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Burgueses e proletários

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Academic year: 2021

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Burgueses e proletários

Introdução

No século XIX, início da sociedade contemporânea, antes restrita à Inglaterra, a industrialização espalhou-se ao restante do continente europeu e, mais tarde, também chegou nos Estados Unidos e Japão. Mas não veremos somente prosperidade nessa relação, há também tensão entre operários e patrões que irá se expressar no campo político e social. Este será o tema desta aula. Vamos começar?

Ao final desta aula, você será capaz de:

• compreender a formação social dos séculos XIX e XX;

• conhecer as relações sociais que moldaram as revoltas e revoluções sociais no século XIX e início do século XX.

Operários e patrões no século XIX

No século XIX, a relação entre patrões e empregados ficaram mais tensas devido ao aumento de exploração. Com a industrialização e a demanda por mão de obra que as fábricas exigem, milhões de pessoas deixaram o campo para viver nas cidades. Resumindo: deixam de ser camponeses e passam a ser operários, também conhecidos como proletários (THOMPSON, 1987).

Perceba que as condições de trabalho do campo para a indústria são totalmente diferentes. Como? No campo, o tempo da natureza l dita o ritmo de trabalho, ou seja, trabalha-se enquanto houver sol. Se está chovendo, então, não há trabalho; há folga nos dias santos; e podem produzir o que irão se alimentar. Na cidade, ao trabalhar em uma indústria, é o relógio quem dita o ritmo, não importa se está chovendo ou escuro: o ambiente fechado e a eletricidade permitem que a linha de montagem nunca pare de segunda à sábado. As condições de vida fora das fábricas não eram melhores. O péssimo salário apenas permitia aos operários viverem em moradias em condições insalubres.

Enquanto isso, a classe burguesa continuava a prosperar, impondo à sociedade seu modo de vida e hegemonia cultural. No entanto, saiba que nem todos aceitaram essas condições e foi assim que começaram a se organizar para combater esta exploração.

Revolta de operários: Ludismo

Uma das primeiras reações à exploração que os operários viviam foi o Ludismo. O nome deriva do líder do movimento Ned Ludd que, junto de outros operários, era contrário ao intenso processo de industrialização. Segundo eles, as máquinas retiravam o seu trabalho.

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Figura 1 - Quebra de Máquinas, ação típica do Ludismo

Fonte: anthonycz / Shutterstock

Com isso, em 1811, os operários passaram a quebrar as máquinas. Em virtude disso, os industriais pressionaram o Parlamento para criar leis mais duras para quem participasse do movimento (THOMPSON, 1987). Dezenas de fábricas tiveram máquinas quebradas ou incendiadas. Muitos participantes do movimento foram mortos ou enviados às colônias e o destino de seu líder desconhecido. Mas é fato que o movimento se espalhou a outros países da Europa.

Movimento Sindical

O sindicato é uma organização criada para defender os interesses da classe trabalhadora. Apesar de na Idade Média serem criadas as corporações de ofício com a finalidade de defender os interesses de certa classe de artesão, o sindicato, como conhecemos hoje, surgiu com a intensificação da industrialização no século XIX.

Com o fracasso de reações violentas à exploração dos patrões, os trabalhadores europeus, principalmente os ingleses, resolveram organizar associações que os representariam na luta contra a opressão. Os primeiros sindicatos modernos surgem na Inglaterra em 1824 e, por volta da década de 1870, ganham o formato que conhecemos hoje.

FIQUE ATENTO

Com a organização dos sindicatos ingleses, surge o esporte preferido da classe operária: o futebol e os primeiros times ingleses.

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Figura 2 - Unir forças

Fonte: Andrey_Popov / Shutterstock

Os sindicatos lutavam por melhores condições de trabalho, como diminuição da jornada diária, o aumento de salário, e o direito de voto masculino não censitário. Quando o parlamento recusou os pedidos, consequentemente vieram as greves e manifestações por toda a Inglaterra. Os direitos trabalhistas só foram plenamente assegurados graças à atuação dos sindicatos no final do século XIX e início do século XX, quando as instituições estavam melhor organizadas (THOMPSON, 1987).

