.1.1 Origem da corrupção no Brasil e criação de dispositivos legais para combatê-la A compra e venda de cd’s e dvd’s piratas, o troco a mais não devolvido, a troca de presentes esperando favores, o bajulamento dos superiores, a famosa “propina” ao fiscal e ao guarda para não o multar, a amizade baseada em interesses ou quem sabe o “famoso jeitinho brasileiro”, além da famosa operação lava-jato ocorrida em meados de março de 2014 envolvendo diretores da maior empresa estatal brasileira – a

PETROBRÁS, bem como políticos e grandes empreiteiras.

Essas e outras são práticas comuns que revela o quão profundo é a prática de corrupção no Brasil. Geralmente associamos corrupção ao alto escalão – governantes, autoridades, chefes e esquecemos do quanto está arraigada no nosso dia-a – dia.

É certo que a corrupção é um ato praticado por nós brasileiros desde os tempos remotos. Registra-se na história desde a época da colonização onde muitos dos súditos faziam de tudo, às vezes, até praticando atos cruéis e condenáveis de uma boa

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conduta para agradar ao rei e sem punições algumas já que era protegido pela maior autoridade da época.

Aos poucos foi se tornando algo tão comum e muitas vezes vantajoso que se tornou um problema cultural onde o “esperto” é aquele que cresce no mundo empresarial ou até pessoal e o merecedor, o que batalhou para alcançar seus objetivos, o ético se tornou uma pessoa erroneamente conhecida como chata, que não aproveita a vida. Ou seja, houve uma inversão de valores.

Pensando nesse problema cultural grave, no dia 01 de agosto de 2013 fora criada a Lei 12.846 conhecida como Lei Anticorrupção. Essa lei fora voltada para responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, conforme art. Art. 1o da referida lei. (BRASIL, 2013).

A lei 12.846/2013, Lei de Anticorrupção elenca quais os atos lesivos contra a administração pública bem como a responsabilização administrativa pelas suas práticas.

Além da Lei 12.846/13 o país contava com a conhecida Lei Complementar 131, conhecida como Lei da Transparência de maio de 2009 que garante a todos os acessos das informações da administração pública que já era previsto no inciso II do parágrafo 3o do art. 37 da Constituição da República Federativa do Brasil.

O artigo 1º da LC 131 (Lei Complementar no 131, de 27 de maio de 2009) disciplina in verbis: “Art.1º. O art. 48 da Lei Complementar no101, de 4 de maio de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 48. ... Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante:

I – incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos;

II – liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público;

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III – adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que atenda a padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da União e ao disposto no art. 48-A.”(NR) (BRASIL,2000)

Todavia, mesmo com todos esses mecanismos para assegurar a transparência e evitar os atos de corrupção, tornou-se necessário a criação em 2016 da Lei 13.303 conhecida como Lei das Estatais que dedicaremos um subtema para entendermos melhor qual a contribuição dela para o ordenamento jurídico brasileiro com relação às empesas estatais e de economia mista, entre elas estão a PETROBRÁS, CORREIOS, Banco do Brasil e outras.

2.2. Um breve relato da criação da 13.303/2016

O art. 1º da Lei das Estatais (Lei 13.303, de 30 de junho de 2016) disciplina in vertis “Art. 1º. Esta lei dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que explore atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao regime de monopólio da União ou seja de prestação de serviços públicos.” (BRASIL, 2016)

Ela estabelece diversos mecanismos de transparência e governança a serem observados pelas estatais, como normas para divulgação de informações, práticas de gestão de risco e controles internos, códigos de conduta e integridade, formas de fiscalização, entre outros.

As principais mudanças trazidas por esse dispositivo foram os critérios para nomeação de diretores, membros dos conselhos de administração pública e de presidentes em empresas públicas e de economia mista.