Tendo em vista todas essas mudanças na estrutura da sociedade, principalmente no que se refere à classe operária, vejamos o que estes eventos ocasionaram no cenário político.

SAIBA MAIS

A atuação do sindicato ainda é importante hoje, pois estes órgãos asseguram os direitos dos trabalhadores. Leia mais sobre o assunto em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download

>.

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Política século XIX: Capitalismo Liberal,

Socialismo e Anarquismo

A Europa e a América do século XIX viram o surgimento do Capitalismo Liberal e seus antagonistas políticos: o Socialismo e o Anarquismo. Mas quais as características de cada um deles afinal? Vejamos a seguir.

O Capitalismo Liberal atendia aos interesses da burguesia industrial, pois acabava com a distinção jurídica entre nobreza e os outros súditos comuns. Além disso, não permitia qualquer interferência estatal na economia, possibilitando autonomia às indústrias em suas decisões e o poder pelo Parlamento, controlado por eles. Mas não assegurou a igualdade social, fazendo com que o proletariado ficasse submisso e explorado pela burguesia industrial. (HOBSBAWM, 2009)

Por outro lado, a corrente política do Socialismo surgiu na primeira metade do século XIX, como uma reação ao Capitalismo Liberal. Os teóricos desta fase eram chamados de utópicos e propunham a criação de uma sociedade igualitária, sem exploração econômica. Ao final da primeira metade do século XIX surgiram os socialistas científicos. Eles propunham analisar a sociedade em seus aspectos históricos e filosóficos e não apenas por meio dos ideais de justiça social.

Por fim, o Anarquismo que ao contrário do Socialismo, enxergava a adoção de um Estado como um dos elementos de dominação e exploração sobre o trabalhador. O Anarquismo é sustentado sob três pilares: crítica à dominação, defesa da auto-gestão e coerência na transformação social. Devido à dificuldade em assimilar suas ideias, o Anarquismo teve pouca repercussão entre a classe trabalhadora europeia, já que eram vistos como radicais (BEER, 2006).

Agora que tivemos uma ideia geral do que foi a política no século XIX, acompanhe-nos para conhecer as revoluções ocorridas na sequência.

Revoluções: 1830, 1848, 1870 e 1917

1830

Após o fim da Era Napoleônica no Congresso de Viena, a família Bourbon retornou ao poder na França com os Reis Luís XVIII e Carlos X, irmãos mais novos de Luís XVI. O primeiro monarca realizou um governo de respeito à burguesia francesa, com medo de reviver as tensões da Revolução de 1789, mas o segundo quis reviver a monarquia absolutista de tempos anteriores.

FIQUE ATENTO

Os países socialistas que surgem no século XX vão se inspirar no Socialismo Científico de Karl Marx e Friedrich Engels.

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1789, Carlos X renuncia ao poder e parte ao exílio na Inglaterra. E quem fica em seu lugar? Seu primo distante Luís Felipe de Orleans o qual será conhecido como o “Rei Burguês” por favorecer a política burguesa (HOBSBAWM, 2009).

Figura 3 - Liberdade guiando o povo

Fonte: Oleg Golovnev / Shutterstok

1848

Conhecida como a “Primavera dos Povos”, a classe trabalhadora de Paris revolta-se contra a exploração da burguesia industrial e o amparo que o Estado francês dá a esta exploração sob o governo do Rei Burguês. Centena de milhares de trabalhadores tomam o centro de Paris e exigem a deposição do Rei e políticas públicas de apoio aos trabalhadores. Mesmo com a reação violenta, o apoio popular à causa apenas aumentou, restando ao Rei apenas abdicar ao trono.