O art. 17 desse dispositivo lança luz sobre quais requisitos seguir para escolha dos membros de Conselho de Administração e os indicados para os cargos de diretor, presidente que deverão ser escolhidos que deve recais sobre cidadão de reputação ilibada, vem do adjetivo em latim illibatus que significa limpo, também deve ter notório conhecimento preenchendo cumulativamente – tempo mínimo de experiência profissional comprovando alternativamente 10 anos no setor público ou privado, na área de atuação da estatal ou em área conexa àquela para a qual for indicado

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em função de direção superior. Poderá ainda comprovar o tempo mínimo se estiver ocupado por 4 anos o cargo de direção ou chefia superior em empresa similar pelo porte ou pelo objeto social da estatal; ter exercido por 4 anos cargo em comissão ou função de confiança de no mínimo da Direção e Assessoramento Superior (DAS)-4; ter atuado como docente ou pesquisador em áreas de atuação daquela estatal pelo igual período de 4 anos. Outra hipótese prevista é comprovar a experiência mínima de 4 anos como profissional liberal em atividade direta ou indireta vinculada a área de atuação da empresa pública ou sociedade de economia mista.

Além do tempo mínimo de experiência profissional deverá ter formação acadêmica compatível com o cargo indicado e não se enquadrar nas hipóteses de inelegibilidade previstas nas alíneas do inciso I do caput do art. 1º da Lei Complementar n.64, de 18 de maio de 1990, com as alterações introduzidas pela Lei Complementar n.135 de 4 de junho de 2010. A exemplo estão inelegíveis os analfabetos e inalistáveis, os que forem condenados com trânsito em julgado dos crimes de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores, dos crimes contra economia popular, entre outras vedações previstas em lei.

Outra mudança importante prevista na Lei 1330/2016 está no artigo 9º que prevê a adoção de regras de estruturas e práticas de controle interno através de ação dos administradores e empregados, por meio de implementação cotidiana de práticas de controle interno; a elaboração e divulgação de Código de Conduta e Integridade que prevê inclusive treinamento periódico sobre Código de Conduta e Integridade e orientações sobre a prevenção de conflito de interesses e vedação de atos de corrupção e fraude, além de criação de canal de denúncias que possibilite o recebimento de denúncias internas e externas relativas ao descumprimento do Código de Conduta e Integridade e das demais normas internas de ética e obrigacionais e as penalidades, ou sanções no caso de descumprimento das regras do Código de Conduta e Integridade entre outros, tudo assegurando maior controle interno e consequentemente maior conformidade nos processos.

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2.3 Compliance – muito mais que cumprimento de normas

A palavra compliance não tem uma tradução fiel para sua formação. Apenas sabe-se que surgiu da junção do verbo em inglês to comply ou estar de acordo em português.

Apesar de não ter tão claro quando se deu seu surgimento, acredita-se que “remota a virada do século XX, com a criação do Banco Central dos Estados Unidos para ser um ambiente financeiro mais flexível, seguro e estável’, conforme Bobsin relata em seu artigo. ‘Na década de 70, também nos Estados Unidos, foi criada uma lei anticorrupção transnacional, a Foreing Corrupt Practies (FCPA), que endureceu as penas para organizações americanas envolvidas com corrupção no exterior”, continua Bobsin.

Já no Brasil acredita-se que o país começou a adequar-se aos padrões éticos e combate à corrupção em 1992 quando iniciou a abertura de mercado.

Todavia, o tema tornou-se mais conhecido após publicação da Lei 12.846/13 e posteriormente com a Lei das Estatais.

Como já abordado, a Lei 13.303/2016, Lei das Estatais, surgiu com a finalidade de dirimir a prática de corrupção tão recorrente nos atos praticados pela administração pública:

Dispondo sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (BRAGAGNOLI,2017)

Ainda segundo Bragagnoli “a lei de maneira compulsória criou a área de compliance, reportando diretamente ao Conselho de Administração em situações em que há suspeita de envolvimento do diretor-presidente em irregularidades ou quando este se negar de adotar medidas necessárias em relação às situações a ele relatadas”, palavras essas embasada no artigo 9 § 4º da Lei 1330/2016.

Com a obrigatoriedade do compliace nas estatais, as empresas públicas e de economia mista passaram a investir no controle interno para cumprimento de normas e regulamentos.

De acordo com Cardoso ‘trata-se de um marco legal relevante e inovador’ os deveres impostos pela Lei 13.303/2016, incluindo o programa Compliance.

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Ainda de acordo com o Informativo Justen, Pereira, Oliveira & Talamini

intitulado – Governança Corporativa, Transparência e Compliance nas empresas estatais: o regime instituído pela Lei 13.303/2016:

Embora se tratasse de prática já adotada por várias empresas estatais (até mesmo em função do estabelecido pela Lei 12.846), a Lei 13.303 definiu expressamente o dever de elaboração e divulgação de código de conduta e integridade (art. 9º, §1º). (CARDOSO,2016)

Nas estatais, através do Programa Compliance associado à Lei 13303/2016 tornou-se possível a prática de gestão de riscos, elaboração de código de conduta e integridade contendo princípios, valores e missão da estatal que pode ser empresa pública ou sociedade de economia mista, contendo orientações sobre a orientação de conflitos de interesses e vedação de atos de corrupção e fraude, deve ainda prever treinamento periódico sobre esse código a empregados e administradores e sobre apolítica de gestão de risco a administradores, ainda é previsto nesta lei a criação de canal de denúncias que possibilite o recebimento de denúncias internas e externas do não cumprimento do Código de Conduta e Integridade bem como o Código de ética com mecanismo de proteção ao denunciante, além de práticas cotidianas de controle interno.

Um aspecto notado pelo Informativo Justen, Pereira, Oliveira & Talamini:

Refere-se à definição de área específica das empresas responsável pela verificação do cumprimento de obrigações e de gestão de riscos. Nos termos do 2º, do art. 9º essa área “deverá ser vinculada ao diretor-presidente e liberada por diretor estatutário, devendo o estatuto social prever as atribuições da área, bem como estabelecer mecanismos que assegurem atuação independente. (CARDOSO,2016).

É fato que um bom Programa Compliance é mais que cumprimento de normas. Se torna eficiente e eficaz se for associado ao Programa de Integridade e Transparência.

O Programa Integridade baseia-se em 3 pilares: prevenção, detecção e correção e com o intuito de auxiliar as empresas estatais a CGU criou o Guia de Implantação de Programa de Integridade nas Empresas Estatais.

Neste guia (CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO,2015) apresenta a estrutura do Programa de Integridade das Empresas Estatais apresentando os itens abaixo:

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1 – Desenvolvimento do ambiente do Programa de Integridade através do comprometimento da alta direção da pessoa jurídica com evidencias de apoio visível e inequívoco ao programa;

2 – Análise periódica de riscos para realizar adaptações quando se tornar necessárias;

3- Estruturação e Implantação de Políticas e Procedimentos – aborda os padrões de conduta e código de ética, políticas e procedimentos, aplicáveis a todos empregados e administradores, criação de canais de denúncias e proteção aos denunciantes entre outros pontos.

4- Comunicação e Treinamento- treinamento deverá ser periódico e deve haver comunicação sobre o programa e transparência da pessoa jurídica.

5- Monitoramento do Programa de Integridade e Medidas de Remediação e Aplicação de Penalidades que tem os seguintes itens: monitoramento contínuo do Programa de Integridade, visando seu aperfeiçoamento na prevenção, detecção e combate à ocorrência de atos lesivos; procedimentos que assegurem a pronta interrupção de irregularidades ou infrações detectadas e a tempestiva remediação dos danos gerados e aplicação de medidas disciplinares em caso de violação do Programa de Integridade.

Com a aplicação dos itens abordados no Guia da CGU referente a implementação do Programa de Integridade nas Empresas Estatais o resultado é um eficiente e eficaz Programa Compliance, garantindo assim segurança para a empresa, seus empregados e fortalecendo a imagem da empresa perante seus stakeholders, público estratégico que tem interesse em uma empresa.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos o presente artigo com a certeza que o Brasil possui diferentes mecanismos para inibição da corrupção, principalmente na administração pública. Leis, medidas provisórias, leis complementares, decretos vão surgindo para lacunas preenchidas pelo avanço tecnológico e novas formas de práticas de atos corruptos.