Com isso, nasce a Segunda República Francesa (1848 – 1852), criada a partir da aliança da grande e pequena burguesia e socialistas. Tensões internas entre os grupos levaram a mais agitações sociais e conflitos abertos nas ruas de Paris. Nas eleições de novembro de 1848, o candidato dos trabalhadores ganhou: Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho de Napoleão I (HOBSBAWM, 2009). Luis Napoleão Bonaparte assumiu a presidência com o

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Luís Napoleão deveria entregar o cargo de presidente em 1852, mas, assim como tio, articulou um golpe e conseguiu acabar com a Segunda República e proclamar-se imperador dos franceses sob o título de Napoleão III. Este tipo de golpe também repercutiu em outros países, como Prússia, Áustria, Piemonte e Brasil.

1871

Com a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana, houve a queda do imperador Napoleão III e a adoção da Terceira República Francesa. Durante a negociação de termos de rendição, a população de Paris, sob a liderança da Guarda Nacional, queria resistir à invasão prússica. Com isso, declaram independência política do governo francês e criam a Comuna de Paris.

De inspiração socialista, suas lideranças fazem uma série de reformas com o intuito de melhorar as condições de vida dos trabalhadores parisienses, como a redução da jornada de trabalho, o aumento dos salários, a igualdade de gênero e a autogestão fabril. Alguns teóricos consideram que a Comuna de Paris foi a primeira experiência socialista conscientemente política na Europa.

Após de consolidar a paz com o recém-criado Estado Alemão, herdeiro da Prússia, o governo francês, sob a liderança de Thiers, ataca e massacra a Comuna de Paris, restabelecendo a autoridade da Terceira República na

FIQUE ATENTO

Marx e Engels participam da “Primavera dos Povos” e, a partir dessa experiência, escrevem o “Manifesto do Partido Comunista”.

EXEMPLO

No Brasil, a “Primavera dos Povos” vai inspirar a Revolta Praieira no Recife, em que grupos locais lutavam contra a monarquia e o controle político da família Cavalcante.

SAIBA MAIS

A Primeira República Francesa surgiu durante a Revolução Francesa. Para saber mais sobre este evento, leia o artigo “A Revolução Francesa e seu eco”, de Michel Vovelle, disponível em: <

>.

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O historiador Eric Hobsbawm, define que o século XIX histórico perdurou até os anos da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), pois a sociedade europeia manteve os mesmos costumes e hábitos até este evento. A Revolução Russa de 1917 é um desses exemplos.

Considerada a primeira Revolução Socialista a perdurar na História, contrariando Marx, ocorreu em um país agrário, com poucos centros urbanos industrializados e uma classe operária pequena, que vivia sob o governo absoluto opressor do Czar (imperador) Nicolau II. Apesar de avanços políticos nas Revoltas de 1905, a opressão do Czar ainda era grande.

Figura 4 - Bandeira Soviética

Fonte: patrice6000 / Shutterstock

Sob a liderança de Vladimir Lênin, operários de Moscou e Petrogrado, com o apoio dos camponeses, derrubam o governo liberal, o qual substitui o governo czarista, em fevereiro daquele ano, e deu início ao governo socialista

EXEMPLO

O governo socialista que se instaura dará origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que durará de 1917 a 1991.

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Fechamento

O século XIX na Europa e na América foi moldado sob tensão entre a classe burguesa industrial e os operários. Neste contexto, surgiram teorias políticas, revoltas a resoluções em 1848, 1871 e 1917.

Nesta aula, você teve a oportunidade de:

• compreender a formação social dos séculos XIX e XX;

• conhecer as relações sociais que moldaram as revoltas e revoluções sociais no século XIX e início do século XX.

Referências

BEER, Max. História do Socialismo e das lutas sociais. São Paulo: Expressão Popular, 2006. HOBSBAWM, Eric J.A Era das Revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

SANTOS, Daniel Moita, Flexibilização da Norma Trabalhista no Brasil, Universidade de Caxias do Sul, 2005. VOVELLE, Michel, A Revolução Francesa e seu eco, Estud. av., São Paulo, v. 3, n. 6, p. 25-45, Ago. 1989. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v3n6/v3n6a03.pdf>. Acesso em: 15/02/2017.

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Referências

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