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A Lei 13330/2016 surgiu como um marco para o combate da corrupção nas estatais através da implementação do compliance que tem uma atuação não apenas reativa, mas também preventiva, evitando assim práticas que sejam consideradas até crime.

Um exemplo de estatal que está aplicando o Programa Compliance é o Banco do Brasil que conforme manual disponibilizado no seu site tem o patrocínio da Alta Administração que busca estar preparada para o desafio de inserir a cultura de controles internos e compliance no dia a dia.

Através da Lei das Estatais associada à Implementação do Programa Compliance notou-se que a solução para erradicação da corrupção é a conscientização visando uma alteração da cultura arraigada de crenças e valores.

Alterar uma cultura que foi construída durante toda uma vida através de crenças e comportamentos é possível através de disseminações de conhecimentos e práticas inovadoras em uma empresa.

Uma das formas utilizadas para promoção da cultura compliance é através de treinamentos e ações, que já estão sendo implementadas pelas estatais desde 2018 quando se tornou obrigatório.

É primordial, no entanto, a mudança da cultura da sociedade brasileira.

Nosso pais, aparece no ranking do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) ocupando a pior posição desde 2012. Está na 105ª posição dentre 180 países e territórios. A pontuação indica o nível percebido de corrupção no setor público de 0 a 100. Quanto maior a pontuação maior o nível de corrupção. No último ranking de 2018, o Brasil apresentou a pontuação 35.

Com isso em mente é mais do que urgente a disseminação da cultura compliance em todos, principalmente no setor público que administra os recursos públicos.

A Implementação do Programa Compliance nas Estatais é um marco para o caminhar de um país mais sólido e voltado para a erradicação da cultura corruptível que aqui apresenta, principalmente no setor público.

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Ser e estar compliance tem que estar no dia a dia. Ou seja, é necessário muito mais que dispositivos legais para estabelecimento de uma cultura incorruptível.

Os empregados, bem como a alta administração já tem seus valores, princípios morais e éticos criados e precisam se adequar aos valores, missão de uma empresa estatal.

Todavia, há valores básicos que todos devemos ter e uma das formas eficientes de inserir a cultura compliance em todos da sociedade é através de disseminações de conhecimento por meio de palestras nas escolas, faculdades e até inclusão na grade curricular junto à matéria de ética.

Todos, sendo parte ou não de uma empresa estatal podemos ser compliance por seguir os procedimentos e agir em conformidade e estar compliance estando em conformidade com leis e regulamentos, construindo assim uma sociedade mais justa, ética e sólida para nosso Brasil.

REFERÊNCIAS

AMORIM, Maria Cristina Sanches. Compliance e liderança: a suscetibilidade dos líderes ao risco de corrupção nas organizações. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-45082012000100003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt > . Acesso em: 03 nov.2018 BRAGAGNOLI, Renila. A lei n 13.303/2016 e o (velho) compliance nas empresas. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/61227/a-lei-n-13-303-2016-e-o-velho-compliance-das-empresas-estatais >. Acesso em: 03 nov.2018

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 20 de abril de 2019.

BRASIL. Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990. Estabelece, de acordo com o art. 14, § 9º da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação, e determina outras providências. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp64.htm>. Acesso em: 20 de abril de 2019.

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BRASIL. Lei Complementar nº 131, de 27 de maio de 2009. Acrescenta dispositivos à Lei Complementar no101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências, a fim de determinar a disponibilização, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp131.htm>. Acesso em: 20 de abril de 2019.

BRASIL. Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010. Altera a Lei

Complementar no64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9o do

art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp135.htm>. Acesso em: 20 de abril de 2019.

BRASIL. Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. Dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12846.htm>. Acesso em: 20 de abril de 2019.

BRASIL.Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016. Dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Disponível

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EL KALAY, Marcio. O que é compliance? Tudo que você precisa saber! Disponível em: <http://www.lecnews.com.br/blog/o-que-e-compliance/>. Acesso em:03

nov.2018

TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL. Índice de Percepção da Corrupção 2018. Disponível em:

Referências

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